VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 21 de outubro de 2018

PORQUE O FILHO DO HOMEM NÃO VEIO PARA SER SERVIDO, MAS PARA SERVIR...


Homilia do 29°Dom do tempo comum (Mc 10,35-45)(21/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, pensar e querer algo fora da vontade de Deus, é não entender o seu plano criador, de sermos um só com Ele no Seu amor. É bem como escreveu São Paulo: "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos."

Muitos confundem liberdade com libertinagem, interesses pessoas com vontade de Deus, privilégios sem sacrifícios como graças e bênçãos; e por isso, quando as coisas não acontecem como desejam fogem da cruz buscando as facilidades que o mundo lhes oferece, e o resultado é a perca da fé por falta de autenticidade; porque ao não seguiram o caminho do Senhor até o fim, não atingirão a perfeição desejada por Ele para todos os seus filhos e filhas.

Ora, todas as virtudes e todos os dons que precisamos para sermos santos como Deus é Santo, nos foram dadas no batismo pelo Espírito Santo que habita nossas almas (cf. 1Cor 3,16); mas, será que estamos correspondendo à todo o bem que Deus nos dá? Será que estamos refletindo, por meio de nosso testemunho de vida, o Santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo?

Eis a resposta do Senhor: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim; quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos. Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.

Conclusão: Uma das piores pragas espirituais capaz de destruir as almas é o falso moralismo, pois este esconde uma multidão de pecados, especialmente daqueles que aparentemente defendam suas teses, só que no fim o resultado é um desastre irreversível, visto que os falsos defensores de suas teses nunca cumpriram nem cumprirão suas aparentes promessas. Assim, depois do mal feito, não tem como reverte-lo. Portanto, peçamos ao Senhor que nos livre do falso moralismo, pois este vive das más interpretações, do espírito de discórdia, do julgamento falso causadores de divisões.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 20 de outubro de 2018

O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,8-12)(20/10/18).

Caríssimos, o pecado além de ser uma grande ofensa a Deus, é também uma terrível tragédia para as almas que o cometem, pois nele não existe nenhum bem. A liturgia de hoje trata do pecado contra o Espírito Santo, para o qual não existe perdão nem neste mundo nem no vindouro. O fato é que, quem comete esse pecado, tem plena consciência do mal praticado contra Deus e contra si mesmo.

Então, o que é esse pecado e como se comete ele? Trata-se da blasfêmia contra o Espírito Santo. É uma espécie de rejeição à terceira Pessoa da Santíssima Trindade; e isso acontece quando a alma perde toda noção do Sagrado por se encontrar imersa nas insídias do maligno passando a viver como ele. Ou seja, a alma desligada de Deus, perde todas as suas graças, entre elas o santo temor, o contrição do coração e a esperança da salvação eterna.

Na primeira leitura de hoje, São Paulo demontra aos Efésios um profundo afeto paternal e o quanto os estima trazendo-os sempre presentes em suas orações. Ora, essa atitude do santo apóstolo é exatamente o oposto daqueles que renegam Cristo e pecam contra o Espírito Santo, uma vez que estes apresentam total rejeição por tudo o que diz respeito ao Senhor, aos seus ensinamentos e à todos os cristãos.

Conclusão: Meditemos agora com atenção essas ungidas palavras escritas por São Paulo: "Que Deus abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

CUIDADO COM O PECADO DA HIPOCRISIA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,1-7)(19/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, a prática da fé, requer de nós a transparência em tudo o que vivemos, isto é, sermos coerentes com a fé que professamos transparecendo sempre a vontade de Deus em todo o nosso viver. Ora, no Evangelho de hoje, ouvimos o Senhor dizer: "Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Portanto, tudo o que tiverdes dito na escuridão, será ouvido à luz do dia; e o que tiverdes pronunciado ao pé do ouvido, no quarto, será proclamado sobre os telhados."

Com isso compreendemos que o verdadeiro cristão não vive de aparências ou da imitação dos costumes deste mundo, mas sim da vontade de Deus, como meditamos na Carta de São Paulo aos Romanos: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito."

Com efeito, esta semana (16/10/18) o Santo Padre, o Papa Francisco, disse em uma de suas homilias: "Tenham cuidado com os rígidos. Tenham cuidado com os cristãos – sejam eles leigos, padres, bispos – que se apresentam como “perfeitos”, rígidos. Tenham cuidado. Não há o Espírito de Deus ali. Falta o espírito da liberdade." Caríssimos, ser livre é querer sempre o que Deus quer, porque não existe liberdade fora da vontade divina.

Portanto, aprendamos com Maria Santíssima a viver a liberdade que o Senhor nos concede, por meio da santa obediência; seguindo fielmente o que ela nos aconselhou nas bodas de Caná: "Fazei tudo Ele vos disser." Isto porque ela seguiu em tudo o seu amado Filho: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

IDE E ANUNCIAI, O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,1-9)(18/10/18).

Caríssimos, não podemos esquecer que estamos a caminho do Reino dos Céus e que ao longo de sua via o anunciamos à todos na certeza de que o Senhor caminha conosco nos concedendo, por meio do Seu Santo Espírito, todas as graças necessárias para anunciá-lo com intrepidez. Ora, dentre essas graças estão a paz, a cura das enfermidades e a libertação das almas feridas pelos pecados.

Com efeito, convém lembrar que nem sempre seremos aceitos ou compreendidos, e por isso, seremos caluniados, difamados e perseguidos, e quem sabe até mortos, sem que tenhamos culpa alguma. Mas, por que isso acontece? Porque a verdade sempre incomoda o reino da mentira, todavia, aqueles que a acolhem no íntimo de suas almas, encontram nela a liberdade dos justos, a felicidade eterna dos eleitos e a convicção de que estão a caminho da perfeição.

De certo, ao enviar os discípulos o Senhor lhes deu algumas instruções: "Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias, e não cumprimenteis ninguém pelo caminho!" Ou seja, quem tem o Reino de Deus como herança o anuncia sem nenhum apego, seja a coisas ou pessoas. E continua Ele: "Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ Ou seja, os anunciadores do Reino de Deus, levam consigo sua paz e a concede à todos que estão aptos para recebê-la.

Conclusão: "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo. Quem deste modo serve a Cristo, agrada a Deus e goza de estima dos homens. Portanto, apliquemo-nos ao que contribui para a paz e para a mútua edificação." Desse modo, compreendemos que o seu anúncio se dá mediante o testemunho de vida em obediência ao envio do Senhor.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

DEUS É O PRIMEIRO AMOR DE NOSSA VIDA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,42-46)(17/10/18).

Caríssimos, o primeiro amor da vida de todo batizado é Deus, justamente por esse amor ser o mais sublime de todo o seu viver, pois amar a Deus sobre todas as coisas e ser um só com Ele é o que constitui o alicerce da vida eterna; sem essa comunhão com o amor do Senhor tudo o que existe se destina ao caos, porque o Seu amor é a origem e a razão de ser de tudo quanto existe.

Com efeito, quando os homens se desligaram de Deus pelo pecado, o Senhor não os deixou à mercê do pecado, mas os resgatou por sua divina misericórdia, enviando o seu Filho numa carne semelhante a nossa a fim de nos livrar de todo o mal. Antes disso, porém, o Senhor havia feito repetidas alianças com eles, até chegar a última e definitiva aliança escrita com o Sangue de Seu Filho amado no qual pôs todo o seu agrado.

São Paulo, na Carta aos Efésios escreveu: "Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência." E também na Carta aos Hebreus: "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas."

Caríssimos, todas essas graças derramadas sobre nós são inteiramente aproveitadas quando somos fiéis ao amor do Senhor observando com coerência e firmeza de caráter seus santos mandamentos; caso contrário, não passamos de fariseus e mestres da lei, vivendo de aparências e nos justificando sempre que ouvimos o Senhor em nossa consciência.

Portanto, peçamos ao Senhor a graça da perseverança no seu amor para sermos fiéis até o fim de nossos dias neste mundo. Pois, assim nos diz o Senhor: "Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras." (Ap 22,12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,37-41)(16/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, constantemente na prática da vida somos confrontados tendo em vista o viver que realmente agrade a Deus por estar de acordo com a sua vontade. Por isso, precisamos viver em sintonia com os seus preceitos e não como fiscais dos outros na prática deles, mas sim, como verdadeiros praticantes de suas normas; pois as obras de misericórdia são infinitamente superiores à todos os juízos de valores emitidos.

"Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pela caridade," como escreveu São Paulo, pois, foi "para a liberdade que Cristo nos libertou." Por isso, "Ficai pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão" deste mundo, que são os vícios e todos os tipos de preconceitos que geram as lutas fraticidas.

De certo, amar como Cristo nos ensinou, significa perdoar sempre a tudo e a todos, porque o amor do Senhor é o único caminho para pacificar a nossa vida e a de todos. Ora, não entender isso, é cair no abismo da incompreensão e das discórdias, que resulta nas mais terríveis batalhas fratricidas, e com isso perdemos o verdadeiro sentido da vida que consiste no que o Senhor nos ensinou: "Amai uns aos outros como eu vos tenho amado."

O Evangelho de hoje nos mostra o exemplo oposto dessa verdade ensinada por Jesus. Um fariseu o convida para jantar em sua casa, mas logo o julga por não ter lavado as mãos, no entanto, como o Senhor conhece todas as coisas, assim lhe mostra qual é o estado de sua alma imersa na lama fétida das contradições. Caríssimos, quem vive sempre julgando e condenando, na verdade está apenas projetando nos outros os erros e contradições que cultiva em sua prática de vida.

Portanto, para estes, eis o que escreveu São João: "Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

OS HOMENS PEDEM UM SINAL DO CÉU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,29-32)(15/10/18).

Caríssimos, a união espiritual de nossas almas com Deus por meio do Seu Santo Espírito, requer de nós uma entrega total, uma espécie de abandono onde tudo em nós transpareça Deus e tudo o que Ele realiza em nossa vida. Talvez para muitos isso seja impossível, e é mesmo, mas não para Deus de quem dependemos e à quem pertencemos, não obstante o mundo de tentações e pecados no qual ainda estamos, mas por pouco tempo.

De fato, para quem vive segundo a Vontade de Deus, a graça que nos é dada nos faz vencer todas as dificuldades deste mundo, isto é, todos os obstáculos psíquicos, físicos, morais e espirituais, pois Deus que nos criou por amor e nos enviou o Seu Filho para nos resgatar deste mundo, jamais nos abandona, é só confiarmos e permanecermos fiéis à Sua Palavra.

Caríssimos, a fé é dom do Espírito Santo, e quem a vive não precisa de sinais para permanecer confiante nas promessas de Deus; precisa sim, cultivá-la por meio da oração, da penitência, da conversão permanente e da prática das virtudes que ela comporta, pois a fé sem as obras é morta por falta de prática.

Conclusão: Quanto tempo ainda temos aqui? Não sabemos, todavia, continuemos fiéis, pois o que é o tempo se comparado com a eternidade? Não é nada, portanto, aguardemos o dia do Senhor, pois Ele virá e não tardará, basta que o amemos de todo coração para apressarmos o dia de sua vinda gloriosa, isto é, de Sua Parusia, que para nós será o dia eterno, o dia que não tem fim.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de outubro de 2018

JESUS E O JOVEM RICO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,17-30)(14/10/18).

Caríssimos, hoje co-divido com todos parte da bela homilia do Santo Padre, o Papa Francisco, por ocasião da festa de canonização dos Beatos Paulo VI, Dom Oscar Romero, Francisco Spinelli, Vicente Romano, Maria Catarina Kasper, Nazária Inácia e Núncio Sulprizio.

"A segunda Leitura disse-nos que «a palavra de Deus é viva, eficaz e cortante» (cf. Heb 4, 12). É mesmo assim: a Palavra de Deus não é apenas um conjunto de verdades ou uma história espiritual edificante. Não! É Palavra viva que toca a vida, que a transforma. Nela, Jesus pessoalmente – Ele que é a Palavra viva de Deus – fala aos nossos corações.

Particularmente o Evangelho convida-nos a ir ao encontro do Senhor, a exemplo daquele «alguém» que «correu para Ele» (cf. Mc 10, 17). Podemo-nos identificar com aquele homem, de quem o texto não diz o nome parecendo sugerir-nos que pode representar cada um de nós. Ele pergunta a Jesus como deve fazer para «ter em herança a vida eterna» (10, 17). Pede vida para sempre, vida em plenitude; e qual de nós não a quereria?

Mas pede-a – notemos bem – como uma herança a possuir, como um bem a alcançar, a conquistar com as suas forças. De facto, para possuir este bem, observou os mandamentos desde a infância e, para alcançar tal objetivo, está disposto a observar ainda outros; por isso, pergunta: «Que devo fazer para ter…?»

A resposta de Jesus mexe com ele. O Senhor fixa nele o olhar e ama-o (cf. 10, 21). Jesus muda-lhe a perspetiva: passar dos preceitos observados para obter recompensas ao amor gratuito e total. Aquele homem falava em termos de procura e oferta; Jesus propõe-lhe uma história de amor. Pede-lhe para passar da observância das leis ao dom de si mesmo, do trabalhar para si ao estar com Ele. E faz-lhe uma proposta «cortante» de vida: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres (…), vem e segue-Me» (10, 21).

E Jesus diz também a ti: «Vem e segue-Me». Vem: não fiques parado, porque não basta não fazer nada de mal para ser de Jesus. Segue-Me: não vás atrás de Jesus só quando te apetece, mas procura-O todos os dias; não te contentes com observar preceitos, dar esmolas e recitar algumas orações: encontra n’Ele o Deus que sempre te ama, o sentido da tua vida, a força para te entregares.

E Jesus diz mais: «Vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres». O Senhor não faz teorias sobre pobreza e riqueza, mas vai direto à vida. Pede-te para deixar aquilo que torna pesado o coração, esvaziar-te de bens para dar lugar a Ele, único bem. Não se pode seguir verdadeiramente a Jesus, quando se está estivado de coisas. Pois, se o coração estiver repleto de bens, não haverá espaço para o Senhor, que Se tornará uma coisa a mais entre as outras. Por isso, a riqueza é perigosa e – di-lo Jesus – torna difícil até mesmo salvar-se.

Não, porque Deus seja severo; não! O problema está do nosso lado: o muito que temos e o muito que ambicionamos sufocam-nos, sufocam-nos o coração e tornam-nos incapazes de amar. Neste sentido, São Paulo recorda-nos que «a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro» (1 Tim 6, 10). Quando se coloca no centro o dinheiro, vemos que não há lugar para Deus; e não há lugar sequer para o homem.

Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo: dá um amor total e pede um coração indiviso. Também hoje Se nos dá como Pão vivo; poderemos nós, em troca, dar-Lhe as migalhas? A Ele, que Se fez nosso servo até ao ponto de Se deixar crucificar por nós, não Lhe podemos responder apenas com a observância de alguns preceitos. A Ele, que nos oferece a vida eterna, não podemos dar qualquer bocado de tempo. Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada.

Queridos irmãos e irmãs, o nosso coração é como um íman: deixa-se atrair pelo amor, mas só se pode apegar a um lado e tem de escolher: amar a Deus ou as riquezas do mundo (cf. Mt 6, 24); viver para amar ou viver para si mesmo (cf. Mc 8, 35). Perguntemo-nos de que lado estamos nós... Perguntemo-nos a que ponto nos encontramos na nossa história de amor com Deus... Contentamo-nos com alguns preceitos ou seguimos Jesus como enamorados, prontos verdadeiramente a deixar tudo por Ele?

Jesus pergunta a cada um e a todos nós como Igreja em caminho: somos uma Igreja que se limita a pregar bons preceitos ou uma Igreja-esposa, que pelo seu Senhor se lança no amor? Seguimo-Lo verdadeiramente ou voltamos aos passos do mundo, como aquele homem? Em suma, basta-nos Jesus ou procuramos as seguranças do mundo? Peçamos a graça de saber deixar por amor do Senhor: deixar riquezas, deixar sonhos de cargos e poderes, deixar estruturas já inadequadas para o anúncio do Evangelho, os pesos que travam a missão, os laços que nos ligam ao mundo.

Sem um salto em frente no amor, a nossa vida e a nossa Igreja adoecem de «autocomplacência egocêntrica» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 95): procura-se a alegria em qualquer prazer passageiro, fechamo-nos numa tagarelice estéril, acomodamo-nos na monotonia duma vida cristã sem ardor, onde um pouco de narcisismo cobre a tristeza de permanecermos inacabados.

Aconteceu assim com aquele homem que – diz o Evangelho – «retirou-se pesaroso» (10, 22). Ancorara-se aos preceitos e aos seus muitos bens, não oferecera o coração. E, embora tivesse encontrado Jesus e recebido o seu olhar amoroso, foi-se embora triste. A tristeza é a prova do amor inacabado. É o sinal dum coração tíbio. Pelo contrário, um coração aliviado dos bens, que ama livremente o Senhor, espalha sempre a alegria, aquela alegria de que hoje temos tanta necessidade

Paz e Bem!

sábado, 13 de outubro de 2018

OUVINDO A VOZ DE DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,27-28)(13/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, depois da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, fomos ainda mais fortalecidos pelo seu divino poder no combate contra as forças do mal; se antes, como escreveu São Paulo, éramos regidos pela pedagogia da lei que nos orientava para Cristo, agora pela ação do Santo Espírito, que nos foi dado em Cristo, temos a lei impressa na alma, como Deus prometeu por meio dos santos profetas e o cumpriu plenamente no dia de Pentecostes (cf. Jr 31,31-34; Jl 3,1-5; At 2,1-4.14-21).

Com efeito, Cristo Jesus nos deu a conhecer qual seja a vontade do Pai e também o sentido de sua vinda, reunir em si todas as coisas as que estão no céu e as que estão na terra (cf. Ef. 2,7-12), e nos conduzir para Reino que preparou como herança para todos que o amam, onde não mais existirá o pecado, e onde a felicidade não terá fim. Pois, o Reino de Deus não é uma utopia, mas sim o cumprimento de suas promessas feitas a Abraão e à sua descendência para sempre.

Ora, na sua primeira vinda o Senhor se nos apresentou como Salvador misericordioso que perdoa os nossos pecados nos libertando de suas consequências e de todo mal. Porém, na sua segunda vinda, Ele virá como Justo Juiz para julgar os vivos e os mortos e para dar a recompensa a cada um conforme as suas obras.

Conclusão: no Evangelho de hoje, Jesus nos ensinou a grandíssima importância de se ouvir a Voz de Deus e pô-la em prática, como o fez a Sua Mãe, Maria Santíssima: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." Pois, ouvir a Deus e obedecê-lo significa amá-lo acima de todas as coisas, significa ser fiel e permanecer na Sua presença aqui e eternamente no Seu Reino de amor e de paz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 2,1-11)(12/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, não tem como pensar a história da salvação sem a presença da Mãe de Jesus que o gerou por obra e graça do Espírito Santo, Ele o autor e consumador da nossa fé e da nossa salvação. Nesse sentido Maria é porta por onde o autor da vida entrou neste mundo para nos resgatar da morte e nos conduzir à vida eterna.

Com efeito, Maria Santíssima é a nova Eva, o modelo perfeito, obra prima das mãos de Deus, à quem escolheu para depositar nela todo o seu amor, Cristo Jesus, nosso Senhor. Com isso, entendemos que a nossa devoção a Maria é profunda comunhão com a vontade de Deus, que lhe deu a missão de esmagar a cabeça do inimigo de nossas almas, por meio do seu amado Filho.

Com efeito, celebrar solenemente a presença da Mãe de Deus em nosso meio, é celebrar a sua participação no grande mistério da nossa salvação, pois Maria não só gerou Jesus, mas também o assistiu no últimos instantes de sua imolação na cruz, recebendo dele a missão de ser a mãe da nova humanidade.

Portanto, por todas essas graças sobre nós derramadas, cantemos humildemente esse belo hino em sua honra por ser a Mãe de Deus e nossa Mãe:

Viva a mãe de Deus e nossa
Sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada
A Senhora Aparecida!

Aqui estão vossos devotos
Cheios de fé incendida
De conforto e de esperança
Ó, Senhora Aparecida!

Protegei a santa igreja
Ó Mãe terna e compadecida
Protegei a nossa Pátria
Ó, Senhora Aparecida!

Amparai todo o clero
Em sua terrena lida
Para o bem dos pecadores
Ó, Senhora Aparecida!

Velai por nossas famílias
Pela infância desvalida
Pelo povo brasileiro
Ó, Senhora Aparecida!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

DE UMA MESMA FONTE NÃO PODE SAIR ÁGUA PODRE E ÁGUA PURA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,5-13)(11/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, o único caminho seguro para chegarmos ao Reino dos Céus é o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo conduzidos pelo Seu Santo Espírito, bem como nos ensinou São Paulo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para paixões desordenadas. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade. Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne."

De fato, essa liturgia de hoje reflete bem o momento atual que estamos vivendo, pois as paixões desordenadas infundidas nas almas pelo maligno, está surtindo seus efeitos maléficos em forma de violência e todo tipo de atrocidades como calúnias, difamação, maledicências, preconceitos, mentiras, etc., talvez nunca visto antes em nosso país desde os dias macabros da ditadura militar que foi implantada usando o medo e os mesmos argumentos de hoje.

Caríssimos, cuidado com os discursos políticos, pois muitos deles não passam de armadilhas sutis para se chegar ao poder. E, quando seus autores são impossados, revelam, de fato, o que tramaram nos bastidores de suas almas. Bem nos advertiu São Paulo: "Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas."

Dito isto, afirmo sem medo de cometer erro algum: nunca um discurso de ódio eivado de preconceitos e desrespeito ao ser humano resultou em algum bem, pelo contrário, as almas enganadas por tais discursos foram trucidadas impiedosamente, pois de uma mesma fonte não pode sair água podre e água pura. Portanto, cuidado com as falácias políticas, porque elas são veneno para as almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

SENHOR, ENSINA-NOS A REZAR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,1-4)(10/10/18).

Caríssimos, o dom da oração sempre foi o meio mais eficaz do nosso encontro com Deus, pois é um dom do Espírito Santo que nos une diretamente a Ele. Todavia, esse encontro com o Senhor se dá no coração de nossa alma, isto é, em nossa mente, em nossa consciência livre de todos os vãos pensamentos, onde Deus responde às nossas súplicas e as nossas boas intenções.

Por isso, se pôr em oração, é se pôr em comunhão com o Senhor, é fazer o encontro espiritual mais significativo de nossa vida, pois nele nossa alma em estado de graça ou não se entrega ao nosso Pai criador num profundo diálogo de amor e comunhão na espectativa de receber suas graças e bênçãos.

Desse modo, entendemos que a oração é um relacionamento interpessoal e não uma lista interminável de pedidos. Aliás, quando a oração não é um encontro que resulta num diálogo que tudo transforma, ela é só um emaranhado de palavras ou quem sabe uma prática espiritual cansativa, uma espécie de obrigação, e não uma iluminação do Espírito Santo que nos leva à perfeita comunhão com o Senhor.

No Evangelho de hoje Jesus ensina os Apóstolos como exercitar o dom da oração rezando com eles o Pai nosso. Primeiro aproximar-se de Deus como Pai amoroso que sempre nos ouve e nos atende; honra-lo com profundo respeito revelando quão santificado é o seu nome pela prática de nossa fé; pedir a vinda de Seu Reino; querer sempre o que é do seu agrado; suplicar para todos o necessário, livrando-nos do acúmulo indevido; pedir perdão pelas ofensas pessoais cometidas, perdoando as praticadas contra nós; pedir a graça de não cometê-las mais, e a proteção contra as investidas do mal. Eis a mais perfeita oração que brota do coração em nosso encontro e diálogo com Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

EM CASA DE MARTA E MARIA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,38-42)(09/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, a vida humana é um dom precioso de Deus, entretanto, no mais das vezes nos atormentamos à nós mesmos com vãs preocupações como se isso tivesse algum sentido ou nos causasse algum bem; na verdade essa atitude de preocupação inadequada não passa de ativismo estéril, infecundo que em nada nos ajuda, mas só serve para atrapalhar o bem viver e o convívio fraterno.

No Evangelho de hoje, Marta convida Jesus para uma refeição em sua casa, mas não tem tempo para Ele, pois, mesmo no anseio de bem servir-lo junta a isso uma ácida crítica à sua irmã Maria por ela sentar-se aos pés do Senhor para o escutar e não se prestar de imediato aos afazeres da casa. Ora, a resposta de Jesus a Marta nos mostra que o muito ou o pouco fazer sem o devido sentido da fé, perde a espontaneidade da boa convivência, a plena disposição em servir e a generosidade de bem acolher, tornando-se assim uma espécie de obrigação estéril eivada de insatisfação e aborrecimento.

De fato, sem unidade em meio à diversidade dos dons não existe paz, mas somente conflito de interesses ou de aparência. Ora, somos parte do Corpo Místico de Cristo, a Igreja. Porém, esse Corpo é Santo, por isso, tudo em nosso viver precisa transparecer a santidade do Senhor à quem somos unidos e a quem servimos, caso contrário, não passamos de galhos secos, esturricados que só servem para serem incinerados.

Caríssimos, quando o nosso viver tem como base o amor fraterno e o bem de todos, isso é infinitamente superior à tudo que se concebe a partir do ativismo estéril que só gera críticas, conflitos e divisões. Na verdade, quem busca a paz e o bem comum sabe escutar o Senhor para agir com a sua sabedoria, e assim fazer a sua vontade em tudo, como Ele nos ensinou: "Uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O BOM SAMARITANO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,25-37)(08/10/18).

Caríssimos, a vida em estado de graça consiste em permanecer fiéis à nossa filiação divina, isto é, amar a Deus como seus filhos e filhas nascidos no batismo em total comunhão com a sua vontade. Às vezes escuto alguns dizerem que é muito difícil seguir o Senhor, à estes digo, difícil é seguir o mal, pois ele nada tem para nos dar a não ser a condenação eterna que recebeu depois de ser julgado e condenado (cf. Jo 16,7-11).

Não resta dúvida que a maior luta que travamos é espiritual e se dá dentro de nós mesmos, em especial no coração de nossas almas, isto é, em nossa mente, em nossa consciência. Por isso, precisamos escutar a voz do Senhor que nos diz: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41).

Com efeito, muitos são aqueles que usam a última parte deste versículo para querer justificar que pecou porque a carne é fraca. À estes digo, não existe pecado sem tentação, sem permissão e sem o ato praticado ainda que seja mentalmente; por isso, ninguém é fraco antes do pecado, mas só depois que peca. Dito isto, escutemos a primeira parte deste versículo para nos manter em comunhão com o Senhor, pois, como escreveu São João: "Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu." (1Jo 3,6).

Caríssimos, meditando o evangelho de hoje, percebemos que os mestres da Lei se aproximavam de Jesus só para pô-lo à prova. De fato, quem não tem argumento para expressar o bem, usa a astúcia como arma para poder condenar os outros e não amá-los. Ora, a Sabedoria divina revelada nas Palavras de Jesus, nos ensina que o amor supera todas as barreiras que os homens criaram para não viverem unidos e em paz. Disse Ele: "Vai e faze a mesma coisa [que o bom samaritano fez]."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 7 de outubro de 2018

A FAMÍLIA É O MAIOR TESOURO DA HUMANIDADE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,2-16)(07/10/18).

Caríssimos irmãos, Deus criou todas as coisas como expressão do seu amor e para permanecer no seu amor, pois somente assim elas subsistem; caso contrário, tudo tende ao caos, porque só Deus é Absoluto, só Ele existe em Si e por Si mesmo e sustenta todas as coisas. Todavia, ao criar o homem à sua imagem e semelhança, fez com ele uma aliança perene para que administrasse a obra da criação em comunhão com Ele. É isso o que nos ensina a primeira leitura que meditamos nessa liturgia.

No Evangelho de hoje, Jesus responde a pergunta capciosa dos escribas e fariseus a respeito do matrimônio, mostrando quão duro se tornou o coração dos homens depois do pecado, por isso, não abriu mão da sacralidade deste Sacramento, dizendo: "O que Deus uniu o homem não separe." Ou seja, a união entre um homem e uma mulher é sagrada, pois é Deus mesmo quem os une com a sua bênção por meio da Igreja.

Com efeito, algo também nos chama a atenção nesse Evangelho, é o encontro de Jesus com as crianças. A princípio os discípulos as impediam que se aproximassem do Senhor, mas Jesus os censurou dizendo: “Deixai vir a mim as crianças. Não as proibais, porque o Reino de Deus é dos que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Ele abraçava as crianças e as abençoava, impondo-lhes as mãos."

Caríssimos, a família humana é o maior tesouro da humanidade, destruir a unidade familiar é o mesmo que destruir nossa comunhão com Deus, pois Ele se faz presente na unidade da família. Por isso, uma família dividida é uma família destruída, porque não tem a presença de Deus nela. E só entende isso quem tem um coração de criança, ou seja, quem não perde sua inocência para o pecado da divisão que não deixa vivermos em paz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de outubro de 2018

E LHES ENVIOU COM O PODER DE EXPULSAR OS DEMÔNIOS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,17-24)(06/10/18).

Caríssimos, a realidade da presença do mal na história da humanidade remonta nossos primeiros pais que foram tentados e cederam à tentação do maligno e assim se rebelaram contra Deus. Todavia, a misericórdia infinita do Senhor não os deixou desamparados, mas os libertou por meio do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo. Bem como escreveu São João: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna."

E escreveu ainda: "Sabeis que (Jesus) apareceu para tirar os pecados, e que nele não há pecado. Todo aquele que permanece nele não peca; e todo o que peca não o viu, nem o conheceu. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio. Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus."

Com efeito, no Evangelho de hoje, Jesus enviou os 72 discípulos com o poder de expulsar os demônios em seu nome. Aliás, a palavra demônio significa aquele que divide; de fato, ele é um anjo decaído que se arrogou querer ser como Deus, no entanto, por sua arrogância, foi precipitado no profundo abismo da ruína e da perdição, como revelou o Profeta Isaías (cf. Is 14,13-14).

Conclusão: caríssimos, a Igreja hoje formada pelos atuais discípulos de Cristo, o anuncia como o enviado do Pai para derrotar definitivamente o poder do mal. E assim permanece firme no Senhor com a autoridade de expulsar os demônios por meio da oração com o poder de sua Palavra, libertando as almas atormentadas do poder desses espíritos malignos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A FÉ É UM CRITÉRIO DIVINO, É UM DOM DE DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,13-16)(05/10/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, os critérios de Deus para crermos Nele são justos e santos, rejeitá-los significa crer no inimigo de nossas almas, se afastar de Deus, e nunca mais ver a Sua Face. O problema da humanidade é querer impor a Deus os critérios para crer, e com isso, deixar de transparecer Sua imagem e semelhança que somos.

Com efeito, contemplar a Deus em sua benevolência é um dom para todos, mas poucos são aqueles que o fazem; e por que não o fazem? Porque não o amam acima de tudo quanto existe, e por isso idolatram coisas, situações e pessoas. Que o digam os times de futebol, os cantores e cantoras, as TVs, as salas de cinema, a Internet e tantos outros eventos semelhantes, que tomam todo o tempo vago dos homens tirando deles a piedade, a vida de oração, o encontro com Deus.

E qual é o resultado? É a multiplicidade do pecado, as mortes violentas, as cadeias superlotadas, os hospitais abarrotados, os cemitérios cheios. De certo, no dia que os homens deixarem de escutar a voz do inferno para escutar a voz de Deus, se converterão e terão a proteção divina e com ela a vida eterna; caso contrário, serão como as cidades que Jesus mencionou no Evangelho de hoje, que, por não ouvirem Sua voz, perderam a chance de serem redimidas.

Caríssimos, ainda estamos no tempo da Divina Misericórdia, antes que se manifeste o justo juízo de Deus sobre toda humanidade. De fato, o melhor a fazer é se converter, isto é, reconhecer os pecados, confessa-los, receber o perdão Sacramental e fazer penitência. "Pois, eis o que diz o Senhor: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

O SEGUIMENTO DE CRISTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,57-62)(03/10/18).

Caríssimos, Santa Teresinha do Menino Jesus, escreveu que a "vida é um brevíssimo segundo"; de fato, se comparada com a eternidade, ela é um pequeníssimo grão de areia na extensão do imenso mar; todavia, pergunto, mas à quem estamos dando esse "brevíssimo segundo", esse minúsculo grão de areia? Porque mesmo pequeníssimos, temos da parte de Deus a liberdade de decidir à quem queremos seguir.

Caríssimos, viver não é somente ser e estar no mundo; viver é traduzir o que somos em ações que nos levam a um destino eterno. De certo, estamos no tempo, mas já com a certeza de seu fim, todavia, é aqui que definimos nosso devir. E se o nosso devir tem como fundamento o seguimento de Cristo, nada temos a temer, pois tudo o que se fundamenta em suas Palavras tem a garantia da felicidade eterna.

O Evangelho de hoje apresenta três casos de chamados para o discipulado de Cristo: o primeiro, é o daquele que deseja seguí-lo, mas tendo em vista os valores temporais; ao qual o Senhor respondeu: "As raposas têm tocas e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde repousar a cabeça”.

O segundo, é um chamado direto: "Segue-me." Mesmo assim ele queria pôr os projetos pessoais acima do discipulado; ao que, disse o Senhor: "Deixa que os mortos, enterrem seus mortos, mas tu, vai anunciar o Reino de Deus”. O último caso, é daquele que dá desculpas por causa do apego aos afetos familiares; à esse Ele respondeu: "Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus."

Conclusão: A disponibilidade é uma das principais virtudes daqueles que são chamados, os humildes de coração; pois reconhecem que os critérios para crer e seguir Jesus não são humanos mais divinos, por isso, não impõem condições para segui-lo, simplesmente o seguem porque ouvem e obedecem à sua voz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

SANTO ANJO DO SENHOR MEU ZELOSO E GUARDADOR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,1-5.10)(02/10/18).

Caríssimos, as graças de Deus chegam até nós por diversos meios, dentre eles temos a intercessão dos santos, em especial a intercessão de Nossa Senhora; elas também nos chegam por meio da proteção dos anjos, de modo especial, nossos anjos de guarda, que são nossos protetores nas mais diversas situações de nossa vida.

É bem como meditamos hoje no Livro de Êxodo: "Assim diz o Senhor: Vou enviar um anjo que vá à tua frente, que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que te preparei. Respeita-o e ouve a sua voz. Se ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser, serei inimigo dos teus inimigos, e adversário dos teus adversários." De fato, "O anjo do Senhor acampa em redor dos que o temem, e os salva." (Sl 33,8).

São Bernardo Abade disse em um de seus sermões: “Sejamos, pois, devotos e agradecidos àqueles guardiães tão exímios; correspondamos o seu amor, honremo-los quanto possamos e conforme devemos. Eles nos guiam nos nossos caminhos, não podem ser vencidos nem enganados e menos ainda podem nos enganar. São fiéis, prudentes, poderosos. Basta que os sigamos, que estejamos unidos a eles, e viveremos assim, à sombra do Onipotente”.

Santa Francisca Romana, certa feita recebeu do Senhor a graça da visão do seu anjo da guarda e assim o descreveu: “Era de uma beleza incrível, com uma pele mais branca que a neve e um rubor que superava a vermelhidão das rosas. Seus olhos, sempre abertos olhando para o céu, o cabelo comprido e cacheado cor do ouro. Sua túnica era comprida até os pés e era branca um pouco azulada e, outras vezes, com brilhos avermelhados. Era tal a irradiação luminosa que o seu rosto emanava, que podia ler as matinas em plena meia noite."

Rezemos, então, ao nosso anjo da guarda, pedindo-lhe a graça de sua proteção: "Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, me guarde, me governe e me ilumine. Amém!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A VIA DA SANTIDADE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,46-50)(01/10/18)

Caríssimos, ao que parece a via da santidade é uma via a princípio por demais dolorosa, não sem que tenhamos as divinas consolações que o Senhor nos concede, por meio de sua visita, a fim de que não desfaleçamos antes que cheguemos ao porto seguro da nossa salvação.

Ora, para entendermos melhor essa via, temos o exemplo do povo da Antiga Aliança que precisou passar pela provação do deserto para que se cumprisse os desígnios do Senhor à seu respeito, viverem no paraíso da terra prometida. Temos também um outro exemplo que muito nos edifica, é o do antigo patriarca Jó, que mesmo passando pelas intempéries da provação, disse: “Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou: como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!”

Com efeito, caríssimos, ninguém padeceu mais que o Filho de Deus para nos salvar, como relata a Carta aos Hebreus: "Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem."

Portanto, proclamemos o louvor do Senhor quando passarmos pelas mais diversas provas na via de santidade que Ele nos indica, pois, assim escreveu São Tiago a esse respeito: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 30 de setembro de 2018

TENHO OUTRAS OVELHAS QUE NÃO SÃO DESTE REBANHO...


Homilia do 26°Dom do tempo comum (Mc 9,38-43.45.47-48)(30/9/18).

Caríssimos, constantemente somos tentados a julgar e condenar os outros ao invés de usarmos de misericórdia com todos. De fato, existem certas atitudes abomináveis humanamente difícil de suportar. No entanto, precisamos escutar o Senhor e pôr em prática o que Ele nos ensina: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados."

Na primeira leitura de hoje, a graça do Espírito Santo foi derramada sobre todos os 72 escolhidos por Deus para estarem com Moisés em oração na tenda de Reunião, e mesmo sem dois deles estarem presentes diante de Deus, não deixaram de receber essa graça como os demais. Pelo que Josué ponderou à Moisés: "Moisés, meu Senhor, manda que eles se calem!" Moisés, porém, respondeu: “Por que és tão zeloso por mim? Prouvera a Deus que todo o povo do Senhor profetizasse, e que o Senhor lhe desse o seu Espírito!”

Com efeito, também João no Evangelho de hoje, leva à Jesus o caso de um exorcista judeu que expulsava demônios em seu nome: "Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue”. Ao que Jesus respondeu: “Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor."

Caríssimos, a Igreja não é uma comunidade fechada em si mesma, mas é o próprio Corpo de Cristo formado por todos os que ouvem à sua voz também para além de suas fronteiras. De fato, a graça transpõe a natureza, pois o perdão e a misericórdia do Senhor são graças infinitas, por isso, não se pode limitar o que não tem limite; é bem como escreveu São Paulo : "Aonde abundou o pecado super abundou a graça." De fato, eis o que disse o Senhor: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 29 de setembro de 2018

FESTA DOS ARCANJOS SÃO MIGUEL, SÃO GABRIEL E SÃO RAFAEL...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 1,47-51)(29/9/18).

Caríssimos, todos nós que aqui vivemos dependemos do invisível que nos governa, tanto naturalmente como espiritualmente por suas leis imutáveis; no entanto, temos a liberdade de escolha e decisão, e só a perdemos quando pecamos, pois nos tornamos escravos do pecado que permitimos. Porquanto, somos um misto de naturalidade temporal, representada pelo nosso corpo, e eternidade espiritual, representada pela nossa alma.

Com efeito, vivemos envoltos pelo mistério de Deus, isto é, pelo Seu poder maravilhoso presente na perfeição de sua criação; mas ao mesmo tempo sentimos um poder antagônico que constantemente atenta contra a nossa vida. É uma força negativa que se dá a conhecer pelos maus pensamentos, que se consentidos, geram toda espécie de desajuste psíquico, físico, moral e espiritual.

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Pois, são eles que servem a Deus diante do seu Trono, cumprindo as suas ordens em favor dos seus filhos e filhas que ainda estão neste mundo. Como meditamos na Carta aos Hebreus: "Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?"

Conclusão: Na Sagrada Escritura, São Miguel é descrito como protetor do povo de Deus e por isso seu nome significa "Quem é como Deus?" Já São Gabriel significa "Força de Deus", pois foi enviado para anunciar aquele que se dignou vir até nós para nos libertar de todo mal. E, por fim, São Rafael, que significa "Deus cura", porque ao tocar nos olhos de Tobias, este foi curado de sua cegueira.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A IDENTIDADE DIVINA DE JESUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,18-22)(28 /9/18).

Caríssimos, contemplando a criação, e a reconhecendo como obra das mãos de Deus, nos reconhcemos também como obras Suas, pois não tem como ignorar a grandeza da criação e o seu poder presente nela. Aliás, São Paulo já o havia dito isso: "Porquanto o que se pode conhecer de Deus os homens o lêem em si mesmos, pois Deus lho revelou com evidência."

De fato, é impossível pensar a vida natural sem sua Fonte Primeira; ora, negar essa verdade é retrair-se ao nada que somos quando negamos a evidência de Deus na obra da criação e por consequência em nossa vida. Na primeira leitura de hoje, o autor do Livro do Eclesiastes medita sobre o tempo e os acontecimentos que se dão nele, e com isso, retrata também as ações humanas e seus antagonismos presente em todos os sentidos de nossa vida.

É verdade, somos frágeis, mas só quando não vivemos em comunhão com a vontade do nosso Pai Celestial por meio da fé; pois Ele nos amou em nossa fragilidade, nos enviando o Seu Filho amado numa carne semelhante à nossa para nos libertar da escravidão do pecado e da morte; e por esse Filho nos cumulou com os dons do Seu Espírito para assim nos conduzir à vida eterna.

Portanto, caríssimos, identificar Jesus em nossa vida por meio das virtudes do Espírito Santo que recebemos no batismo, é fundamental para transparecermos a nossa filiação divina, nós que estamos a caminho da felicidade eterna, tal como descreve a Carta aos Hebreus: "Vós, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos, da assembléia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

OS DISCÍPULOS DE CRISTO ANUNCIAM OS VALORES ETERNOS DO REINO DE DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,7-9)(27/9/18).

Caríssimos, a vida natural é um sopro que se esvai, nascemos e depois de um tempo já tomamos consciência do fim de nossa existência temporal; mas isso, de certo modo, nos alerta para o bem da vida, pois, para além da morte que nos cerca, cultivamos a esperança da vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor, que morreu e ressuscitou para nos garantir que a vida não tem fim.

Mas, vivendo em meio a esse paraíso terrestre que Deus criou, por que tudo não é só harmonia, beleza, bondade, comunhão, liberdade, amor, paz? Porque, na verdade, vivemos em meio a uma grande luta espiritual travada entre o bem que vem de Deus e o poder do mal, gerador do pecado e causa de toda ruína e perdição que existe.

Com efeito, nessa guerra espiritual o inimigo de nossas almas tem causado todas as divisões que constatamos em nossa sociedade e na face da terra. Ora, suas armas espirituais são estas: "Fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes." (Gl 5,19).

Caríssimos, muita atenção, pois São Paulo nos alerta contra o perigo de tais inclinações: "Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" Isto porque atualmente a nossa sociedade está impregnada e destruída pelas ideologias políticas/partidárias causadoras de ódio, divisões, violência e morte. Por isso, evitemos tipo de adesão a elas, porque só assim seremos identificados como verdadeiros discípulos de Cristo, que nos ensinou a amar-nos uns aos outros como Ele nos tem amado. (cf. Jo 13,34).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

DISSE O SENHOR: IDE E ANUNCIAI, O REINO DE DEUS ESTÁ PRÓXIMO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,1-6)(26/9/18).

Caríssimos, formar um discípulo do Reino de Deus é dá a ele a ciência do conteúdo eterno dos valores desse Reino, ou seja, é dar a ele uma espécie de visão antecipada de como são vividos esses valores pelos filhos de Deus em Sua presença no Reino dos Céus, para que anunciem a herança eterna que Deus reserva àqueles que o amam.

Ora, depois de instruir os seus discípulos com esse conteúdo, Jesus os enviou com o Seu poder sobre toda criatura, todavia os recomendou para não perderem tempo com os apegos aos valores deste mundo, porque eles só existem em função dos valores eternos. Disse Ele: "Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’." (Mt 10,7).

Então, quais são esses valores e como os discípulos devem se portar diante deles ao serem enviados? Vejamos: "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e gozo no Espírito Santo. Quem deste modo serve a Cristo, agrada a Deus e goza de estima dos homens. Portanto, apliquemo-nos ao que contribui para a paz e para a mútua edificação." (Rm 14,17-19).

Destarte, todos nós que somos discípulos do Senhor, estamos à caminho do Seu Reino de amor, e aonde quer que sejamos enviados, anunciamos o que já vivemos da grandeza de seus valores eternos que nos faz comungar em tudo com a vontade do Senhor e nEle permanecer até que nos leve em definitivo à plenitude do Paraíso.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

NASCIDOS DA ÁGUA E DO ESPÍRITO SANTO, FILHOS DE DEUS, IRMÃOS DE JESUS, FILHOS DA VIRGEM MARIA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,19-21)(25/9/18).

Caríssimos, seguir a Cristo implica ter um coração semelhante ao de Cristo, pois Ele mesmo disse: "Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas." Ora, nenhum coração se assemelha mais ao Coração de Jesus do que o coração Imaculado de sua santa Mãe, que por vontade de Deus, gerou Seu Divino Coração que ora bate eternamente em Seu peito.

Com efeito, no Evangelho de hoje ouvimos a revelação de que a família do Senhor nasce do poder da fé, como bem nos ensinou São João: "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus."

Assim, entendemos que para pertencer à santa família do Senhor, é preciso viver a mesma obediência que Ele viveu, como atesta essa passagem da primeira carta de São João: "Aquele que afirma permanecer em Cristo, deve também viver como ele viveu." E também Jesus nos atesta isso: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou."

Portanto, na história do Novo Testamento, quem primeiro conheceu os desígnios de Deus para a nossa salvação, foi a Virgem Maria, que pela anunciação do anjo Gabriel, gerou o Filho de Deus em seu santo ventre; e foi ela também que o nomeou e pronunciou pela primeira vez o Santíssimo Nome de Jesus; o nome, como disse São Paulo, acima de todo nome: "Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

PERCORRENDO COM CRISTO O CAMINHO DA SANTIDADE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,16-18)(24/9/18).

Caríssimos, felizes são aqueles que têm o seu coração em Deus e cumprem fielmente os seus mandamentos, por isso, não se dispersam e nem se dão aos pensamentos vãos, desordenados e estranhos à vivência da fé, pelo contrário, vivem a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, formando o Corpo de Cristo, isto é, a Igreja.

Ora, isso quer dizer que por meio do batismo Deus nos deu a graça de sermos seus filhos adotivos no Seu Filho, Jesus Cristo; bem como escreveu São Paulo: "O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados."

No salmo de hoje o salmista indaga: "Senhor, quem morará em vossa casa e em vosso templo santo habitará?" E logo ele mesmo responde: "É aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; que pensa a verdade no seu íntimo e não solta em calúnias sua língua." De fato, nossas obras revela quem somos e com quem caminhamos para a eternidade. Assim, seguir a Cristo é ser um só com Ele em todo o nosso viver (cf. Gl 2,19-20).

Portanto, fazer a vontade de Deus é o único objetivo de nossa vida, como nos ensinou o Senhor: "Sede santos, assim como vosso Pai celeste é Santo." Ou seja, a santidade não é um privilégio de poucos, mas um dom de Deus para todos. Porém, para chegarmos à ela, precisamos percorrer o caminho que Jesus nos chama à percorrer com Ele; de fato, sabemos que o caminho é estreito e apertada é a porta, mas também sabemos que todos os que o seguiram, hoje vivem a felicidade eterna na glória do Seu Reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 23 de setembro de 2018

QUEM QUISER SER O PRIMEIRO, SEJA O SERVO DE TODOS...


Homilia do 25°Dom do tempo comum (Mc 9,30-37)(23/9/18).

Caríssimos, nas atuais circunstâncias, este mundo é um abismo profundo de perdição em ebulição, prestes à explodir. Falando à esse respeito, assim escreveu São Paulo: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!"

Caríssimos, por que me refiro a isso? Porque é essa a atual realidade cruel que estamos enfrentando, por isso, precisamos urgentemente usar as armas certas nesta luta espiritual que travamos. Com efeito, para vencer essa guerra é preciso manter o nosso encontro permanente com o Senhor, participando da Santa Missa, e comungando em estado de graça o Seu Corpo e Sangue, alimento espiritual que nos faz viver Nele.

Segundo, meditar com a Sagrada Escritura, em especial a liturgia diária, porque nela Deus nos fala diretamente; terceiro, rezar o santo terço diariamente, porque nele encontramos Maria Santíssima e meditamos com ela os mistérios da nossa salvação; quarto, confessar-se sempre que cometer faltas graves ou mesmo leves, sabendo que a confissão é o encontro sacramental com o perdão que Deus nos dá por sua Divina Misericórdia. Por fim, "orar sem cessar" e se possível jejuar e fazer penitência em reparação pelos pecados cometidos neste mundo.

Caríssimos, todo tempo que temos é tempo de Deus, por isso, precisamos dá a Deus o nosso tempo que é Dele, pois se não o fizermos estaremos desperdiçando com coisas e vãs preocupações esse dom tão precioso de Deus em nossa vida.

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que a prática da fé requer o auxílio da humildade e da inocência no serviço que à Ele prestamos para o bem das almas que assistimos. Servir aos irmãos humildemente é servir ao Senhor prontamente, acolher os pequeninos é acolher o Senhor na inocência deles, pois, quem quiser ser o maior, disse o Senhor, seja o servo de todos, seja o último.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 22 de setembro de 2018

O SEMEADOR SAIU À SEMEAR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,4-15)(22/9/18).

Amados filhos e filhas de Deus, as Parábolas de Jesus são ensinamentos advindos do Pai pelos quais Ele semeia as Palavras de vida eterna; ouví-lo atentamente é deixar cair essas sementes no solo fecundo de nossas almas, para que germinando pela ação do Espírito Santo, produza frutos, cem por um.

Com efeito, sempre queremos entender o que nos é dito e para isto temos a razão; todavia quando esta é desprovida da graça já não nos basta, pois o único entendimento capaz de adubar o terreno infértil de nossa vida, é o profundo entendimento da fé, dom do Espírito Santo, que transpõe a nossa natureza com a clareza de Sua Divina Sabedoria.

As sementes da Palavra de Deus é a própria vontade de Deus, por isso, precisamos aguçar os ouvidos de nossa fé, para recebê-la na terra fertilizada do nosso coração e assim brotar os frutos da salvação para permanecermos nos celeiros do Senhor, como bem nos ensinou São Paulo: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor... Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar."

Caríssimos, para vivermos a Parábola contada hoje por Jesus, temos que nos libertar da interioridade aparente, do entusiasmo superficial e das preocupações sufocantes, atitudes representadas pelos três primeiros terrenos, para assim nos revestir da sabedoria da fé que confirma o nosso viver em Deus. Pois, se pensarmos bem, esta Parábola é como o espelho de nossas almas, ela reflete o nosso estado interior, isto é, aquilo que vivemos ou não da Palavra de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

COMO DEVEMOS LER OS ACONTECIMENTOS DA?


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,9-13)(21/9/18).

Caríssimos, como alguém que está se afogando, e por si mesmo não consegue chegar à terra firme para respirar livremente sem perigo algum, assim somos nós quando vivemos mergulhados no mar revolto de nossos pecados, nada podemos por nós mesmos. Por isso, precisamos urgentemente de um salva vidas, o qual nos poderá salvar do abismo onde caímos.

Assim age o Senhor conosco, nos salva do abismo da perdição eterna para vivermos em estado de graça permanente e com Ele seguirmos fielmente o caminho do Reino de Deus. Com efeto, no Evangelho de hoje, São Mateus encontrou nas Palavras de Jesus, o socorro que precisava para seguí-lo fielmente sem jamais deixar de fazê-lo; ora, e é por isso, que hoje nos deliciamos com o Santo Evangelho que ele escreveu por obediência e amor a Deus.

Trocou a riqueza material pela pela riqueza da fé: "Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!" Abandonou o mundo para viver em profunda comunhão com o Senhor: "Eis que deixamos tudo para ti seguir." (Mt 19,27b). Deu o mais rápido e preciso exemplo de conversão que encontramos na história da fé, narrado por ele mesmo: "Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus."

Portanto, caríssimos, muita atenção, para não nos comportarmos como aqueles que leem os acontecimentos da vida apenas externamente como pretexto para criticar; aprendamos com o Senhor à ler tais acontecimentos a partir dos valores eternos que Ele nos ensinou: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Paz e Bem!

 Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A QUEM MUITO AMOU, MUITO SE PERDOOU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,36-50)(20/9/18).

Caríssimos, Deus se faz sempre presente nas situações da vida, os homens é que não percebem isso por falta de discernimento e de compromisso para com Ele; às vezes, até o convidam para entrar em suas vidas, mas não o recebem devidamente, por isso, tendem a culpá-lo pelos próprios erros, e com isso não o amam nem se deixam amar. E o resultado é esse trágico confronto entre homens e homens por não viverem na sua presença.

Com efeito, Deus se faz presente visívelmente no meio de nós pela Santa Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor, Sacrifício de amor, Pão da vida eterna; Ele também se faz presente por Sua Divina Palavra proclamada e escutada diretamente por todos nós; se faz presente também em nossa oração, basta silenciar em nossa mente tudo o que não é a sua vontade, e com a devida atenção escutá-lo espiritualmente, pois a Verdade nos fala sempre.

Mas, como receber o Senhor e permanecer na sua presença? Caríssimos, a humildade de São Paulo na primeira leitura nos ensina isso, visto que ele se pôs no último lugar ao anunciar o mesmo Evangelho que os outros apóstolos anunciavam. Aliás, em outra passagem ele também deu seu testemunho à esse respeito: "Irmãos também eu, quando fui ter convosco, não fui com o prestígio da eloqüência nem da sabedoria anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado."

No Evangelho de hoje ouvimos a narração do convite que Simão fez a Jesus pra cear em sua casa. Ora, Deus nos escuta por nossas atitudes, pois elas revelam nossas intenções e o que somos e temos em nossos corações. A meretriz que muito devia a Deus, por causa de seus pecados, o amou muito mais por seu arrependimento e humildade, e por isso foi perdoada; Simão, mesmo se tendo por justo, não agiu como tal, e o resultado foi a revelação de que, de fato, pouco amava Deus.

Caríssimos, quando o nosso coração está cheio de falsos julgamentos e de nós mesmos, não existe nele espaço para a presença de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

JULGAMENTO & DISCERNIMENTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,31-35)(19/9/18).

Caríssimos, nenhum ser humano terá verdadeiro discernimento se não se dispojar do julgamento de valor. Ora, uma das maiores tentações que sofremos é a de julgar e condenar os outros, e em seguida divulgar isso pelos mais diversos meios de comunicação. Normalmente quem age assim, projeta nos outros os próprios pecados, por isso, não se sustenta por causa da incoerência com que se porta na vida.

Com efeito, em sua Carta, São Tiago, nos exorta sobre o perigo do mau uso da língua: "Meus irmãos, a língua está entre os nossos membros e contamina todo o corpo; e sendo inflamada pelo inferno, incendeia o curso da nossa vida." Portanto, "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Porque haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento."

Caríssimos, Jesus é a Palavra Eterna do Pai. Ele nos ensinou que as palavras não são só palavras, mas sim um conteúdo espiritual que nasce de alguma fonte e chega à nossa mente, desse modo, quando aceitamos e dicidimos, ele gera as atitudes que externamos. Por isso, disse: "O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado."

Caríssimos, quando se fala de discernimento e juízo de valor, trata-se de ver claramente qual a vontade de Deus e vivê-la, isto significa que jamais seremos coniventes com qualquer expressão incoerente contra os filhos e filhas de Deus. Portanto, o verdadeiro discernimento nasce em nosso coração quando não julgamos nem condenamos ninguém, mas os olhamos com o mesmo olhar de misericórdia com que Deus nos olha. Todavia, quando preciso for emitiremos o devido julgamento como discernimento do que seja trigo ou joio, cuidando de tirar primeiro a trave do próprio olho, para não cairmos no pecado da hipocrisia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

SER IGREJA É SER EXPRESSÃO DA PRESENÇA DE DEUS NA VIDA UNS DOS OUTROS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,11-17)(18/9/18).

Caríssimos, nenhuma pessoa batizada pode pronunciar o nome Igreja sem que ela mesma seja Igreja; mas, que tipo de Igreja? Aquela que é santa por ser o Corpo Místico de Cristo, ou aquela que os incrédulos abandonaram e agora a criticam porque não estavam vivendo a santidade de Cristo pela devida obediência?

Por outro lado, também não podem ser chamados de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz, e não testemunham Jesus como a Igreja o testemunha; isto porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus, e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação da humanidade.

Caríssimos, tudo na vida de Jesus é revelação da vontade do Pai; assim, suas palavras, seus gestos, seus milagres, seu modo de ser, tudo nos leva a crê, porque é expressão de quem Deus é, o que Ele nos diz e o que faz para sermos felizes, porque nos ama incondicionalmente. Ora, mas tão incondicionalmente que nos deu o Seu único Filho para sermos salvos por sua imolação na cruz.

No Evangelho de hoje, Jesus expressa sua compaixão por uma viúva que havia perdido o único filho; e diante de seus discípulos e da grande multidão que prestava solidariedade àquela mãe desolada, ele ressuscitou seu filho dos mortos, revelando a misericórdia do Pai presente nos valores eternos exercitados em meio as dores desta vida.

Assim, para todos aqueles e para nós que ainda estamos aqui, o seu gesto de solidariedade e de misericórdia, é o que precisamos para entender que o nosso viver só tem sentido quando somos expressões nítidas da presença de Deus na vida uns dos outros.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRÊ."


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,1-10)(17/9/18).

Irmãos e irmãs, "tudo é possível ao que crê," disse Jesus, desse modo, compreendemos que não existem barreiras que impeçam a ação poderosa da fé, porque a fé remove montanhas existenciais e todos os outros obstáculos que se apresentam como impedimento contra as suas ações.

Com efeito, crer é muito mais que fazer qualquer afirmação credente ou manifestação exterior de piedade; porque crer é experimentar o poder da fé mediante a ação direta do Espírito Santo, confirmando todas as graças necessárias para sanar as nossas enfermidades psíquicas, físicas, morais e espirituais.

No Evangelho de hoje, encontramos um oficial romano que demonstra a fé em Jesus por sua atitude de humildade e suas obras de caridade, como reza o texto: “O oficial merece que lhe faças este favor, porque ele estima o nosso povo. Ele até nos construiu uma sinagoga”. Diferentemente de muitos que querem receber as graças do Senhor, mas sem nenhuma atitude de humildade e de fé que as alcance.

Portanto, nossa fé em Cristo é uma iluminação do Espírito Santo de Deus, que nos faz conhecer as graças sobre nós derramadas para darmos um verdadeiro testemunho de como acreditamos, bem como ouvimos do oficial: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres em minha casa. Nem mesmo me achei digno de ir pessoalmente a teu encontro. Mas ordena com a tua palavra, e o meu empregado ficará curado."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 16 de setembro de 2018

EMBORA ESSA PORTA SEJA ESTREITA É POR ELA QUE ENTRAMOS NA VIDA ETERNA...


Homilia do 24°Dom do tempo comum (Mc 8,27-35)(16/9/18).

Caríssimos, na Carta aos Hebreus existe uma recomendação para mantermos os olhos fixos no Senhor, pois nele está a perfeita razão espiritual de nossa fé, vejamos: "Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo."

Por isso, nunca se ponha na vida querendo salvar a própria vida, porque se assim se puser, vai perdê-la; mas se perdê-la por amor ao Senhor e ao Seu Santo Evangelho, a terá eternamente, como Ele mesmo ensinou: "Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á."

Ora, a vida presente foi nos dada em função da vida eterna, é esse o verdadeiro sentido de nosso viver nesse mundo; Jesus no Evangelho de hoje nos chama a identificá-lo, como o fez com os Apóstolos, mas identificá-lo tem o mesmo sentido de aceitar o seu e o nosso martírio por amor ao Pai, por isso, de nada adianta identificá-lo e querer seguir por outro caminho fora da vontade do Pai, que nesse caso é amá-lo incondicionalmente, isto é, abandonar-se inteiramente em suas mãos, como o fez Jesus e também nossa Senhora e todos os santos.

Portanto, não existe outro caminho para se chegar ao céu fora da cruz de Jesus; qualquer outra vereda ou atalho é desvio de rota que nos leva a lugar nenhum. Por isso, "a nossa proteção está no nome do Senhor que fez o céu e a terra," porque se assim nos entregarmos a Ele, nada temos à temer, pois embora essa porta seja estreita, é por ela que entramos na vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 15 de setembro de 2018

DE PÉ, A MÃE DOLOROSA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-27)(15/9/18).

Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Mãe dolorosa, que se encontra aos pés da cruz do seu Filho, Jesus, para oferecê-lo ao Pai em expiação dos nossos pecados. Desse modo, Maria sofreu com seu Filho as dores de seu martírio para que assim se consumasse o desígnio do Pai, "reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra." De fato, fomos redimidos pelo único sacrifício capaz de expiar os nossos pecados e de vencer o maligno para sempre.

Com efeito, Maria se encontra dentro do grande mistério do seu Filho, por isso, não tem como pensar a redenção sem essa união entre mãe e Filho, e entre Filho e mãe. Assim, as dores de Cristo são as dores de sua mãe, o amor de Cristo é também o amor de sua mãe; pois não existe divisão em quem o Espírito Santo uniu com a Sua Divina Perfeição. Somente assim entendemos que Deus se fez humano em tudo, menos no pecado, porque é Deus e em Deus não existe pecado.

Vejamos, então, a aceitação do sofrimento humano do Senhor: "Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido por causa de sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se a causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem."

Portanto, celebrar a memória das dores de Nossa Senhora na hora do martírio do seu Filho, Jesus Cristo, é celebrar também a sua aceitação da vontade do Pai mesmo sem entender à princípio o porquê, mas apenas sofrer com Ele as dores do nosso resgate; pois a via dolorosa de Cristo e de Sua mãe é o preço pago pela nossa redenção, por isso, o Sangue de Cristo tem todo poder sobre o céu e sobre a terra.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,13-17)(14/9/18).

Caríssimos, a vida neste mundo é só um sopro, todavia, quando a vivemos como vontade de Deus, ela é eterna porque Deus nos criou para a eternidade. Porém, para chegarmos a esse Seu desígnio, é preciso atravessar o deserto deste mundo carregando a nossa cruz de cada dia. O povo de Deus para chegar à terra prometida fez o trajeto do deserto, mas, não sozinho, pois o Senhor o conduziu.

Também em nossa travessia não estamos sozinhos, Jesus mesmo se fez o caminho por onde chegamos ao céu, à morada do Pai. Ora, mas, para nos dar à bonança da vida eterna e nos livrar do inferno, o Filho de Deus sofreu as piores humilhações, calúnias, torturas, psicológicas e físicas; enfim, sofreu a mais cruel das mortes, ser pendurado numa cruz "como escória da humanidade, homem das dores, diante do qual cobrimos o rosto."

Com efeito, só conhece o peso da cruz de Jesus quem o acompanha em seu sofrimento, à exemplo de São Paulo, que disse: "Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Col 1, 24). De fato, a cruz sempre foi vista como um instrumento de tortura e de morte, mas depois que o Filho de Deus nela morreu e ressuscitou, a cruz passou a ser o símbolo da nossa redenção; da vitória de Cristo sobre o pecado, a morte e o inferno.

Portanto, celebremos com toda a Igreja a Festa da Exaltação da Santa Cruz, pela qual o Senhor nos salvou, rezemos, então, com amor e piedade a oração inicial da Santa Missa de hoje: "Ó Deus, que para salvar a todos dispusestes que o vosso Filho morresse na cruz, a nós, que conhecemos na terra este mistério, dai-nos colher no céu os frutos da redenção. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

SEGUIR JESUS É FAZER A VONTADE DO PAI...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,27-38)(13/9/18).

Caríssimos, vivemos em meio aos mais diversos tipos de relacionamentos e ninguém vive sem eles; porém ou no mais das vezes, nos esquecemos do mais importante de todos, nosso relacionamento filial com Deus, porque é dele que depende o nosso bem estar no mundo e entre nós. Relacionar-se filialmente com Deus significa viver em comunhão com Ele por meio da oração e da obediência aos Seus Santos Mandamentos e aos ensinamentos de Jesus.

Com efeito, em meio à tantos relacionamentos somos tentados das mais diversas formas, em especial pelo julgamento condenatório dos outros e até de nós mesmos, como que nos esquecendo que somos irmãos e que precisamos viver em paz entre nós. Somos também tentados pelo apego às coisas e pessoas de tal forma, que elas se tornam idolatradas causando terríveis transtornos naqueles que as cultuam.

Ora, num mundo em que os homens multiplicam os ídolos não existe espaço para Deus em seus corações, isto porque toda forma de idolatria é caminho tortuoso que leva a lugar algum. De fato, é por isso que esse mundo está perdido, sem rumo, e o pior de tudo, sem jeito, fadado ao desespero, ao caos total.

No Evangelho de hoje Jesus nos ensina que amar o próximo como a si mesmo, requer o não julgamento e ao mesmo tempo o perdão para que haja a graça que nos liberta de todos os apegos e de todo mal que possa existir.

Portanto, seguir Jesus é fazer a vontade do Pai, é tornar-se um só com Ele, é ter dele a certeza da vida eterna. Numa alma em que Cristo ocupa o primeiro lugar, não existe espaço para os apegos, os ídolos ou as fantasias, sejam elas antigas ou modernas; porque para a alma que vive em Deus tudo nela revela as graças incomensuráveis que só Ele pode nos dar.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

AS BEM-AVENTURANÇAS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,20-26)(1/9/18).

Caríssimos, as bem-aventuranças são o itinerário de perfeição traçado por Deus em Seu desígnio de amor para todos os seus filhos e filhas humanos; e olha que o Filho de Deus para nos libertar sofreu as mais terríveis torturas que lhe impuseram os seus perseguidores, bem como meditamos na Carta aos Hebreus: "Irmãos... Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo."

De fato, as bem-aventuranças que nos levam à santidade é via de perfeição, mas em meio às provações que passamos. Talvez até nem compreendamos o porque sofremos uma vez que Deus nos criou para sermos felizes. Tadavia se não existisse o pecado e seu resultado imediato, certamente nada teríamos à sofrer. Mas, e quando vivemos em em estado de graça, porquê será que sofremos injúrias, calúnias, maus tratos, etc.? Porque seguir Jesus é carregar com Ele a nossa cruz de cada dia, como Ele mesmo disse que seríamos perseguidos por causa de seu nome (cf. Mt 10,22).

Caríssimos, na verdade ninguém em sã consciência quer sofrer, o sofrimento é algo que sempre procuramos evitar, mas ninguém consegue, é inevitável, pois ele se encontra em todas as fases do viver, em todas as criaturas; aliás, nem o Filho de Deus escapou dele. Porém, quando damos ao sofrimento o mesmo sentido que Cristo deu, aí o padecemos como mérito salvífico e desse modo nos unimos a Cristo em obediência a Deus Pai para amá-lo de todo coração na certeza que é Ele que sofre conosco para nos livrar definitivamente de todo o mal.

Por outro lado existem os sofrimentos advindos dos nossos pecados, esses são terríveis, porque somos nós mesmos que os causamos deixando que o mal entre em nossa vida, isto porque o pecado é a porta por onde o mal entra nas almas. Não existe nada pior do que ser escravo do maligno. Com efeito, quando Jesus diz no Evangelho de hoje: "Ai de vós..." Ele nos dá a conhecer qual é o resultado do pecado cometido e qual é o fim daqueles que permanecem nele. A única saída do sofrimento causado pelo próprio pecado é o arrependimento sincero, a confissão e a absolvição sacramental, a reparação e o firme propósito de nunca mais pecar.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O SERVIÇO A DEUS É UM CHAMADO E UMA RESPOSTA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,12-19)(11/9/18).

Amados irmãos e irmãs, o estado de graça permanente é o que faz São Paulo nos chamar de santos, como vimos na primeira leitura de hoje onde ele repreende os Coríntios sobre o julgamento das querelas entre os fiéis da comunidade, dizendo: "Irmãos, quando um de vós tem uma questão com um outro, como se atreve a entrar na justiça perante os injustos, em vez de recorrer aos santos? Será que ignorais que os santos julgarão o mundo? Ora, se o mundo está sujeito a vosso julgamento, seríeis acaso indignos de deliberar e julgar sobre questões tão insignificantes?"

Ora, mas o que é mesmo esse estado de graça permanente? É a comunhão com a vontade de Deus, que nos faz banir da nossa prática de vida todo tipo de pecado. Em sua Carta aos Efésios, São Paulo nos exorta à esse respeito, diz ele: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor. Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos."

Caríssimos, todas as expressões de Jesus narradas nos santos Evangelhos, são perfeitas formas de evangelização, corresponde à linguagem do Espírito Santo com a qual o Senhor nos comunica tudo o que precisamos para darmos o testemunho de nossa salvação. Assim, vimos que no Evangelho de hoje, Jesus passou a noite toda em oração ao Pai, para em seguida fazer a escolha dos discípulos que haveriam de acompanhá-lo durante toda a sua missão.

Com efeito, dentre tantos discípulos que o acompanhava, o Senhor escolheu doze para comporem seu ministério apostólico, para administrarem as graças derramadas sobre as almas à serem salvas. Com isso, entendemos que o ministério que exercemos é uma escolha pessoal do Senhor que requer de nós fidelidade à toda prova. Porque, de fato, somos escolhidos por Deus, para termos a mesma postura de Cristo, viver em obediência até as últimas consequências, isto é, dar a própria vida, mas com a sua total proteção.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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