VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

sábado, 21 de março de 2026

Em Cristo Jesus recebemos todas as graças para a salvação das nossas almas...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,40-53)(21/03/26)

1. Caríssimos, Jesus é Deus conosco, porque assumiu em tudo a nossa natureza, menos o pecado; mas, como vimos no Evangelho de hoje, não foi reconhecido, porque para isto se faz necessário ama-lo muito além do que pensam, falam ou julgam Dele. Aliás, um dos piores pecados da humanidade é o julgamento temerário, ou seja, julgar os outros a partir de ideologias, credo, posição social ou outros critérios humanos desprovidos de discernimento, compreensão, amor e misericórdia.

2. Com efeito, a liberdade que o Senhor Jesus nos apresenta é aquela recebida da vontade do Pai, como Ele disse aos mestres da lei e fariseus: “Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e foi ele quem me enviou”. (Jo 7,28-29).

3. Em uma outra passagem desse mesmo Evangelho, o Senhor é ainda mais enfático: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).

4. Antes, porém, já os havia advertido: "Vim em nome de meu Pai, mas não me recebeis. Se vier outro em seu próprio nome, haveis de recebe-lo... Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?" (Jo 5,43-44).

5. De fato, quem ouve o Senhor Jesus de bom grado e põe em prática tudo o que Ele ensina, experimenta de imediato o fecundo resultado do poder de Sua Palavra, para viver na sua presença em santidade e justiça todos os dias de sua vida conforme a vontade de Deus, nosso Pai celestial. 

6. É bem como meditamos na Primeira Carta de são João: "É assim que conhecemos se estamos em Cristo: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6). Ou seja, precisamos renunciar a nós mesmos para segui-lo fielmente, pois esta é a vontade de Deus que disse: "Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz." (Mc 9,7).

7. Portanto, caríssimos, diante do Senhor Jesus jamais alguém pode ser indiferente, ou o acolhe humildemente ou o julga indevidamente usando de preconceitos e argumentos falaciosos próprios de quem carrega na alma a marca da besta, que é o ódio e seus efeitos maléficos. 

8. E foi isso o que aconteceu no Evangelho de hoje em que os fariseus cheios de preconceitos e falsos argumentos fizeram calar seus oponentes que reconheciam Jesus como profeta. Por isso, eis o que diz o Senhor: "Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha." (Mt 12,30) E ainda: "Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10,33).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Quem somos por nós mesmos diante de Deus?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 7,1-2.10.25-30)(20/03/26)

1. Caríssimos, o que há de mais asqueroso no coração dos homens do que a rejeição a Deus? Porque isso significa a morte de quem se opõe a Ele, que é a única Fonte de vida eterna. De fato, toda oposição só o é porque quer ocupar o lugar do outro indevidamente, usúrpa-lo, desse modo, opôr-se a Deus é querer ser Deus embora sabendo que nunca o será, porque Dele dependemos cem por cento. 

2. Com efeito, é assim que compreendemos o porquê do desequilíbrio deste mundo: tudo o que não permanece no amor de Deus, se perde por falta de comunhão com Ele, por isso, estão sempre em oposição porque se tornaram incapazes de amar; porque Deus é amor, e quem ama permanece em Deus e Deus permanece nele aqui e por toda a eternidade, como nos ensinou são João na sua primeira Carta (cf. 1Jo 4,8.16).

3. Na primeira leitura tirada do livro de Sabedoria, o escritor sagrado prevê proféticamente o sofrimento de Cristo, depois de ouvir dos seus algozes estas palavras: "Ele declara possuir o conhecimento de Deus e chama-se ‘filho de Deus’. Tornou-se uma censura aos nossos pensamentos e só o vê-lo nos é insuportável; sua vida é muito diferente da dos outros, e seus caminhos são imutáveis.

4. Proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por pai. Vamos pô-lo à prova com ofensas e torturas, para ver a sua serenidade e provar a sua paciência; vamos condená-lo à morte vergonhosa, porque, de acordo com suas palavras, virá alguém em seu socorro”. 

5. E o haigógrafo conclui: "Tais são os pensamentos dos ímpios, mas enganam-se; pois a malícia os torna cegos, não conhecem os segredos de Deus, não esperam recompensa para a santidade e não dão valor ao prêmio reservado às vidas puras." (Sb 2,1a.12-22). De fato, a última palavra é de Deus e de nenhuma criatura. 

6. E a última Palavra é esta: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos."

7. Portanto, caríssimos, não confundam essas palavras com ideologias políticas, pois, não o são; na verdade, trata-se do Juízo Final a partir do cumprimento ou não dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia. Porque todos sem exceção seremos julgados. No entanto, como escreveu São Paulo, "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." (Rm 8,28).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Vinde alegre cantemos... Solenidade de São José...


 Solenidade de São José

(Mt 1,16.18-21.24a)(19/03/26)
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1. Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Solenidade de São José, "guardião fiel dos mistérios da salvação", e como vimos no Evangelho de hoje, homem justo e profundamente dedicado à missão que Deus lhe confiou, ou seja, ser o pai adotivo do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. De fato, depois da Virgem Maria, são José foi o primeiro a conhecer por revelação divina a chegada do Messias prometido. 

2. A princípio em seu silêncio e humildade, José pensou em abdicar de seu propósito de esposar a Santíssima Virgem Maria, por não entender o que lhe estava acontecendo, exatamente por não querer culpa-la; no entanto, Deus enviou o seu anjo para instruir-lhe em sonho, ao que prontamente ele o atendeu e passou a cumprir os seus desígnios, acolhendo Jesus, como filho adotivo conforme o propósito divino.
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3. Em sua homilia sobre esta solenidade disse São Bernardino de Sena: "Quando a bondade divina escolhe alguém para uma graça singular, dá-lhe todos os carismas necessários, aumentando muito a sua beleza espiritual. Isto verificou-se totalmente com São José, pai legal de Nosso Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da Rainha do mundo e Soberana dos anjos.
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4. O Pai Eterno escolheu-o para ser o guardião fiel dos seus principais tesouros: seu Filho e sua esposa, função que ele desempenhou fielmente. Foi por isso que o Senhor lhe disse: «Servo bom e fiel, entra no gozo do teu senhor» (Mt 25,21).
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5. Portanto, caríssimos, a grandeza de José está na sua prontidão. Ele não questiona, não hesita e não pede provas adicionais. Sua fé se traduz em ação imediata. Ele transforma o "sim" de Maria em proteção e providência cotidiana. 

6. De modo que, Celebrar São José é recordar que a santidade muitas vezes se esconde no cotidiano, no trabalho honesto e no cuidado silencioso com o próximo. Ele nos ensina que ser "justo" diante de Deus é saber acolher o inesperado com confiança e coragem. 
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7. Oremos, então, com amor e devoção esta linda oração de são Bernardino de Sena, dedicada a São José: "Lembra-te de nós, bem-aventurado José, intercede junto de teu Filho adotivo com o socorro da tua oração, e conquista-nos o favor da bem-aventurada Virgem, tua Esposa, que é a Mãe daquele que, com o Pai e o Espírito Santo, vive e reina pelos séculos dos séculos." Amém!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de março de 2026

Com Cristo vivemos para muito além dos limites de nossa natureza...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(18/03/26).


1. Caríssimos, a superficialidade da vida consiste em deixar as coisas santas pelas profanas; em deixar as coisas eternas pelas mundanas; deixar o silêncio interior pelo barulho ensurdecedor deste mundo; e o resultado nefasto desse desvario não poderia ser outro, ou seja, maldade, violência e todo tipo de desequilíbrio que leva à morte e a perdição eterna dos que seguem essa via. 

2. No entanto, ainda estamos no tempo da Divina Misericórdia e por isso nem tudo está perdido, pois, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é a Fonte inesgotável do amor e da misericórdia do Pai, e se faz realmente presente neste mundo para perdoar e salvar todos os pecadores arrependidos por meio da Sua Santa Igreja, Sacramento universal da Salvação, e a parte visível do Reino de Deus no seio da humanidade.

3. E isto está comprovado por estas Palavras do Senhor: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19).

4. De fato, sem essa autenticidade ninguém se salvaria, pois, se dependesse de nós pecadores não existiria mais nenhuma criatura na face da terra. Ora, da boca do Profeta Isaías ouvimos estas palavras: "Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. 

5. Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti." Ou seja, Deus está atento a tudo o que nos acontece, pois, como prometeu, jamais nos abandona.

6. No Evangelho de hoje ouvimos o diálogo entre o Senhor Jesus e os judeus, e como seus algozes reagiram à este Seu ensinamento: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus." Ou seja, quem se fecha para o amor de Deus, condena-se à uma vida de ódio e injustiças, por conta da maldade que cultiva.

7. Oremos: Senhor Jesus, Filho amado de Deus, escuta as nossas súplicas e dá-nos a graça da perseverança final; não permitas que sejamos vencidos pelas tentações e astúcias do inimigo; dá-nos Senhor por teu infinito amor a vitória sobre todo o mal, pelos méritos de tua Mãe, Maria Santíssima, e de São José seu castíssimo esposo, e de todos os santos e santas que participam contigo da tua glória eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O Senhor Jesus é a Fonte de água viva que jorra para a vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,1-16)(17/03/26)

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1. Caríssimos, a água é símbolo de vida, de limpeza, de purificação, de remédio para todos os males; ela e todas as outras criaturas são dons de Deus, sinais do seu amor e da sua bondade. No Cântico das Criaturas assim cantou são Francisco de Assis louvado a Deus pela irmã água: "Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Água, que é muito útil e humilde, e preciosa e casta."


2. O Senhor Jesus, ao referir-se ao estado de graça de nossas almas, comparou-se à Fonte onde bebemos o Espírito Santo: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)."

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3. Na primeira leitura o Profeta Ezequiel teve uma visão profética onde Deus lhe mostra, por meio do Seu anjo, o templo repleto de água viva simbolizando o transbordamento do Espírito Santo na vida de seus filhos e filhas, exatamente como vimos acontecer no dia de Pentecostes (cf. At 2).

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4. Em outras palavras, isso quer dizer que a nossa convivência com o Senhor é fundamental para crescermos no conhecimento do seu amor e de todas as outras virtudes que nos levam à perfeita comunhão com Ele e entre nós; bem como nos ensinou São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança." (Ef 4,3-5)

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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus se aproxima de um homem que há 38 anos esperava que alguém o ajudasse à banha-se nas águas da piscina de Siloé para ser curado de sua paralisia. Porém, ao crê na Palavra do Senhor, ficou curado de imediato, pois, de fato, Jesus é a Fonte de Água viva que veio a este mundo para nos purificar de todo pecado e nos libertar de todos os males.

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Portanto, caríssimos, rezemos esta simples oração composta por Santo Efrém (Sec. IV): "Verte, Senhor, sobre a minha fraqueza, o teu orvalho; pelo teu Sangue [derramado], perdoa os meus pecados. Que eu seja incluído no número dos teus santos, e sentado à tua direita." Permaneça para sempre. Amém! Assim seja!

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...


 Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)


1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

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1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

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2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

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3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

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4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 


5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

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6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

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7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.


8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

A nossa trajetória para a eternidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(13/03/26)

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1. Caríssimos, a nossa trajetória rumo a eternidade é constante, pois o tempo não para e tudo passa rápido. O problema consiste no como fazemos esse percurso, com quem o fazemos e quais as motivações para isso. Ora, viver não é só respirar naturalmente, mais do que isso, viver é cumprir o propósito eterno para o qual Deus nos criou.

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2. Neste sentido, a liturgia de hoje torna clara a atitude que devemos ter diante dos erros que cometemos nessa nossa trajetória para a eternidade. A primeira leitura nos mostra a necessidade de uma permanente conversão para vivermos como verdadeiros filhos e filhas de Deus. 


3. Com efeito, é isso o que nos ensina são Paulo na Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

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4. No Evangelho de hoje um escriba se aproxima do Senhor Jesus e o interroga: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 


5. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.

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6. Ora, ao dar essa resposta, o Senhor Jesus nos põe diante do único motivo pelo qual Deus criou todas as coisas, e do qual tiramos a força para seguir em frente vencendo todas as adversidades que se impõem contra nós que estamos a caminho do Reino dos céus. 


7. Vejamos, então, o que nos ensina são João à esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

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8. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."


9. Portanto, caríssimos, que a prática desses dois mandamentos — o amor total a Deus e o amor generoso ao próximo — seja o que norteia a nossa caminhada. Ao buscarmos essa pureza de coração e a renovação do nosso espírito, deixamos de ser meros passageiros do tempo para sermos verdadeiros cidadãos do Céu, vivendo desde já a antecipação daquela glória aonde veremos Deus face a face tal qual Ele é.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de março de 2026

E isto é um grande Mistério de amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(11/03/26)

1. Caríssimos, seguir o Senhor Jesus como seus discípulos requer de nossa parte escuta, obediência, disciplina, fidelidade e paciência para vencermos à nós mesmos e nos mantermos em estado de graça, para assim crescermos no conhecimento do seu amor e na prática das suas palavras.

2. De fato, a facilidade de cometer pecados tem levado muitas almas ao desespero e a perdição, por não suportarem ouvir estas palavras do Senhor: "Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me.

3. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" Ora, quantas vezes já ouvimos essas Palavras do Senhor? Será que realmente a pusemos em prática?

4. O Evangelho de hoje nos mostra como o Senhor Jesus venceu a desobediência e a maldade deste mundo: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." 

5. Decerto, Ele fez isso por meio da obediência perfeita, da submissão amorosa à vontade do Pai, ao submeter-se à morte humilhante de cruz: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres."

6. Portanto, caríssimos, a nossa obediência à Lei perfeita da liberdade nos conduz a Cristo, e Cristo por meio do Seu Santo Espírito nos conduz ao Pai. Mas, tudo isso acontece somente quando renunciamos a nós mesmos, e com Ele portamos a cruz das humilhações deste mundo, seguindo-o fielmente até o fim. 

7. É bem como Ele mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13). Ora, essa "perseverança" até o fim, não é apenas uma adesão à regras, mas uma constância de propósito e confiança, mesmo quando as circunstâncias ao nosso redor digam o contrário. 

8. Destarte, não pensemos que a eternidade virá depois da nossa morte natural, na verdade, nós já a estamos vivendo a cada momento do nosso ser e estar no mundo, porque, como disse São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28). E isto é um grande mistério. 

9. Em outras palavras, isto quer dizer que, a existência é um ato contínuo de Deus, pois se Ele "retirasse" o Seu pensamento da criação por um milésimo de segundo, tudo deixaria de existir. De fato, existe um grandíssimo propósito do Senhor a nosso respeito, para muito além do que entendemos naturalmente, e que somente a fé pode compreender isso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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