VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

CRÔNICAS D MINHA ALMA: PERMANECEI EM MIM




Aqui neste mundo tudo passa, nossa realidade é transformada a todo instante, e esse dinamismo se dá para o bem ou para o mal, dependendo das decisões que tomamos, porque em se tratando do comportamento humano, tudo é possível dentro de nossas possibilidades. Quanto à realidade natural que nos cerca, esta sofre as consequências de nossas decisões. Assim sendo, trazemos no mais íntimo do ser, aquilo que cultivamos com o nosso viver de cada dia, como resposta ao dom da vida que recebemos de Deus.

Ora, sabemos que somos seres dependentes, e essa dependência é a razão pela qual sobrevivemos nesse nosso habitat natural. Todavia, existe algo em nós que nos faz conspirar contra nós mesmos, é o que chamamos de interesses pessoais. É uma espécie de egoísmo mórbido que leva o ser humano à destruição, pois, as coisas materiais, são postas acima de tudo e de todos; e esse apego exagerado tem levado muitos a cometerem terríveis maldades, capazes de dissipar vidas inocentes sem poupar ninguém.

Desse modo, se criou uma cultura de autodestruição, divulgada amplamente pelos meios de comunicação em massa, em suas programações sectárias, onde difundem comportamentos vãos, desordenados e estranhos; vícios de toda espécie e atitudes totalmente anticristãs, procurando com isso, moldar a sociedade aos mais baixos calões existenciais. O resultado é a violência desenfreada que permeia todas as camadas sociais; é o abuso de poder, pelo mau uso de suas funções; corrupções e injustiças vindas dos mandatários de plantão, que estão à postos nos mais altos escalões das esferas governamentais e não governamentais.

E assim, estamos vendo esse nosso mundo afundando num mar de lama sem fim, e o pior de tudo, não tem volta, não tem conserto, porque os homens perderam o temor de Deus e se afastaram dele, por suas obras funestas, entregando-se ao mal que passou a tomar conta de tudo ou quase tudo. Então, o que fazer em meio a esse proceder infernal que assistimos cada dia? Como nos defender de tudo isso?

“Só em Deus a minha tem repouso, porque dele é que me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei. Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só em Deus encontrarei glória e salvação. Ele é meu rochedo protetor, meu refúgio está nele. Ó povo, confia nele de uma vez por todas; expandi, em sua presença, os vossos corações. Porque nosso refúgio está em Deus”. (Sl 61).

“Os homens não passam de um sopro, e de uma mentira os filhos dos homens. Eles sobem na concha da balança, pois todos juntos são mais leves que o vento. Não confieis na violência, nem espereis vãmente no roubo; crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações. Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: a Deus pertence o poder, ao Senhor pertence a bondade. Pois vós dais a cada um segundo suas obras”. (Sl 61). (cf. Sl 2).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
"Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15,4-5)
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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PORQUE ÉS, SENHOR, MINHA ÚNICA RAZÃO DE SER














PORQUE ÉS, SENHOR, MINHA ÚNICA RAZÃO DE SER

Há quanto tempo, Senhor, não te visito com minha poesia?
Todavia, sei que jamais te afastastes de mim...
Porque sem ti não dá pra viver neste mundo...
Um segundo sequer...
Porque és, Senhor, a minha única razão de ser...

Meu Deus!
Como não te amar?
Como não te adorar?
Como não querer voltar para Ti?
Pois aonde meus olhos podem mirar,
percebo a expressão infinita do teu amor...
Contemplo a Beleza esplendida do teu olhar...

Quanta bondade na criação...
Quanta verdade na imensidão dessa obra prima de tuas mãos...
As leis naturais e divinas...
Todos os seres como num rima se dando e se completando...
Numa harmonia perfeita e constante...
Como naquele instante eterno quando nos criastes...
E nos visitastes com tua paternal divindade...

Ah! Senhor...
Quanta saudade do teu paraíso...
Descrito na santa revelação...
Um mundo lindo, natural...
Sem a presença de nenhum mal...
Onde Tu, Senhor, reinando sobre tudo,
Mantinhas-nos na unidade do teu amor...

E hoje, Senhor?
O que vemos?
E como convivemos?
Meu Deus!
Quanta indiferença...
Quanta ingratidão...

Quanta gestão mal sucedida,
acabando com a vida que criastes tão bela...
Vida esta que hoje em dia se encontra mergulhada na desarmonia e depravação...
Na injustiça e corrupção...
De seres maléficos que só pensam em poder, status e prazer...
Como se só existisse esse nosso mundo natural...
E nada mais além do tempo e de seu término aqui...

Mas, Senhor, eis que nos enviastes o teu Filho Jesus Cristo,
para nos dizer que não é assim...
Para nos dizer que existe sim, o teu paraíso santo e eterno...
Onde o inferno deste mundo não tem vez...
Onde a justiça por sua vez se faz presente constantemente...
Onde a vida não tem fim, porque a morte não existirá mais...
Onde todos viveremos em paz definitivamente...
Porque finalmente seremos Um...

Mas, tudo isso só acontecerá depois do juízo final...
Quando, enfim, todo o mal será extirpado...
Assim como todo pecado e os que os cometeram também...
Porque no teu céu não haverá ninguém que não tenha sido purificado...
Que não tenha sido lavado pelo Sangue do Cordeiro imolado...
E pelo Espírito Santo que no Senhor nos sustém...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
“Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição”. (Ap 21,1-4).

“Não haverá aí nada de execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhe prestarão um culto. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes. Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos”. (Ap 22,3-5).
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

BENTO XVI EXPLICA COMO SÃO PAULO ENTENDE A JUSTIFICAÇÃO

Queridos irmãos e irmãs:

No caminho que estamos percorrendo sob a guia de São Paulo, queremos agora deter-nos em um tema que está no centro das controversas do século da Reforma: a questão da justificação. Como um homem chega a ser justo aos olhos de Deus? Quando Paulo encontrou o ressuscitado no caminho de Damasco, era um homem realizado: irrepreensível quanto à justiça derivada da Lei (cf. Fil 3, 6), superava muitos de seus conterrâneos na observância das prescrições mosaicas e era zeloso em conservar as tradições de seus pais (cf. Gál 1, 14).

A iluminação de Damasco mudou radicalmente sua existência: começou a considerar todos os seus méritos, conquistas de uma carreira religiosa integríssima, como «lixo» frente à sublimidade do conhecimento de Jesus Cristo (cf. Flp 3, 8). A Carta aos Filipenses nos oferece um testemunho comovente da passagem de Paulo de uma justiça fundada na Lei e conseguida com a observância das obras prescritas a uma justiça baseada na fé em Cristo: havia compreendido que o que até agora lhe havia parecido um lucro, na verdade frente a Deus era uma perda, e havia decidido por isso apostar toda sua existência em Jesus Cristo (cf. Flp 3, 7). O tesouro escondido no campo e a pérola preciosa, em cuja posse investe todo o mais, já não eram as obras da Lei, mas Jesus Cristo, seu Senhor.

A relação entre Paulo e o Ressuscitado chegou a ser tão profunda que o impulsionou a afirmar que Cristo não era somente sua vida, mas seu viver, até tal ponto que, para poder alcançá-lo, inclusive a morte era um lucro (cf. Flp 1, 21). Não é que ele desprezasse a vida, mas que havia compreendido que para ele o viver já não tinha outro objetivo e, portanto, já não tinha outro desejo que alcançar Cristo, como em uma competição atlética, para estar sempre com Ele: o Ressuscitado se havia convertido no princípio e no fim da sua existência, no motivo e na meta da sua corrida.

Só a preocupação pelo crescimento na fé daqueles aos que havia evangelizado e a solicitude por todas as Igrejas que havia fundado (cf. 2 Cor 11, 28) o induziam a desacelerar a corrida rumo ao seu único Senhor, para esperar os discípulos, para que pudessem correr com ele. Se na anterior observância da Lei não tinha nada que reprovar-se desde o ponto de vista da integridade moral, uma vez alcançado por Cristo, preferia não julgar a si mesmo (cf. 1 Cor 4, 3-4), mas se limitava a correr para conquistar Aquele por quem havia sido conquistado (cf. Flp 3, 12).

Por causa desta experiência pessoal da relação com Jesus, Paulo coloca no centro de seu Evangelho uma irreduzível oposição entre dois percursos alternativos para a justiça: um construído sobre as obras da Lei, o outro fundado sobre a graça da fé em Cristo. A alternativa entre a justiça pelas obras da Lei e a justiça pela fé em Cristo se converte assim em um dos temas dominantes de suas cartas: «Nós, judeus de nascença, e não pecadores dentre os pagãos, sabemos, contudo, que ninguém se justifica pela prática da lei, mas somente pela fé em Jesus Cristo. Também nós cremos em Jesus Cristo, e tiramos assim a nossa justificação da fé em Cristo, e não pela prática da lei. Pois, pela prática da lei, nenhum homem será justificado» (Gál 2, 15-16).

E ele reafirma aos cristãos de Roma que «com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus), e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo» (Rm 3, 23-24). E acrescenta: «Pensemos que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da Lei» (ibid 28). Lutero traduziu esta passagem como «justificados só pela fé». Voltarei sobre isto ao final da catequese. Antes devemos esclarecer o que é esta «Lei» da qual fomos liberados e o que são essas «obras da Lei» que não justificam.

A opinião – que se repetirá na história – segundo a qual se tratava da lei moral, e que a liberdade cristã consistia, portanto, na libertação da ética, já existia na comunidade de Corinto. Assim, em Corinto circulava a palavra «panta mou estin» (tudo me é lícito). É óbvio que esta interpretação é errônea: a liberdade cristã não é libertinagem, a libertação da qual São Paulo fala não é libertar-se de fazer o bem.

Mas o que significa, portanto, a Lei da qual fomos libertos e o que não salva? Para São Paulo, como para todos os seus contemporâneos, a palavra Lei significava a Torá em sua totalidade, ou seja, os cinco livros de Moisés. A Torá implicava, na interpretação farisaica, que Paulo havia estudado e feito sua, um conjunto de comportamentos que iam desde o núcleo ético até as observâncias rituais e culturais que determinavam substancialmente a identidade do homem justo. Particularmente a circuncisão, a observância do alimento puro e geralmente a pureza ritual, as regras sobre a observância do sábado, etc., comportamentos que aparecem com freqüência nos debates entre Jesus e seus contemporâneos.

Todas estas observâncias que expressam uma identidade social, cultural e religiosa, haviam chegado a ser singularmente importantes no tempo da cultura helenística, começando desde o século III a.C. Esta cultura, que se havia convertido na cultura universal de então, era uma cultura aparentemente racional, uma cultura politeísta aparentemente tolerante, que exercia uma forte pressão de uniformidade cultural e ameaçava assim a identidade de Israel, que estava politicamente obrigado a entrar nesta identidade comum da cultura helenística com a conseguinte perda de sua própria identidade, perdendo assim também a preciosa herança da fé de seus pais, a fé no único Deus e nas promessas de Deus.

Contra esta pressão cultural, que ameaçava não só a identidade israelense, mas também à fé no único Deus e em suas promessas, era necessário criar um muro de diferenciação, um escudo de defesa que protegesse a preciosa herança da fé; este muro consistia precisamente nas observâncias e prescrições judaicas. Paulo, que havia aprendido estas observâncias precisamente em sua função defensiva do dom de Deus, da herança da fé em um único Deus, via esta identidade ameaçada pela liberdade dos cristãos: por isso os perseguia.

No momento de seu encontro com o Ressuscitado, ele entendeu que com a ressurreição de Cristo a situação havia mudado radicalmente. Com Cristo, o Deus de Israel, o único Deus verdadeiro se convertia no Deus de todos os povos. O muro – assim diz a Carta aos Efésios – entre Israel e os pagãos já não era necessário: é Cristo quem nos protege contra o politeísmo e todos os seus desvios; é Cristo quem nos une com e no único Deus; é Cristo quem garante nossa verdadeira identidade na diversidade das culturas, é Ele o que nos torna justos. Ser justo quer dizer simplesmente estar com Cristo e em Cristo. E isso basta. Já não são necessárias outras observâncias.

Por isso a expressão «solo fide» de Lutero é certa se não se opõe à fé, à caridade, ao amor. A fé é olhar para Cristo, confiar-se a Cristo, unir-se a Cristo, conformar-se com Cristo, com a sua vida. E a forma, a vida de Cristo, é o amor; portanto, crer é conformar-se com Cristo e entrar em seu amor. Por isso São Paulo, na Carta aos Gálatas, na qual, sobretudo desenvolveu sua doutrina sobre a justificação, fala da fé que age por meio da caridade (cf. Gál 5, 14).

Paulo sabe que no duplo amor a Deus e ao próximo está presente e cumprida toda a Lei. Assim, na comunhão com Cristo, na fé que cria a caridade, toda a Lei se realiza. Somos justos quando entramos em comunhão com Cristo, que é amor. O Evangelho da solenidade de Cristo Rei, é o Evangelho do juiz cujo único critério é o amor. O que pede é só isso: tu me visitaste quando estava enfermo? Quando estava na prisão? Tu me deste de comer quando tinha fome, ou me vestiste quando estava nu? E, assim, a justiça se decide na caridade.

Portanto, ao término deste Evangelho, podemos dizer: só amor, só caridade. Mas não há contradição entre este Evangelho e São Paulo. É a mesma visão, segundo a qual a comunhão com Cristo, a fé em Cristo cria a caridade. E a caridade é a realização da comunhão com Cristo. Assim, se estamos unidos a Ele somos justos, e não há outra forma.

No final, podemos só rezar ao Senhor para que nos ajude a crer. Crer realmente; crer se converte, assim, em vida, unidade com Cristo, transformação de nossa vida. E transformados pelo seu amor, pelo amor a Deus e ao próximo, podemos ser realmente justos aos olhos de Deus.

Permalink: http://www.zenit.org/article-20107?l=portuguese

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

© Copyright 2008 - Libreria Editrice Vaticana]

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