VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Cuidado com o zelo amargo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,42-46)(14/10/26)

1. Caríssimos, existem duas espécies de zelos pelos quais nos situamos na vida; o primeiro é carnal vindo da própria vontade com o qual se julga e se condena o próximo por não viver de acordo com os critérios desse zelo excessivo, doentio. O segundo nasce da misericórdia e do amor com que Deus nos trata e nos dá a graça de tratar de igual modo os outros.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus usa uma expressão para muitos dura de mais no trato com os rigorosos fariseus: "Aí de vós..."; todavia, é uma expressão usada para lamentar a perda dos que enveredam pela via do "zelo amargo" no trato com o próximo lhes censurando e condenando por não seguirem seus critérios.

3. "Há formas de zelo mau que tomam a aparência de zelo bom. É o caso, por exemplo, do zelo dos fariseus, que cumpriam rigorosamente a lei exterior. A origem deste zelo amargo não é o amor a Deus e ao próximo, mas o orgulho. 

4. Os que a ele se entregam estão cheios de uma estima desordenada pela sua própria perfeição, não concebendo outro ideal para além do seu: tudo o que não esteja de acordo com esse ideal é necessariamente censurado. Tais pessoas pretendem submeter todas as coisas à sua maneira de ver e de fazer – daí as dissensões. Este zelo desemboca no ódio. 

5. Com efeito, animados pelo zelo amargo, "os Fariseus perseguiam o Senhor, colocando-Lhe perguntas insidiosas, preparando-Lhe armadilhas e emboscadas, não tendo interesse em conhecer a verdade, mas apenas em apanhar Cristo em alguma falta. Vede como O pressionam, como O provocam a condenar a mulher adúltera: «Moisés ordenou-nos que lapidássemos esta mulher; e Tu, Mestre, que dizes?» (Jo 8,5).

6. Vede como Lhe censuram o fato de fazer curas no sábado (cf Lc 6,7); como criticam os discípulos por apanharem espigas no dia do repouso (cf Mt 12,2); como se escandalizam ao verem que o divino Mestre come com publicanos e pecadores (cf Mt 9,2): são tudo manifestações deste «zelo amargo», tantas vezes acompanhado de hipocrisia."(Beato Columba Marmion).

7. Portanto, caríssimos, longe de nós sermos coniventes com os pecados praticados neste mundo, pois não nos convém; entretanto, renovemos o desejo da salvação nossa e de todos, porém, sem jamais usar o "zelo amargo" que não leva em conta o amor e a misericórdia do Senhor, por se ater aos próprios critérios como se eles fossem a única regra de salvação a ser seguida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Deus olha para o que temos no coração...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,37-41)(13/10/26)


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem, sejam bem-vindos à nossa meditação diária. 


1. A Carta aos Hebreus revela 

"que a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4,12-13). É isso o que trata esta liturgia.


2. São Paulo na primeira leitura mostra aos Gálatas o quanto estão equivocados querer deixar a liberdade da fé em Cristo para se prender ao legalismo farisaico: "Irmãos, é para a liberdade que Cristo nos libertou. Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão. Vós que procurais a vossa justificação na Lei rompestes com Cristo, decaístes da graça."


3. No Evangelho de hoje "enquanto Jesus falava um fariseu convidou-o para jantar com ele. Jesus entrou e pôs-se à mesa. O fariseu ficou admirado ao ver que Jesus não tivesse lavado as mãos antes da refeição. O Senhor disse ao fariseu: “Vós fariseus, limpais o copo e o prato por fora, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades. Insensatos! Aquele que fez o exterior não fez também o interior? Antes, dai esmola do que vós possuís e tudo ficará puro para vós”


4. De fato, o legalismo moral é uma espécie de cegueira espiritual que leva os legalistas a cometerem os piores pecados contra a fé, porque pensam, falam e agem movidos pela hipocrisia, são guias cegos; desse modo, deixam as virtudes da misericórdia e da caridade, pela prática do falso juízo e da condenação dos que não se aliam ao seu legalismo farisaico.


5. No Evangelho segundo Marcos, disse o Senhor: "Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem." (Mc 7,20-23).


6. Portanto, caríssimos, como vimos, "Jesus não poupa críticas enérgicas sobre a concepção legalista da moral farisaica, orientada inteiramente para a avaliação dos atos externos, das minúcias e detalhes da observância. Ele leva a verdade do homem de volta à raiz última que é identificada no coração, ou seja, o que sai da boca vem do coração. (cf. Mc 7,20-21). 


7. Então, como é que precisamos ouvir o Mestre? Ouvi-lo humildemente. A compreensão da Palavra não é permitida àquele que assume a atitude de autossuficiente, orgulhoso, prepontente. Em vez disso, deve ser abordado com um coração humilde, modesto, dócil, aberto e disposto a ouvi-lo. De fato, na escola da Palavra se cresce com um coração humilde e uma alma submissa; só assim será acolhida a centelha da sua luz e verdade." (Pe Ubaldo Terrinone)


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv. 

 

Viva a Mãe de Deus e nossa sem pecado concebida...

 Solenidade De Nossa Senhora da Conceição Aparecida (Jo 2,1-11)(12/10/26). 


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem! Sejam bem-vindos a nossa meditação diária.


O que é uma devoção, como a que o povo brasileiro tem a nossa Senhora Aparecida e os cristãos católicos do mundo inteiro têm à Maria Santíssima, Mãe de Deus e nossa mãe?


A devoção é um profundo desejo de Deus, e de ser como seus santos e santas, em especial como à Virgem Maria, para contemplarmos a sua Sagrada Face. E é desse sentimento religioso que nasce a piedade e o amor, que demonstramos por meio das nossas orações e da prática da nossa fé.


Meditemos com amor e devoção esta Solenidade de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do povo brasileiro. 


1. Caríssimos, não tem como pensar a história da salvação sem a presença da Mãe de Jesus que o gerou por obra e graça do Espírito Santo no seu seio virginal; Ele que é o autor e consumador da nossa fé e da nossa salvação. E, por isso, Maria Santíssima é a porta por onde o autor da vida entrou neste mundo para nos libertar do pecado, nos livrar da morte e nos conduzir ao Reino dos Céus, à vida eterna. 


2. Com efeito, ela é a nova Eva, o modelo perfeito, obra prima das mãos de Deus, à quem escolheu para depositar nela todo o seu amor, o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Com isso, compreendemos que a nossa devoção à Virgem Mãe é profunda comunhão com a vontade de Deus, que lhe deu a missão de esmagar a cabeça do inimigo de nossas almas, por meio do seu amado Filho como está escrito no livro do Genesis (cf. Gn 3,15). 


3. Com efeito, celebrar solenemente a presença da Mãe de Deus em nosso meio, é celebrar a sua participação no grande mistério da nossa redenção, pois a Santíssima Virgem Mãe não só gerou Jesus, mas também o assistiu nos últimos instantes de sua imolação na cruz, recebendo dele a missão de ser a mãe da nova humanidade (cf. Jo 19,26-27).


4. Portanto, caríssimos, por todas as graças derramadas sobre toda a humanidade ao longo do tempo por intercessão da Imaculada Conceição, cantemos esse belíssimo hino em honra da Mãe de Deus e nossa Mãe: 

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Viva a mãe de Deus e nossa

Sem pecado concebida!

Viva a Virgem Imaculada

A Senhora Aparecida!

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Aqui estão vossos devotos

Cheios de fé incendida

De conforto e de esperança

Ó, Senhora Aparecida!

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Protegei a santa igreja

Ó Mãe terna e compadecida

Protegei a nossa Pátria

Ó, Senhora Aparecida!

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Amparai todo o clero

Em sua terrena lida

Para o bem dos pecadores

Ó, Senhora Aparecida!

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Velai por nossas famílias

Pela infância desvalida

Pelo povo brasileiro

Ó, Senhora Aparecida!

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Amados irmãos e amadas irmãs, como seria bom se toda a humanidade vivesse os valores eternos que a Santíssima Virgem Maria viveu tão intensamente, como ela mesma cantou no cântico do Magnificat.

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Certamente este mundo seria um paraíso repleto de paz e tranquilidade, e não esse inferno em que ele está se tornando.

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Paz e Bem! 

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

domingo, 11 de outubro de 2026

Todos somos chamados por Cristo, mas quem aceita o convite?

 Homilia do 28°Dom do tempo comum (Mt 22,1-14)(11/10/26)

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1. Caríssimos, "Muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos." Ora, mas por que isso acontece? A parábola contada por Jesus no Evangelho de hoje responde a essa pergunta. A vida é o maior presente que recebemos de Deus, e é com ela que vamos ao seu encontro a cada passo dado para a eternidade, porque para Deus não existe tempo tudo é eterno. 


2. De fato, a primeira vocação humana é o chamado à vida; a segunda é o chamado à santidade em Cristo Jesus para com Ele participarmos do Reino dos Céus. E qual a nossa condição quando nos apresentarmos diante Dele para o juízo final? 

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3. O grande problema que se apresenta é a falta de convivência com o Senhor por meio da fé e da prática das virtudes infundidas pelo Espírito Santo em nossas almas. A primeira delas é o livre arbítrio, que consiste no poder de fazermos escolhas e decisões tendo em vista o bem de todos; a segunda, é a obediência à Sua Palavra, único caminho de perfeição que nos leva à vida eterna.

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4. No livro do Profeta Ezequiel, o Senhor promete aos que retornam ao seu convívio um novo coração: "Eu vos darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vós. Arrancarei do vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne; porei o meu espírito dentro de vós e farei com que sigais a minha lei e cuideis de observar os meus mandamentos." (Ez 36,26-27).

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5. De fato, quando nos deixamos conduzir pelo Espírito do Senhor à uma vida de oração e penitência, perdemos o fascínio dos vícios; e ganhamos a graça da perseverança na prática das virtudes que nos leva à santidade no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo.


6. A nossa vida em si mesma já é o chamado que Deus nos faz; quanto à resposta que nós damos significa a nossa correspondência ou não a esse chamado. E tudo isso depende de como usamos o tempo para fazermos as escolhas e decisões certas baseadas nos critérios do Santo Evangelho para o seguimento de Cristo. 

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7. Portanto, caríssimos, como vimos na parábola que meditamos, todos foram convidados, mas poucos ouviram e responderam à altura da dignidade do convite. Destarte, bem-aventurados os que aceitam participar do sublime banquete nupcial do Filho de Deus amado, o Cordeiro imolado, que tira o pecado do mundo.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Quem se une a Cristo no seio da sua Santa Igreja, vence todos os perigos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Lc 11,15-26)(9/10/26)

1. Caríssimos, a obra de santificação das nossas almas realizada por Deus, acontece gradativamente, isto é, passo a passo em diversas etapas, como vimos na travessia do deserto rumo à terra prometida realizada por seu povo eleito, tendo a frente o patriarca Moisés e seus colaboradores. 

2. Para nós católicos a vida nova começa com o batismo, a primeira comunhão, o Crisma, os outros Sacramentos e a vivência da fé, e segue sua tragetória até ser concluída na terra prometida do Reino dos céus. De fato, a nossa vocação é a santidade sem a qual não podemos ver a Deus, e foi por isso que Ele nos enviou o seu Filho que por seu sacrifício de cruz nos salvou, e nos deu contemplar a Sua Face na sua glória eterna. 

3. Mas, até que cheguemos à plenitude da sua gloria, passamos por diversas provações e desafios de fé, como o povo eleito passou no deserto, todavia, nada que não possamos suportar ou que seja impossível de se cumprir, porque para cada momento o Senhor Jesus nos dá uma graça especial, basta fazermos em tudo a Sua Santa Vontade.

4. Falando à esse respeito assim nos exortou são Tiago: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." (Tg 1,2-4).

5. Nas leituras de hoje vimos que dentre esses desafios se encontra a luta contra o pecado e o seu autor, o diabo. Ora, sem a graça de Deus é impossível vencer qualquer luta; por isso, em sua primeira carta, são Pedro, nos exorta: "Sede sóbrios e vigiai.

6. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém." (1Pd 5,8-9).

7. Portanto, caríssimos, fiquemos atentos às palavras que o Senhor Jesus nos fala no Evangelho de hoje, se de fato, quisermos vencer esta luta: "Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo, dispersa." (Lc 11,23). Ou seja, precisamos nos unir a Cristo com todo o nosso coração, porque sem Ele nada podemos fazer (cf. Jo 15,5). 

8. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus que nos ajude na luta contra o pecado para não sucumbirmos diante das ameaças e insídias do maligno. Com efeito, se pusermos em prática a sua Divina Palavra, seremos como moradas construídas sobre a rocha, inabaláveis, capazes de resistir a todo tipo de tempestade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Os verbos que fortalece a nossa oração: pedir, procurar e bater...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,5-13)(8/10/26)

1. Caríssimos, a cruz de Cristo é o maior exemplo que a humanidade teve e terá até o fim dos tempos, principalmente ao vermos esta luta fratricida em nosso país e no mundo, em busca do poder político. A cruz do Senhor Jesus nos cala diante da nossa incapacidade de compreender como Deus age contra todas as tentações de poder ou de abatimento. Contra a pretensão de permanecer firme por pertencer a determinado grupo. 

2. O chamado do crucificado só é claramente perceptível onde o amor se faz presente, muito além da observância formal que abriga pessoas e comunidades. Bem como escreveu São Paulo aos Gálatas: "Diante dos vossos olhos, não foi acaso representado, como que ao vivo, Jesus Cristo crucificado?" Ou seja, daquele que pareceu derrotado, morto e sepultado, Deus fez vir a ressurreição dos mortos para todos que lhe obedecem.

3. O Evangelho de hoje continua o tema da oração e da sua eficácia que faz a vontade de Deus acontecer pela perseverança da sua prática. O Senhor Jesus insiste nisso continuamente, conhecendo nossa inconstância. É preciso orar insistentemente sem nunca desanimar (Lc 18,1). 

4. Orar é insistir com perseverança. Jesus que conhece o coração do Pai que está nos céus, não julgou exagerar ao nos dar este ensinamento." (MR). Decerto, onde se encontra essa perseverança? Na esperança que nos leva à paciência, que por sua vez, nos fortalece por conhecermos quem é o doador de todos os dons, Deus mesmo e somente Ele. 

5. Neste Evangelho o Senhor Jesus nos faz a seguinte exortação: "Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. Pois quem pede recebe; quem procura encontra; e, para quem bate, se abrirá." Ou seja, são três os verbos que fortalecem a nossa oração: pedir, procurar e bater.

6. Portanto, caríssimos, quem pede as virtudes eternas se salva por sua prática, porque elas são uma antecipação de como viveremos na eternidade. Quem procura realizar a vontade de Deus, recebe Dele todas as graças para cumpri-la. E quem bate na porta do céu por uma vida de penitência e mansidão, essa lhe será aberta como recompensa.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Como acolhemos o Senhor Jesus?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,38-42)(6/10/26)

1. Caríssimos todos os homens têm suas convicções e no mais das vezes querem impo-las aos demais; e são dessas imposições que nascem os conflitos, as guerras e todo o mal que praticam nelas, e isso por se acharem donos da verdade, quando, de fato, a Verdade é somente Cristo e o amor com que nos ama e nos ensina a amar. 

2. Com efeito, toda convicção que não leva a Cristo, não passa de precipício mortal; porém, quando há conversão tudo muda. É isso o que nos ensina a primeira leitura, em que Paulo, à princípio guiado por suas próprias convicções, tornou-se um terrível perseguidor da Igreja; todavia, chamado pelo Senhor, se converteu e tornou-se o grande Apóstolo que conhecemos. Ou seja, a graça divina superou sua fraqueza lhe transformando num homem novo.

3. O Evangelho de hoje nos revela o modo como acolhemos Jesus em nossas almas e como nos comportamos diante Dele. Trata da hospedagem que as irmãs Marta e Maria ofereceram ao Senhor. Marta, toda agitada não lhe fez uma boa recepção, por reclamar muito e ser exigente; Maria, ao contrário, senta-se calmamente aos Seus pés e o escuta atentamente; e por essa atitude, disse o Senhor: "Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

4. Decerto, meditemos com atenção o que diz o Senhor no livro do Apocalipse de são João: "Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo." (Ap 3,20). E então, qual a nossa atitude diante dessa palavra de Jesus? Somos agitados como Marta ou receptivos como Maria? 

5. Para entendermos melhor qual deve ser a nossa atitude interior e exterior no acolhimento ao Senhor, não nos esqueçamos que o único sentido de nossa vida neste mundo é a realização do Reino de Deus e de Sua Justiça; para isso, escutemos atentamente o Senhor como Maria e ponhamos em prática a Sua Divina Palavra.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Então, vai e faz o mesmo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,25-37)(5/10/26)

1. Amados irmãos e amadas irmãs, por nossa condição natural normalmente interagimos com as demais criaturas em busca do bem viver, uma vez que dependemos umas das outras; no entanto, só isso não nos basta, pois, o que mais desejamos é a felicidade eterna, e essa somente Deus nos dar e ninguém mais. 

2. São Paulo na Carta aos Colossenses nos ensina que o Senhor Jesus é Deus visível e atuante no meio de nós: "Cristo é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois, por causa dele, foram criadas todas as coisas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. (Cl 1,15-17).

3. E tudo isso experimentamos por meio da fé, porque é ela que nos leva à plena comunhão com o Senhor Jesus, o qual por seu sacrifício e morte de cruz venceu o pecado, o poder do inferno e a morte para nos dar a vida eterna. Desse modo, nos ensina são Paulo: "Porque é nele que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28). 

4. No Evangelho de hoje "um mestre da Lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: “Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna? Jesus lhe disse: “O que está escrito na Lei? Como lês?” Ele então respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!” Jesus lhe disse: “Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás”.

5. Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: “E quem é o meu próximo?” Ao que o Senhor contou a Parábola do bom Samaritano mostrando que a fé não é teoria, nem fruto do conhecimento da Lei, pois isso, o sacerdote e o levita tinham de sobra, porém, nada fizeram pelo homem que foi assaltado e quase morto.

6. No entanto, o Samaritano que era tido como insano e à margem da Lei, teve compaixão do homem ferido e lhe prestou socorro livrando-o da morte; assim, concluiu o Senhor: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” Ele respondeu: “Aquele que usou de misericórdia para com ele”. 

7. Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa." Ou seja, a fé nos leva à prática das virtudes eternas, e não apenas ao conhecimento delas. Destarte, assim conclui São Paulo na Carta aos Gálatas: "Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,9-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Homilia do 27°Dom do tempo comum

 Homilia do 27°Dom do Tempo Comum (Mt 21,33-43)(4/10/26)

Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem. Sejam bem-vindos a nossa meditação diária.

A fidelidade a Deus é uma expressão do nosso amor a Ele, é o firme propósito de obedece-lo em tudo, é a incontestável evidência de que nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo.

Ao seguirmos o exemplo da obediência de Cristo, somos seus verdadeiros discípulos; isto significa que não seguimos a mentalidade deste mundo; mas, pela graça da Sua Presença em nossas almas, nos tornamos exemplos vivos de fé, para todos que encontramos a caminho da eternidade.

Meditemos com amor e atenção esta homilia do 27°Dom do Tempo Comum.

1. Caríssimos, prestemos muita atenção nesta liturgia de hoje, pois ela trata da gravidade do pecado da incredulidade que é a causa de todos os males na obra da criação. Ora, o pecado da desobediência é uma terrível mancha espiritual que gruda na alma de quem conscientemente o comete. 

2. De fato, ele arruína totalmente a vida de quem o pratica, tirando-lhe o estado de graça, afastando-o do amor e da misericórdia de Deus; em outras palavras, é uma espécie de escondirijo que abriga o maligno que passa a ocupar os espaços que antes eram ocupados pelas virtudes e as graças recebidas de Deus.

3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a parábola dos vinhateiros infiéis, mostrando aos mestres da lei e fariseus a origem do pecado da incredulidade que carregam na alma; e que por causa da dureza de seus corações, Deus lhes tira a herança do Seu Reino, dando a um outro povo que acolhe Sua Palavra e a põe em prática reconhecendo que Cristo é o Messias enviado para a salvação de todos os que Nele creem.

4. Portanto, caríssimos, Deus nos criou "à sua imagem e semelhança", por amor e somente para amar, porque Ele é amor. Tudo o que em nós não é uma expressão do Seu Amor, a isto chamamos de pecado grave, que gera os males que acontece neste mundo.

5. Destarte, fiquemos atentos e vigilantes para combatermos aos maus pensamentos que chegam à nossa mente, pois, são tentações que querem ocupar o espaço do amor de Deus em nossas almas, não os permitamos, porque a nossa vida pertence somente a Deus, e não à incredulidade e seus malefícios.

6. Então, para evitar a incredulidade e seus efeitos nocivos, "firmemente ancorados na fé, na pedra angular que é Cristo, permaneçamos n'Ele como o ramo que não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira. Só n'Ele, por Ele e com Ele é construída a Igreja, o povo da Nova Aliança." (Bento XVI). 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O chamado de Cristo e suas motivações para segui-lo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 9,57-62)(30/9/26)

1. Caríssimos, o barulho deste mundo é tão ensurdecedor que abafa o silêncio interior de nossas almas quando lhe damos atenção; pior ainda é o terrível barulho dos pecados cometidos, porque oprime as almas lhes impondo por antecipação os tormentos do inferno, caso elas não se convertam e voltem para Deus que lhes condecede o perdão, o estado de graça e a salvação que haviam perdido.

2. No Evangelho de hoje são Lucas nos mostra que o Senhor Jesus empreende a sua última viagem à Jerusalém, pois, como um manso e humilde cordeiro, será sacrificado no altar da cruz pela salvação da humanidade. De fato, humanamente é impossível compreender a sua atitude de total despojamento, pois é o Filho de Deus e tem todo poder sobre o céu e a terra. 

3. No entanto, essa sua ida com seus discípulos à cidade santa, simboliza a sua ida à Jerusalém celeste, e é nesse espaço de tempo que acontece o chamado, a vocação para segui-lo. São Lucas nos apresenta três tipos de vocação e suas motivações. 

4. Na primeira, "alguém na estrada disse a Jesus: “Eu te seguirei para onde quer que fores”. Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”. Ou seja, segui-lo requer total despojamento que significa a renúncia de si mesmo e dos próprios interesses, para adquirir a liberdade do desapego.

5. Na segunda, "Jesus disse a outro: “Segue-me”. Este respondeu: “Deixa-me primeiro ir enterrar meu pai”. Jesus respondeu: “Deixa que os mortos enterrem os seus mortos; mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. Ou seja, o anúncio do Reino é urgente e traz consigo a ressurreição dos mortos.

6. Na terceira, "Um outro ainda lhe disse: “Eu te seguirei, Senhor, mas deixa-me primeiro despedir-me dos meus familiares”. Jesus, porém, respondeu-lhe: “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. Ou seja, a semente do chamado precisa ser acolhida em terra fecunda sem a influência dos afetos humanos, porém, repleta dos afetos divinos.

7. Portanto, caríssimos, qual é o estado atual da nossa resposta ao chamado do Senhor Jesus? Como o servimos em meio ao barulho deste mundo? Será que existe silêncio interior para ouvi-lo e pôr em prática o que nos ensina de modo que cumpramos os seus desígnios de amor a nosso respeito?

8. Destarte, assim como o chamado é pessoal e a iniciativa divina, a nossa resposta de igual modo significa configurar-nos a Cristo para fazermos em tudo a vontade do Pai. Pois, como disse o Senhor Jesus aos seus discípulos: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me." (Mt 16,24).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.


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