VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 22 de março de 2026

Crês isto? Sim, Senhor, eu creio...

 Homilia do 5°Dom da Quaresma (Jo 11,1-45)(22/03/26)

1. Caríssimos, o Poder de Deus se revela no amor, na misericórdia, na bondade, na paciência, na humildade e na obediência do Seu Filho, Jesus Cristo, por sua morte e ressurreição. Bem como meditamos na Carta aos Hebreus: "Jesus, autor e consumador de nossa fé. 

2. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." (Hb 12,2-3).

3. De fato, não entendemos o Poder de Deus como uma força de destruição, mas sim, como Força de defesa e salvação para seus filhos e filhas em meio às agruras deste mundo. E somente quem abraça a cruz de Jesus e persevera com Ele até o fim, pode experimentar o poder da sua ressurreição. À isto chamamos martírio que significa autêntico testemunho. 

4. A liturgia de hoje nos mostra o Senhor Jesus realizando um dos últimos sinais de sua presença messiânica neste mundo, a ressurreição de Lázaro. Mas, por que o Senhor realizou esse prodígio mesmo sabendo que seria morto? Escutemos Dele então a resposta : “Pai, eu te dou graças porque me ouviste. Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste”.

5. Ou seja, o Senhor cuida da nossa fé que o identifica como o Messias enviado por Deus Pai, como havia feito antes com Marta, irmã de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto? Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”.

 6. Portanto, caríssimos, ao ordenar que a pedra fosse removida, o Senhor Jesus nos convida a sair dos sepulcros do desânimo e do pecado. Ele não apenas devolve a vida a um amigo, mas nos ensina que ressuscitar com Ele exige determinação para ouvir Sua voz e deixar que Ele desate as faixas que ainda nos impedem de caminhar na verdadeira liberdade dos filhos de Deus.

7. Decerto, este 5° Domingo da Quaresma é, um chamado à confiança absoluta no poder de Deus. Assim como a dor de Marta e Maria transformou-se em alegria irradiante, o Senhor nos chama a entregar nossas impossibilidades a Ele que intercede por nós junto ao Pai. De fato, a última palavra sobre nossa existência não pertence ao túmulo, mas Àquele que é, a Ressurreição e a Vida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 21 de março de 2026

Em Cristo Jesus recebemos todas as graças para a salvação das nossas almas...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,40-53)(21/03/26)

1. Caríssimos, Jesus é Deus conosco, porque assumiu em tudo a nossa natureza, menos o pecado; mas, como vimos no Evangelho de hoje, não foi reconhecido, porque para isto se faz necessário ama-lo muito além do que pensam, falam ou julgam Dele. Aliás, um dos piores pecados da humanidade é o julgamento temerário, ou seja, julgar os outros a partir de ideologias, credo, posição social ou outros critérios humanos desprovidos de discernimento, compreensão, amor e misericórdia.

2. Com efeito, a liberdade que o Senhor Jesus nos apresenta é aquela recebida da vontade do Pai, como Ele disse aos mestres da lei e fariseus: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e foi ele quem me enviou”. (Jo 7,28-29).

3. Em uma outra passagem desse mesmo Evangelho, o Senhor é ainda mais enfático: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).

4. Antes, porém, já os havia advertido: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebe-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?" (Jo 5,43-44).

5. De fato, quem ouve o Senhor Jesus de bom grado e põe em prática tudo o que Ele ensina, experimenta de imediato o fecundo resultado do poder de Sua Palavra, para viver na sua presença em santidade e justiça todos os dias de sua vida conforme a vontade de Deus, nosso Pai celestial. 

6. É bem como meditamos na Primeira Carta de são João: "É assim que conhecemos se estamos em Cristo: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6). Ou seja, precisamos renunciar a nós mesmos para segui-lo fielmente, pois esta é a vontade de Deus que disse: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz." (Mc 9,7).

7. Portanto, caríssimos, diante do Senhor Jesus jamais alguém pode ser indiferente, ou o acolhe humildemente ou o julga indevidamente usando de preconceitos e argumentos falaciosos próprios de quem carrega na alma a marca da besta, que é o ódio e seus efeitos maléficos. 

8. E foi isso o que aconteceu no Evangelho de hoje em que os fariseus cheios de preconceitos e falsos argumentos fizeram calar seus oponentes que reconheciam Jesus como profeta. Por isso, eis o que diz o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha." (Mt 12,30) E ainda: "Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Quem somos por nós mesmos diante de Deus?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)(20/03/26)

1. Caríssimos, o que há de mais asqueroso no coração dos homens do que a rejeição a Deus? Porque isso significa a morte de quem se opõe a Ele, que é a única Fonte de vida eterna. De fato, toda oposição só o é porque quer ocupar o lugar do outro indevidamente, usúrpa-lo, desse modo, opôr-se a Deus é querer ser Deus embora sabendo que nunca o será, porque Dele dependemos cem por cento. 

2. Com efeito, é assim que compreendemos o porquê do desequilíbrio deste mundo: tudo o que não permanece no amor de Deus, se perde por falta de comunhão com Ele, por isso, estão sempre em oposição porque se tornaram incapazes de amar; porque Deus é amor, e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele aqui e por toda a eternidade, como nos ensinou são João na sua primeira Carta (cf. 1Jo 4,8.16).

3. Na primeira leitura tirada do livro de Sabedoria, o escritor sagrado prevê proféticamente o sofrimento de Cristo, depois de ouvir dos seus algozes estas palavras: "Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis.

4. Proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. 

5. E o haigógrafo conclui: "Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras." (Sb 2,1a.12-22). De fato, a última palavra é de Deus e de nenhuma criatura. 

6. E a última Palavra é esta: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos."

7. Portanto, caríssimos, não confundam essas palavras com ideologias políticas, pois, não o são; na verdade, trata-se do Juízo Final a partir do cumprimento ou não dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia. Porque todos sem exceção seremos julgados. No entanto, como escreveu São Paulo, "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." (Rm 8,28).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vinde alegre cantemos... Solenidade de São José...


 Solenidade de São José

(Mt 1,16.18-21.24a)(19/03/26)
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1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de São José, "guardião fiel dos mistérios da salvação", e como vimos no Evangelho de hoje, homem justo e profundamente dedicado à missão que Deus lhe confiou, ou seja, ser o pai adotivo do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, depois da Virgem Maria, são José foi o primeiro a conhecer por revelação divina a chegada do Messias prometido. 

2. A princípio em seu silêncio e humildade, José pensou em abdicar de seu propósito de esposar a Santíssima Virgem Maria, por não entender o que lhe estava acontecendo, exatamente por não querer culpa-la; no entanto, Deus enviou o seu anjo para instruir-lhe em sonho, ao que prontamente ele o atendeu e passou a cumprir os seus desígnios, acolhendo Jesus, como filho adotivo conforme o propósito divino.
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3. Em sua homilia sobre esta solenidade disse São Bernardino de Sena: "Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, aumentando muito a sua beleza espiritual. Isto verificou-se totalmente com São José, pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos.
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4. O Pai Eterno escolheu-o para ser o guardião fiel dos seus principais tesouros: seu Filho e sua esposa, função que ele desempenhou fielmente. Foi por isso que o Senhor lhe disse: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,21).
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5. Portanto, caríssimos, a grandeza de José está na sua prontidão. Ele não questiona, não hesita e não pede provas adicionais. Sua fé se traduz em ação imediata. Ele transforma o "sim" de Maria em proteção e providência cotidiana. 

6. De modo que, Celebrar São José é recordar que a santidade muitas vezes se esconde no cotidiano, no trabalho honesto e no cuidado silencioso com o próximo. Ele nos ensina que ser "justo" diante de Deus é saber acolher o inesperado com confiança e coragem. 
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7. Oremos, então, com amor e devoção esta linda oração de são Bernardino de Sena, dedicada a São José: "Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede junto de teu Filho adotivo com o socorro da tua oração, e conquista-nos o favor da bem-aventurada Virgem, tua Esposa, que é a Mãe daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos." Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de março de 2026

Com Cristo vivemos para muito além dos limites de nossa natureza...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(18/03/26).


1. Caríssimos, a superficialidade da vida consiste em deixar as coisas santas pelas profanas; em deixar as coisas eternas pelas mundanas; deixar o silêncio interior pelo barulho ensurdecedor deste mundo; e o resultado nefasto desse desvario não poderia ser outro, ou seja, maldade, violência e todo tipo de desequilíbrio que leva à morte e a perdição eterna dos que seguem essa via. 

2. No entanto, ainda estamos no tempo da Divina Misericórdia e por isso nem tudo está perdido, pois, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é a Fonte inesgotável do amor e da misericórdia do Pai, e se faz realmente presente neste mundo para perdoar e salvar todos os pecadores arrependidos por meio da Sua Santa Igreja, Sacramento universal da Salvação, e a parte visível do Reino de Deus no seio da humanidade.

3. E isto está comprovado por estas Palavras do Senhor: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19).

4. De fato, sem essa autenticidade ninguém se salvaria, pois, se dependesse de nós pecadores não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Ora, da boca do Profeta Isaías ouvimos estas palavras: "Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 

5. Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti." Ou seja, Deus está atento a tudo o que nos acontece, pois, como prometeu, jamais nos abandona.

6. No Evangelho de hoje ouvimos o diálogo entre o Senhor Jesus e os judeus, e como seus algozes reagiram à este Seu ensinamento: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus." Ou seja, quem se fecha para o amor de Deus, condena-se à uma vida de ódio e injustiças, por conta da maldade que cultiva.

7. Oremos: Senhor Jesus, Filho amado de Deus, escuta as nossas súplicas e dá-nos a graça da perseverança final; não permitas que sejamos vencidos pelas tentações e astúcias do inimigo; dá-nos Senhor por teu infinito amor a vitória sobre todo o mal, pelos méritos de tua Mãe, Maria Santíssima, e de São José seu castíssimo esposo, e de todos os santos e santas que participam contigo da tua glória eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O Senhor Jesus é a Fonte de água viva que jorra para a vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(17/03/26)

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1. Caríssimos, a água é símbolo de vida, de limpeza, de purificação, de remédio para todos os males; ela e todas as outras criaturas são dons de Deus, sinais do seu amor e da sua bondade. No Cântico das Criaturas assim cantou são Francisco de Assis louvado a Deus pela irmã água: "Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água, que é muito útil e humilde, e preciosa e casta."


2. O Senhor Jesus, ao referir-se ao estado de graça de nossas almas, comparou-se à Fonte onde bebemos o Espírito Santo: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)."

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3. Na primeira leitura o Profeta Ezequiel teve uma visão profética onde Deus lhe mostra, por meio do Seu anjo, o templo repleto de água viva simbolizando o transbordamento do Espírito Santo na vida de seus filhos e filhas, exatamente como vimos acontecer no dia de Pentecostes (cf. At 2).

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4. Em outras palavras, isso quer dizer que a nossa convivência com o Senhor é fundamental para crescermos no conhecimento do seu amor e de todas as outras virtudes que nos levam à perfeita comunhão com Ele e entre nós; bem como nos ensinou São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4,3-5)

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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus se aproxima de um homem que há 38 anos esperava que alguém o ajudasse à banha-se nas águas da piscina de Siloé para ser curado de sua paralisia. Porém, ao crê na Palavra do Senhor, ficou curado de imediato, pois, de fato, Jesus é a Fonte de Água viva que veio a este mundo para nos purificar de todo pecado e nos libertar de todos os males.

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Portanto, caríssimos, rezemos esta simples oração composta por Santo Efrém (Sec. IV): "Verte, Senhor, sobre a minha fraqueza, o teu orvalho; pelo teu Sangue [derramado], perdoa os meus pecados. Que eu seja incluído no número dos teus santos, e sentado à tua direita." Permaneça para sempre. Amém! Assim seja!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...


 Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)


1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

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1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

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2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

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3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

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4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 


5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

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6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

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7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.


8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

A nossa trajetória para a eternidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(13/03/26)

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1. Caríssimos, a nossa trajetória rumo a eternidade é constante, pois o tempo não para e tudo passa rápido. O problema consiste no como fazemos esse percurso, com quem o fazemos e quais as motivações para isso. Ora, viver não é só respirar naturalmente, mais do que isso, viver é cumprir o propósito eterno para o qual Deus nos criou.

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2. Neste sentido, a liturgia de hoje torna clara a atitude que devemos ter diante dos erros que cometemos nessa nossa trajetória para a eternidade. A primeira leitura nos mostra a necessidade de uma permanente conversão para vivermos como verdadeiros filhos e filhas de Deus. 


3. Com efeito, é isso o que nos ensina são Paulo na Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

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4. No Evangelho de hoje um escriba se aproxima do Senhor Jesus e o interroga: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 


5. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.

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6. Ora, ao dar essa resposta, o Senhor Jesus nos põe diante do único motivo pelo qual Deus criou todas as coisas, e do qual tiramos a força para seguir em frente vencendo todas as adversidades que se impõem contra nós que estamos a caminho do Reino dos céus. 


7. Vejamos, então, o que nos ensina são João à esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

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8. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."


9. Portanto, caríssimos, que a prática desses dois mandamentos — o amor total a Deus e o amor generoso ao próximo — seja o que norteia a nossa caminhada. Ao buscarmos essa pureza de coração e a renovação do nosso espírito, deixamos de ser meros passageiros do tempo para sermos verdadeiros cidadãos do Céu, vivendo desde já a antecipação daquela glória aonde veremos Deus face a face tal qual Ele é.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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