VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS QUARESMAIS...


OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DA QUARESMA...


Fomos salvos por Cristo, como nos ensinou, São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rm 8,1-2). Todavia não podemos esquecer que o Senhor nos alertou contra as tentações existentes (cf. Mt 4,1-11; 26,41), para não perdermos a herança que recebemos do Senhor, que é a vida eterna; para as paixões desordenadas, apegos às coisas materiais e aos valores mundanos advindos do pecado.

Aliás, o Senhor nos ensinou que por sua Palavra já estamos puros, mas é preciso permanecer Nele, porque sem Ele nada podemos fazer de bom (cf. Jo 15,1-8). Assim, por sua presença permanente em nós, cumpriremos o Plano da salvação, que Deus Pai preparou desde toda a eternidade para aqueles que o amam. É como está escrito: “Há bem pouco tempo, sendo vós alheios a Deus e inimigos pelos vossos pensamentos e obras más, eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que ouvistes, que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu...” (Col 1,21-3a).

Com efeito, assim nos exortou São Paulo sobre a importância dessa permanência em Cristo Jesus: “Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com ele, com ele viveremos. Se soubermos perseverar, com ele reinaremos. Se, porém, o renegarmos, ele nos renegará. Se formos infiéis... ele continua fiel, e não pode desdizer-se” (2Tm 2,1-13). Por isso: “Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebeste de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o precioso depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós. Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a paz, com aqueles que invocam ao Senhor com pureza de coração” (2Tm 1,13-14.22).

Ora, essa permanência em Cristo requer de nós uma conversão permanente, ou seja, conversão permanente significa pertencer a Deus e somente a Ele. Em outras palavras, é como ensinou São Clemente de Alexandria: “Arrependamo-nos; convertamo-nos da ignorância ao verdadeiro conhecimento, da loucura à sabedoria, da injustiça à justiça, da impiedade a Deus. [Porque] São numerosos os bens que daí derivam, como diz o próprio Deus em Isaías: «Esta é a herança dos servos do Senhor» (Is 54,17). [Pois] Não é ouro nem prata, nem o que os vermes corroem, nem o que roubam os ladrões (Mt 6,19), mas o inestimável tesouro da salvação. […] É esta herança que nos põe nas mãos o testamento eterno pelo qual Deus nos assegura os seus dons”.

“Este Pai que nos ama com tanta ternura exorta-nos, educa-nos, ama-nos e salva-nos incessantemente. «Sede justos», diz o Senhor. «Todos vós que tendes sede, vinde beber desta água. Mesmo os que não tendes dinheiro, vinde, comprai trigo para comer sem pagar nada. Levai vinho e leite, que é de graça» (Is 55,1). Ele convida-nos ao banho que purifica, à salvação, à iluminação […]. Os santos do Senhor herdarão a glória de Deus e o seu poder, «que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu» (1Cor 2,9) […]. (São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo «Protréptico», cap. 10).

Destarte, os exercícios espirituais quaresmais são todos os esforços de fé (oração, jejum, abstinência, obras de misericórdia, etc) que fazemos para permanecermos na justiça divina que nos veio pela morte e ressurreição de Cristo Jesus, pois ele, “Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, porque Deus o proclamou sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque”. (Hb 5,7-10).

Paz e Bem!

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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

CONSAGRADOS PARA SERMOS FILHOS DE DEUS...


CONSAGRADOS PARA SERMOS LUZ DO MUNDO...

Caríssimos, irmãos e irmãs, hoje farei uma pequena catequese da alma consagrada a Deus, que significa da alma iluminada pelo Espírito Santo e conduzida por Ele à plenitude da santidade, da glória de Deus. Todos nós que fomos batizados estamos percorrendo a via do Espírito para atingirmos a perfeição do amor de Deus em Cristo Jesus. E Deus nos deu o exemplo de sua Mãe, Maria Santíssima, esposa do Espírito Santo; e também o exemplo dos santos e santas, que percorreram essa mesma via, como consagrados do altíssimo, e atingiram a plenitude da santidade que todos nós almejamos.

Ser consagrados para ser luz do mundo significa: não comungarmos com as obras infrutíferas das trevas (cf. Gl 5,19-21); pelo contrário, devemos condená-las abertamente por nosso modo de ser, de pensar e de viver em Cristo Jesus, realizando em tudo a vontade de Deus Pai.  Para isto precisamos deixar que a luz divina, que nos iluminou no santo batismo e permanece conosco, continue iluminando todo o nosso viver, afugentando toda tentação e todo pecado que se levanta querendo nos tirar da vida no Senhor.

Pois foi isto que São Paulo, nos ensinou quando escreveu: “Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)! Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus”. (Ef 5,10-17).

Com efeito, eis o que diz o Senhor: “Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre uma montanha nem se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe a todos os que estão em casa. Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus”. (Mt 5,14-16)

E confirmando essa doutrina do Senhor, eis o que escreveu São Paulo, à São Timóteo: “Tu, porém, homem de Deus, segue a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a paciência e a mansidão. Combate o bom combate, conquista a vida eterna. Fala aquilo que convém e é conforme a sã doutrina”. (1Tm 6,11-12a; Tt 2,1).

De fato, nós fomos consagradas a Deus no santo batismo, para sermos morada permanente do Senhor já aqui na terra pelo seu Espírito Santo que habita em nós. Pois bem, foi isto que São Paulo escreveu aos Coríntios, dizendo: ”Ou Não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço [o Sangue de Cristo oferecido em seu sacrifício de cruz]. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”. (1Cor 6, 19-20).

Logo perguntamos, quais são as características ou propriedades das almas consagradas à Deus? Primeira propriedade da alma consagrada a Deus: depois do santo batismo, o corpo humano passou a ser morada permanente de Deus pelo seu Espírito que reside em todos os batizados; e, assim, como Cristo ofereceu seu Corpo em Sacrifício de amor ao Pai em expiação dos nossos pecados, de igual modo devemos oferecer os nossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, não nos conformando com as práticas nefastas deste mundo, mas renovando a nossa mentalidade para discernirmos qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.

E como fazemos isto? Do jeito que São Paulo ensinou: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento - verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade”. (Ef 5,1-9).

A segunda propriedade da alma consagrada a Deus é ter vida de oração: porque para nós que acreditamos no amor de Deus, oração é solução, pois tudo o que a humanidade alcançou até hoje o conseguiu por meio deste dom; é como o Senhor mesmo nos ensinou: “Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei”. (Jo 14,12-14).

Terceira propriedade da alma consagrada a Deus: a perfeita obediência às Palavras de Cristo, para permanecermos como morada definitiva da Santíssima Trindade e assim amarmos Deus no próprio Deus e termos Nele a vida eterna: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos nossa morada. Aquele que não me ama não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito”. (Jo 14,23-26).

A quarta propriedade da alma consagrada a Deus: é viver a vida sacramental. A palavra Sacramento significa: sinal sagrando onde Deus opera diretamente realizando o seu Plano de Amor para a nossa salvação, ou seja, é Deus mesmo realizando a Sua Obra por estes sinais sagrados. Com efeito, os Sacramentos são os fundamentos da vida e da fé cristãs. Em suma, “os sete sacramentos atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão: dão à vida de fé do cristão, origem e crescimento, cura e missão. Nisto existe certa semelhança entre as etapas da vida natural e as da vida espiritual”. (CIC). Amém, assim seja!

Destarte, o Sacramento dos sacramentos é o Próprio Jesus no Mistério da Eucaristia, seu Corpo e Sangue, Sua Alma e Divindade, oferecidos em Sacrifício incruento em expiação dos nossos pecados e dos pecados do mundo inteiro. Então Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu”. (Jo 6,53-58).

Portanto, ser consagrado a Deus é viver como filhos de Deus neste mundo, ou seja, fazendo em tudo a vontade do Senhor por palavras e por obras, como se expressou São Paulo em sua Carta aos Colossenses: “Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, toda vez que tiverdes queixa contra outrem. Como o Senhor vos perdoou, assim perdoai também vós. Mas, acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Triunfe em vossos corações a paz de Cristo, para a qual fostes chamados a fim de formar um único corpo. E sede agradecidos. A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza, de sorte que com toda a sabedoria vos possais instruir e exortar mutuamente. Sob a inspiração da graça cantai a Deus de todo o coração salmos, hinos e cânticos espirituais. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor. Quem cometer injustiça, pagará pelo que fez injustamente; e não haverá distinção de pessoas”. (Col 3,12-17.23-25).

“Senhor, queremos crescer como homens de Deus, queremos viver como um templo de santidade...” (Pe. Sílvio César).

“Paz irmãos, amor e fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo. A graça esteja com todos os que amam nosso Senhor Jesus Cristo com amor inalterável e eterno”. (Ef 6,23-24). Palavra da Salvação. Glória a vós Senhor!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SOBRE O ATENTADO EM PARIS...


SOBRE O ATENTADO EM PARIS...

A única resposta a tudo isso é: quem usa de mau respeito com a fé de outrem, perde o bom senso e o direito de ser respeitado. Só existe liberdade de expressão verdadeira onde o próximo é respeitado na escolha e vivência de sua fé ou convicções; fora isto, esse tipo de "liberdade de expressão" não passa de agressão tão mais violenta quanto a agressão recebida pelos autores dessas charges...

É como está escrito: “Quem com o ferro feriu com ele foi ferido,” e morto, ou seja, injetaram o veneno do preconceito e da intolerância religiosa e beberam o veneno do extremismo... Não que eu seja de acordo com a forma de pensar e agir dos autores das charges e da barbárie praticada contra eles. Entretanto, testifico: todo direito requer um dever.

Por isso, afirmo com toda convicção: não sou “Charlie” nem a favor de extremismo algum, porque, caso fosse, equivaleria a me comparar com o que há de mais vil no comportamento humano, a intolerância religiosa e a falta de respeito com Deus e com o ser humano. Se não ofendessem não seriam ofendidos. Se respeitassem a liberdade de expressão da fé, seriam respeitados também em suas convicções.

Portanto, cada um trate de compreender e amar seu próximo, não impondo o que crê nem seu modo de pensa, mas sim, respeitar a todos e ser respeitado por todos, como pede o bom senso, o bem viver.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O LIVRO DA VIDA...


O LIVRO DA VIDA...

O que é o livro da vida? É esse que estamos escrevendo com a nossa vida temporal para ser aberto na eternidade diante de Deus. Com efeito, enquanto vida natural tivermos, esse nosso livro continuará em aberto, porque ele é escrito por nós à cada instante de nosso viver. No entanto, ele só será bem escrito quando o escrevemos como história de salvação, ou seja, seguindo a vontade de Deus. De fato, todas as condições de bem viver, Deus nos dá nesse nosso paraíso terrestre, é só administra-las honestamente, amando o nosso Criador e Pai acima de todas as coisas e amando-nos uns aos outros como o Seu Filho, Jesus Cristo, nos ensinou (cf. Jo 15,12-17).

Há uma coisa que precisamos entender para bem escreve-lo, Deus nunca abre mão de seu propósito original para com a humanidade, presente no primeiro casal de humanos, criado à sua “imagem e semelhança”. Por isso, os criou num paraíso e em estado de plana comunhão com Ele, para que permanecessem e crescessem na santidade que dele receberam. O fato é que, o primeiro casal abriu mão dessa graça divina, quando por seu livre arbítrio, cedeu ao inimigo de nossas almas a liberdade recebida do seu Criador; isto porque, como ensinou Jesus Cristo, o Filho de Deus: “Todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo” (cf. Jo 8,34).

Ora, a estratégia da serpente (o anjo decaído) foi e é, desacreditar Deus, e fazer com que acreditemos nele, vejamos: “A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” A mulher respondeu-lhe: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: Vós não comereis dele, nem o tocareis, para que não morrais.” “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3,1-5).

E desde que o primeiro casal caiu por este Marketing satânico, a história humana passou a ser escrita com tragédias e infindos derramamentos de sangue; porque o mal se aproveitou e se aproveita da arma do pecado para semear a morte e assim tentar destruir a obra original de Deus, nosso Pai. Uma vez que não pode atingir o Todo Poderoso, porque é apenas uma criatura que se tornou infernal pela sua desobediência. Pois jamais poderá ser comparada em nada ao Criador e Senhor do céu e da terra e de todas as coisas criadas; por isso mesmo, como está escrito, “já foi julgado e condenado” (cf. Jo 16,11).

Entretanto, mesmo com a queda do primeiro casal, o Senhor Deus continuou firmando ainda mais o seu propósito de nos fazer participantes de Sua Natureza Divina, pois enviou o Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, que condenou o pecado na carne, para nos reconciliar consigo a fim de que tenhamos nele a vida eterna (cf. Rm 8,1-4), pela fé recebida em nosso batismo, pois por esse sacramento o Senhor nos fez nascer de novo da água e do Espírito Santo. Por isso, nunca dê ouvidos à serpente que continua solta, mas só enquanto o tempo existir, porque em breve acontecerá o seu final e de todas as coisas temporais, com a vinda gloriosa de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, que vive e reina para sempre e está à direita do Pai de onde virá para julgar os vivos e mortos.

Destarte, nós que já estamos escrevendo o livro de nossa vida, precisamos fechar todas as portas por onde o inimigo de nossas almas, o demônio, tenta entrar, para não sermos seduzidos por ele. E quais são estas portas? Elas são chamadas por São Paulo de obras da carne, ei-las: “Ora, as obras da carne são estas: fornicação (prática sexual fora do sacramento do matrimônio), impureza (nos filmes, novelas, páginas pornográficas), libertinagem (todo tipo de comportamento imoral), idolatria (apego a coisas e a pessoas), superstição (desvio do sentimento religioso, crença em poderes vindo de coisas ou pessoas), inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!” (Gl 5,19-21).

Portanto, sigamos as orientações de São Paulo, para assim escrevermos nossa história de vida eterna, conduzidos pelo Espírito Santo. Porque, “o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito”. (Gl 5,22-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O SIM DE MARIA...


O SIM DE MARIA...

De todas as graças derramadas sobre a humanidade a maior e mais sublime delas foi e é o sim da Santíssima Virgem Maria, pois por este sim, Deus renovou todas as coisas, porque o sim de Maria é Jesus de Nazaré, o Messias, o Filho amado de Deus, que se fez homem pela ação do Espírito Santo, no seio virginal da santa mãe de Deus. Assim como Deus criou a primeira mulher, a virgem Eva, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, também sem pecado; só que há uma grande diferença entre elas; a primeira Eva disse não a Deus, mesmo criada num paraíso com todas as condições para dizer sim a Ele; enquanto que a segunda Eva, Maria, também criada no ventre-paraíso de sua mãe Ana (cf. Jo 1,12-13), disse sim ao seu Senhor e Salvador: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38). Ou seja, Maria não teve nenhum diálogo ou contato com o mal, mas somente com Deus. Desse modo, pelo sim incondicional da Santíssima Virgem Mãe, Deus gerou o seu Filho, Jesus Cristo, e fez por ele nova todas as coisas.

Então, o que é o sim de Maria? É o sublime acontecimento que fecha e sela o Antigo Testamento com o cumprimento de todas as suas profecias; e por sua vez, abre o Novo Testamento com o Nascimento do Messias prometido, o Emanuel, isto é, o Deus conosco, o Cristo Senhor; o Rei que se sentaria eternamente sobre o trono de seu pai, o rei Davi; o Redentor nosso, e de toda a obra da criação, o Novo Adão. Assim, todos os acontecimentos do Novo Testamento até os dias de hoje, como plano salvífico do Senhor, começaram a partir do sim da Virgem Maria. Seu sim é o marco divisor da antiga e da nova criação; da antiga e da nova aliança; da queda e do soerguimento da humanidade; da vida temporal e da vida eterna.

Tudo o que Deus fez é bom, belo e eterno; e não vai ser o demônio nem sua vontade maléfica, que vai atrapalhar o desígnio criador e redentor do nosso Deus e Pai. A princípio, o mal conseguiu ludibriar Adão e Eva, mas ficou só nisso; porque com o advento do Filho de Deus feito homem, Novo Adão, no ventre da Nova Eva, a Virgem Maria, a humanidade conheceu o seu novo destino eterno, a salvação pela remissão dos pecados. Para isto, Deus deu o seu Filho Jesus em sacrifício vivo de expiação de todos os pecados da humanidade. E só perde este benefício quem não reconhece Jesus Cristo como Senhor e Salvador, Aquele que nos torna Um em sua Igreja, que é o seu Corpo Místico (cf. Cl 3,18; Ef 5,21ss), a parte visível do Reino de Deus neste mundo; fundada sobre os apóstolos tendo sua Santa Mãe entre eles, no Cenáculo no dia de Pentecostes (cf. At 1,12-14).

Desde então, a Igreja se mantém firme no propósito salvífico do Senhor, ou seja, ser o Sacramento universal da salvação, tendo no Santo Padre, o Papa (Pedro apóstolo, príncipe dos apóstolos), o regente escolhido por Cristo (cf. Mt 16,17-17; Jo 21,15-19) para conduzir suas ovelhas ao Reino dos Céus, sob a permanente assistência do Espírito Santo, tendo Maria (Nova Eva) como a mãe de todas as almas redimidas por seu sacrifício de cruz (cf. Jo 19,26-27).

Eis, a seguir, uma das mais belas meditações sobre o sim da Virgem Maria, feita por São Bernardo, em uma de suas homilias:

O mundo inteiro espera tua resposta ó Maria... (*)

Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).

Paz e Bem!

(*) Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, de São Bernardo, abade
(Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4, [1966], 53-54)(Séc. XII)

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NATAL, NATAL DO SENHOR...


NATAL, NATAL DO SENHOR...
Natal é o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, ou seja, Deus sem deixar de ser Deus, se fez Homem; não num piscar de olhos nem num instalar de dedos, mas gerado como Deus feito Homem pelo Espírito Santo, no seio santo da Virgem Maria, porque Deus é Santo e só pode nascer santo de quem Ele santificou. Assim como Deus criou a primeira mulher, Eva juntamente com Adão, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, sem pecado no ventre-paraíso de sua mãe Ana, pronta para conceber o Novo Adão, Jesus. A primeira mulher livre do pecado foi tirada do homem por Deus, que os fez sua “imagem e semelhança”; a segunda mulher nascida de Deus mesmo, também totalmente livre do pecado, pela fé de seus pais Joaquim e Ana (cf. Jo 1,12-13), tornou-se a esposa do Espírito Santo e Mãe do Novo Adão, Jesus Cristo, “Deus de Deus, gerado não criado, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”.

Este, sim, é o verdadeiro Natal de Jesus. Mas, qual é o natal que os homens estão comemorando na mídia no geral? O vergonhoso natal do comércio, criado pela ganância de comerciantes sequiosos de lucros, para o desejo consumista e para a gula dos mais bastados; aquele que só lembra os presentes e as guloseimas da ceia de natal, longe da presença do aniversariante que é a razão de ser desta festa. O natal midiático é perverso, porque ilude e engana crianças e adultos de todas as camadas sociais, com a figura patética do papai Noel e suas lendas pagãs, distribuindo “presentes” com sua saudação ridícula Rou, Rou, Rou, Rou, à mando dos comerciantes que os contratou. E assim, querem que esqueçamos o nascimento do Filho de Deus, e lembremos apenas das figuras de papai Noel, de gnomos, de renas, de trenós, de neve, e Lapônias da vida, sem nenhuma ligação com o Natal de Jesus. E só se lembram do presépio para vendê-lo como imagem estética que enfeita a sala junto com a árvore de natal cheia de presentes e nada mais.

Não é esse natal midiático que nós cristãos festejamos. O Natal cristão, como disse, é o nascimento de Jesus Cristo, o único Salvador da humanidade; nele lembramos e festejamos a memória da Encarnação do Verbo de Deus que se fez um de nós, para nos redimir e nos conduzir à glória eterna do Seu Reino. Lembrar Jesus menino, nascido da Virgem Maria, é lembrar também o nosso nascimento da água e do Espírito Santo, no seio virginal da Santa Igreja, em nosso batismo, para a vida eterna. Porque se o Natal do Senhor não for comemorado em seu sentido pleno religioso, ou seja, como nascimento do Menino Deus, que nos deifica nele; passa a ser somente mais uma festa de fim de ano e um meio de enriquecimento de ávidos comerciantes; ora, não isso que nós cristãos comemoramos.

Portanto, cantemos com amor o santo Natal, o Natal do Senhor, noite de paz e alegria, noite em que nasceu o menino Jesus, o Filho único de Deus Pai, nascido da Virgem Maria!

Feliz Aniversário Jesus! Parabéns, Senhor, nós te amamos e comemoramos solenemente o teu santo nascimento neste dia lindo e único.


Feliz Natal do Senhor! Para toda humanidade, salva pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, o Senhor nosso e de toda criação! Amém! Assim seja!
Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...


FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...

A fé evidente é dom do Espírito Santo, pois é ele quem nos dá essa evidência nos fazendo participar diretamente dela. Ter a evidência da presença de Deus em nossa vida é ter a certeza de que é Deus quem está agindo em nós e por meio de nós, por acreditarmos no seu amor para conosco. Por isso temos a convicção de que Ele nunca nos deixa sozinhos, pois até nos dá um anjo da guarda para nos acompanhar sempre (cf. Sl 33,8), e só precisamos dar ouvidos ao que ele nos fala (cf. Ex 23,20-23a), mas tudo isso acontece pelas graças abundantes do Senhor em cada um de nós.

São Paulo ao falar da evidência da fé, diz: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi ela que fez a glória dos nossos, antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do invisível”. (Hb 11,1-3). E ainda: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6). Ou seja, é por meio de nossa fé que os acontecimentos de nossa vida ocorrem em conformidade com a vontade de Deus, isto é, segundo o seu plano de amor para a nossa salvação, como nos ensina o profeta Habacuc: “O meu justo viverá da fé” (Hab 2,3a). Também o Senhor Jesus nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9,23b).

Existem vários episódios nos Evangelhos que bem demostram a mudança dos acontecimentos pela fé, vejamos alguns deles: a cura da mulher com fluxo de sangue (cf. Mc 5,25-34); o paralítico transportado numa maca por sobre uma brecha da casa onde Jesus se encontrava (cf. Mc 2,1-12); a cura do servo do oficial romano (cf. Lc 7,1-10); a cura do menino epiléptico (cf. Mt 17,14-18); a libertação da filha da Cananéia (cf. Mt 15,22-28); a cura do cego de nascença (cf. Jo 9); a ressurreição da filha de Jairo, chefe da sinagoga (cf. Mc 5,22-24;34-43); a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11), e tantos outros. Todos esses acontecimentos foram mudados por meio da fé, assim, percebemos a importância deste dom do Espírito Santo para a nossa vida e para a nossa salvação.

De fato, todo dom precisa ser alimentado, desenvolvido, cultivado até que dê os frutos esperados. E como fazemos isto com o dom da fé? Com efeito, nossas almas são terrenos férteis onde brotam as sementes dos dons do Espírito Santo; e com a fé não pode ser diferente, ela é graça transbordante que nos faz enxergar além do nosso entendimento, e nos faz alcançar as graças que Deus dispõe a nosso favor. Mas, como todo dom, a fé precisa de outros dons para crescer e se multiplicar, assim, os dons que alimentam a fé são: piedade (vivência da fé ou a expressão da fé); oração (dom de comunhão com Deus Altíssimo); confissão (sacramento do arrependimento e do perdão dos pecados); eucaristia (o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, alimento da vida eterna); leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina); e a prática das obras de misericórdia ou caridade, também chamadas obras da fé (cf. Ef 2,10). Quem vive alimentando a fé por meio desses dons, poderá até dizer a uma alta montanha, caso seja necessário para a salvação das almas, atira-te ao mar, e ela se nos obedecerá.

Portanto, o que é preciso para a vivência da fé nós já o recebemos em nosso batismo, pois ele é o início da nossa vida em Deus, como nos ensinou São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos” (At 17,28a). Além disso, temos o testemunho dos santos que viveram em tudo a vontade de Deus, professando a fé em Cristo Ressuscitado; muitos deles derramaram o próprio sangue, como os justos das Sagradas Escrituras e tantos outros mártires da fé, que ao longo dos séculos, sacrificaram suas vidas e por esse sacrifício se tornaram exemplos vivos de fé e de amor a Deus e aos seus irmãos na fé. Assim, viver da fé requer de nós o empenho de toda a vida, para nunca nos afastarmos do Senhor, que nos dá a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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sábado, 4 de outubro de 2014

AS SAGRADAS ESCRITURAS...


AS SAGRADAS ESCRITURAS

As Sagradas Escrituras são a voz e a presença de Deus em meio à sua criação; e tal revelação ou conhecimento se nos veio pela experiência de fé do povo que o Senhor escolheu para revelar ao mundo quem Ele é; revelar as suas leis, naturais e divinas; e como devemos nos relacionar com Ele; quais são seus desígnios a respeito da humanidade; e ainda qual a finalidade da vinda do Seu Filho, Jesus Cristo, a este mundo.

Ora, ao escolher Abraão, patriarca do povo Hebreu, para ser o pai da fé, o Senhor se mostrou misericordioso para com toda humana criatura, representadas por ele e por seus descendentes. Através da experiência da fé de Abraão e dos seus descendentes, conhecemos tudo o que diz respeito à presença dos homens sobre a face da terra: sua origem e de todas as coisas; qual a finalidade da obra da criação; o porquê do desequilíbrio que há nela; quem causou tal desequilíbrio; o porquê da morte; como Deus fez para liberta-nos do pecado, da morte e de todo mal; como viver em comunhão permanente com Ele, o nosso Criador e Pai de nossas almas; qual o destino final deste mundo e de todas as coisas criadas; o que haverá após a nossa morte, isto é, o juízo final. E após este juízo o que de fato acontecerá, ou seja, como será a nova criação. Todas as respostas a estas indagações se encontram nas Sagradas Escrituras, e somente pela fé somos capazes de compreendê-las e vive-las para a nossa salvação.

Com efeito, há no ser humano um profundo desejo inato da permanência na vida, porque ninguém em sã consciência quer a morte pela morte; a não ser pelo fato de ter estragado de tal forma a sua vida, que já não encontra mais sentido para ela. Logo, as indagações que fazemos a partir de nós mesmos e das outras criaturas, requer respostas tão convincentes que possam tranquilizar os nossos corações com certezas e esperanças, que nos façam viver em paz e sermos felizes, mesmo tendo consciência que naturalmente morreremos. Todavia, nenhuma resposta humana para o nosso desejo de vida permanente é suficiente para nos tranquilizar totalmente, ou seja, precisamos da fé em Deus, porque somente em Deus a vida é eterna. Então, como vivermos a fé ou da fé? Vamos às perguntas e respostas para isto.

Por que o homem existe? Porque Deus o criou “à sua imagem e semelhança” (cf. Gn 1,26-27). Ora, somente o entendimento da fé responde a essa pergunta; qualquer resposta racional, desprovida da graça de Deus, não satisfará nosso desejo da verdade, porque fora da graça de Deus não há satisfação permanente.

E por que todas as coisas existem? Por causa do homem, sem ele, a criação não teria nenhum sentido. Ora, Deus criou o homem em estado de graça para governar a terra e tudo o que há nela em perfeita comunhão Consigo (Gn 1,26), por isso, Ele o pôs num paraíso (cf. Gn 2,4b-10). Todavia, existe ainda uma outra finalidade na criação do homem e de todas as coisas, qual seja, Deus criou o homem para participar de sua natureza divina e de sua glória eterna (cf. 1Pd 1,4).

Por que há tanto desequilíbrio na criação? Deus é infinitamente Perfeito, e criou tudo com sua perfeição própria para atingir a plenitude do serviço uns dos outros. Quanto ao homem, Deus o criou com a liberdade de ser e estar no mundo, isto é, com todas as virtudes e capacidades naturais e sobrenaturais, como dádivas de sua graça para governa-se e governar todas as coisas; e deu-lhe ainda o poder de decidir livremente pelo bem para manter sua liberdade ou pelo mal para perdê-la (cf. Dt 30,19-20); e como o homem decidiu pelo mal, de fato, perdeu a liberdade e a comunhão com seu Criador, para viver na escravidão do pecado, que consiste na não vontade de Deus em todos os sentidos da vida. E o resultado da desobediência humana são as tragédias e os desequilíbrios entre si e em toda a criação (cf. Gn 3).

E quem causou este desequilíbrio, foi somente o homem ou teve a participação de algum outro ser? Ora, tudo o que conhecemos da obra de Deus, conhecemos ou naturalmente ou por revelação (cf. Rm 1,19-20; Hb 1,1-4), desse modo, por exemplo, entendemos o tempo como algo que se move para um fim determinado, pois para nós o tempo não para, mas na realidade ele é uma lei natural que move todas as coisas sem ser notado em si mesmo, mas somente no que é movido por causa dos efeitos e do fim de todas as coisas. Outro exemplo é o ar que respiramos, ele é invisível, não o tocamos, não o vemos, mas sem ele não existimos; desse modo, conhecendo que o ar é também uma lei natural, entendemos por ele que Deus criou as coisas visíveis e as invisíveis. Logo, inferimos que a criação divina é tanto natural, revelada em nossa natureza e pelo tempo; quanto metafísica, revelada por Deus, Ele mesmo, e em suas criaturas invisíveis e eternas. Daí, concluímos que a criação natural depende diretamente do invisível que a sustenta, quer físico quer metafísico. Portanto, por graça de Deus, foi-nos dado conhecer que existe um ser invisível (Lúcifer), criado por Deus para o bem, mas que se interpôs entre Deus e sua criação, por consentida desobediência. No entanto este ser e seus séquitos foram banidos para sempre da presença do Altíssimo (cf. Ez 28,11-19; cf Jo 16,11; Ap 12, 7-9). Por isso, recebeu a alcunha de demônio ou satanás, causador do pecado e de todo o mal que existe na face da terra e na criação, isto é, entre os anjos decaídos (cf. Ap 12, 7-9; 20,1-3). Porém, compreenda-se bem isto, ele não é Deus nem como Deus, mas uma criatura infinitamente nada em relação a Deus.

Por que a morte existe? Pelo que conhecemos da revelação divina, a morte tem duas conotações: primeira, ela é punição temporal pelo pecado humano até o julgamento final (cf. Gn 3,19); segunda: após o julgamento final, os julgados culpados, serão condenados à uma é pena eterna, que São João, no Apocalipse, chama de “segunda morte” (cf. Ap 21,18). Porém, antes que tudo isto aconteça, ainda nesse tempo que nos é dado, pode haver o arrependimento e o perdão dos pecados e a consequente reconciliação com Deus, ou seja, tudo pode ser mudado por uma sincera conversão ao Senhor, e isto de todo coração (cf. Jr 29,12-14).

O que Deus fez para livrar-nos do pecado, da morte e de todo o mal? Não obstante a desobediência humana e a punição temporal imposta, o Senhor veio em nosso auxílio, como rezamos na quarta oração eucarística: “Nós proclamamos a vossa grandeza, Pai santo, a sabedoria e o amor com que fizestes todas as coisas: criastes o homem e a mulher à vossa imagem e lhes confiastes todo o universo, para que, servindo a vós, seu Criador, dominassem toda criatura. E quando pela desobediência perderam a vossa amizade, não os abandonastes ao poder da morte, mas a todos socorrestes com bondade, para que, ao procurar-vos, vos pudessem encontrar”.

“E, ainda mais, oferecestes muitas vezes aliança aos homens e às mulheres e os instruístes pelos profetas na esperança da salvação. E de tal modo, Pai santo, amastes o mundo que, chegada a plenitude dos tempos, nos enviastes vosso próprio Filho para ser o nosso Salvador. Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos a liberdade, aos tristes, a alegria. E para realizar o vosso plano de amor, entregou-se à morte e, ressuscitando dos mortos, venceu a morte e renovou a vida. E, a fim de não mais vivermos para nós, mas para ele, que por nós morreu e ressuscitou, enviou de vós, ó Pai, o Espírito Santo, como primeiro dom aos vossos fiéis para santificar todas as coisas, levando à plenitude a sua obra”. (Missal Romano).

Então, como viver em permanente comunhão com o Senhor de nossa vida? Ora, pelo sacramento do batismo, o ser humano nasce da água e do Espírito Santo na ordem da graça para a vida eterna; nele temos o perdão do pecado original, para vivermos em permanente estado de graça, isto é, em estado de comunhão com Deus, pois a obediência perdida com o pecado original é restabelecida neste sacramento, para que façamos em tudo a sua santa vontade. Também neste sacramento acontece nossa morte e ressurreição com Cristo Jesus, como bem nos ensinou São Paulo: “Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,4). Vida nova que consiste em permanecermos nele para darmos os frutos da redenção que dele recebemos (cf. Jo 15,1-8).

Qual o destino deste mundo e de todas as coisas que nele há? Conforme a revelação divina, nas Sagradas Escrituras (cf. Mt 24,1-36; 2Pd 3; Ap 21 e 22), este mundo, desde a primeira vinda de Jesus Cristo, está passando por uma renovação definitiva, que culminará com a sua segunda vinda, vejamos: “Sabei antes de tudo o seguinte: nos últimos tempos virão escarnecedores cheios de zombaria, que viverão segundo as suas próprias concupiscências. Eles dirão: Onde está a promessa de sua vinda? Desde que nossos pais morreram, tudo continua como desde o princípio do mundo. Esquecem-se propositadamente que desde o princípio existiam os céus e igualmente uma terra que a palavra de Deus fizera surgir do seio das águas, no meio da água, e deste modo o mundo de então perecia afogado na água. Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios”.

“Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como, um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam. Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz. Reconhecei que a longa paciência de nosso Senhor vos é salutar...” (2Pd 3,3-15a).

Naquele dia, “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação”. (Lc 21,25-27).

Como será o juízo pessoal e final? Façamos uma analogia entre os meios de armazenamento da TI (Tecnologia da Informação) atual e as nossas almas; por exemplo, tudo o que fazemos em termos de informações, deixamos gravados em HDs (Discos Rígidos) ou num cartão SD (Cartão de Memória) para acessa-los quando preciso; de igual modo, tudo o que pensamos, desejamos, decidimos e praticamos, ficam gravados em nossas almas para o dia do julgamento pessoal e final; assim, no dia eterno, quando formos julgados, nossa vida passará diante de nós e Deus, como se fosse na tela de nosso computador; e ao presenciarmos nosso modo de ser diante de Deus e da vida que levamos, obteremos o resultado de nossa prática existencial.

A esse respeito, bem nos ensinou São Paulo: “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece”. (1Cor 4,1-5). E ainda na Carta aos Hebreus: “Como está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo...” (Hb 9,27). Porém, fiquemos atentos também ao ensinamento de São Tiago: “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento”. (Tg 2,14-15).

Portanto, aproveitemos o presente tempo que nos é dado pelo Senhor, nesse e em todos os momentos de nossa vida, pois o tempo é uma lei divina que nos envolve e nos encaminha para a eternidade, ele não para até que cheguemos ao fim determinado. Que esse tempo dado à todos é tempo de conversão e profunda comunhão de amor com o Senhor, assim nos sentiremos amados, amparados e conduzidos por ele, até chegarmos à felicidade eterna do Seu Reino de justiça e paz.

Como será a Nova Criação? Será conforme o que já nos foi revelado nos escritos do Antigo e do Novo Testamento: “Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça”. (2Pd 3,13). Com efeito, “Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. (2Cor 12,2-4). Também São João descreve com perfeição de detalhas a nova criação: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo”.

“Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”. (Ap 21,1-7).

E qual deve ser a nossa atitude diante de tais revelações? Preparar-nos para o grande dia do Senhor, vivendo conforme ele nos ensinou, especialmente no que diz respeito ao julgamento antes do tempo: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38).

E sabes por quê? São Paulo, responde: “Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece”. (1Cor 4,1-5).

Por fim, vejamos o que o Senhor disse a São João: “Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas”. (Ap 22,10-12).

Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus esteja com todos”. (Ap 22,20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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terça-feira, 23 de setembro de 2014

HAVERÁ SOLUÇÃO?


HAVERÁ SOLUÇÃO?

Meu Deus!
Sei que insisto muito no desejo de uma vida melhor...
Onde possa ver os dons e as virtudes que nos destes progredir...
Muitas vezes, porém, me sinto como que impotente...
Devido ao crescente aumento da iniquidade...
Chego até sentir calafrios...
Por causa dos desvarios em todas as camadas da sociedade...

São tantas as mentiras, corrupções, depravações...
Vícios incontroláveis...
Violência desenfreada...
Medos, fobias, agonias...
Doenças incuráveis...
Mortes trágicas...
Que penso não haver mais solução...

Ó Senhor!
É este o triste retrato desse mundo fadado ao caos...
Perdido no pecado que cultiva dia e noite, noite e dia...
E por causa de tamanha rebeldia,
nada podemos esperar de bom dessa tragédia anunciada...

Por isso, clamamos a Ti que nos criastes por amor e para o amor...
Vem Senhor, ajuda-nos em meio a esse imbróglio sórdido...
Onde o mal parece vencer...
Todavia, sabemos que nunca vencerá,
porque o teu poder é infinito...
E por isso nada deterá a resposta de tua divina justiça...

Tua bondade santa está conosco Senhor...
Teu Sacrifício vivo de amor é oferecido a todo instante na santa Eucaristia...
Teu perdão sacramental é dado aos pecadores arrependidos...
Tua vontade inabalável nos liga ao nosso Pai Criador em definitivo...
Nosso Deus Onipotente, Onipresente, Onisciente...
E mesmo se formos martirizados,
só seremos porque te amamos incondicionalmente...
Pois temos certeza Senhor que estás conosco até o fim dos tempos...
Porque se estivéssemos sozinhos nada nem ninguém existiria mais...

A fera infernal que parece incontrolável...
Tem seus dias contados...
Porque tudo o que é mal já tem seu fim prenunciado...
Porque trágicos são seus planos,
seus enganos, seus pecados...

Porquanto, é vontade de Deus Pai que todos os homens se salvem...
e cheguem ao conhecimento da verdade, da unidade e da paz...
E isto só é possível graças a Jesus Cristo,
Senhor e salvador de nossas almas...
Autor e consumador de nossa fé...
Por Ele alcançamos o perdão dos pecados, o Reino dos céus...
A glória dos justos, a felicidade dos eleitos...
Redimidos e santificados pelo Seu Sangue derramado
no patíbulo da Cruz...

Paz e Bem!


Frei Fernando Maria,OFMConv.

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