VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 15 de março de 2026

O homem vê a aparência; Deus vê o coração...


 Homilia do 4°Dom da Quaresma (Jo 9,1-41)(15/03/26)


1. Caríssimos, o tema da liturgia deste quarto domingo da Quaresma é a luz de Deus que ilumina as nossas almas e nos arranca das trevas do pecado que nos mantinha fechados em nós mesmos nos impedindo de enxergar a luz de Cristo. Sem dúvida, diariamente convivemos com a realidade cruel que se abate sobre a humanidade por conta da violência advinda dos pecados praticados neste mundo.

2. Decerto, esse tema está na raiz do anúncio profético da vinda do Messias como profetizou Isaías: "O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma luz. Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz." (Is 9,1.5). 

3. Na primeira leitura o Profeta Samuel sofreu a tentação de escolher o ungido do Senhor pela aparência. "Mas o Senhor disse-lhe: Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. (1Sm 16,7). Samuel, então, seguiu as instruções do Senhor e assim escolheu Davi que depois tornou-se rei e o progenitor do Messias. 

4. De fato, se tem algo que não falta neste mundo diria que são as tentações. Mas, por que elas existem? Porque a graça da felicidade eterna já nos foi dada por Cristo no batismo, Ele é o Messias prometido que veio ao mundo para nos salvar. Por isso, não somos mais escravos do pecado e nem do maligno que gerou o pecado. 

5. No entanto, não basta ser batizado, é necessário manter o diálogo interior com o Senhor Jesus para obedece-lo em tudo, e não ceder às tentações e ao pecado, que nos leva à perca da graça da felicidade eterna, fazendo-nos amargar com isso o vazio e a tristeza que o pecado gera.

6. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus cura um cego de nascença, e assim realiza a vontade do Pai; mas, por realizar esse sinal divino em dia de sábado, foi equivocadamente julgado pelos fariseus como um pecador por não obedecer a Lei do sábado como se Deus fosse obrigado a derramar suas graças segundo os critérios humanos. 

7. Por outro lado, o homem que foi curado, quando interrogado, deu uma verdadeira lição de teologia e de humildade ao acreditar no Senhor; no entanto, foi expulso da Sinagoga pela cegueira da soberba e do preconceito daqueles que deviam acreditar e acolher o Senhor, mas não acreditaram nem o acolheram.

8. Portanto, caríssimos, prestemos atenção na conclusão deste Evangelho: "Então, Jesus disse: 'Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos.' Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: 'Porventura, também nós somos cegos?' Respondeu-lhes Jesus: 'Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: 'Nós vemos', o vosso pecado permanece." (Jo 9,39-41). Ou seja, o orgulho e a soberba são pecados gravíssimos que cega aqueles que os comete. 

9. Destarte, não sabemos quanto tempo ainda temos neste mundo até que venha a plinitude do Reino de Deus, como disse o Senhor; todavia, de uma coisa fiquemos certos, a justiça divina se cumprirá na íntegra; e, quem ficará de pé quando este dia chegar? O salmo 14 responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua. Jamais vacilará quem vive assim!"
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de março de 2026

A virtude da humildade nos leva ao coração de Deus...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 18,9-14)(14/03/26)

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1. Caríssimos, Deus nos criou à sua imagem e semelhança, e nos dotou de todas as virtudes para permanecermos em plena comunhão de amor com Ele. Acontece que depois da queda no pecado da desobediência, o ser humano passou à escravidão dos vícios e de todo tipo de concupicência, tendo como consequência um profundo desequilíbrio psíquico, físico, moral e espiritual. 

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2. Com efeito, nessa liturgia de hoje o Senhor Jesus nos revela como cultivarmos as virtudes eternas que potencialmente se encontram em nossas almas e nos levam a viver em perfeito estado de graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Uma dessas virtudes é a humildade que nos leva ao arrependimento e nos conduz à conversão como vimos na primeira leitura.

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3. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus, conta a parábola do fariseu e do publicano, nos ensinando que a virtude da humildade ao mesmo tempo que nos aproxima de Deus, nos afasta do horrível pecado da presunção, tendo em vista que nenhuma criatura é autossuficiente, ou seja, não subsiste por si mesma. Na verdade, somos tão frágeis que não passamos de um sopro de vida que se esvai. 

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4. Decerto, o que mais nos chama a atenção nessa parábola contada pelo Senhor Jesus? Em primeiro lugar, quando a prática religiosa não é conduzida pelas virtudes do Espírito Santo, dentre elas a humildade, torna-se um culto de adoração a si mesmo, à própria imagem e não a Deus, transformando-se num viver de aparências. 


5. Por outro lado, a virtude da humildade nos leva ao coração de Deus que por sua infinita misericórdia nos concede o perdão e a justificação de que tanto precisamos. Como vimos no exemplo do cobrador de impostos que reconhecendo seus pecados disse em sua oração: "Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!" 

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6. Portanto, caríssimos, escutemos o que são Pedro nos ensinou a esse respeito: "Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes (Pr 3,34). Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno."

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7. Destarte, o maior ato de humildade é o que nos deu o Senhor Jesus ao rebaixar-se à nossa pequenez para nos exaltar por sua Divina Misericórdia, bem como nos ensinou São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus.


8. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

A nossa trajetória para a eternidade...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(13/03/26)

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1. Caríssimos, a nossa trajetória rumo a eternidade é constante, pois o tempo não para e tudo passa rápido. O problema consiste no como fazemos esse percurso, com quem o fazemos e quais as motivações para isso. Ora, viver não é só respirar naturalmente, mais do que isso, viver é cumprir o propósito eterno para o qual Deus nos criou.

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2. Neste sentido, a liturgia de hoje torna clara a atitude que devemos ter diante dos erros que cometemos nessa nossa trajetória para a eternidade. A primeira leitura nos mostra a necessidade de uma permanente conversão para vivermos como verdadeiros filhos e filhas de Deus. 


3. Com efeito, é isso o que nos ensina são Paulo na Carta aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

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4. No Evangelho de hoje um escriba se aproxima do Senhor Jesus e o interroga: "Qual é o primeiro de todos os mandamentos?" Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. 


5. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”.

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6. Ora, ao dar essa resposta, o Senhor Jesus nos põe diante do único motivo pelo qual Deus criou todas as coisas, e do qual tiramos a força para seguir em frente vencendo todas as adversidades que se impõem contra nós que estamos a caminho do Reino dos céus. 


7. Vejamos, então, o que nos ensina são João à esse respeito: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.

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8. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."


9. Portanto, caríssimos, que a prática desses dois mandamentos — o amor total a Deus e o amor generoso ao próximo — seja o que norteia a nossa caminhada. Ao buscarmos essa pureza de coração e a renovação do nosso espírito, deixamos de ser meros passageiros do tempo para sermos verdadeiros cidadãos do Céu, vivendo desde já a antecipação daquela glória aonde veremos Deus face a face tal qual Ele é.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 12 de março de 2026

A grande luta interior contra nós mesmos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(12/03/26)

1. Caríssimos, a grande luta interior que travamos é contra nós mesmos a fim de permanecermos em estado de graça, realizando a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, é bem como nos ensinou São Francisco na décima admoestação: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

2. Eis o que nos ensinou o Senhor Jesus a esse respeito: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Em outras palavras, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. 

3. No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações:

4. "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus." (Lc 11,15-26). 

5. Comentando a respeito dessa luta espiritual disse o Papa Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

6. O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

7. A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006). 

8. Portanto, caríssimos, o nosso paraíso neste mundo consiste em nossa obediência a Cristo em todos os sentidos do nosso livre arbítrio. Em outras palavras, é nos mantendo em Cristo, por nossa obediência, que vencemos os inimigos de nossas almas, porque receber Jesus Eucarístico em estado de graça, é participar desde já do Paraíso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de março de 2026

E isto é um grande Mistério de amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(11/03/26)

1. Caríssimos, seguir o Senhor Jesus como seus discípulos requer de nossa parte escuta, obediência, disciplina, fidelidade e paciência para vencermos à nós mesmos e nos mantermos em estado de graça, para assim crescermos no conhecimento do seu amor e na prática das suas palavras.

2. De fato, a facilidade de cometer pecados tem levado muitas almas ao desespero e a perdição, por não suportarem ouvir estas palavras do Senhor: "Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-Me.

3. Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á. Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder-se a si mesmo e se causa a sua própria ruína?" Ora, quantas vezes já ouvimos essas Palavras do Senhor? Será que realmente a pusemos em prática?

4. O Evangelho de hoje nos mostra como o Senhor Jesus venceu a desobediência e a maldade deste mundo: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." 

5. Decerto, Ele fez isso por meio da obediência perfeita, da submissão amorosa à vontade do Pai, ao submeter-se à morte humilhante de cruz: "Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres."

6. Portanto, caríssimos, a nossa obediência à Lei perfeita da liberdade nos conduz a Cristo, e Cristo por meio do Seu Santo Espírito nos conduz ao Pai. Mas, tudo isso acontece somente quando renunciamos a nós mesmos, e com Ele portamos a cruz das humilhações deste mundo, seguindo-o fielmente até o fim. 

7. É bem como Ele mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13). Ora, essa "perseverança" até o fim, não é apenas uma adesão à regras, mas uma constância de propósito e confiança, mesmo quando as circunstâncias ao nosso redor digam o contrário. 

8. Destarte, não pensemos que a eternidade virá depois da nossa morte natural, na verdade, nós já a estamos vivendo a cada momento do nosso ser e estar no mundo, porque, como disse São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos" (At 17,28). E isto é um grande mistério. 

9. Em outras palavras, isto quer dizer que, a existência é um ato contínuo de Deus, pois se Ele "retirasse" o Seu pensamento da criação por um milésimo de segundo, tudo deixaria de existir. De fato, existe um grandíssimo propósito do Senhor a nosso respeito, para muito além do que entendemos naturalmente, e que somente a fé pode compreender isso. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 10 de março de 2026

Creio que o tempo está findando...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(10/03/26)


1. Caríssimos, vivemos ainda o tempo da misericórdia divina, que é um tempo de graça e salvação; mas creio que estamos vivendo seus últimos instantes. Ora, isto se constata pela fúria do inimigo de nossas almas que cresce, conforme a medida do crescimento dos pecados da humanidade. 

2. Todavia, o Senhor nos alerta: "Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados. (Mt 24,22). Ou seja, "Deus detém o controle sobre a duração das provações. ​A "abreviação" do tempo mostra que a misericórdia de Deus intervém antes que o limite da resistência humana seja ultrapassado."

3. Com efeito, nesses últimos tempos assistimos à um triste espetáculo fúnebre como que estupefatos e ao mesmo tempo impotentes como se nada pudéssemos fazer; todavia, sentimos as mesmas agonias e dores das pessoas vilipendeadas em sua dignidade e existência pelas guerras que estão acontecendo atualmente.

4. Outrora os incrédulos ofereciam seus próprios filhos e filhas em sacrifícios aos deuses pagãos; em nossos dias, cristãos e não cristãos, são sacrificados porque não aceitarem a carnificina oferecida aos demônios que instigam os seus súditos à cometerem tamanha aberração. 

5. Mas, atenção, muita atenção pretensos senhores da guerra, não zombem da benevolência divina, pois a mão da justiça do Senhor não os deixará impunes, logo, logo, conhecereis na própria pele as angústias de vossas atrocidades impostas a tantos inocentes. 

6. O tempo se aproxima, a colheita está para começar, que venham os ceifadores, porque o único e verdadeiro Rei dos reis e Senhor dos senhores tem pressa; sua lavoura nos campos deste mundo são as almas redimidas por seu preciosíssimo Sangue derramado em Sacrifício em expiação dos nossos pecados.

7. Os ceifadores são os seus anjos, e já estão a postos, nada do que foi expiado se perderá, tudo será recolhido no seu Celeiro Eterno, o Reino dos céus, a Glória de Deus. Felizes são aqueles que o escutam e põem em prática o que nos ensina para sermos dignos de permanecer na sua presença. 
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Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 9 de março de 2026

A nossa conversão é um processo contínuo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,24-30)(09/03/26)

1. Caríssimos, a virtude da coerência ou autenticidade nos torna inabaláveis, e mesmo se sofrermos rejeição, ameaça de morte e outros impropérios semelhantes, nada nos altera ou tira-nos a calma, porque a transparência de nossas palavras e ações revelam quem somos e a missão que de Deus recebemos para levarmos a bom termo a obra da salvação. É isso o que nos mostra esta liturgia.

2. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, depois de trinta anos vivendo na simplicidade da Sagrada Família em Nazaré, se dá a conhecer aos seus concidadãos como o Messias enviado, conforme a profecia de Isaías, proclamada por Ele na Sinagoga. Todavia, não foi aceito devido ao preconceito que nutriam, porque o conheciam, mas, não enxergavam quem Ele era realmente. 

3. No entanto, ao ser rejeitado o Senhor lhes respondeu: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria." E deu-lhes o exemplo dos profetas Elias e Eliseu, que distribuíram as bênçãos de Deus a dois estrangeiros diante da incredulidade do povo eleito. Ou seja, Deus se dá a conhecer na simplicidade do Seu Filho, porém, somente os humildes de coração o acolhem e o seguem.

4. De fato, a Palavra do Senhor Jesus é a verdade que cura, salva e faz feliz a quem o ouve com o propósito de converter-se; por outro lado, ela é pedra de tropeço para quem insiste permanecer no pecado, uma vez que o pecado escraviza quem o comete e por isso não se abrem para a conversão e a salvação que o Senhor lhes concede.

5. Portanto, caríssimos, escutemos são Paulo a respeito do processo de conversão: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. 

6.Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2). Ou seja, nós pertencemos a Deus e por isso mesmo precisamos somente viver para Ele. 

7. Destarte, a fé não é um direito que nos é dado para que se possa exigir de Deus milagres, obrigando-o a fazer a nossa vontade; mas sim, uma livre adesão ao seu plano para a nossa salvação que passa impreterivelmente pelo processo de conversão permanente, sem o qual não existe mudança de mentalidade nem comunhão com a sua santa vontade. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 8 de março de 2026

Senhor, da-me de beber da água viva que jorra para a vida eterna...

Homilia do 3° Dom da Quaresma (Jo 4,5-42)(08/03/26)

1. Caríssimos, a vida naturalmente depende da água e de outros elementos naturais para existir, no entanto, não podemos esquecer que tudo está ligado a Deus, nosso Pai Criador, de modo que sem Ele a vida é impossível. Por isso mesmo, não vivemos por viver, uma vez que Deus tudo criou somente para o nosso bem, e se algo nos falta, é por não correspondermos aos seus desígnios de amor para conosco.

2.De fato, se tem algo que mais nos identifica naturalmente a isso chamamos necessidade, pois, nenhuma criatura existe que não necessite de algo para sobreviver, a começar pelo ar que respiramos de quem dependemos cem por cento. 

3. Porém, em se tratando da fé, ela é o dom do Espírito Santo que nos mantém em perfeita comunhão com Deus, por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. É como está escrito na Carta aos Hebreus: "Sem fé é impossível agradar a Deus. Pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam." (Hb 11,6).

4. De fato, "a água viva de uma fonte exprime também o milagre renovado da vida. Fazendo brotar a água da rocha, Deus se manifesta como salvador do seu povo e o põe em condições de prosseguir a viagem até a terra prometida, como vimos na primeira leitura. No Novo Testamento a água exprime simbolicamente o dom do Espírito Santo para a geração de uma nova humanidade.

5. Cristo, sobre quem desceu o Espírito no momento do batismo, anuncia um renascimento da água e do Espírito, prometendo àqueles que Nele crêem a abundância da água do Espírito que jorra para a vida eterna. Sua pessoa se identifica, pois, com a Rocha (como observa são Paulo recapitulando os "sinais" do deserto, 1Cor 10,4), o novo Templo, a Fonte que sacia a sede de vida eterna." (MR).

6. Portanto, caríssimos, "Encontramo-nos diante da sede de um povo no deserto, da sede de uma mulher no poço. A sede é simbolo de uma necessidade intima, vital, torturante. Além da sede fisiológica há uma sede mais profunda em todo homem, em toda sociedade, em toda comunidade do nosso tempo: buscamos cada vez mais "coisas" para saciá-la; nada nos basta, nada nos satisfaz. 

7. Nossa civilização só nos oferece "bens de consumo", não valores espirituais. Convida-nos ao oportunismo, ao mais fácil, mais seguro, mais cômodo. Os ideais de coerência, de sinceridade, de amor, que existem em todos os homens, são em geral frustrados, traídos por quem os propugna ou pelo individuo incapaz de resistir à pressão dos que o cercam.

8. Todos falam do valor da colaboração, todos reconhecem que somos globalmente responsáveis pelo caminho da humanidade; no entanto, o que encontramos é insensatez, orgulho, instintos de domínio, grandeza, inclinação para a agressividade, para um prazer às vezes exacerbado, incontrolado e irracional." É triste, mas esta é a realidade deste mundo sem Cristo. 

9. Amados irmãos e amadas irmãs, a pergunta que o Senhor Jesus nos faz é esta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). Examinemos a nossa consciência e a nossa prática de vida, para que realmente respondamos ao Senhor com uma fé viva, humilde, confiante, que lhe seja agradável.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
 

sábado, 7 de março de 2026

A parábola dos dois irmãos e o pai misericordioso...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-3.11-32)(07/03/26)

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1. Caríssimos, outro dia escrevi: sem perdão não existe salvação, isto porque o perdão é a Porta pela qual o Senhor Jesus entra em nossas almas, e nos mantém em estado de graça para que jamais nos separemos Dele. 

2. De fato, o perdão dos pecados é tão importante para a humanidade que Deus nos enviou o Seu Filho amado para que por Ele alcancemos a salvação e a participação no Seu Reino; por isso, a alma unida a Cristo chega sem nenhum empecilho à vida eterna.
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3. As leituras desta liturgia nos levam ao alívio imediato, porque se Deus nos punisse em proporção aos nossos pecados, nenhuma criatura existiria mais na face da terra. É por isso que Ele nos deu o tempo do livre arbítrio para que arrependidos voltássemos a Ele como fez o filho pródigo da parábola contada pelo Senhor no Evangelho de hoje. 
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4. São Romano, o Melodista (sec. VI), em um dos seus hinos, traduz assim para nós como o Senhor age em nosso favor por sua Divina Misericórdia: "Muitos são os que, pela penitência, se tornaram dignos do amor que tens pelo homem, Tu, que justificaste o publicano pelo seu lamento e a pecadora pelo seu pranto (Lc 18,14; 7,50). E, ao preveres e dares o perdão de acordo com imutáveis desígnios, Te mostras rico de todas as misericórdias (Ef 2,4).
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5. Converte-me também a mim, Tu, que queres que todos os homens se salvem! (1Tim 2,4). A minha alma enodoou-se ao vestir a túnica dos meus erros (Gn 3,21). Mas Tu me alcançarás a graça de fazer jorrar fontes dos meus olhos, a fim de que, pela contrição, seja purificado e digno das tuas núpcias (Mt 22,12).
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6. Veste-me com o manto multicolor (Sl 45,15), Tu, que queres que todos os homens se salvem! Tem compaixão de mim, Pai celeste, tal como tiveste do filho pródigo,
Porque também eu me lanço a teus pés e como ele clamo: "Pai, pequei!" E rejubilarão os anjos com a salvação dum filho indigno (Lc 15,7)."
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7. Portanto, caríssimos, a parábola do filho pródigo apresenta-nos também o irmão mais que se irritou e não quiz entrar na festa do irmão mais novo que se converteu e foi recebido pelo seu pai, que cheio de misericórdia, o acolheu de volta no aconchego do seu regaço. Ora, quem de nós na vida não foi um filho pródigo ou o filho mais velho? Basta examinarmos a nossa consciência.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Como estamos administrando a vinha do Senhor?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,33-43.45-46)(06/03/26)

1. Caríssimos, o ar que respiramos é invisível e não precisamos fazer nenhum esforço para provar que ele existe visto que o respiramos naturalmente, pois, sem ele não existimos, ou seja, nós convivemos com um elemento invisível do qual dependemos cem por cento e só percebemos a falta que ele nos faz quando sofremos com alguma doença respiratória. 

2. Com efeito, convivemos com Deus a todo momento e só percebemos a sua ausência quando pecamos, pois, o pecado é uma terrível doença espiritual que nos leva à perca da graça santificante assim que o cometemos; e desse modo, deixamos de perceber a evidência da presença de Deus em nossa vida por conta das más ações praticadas.

3. No entanto, como estamos no tempo da misericórdia, é possível retornar ao estado de graça quando arrependidos da prática pecaminosa nos voltamos para o Senhor de todo coração a fim sermos perdoados no Sacramento da Confissão e assim sermos curados da doença maléfica do pecado.

4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta, aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, a Parábola dos vinhateiros perversos que se apossaram da vinha do seu senhor e não devolveram os frutos esperados, e ainda espancaram e mataram os empregados enviados e até o próprio Filho do dono da vinha, consumando, com isso, a própria condenação.

 5. Escutemos, então, com acurada atenção a conclusão dessa Parábola: "Pois bem, quando o dono da vinha voltar, que fará com esses vinhateiros?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.

6. Então disse-lhes Jesus: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” Por isso eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos."

7. Portanto, caríssimos, escutemos ainda o Senhor: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,1-2.5). 

8. Destarte, como assimilarmos o que o Senhor Jesus nos ensinou nesta liturgia de hoje? Nossas almas são a vinha do Senhor e nós somos seus vinhateiros, decerto, como nos foi ensinado, que tenhamos o devido cuidado desta vinha para darmos os frutos que o Senhor espera de nosso humilde trabalho. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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