VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 19 de agosto de 2018

SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS...


Homilia da Solenidade da Assunção de N.Senhora (Lc 1,39-56)(19/8/18).

A Solenidade da Assunção de Nossa Senhora não é apenas uma homenagem que a Igreja dedica à Mãe de Deus, mas uma solene proclamação dos seus louvores por tudo o que Deus realizou em sua vida e por meio de sua vida no cumprimento de Sua vontade, como a Virgem mesmo cantou no seu canto magníficat: "O Senhor fez em mim maravilhas e Santo é o Seu Nome."

Caríssimos, irmãos e irmãs, a grandeza de Maria advém de sua escolha para ser a Mãe de Deus, pois somente Deus pode fazer acontecer por seu desígnio esse grande mistério de amor, torna-se humano sem deixar de ser Deus, no seio daquela que o gerou. Assim, celebrar a sua Assunção de Nossa Senhora ao céu é glorificar à Deus que trouxe o céu ao seu seio divinal, pela gestação de seu Filho Jesus Cristo por obra e graça do Espírito Santo.

Com efeito, isso demonstra que Deus tudo pode e nenhuma criatura sua poderá jamais se interpor ou agir contra os seus desígnios de amor para conosco sem ter Dele a resposta conforme o Seu Poder. São Paulo, na Carta aos Romanos, escreveu: "Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos. Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém."

Ó Santíssima Mãe de Deus, assunta ao céu em corpo e alma, rogai por nós que recorremos à vós! Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de agosto de 2018

O INOCENTE VENCE SEMPRE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 19,13-15)(18/8/18).

Eis o que hoje nos ensina o Senhor; sermos como crianças com todos os atributos de sua condição, isto é, inocentes, puros, sem interesses mesquinhos, totalmente dependentes de suas graças. Porque viver essa dimensão é experimentar o devir celeste como as crianças o experimentam em sua inocência.

Com efeito, ser como criança é amar a Deus inocentemente e ter a percepção de quanto somos por Ele amados; é viver a nossa naturalidade em obediência e santidade todo o tempo que Dele recebemos. Talvez até possamos duvidar disso, mas se o amarmos como uma criança o ama, jamais duvidaremos, porque é isso o que nos faz felizes.

Na primeira leitura de hoje, vimos que a única atitude que tira a nossa inocência, é a atitude pecaminosa, porque nos tira da comunhão com o Senhor. Todo pecado é uma ofensa a Deus, é o não amá-lo; por isso, toda ofensa ao Senhor nos leva à perca da liberdade, visto que ser livre é amar a Deus, mantendo a inocência que Dele recebemos para vivermos na sua presença.

Caríssimos, a culpa existe para nos dizer que perdemos uma das graças mais preciosas que de Deus recebemos para permanecemos em plena comunhão com a sua vontade e mantermos a nossa liberdade, a virtude da inocência. Ora, e só é possível recuperá-la pelo arrependendimento sincero e o firme propósito de nunca mais pecar, pois, conforme as graças que nos são dadas, não precisamos do pecado para nada.

De fato, todo inocente é invencível, porque nada e ninguém poderá vencê-lo, mesmo que o suspendam numa cruz; vemos isto no sacrifício de Cristo. Portanto, eis o que diz o Senhor: "Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A VOCAÇÃO MATRIMONIAL...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 19,3-12)(17/8/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, na liturgia de hoje Jesus nos ensina quais as vocações às quais Deus chama seus filhos e filhas para realizarem neste mundo a sua vontade à caminho do Reino dos Céus. A primeira delas é a vocação matrimonial, isto é, a formação da família e sua unidade, pois ela é geradora da vida e das outras vocações.

Ora, como disse o Senhor, a vocação matrimonial é fruto do amor esposal entre um homem e uma mulher, chamados à formar uma nova família e manter a unidade desse vínculo sustentados pela graça de Deus que os une por sua benção e seu amor. Questionado sobre isto, Jesus respondeu aos seus interlocutores: "O que Deus uniu, o homem não separe”. Ou seja, a obra de Deus se firma em Deus pela correspondência à sua benção que a sustenta e mantém.

De fato, a nossa existência no mundo requer um sentido profundo para nos sentirmos realizados como filhos e filhas de Deus, conscientes dos direitos e deveres à serem exercidos e cumpridos para o bem e a felicidade de todos. Todavia, é preciso lembrar que o que fundamenta a vida e a família humana é a nossa filiação divina, pois somos a família de Deus, com todas as virtudes eternas que dele recebemos para vivermos como seus filhos e filhas neste mundo.

Caríssimos, Deus nos criou "à sua imagem e semelhança," para sermos santos como Ele é Santo; com isso, entendemos que as vocações são meios de santificação por excelência de nossa existência. Portanto, peçamos ao Senhor o discernimento para termos a certeza de nossa vocação, para que assim por meio dela, santifiquemos nossas almas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR AOS MEUS IRMÃOS?


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-19,1)(16/8/18).

Caríssimos, o amor com que somos amados por Deus é incomparável; e nada nem ninguém jamais poderá superá-lo. De fato, somos obras de suas mãos, criados em seu Filho, Jesus Cristo, e por Ele adotados como filhos para o louvor de sua glória. É bem como escreveu São Paulo: "Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele."

E continua Paulo: "Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência."

Com efeito, como vimos no Evangelho de hoje, a nossa redenção se dá por meio da remissão dos pecados, isto é, pelo perdão que recebemos e damos, pois, como disse o Senhor: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará." (Mt 6,14-15). Ou seja, o perdão é condição para a nossa salvação: "Perdoai, e sereis perdoados." (Lc 6,37).

Conclusão: A prova de que Deus nos ama é a presença visível de Seu Filho no mundo nos dando conhecer quem Ele é, e como demonstra o seu amor perdoando os nossos pecados. Vejamos: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna." Portanto, amar é perdoar sempre sem jamais deixar de fazê-lo. Porque, "Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus nele."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A CORREÇÃO FRATERNA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,15-20)(15/8/18).

Caríssimos, a paz interior é fruto da graça santificante, da comunhão com o Senhor e entre nós seus filhos e filhas; mas nem sempre encontramos em nosso meio alguém sempre disposto à cultivá-la, isso é, vivê-la sem nunca deixar de fazê-lo. À estes exorta São Paulo: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus."

Porque, de fato, é preciso levarmos em conta que a eternidade que temos pela frente, nós a estamos vivendo desde já; por isso, no Evangelho de hoje, Jesus nos ensina a correção fraterna como meio mais eficaz para conservarmos a unidade e a paz, pois sem unidade não existe paz alguma entre nós. É bem como meditamos na Carta aos Hebreus: "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor."

Mas, o que é mesmo a correção fraterna de que nos falou o Senhor? Vejamos: "Irmãos, se alguém for surpreendido numa falta, vós, que sois animados pelo Espírito, admoestai-o em espírito de mansidão. E tem cuidado de ti mesmo, para que não caias também em tentação! Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a lei de Cristo. Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo."

Portanto, caríssimos, não somos fiscais uns dos outros, mas sim, irmãos que professam a mesma fé, por isso, devemos nos respeitar mutuamente, compreender e perdoar, evitando todo tipo malidecência ou palavras que causem transtorno ou desentendimento, pois o céu é a morada daqueles que promovem a paz, como disse o Senhor: “Bem aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

MÁRTIRE DA CARIDADE - SÃO MAXIMILIANO MARIA KOLBE


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,1-5.10.12-14)(14/8/18).

A vida de um mártir e seu martírio é uma expressão genuína do seu amor à Deus à cima de todas as coisas. Dar a vida pela fé significa viver a dimensão da entrega total ao Senhor para ser santo como Ele é Santo. Com efeito, na sua Carta aos Efésios, São Paulo nos exorta o seguinte: "Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e sacrifício de agradável odor." Ora, isso significa dizer que somos obras das mãos de Deus e que, por isso mesmo, devemos viver para Ele em justiça e santidade todos os dias de nossa vida, em conformidade com a sua vontade eterna.

Hoje a Igreja e nós franciscanos do mundo inteiro e em especial a nossa Província, celebramos o glorioso martírio de São Maximiliano Maria Kolbe, lembrando-nos que ele deu sua vida por um pai de família na segunda Guerra mundial, ocupando o seu lugar no bunker da fome, para que este voltasse ao seio de sua família.

Caríssimos, Deus é o Senhor de tudo e conhece todas as coisas, por isso, um martírio como esse é o triúnfo do seu plano de amor para a nossa salvação. Pois não é algo planejado, mas acontecido como sinal de sua presença na vida de todos nós que sofremos em meio às contradições deste mundo. De fato, mesmo que tudo pareça perdido, o Senhor se mostra em meio à essa nossa aparente derrota para nos fazer triunfar com Ele por sua morte e ressurreição.

Por fim, meditemos com as palavras de nosso grande mártir São Maximiliano Maria Kolbe, também conhecido pela célebre frase de São João Paulo II: "O santo desse nosso século difícil. "Só Deus é infinito, sapientíssimo, santíssimo e clementíssimo, Senhor, Criador e Pai nosso, princípio e fim, sabedoria, poder e amor; tudo isso é Deus. Tudo que não seja Deus só vale enquanto se refere a ele, Criador de tudo e Redentor dos homens, último fim de toda a criação. Tudo isso conseguiremos mais facilmente pela Virgem Imaculada, a quem a bondade de Deus confiou os tesouros da sua misericórdia. Pois não há dúvida que a vontade de Maria seja para nós a própria vontade de Deus."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de agosto de 2018

"EU SOU O PÃO VIVO DESCIDO DO CÉU"...


Homilia do 19°Dom do tempo comum (Jo 6,41-51)(12/8/18).

A vida divina que recebemos na Eucaristia é um dos maiores atos de amor de Cristo por nós, pois, é como ele mesmo disse: "Eu sou o pão da vida: quem dele comer, nunca morrerá." Ora, só recebe essa graça verdadeiramente aqueles que ouvem o Pai para viverem a vida nova em Seu Filho, Cristo Jesus, pois é pela fé que fomos gerados no seio da Igreja para a vida que não tem fim.

Por esse motivo, escutemos o que o Senhor diz: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o atrai. E eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: ‘Todos serão discípulos de Deus’. Ora, todo aquele que escutou o Pai, e por ele foi instruído, vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai. Só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. Em verdade, em verdade vos digo, quem crê, possui a vida eterna." Ora, essa fé é dom do Espírito Santo, e todo aquele que a tem, a tem por graça para viver estado de graça, isto é, em perfeita comunhão com a vontade de Deus.

Com efeito, caríssimos, ao revela-se como "o pão descido do céu," Jesus se dá à conhecer como sendo o verdadeiro alimento que a humanidade precisa para ter a vida eterna. Assim como o pão natural nos dá a vida natural; Jesus como "o Pão descido do céu," garante o céu à todo aquele que Dele se alimenta, porque o seu corpo é verdadeira comida e o seu sangue é verdadeira bebida espiritual, isto é, que alimenta espiritualmente a alma. Ora, somente o entendimento da fé poderá acolher a verdade tal qual ela é.

Portanto, caríssimos, muitos conviveram naturalmente com o Senhor naquele tempo, mas ao invés de acolhê-lo, fecharam-se em si mesmos e o rejeitaram, e não abraçando a fé, o mataram cruelmente, matando também à si mesmos. Por isso, cabe a nós vivermos a vida nova que nos foi dada no batismo, pois nele morremos com Cristo e com Cristo ressuscitamos, e por Ele somos alimentados com o Seu Pão de vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 11 de agosto de 2018

SANTA CLARA DE ASSIS


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 17,14-20)(11/8/18).

Caríssimos, Jesus no Evangelho de hoje nos ensina que a fé não tem medida porque é um dom do Espírito Santo e que por ela tudo alcançamos; todavia, essa mesma fé requer coerência e disciplina religiosa para atingir seu objetivo, por meio do jejum e da oração; em outras palavras, não é uma questão litúrgica, uma vez que os Apóstolos usaram o ritual, as palavras certas e a oração, mas, como disse o Senhor, lhes faltou a fé e sua autoridade, traduzidas em convicção plena.

Com efeito, vivemos num mundo  dominado pelos vícios e por todos os pecados que nos afastam de Deus, e por isso, lutamos no campo dominado pelo inimigo, onde ele sabe muito bem como nos derrotar; todavia, para não sermos presas de seus intentos, precisamos das armas espirituais que Jesus nos indicou, fé, jejum, oração e disciplina interior, para assim vencermos todas as batalhas. No entanto, fiquemos certos, o Senhor estará sempre conosco, só precisamos permanecer fiéis aos seus ensinamentos, pois a nossa fidelidade nos mantém em permanente comunhão com Ele.

Caríssimos, hoje nós franciscanos celebramos a Solenidade de Santo Clara, co-fundadora com São Francisco de nossa Ordem. De Santa Clara, podemos afirmar que realmente deixou tudo por amor a Cristo, e a Ele dedicou, como São Francisco, toda a sua vida para viver intensamente o Santo Evangelho como Regra de sua  consagração. Seu exemplo de oração, de fé e disciplina religiosa à põe entre as grandes santas da Igreja, por isso, sua vida e seus escritos são fontes de inspiração para tantas jovens que seguindo a sua via de perfeição consagram para sempre suas vidas ao Senhor.

Conclusão: O que mais chama a atenção na vida dos homens e mulheres que seguiram Cristo é o amor e o serviço que prestaram à Ele para a salvação eterna das almas. Pois a fé e os dons do Espírito Santo e todas as graças derramadas, são iguais para todos, a única diferença é a dedicação com que viveram sua consagração ao Senhor. Com isso, podemos afirmar sem dúvida alguma que Santa Clara e São Francisco de Assis, são e continuarão sendo modelos perfeitos de fé e de entrega total a Deus, para todas as gerações.

Santa Clara e São Francisco, rogai por nós...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A PROFISSÃO DE FÉ DE PEDRO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 16,13-23)(09/8/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, o sacramento do batismo é a porta de entrada no mistério de nossa redenção; por ele, o Senhor nos faz participantes de sua Natureza divina, nos deu o dom do Espírito Santo e a participação na sua Igreja, Seu Corpo Místico e parte visível do Reino de Deus no mundo. Assim, o Senhor se une à nós pela Santa Eucaristia cada vez que celebramos o Santo Sacrifício, alimento dos seus filhos e filhas à caminho da plenitude da vida.

Com efeito, ao perdoar os nossos pecados e gravar a sua Lei em nossos corações, o Senhor nos confia os seus dons e a missão de anunciá-lo à todas as nações nesse trajeto que fazemos em sua via de santidade. Mas, atenção, para não caírmos na mesma tentação que caiu São Pedro ao receber do Senhor o poder de ligar e desligar em seu nome, pois Deus tem o seu plano; e Pedro já queria mudá-lo, pensando como os homens; por isso, o Senhor o repreendeu, dizendo: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!”

Caríssimos, o poder que nos é dado significa obediência, serviço, vontade de Deus, e não a nossa vontade, pois somos colaboradores na obra da Salvação e não seus protagonistas. Ora, agir como Pedro agiu à princípio, é o mesmo que perder o bom senso, é agir por impulso e não a partir da Sabedoria do Espírito Santo. Então, precisamos aprender à escutá-lo para não impor ao Senhor nosso modo de pensar; ainda bem que Jesus o corrigiu à tempo, caso contrário, Pedro perderia totalmente o rumo de sua missão.

Conclusão: Maria Santíssima bem nos ensinou como seguir fielmente o Seu Filho, Jesus Cristo: "Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." E ainda: "Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser." Portanto, sigamos o que nos diz o Senhor: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

UMA QUESTÃO DE FÉ E HUMILDADE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 15,21-28)(8/8/18).

A pureza da alma é revelada pela prática da fé, que é nata, e que potencializada pelo Espírito Santo, sempre busca a vontade de Deus para realizar o Seu plano de amor em vista de sua salvação eterna. Tadavia, a fé não é um dom isolado, mas está sempre acompanhada pelas demais virtudes, especialmente a virtude da humildade, como vimos na narração do Evangelho de hoje, em que uma mulher cananéia, isto é, que não fazia parte do povo de Deus, foi acolhida e atendida pelo Senhor por seu ato de fé e humildade.

Ora, esse episódio revela que a obra da criação está aberta e apta para a salvação de todos, pois é obra prima das mãos de Deus, que tudo criou e tudo governa por amor. Não entender isso é correr o risco de se viver como se Deus não existisse, e como se tudo que existe, fosse obra do acaso, que na verdade nada tem de acaso, mas sim de consequência, porque toda causa gera o seu devido efeito.

Caríssimos, se referindo a isso, assim disse, São Paulo, nos atos dos Apóstolos: "Porque é em Deus que temos a vida, o movimento e o ser... Ou seja, "é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas." Desse modo, cabe a nós acolhermos com fé incondicional, todas as graças que nos são concedidas por sua benevolência Suprema, especialmente o sacrifício do Seu Filho, expressão máxima de seu amor por nós.

Conclusão: Eis o que diz o Senhor: "Amei-te com amor eterno e te atraí com a misericórdia. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve. Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

JESUS CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 14,22-36)(07/8/18).

Caríssimos, estamos à caminho do desfeixo final da história humana, pois a plinitude dos tempos, anunciada com a primeira vinda de Cristo (cf. Gl 4,4), nos faz protagonistas dos acontecimentos preparatórios para a sua Parusia definitiva, isto é, sua vinda escatológica; todavia, o Senhor nos indicou precisamente os sinais dessa sua segunda vinda (cf. Mt 24), mas não uma data precisa, pois esta, como Ele mesmo disse, só o Pai conhece (cf. Mt 24,36). Contudo, precisamos nos preparar para esse grandioso dia do Senhor, que virá quando menos pensarmos (cf. Mt 24,42.44).

Com efeito, também São Pedro, na sua segunda carta, nos fala desse acontecimento escatológico: "Entretanto, virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz."

No Evangelho de hoje, Jesus nos faz caminhar com Pedro sobre as águas revoltas, pois fazendo uma analogia, o mar revolto é este mundo em que vivemos; Padro e os outros Apóstolos representa a humanidade na fragilidade de uma barca, isto é, da Igreja, que singra as tempestades desta vida rumo ao porto seguro do Reino de Deus, mas que tem em Jesus o eficaz comandante capaz de erguê-la quando esta vacila na fé.

Portanto, precisamos tocar o Senhor na Eucaristia com a nossa fé para sermos curados e nos sentirmos seguros por sua presença no meio de nós e dizermos como os Apóstolos: "Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!”

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

FESTA DA TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 9,2-10)(06/8/18).

Festa da Transfiguração do Senhor

Caríssimos, depois do pecado a situação da humanidade tornou-se frágil e insustentável de tal forma que pouco ou nada poderíamos fazer por nós mesmos. Todavia, ciente dessa nossa realidade o Senhor veio até nós para nos dá a conhecer que, assumindo nossa finitude, Ele nos faz participantes de sua natureza divina e do Grande Mistério que há de se revelar na plenitude dos tempos, o Reino de Deus e a sua Justiça.

Ter todo poder sobre o céu e sobre a terra e mesmo assim se deixar sacrificar numa cruz, como se não tivesse nenhum poder, demonstra verdadeiramente o amor com que Deus nos ama à ponto de dar seu Filho único em resgate para a nossa salvação. Por isso, a Transfiguração do Senhor é tão importante para a vivência da fé, porque ela é a garantia de que Deus está no comando mesmo quando aparentemente se mostra frágil como um de nós no patíbulo da cruz.

A Transfiguração do Senhor é o céu que se encontra com a terra, é uma visão antecipada do que seremos eternamente, é também a certeza de que Deus nos acompanha nessa trajetória até que cheguemos ao infinito do seu amor, seguindo o mesmo caminho de obediência seguido por Cristo. A princípio os Apóstolos não compreenderam o significado da palavra "ressuscitar dos mortos," como vimos no Evangelho de hoje, pois esta faz parte do vocabulário divino, e só depois da ressurreção do Senhor, é que compreenderam a grandeza da missão que de Deus receberam.

Conclusão: Antes de qualquer decisão tomada, seja esta baseada no amor de Deus, pois Ele nos criou por amor, e quando tudo parecia perdido por causa do pecado, nos resgatou pelo sacrifício de Seu Filho amado, a fim de que Nele tivéssemos a vida eterna. Portanto, sigamos fielmente o mesmo conselho que os Apóstolos ouviram no Monte Sagrado: "Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda minha afeição; escutai o que Ele diz."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

JESUS NA SINAGOGA DE NAZARÉ...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,54-58)(03/8/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, quando os homens substituem a fé pelo preconceito, extrapolam todos os níveis de tolerância e usam de ignorância para fazer valer sua intransigência e repúdio ao bem que vem de Deus. Foi assim no tempo dos profetas, no tempo de Jesus e dos Apóstolos e também em nosso tempo.

Sim, porque viver em conformidade com a vontade de Deus, significa rejeitar a mentalidade do mundo e daqueles que se acham donos do mundo e das leis que o regem. Não é atoa que mataram os profetas, Jesus, os Apóstolos e todos os mártires que deram a vida pelo Reino de Deus, porque estes jamais se submeteram à mentalidade dos cegos espirituais.

Aliás, são Tiago já o dizia: "Não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." E São Paulo, acrescenta: "Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade."

Caríssimos, o preconceito é um veneno espiritual que envenena a alma, levando-a à agredir os seus semelhantes como se a vida humana não fosse mais do que a visão preconceituosa de quem incide contra ela; realmente é mórbido o estado de alma dos preconceituosos, por isso, não vivem em paz, porque estão envenenados pelo preconceito que os destrói. "E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

A PARÁBOLA DOS PEIXES BONS E RUINS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,47-53)(02/8/18)

Caríssimos irmãos e irmãs, vivemos no Reino transitório dos homens, e nele nos encontramos em meio à uma dicotomia que divide e que massacra à muitos, porque se vêem como inimigos uns dos outros outros e não como irmãos que se amam. No entanto, nem tudo está perdido, pois, com a vinda de Cristo, Ele nos deu à conhecer e participar do Reino de Deus, como Ele mesmo disse: "O Reino de Deus já está no meio de vós."

De fato, a fé católica tem a mesma extensão do universo que seu nome traduz, pois a Igreja é o Corpo Místico do Senhor, do qual somos os seus membros. A rede divina que o Senhor lançou sobre a humanidade nos pescou à todos, mas nem todos creram Nele, e essa é a condição fundamental para ser peixe bom, recolhido em seu cesto no final de tudo. Todavia, essa Parábola analogia, mostra também que os peixes ruins não escaparão da ruína à que se destinaram.

Com efeito, mais que uma simples Parábola, essa estória contada por Jesus nos ensina sobre o fim escatológico da vida, pois o imenso mar da existência é o mesmo para todos, isto é, as graças de Deus são igualmente para todos, mas nem todos querem viver conforme a sua disciplina, e com isso, arruínam a própria vida se tornando como que peixes inúteis.

Conclusão: A Igreja é a escola de santidade na qual pelo batismo estamos matriculados; ela é, de fato, a parte visível do Reino de Deus neste mundo; é nela que nos dedicamos à vida eterna, por isso, assumir a condição de santidade que o Senhor nos oferece nela, é já participar da plenitude de sua Páscoa etena.

 Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

ABORTO NÃO...


ABORTO NÃO...

Aos Senhores(as) Ministros(as) do Supremo Tribunal Federal

Caríssimos, qualquer argumento que atenta contra vidas inocentes é falso. Por exemplo, o argumento de dizer que o aborto se justifica pelo fato de ser uma questão de saúde pública, porque muitas mulheres pobres morrem por causa dos abortos crandestinos, não se sustententa, pois, todo aborto provocado é assassinato de um ser inocente, por isso, tal argumento cruel é falso, porque é acobertamento de um crime.

Outro argumento comumente usado para justificar o aborto provocado é dizer que, aqueles que são contra a legalização do aborto o são por terem como pano de fundo os valores morais da religião; e como nem todos têm religião, então, quem a tem não pode se intrometer em tal decisão. Ora, mas o aborto provocado vai além da questão moral da religião, trata-se da ética da vida, da eliminação da existência humana, da crueldade contra um ser inocente que foi gerado e agora é eliminado legalmente sem nenhum chance de defesa.

Ainda um outro argumento é ter como exemplo a legalização do aborto nos países desenvolvidos e também nos países de orientação socialista ou comunista; ora, mas estes maus exemplos não justifica a eliminação da vida em nosso país, não somos um país submisso ao pensamento ou a orientação de tais países, porque somos um país livre e nesse sentido não devemos submeter nossas decisões às más decisões de outros países, pois todo exemplo mal é mal, e não pode e nem deve servir de argumento para se agir do mesmo modo.

Por fim, dentre outros argumentos ainda, se nomeia o direito da mulher abortar legalmente; ora, não chamem agressão e morte de direito, pois os direitos são iguais para todos, tanto para a mãe, quanto para o nascituro. Dizer que a mãe tem direito e o nascituro não tem, é condenar um ser humano à morrer sem nenhum direito de se defender; ora, não existe nada de justiça nisso, mas sim sacrifício maléfico, cruel e abominável. De fato, isso é inaceitável.

Portanto, quando o ser humano chega ao ponto de querer legalizar o aborto provocado, dizendo não ser crime, torna-se inimigo de si mesmo, pois criar leis para matar um outro ser humano só porque foi gerado e dizer que não é crime; tal atitude é uma aberração, é o cúmulo do absurdo, é a total falta de bom senso. E o pior é o uso indevido do poder judiciário para isso, pois não é sua função legislar, mas fiscalizar as leis criadas pelo legislativo; assim legislar sem ter tal atribuição é se intrometer e agir como se fosse legislador, ou seja, é um poder se impondo sobre o outro, e isso se chama intromissão indevida.

Com efeito, no Brasil já não se tem democracia como antes, e depois dessa decisão, já não mais existirá respeito algum entre os poderes, pois manda mais, quem se intrometer mais.

Senhores Juízes Supremo Tribunal Federal, não ajam com a mentalidade abominável daqueles que fizeram da morte sua Lei, mas como pessoas sensatas que veem a vida como um dom Supremo e não como um objeto que pode ser descartado legalmente. Pois a vida não termina com a morte natural, creiam nisso ou não; o fato é, que independente de crença, haverá um juízo final, e quem julgou, no dia eterno será julgado conforme os próprios atos, e também terá uma sentença definitiva, a partir das próprias decisões tomadas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O TESOURO E A PÉROLA PRECIOSA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,44-46)(01/8/18)

Caríssimos, não se sustenta na existência quem não bebe da Fonte da vida eterna, Cristo Jesus, pois Ele mesmo disse: "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba e do seu interior manarão rios de água viva." Porque quem não bebe da água viva que o Senhor nos dá, jamais saciará a sede de paz que sente na alma. Isto porque, a água turva deste mundo mergulha no abismo profundo aqueles que bebem das suas torrentes infernais. De fato, não pode viver em paz quem faz da doutrina do pecado sua fonte inebriante.

Ora, a vida que Deus nos deu e nos sustenta nela, é também o lugar de sua presença neste mundo, para sermos suas testemunhas fiéis junto àqueles que ainda não o conhecem. Dar testemunho da verdade e vivê-la plenamente é realizar a Sua vontade como Jesus nos ensinou, pois o Senhor foi enviado para nos libertar do pecado para sempre, nos fazendo viver em permanente comunhão de amor com Ele, autor de nossa salvação.

Na antífona da primeira leitura meditamos: "Velarei sobre as minhas ovelhas, diz o Senhor; chamarei um pastor que as conduza e serei o seu Deus (Ez 34,11.23s). Ora, essa ideia de continuidade e proteção que o Senhor nos dá, nos mostra que estamos à caminho da vida eterna, e que o tempo que aqui vivemos é só um tempo de prova até que amadureçamos na fé e estejamos aptos para o Reino dos céus.

Conclusão: O tesouro e a pérola das parábolas que Jesus nos conta hoje, são os frutos do encontro com Deus, pois quem o encontrou no campo de sua vida, encontrou o grande tesouro e a pérola preciosa da felicidade que não tem fim. Por isso, é preciso vender tudo o que se tem para adquirir este tesouro e pérola, isto é, deixar tudo por amor ao Senhor.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 31 de julho de 2018

EXPLICANDO A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,36-43)(31/7/18).

Caríssimos, a realidade que nos cerca se assemelha à parábola do trigo e do joio, pois somos plantação divina pelo batismo que recebemos, todavia, como o trigo, estamos maturando para o dia da colheita, porém, não estamos isentos das intempéries, isto é, dos males que tentam se impor à todo custo ao plano de Deus para a nossa salvação. Por isso, precisamos continuar dando os frutos salvificos que o Senhor preparou para nos manter firmes em seu propósito, pois Ele mesmo disse: "Quem permanecer fiel até o fim será salvo."

Ora, o que consolida a nossa permanência no Senhor é o amor à Ele sobre todas as coisas, amar o amor é a maior felicidade; a participação no Seu Corpo Místico, a Igreja, do qual Ele é a Cabeça; a vivência dos sacramentos, a prática das virtudes, e a nossa colaboração para a salvação de todos. Como nos ensinou São Paulo: "Temos dons diferentes, conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério. Se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade."

Com efeito, na explicação da parábola do trigo e do joio o Senhor nos dá o entendimento antecipado do juízo escatológico que acontecerá no fim dos tempos. "Como o joio é recolhido e queimado ao fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará os seus anjos e eles retirarão do seu Reino todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal; e depois os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça”.

Conclusão: Caríssimos, a vida é um dom de Deus, mas precisamos vivê-la como um dom de Deus, pois todos os dons de Deus são plenos de sua vontade; por isso, disse São Pedro: "À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 11,44)."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,31-35)(30 /7/18).

Caríssimos, a liberdade humana se chama: "amar a Deus sobre todas as coisas", e só permanece nela quando as decisões tomadas têm como base a vontade de Deus; fora disso não passa de terrível escravidão ao mal, a quem se obedece por desobedecer à de Deus. E o resultado do seguimento do mal é devastador para a natureza humana acometida de todas as mazelas advindas do desprezo ao Senhor. Foi o que vimos na primeira leitura: "Este povo perverso, que se recusa a ouvir minhas palavras, convive com a maldade no coração."

Ora, São João, na sua primeira carta nos ensina, que amar a Deus é obedecê-lo e que só é possível a união perfeita com Ele mediante a fidelidade com que vivemos a nossa fé. Vejamos o que ele diz: "Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." Logo, fé, obediência e caridade nos une a Cristo e nos leva à perfeição do Seu amor.

Caríssimos, não existe felicidade fora de Deus, é por isso que vivemos num mundo infeliz, porque os homens estão deixando as coisas santas pela prática do pecado; com isso, trocam a fé pela indiferença; o amor pelo ódio; a honestidade pela corrupção; a mansidão pela violência; o resultado é a maldade espalhada por toda a face da terra.

Conclusão: Jesus, nas parábolas contadas no Evangelho de hoje, nos revela o Reino dos céus; Reino de justiça e de amor; onde a verdade e a paz permanecem para sempre como fundamento da santidade herdada da fé vivida a cada momento de nossa existência aqui neste mundo. Pois, acreditar no Senhor significa viver como Ele viveu, ou seja, fazendo em tudo a vontade do Pai.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 29 de julho de 2018

O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO DOS PÃES...


Homilia do 17°Dom do tempo comum (Jo 6,1-15)(29/7/18).

Caríssimos, o poder de Deus se revela em sua obra, pois Ele criou o mundo por amor e a todos sustenta por sua Divina Providência, sem nunca deixar de fazê-lo. De fato, o Senhor é a Fonte inesgotável que supre todas as necessidades, pois à tudo governa com justiça e perfeição. E se falta alguma coisa para qualquer de suas criaturas, deva-se isto às injustiças cometidas por aqueles que não o temem; todavia, que fique bem claro, quem comete qualquer maldade e não se arrepende e nem a repara, morrerá com a maldade praticada e nela permanecerá para sempre.

Ora, Deus é Deus e não vai deixar de ser bom e nem vai deixar de nos amar e nos amparar só porque muitas de suas criaturas o abandonam para enveredar pelo caminho da perversão e da perdição que não tem fim. Cabe a nós amar o Senhor e proclamar todas as suas maravilhas como cantou o salmista: "Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!"

Caríssimos, a multiplicação dos pães que o Senhor realizou, nos ensina três grandes lições de vida: Primeira lição, o pouco com Deus é muito, por isso supera as nossas espectativas, pois, com cinco pães e dois peixes ele alimentou cerca de cinco mil homens e ainda sobrou doze cestos.

Segunda lição, diante do Senhor todas as soluções são vãs se não pomos Nele a nossa confiança; por exemplo, para Filipe nem 400 moedas de prata eram suficiente para alimentar tanta gente, e no entanto, o Senhor o fez graças à fé dos que o procuraram, desse modo entendemos, que o Senhor também prova a nossa fé. Terceira lição, cuidado com os interesses escusos, pois eles nos afastam do Senhor. Ou seja, logo que viram o milagre queriam proclama-lo rei, ao que Jesus recusando, se afastou deles.

Conclusão: a obra da salvação humana é puramente divina, e embora sejamos cooperadores do Senhor nessa obra, nossa postura deve ser isenta de qualquer interesse fora da salvação das almas. Ou seja, devemos ter a mesma postura de nossa Senhora: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa vontade."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 28 de julho de 2018

A PARÁBOLA DO TRIGO E DO JOIO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,24-30)(28/7/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, no mais das vezes quando sedemos às tentações, a tendência é seguirmos ofendendo ao Senhor, que mesmo nos ensinando o caminho da obediência e do amor à Ele acima de todas as coisas, não é escutado e ainda é menosprezado por causa dos pecados que cometemos. Ora, isso ocorre porque perdemos o poder do livre arbítrio para o inimigo que se apodera dele tentando nos separar totalmente do amor de Deus e das graças que nos dá para sermos santos como Ele é Santo.

Por isso, é preciso reforçar em nós o amor e a fidelidade com que praticamos a nossa fé, evitando todo tipo de incoerência que nos leva ao relativismo e à perdição eterna de nossas almas. Isto porque a incoerência é morte para a alma, visto que a alimenta com o veneno da impiedade, da indiferença e da mediocridade que a mantém na letargia espiritual não lhe permitindo arrependamento sincero. Toda pessoa incoerente vive se justificando sempre e por isso nunca encontra o Senhor senão para contradizê-lo com a incoerência com que se apresenta a ele. Pois, a incoerência é a falsa prática da fé.

Com efeito, o verdadeiro senso de piedade nasce da humildade com que vivemos diante do Senhor; pois assim nos ensinou São Francisco de Assis: "Somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais". Ora, São Paulo também nos ensinou: "Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo." Desse modo, façamos da prática de nossa fé um verdadeiro encontro com Cristo, o Filho de Deus vivo, para o seguirmos dando frutos de salvação.

Caríssimos, a Parábola do trigo e do joio é um excelente exemplo onde o Senhor nos mostra o atual estado em que se encontra o mundo em que vivemos. Como na Parábola, o trigo permaneceu firme até a colheita, mesmo sendo acossado pelo joio; todavia, com destinações diferentes, enquanto o trigo é recolhido ao celeiro do Senhor; o joio é lançado no fogo eterno para a sua total extinção.

Conclusão: "Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para colher o que foi plantado." "Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

A SEMENTE E A PALAVRA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,18-23)(27/7/18).

Caríssimos, nunca uma promessa do Senhor deixou de ser atendida, nunca nenhuma de suas palavras deixou de ser cumprida, tal qual o Senhor a pronunciou, à começar pela criação, pois somos obras de Suas mãos, Palavras Suas realizadas, por isso, somos mistério insondável. Vejamos, então, uma das promessas do Senhor na primeira leitura de hoje: "Naquele tempo, chamarão Jerusalém Trono do Senhor, em torno dela se reunirão, em nome do Senhor, todos os povos; eles não se deixarão mais levar pelas inclinações de um coração mau”. Ou seja, o mal que ora existe, não mais existirá em nosso meio, disso fiquemos certos.

Caríssimos, um dos meios de comunicação mais eficaz que existe se chama "Palavra", porque não se resume apenas à comunicação de sons, mas sim de um conteúdo que pode mudar tudo na vida, para o bem ou para o mal; depende de quem recebe e de como recebe tal comunicação. São Paulo escrevendo a Timóteo, disse: "Prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir."

Com efeito, Jesus, no Evangelho de hoje, faz uma analogia entre semeador e comunicador; sementes e palavras; terrenos e o coração de quem as recebe; o resultado são as atitudes maléficas ou benéficas que cada um produz. Explica Ele, que existem quatro tipos de terrenos nos quais as sementes de sua palavra podem vir a ser semeadas: a beira do caminho, o terreno pedregoso, o meio dos espinhos e a terra boa. Os três primeiros não surtem efeitos benéficos; o último, porém, produz o efeito desejado.

Portanto, quem recebe a Palavra, mas não presta atenção a ela, vem o maligno e a rouba do seu coração; quem recebe a palavra, mas não tem profundidade de alma, no calor da perseguição desiste de seguir o Senhor; quem a recebe entres os espinhos das preocupações e ilusão das riquezas a sufoca e se tornam inúteis. Porém, quem a recebe em terra boa, esse produz fruto, cem, sessenta, trinta por um. Quem tiver ouvidos ouça e aplique à sua prática de vida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

A NITIDEZ DA VISÃO DIVINA...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,16-17)(26/7/18).

Caríssimos, a nitidez da visão divina combina perfeitamente com o ensinamento do Senhor no Sermão da Montanha: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!" Mas, ninguém alcança essa graça por si mesmo, desse modo, compreendemos que o Senhor é a Fonte inesgotável da pureza de nossas almas. Sem Ele ninguém é puro, ninguém é santo.

Com efeito, quando São João se refere à visão de Deus, ele nos mostra o quanto somos amados e estamos ligados ao Senhor: "Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro."

No Evangelho de hoje, Jesus faz um elogio aos Apóstolos mostrando o quanto são privilegiados por terem a visão que estão tendo e por estarem ouvindo o que estão ouvindo de seus lábios: "Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram”. Ora, isto equivale dizer que também gozamos dessa mesma graça por meio da fé, como afirma São Pedro: "Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas." De fato, a fé nos faz enchegar tudo para para além do tempo e de nossa finitude.

Portanto, a maior alegria de nossa vida é ver a Deus face a face um dia, quando se descerrar para sempre o véu do Seu Grande Mistério de amor. Mas essa graça só nos foi dada por causa do Mistério do Cordeiro de Deus imolado, porque Ele tirou o pecado do mundo por esse seu sacrifício de cruz. De fato, a humanidade existe ainda por causa de Sua Divina Misericórdia. Porque sem esse seu gesto de obediência total não haveria reparação do pecado causado contra o amor de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

A FAMÍLIA DE JESUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,46-50)(24/7/18).

Falar e agir com conhecimento de causa proferindo sentenças eternas nascidas da sabedoria divina, é graça inestimável; ninguém tem essa capacidade fora do Espírito Santo de Deus que nos foi dado no batismo. De fato, tudo o que Deus Pai expressou até hoje o fez por meio dos Patriarcas, juízes e Profetas cheios do Seu Santo Espírito, e também por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, Sua Palavra viva e Eterna, por isso, tudo o que proferiram se cumpriu ou está se cumprindo.

Caríssimos, estamos diante do Grande Mistério de Deus, Criador e Redentor, cuja Sabedoria é de impossível penetração, pois nenhuma criatura poderá adentrar Nele, sem a devida permissão. É como disse o Senhor: "Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido." Mas, por que Deus nos criou com essa dependência? Porque Ele é a Fonte que nos alimenta, Nele temos tudo o que contribui para a vida e a santidade, e sem Ele nada temos.

A luturgia de hoje nos remete ao perdão que necessitamos por andarmos tão distantes do Senhor de nossa vida. Todavia, para uma melhor compreensão, pergunta-se, então, o que é o pecado? Como no Paraíso, é a prática da vida sem a presença de Deus nela, como se fossêmos autossuficientes, como se Dele não precisássemos; e o resultado desse pecado é essa tragédia que constatamos na face da terra.

No Evangelho de hoje, Jesus nos ensina que a vontade do Pai é a Fonte inesgotável de nossa filiação divina, e nos mostra isso com a seguinte pergunta e resposta: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Ou seja, o nosso vínculo familiar com Deus, é espiritual e não carnal, como Ele mesmo já o dissera: "O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

QUEM QUISER SER O PRIMEIRO, SEJA O SERVO DE TODOS


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 20,20-28)(25/7 /18).

Caríssimos, a Palavra mais importante de nossa vida será dita no final de tudo, e esta não será humana, mas divina. De fato, Deus tem a última Palavra sobre todas as coisas; sem dúvida muitas são as pretensões humanas; também muitos são os que agora usam das palavras como meios para obter vantagens indevidas ou as usam destrutivamente. No entanto, precisam entender que no dia do juízo todas as palavras pensadas ou ditas lá estarão como testemunhas contra aqueles que as usaram indevidamente.

Com efeito, estamos ainda no tempo da Misericórdia Divina, ou seja, tempo de conversão, de arrependimento e de perdão; mas como tudo com tempo se acaba, precisamos aproveitar todo o tempo que temos, pois com toda certeza o tempo que nos foi dado pelo Senhor findará e não haverá concessão. É bem como escreveu São Paulo: "Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus."

Creio que, como São Pedro, São Paulo e todos os seguidores de Cristo, precisamos nos dedicar integralmente ao Reino de Deus e Sua Justiça, vivendo segundo a Vontade do Senhor e não segundo a nossa. Por exemplo, no Evangelho de hoje houve um certo desentendimento entre os Apóstolos por causa dos privilégios pedidos pela mãe dos filhos de Zabedeu. Contudo, disse o Senhor: “Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos”.

Caríssimos, o Senhor Jesus hoje também nos alertou sobre o cálice que devemos beber por sermos seus discípulos. Aliás, São Paulo o experimentou e ainda mostrou os motivos: "De fato, nós, os vivos, somos continuamente entregues à morte, por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossa natureza mortal. Por toda a parte e sempre levamos em nós mesmos os sofrimentos mortais de Jesus, para que também a vida de Jesus seja manifestada em nossos corpos."

Sacrificar a vida pelo Reino de Deus significa amar a Deus sobre todas as coisas; significa ter uma visão antencipada da vida eterna, visto que aqui tudo passa em direção à eternidade, é por isso que a vida aqui só tem sentido quando a vivemos segundo a Vontade de Deus...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

NENHUM SINAL SERÁ DADO A ESSA GERAÇÃO ADÚLTERA, FORA DO SINAL DE JONAS


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,38-42)(23/7 /18).

Caríssimos, a evidência para quem ama à Deus, é o amor com que o ama, traduzido em obediência e fidelidade; pois Deus nos criou por amor e somente para amar; fora desse dom de Deus, nada mais resta, porque nenhuma exigência, fora do amor incondicional, satisfaz plenamente a justiça divina; e digo mais, creio que essa seja uma das grandes tentações que o ser humano sofre, querer submeter Deus aos próprios caprichos. Por isso, Jesus disse no Evangelho de hoje: “Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal do profeta Jonas."

Com efeito, ouvimos hoje do Profeta Miquéias a seguinte ponderação: "Foi-te revelado, ó homem, o que é o bem, e o que o Senhor exige de ti: principalmente praticar a justiça e amar a misericórdia, e caminhar solícito com teu Deus." De fato, exigir um direito sem que se tenha cumprido o dever que lhe corresponde, que na vivência da fé significa obedecer aos santos mandamentos, é querer submeter a Deus a própria vontade.

Caríssimos, exigir e não corresponder, é o mesmo que negar a verdade e seguir o próprio caminho às cegas, ignorando os valores eternos que nos fazem viver em comunhão permanente com o amor do Senhor. Somos simples criaturas, isto significa dizer que somos cem por cento dependentes e nada podemos além do limite de nossas possibilidades. Não entender isso é querer limitar Deus, embora sabendo que Ele tudo pode e nada mais exige de suas criaturas senão a livre obediência aos seus santos mandamentos.

Conclusão: "Como ousas repetir os meus preceitos e trazer minha Aliança em tua boca? Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos e deste as costas às palavras dos meus lábios! Diante disso que fizeste eu calarei? Acaso pensas que eu sou igual a ti? É disso que te acuso e repreendo e manifesto essas coisas aos teus olhos. Quem me oferece um sacrifício de louvor, este sim é que me honra de verdade. A todo homem que procede retamente, eu mostrarei a salvação que vem de Deus."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de julho de 2018

NÓS SOMOS O SEU POVO, O SEU REBANHO, AS OVELHAS QUE CONDUZ COM SUAS MÃOS...


Homilia do 16°Dom do tempo comum (Mc 6,30-34)(22/7/18).

Caríssimos, somos o povo que o Senhor resgatou, as novas ovelhas do seu rebanho. De fato, precisamos de cuidados, mas precisamos também de nos cuidar, pois em se tratando da fé, quem cuida já foi cuidado um dia, mas não podemos ser relapsos, indiferentes ou descuidados, isto para não sermos desaprovados por causa de nossas más ações. É o que vimos na primeira leitura de hoje: “Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho de minha pastagem, diz o Senhor!"

Com efeito, essa linguagem comparativa de que usa a pedagogia divina, nos ensina perfeitamente o verdadeiro modo de ser da vontade do Senhor que nos leva a santidade sem a qual ninguém poderá ver a Deus. Caríssimos, a vida é uma grande escola onde aprendemos todos os dias como é viver segundo a Vontade do Senhor. Por isso, não podemos rejeitar o bom aprendizado para não corrermos o risco de sermos péssimos alunos, sem rumos, perdidos, reprovados nas lições de vida eterna que de Deus recebemos.

A vida é ainda como um livro de páginas escritas com o que somos e vivemos da fé que praticamos, isto significa dizer que, quais crianças, devemos escrevê-lo com a mesma inocência que Deus nos deu quando nos criou ou quando por Seu Filho, Jesus Cristo, nos resgatou para Si pelo batismo que Dele recebemos. Aliás, São Paulo assim se expressou sobre essa graça que nos foi dada: "Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados."

Conclusão: Caríssimos, os justos vivem por sua fidelidade, por isso, não podemos perder tempo com o mundo e sua mentalidade, pelo contrário, escreveu São Paulo: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 21 de julho de 2018

NÓS SOMOS AS OVELHAS DO VOSSO REBANHO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 12,14-21)(21/7/18).

Viver confiante no Senhor é gozar de sua amizade e do seu amor, é ter dele a certeza de que por mais vulneráveis que sejamos, jamais seremos abandonados ou deixados expostos à nossa vulnerabilidade e aos inimigos de nossas almas. Deus é Deus e nunca falha, nada lhe é impossível haja vista o que sofreu seu Filho, mas nada nem ninguém o pode vencer, porque o inocente é invencível em todos os sentidos da finitude do nosso viver.

Caríssimos, o tempo passa e nós o acompanhamos, mas que rastros estamos deixando no tempo que de Deus recebemos? Em outras palavras, o que estamos plantando com o nosso viver, para colhermos no fim dos tempos? Sim, porque tudo neste mundo tem fim, por isso, a vida aqui é breve, todavia, para além do tempo ela é infinita, porque a alma é imortal e cada um colherá na eternidade aquilo que plantou no tempo que lhe foi dado.

Com efeito, não viva como se a morte fosse o fim de tudo e que as injustiças aqui cometidas ficarão impunes para sempre. Escutemos então a palavra do Senhor a esse respeito: "Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo.
O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras." (Ap 22,10-12).

Portanto, peçamos ao Senhor um coração manso e humilde como o seu Coração; um coração obediente e fiel à tudo o que Ele nos ensinou; um coração de ovelhas que o escutam e seguem unidas no Seu rebanho sob à autoridade de Pedro, isto é, do Santo Padre e seus auxiliares nos conduzindo às pastagens eternas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

VINDE A MIM...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,28-30)(19/7/18).

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. Caríssimos, qual é a melhor companhia para o nosso viver cotidiano neste mundo? O Evangelho de hoje responde à essa pergunta com maestria, a nossa melhor companhia é Jesus que nos faz experimentar a grandeza do seu amor e da sua proteção quando à Ele recorremos.

De fato, a melhor forma de gozar da amizade "do doce Rabi da Galileia," é tê-lo em nossa vida na dimensão de sua misericórdia e de sua presença permanente, sem nunca excluí-lo de nossos relacionamentos seja qual for a situação, pois, como disse São Paulo: "Na verdade o Senhor está muito próximo de cada um de nós, porque é nele que vivemos, nos movemos e somos." Com efeito, precisamos viver essa comunhão com o Senhor para que tudo o que Ele falou se cumpra realmente em nossa vida.

O que seria de nós se nos faltasse os benefícios que Dele recebemos à todo instante? Por exemplo, o ar que respiramos, a comida que a terra podruz, a água que bebemos, o sol que nos dá a sua luz, e todas as outras graças que nos são dadas como à filhos queridos? Caríssimos, a vida só é possível porque Deus nos ama, ainda que não correspondamos ao seu infinito amor, pois deveríamos amá-lo sobre todas as coisas e aos nossos semelhantes como a nós mesmos.

Portanto, se nos comportassemos como o Senhor nos ensina nada faltaria a nenhuma de suas criaturas e muito menos à nós, seus filhos e filhas. Creio que toda ruína que se faz presente nesse mundo é fruto da falta de amor para com Deus e entre nós. Porém, alguém certamente pode até argumentar, mas isso é óbvio. Todavia, respondo, não basta ter tal argumento, se faz necessário a conversão diária para deixarmos Deus agir livremente em nossas almas, pois hoje ouvimos Ele dizer: Vinde a mim...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O REINO DOS CÉUS É O PARAÍSO DOS HUMILDES...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,25-27)(18/7/18).

Caríssimos, vivemos num mundo em que a fé está sendo rejeitada e deixada de lado; vivemos num mundo em que a indiferença mancha as almas a tal ponto que muitas delas mergulham no vazio existencial, dada a frieza gerada pela falta de fé. Ora, e se falta a fé, falta também as virtudes eternas que a acompanham, como por exemplo: amor, humildade, simplicidade, solidariedade, esperanças, etc.

De fato, esse mundo vai se tornando um deserto estéril de valores eternos, ou seja, se tornando uma espécie de inferno sem proporções, onde tudo tende ao caos. Ora, à medida que o tempo passa e os homens se afastam do amor de Deus; caem nas armadilhas do maligno, dando lugar à violência e ao desconforto que ela causa, fruto da desobediência às leis de Deus.

Todavia, para aqueles que servem fielmente ao Senhor, sua misericórdia não tem limites, por isso, perseveram no bem que o Senhor lhes dá a viver, por obedecerem aos seus santos mandamentos, que são caminho de perfeição para todos os seus eleitos. Portanto, eis o que diz o Senhor: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos."

Conclusão: Atenção habitantes deste mundo, será que não dá para perceber que a paciência do Senhor não para de dar sinais, para que todos se convertam e vivam? Caso contrário, o tempo da graça passará e quem não o aproveitar não entrará no Reino dos céus. Pois os céus é o paraíso dos humildes, daqueles que temem ao Senhor e acreditam no seu amor, por isso, seguem os seus passos à caminho da vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 17 de julho de 2018

SEGUIR A CRISTO TAMBÉM NO MARTÍRIO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,20-24)(17/7/18).

A Verdade anunciada é alento para as almas piedosas que a cultivam pela fé; todavia, é tormento para aquelas que a combatem por viverem contrariando seus preceitos eternos. De fato, Jesus, o Filho de Deus, veio da parte do Pai para nos libertar totalmente do pecado e de todo o mal que o pecado gera na face da terra, mas encontrou forte resistência por conta daqueles que cultivavam a desobediência e por isso o mataram violentamente pregando-o numa cruz.

Ora, "Santo Inácio de Azevedo e seus companheiros de quem a Igreja hoje celebra a memória, foram assassinados por serem católicos e missionários. Por amor à Igreja ele aceitou o martírio, exortou e consolou seus filhos espirituais. Foi morto e lançado ao mar e todos foram martirizados, alcançando a coroa da glória na eternidade." De fato, estas pessoas regaram com o seu sangue o solo fecundo das almas que se firmaram em seus exemplos de vida nos primórdios de nossa Pátria amada, pois estavam a caminho das missões no Brasil.

Celebrar a memória de Santo Inácio de Azevedo e seus trinta e nove companheiros, é celebrar aqueles que deram a vida como Cristo para a salvação da humanidade, por isso, seus sacrifícios não foram em vão, ecoa por toda a eternidade esse seu testemunho de fé e de amor pelo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, à quem amaram até a última gota de sangue derramado.

Caríssimos, aqueles que resistem à fé, o fazem por não conhecerem Jesus e não o amarem, por isso, se tornam pessoas violentas contra aqueles que professam a fé que receberam do Senhor, exatamente por não escutarem a Sua Palavra como Ele mesmo disse: "Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 15 de julho de 2018

EVANGELIZAR É UM DOS MAIORES DESAFIOS DOS CRISTÃOS...


Homilia do 15°Dom do tempo comum (Mc 6,7-13)(15/7/18).

Caríssimos, sem sombra de dúvida Evangelizar para nós cristãos é missão de toda vida, pois o Evangelho é a única regra que o Senhor nos deu para o seguimos rumo à plenitude de sua glória. Todavia, precisamos compreender que viver o Evangelho em todos os tempos sempre foi um dos maiores desafios que os cristãos enfrentram, haja vista que, aqueles que não entram pela "porta estreita" da salvação, hostilizam, odeiam e rejeitam os que entram por ela, e o resultado são as violentas perseguições de cunho ideológico, religioso, midiático, etc.

Caríssimos, porque será que Deus tem sido tão paciente com a humildade à ponto de aceitar que sacrificasse Seu Filho amado, inocente e digno de toda honra e louvor? Só tem uma resposta à ser dada, porque nos ama e perdoa os nossos pecados e tolera as nossas recaídas para nos dar uma nova chance de salvação; caso contrário já teria dado um basta como o fez com Sodoma e Gomorra, que apesar da intercessão de Abraão, não se converteram e por isso o Senhor não encontrou nelas nem cinco justos que as poupassem da destruição .

Sinto muito em dizer isso, mas essa humanidade que aí está se encaminha à passos largos para o abismo sem fim de suas maldades, isto por causa de sua desobediência e rebeldia à verdade que as podia salvar. Com efeito, disse o Senhor: "E, quando vier o Paráclito, o Espírito da verdade, convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado."

Portanto, o Espírito Santo já veio no dia de Pentecostes, o Evangelho já foi anunciado à todos os povos do universo, os falsos cristos já se encontram em ação por todos os confins da terra, a Igreja é abertamente perseguida em todo o mundo; desse modo, os sinais da segunda vinda de Cristo são claramente visíveis; quanto à nós, de nossa parte, devemos nos preparar urgentemente para o grande e terrível dia do Senhor.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 14 de julho de 2018

Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais."


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,24-33)(14/7/18)

"Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais."

Caríssimos, ser enviados por Deus para cumprir a missão de nossa vida, significa realizar a sua vontade, pois foi para isso que o Senhor nos criou. Ao sentir-se chamado o Profeta Isaías, viu-se totalmente indigno por causa de seus pecados, mas o Senhor o perdou, purificando seus lábios, e dando-lhe sua autoridade o enviou a proclamar sua Palavra Eterna.

Com efeito, no Evangelho de hoje, Jesus também envia os seus discípulos os alertando para se manterem como enviados e nunca se porem na vida acima de seu Mestre e Senhor, pois, disse, Ele: "O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima de seu senhor. Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu senhor." Todavia, acrescenta: "Se ao dono da casa eles chamaram de Belzebu, quanto mais aos seus familiares!"

Caríssimos, a prática da fé já é a prática da vida eterna, porque se fundamenta na Palavra que Deus fala como realização dos seus desígnios. Ora, ao enviar seu Filho, Jesus Cristo até nós, Ele o fez para que seguindo-o vivêssemos como seus filhos a caminho dos céus como participantes do seu Reino. Por isso, Jesus nos recomenda: "Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno!"

Portanto, sua Palavra é a garantia de que somos guardados por Deus ainda que sejamos martirizados, pois assim afirmou o Senhor: "Não se vendem dois pardais por algumas moedas? No entanto, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai. Quanto a vós, até os cabelos da cabeça estão todos contados. Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

SEREIS ODIADOS POR CAUSA DO MEU NOME...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,16-23)(13/7/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, é terrível viver neste mundo sem o amparo das graças de Deus, simplesmente por rejeitá-las por meio de comportamentos que não condizem com o bem viver que essas mesmas graças proporcionam. Pergunta-se, mas porque isto acontece? Eis a resposta: "Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram."

De fato, creio que não há resposta mais convincente que esta, ainda que alguém a queira contestar; isto porque, o caminho do discipulado cristão é feito de arrependimento e conversão, pois, sem estas atitudes sinceras de alma não existe perdão, reconciliação e comunhão com a vontade do Senhor. De certo, na primeira leitura de hoje Deus faz um apelo de retorno ao povo para que volte a reinar a paz entre eles: "Vós todos, encontrai palavras e voltai para o Senhor; dizei-lhe: “Livra-nos de todo o mal e aceita este bem que oferecemos; o fruto de nossos lábios."

Reconhecer os próprios erros, arrenpder-se deles e corrigi-los são meios que satisfazem a misericórdia divina e nos enche de alegria verdadeira pelo retorno à consciência limpa, como reza o salmists de hoje: "Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! Na imensidão de vosso amor, purificai-me! Lavai-me todo inteiro do pecado, e apagai completamente a minha culpa! Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!"

Caríssimos, no evangelho de hoje, Jesus nos ensina que o fato de vivermos em comunhão com Ele não nos isenta das perseguições até mesmo dos nossos familiares ou também daqueles que dizem professar a fé; pelo contrário, seremos perseguidos por termos decidido segui-lo fielmente até o fim. Todavia, temos de sua parte a garantia de sermos porta vozes do Espírito Santo que falará em nós como outrora falou aos nossos pais pelos profetas.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

DISCÍPULOS DE CRISTO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,1-7)(11/7/18).

"Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’”.

Caríssimos, a vida natural é um reflexo da vida eterna, isto porque ela existe exatamente com essa intenção; Deus é eterno e tudo criou para a eternidade, por isso, trazemos naturalmente todos os volores eternos que nos qualificam para a vida que não tem fim. Aqui precisamos entender o protagonismo que a Palavra de Deus exerce sobre tudo o que Ele criou, pois criou com o poder de Sua Palavra dita e realizada.

Com efeito, viver essa dimensão da nossa existência com a esperança da felicidade de ver a Deus face a face no céu, não tem comparação alguma com tudo o que possa existir aqui neste mundo. Mas, ao invés de vivermos essa graça que nos é dada, muitos, pelo contrário, são apegados às coisas deste mundo e fazem delas ídolos e os colocam no lugar que é só de Deus em suas almas; com isso, cultivam o vazio existencial e a falta de sentido de vida, como vimos na primeira leitura.

No Evangelho de hoje, Jesus escolheu doze discípulos dentre centenas deles, depois de passar a noite em oração diante do Pai. Daí percebemos que para segui-lo é preciso ser escolhido e corresponder à essa escolha com a fidelidade que lhe é devida. De fato, todos somos ovelhas do Seu rebanho, mas dentre nós o Senhor escolhe aqueles que conduzirão com Ele esse mesmo rebanho. Por isso, nunca podemos esquecer que somos ovelhas ainda que escolhidos para estarmos à frente do redil do Senhor cumprindo a missão que Ele nos dá.

Sabemos que o discipulado de nosso Senhor Jesus Cristo, requer renúncia e dedicação total à Ele por amor aqueles que serão salvos, por isso, muitos são chamados, mas poucos os escolhidos. Portanto, essa escolha se chama serviço como Ele mesmo disse aos seus discípulos: "Todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos." (Mc 10,43-45).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

ATITUDES DE FÉ...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,18-26)(09/7/18).

Caríssimos irmãos e irmãs, a vida em estado de graça se assemelha ao Sacramento do Matrimônio, onde a alma é a esposa amada, desposada por Deus seu eterno esposo. De fato, essa é uma bela comparação que eleva em santidade as almas que se mantém fielmente unidas ao seu Esposo Divino, exatamente como vimos na primeira leitura de hoje: "Acontecerá nesse dia, diz o Senhor, que ela me chamará ‘Meu marido’, e não mais chamará ‘Meu Baal’. Eu te desposarei para sempre; eu te desposarei conforme as sanções da justiça e conforme as práticas da misericórdia. Eu te desposarei para manter fidelidade e tu conhecerás o Senhor."

De fato, existe em nós uma necessidade permanente de vivermos em comunhão com o Senhor sem jamais interrompê-la por nada deste mundo, essa é como um rio que depende sempre da fonte que o gerou e o alimenta; caso alguém ou alguma coisa interrompa esse fluxo, indubitavelmente o rio seca e não serve para mais nada a não ser que volte a ser alimentado pela fonte que o gerou. Assim somos nós em relação à Deus, pois temos em Cristo a Fonte perene de nossa vida, porque é Ele quem nos abastece da "água que jorra para a vida eterna." Ou seja, o dom do Espírito Santo.

Caríssimos, o Evangelho de hoje, demonstra bem as afirmações feitas a cima, porém, chamo a atenção para duas atitudes que revelam como o poder de Deus age pelas virtudes que cultivamos. A primeira delas diz respeito ao chefe da Sinagoga, que mesmo tendo recebido a notícia da morte de sua filha, manteve a fé em Jesus prostrado-se humildemente à seus pés rogando a ressurreição de sua filha amada, no que foi atendido prontamente. Essa atitude de fé revela como devemos viver em comunhão com o Senhor, ainda que tudo pareça sem solução.

A outra atitude importante para a vivência da fé, é a da mulher com fluxo de sangue, que mesmo no silêncio de sua oração, alcançou a graça desejada, porque confiou no Senhor para muito além de tudo o que queria interromper a sua vida. Por isso, a resposta do Senhor a manteve em comunhão com Ele que nunca nos abandona, pois nos ama e quer que permanessamos nele para sempre, como Ele mesmo disse: "Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o lançarei fora. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

DEUS NOS CRIOU PARA SERMOS SANTOS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,9-13)(06/7/18).

Caríssimos, quem encontra Jesus nas virtudes eternas que o Espírito Santo lhes concede e nele persevera até o fim, tem a vida eterna. A vida humana sobre a terra é um dos sinais da presença de Deus na criação, pois Deus nos criou à sua imagem e semelhança e nos deu o poder de gerar novas imagens e semelhanças suas e de gerir a obra de suas mãos (cf. Gn 1,28).

Todavia, por causa do pecado, os homens têm manchado essa imagem e semelhança de Deus em si mesmos, e com isso, se condenam às penas eternas impostas como castigo ao maligno e aos seus seguidores. De fato, são tantas atrocidades praticadas pelos homens na face da terra que é impossível não haver uma punição severa para tudo isso.

Na primeira leitura de hoje, o Senhor dá um ultimato à toda humanidade, quando diz por meio do Profeta Amós: "Eis que virão dias, diz o Senhor, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a palavra do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro mar, circulando do norte para o oriente, em busca da palavra do Senhor, mas não a encontrarão."

Contudo, antes que se cumpra essa palavra na sua totalidade, ainda é tempo de conversão, penitência e salvação, pois no Evangelho de hoje Jesus disse: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.

Portanto, viver como imagem e semelhança de Deus e obedecer em tudo à sua Palavra nos leva à felicidade eterna como é a Sua vontade, pois foi para isso que o Senhor nos criou. Então, escutemos a Palavra do Senhor: "Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

HUMILDADE E FÉ...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,1-8)(05/7/18).

Caríssimos, trilhar os caminhos do Senhor para a eternidade, requer obediência e fidelidade à sua Palavra, pois para que o nosso testemunho seja veraz se faz necessário nossa adesão total ao seu plano de amor para nossa salvação. De fato, isso exige de nossa parte determinação e completo desprendimento de todos os nossos apegos mundanos, de todos os nossos planos.

Com efeito, alguém poderá dizer, ora, mas isto não é fácil de se pôr em prática, todavia, a resposta será a mesma que São Paulo deu aos seus catequisandos: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor... Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar." Ora, sem essa adesão de nossa parte não existe crescimento no estado de graça nem o real conhecimento da vontade do Senhor para a santificação de nossas almas.

De certo, isso requer o testemunho de nossa de fé, isto é, transparecer Cristo para não caímos nos mesmos erros dos exemplos de infidelidade que meditamos na primeira leitura de hoje, onde o rei de Israel e o sacerdote do santuário do rei queriam impedir que a Palavra do Senhor fosse proclamada e vivida por aqueles que precisavam ouvia-la.

No Evangelho de hoje, vimos duas posturas totalmente diversas por parte daqueles que se aproximaram de Jesus. Em sua narrativa o evangelista descreve: "Apresentaram-lhe, então, um paralítico deitado numa cama. Vendo a fé que eles tinham, Jesus disse ao paralítico: “Coragem, filho, os teus pecados estão perdoados!” Logo os mestres da lei o acusaram em seus pensamentos de blasfêmia, ao que o Senhor respondeu com a cura do paralítico.

Conclusão: O Senhor tem todo poder sobre o céu e sobre a terra, mas é preciso acolher o seu poder com fé e humildade de coração, porque sem essas virtudes não existe sincera adesão ao Seu plano salvífico; pelo contrário, existe rejeição a ele, caindo-se no pecado do orgulho não aceitando o perdão e a cura que Ele veio realizar em todos os que se aproximam Dele.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

SEM FÉ É IMPOSSÍVEL AGRADAR A DEUS...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,28-34)(04/7/18).

Caríssimos, o bem que vem de Deus é eterno e esse bem é a própria vida, pois sem vida não há bem algum; na verdade, nós traduzimos com o nosso viver o que é ser um filho de Deus neste mundo, o que é fazer a sua vontade em cada passo dado para a eternidade. Desse modo, compreendemos o que o Senhor quer nos dizer na primeira leitura de hoje: "Buscai o bem, não o mal, para terdes mais vida, só assim o Senhor Deus dos exércitos vos assistirá, como tendes afirmado."

De fato, somos obras das mãos de Deus, mas não só basta compreender isso, é preciso vivermos como Seus filhos e filhas, porque viver assim é revelar, por meio de nossa visibilidade a invisibilidade divina e dizer por sua infinita misericórdia: "Quem me vê, vê o Pai, eu e o Pai somos um."

Amados irmãos e irmãs, estamos num mundo de conflitos, somos sufocados por todos os lados por aqueles que tudo fazem para não viverem em conformidade com a vontade do Senhor, que nos revelou por seu amor qual o destino eterno daqueles que o seguem neste mundo e também dos que não lhe obedecem por seguirem o caminho do mal. Isto porque, quem não escuta a voz do Senhor, o faz por escutar a voz do mal que os impede de se manterem no caminho da salvação.

Caríssimos, a fé é inquestionável porque é dom do Espírito Santo, e por isso, impossível de ser manipulada já que, os que a professsam de verdade o fazem conduzidos pelo o mesmo Espírito. Por isso, quem ousa manipula-la, perde todas as suas graças e morre na impiedade sem viver a verdade que os poderia salvar. Portanto, "felizes os puros de coração porque eles verão a Deus."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 3 de julho de 2018

CRÊ É VIVER COMO CRISTO VIVEU...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,24-29)(03/7/18).

Caríssimos, o caminho que percorremos com o Senhor é um caminho de fé, iluminado pela luz do Seu Espírito que nos faz vê o invisível e nos faz experimentar a sua presença durante todo o percurso de nossa caminhada até que cheguemos ao destino final por ele determinado, o Reino dos Céus. Todavia, o critério para segui-lo não é o nosso, mas sim o Dele, por isso, disse a Tomé: “Acreditaste, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!”

De fato, a fé é dom do Espírito Santo e não depende de critérios humanos, embora se expresse ao entendimento racional, todavia, o ultrapassa infinitamente, porque quem crê segundo o Espírito é por ele conduzido ao objetivo comum de todos os batizados, "ser santo como o Senhor é Santo." Desse modo, crê é viver como Jesus viveu, isto é, fazendo a vontade do Pai, como Ele mesmo expressou : "Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou."

De certo, ao tratarmos do dom da fé, tratamos daquela que nos leva à perfeita comunhão com Cristo Eucarístico, pois Ele mesmo disse: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." E ainda: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." De fato, a fé nos leva à perfeita união com o Filho de Deus.

Portanto, não se pode achegar-se à Cristo quem usa de critérios meramente racionais como se tudo na vida dependesse desses critérios; ao contrário, quem crê segundo os critérios divinos permanece em Cristo e Cristo permanece nele, e isso, por toda a eternidade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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