VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

NUNCA DÊ OUVIDOS À VOZ DO MALIGNO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,1-20)(03/02/20)

Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos num mundo onde o mal tenta dominar tudo e todos sem exceção. Por isso, não é difícil constatar as suas ações, uma vez que ele age por meio daqueles que o permite entrar em sua vida; desse modo, tudo o que fazem revela essa presença maléfica, porque suas ações são sempre contrárias à Vontade de Deus.
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Na primeira leitura, o rei Davi, além de fugir da perseguição do próprio filho, sofreu a tentação de tirar a vida de um adversário que aos gritos blasfemava contra ele acusando-o de ter usurpado o trono de Saul. Todavia, decidiu não escutar o blasfemador, mas, manter-se confiante em Deus, certo de Ele defende sempre aqueles que enfrentam as adversidades com as armas da fé, da oração, da humildade e do perdão.
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No Evangelho de hoje Jesus expulsa uma legião de demônios da alma de um possesso; antes, porém, esses demônios fizeram de tudo para continuar possuindo aquela alma, até mesmo uma falsa oração; todavia, como o Senhor nunca atende falsidade alguma, os expulsou, libertando totalmente o possesso.
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Caríssimos, precisamos ouvir o Senhor que nos ensina, nesse episódio, a fechar os ouvidos dos nossos sentidos para nunca ouvirmos a voz do malígno, que fala por meio dos maus pensamentos que chegam à nossa mente quando menos esperamos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?



INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?


Para muitos esse nosso tempo é um tempo de pavor e trevas, pois sua vida, seu passado, suas memórias, lhes trazem histórias de abuso sexual, tragédias familiares, violências, degradação dos valores humanos e religiosos, falta de bens necessários para a sobrevivência; ou consumismo exagerado por parte dos mais abastados; uma vida de vícios e contra tempos, desemprego, bullyning e outros tormentos, como traumas pela ausência do pai ou da mãe, maus tratos, etc. Enfim, uma somatória de desordens existenciais que os torna indivíduos perdidos num mundo repleto de frenesi e outros desvios comportamentais, capazes de escândalos e traumas sem proporção.

Ora, somos obras perfeitas das mãos de Deus, criados em Jesus Cristo, para as boas ações que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos (cf. Ef 2,8-10). E tudo isso conforme as leis do Senhor escritas em nossas almas, pois Deus imprimiu seu código santo em nossa vida, como também está impresso o código genético em nossos corpos. Porém, toda essa grandeza divina que se faz presente em nós, pode se perder caso não cultivemos as virtudes eternas que o Senhor nos concedeu em seu amor.

De fato, só tem uma coisa que nos pode levar a essa perda, é o famigerado pecado, que consiste no desligamento de Deus, porque em Deus não há pecado e nem mesmo sombra de instabilidade (cf. Tiag 1,13). Cabe a nós vivermos em comunhão com Ele pela ação do Espírito Santo, presente na alma de todo batizado; ou ainda pela fé mesmo que seja natural, que leva o homem ao encontro com Cristo Jesus, nosso Senhor, que cura, salva e faz feliz todo ser humano que o encontra e nele permanece.

Então, eis a pergunta que não quer calar, por que vivemos num mundo de tantos conflitos e confusões? Porque os homens tornaram-se inimigos de si mesmos por causa dos bens materiais, que geram conflitos raciais, religiosos, ditatoriais; por causa da corrupção e outras condutas perversas que geram revolta contra Deus e o seu Cristo; por causa dos terríveis efeitos dos pecados que tem destruído milhões vidas; por causa da impunidade tamanha; por causa da maldade que é tanta; por causa dos pecados contra a natureza; por causa da rudeza de tantos corações.

O resultado é esse mundo repleto de indivíduos mal amados, frustrados, deprimidos, endemoniados; onde suas ações revelam não só a face tenebrosa da maldade, mas o próprio mal agindo por meio deles. Eis as causas de tanto sofrimento e desespero na face da terra, que se encaminha à passos largos para o caos definitivo. Guerras, fome, peste, aquecimento global, catástrofes naturais; loucura generalizada, etc. Sem contar tantas outras práticas abomináveis, com a conivência dos poderes constituídos (político, jurídico, social), que revelam a intolerância e a incapacidade humana para resolver os problemas criados por todos que se dão a essas práticas. E assim, segue este mundo como um barco perdido em alto mar dominado por ondas revoltas, singrando sem rumo certo, prestes a afundar.

De fato, a tudo e a todos foi um tempo, que aliás, enquanto vida natural tivermos, Deus renova esse tempo todos os dias sem nunca deixar de fazê-lo. Todavia, existe o fim desse tempo e ele se cumprirá sem dúvida alguma. Ora, vemos esse fim acontecer nas coisas da vida e no viver dos outros, certamente um dia chegará a nossa vez e veremos isso acontecer conosco, mas será que estaremos preparados? Boa pergunta que requer uma boa resposta, caso contrário, é sinal de que não estamos correspondendo a tudo o que Deus tem nos dado, ao longo de nossa vida.

Com efeito, assim escreveu São Paulo: “Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. [Por isso], Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)!” (Ef 5,15-17; 8-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR


CRÔNICAS DE MINHA ALMA

A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR


A alma humana, criada “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn1,26-27), é eterna como o Próprio Deus é. Ora, porque Deus é eterno, tudo criou para a eternidade; essa verdade se aplica perfeitamente à alma humana, porque ela é soberana por seu livre arbítrio, que consiste no poder que lhe foi conferido de escolher permanecer em Deus ou não.

Todos os atributos divinos estão presentes como dons em nossas almas: amor, verdade, liberdade, fidelidade, misericórdia, bondade, justiça, mansidão, etc. Mas, por que então temos uma sociedade tão desumana, corrupta, violenta e injusta? Porque os homens não levam mais em conta a vida em sua essência; mas sim a terrível decadência dos valores existenciais, para cultivarem toda espécie de mal, destruindo com isso, a grandeza de sermos “a imagem e semelhança” de Deus. Ora, só é possível atingirmos a plenitude dos desígnios divinos a nosso respeito, se vivermos em conformidade com os dons que de Deus recebemos; caso contrário, nada teremos de bom, mas somente o mal que cultivarmos. É por isso que temos uma sociedade tão desigual, tão pervertida e infeliz.

A verdadeira alegria da alma nasce da profunda união com Deus e de sua permanência Nele, pois Deus é a Fonte do Amor, do Sumo Bem, da Santidade, da Felicidade e da verdadeira satisfação. “Quem a Deus tem, dizia Santa Tereza D’avila, nada lhe falta”. Assim é a alma imersa em Deus e comandada por Ele em suas inspirações e ações; tudo faz para a glória de Deus (cf. Col 3,17), porque Deus é a causa de sua alegria. Vemos essa experiência, por exemplo, no Cântico do Magnificat: “Maria canta o que Lhe vai na alma (“eu  glorifico, eu exulto”). Mas é um eu em relação, dirigido a Deus, para descrever o que Deus fez nela e faz pelo Seu povo”.

De fato, a verdadeira alegria é compartilhada, porque é transbordante; na verdade, ela é um bem eterno que se expande, porque irradiante de beleza e esplendor, alcança tudo e todos, até mesmo os corações mais distantes de Deus. A alegria verdadeira é fruto do acolhimento da vontade de Deus em nossa vida, pois ela é revelação da presença de Cristo em nossas almas, que pela Eucaristia nos une a Si, para vivermos Nele a unicidade divina recebida no batismo.

Sei que não estamos ainda na posse definitiva da verdadeira alegria, porque ela é atributo divino; por isso, enquanto aqui estivermos, ela é dom da graça de Deus para nós. Todavia, quando a recebemos como revelação permanente, ela é completa, como nos ensinou São João: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida - porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa”. (1Jo 1,1-4).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 29 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA

PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...


Em tudo na vida existe um sentido eterno; sem isto, a vida seria só um exercício para a morte. Porque aqui, naturalmente, tudo tende para um fim e este fim está sempre presente, dada a fragilidade de nossa natureza mortal. Todavia, somos mais do que aparentamos ser, porque, por Deus que nos criou, somos almas viventes, isto é, almas imortais a caminho da eternidade; tanto é assim que, em sã consciência, ninguém quer a morte; a não ser os mártires das causas justas e santas, caso contrário, fugimos da morte por mais que ela naturalmente se faça presente.

Ao criar-nos Deus tomou a iniciativa e nos comunicou todos os dons para permanecermos na vida conforme seus desígnios; por isso, nos comunicou também sua presença permanente e sua vontade para que nada nos faltasse. Qualquer coisa que buscamos fora de Deus, não é de Deus, mas sim loucura... E o que buscamos fora de Deus? Existe algo fora de Deus? Sim, existe o pecado...

Sem dúvida, com a vida recebemos também o livre arbítrio, porém, somente para fazer o bem, nunca para o mal. Ele é o poder que temos aqui de decidir o nosso devir (nosso vir a ser a cada instante e eterno); nele se encontra a manutenção de nossa liberdade ou a perca dela. Jesus nos ensinou que a liberdade é fruto da verdade, pois só é livre quem é verdadeiro em tudo o que pensa, vive e faz conforme a vontade do Senhor (cf. Jo 8,31-36). Ninguém vive por si mesmo e para si mesmo, pois se assim o fosse, seria o cúmulo do egoísmo; ora, no egoísmo não existe felicidade nem futuro promissor, porque toda forma de egoísmo é esterilidade perversa e abismo de solidão.

Ora, pensarmos que podemos algo sem Deus é a mais terrível das ilusões (cf. Gn 3,1-5). Porque pensarmos assim é pensarmos desligados do Senhor, que em seu infinito amor nos criou para sermos Um em comunhão com Ele (cf. At 17,28). A pior insensatez que há é não crer em Deus, é não amá-lo, é não glorifica-lo, é não adorá-lo, é não servi-lo. Pois só existimos porque Deus é infinitamente Bom e nos faz existir, quer obedeçamos a Ele ou não (cf. Mt 5,44-45). Porquanto, não crer em Deus é a maior de todas as injustiças que um ser pode cometer em toda criação.

Com efeito, o Livro de Sabedoria nos ensina: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá”. (Sab 1,1-5).

Portanto, na vida, o nosso único objetivo é encontrar Deus e permanecer Nele (cf. Is 55,6-11; Mt 6,24-34). Ninguém jamais viu a Deus, a não ser Jesus Cristo, o Seu Filho, ou aquele a quem o Filho o quiser revelar. Assim, quem ama Jesus e permanece nele, não somente ver a Deus, mas também convive intimamente com Ele, porque a união com Jesus pelo Espírito Santo na Eucaristia é perfeita união com Deus, nosso Pai. (cf. Jo 17,21-26; Jo 6,43-47.65).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 21 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORIGEM DO PECADO...


















CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORIGEM DO PECADO...

"Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”. (Gn 1,31a).

Pesquisando na Sagrada Escritura sobre o pecado original percebi que ele não é de ordem natural, mas tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos. Pois assim está escrito: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza (ou seja, para ser um só com Ele). É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

De fato, a condição pecaminosa do demônio e seus sequazes é eterna por causa de sua natureza espiritual e não tem como reverter isso, porque é fruto de sua decisão livre e intencional de não amar e não servir a Deus definitivamente, ou seja, o demônio criou seu próprio reino, só que de infelicidade e miséria eterna, porque, com disse Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 3,5). Em outras palavras, ele quis ser como Deus por si mesmo (cf. Gen 3,1-3; Is 14,13-15; Ez 28,12b-19), isto é, sendo apenas uma criatura espiritual, não criado “à imagem e semelhança de Deus”, como o homem, se rebelou contra Deus. Ora, o nome desse pecado é desobediência, soberba, porque é impossível a uma criatura ser, por si mesma, como Deus. Assim, conhecemos que o pecado tem sua origem na queda dos anjos, e que passou para o homem também pela desobediência deste em aceitar as sugestões do maligno, todavia, esta falta do homem é passível de perdão e reparação, por causa da inferioridade da natureza humana e pelo o homem não ser culpado pela origem em si do pecado.

Desse modo, compreendemos o porquê da morte, ela é a punição para o pecado da soberba e todos os outros pecados mortais (cf. Rm 6,23). Quanto à morte temporal, ela só existe em função do julgamento que haveremos de ter, pois nenhum homem pode ver a Deus neste mundo e permanecer vivo (cf. Heb 9,27; Ex 33,20); enquanto que o demônio já foi julgado e condenado (cf. Jo 16,5-11). Isto porque fomos criados com uma natureza um pouco inferior à natureza dos anjos, mas dotados de alma imortal, criada “à imagem e semelhança de Deus”. Por outro lado, a morte eterna, significa a separação definitiva de Deus, e esta a experimenta quem, pelo pecado, insiste em não amar e não servir a Deus, como o fizeram os anjos rebeldes com seu chefe, o demônio.

Depois que Jesus veio e nos libertou do pecado (cf.1Jo 3,5-6; Rom 8,1-2), só é possível voltar ao pecado pela decisão consciente de cometê-lo, contrariando assim a liberdade interior que Deus nos dá pelo estado de comunhão com sua vontade. São Tiago em sua carta (cf. Tg 1,12-16) nos ensina que o pecado é concebido na mente humana a partir das concupiscências que são tendências, apegos à aquilo que é transitório, momentâneo, fugaz, etc.; ele não é algo aleatório ou que aparece do nada, ele é o mal cultivado pelo ser humano em suas decisões pré-concebidas. Por isso, o pecado é como um veneno letal que vai destruído aos poucos a vida de quem o pratica, até dar cabo dela. Isto porque o pecado, quando concebido e praticado, é uma espécie de mancha espiritual terrível que gruda na alma e passa a encobrir todas as suas boas aspirações; quem se deixa manchar por ele, vive o desespero que lhe é próprio, isto é, vive com uma espécie de tormento que causa todo tipo de mal estar, até atingir seu nível mais alto de turbulência que é a depressão e todos os distúrbios infernais que sufocam o ser humano.

Assim sendo, podemos afirmar que a expressão máxima do pecado é o ódio a Deus e às suas criaturas. São João, se referindo aos que cultivam este estado mórbido de alma, escreveu: “Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino”. (1Jo 3,13-15). Jesus ao falar a esse respeito, disse: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia”. (Jo 15,18-19). Por isso, São João nos alerta: “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Vejamos o que diz ainda o Senhor sobre o mal do pecado, que é a causa da destruição humana e de todas as demais criaturas: “Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem: os maus pensamentos, devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23). Por isso, “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal”. (Sab 1,12-15).

Por fim, como vimos, o pecado é uma chaga espiritual aberta na alma humana, cujo único remédio é a graça do perdão concedido por Deus através do Sacrifício expiatório do Seu Filho, Jesus Cristo, que por sua obediência amorosa se entregou ao Pai para a nossa salvação. Desse modo, mediante o Sacramento do Batismo, temos de volta o estado de graça, perdido pelo pecado original, pois é no Batismo que se dá o “novo nascimento” na ordem da graça e nossa entrada no Reino de Deus, cuja parte visível é a Igreja. É como escreveu São Paulo: "Fomos, pois, sepultados com Cristo na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova". (Rm6,4).

Aqueles, porém, que mesmo depois de batizados, voltarem a cometer pecados mortais, precisam do Sacramento da Penitência para a expiação desses pecados. Para isto, o Senhor exige de tais penitentes, por meio desse Sacramento, o arrependimento sincero, a confissão dos pecados, o perdão sacramental, a penitência e a reparação necessárias, que não somente apaga e extingue todo pecado praticado, como também livra das consequências eternas que estes trariam.

Destarte, oremos com o seráfico pai São Francisco de Assis:

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa morte corporal
da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Infelizes aqueles que morrem em pecado mortal;
bem-aventurados aqueles
que se encontram em tua santíssima vontade
porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor
e agradecei e servi-o com grande humildade”.

(São Francisco de Assis).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sexta-feira, 11 de maio de 2012

CRÔNICAS D MINHA ALMA: PERMANECEI EM MIM




Aqui neste mundo tudo passa, nossa realidade é transformada a todo instante, e esse dinamismo se dá para o bem ou para o mal, dependendo das decisões que tomamos, porque em se tratando do comportamento humano, tudo é possível dentro de nossas possibilidades. Quanto à realidade natural que nos cerca, esta sofre as consequências de nossas decisões. Assim sendo, trazemos no mais íntimo do ser, aquilo que cultivamos com o nosso viver de cada dia, como resposta ao dom da vida que recebemos de Deus.

Ora, sabemos que somos seres dependentes, e essa dependência é a razão pela qual sobrevivemos nesse nosso habitat natural. Todavia, existe algo em nós que nos faz conspirar contra nós mesmos, é o que chamamos de interesses pessoais. É uma espécie de egoísmo mórbido que leva o ser humano à destruição, pois, as coisas materiais, são postas acima de tudo e de todos; e esse apego exagerado tem levado muitos a cometerem terríveis maldades, capazes de dissipar vidas inocentes sem poupar ninguém.

Desse modo, se criou uma cultura de autodestruição, divulgada amplamente pelos meios de comunicação em massa, em suas programações sectárias, onde difundem comportamentos vãos, desordenados e estranhos; vícios de toda espécie e atitudes totalmente anticristãs, procurando com isso, moldar a sociedade aos mais baixos calões existenciais. O resultado é a violência desenfreada que permeia todas as camadas sociais; é o abuso de poder, pelo mau uso de suas funções; corrupções e injustiças vindas dos mandatários de plantão, que estão à postos nos mais altos escalões das esferas governamentais e não governamentais.

E assim, estamos vendo esse nosso mundo afundando num mar de lama sem fim, e o pior de tudo, não tem volta, não tem conserto, porque os homens perderam o temor de Deus e se afastaram dele, por suas obras funestas, entregando-se ao mal que passou a tomar conta de tudo ou quase tudo. Então, o que fazer em meio a esse proceder infernal que assistimos cada dia? Como nos defender de tudo isso?

“Só em Deus a minha tem repouso, porque dele é que me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei. Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só em Deus encontrarei glória e salvação. Ele é meu rochedo protetor, meu refúgio está nele. Ó povo, confia nele de uma vez por todas; expandi, em sua presença, os vossos corações. Porque nosso refúgio está em Deus”. (Sl 61).

“Os homens não passam de um sopro, e de uma mentira os filhos dos homens. Eles sobem na concha da balança, pois todos juntos são mais leves que o vento. Não confieis na violência, nem espereis vãmente no roubo; crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações. Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: a Deus pertence o poder, ao Senhor pertence a bondade. Pois vós dais a cada um segundo suas obras”. (Sl 61). (cf. Sl 2).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
"Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15,4-5)
***

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORAÇÃO NO RITMO DA VIDA





Orar é gozar da intimidade divina, é permanecer na presença de Deus sem nunca sair dela e andar pelas estradas deste mundo acompanhado do Senhor que nos fala: “Vem e segue-me, porque eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.

De fato, seguir-te é gozar de tua intimidade Senhor, é viver do teu amor e conduzido por tua sabedoria todos os dias de nossa vida, passando por sobre tudo o que tenta nos apartar de Ti, ó divino mestre e redentor de nossas almas. Quem Te segue jamais erra o caminho, porque tu és o único caminho que nos leva à perfeição; quem vive em tua companhia, experimenta a verdade em toda a sua plenitude, por isso, nunca se deixa levar por mentira alguma; quem vive de ti, Senhor, tem a vida eterna, porque tu és a vida que não tem fim, vida esta que tanto almejamos.

Felizes os que ouvem e vivem segundo os teus preceitos, porque este é o modo de ser dos teus eleitos, daqueles que dão a vida por Ti. Por isso, não dão atenção ao mal nem praticam os seus desejos e seduções, porque sabem que os maus não entrarão no teu reino. Pois, assim escreveu São Paulo: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (1Cor 6,12).

Portanto, “Irmãos, pelas misericórdias de Deus, eu vos exorto, pois, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito. Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Amém. (Rom 1,1-2; Col 3,17).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
“Todos nós precisamos tomar uma ‘atitude de oração’, aquela que perpassa todo o nosso dia e nossas atividades. É a oração que brota espontaneamente daquilo que vivemos em cada momento. É um contínuo diálogo com Aquele com quem vivemos e para Quem trabalhamos. Esse diálogo é oração. É oração no ritmo da vida”. (Monsenhor Jonas Abib).
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quinta-feira, 3 de maio de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: EXISTE UMA NECESSIDADE PERMANENTE EM MIM...




EXISTE UMA NECESSIDADE PERMANENTE EM MIM...

Como ser humano, alma vivente, como discípulo, existe em mim uma necessidade permanente de Ti, Senhor, e eu não posso me descuidar nem colocar nada em teu lugar, porque minha vida só será completa quando ocupares o lugar que te pertence nela, meu Deus. Creio firmemente, Senhor, que nos criastes com esta necessidade e ela só será saciada quando estivermos definitivamente em tua presença, ou seja, sem as barreiras de nossa naturalidade que ora nos faz seres limitados. Somente, desse modo, seremos totalmente saciados e teremos a plenitude da felicidade que é a herança eterna que nos reservastes em teu infinito amor.

Todavia, Senhor, enquanto esse santo dia não chegar, temos que lutar contra a tendência de pôr em teu lugar as coisas e as outras criaturas que nunca saciam, porque elas têm também a mesma carência da tua presença e por isso mesmo não nos bastamos. Creio que isto acontece Senhor, porque Te ignoramos e fazemos pouco caso de Ti; e assim caímos no precipício da indiferença e dos piores vícios, que nos tornam pecadores incorrigíveis e irreconhecíveis diante de Ti.

Sei que este mundo, Senhor, não é o nosso lugar definitivo, até poderia ser se não houvesse nenhum mal no meio de nós. Mas existe, e só estamos assim neste estado de miséria, por causa de nossos pecados que são tantos e insuportáveis. Infelizmente, Senhor, muitos e muitos insistem em cometê-los contra Ti, e contra tudo o que Te pertence, causando terrível alvoroço e tragédias que se sucedem uma após outra, tendo a morte como pano de fundo, neste imundo abismo infernal da desobediência humana.

Ah! Senhor! Quanta dor e sofrimento, quanto terror vem ocorrendo no meio de nós, porque não te damos o devido lugar que só a te pertence em nosso viver. E olha que nos ensinastes a nos defender contra as ciladas do mal, quando nos destes os teus mandamentos para evitarmos qualquer ligação com as forças do demônio, esse terrível inimigo de nossas almas, autor do pecado e de toda perdição que existe neste mundo.

Por isso, vem Senhor em nosso auxílio, socorre-nos sem demora, que a tua graça nos faça perseverantes até o fim. Assim, seguiremos teus passos com a segurança de ovelhas que te conhecem e escutam a tua voz, ó Bom Pastor; livra-nos por teu amor de tudo o que contraria a tua santa vontade em nossa vida; e que a Virgem Maria, tua e nossa mãe, nos conceda a graça de sua intercessão e o aconchego do seu amor materno, que nos livra do inferno e de toda perdição. Amém! Assim seja! Vem, Senhor Jesus, vem!

Paz e Bem!

Frei Fernanodo,OFMConv.


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sábado, 21 de abril de 2012

CRÔNICA DE MINHA ALMA - INSEGURANÇA




Insegurança é a sensação que sentimos quando nos afastamos de Deus, porque só Ele nos mantém em plena posse da vida; e quando isso acontece, nos sentimos à mercê de nossas próprias forças ou daquilo em que confiamos como sustentáculo para o nosso viver. Assim, todo ser que não se segura em Deus, impreterivelmente é inseguro e de frágil constitucionalidade, apesar de manter a aparência de instabilidade em sua insegurança; pois, em nossa naturalidade, somos apenas um sopro de vida e nada além disso, pois é o que temos, e só o temos porque rebemos.

Obviamente, existem aqueles que se acham donos de tudo e capazes de tudo; e assim agem, enquanto têm tempo, saúde, juventude, dinheiro e todas as possibilidades que a vida natural nos dá. Mas, à primeira derrocada, sentem-se acuados e partem para o ataque como forma de autoproteção, como que, querendo dizer: sou capaz de me defender custe o que custar; é como se o instintivo nessa hora atingisse o ponto mais elevado de superação.

Todavia, temos que admitir, tudo tem fim, até aquilo que nos mantém seguros por nós mesmos. Pensando bem, ninguém consegue vencer sempre, por mais esperto que seja. Ora, isso é uma lição de vida que Deus nos dá, para que nenhuma criatura humana possa se ufanar e se achar superiora às demais, pois naturalmente somos dependentes uns dos outros; e reconhecer isto é o que nos faz ser profundamente solidários uns com os outros e capazes de todo o bem. Caso contrário, nos tornamos “repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade”; aumentando, com isso, o abismo de insegurança que a falta de comunhão com Deus nos traz.

Então, o que é que nos faz sentir seguros interiormente e exteriormente diante dos homens, de nós mesmos e de Deus? Deus e somente Ele, pois é assim que nos ensina a Sagrada Escritura: “Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus.” (Miq 6,8). E ainda: ”Feliz o homem que não procede conforme o conselho dos ímpios, não trilha o caminho dos pecadores, nem se assenta entre os escarnecedores. Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite. Ele é como a árvore plantada na margem das águas correntes: dá fruto na época própria, sua folhagem não murchará jamais. Tudo o que empreende, prospera”. (Sal 1,1-5).

De fato, a causa maior da insegurança humana é o pecado que consiste no desligamento de Deus; pois toda vez que o ser humano peca, sente isso imediatamente, tenha ele fé ou não, porque o pecado humano é um veneno infernal que lhe intoxica a alma tirando dela toda paz e felicidade. Quando pecamos nossa alma fica entorpecida e insensível para com Deus e tudo o que diz respeito à Ele, porém, terrivelmente inclinada para todo tipo de maldade e toda espécie de vícios, tornando-se profundamente indiferente, apática ou repleta de ironia; gerando-se nela uma espécie de tristeza mórbida que com o tempo se transforma em depressão ou outras doenças psicossomáticas como insônia, impaciência, angústia, solidão,fobias, etc.

Portanto, ninguém que vive em estado de pecado mortal (pecados contra os 10 mandamentos da Lei de Deus) é feliz ou sequer consegue aspirar essa graça, mesmo tendo no pecado alguma satisfação prófuga, isto é, passageira; porque a felicidade é fruto da comunhão com Deus, da satisfação em fazer a sua santa vontade; enquanto que o pecado mortal é uma ofensa grosseira e desligamento Dele, e, por isso mesmo, fonte de devassidão e do vazio existencial que leva o ser humano à infelicidade e à morte.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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terça-feira, 17 de abril de 2012

PENSA BEM Ó HOMEM...



PENSA BEM Ó HOMEM...


Pensa bem ó homem o que estás perdendo!
Deus agora está te concedendo todo tempo que tens para te converteres...
Isto é, para deixares o mal e praticares somente o bem que vem de Deus...
E se não te converteres, o que perderás?
Todo o bem que tinhas à tua disposição e não terás mais...

E por que não terás mais?
Porque todo o bem, não aparente, vem de Deus e somente Dele...
E à Ele livremente conduz...
Ora, se recusas este bem,
é porque escolhes o mal para tua vida pela prática indevida de teus atos...
Logo, não terás direito algum ao bem que vem de Deus,
por decidires contrariamente a este bem que Ele te dá a ser e viver...

Então, o que vai acontecer contigo eternamente,
se recusas, feito um demente, às graças que Deus te prodigalizou?
Terás somente os frutos de tua escolha maldita...
Porque nada mais terás além do que semeaste com os teus desatinos,
que te levarão ao destino dos insensatos,
cuja prática se baseia nas ofertas pervertidas do autor do pecado...

E o que é que o pecado te dar?
A morte, nada mais que a morte.
E com ela, tudo o que o inferno constitui...
Porque o inferno é o estado de alma destinado...
aos que se condenam pelo pecado mortal,
livremente decidido e praticado como se o pecado não fosse mal...

Existe algo mais terrível na vida que a falta da presença divina?
Se aqui, mesmo com os homens pecando, ainda temos chances de conversão,
é porque Deus não tirou a sua mão que nos protege noite e dia...
Caso contrário, ninguém mais existiria para fazer e contar história...
Mas, infelizmente, os homens estão destruindo este mundo que Deus criou por amor...
E por causa disso, vemos todo tipo de aberração que se nos deixa estupefatos...
Dada à maldade dos insensatos que tem dissipado tantas vítimas inocentes...

Mas, os inocentes, exatamente porque são inocentes...
Viverão livremente no Reino que Deus lhes preparou,
como herança eterna em seu amor,
por sofrerem nas mãos dos perversos,
daqueles serviram ao demônio neste mundo...
Apesar dos alertas do Senhor (cf. Mc 1,15;Mt 3,2)
para que se convertessem das más práticas...
E obtivessem assim o perdão e a graça da salvação eterna...

No entanto, eis o que pensam os ímpios, obter vantagens sobre tudo,
mesmo às custas da violação dos direitos fundamentais da pessoa humana...
“Mas, enganam-se, sua malícia os cega:
eles desconhecem os segredos de Deus,
não esperam que a santidade seja recompensada,
e não acreditam na glorificação das almas puras”.

“Ora, Deus criou o homem para a imortalidade,
e o fez à imagem de sua própria natureza.
É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo,
e os que pertencem ao demônio prová-la-ão.
“Porque, (a morte), os ímpios a chamam com o gesto e a voz.
Crendo-a amiga, consomem-se de desejos,
e fazem aliança com ela;
de fato, eles merecem ser sua presa”. (Sab 2, 21-24;1,16).

“Mas as almas dos justos estão na mão de Deus,
e nenhum tormento os tocará.
Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos:
seu desenlace é julgado como uma desgraça.
E sua morte como uma destruição,
quando na verdade estão na paz!” (Sab 3,1-3).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

"NÃO AMEIS O MUNDO NEM AS COISAS DO MUNDO"




Por que, Senhor, somos tão fracos?
Talvez seja porque não aprendemos ainda a viver como tua imagem e semelhança...
E por isso, às vezes, fazemos da vida uma lambança só...
E o pior, é que também não aprendemos ainda a conviver contigo,
como nosso amigo, nosso Senhor, Redentor e Pai de nossas almas...
Submissos ao teu amor como deveríamos ser...
E por causa dessa fraqueza, Senhor, temos perdido muito...
Isto Porque, damos mais valor às coisas que passam do que as que não passam...

Creio que esse tem sido o grande problema da humanidade...
E por causa disso, não temos ainda vivido a verdadeira liberdade,
Porque, apegados aos bens materiais, decidimos não evitar o pecado...
Desse modo, temos sido exagerados, perdendo até mesmo o silêncio interior que nos destes, 
a partir do qual poderíamos viver mais intensamente o teu amor, 
numa sintonia perfeita no cumprimento do Plano da nossa salvação...

Senhor, por que somos tão nada? Já sei...
É porque recebemos muito de tua graça...
Mas não sabemos viver conforme a graça recebida...
E assim fazemos da vida um verdadeiro inferno...
Porque não falta prazer, emoção, sensação, desejo e vontade que não possas saciar...
E, no entanto, muitos de nós preferirmos buscar tudo isso,
no lixo do pecado que nos leva às frustrações e à perdição contida em sua prática...
Dessa forma, o mundo está como está,
sem Te encontrar e nem se encontrar...
Ou seja, profundamente perdido em si mesmo...

O que fazer, então, Senhor?
Como devemos proceder para o mal não acontecer?
“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo.
Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.
Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procedem do Pai, mas do mundo.
O mundo passa com as suas concupiscências,
mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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“Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho. Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que fiqueis admirados. [Portanto], De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,19-20.30).
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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PERDOAR É UM DOS MAIORES ATOS DE AMOR













PERDOAR É UM DOS MAIORES ATOS DE AMOR...

Caríssimos, sabemos que Deus, em sua infinita bondade, nos criou por amor e somente para amar, por isso, quando não amamos, ficamos confusos e perturbados, isto é, nos perdemos por nós mesmos e vivemos sem o verdadeiro sentido de vida. Ora, somente um coração que ama é feliz e capaz de discernir qual seja a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

O ser misericordioso é uma virtude que eleva nossa dignidade à condição divina, porque Deus que nos perdoa sempre nos deu também a virtude de perdoar-nos uns aos outros, e assim nos fazer participantes de sua misericórdia, transbordando-a até atingirmos o perfeito atributo, que é viver permanentemente sob sua graça. Com efeito, são Tiago nos ensina: “Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.” (Tiag 2,12-13).

Ora, Cristo Jesus nos libertou do pecado, da morte e de todo o mal para nos conduzir santos e imaculados à Deus, que é nosso Pai, porque fomos adotados como seus filhos em Cristo; desse modo, fomos perdoados para perdoarmos, porque doravante o perdão se tornou para nós fonte de justiça e de liberdade definitiva. Só quem ama é que perdoa perfeitamente, porque o maior ato de amor é dar a vida por seus irmãos, como o fez Cristo Jesus, o Filho de Deus. Logo, só pode haver paz no coração humano reconciliado com Deus e com toda humana criatura; por isso, não podemos, em hipótese alguma, guardar mágoas, ódios, rixas ou qualquer espécie ressentimento, porque se isso acontecer, não haverá espaço para Deus em nosso coração, mas somente para o veneno mortal do não perdão.

E como devemos perdoar? Nunca tome como base de sua vida o pecado de quem quer que seja, em outras palavras, não dê atenção ao pecado dos outros, seja esse pecado contra sua pessoa ou contra as pessoas que amas, mas perdoe sempre sem nunca deixar de fazê-lo. Pois, assim nos exortou são Paulo: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.” (Ef 4,26-27).

E Jesus mesmo nos ensinou: “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38). E ainda: “Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,44-48).

Caríssimos, o primeiro ato de defesa contra a ofensa é o perdão, porque ele é um escudo de proteção, pois uma alma que perdoa conserva o estado de graça e é intocável pelo mal; visto que nada acontece em nossa vida por acaso ou sem a nossa permissão. Assim, meus irmãos, não podemos esquecer que estamos aqui unicamente para que a vontade de Deus aconteça e que nós somos os protagonistas de sua realização, porque Deus está sempre conosco e nunca nos deixa sozinhos; tudo o que o Senhor quer de nós é que obedeçamos aos seus mandamentos e lhe sejamos fiéis por toda a nossa vida, para que vivendo do seu amor o tenhamos sempre conosco a nos conduzir ao Seu Reino Eterno, morada definitiva dos seus eleitos.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.



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terça-feira, 7 de outubro de 2008

“SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR”

“SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR”

“Um dia, num certo lugar, estava Jesus a rezar. Terminando a oração, disse-lhe um de seus discípulos: Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”.(Lc 11,1).

A oração me é um bálsamo para a alma, por ela rompo as fronteiras do tempo e do espaço e me vejo diante do Altíssimo e com Ele me entretenho prostrado aos seu pés entregando tudo o que sou e sinto, enfim, todo o meu viver, trazendo desse encontro seu afeto e segurança que me faz viver neste mundo sem ser deste mundo.

Quando Jesus nos ensina a rezar, Ele o faz na certeza de que devemos nos valer da oração para nos mantermos unidos ao Pai Eterno e por meio dessa união, realizemos em tudo Sua Vontade Santa. Deus habita em nós, isso é um grande mistério de amor, mas ao que parece não despertamos ainda pra essa realidade; porém, quando o fizermos, gozaremos de sua intimidade de tal forma que poderemos até dizer como São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim”. (Gal 2,20 a).

“Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo...”. (Lc 18,1).

“Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,7-8).

Também São Paulo quando nos ensina essa prática ele o diz: “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus”. (Fil 4,6-7). De fato, Paulo via na oração um meio de permanecermos unidos ao Senhor e sermos conduzidos por Ele à plena santidade que nos reserva em Seu Amor.

Portanto: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41). Pois, uma alma vigilante é uma alma obediente e casta, cheia do temor do Senhor, capaz de tudo para lhe agradar, até mesmo da morte de cruz. 

Paz e Bem!


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