VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 23 de março de 2014

O HÁBITO FRANCISCANO, UMA CURIOSA HISTÓRIA DA VESTE MEDIEVAL

O HÁBITO FRANCISCANO, UMA CURIOSA HISTÓRIA DA VESTE MEDIEVAL



A primeira coisa que chama a atenção de quem se aproxima dos franciscanos é o hábito. Porque suscita curiosidade e perplexidade, dado que a forma e a cor variam segundo as diversas famílias franciscanas, seja masculina ou feminina. Por isso, uma das perguntas mais frequentes dos peregrinos e turistas que vão à Basílica de São Francisco, onde é fácil confrontar-se, é esta: porquê negro ou cinza? Mas o hábito franciscano não é castanho?

Neste artigo daremos uma resposta ao argumento do ponto de vista da forma e da cor, sem mencionar o significado teológico-espiritual do hábito franciscano, que merece ser estudado à parte.

Hoje nenhuma das ordens ou congregações franciscanas, nem pela forma, nem pela cor, veste o hábito de São Francisco, que era em forma de cruz e de cor acinzentada ou de terra, resultado da mistura, em partes iguais, de fios de lã branca e negra ou castanha escuro. Existe quem afirme que o Santo de Assis e os seus companheiros não se vestiam de forma diferente dos pobres e camponeses do seu tempo, mas nos seus escritos e biografias diz-se alguma coisa diferente.

O certo é que o modo de vestir dos frades menores (túnica longa, capuz, corda e calças) era muito mais pobre do que o dos outros religiosos de então, e isto permitia-lhes estar mais próximos dos indigentes e mendicantes, mas não se pode negar que foi um verdadeiro distintivo religioso, que os distinguia dos seculares.

As duas regras de São Francisco e as biografias referem-se em particular mais à humildade do hábito dos frades menores que da cor ou da forma da túnica e do capuz. Não negligenciando o aspecto externo, a coisa mais importante nos inícios foi a modéstia e a pobreza no vestir. Mas, quando a Regra bulada impõe aos frades de não julgar, nem desprezar "aqueles que vestem roupas suaves e coloridas", diz-se, na prática, que a cor do seu hábito deveria ser natural.


 
As biografias e as relíquias do Santo permitem-nos assegurar que as túnicas tinham a forma de cruz ou de "tau", de modo a recordar que, o irmão menor deve exprimir em si mesmo os sofrimentos do mundo. O capuz que encontramos nas primeiras representações dos frades e de São Francisco é, de costume, pontudo e alongado, similar aos dos Capuchinhos. Aquele conservado nas relíquias da Basílica tem exatamente o aspecto de uma manga (de roupa), de modo que muitos não concordam que se trate de um capuz, que foi posto no lugar da manga esquerda que está faltando.

Existem outros capuzes daquele período, mais curtos e com a extremidade arredondada, pelo qual não se pode falar de um único modelo de capuz para toda a ordem. Uma outra característica é que o capuz primitivo era costurado ao colo, mas bem cedo foi substituído por um capuz separado da túnica, que passava pela cabeça e se apoiava amplamente sobre o ombro e ao redor do pescoço, em modo de prega. Esta prega foi-se alargando ao longo dos séculos, até obter a forma do capuz atual dos Menores, Conventuais e Terceiros Regulares. Então, desta forma, fala-se da cor.

No Espelho de Perfeição fala-se que, entre todos os outros pássaros, Francisco amava com predileção as cotovias, chamadas "de capuz" porque "têm o capuz como os religiosos e é um humilde pássaro... a vestimenta da cotovia, a sua pena, isto é, tem a cor da terra: assim oferece aos religiosos o exemplo de não ter vestes elegantes e de belas tinturas, mas de modesto valor e cor semelhante à terra, que é o mais humilde dos elementos" ( FF. 113).
A terra todavia, como todos sabem, tem uma infinidade diversa de tonalidades. Tomás de Celano, no Tratado dos Milagres, fala de um "pano cinzento" como aquele dos cistercienses de Oltremare, que Francisco moribundo pede a Jacoba de Settesoli para o seu funeral.

A referencia mais direta à cor do hábito minorítico é aquele da Crônica de Roger de Wendover (falecido em 1236) e de Mateus de Paris, onde se diz que "os frades chamados Menores... caminham descalços, com corda na cintura, túnicas cinza longas até aos tornozelos e remendadas, com um capuz vil e áspero.

Num documento de 1223, o rei da Inglaterra ordenava ao vice conde de Londres a aquisição de certa quantidade de panos, metade de "blaunchet" ou branco para os Pregadores ou Dominicanos, e outra metade "russet" para os frades menores de Reading. O "russet" era o "rusetus pannus" o pano avermelhado, resultado da mistura natural de lã branca e castanha. As Constituições de Narbona de 1260 estabeleciam que " as túnicas externas não sejam nem de tudo negras, nem de tudo brancas", deixando então uma ampla margem às tonalidades de cinza.

Nos frescos de Giotto da Basílica Superior de Assis é comum encontrar, numa mesma imagem, hábitos cinza e avermelhados, sempre, porém em tonalidades claras. As Constituições Farinerie de 1354 prescrevem, no entanto, que os superiores não permitam o uso dos panos com "tinturas de diversas cores, nem muito próximo ao branco, nem ao negro".

A variedade de cores dos hábitos primitivos deu-se principalmente pela variedade das cores naturais da lã negra, que por vezes tendia ao castanho, e também pelo facto de que o pano para as túnicas não era ainda confeccionado expressamente para os frades. Estes, no mais eram adquiridos no mercado pelos benfeitores dos frades. Eram estes selecionados pela cor e pela qualidade, também se o pano presenteado superava o controle dos superiores, segundo os Decretos de João XXII (1317) e de Bento XII (1336).

Uma maior rigidez quanto à cor, observa-se a partir da divisão da Ordem entre Observantes e Conventuais, acontecida em 1517, sobretudo pelo valor simbólico do cinza, que recorda as cinzas da penitencia e o pó do qual fomos criados. O cinza foi à cor oficial de todas as famílias franciscanas até à metade do século XVIII. Tanto é verdade que, devido à dificuldade para ter um pano tal em quantidade suficiente, sucedeu que as Constituições dos Observantes e Capuchinhos dispuseram que cada província fabricasse os próprios panos para obter a máxima uniformidade.

Assim, por exemplo, o Capítulo Geral de 1694 da Regular Observância ordenava que fabricassem "panos de tudo similar na cor e na qualidade, no entrançado e na espessura, tecidos com lã branca e negra mesclada numa proporção tal que, em juízo dos peritos, resulte um pano cinza como vemos nos hábitos e mantos de N. P. S. Francisco, S. Bernardino de Sena e S. João de Capistrano, os quais, por conservando-se em diversas províncias e países, são de uma mesma cor cinza, mais ou menos claro".

Nos Menores Conventuais observa-se já na segunda metade de 1700, certa tendência pelo negro, não obstante as Constituições Urbanas de 1803 que obrigava ainda o uso do hábito cinza. A prescrição veio a desaparecer na edição de 1823, em parte porque a supressão napoleônica extinguiu as corporações religiosas, os seus membros viram-se obrigados a usar o hábito talar negro do clero secular. Restaurada a Ordem, os frades preferiram continuar com o hábito negro. Hoje, porém, o cinza tradicional esta retornando, de modo que já o vestem quase todos os frades conventuais da Ásia, África, Austrália e América, e algumas províncias da Europa.

Os Frades da Observância mudaram do cinza para o castanho pouco mais de um século atrás. Iniciaram na França e foi imposto para toda a Ordem no capítulo de Assis em 1895, quando o papa Leão XIII reunificou numa só as diversas famílias da Observância: Observantes, Alcantarinos, Recoletos e Reformados ("a cor sintética das vestes externas assemelha-se à cor da lã natural escura com tendência ao vermelho, cor que em italiano se chama marrone e em francês marron").

Os Menores Capuchinhos seguiram da mesma forma a evolução dos Observantes, também para evitar qualquer diferença local. Em 1912 estabeleceu-se que a cor do hábito devia ser castanho, como aquele dos observantes, ainda que um pouco mais amarelado ("a cor deve ser castaneum, em italiano castagno, em francês marron, em inglês chestnut, em alemão kastanienbraun, e espanhol castaño"). O hábito que mais se assemelha ao de São Francisco e dos primeiros frades menores, é o dos Capuchinhos, sobretudo pelo capuz alongado e costurado na gola da túnica.

O hábito dos Observantes ou Menores caracteriza-se por ser mais ajustado e pelo capuz ser destacado da túnica que cai sobre o ombro em forma de manta, cortada dos lados, mais longa e pontuda atrás, até a cintura. O hábito dos Conventuais é similar ao dos Observantes, difere somente no capuz que é mais redondo e o manto mais longo, sem igualar as curvas. O hábito dos Terceiros Regulares ou frades da TOR, pouco tempo faz era semelhante ao dos Conventuais pela forma e pela cor, mas recentemente retornaram ao cinza tradicional, com manto longo e pontudo nas costas.

Nos últimos tempos estão surgindo outras congregações franciscanas com hábitos diversos, mais ou menos semelhantes àqueles já citados, com túnica e capuz cinza ou castanho.

Existem algumas também com tendência ao azul celeste, como o dos Frades da Imaculada e outros de cor acastanhada clara ou creme, e mesmo verde.
Além dessas diferenças de forma e cor, o que distingue os franciscanos e franciscanas dos membros de outras Ordens ou Congregações religiosas da Igreja, é o uso exclusivo do cordão de lã branca, que Francisco escolhe para substituir o cinto de couro em cumprimento do mandamento evangélico de Cristo aos seus apóstolos: "não levem nada pelo caminho...nem cinto..." (cf. Mt 10). Ao início não existia um número estabelecido de nós que tivesse a função prática de encurtar a corda, de modo que, não tocasse a terra. Com o passar do tempo, impôs-se a tradição dos três nós, como se para recordar os três votos da profissão religiosa: obediência, castidade e pobreza.

Enfim, quanto ao calçado, o Pobrezinho caminhou sempre descalço, conforme o mandamento de Jesus: "não usem sandálias..." Somente nos dois últimos anos da sua vida, para esconder as faixas ensanguentadas dos estigmas dos pés, teve de usar calçado de pele ou de pano, como se veem ainda nas relíquias da Basílica em Assis.

A Regra não impõe nem de andar descalço, nem de utilizar sandálias. Descreve, no entanto, que os frades possam utilizar calçado em caso de necessidade.

As sandálias, de qualquer modo, bem depressa se impuseram na ordem, como se pode ver nos frescos de Giotto, onde as trazem todos os frades e também São Francisco. Mais tarde, por volta de 1400, os frades das reformas que moravam nos eremitérios usavam uma espécie de sandálias com as solas altas de madeira chamadas "zoccoli", e eis porque, na Itália, os Observantes foram popularmente conhecidos com o nome de "zoccolanti".

Mais recentemente, as diversas Constituições deixaram de impor as sandálias aos Menores e aos Capuchinhos, e os sapatos aos Conventuais, mas tais disposições só foram tiradas depois do Concílio, sendo que não é estranho encontrar Conventuais com sandálias e barba, Menores com sapatos, e Capuchinhos sem barba.

Enfim, passada a rigidez dos últimos séculos, fazemos votos, então, de não perdermos o espírito dos inícios, quando, daquela época, pela forma e pela cor, se insistia no aspecto da pobreza e da aspereza dos tecidos e nas cores naturais do cinza e da terra, sinal de humildade e penitência.

Mesmo que a este propósito, São Francisco tenha escrito na Regra que os ministros poderiam proceder "diversamente segundo Deus" (RB 2).

Por Frei Tomás Gálvez, OFMConv. (in memoriam)
Revista San Francesco - giugno 2004, p. 40-43.
Trad. Frei Marcelo Veronez, OFMConv.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PRECISAMOS APRENDER A SER CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO...


PRECISAMOS APRENDER A SER CONDUZIDOS PELO ESPÍRITO SANTO...

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne”. (Gl 5,16).

A vida natural nos leva ao encontro da morte todos os dias, mesmo que não queiramos; por outro lado, a fé vivida a cada instante nos leva em Cristo Jesus à vida eterna. Esse sempre foi e sempre será o desejo de todo ser vivente, que tem a liberdade de pensar e agir para que a vida seja sempre vida, e por isso, mantém sua fé viva no filho de Deus, que morreu e ressuscitou nos abrando as portas do Reino dos Céus. Ora, mesmo que não tenha fé, ninguém que vive neste mundo deseja a morte ou pensa nela a todo instante; ao contrário, todos, que creem em Deus ou não, desejamos uma vida de saúde, felicidade e paz; a não ser que tudo o que faz da vida o leva morbidamente ao fim.

Em sua carta aos Romanos (cf. Rm 8,1-17), são Paulo, escreve sobre a necessidade que temos de nos deixar conduzir pelo Espírito Santo de Deus, para atingirmos a perfeição desejada pelo Senhor, e que faz parte de seu plano para a nossa salvação. Mas, como podemos ser conduzidos pelo Espírito Santo de Deus, para obtermos tal salvação, nós que vivemos em meio a tantos pecados e tragédias advindas deles, que às vezes nos sentimos até incapazes de crer? Ora, ao longo da história da salvação, encontramos os patriarcas, os profetas, os reis e todos os santos fiéis que, por seguirem Cristo e se moldar à sua perfeita obediência se deixando conduzir pelo Espírito Santo, fizerem em tudo a sua vontade e desse modo nos revelaram como Deus age para realizar o seu plano salvífico em nossa vida, que significa nos levar ao convívio com Ele em sua glória por toda a eternidade. Vejamos por seus exemplos com Deus agiu, mostrando-lhes como deveriam se portar em sua presença desde já para obterem esse seu divino favor.

Em Abraão, Deus nos ensinou que a fé salvífica, nasce do encontro com Ele e da permanência Nele, por uma especial visita Dele à cada um de nós, como aconteceu com Abraão, nosso pai na fé. “A palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão (um toque interior do Senhor), nestes termos: “Nada temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande”. Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça”. (Gn 15,1.6). Ora, o Senhor é perfeitíssimo em todas as suas obras, ninguém escapa ao seu chamado, à sua visita, até mesmo aqueles que o negam (cf. Is, 40,26). Isto porque Deus “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. (1Tm 2,4). À Abraão e à sua posteridade na fé, Deus revelou que a sua salvação se estenderia sobre todas as nações e assim aconteceu (cf. Gn 17,1-6).

Em Moisés, Deus nos deu a lei perfeita da liberdade, o conhecimento da verdade escrita em tabuas de pedra e nos corações, e assim fez uma aliança de amor com todos fiéis de todos os tempos, e a selou com estes santos mandamentos, de tal modo que seguir os santos mandamentos é seguir o Senhor mesmo. Já em todos os profetas, Deus revelou a ação direta do Espírito Santo, como rezamos no credo: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, Ele que falou pelos profetas”. Por isso, as profecias se cumpriram e se cumprirão até o final dos tempos.
Em Maria, Mãe de Jesus, Deus fez-se cumprir todas as promessas e profecias que havia feito aos seus antepassados no Antigo Testamento; e o Espírito Santo, terceira Pessoa da Santíssima Trindade, foi esse regente eterno que realizou o Magnificat do Senhor em sua pobre serva, por isso, “todas as gerações a proclamarão bem-aventurada”, porque o Senhor lhe fez grandes coisas, como o anjo mesmo lhe disse: ”O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus”. (Lc 1,35). Pois, como o fez Abraão, ela também acreditou e Deus se fez Carne em seu ventre santo e habitou entre nós. (cf. Lc 1,26-38).

Por fim, Jesus atribuiu ao Espírito Santo todas as suas Palavras e ações e o chamou de dedo de Deus (cf. Lc 11,20; Mt 12,28;Ex 31,18). E ainda nos confidenciou: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei”. (Jo 14,12-14). Também disse, quando formos perseguidos por sua causa: ”Gravai bem no vosso espírito de não preparar vossa defesa, porque eu vos darei uma palavra cheia de sabedoria, à qual não poderão resistir nem contradizer os vossos adversários”. (Lc 21,15). Por sua vez, São Paulo, falando sobre nossas orações, escreveu: “Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus”. (Rm 8,26-27).

Em suma, recebemos o Espírito Santo no Sacramento do Batismo (cf. Jo,3,3.7) para sermos conduzidos por Ele sempre (cf. Gl 5,16-17), por isso, precisamos aprender a ouvir o Espírito Santo em nós, como o ouviam os patriarcas, os profetas, Jesus e os apóstolos e todos os que seguem o Senhor no caminho da vida eterna (cf. At 5,32; Jo 15,26-27). Pois, de fato, se nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo de Deus, seremos herdeiros do Reino dos Céus, porque é para o Reino que Ele está nos conduzindo (cf. Rm 8,9-17). Pois o Espírito é a Verdade e nos ensina toda a verdade a respeito de Cristo que nos dá a vida eterna (cf. Jo 16,13-15; 3,16-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

QUANDO O QUE VIVEMOS É ENCONTRO COM CRISTO, A VIDA NÃO É MAIS A MESMA, PORQUE EM CRISTO A VIDA É ETERNA...


QUANDO O QUE VIVEMOS É ENCONTRO COM CRISTO, A VIDA NÃO É MAIS A MESMA, PORQUE EM CRISTO A VIDA É ETERNA...

Todas as criaturas são o que são, menos o ser humano, por causa de sua liberdade-racionalidade, que se traduz no poder de decidir seu querer e executar, e com isso definir o seu devir. Na obra da criação, existe uma divina sincronia-harmonia, tudo foi criado somente para o bem de todos; no entanto, quando não vivemos essa sincronia-harmonia como ela é, a realidade é transformada por nós para algo desarmonioso e perverso, e a nossa situação, por vezes, torna-se devastadora e até desafiadora da fé num Deus que é Senhor da criação e tem todo poder sobre o céu e sobre a terra. Ora, isso tudo constatamos em todas as camadas de nossa sociedade; chega a ser constrangedor o desequilíbrio social no qual estamos mergulhados, por falta da vivência dessa sincronia-harmonia que Deus nos dá por meio da fé e de sua presença no meio de nós.

Com efeito, na atual circunstância porque passa a humanidade, será que os homens não percebem a presença de um espírito maligno, que domina aqueles que praticam toda espécie de maldade? Eles ofendem a tudo e a todos, nos lançando em precipícios cada vez mais horrendos. De fato, precisamos urgentemente mudar esse situação; mas, será que conseguiremos do jeito que estamos vivendo? Creio que por nós mesmo seja impossível, dada à decadência de valores humanos e o esfriamento da fé. Todavia nem tudo está perdido, porém, só temos uma saída, o encontro com Jesus Cristo e a permanência nele, que é fundamental para vencermos o mal, que tenta espalhar sua maldade em nosso meio como uma epidemia sem controle.

No evangelho de São João, nós lemos o seguinte: “Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3,16-21). Assim, depois de meditarmos estas palavras, o que mais podemos pensar ou dizer?

Na verdade, precisamos ouvi-las com a máxima atenção e pô-las em prática de imediato, pois, sem esse encontro com Cristo, não há nada de bom, porque somente no encontro e permanência em Cristo Jesus é que a vontade de Deus se realiza totalmente em nossa vida. De fato, Jesus assumiu todas as compreensões e condições humanas, até mesmo a sensação de abandono por parte do Pai, por isso, olhando o sofrimento, a morte e a ressurreição do Filho de Deus, ninguém pode dizer que Deus não nos ama ou que nos abandona, porque, na verdade, é Ele que sofre conosco o martírio temporal que sofremos em nossa carne, como sofreu com seu Filho Jesus Cristo, para nos dar o que há de mais precioso em seu amor, a vida eterna.

Logo, crer na vida eterna que Deus nos dá por meio do Filho Jesus Cristo, não é quimera, é a única verdade que nos liberta, a nós simples mortais. De que adianta ser o que somos, ter o que temos, viver o que vivemos, se tudo isso se resumir a uma cova rasa ou um pote de cinzas e nada além disso? A vida foi nos dada como prova de amor, mas ela só será tirada àqueles que não quiseram amar. Porque quem ama não morre, permanece em Deus que é Amor. Quando o que pensamos e fazemos é a vontade de Deus, expressa em seus mandamentos e nos ensinamentos de Jesus Cristo e de sua Igreja, isto é a verdade que nos salva e nos leva à mesma santidade do Filho de Deus. Mas, o que é a santidade? É a vontade de Deus para todos (cf. Mt 5,48); e mesmo que os homens não queiram uma vida de santidade, por suas obras más, esta permanece a vontade de Deus para todos, pois Deus é Santo e comunica a sua santidade à todos que lhe obedecem.

Destarte, o amor que brota do encontro com Cristo é um amor diligente, zeloso, que cuida e se doa totalmente, que compreende sempre sem nada exigir. É como escreveu, São Paulo: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará”. (1Cor 13,4-8). Portanto, quem encontra Jesus Cristo e Nele permanece, tem a vida eterna desde já, para além de tudo o que há neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A CRUZ, NÃO SE ENTENDE, SE VIVE...


ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS...

Por seu Filho, Jesus Cristo, Deus fez uma profícua aliança de amor conosco; Ele se deu à nós totalmente, para também nós nos darmos a Ele totalmente e assim formamos uma só comunidade de amor, que comporta o seu plano de salvação para as suas criaturas. Ora, nesse encontro amoroso, o mistério divino começa a ser desvendado em nós, e assim nos tornamos para o Senhor agentes de transformação da obra da criação, e somos amados por Ele até a última gota do Sangue de Seu Filho, derramado para o perdão dos nossos pecados, até que atinjamos a perfeição desejada por Ele que assim nos amou primeiro.

Quando o Senhor nos diz: “Sede santos como o vosso Pai celeste é Santo”. (Mt 5,48); Ele está dizendo que, como “imagem e semelhança de Deus”, potencialmente, todos somos santos ao infinito; é como a semente que já traz nela potencialmente a plenitude de milhões de plantas, flores, frutos e grãos e a saciedade das necessidades da natureza à qual se destina, isto é, ela traz em si o propósito divino de perfeição que lhe cabe; mas para isto, é preciso que ela morra, pois: “se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto”. (Jo 12,24). Ou seja, a semente que não morre, não ressuscita, não tem vida, ela é só presença fútil; pelo contrário, a que morre produz fruto cem por um, porque plantada na terra boa da redenção.

A nossa experiência de Deus se fundamenta em sua visita, ou seja, em seu toque especial em nossa alma, como uma espécie de êxtase espiritual que nos envolve e cresce à medida que o cultivamos com o empenho de quem busca a verdadeira santidade de vida. Mas é preciso que queiramos receber esse toque especial do Senhor por meio da fé, que está impressa em nossa alma; assim como está impresso em nosso corpo o nosso código genético. E como se dá esse toque divino? Cada um o experimenta de acordo com a sua realidade, todavia, na maioria ele se dá pela cruz, que consiste em uma espécie de esvaziamento total, quando nos sentimos sós e a dor nos toma por demais, a exemplo de Cristo na cruz: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Mt 27,46). Ou seja, na cruz Jesus deixa Deus livre a ponto de sentir-se até abandonado por Ele; porém, não deixa de fazer o seu maior ato de amor e doação: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23,46). De fato, na cruz, Jesus não tem mais nada, tiraram-lhe tudo até mesmo a própria vida, mas não puderam tirar a sua dignidade, a sua liberdade de amar e dizer sim ao Pai. Então, o que é o amor? O amor é isso, deixar o outro livre para decidir amar ou não, mas nunca abrir mão de amar até as últimas consequências, ou seja, por meio da obediência incondicional.

Na vida Deus nos ama assim, até as últimas consequências e nos deixa livres para amá-lo ou não, porém, nos diz: “filho tu podes me amar ou se tornar um demônio, mas tu nunca poderás esquecer que eu te amo, e por isso te perdoou sempre, mesmo que não aceites o meu perdão e o meu amor, como o fazem os demônios”. Portanto, caríssimos, a cruz não se entende, se vive, mesmo que não queiramos; todavia, quer queira quer não, um dia este mundo será passado a limpo; felizes os filhos e filhas de Deus que nunca rejeitaram o seu amor. Pois: ”É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (cf. Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. (1Cor 2,9).

Paz Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

ASSIM É A OBRA DO SENHOR EM NOSSA VIDA...



ASSIM É A OBRA DO SENHOR EM NOSSA VIDA...


Senhor, para quem te segue fielmente...
A graça maior é não se perder,
porque és o caminho da perfeição,
tão desejada por toda humana criatura...

Senhor,
quem ouve as tuas palavras e as põe em prática,
Sabe que se torna tua morada...
E morada do Pai que nos ama...
Como o disseste no Evangelho de São João (cf. Jo 14,23).

Senhor é tão maravilhoso te ouvir e te seguir...
Que quem assim o faz,
nunca deixa de ser feliz
nem de carregar a tua paz...

E o que dizer da consagração total a Ti?
E do devir que preparas
para os eleitos dessa tua jornada definitiva
como herança infinita porque te amaram e acreditaram em ti?

Ó Senhor, quão feliz é quem te ama...
Quem mantém acesa a chama do Espírito Santo
Em seus corações...
Esses não esmorecem, porque se deixam conduzir...
Por teu Espírito e o seu santo modo de agir...

Ora, o Espírito Santo unge,
quem não se sente abrasado?
O Espírito Santo age,
quem não vê as obras de Deus?
O Espírito Santo inspira,
quem não há de falar?

A vida em Deus é assim...
Toda escuta...
Toda obediência...
Toda amor...
Assim é a obra do Senhor em nossa vida...
Para a nossa salvação...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A LÓGICA DO AMOR...


A LÓGICA DO AMOR...

“Deus é amor”. (1Jo 4,8).

O amor ama mesmo quando não é amado, porque o amor é o próprio Deus; creio que atualmente poucas pessoas têm esse entendimento sobre o amor; isto porque para muitos o amor é apenas um sentimento, quando na verdade ele é a essência da vida, e tudo o que não é movido por ele, não perdura por muito tempo. Ora, não há felicidade onde o amor não é amado, onde o amor não é vivenciado ou cultivado pelas almas apaixonadas, que desapegadas das coisas que passam, abraçam fervorosamente as que não passam.

Quem ama de verdade só ama porque experimenta o amor de Deus; não existe amor onde Deus não se faz presente; mas, onde Deus não se faz presente? No coração daqueles que o negam com suas palavras e/ou suas atitudes e obras. Uma alma que nega Deus jaz na morte, porque quem não ama a Deus, não o conhece e nem se deixa amar por Ele que é Vida Eterna. Certa feita, uma pessoa de quem não fiz sua vontade carnal me insultou, dizendo: eu te odeio. Ao que lhe respondi: já sei por que és infeliz, porque não amas. Ela então me disse: eu não amo você, mas amo outras pessoas. Novamente lhe respondi: não pode uma mesma fonte jorrar água podre e água pura; o amor é água cristalina; o ódio é lama pútrida que envenena a alma e mata todos os desejos de felicidade que se almeja nesta vida. E novamente me disse ela, depois de certo tempo em silêncio: sabes que tens razão! De fato, não existe amor nem felicidade sem Deus, isto porque Deus é o único Amor que gera a felicidade eterna.

Escrevendo sobre o amor, assim se expressou São João: ”Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito”. (1Jo 4,7-12).

Também São Paulo escreveu uma das páginas mais linda da Bíblia sobre o amor, que se tornou um hino ao amor, ele o começa dizendo: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não sou nada. Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada valeria! O amor é paciente, o amor é bondoso. Não tem inveja. O amor não é orgulhoso. Não é arrogante. Nem escandaloso. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará”. (1Cor 13,1-8a).

Então, qual é a lógica do amor? O amor não precisa de lógica para se expressar, porque tudo o que existe, existe como expressão do amor de Deus. A falta de lógica é não amar a Deus sobre todas as coisas, é não corresponder ao Seu Amor Eterno. É por isso que a maior parte dos homens vive mergulhada no inferno, porque deixou de amar, a Deus primeiramente, e ao próximo como a si mesmo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 25 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA FÉ...



A LÓGICA DA FÉ...


O que é acreditar? Em se tratando da nossa naturalidade, crê é se mover dentro dos limites de nossas capacidades para fazer acontecer, como fruto do nosso trabalho, quer intelectual, científico, físico, etc., aquilo que almejamos e planejamos para o bem estar de todos. Porém, quando tratamos de nossas almas, aí passamos da realidade exterior, isto é, do nosso habitat natural com suas leis e possibilidades, para a realidade interior, espiritual, mística; onde acreditar é se unir a Deus e permanecer Nele para fazer acontecer sua vontade que significa a perfeição eterna que o Senhor nos proporciona, por meio da fé, no seu poder criador e restaurador de todas as coisas. Pois quando digo: “creio Senhor”, o digo movido por sua graça que me faz viver segundo sua vontade, tornando minha realidade também a sua; fazendo-me compreender que sou seu filho no seu Filho Jesus Cristo, que por sua morte de cruz, realizou seu eterno plano de amor para a nossa salvação.

Certa feita, alguém me perguntou: Frei, eu vou ser salva de quê? Também lhe perguntei: estás satisfeita com todo o mal que se encontra no mundo atualmente? Fome, peste, guerras, tragédias naturais causadas pela degradação da natureza; tráfego de drogas, de armas, de pessoas; trabalho escravo; opressão de toda espécie; maldades incontáveis; perversões contra os bons costumes, corrupções, destruição dos valores humanos, etc.? De fato, vivemos uma cultura de morte sem precedentes, nunca se matou tanto como nesse nosso tempo; seja pela guerra entre nações, seja pela guerra urbana, isto é, nas grandes e pequenas cidades, onde a bandidagem se multiplica dia a dia; seja pela guerra no trânsito em nossas rodovias ou não; seja pelas doenças incuráveis ou outras igualmente letais; seja pelos vícios e paixões desordenadas; seja ainda pela violência doméstica, que faz vítimas e mais vítimas a cada segundo, etc. etc. etc...

Realmente, precisamos da fé, dom de Deus, para permanecermos Nele e mudar o que está destruindo nossas famílias e nossa sociedade como um todo; e isso é possível mediante a conversão aos valores cristãos, pois somente Jesus Cristo em cada um de nós pode realizar a transformação necessária, para termos paz neste mundo. Sem o acolhimento de sua vontade essa realidade que está aí vai piorar até se tornar um abismo sem volta. Para que isso não aconteça é necessário ouvirmos o Senhor e praticarmos o que Ele nos ensina: Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14). E ainda: Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,33-34).

Com efeito, o Senhor também já nos havia alertado sobre a perca da fé, dizendo: Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A fé é graça do Espírito Santo, no coração e na alma dos batizados, ela age perfeitamente nos unindo ao Senhor Jesus, para que demos testemunho da sua real presença conosco no mundo e por Ele agirmos em todo o nosso proceder, como nos ensinou São Paulo: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl 3,17). E ainda: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor”. (Cl 3,23-24).

Ora, “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Por isso, nós daqui em diante a ninguém conhecemos de um modo humano. Muito embora tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não o julgamos assim. Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (2Cor 5,14-17).

Portanto, “Tudo é possível ao que crê”, (Mc 9,23), disse Jesus, o Filho de Deus; logo, esse dom de crê vai muito além da finitude da compressão racional, porque a razão precisa sempre de evidências para aceitar o que é além do que pode compreender; enquanto que a fé produz a evidência de que a razão não é capaz mesmo com o raciocínio lógico. Desse modo, a lógica da fé consiste no transpor a natureza das coisas e da própria razão, fazendo acontecer as evidências necessárias ao aliar amor, confiança, esperança e determinação, que são valores eternos intrínsecos presentes na alma humana, para produzir os efeitos desejados pela fé. Ou seja, é a alma humana aliada à Deus presente nela que faz acontecer pela fé a vontade de Deus, isto é, a perfeição de todas as coisas. Assim, compreendemos que a fé natural nada é sem Deus, porque mesmo sendo inata precisa da graça do Senhor para ter o poder que tem de vencer os limites e realizar o que a razão não pode por si mesma. Crer é amar a Deus e se unir a Ele pelo amor, é obedecê-lo em tudo para que se cumpra a sua vontade em nossa vida, aqui e eternamente em sua glória. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 18 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA GRAÇA...


A LÓGICA DA GRAÇA...

Tudo o que é autêntico, é verdadeiro, é honesto, é bom, é puro e nos foi dado somente para o bem. Assim é a vida e tudo o que a mantém; perder essa autenticidade é perder tudo é perder a própria vida. E quando perdemos tudo até a própria vida é porque perdemos Deus, pois nenhuma criatura subsiste por muito tempo sem a graça de Deus.

No princípio Deus criou todas as coisas e por fim criou o homem e a mulher como “imagem e semelhança” sua, e isto num paraíso; deu-lhe o perfeito estado de graça que consistia viver em comunhão com Ele, seu Criador e Pai; e para que não perdesse esse estado de graça deu-lhe o dom do trabalho e o único preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,16). Desse modo, o homem tinha todos os bens para fazer uso fruto deles; e deu-lhe o estado de graça permanente, a visão beatífica do Senhor, e o poder de governar a terra, como um paraíso, contanto que obedecesse e assim se multiplicasse, permanecendo fiel ao Boníssimo Senhor e Deus de toda vida.

Mais aí veio a tragédia do pecado e o inferno que ele trouxe para dentro do homem e para todas as suas ações. Assim o homem começou a governar a terra a partir do pecado, e o seu estado de alma ficou comprometido pela presença e o domínio do inimigo, pois toda vez que o homem peca, fica submetido e oprimido pelo mal que praticou; como o Senhor mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”. (Jo 8,34).

Com efeito, como Deus não deixa inacabada a obra de suas mãos, por isso, não deixou o homem a mercê do pecado nem do inimigo que lhe transmitiu tal pecado, mas enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos libertar do castigo da morte que o pecado trouxe, e do inferno no qual o homem se precipitou quando se submeteu ao mal pela desobediência praticada. É exatamente isso que nos ensinou São Paulo na carta aos Romanos: ”De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Rm 8,14).

Todavia é preciso que nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo, do qual nascemos no Batismo, para que não voltemos à prática do pecado que é porta de entrada do mal em nossa vida. Pois assim escreveu, São Paulo, nessa mesma carta: “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14). Ou seja, o Batismo nos conferiu o estado de graça perfeito, que antes tinha sido perdido no paraíso por Adão e Eva; e nos conferiu a participação na natureza divina, e o dom do Espírito Santo para nos conduzir à plena comunhão com a vontade de Deus, isto é, à perfeita obediência vivida e ensinada por Jesus Cristo, nosso Senhor, e Salvador de nossas almas.

Portanto, o homem foi criado em estado de graça para viver em estado de graça permanentemente, isto é, para viver fazendo sempre a vontade de Deus. Como ele perdeu esse estado de graça pela desobediência, Deus mesmo veio ao seu encontro por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, “que foi obediente até a morte e morte de cruz”, para que o homem voltasse a fazer, por meio dele, a sua santa vontade e assim obtivesse a vida eterna em um novo paraíso, o Reino dos Céus. Logo, não há autenticidade na vida se a vontade de Deus não é vivida. Pois, quem faz a vontade de Deus, expressa em seus mandamentos, tem a Deus no comando de sua vida e de suas ações, e tudo o que empreende prospera, porque tudo o que é comandado pela sabedoria divina, é obra autêntica das mãos de Deus, que leva o homem à realização completa e à felicidade plena aqui e eternamente no Reino dos céus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 28 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE ANO NOVO...


ANO NOVO TUDO NOVO...

A vida é sempre nova, porque o Senhor renova todas as coisas, e não nos deixa parados, é por isso, que estamos a caminho da eternidade, ou seja, do Reino dos Céus, onde a verdade e a justiça habitarão conosco para sempre (cf. 2Pd 3,13).

Caríssimos, estamos começando um novo ano, espero que a palavra “novo” tenha pleno significado em nossa trajetória existencial durante esse novo ano de 2014 a ser percorrido por nós que aqui estamos, e naturalmente desejamos que aconteça somente o bem. O novo na vida diz respeito ao sentido que se dá à vida; quem a vive por viver, não sente o verdadeiro prazer que ela proporciona quando vivida por amor a Deus, Fonte Eterna de toda vida e felicidade. Isto porque a nossa vida, é um caminhar constante em direção à Fonte Divina que a criou e a sustenta, como o rio perene que corre sempre em direção ao mar. Sei que essa analogia natural é simples, porém, carregada de um profundo significa teológico, pois existimos porque somos obras das mãos de Deus, e é para Deus estamos indo a cada instante do nosso viver.

Normalmente, com a proximidade da mudança de ano, aumentamos as nossas expectativas sobre os acontecimentos que poderão ocorrer - e aqui, chamo a atenção para não acreditarmos nas falsas previsões que os charlatões de plantão, juntamente com a mídia alienante, tentam nos fazer crer. E ainda, traçamos, quem sabe, novos projetos de vida, de trabalho ou outro anseio benéfico que desejamos; prometemos mudanças de atitudes e criamos também toda uma atmosfera de melhoria existencial, dado ao otimismo que nos acompanha, visto que a felicidade é um desejo inato que carregamos nas entranhas de nossas almas.

De fato, quem planta o bem, isso mesmo colherá; porém, como do mal praticado nenhum bem podemos colher, evitemos toda espécie de maldade. Bem como nos ensinou São Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).

Então, façamos acontecer o novo em nossa vida nesse novo ano que se aproxima, ou seja, pratiquemos o viver de Cristo com nosso viver, porque não existe o novo sem aquele que renova todas as coisas (Cf. Ap 21,5), exatamente como escreveu São João: “Aquele que diz que Nele (Jesus) crê, deve viver como Ele viveu” (1Jo 2,6), ou seja, fazendo em tudo a Vontade de Deus Pai, porque é para isto que estamos neste mundo. Quem pensa segundo a Sabedoria de Deus e obedece ao que Ele ensina em sua Palavra, este é fiel em todo o seu proceder, porque deixa Deus comandar sua vida.

Feliz Ano Novo!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

É NATAL! FELIZ NATAL!


É NATAL! FELIZ NATAL!

É Natal! Feliz Natal! É aniversário de Deus, porque Deus se fez homem, nasceu entre nós como um de nós para que não haja mais a morte, pois só com o nascimento de Deus, como um de nós, é possível sermos como Deus por sua vontade. Deus não tem princípio nem fim, mas quis, sim, nascer como homem em seu Filho Jesus Cristo, e viver em tudo como homem, menos o pecado, pois Deus não peca; e assim o fez para nos deificar, ou seja, para recebermos sua imortalidade.

De fato, a humanidade está sendo passada a limpo; o tempo está terminando e o mal será extirpado para sempre. E de que lado nós estamos? Pois só existem dois lados, isto é, dois reinos: Um é o Reino de Deus, onde Jesus Cristo já reina eternamente na felicidade com todos os justos, nascidos da água e do Espírito Santo; o outro é o reino das trevas, onde o mal dá as cartas, mas como é mal, jamais participará da felicidade dos filhos de Deus. Felizes os que vivem segundo a vontade de Deus, estes escolheram viver como filhos de Deus, fazendo o bem e somente o bem que Deus lhes dá a ser e fazer neste mundo.

Então, feliz escolha, feliz Natal do Senhor! Feliz aniversário Jesus! Feliz vida eterna para todos que nascemos da água e do Espírito Santo! Porque é por ele que cremos e por isso pertencemos ao Senhor!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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