VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quinta-feira, 30 de abril de 2026

O sentido do discipulado de Cristo é o serviço...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,16-20)(30/04/26)

1. Caríssimos, somos agentes diretos da palavra, seja ela falada, escutada, escrita, lida, posta em prática ou não. Com efeito, Deus criou todas as coisas por Sua Divina Palavra, o Seu Verbo Eterno, Jesus Cristo, como escreveu são João no prólogo do seu Evangelho: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito." (Jo 1,1.3).

2. De fato, a Palavra é o fundamento da vida. Por isso, podemos plenamente afirmar: "somos Palavras de Deus realizadas." No entanto, por vivermos num mundo onde a mentira tornou-se a palavra da vez, isso, faz da verdade sua primeira vítima, sacrificada a cada instante que alguém abre a boca para mentir.

3. Na liturgia de hoje a Palavra é o agente principal e a verdade que a conduz é sua autêntica identidade; por isso, quem a vive realiza em todos os sentidos a vontade salvífica de Deus. Na primeira leitura, Paulo, Barnabé e os outros discípulos proclamam o Santo Evangelho de nosso Senhor, Jesus Cristo, gerando de imediato uma grande alegria naqueles que se converteram e foram salvos.

4. No Evangelho de hoje, vemos que todos os gestos do Senhor Jesus são uma nítida expressão da Sua Divina Palavra e fonte de santidade para os que a ouvem com reta intenção. Desse modo, a Sua relação com os discípulos passa do gesto à Palavra, isto é, do exemplo do Mestre que se faz discípulo, revelando com isso, que o verdadeiro sentido do discipulado é o serviço.

5. Portanto, caríssimos, que a nossa boca só se abra para falar a verdade baseada no exemplo de obediência e humildade de nosso Senhor Jesus Cristo, bem como nos ensinou São Paulo: "Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai." (Cl 3,17).

6. "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Col 3,23-24). Ou seja, o nosso ser e estar no mundo nada mais é do que uma expressão do nosso serviço a Cristo e ao seu Reino. Em outras palavras, somos servos e servas do Rei Jesus. Que grande honra a nossa! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

A volta ao estado de graça...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 12,44-50)(29/04/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, uma das consequências do pecado mortal na alma de quem o comete é a perda da graça santificante e da comunhão com Deus; a partir daí tal pessoa não tem mais sossego, porque perde o poder do livre arbítrio, e em tudo o que faz, sofre a influência do maligno para que não volte a ter comunhão com o Senhor. 


2. Todavia, não é a vontade do mal que prevalece, pois toda alma carrega em si o dom do arrependimento que consiste no reconhecimento dos pecados praticados para confessá-los. De fato, o arrependimento é a porta de entrada do perdão e da misericórdia de Deus que purifica alma arrependida libertando-a da influência do maligno por meio do Sacramento da Penitência.

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3. No Evangelho de hoje vemos que o Senhor Jesus foi enviado pelo Pai para nos restituir o perfeito estado de graça, ou seja, a perfeita comunhão com Deus, que os nossos primeiros pais perderam com o pecado que cometeram nos transmitindo essa perda. 

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4. Ora, como em toda missão profética, o Senhor Jesus pagou com a própria vida, o alto preço da nossa salvação. Comentando esse seu sacrifício assim se expressou o saudoso, Papa Francisco: "Vivendo a missão que lhe foi confiada pelo Pai, Jesus sabia bem que devia enfrentar o cansaço, a rejeição, a perseguição e a derrota. Um preço que, tanto ontem como hoje, a profecia autêntica é chamada a pagar.

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5. Sem duvida, também hoje, o mundo tem necessidade de ver nos discípulos do Senhor, profetas, ou seja, pessoas corajosas e perseverantes em responder à vocação cristã. Certos de que seguem o Mestre no seu propósito de dar a vida por suas ovelhas. 


6. Ou seja, são "pessoas que seguem o "impulso" do Espírito Santo, que as envia para anunciar esperança e salvação aos pobres e aos excluídos; pessoas que seguem a lógica da fé e não do miraculismo; pessoas dedicadas ao serviço de todos, sem privilégios nem exclusões." (Papa Francisco, Angelus, 03/02/19).

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7. Destarte, peçamos ao Senhor Jesus a graça de sermos fiéis à ação do Espírito Santo, para que, purificados por Sua Divina Misericórdia e fortalecidos por Sua Palavra, sejamos testemunhas vivas da sua ressurreição, a fim de que muitas almas alcancem a salvação eterna no Reino dos céus. 


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Deus nos livra de toda insegurança...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,22-30)(28/04/26)

1. Caríssimos, conhecemos muito bem o que significa insegurança porque jamais encontraremos uma pessoa na vida que não a tenha experimentado; de fato, somente Deus tem todo poder sobre o céu e sobre a terra, e é por isso que Ele nos dá essa certeza para nos garantir que nada e ninguém pode nos arrancar de seus mãos a não ser nós mesmos se deixarmos de acreditar Nele.

2. A dúvida sobre Deus e o seu poder existe no coração de quem não o ama, por isso, nem percebe que é Ele quem nos sustenta na vida; e isso demonstramos com uma simples comparação. O ar que respiramos é invisível, e dele dependemos cem por cento, ou seja, o ar é uma obra de Deus e é Ele que no-lo dar. Mas será que reconhecemos isso?

3. No Evangelho de hoje os judeus interrogaram o Senhor Jesus se de fato era o Messias enviado por Deus Pai; no entanto, o Senhor respondeu mostrando os sinais que fazia como prova de que era, como vemos a seguir: “Já vo-lo disse, mas vós não acreditais. As obras que eu faço em nome do meu Pai dão testemunho de mim; vós, porém, não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas." (Jo 10, 25-26)

4. Ou seja, quem não acredita no Senhor Jesus, deixa de ser ovelha do seu rebanho por nega-lo apesar das evidências que comprovam a autenticidade da sua vinda. E acrescentou: "As minhas ovelhas escutam a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu dou-lhes a vida eterna e elas jamais se perderão. E ninguém vai arrancá-las de minha mão." (Jo 10,27-28)

5. Portanto, caríssimos, existem tantas relegiões e seitas, dizendo que crêem no Senhor Jesus e que pregam sua Palavra, mas na verdade as obras de tais pregadores o negam por falta de autenticidade. Como o Senhor mesmo disse: 

6. "Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo." (Mt 7,15-16a.17.19).

7. Destarte, desde sempre o Senhor Jesus se faz presente na Santa Igreja Católica, tanto nos Sacramentos como no anúncio de Sua Palavra. Porém, quantos o seguem? Decerto, essa resposta depende se vivemos autenticamente o que o Senhor nos ensina por meio Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O Senhor é o Pastor que me conduz nada me faltará

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 10,11-18) (27/04/26)


1. Caríssimos, meditemos com amor e atenção o comentário do Evangelho de hoje do saudoso, Papa Francisco: "Como é belo e consolador saber que Jesus nos conhece um a um, que não somos anônimos para Ele, que o nosso nome Lhe é conhecido! Para Ele, não somos uma “massa”, uma “multidão”, não. 


2. Somos pessoas únicas, cada um com sua própria história, e Ele conhece cada um de nós com sua própria história, cada um com seu próprio valor, tanto como criatura quanto como redimido por Cristo. Cada um de nós pode dizer: Jesus me conhece! 


3. É verdade, é assim: Ele nos conhece como ninguém mais. Só Ele sabe o que há em nosso coração, as intenções, os sentimentos mais ocultos. Jesus conhece nossos méritos e nossos defeitos, e está sempre pronto a cuidar de nós, para curar as feridas de nossos erros com a abundância de sua misericórdia. 


4. Nele se realiza plenamente a imagem do Pastor do povo de Deus, que os profetas haviam delineado: Jesus se preocupa com suas ovelhas, as reúne, enfaixa a ferida, cuida da doente. Assim podemos ler no Livro do profeta Ezequiel (cf. 34,11-16). 


5. Portanto, Jesus, o Bom Pastor, defende, conhece e, acima de tudo, ama suas ovelhas. E por isso dá a vida por elas (cf. Jo 10,15). O amor pelas ovelhas, isto é, por cada um de nós, leva-o a morrer na cruz, porque esta é a vontade do Pai: que ninguém se perca. 


6. O amor de Cristo não é seletivo, abraça a todos. Ele é pastor de todos. Jesus quer que todos possam receber o amor do Pai e encontrar Deus. E a Igreja é chamada a levar adiante esta missão de Cristo. Além daqueles que frequentam nossas comunidades, há muitas pessoas, a maioria, que o fazem apenas em casos específicos ou nunca. 


7. Mas isso não significa que não sejam filhos de Deus: o Pai confia todos a Jesus, o Bom Pastor, que deu a vida por todos. Que Maria Santíssima nos ajude a acolher e seguir, em primeiro lugar, o Bom Pastor, para cooperarmos com alegria na sua missão." (Papa Francesco - Regina Caeli, 25 abril de 2021).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv. 


domingo, 26 de abril de 2026

Domingo do Bom Pastor...


 Homilia do Domingo do Bom Pastor (Jo 10,1-10)(26/04/26)


Eis o que diz o Senhor: "Eu sou o bom pastor, diz o Senhor; eu conheço minhas ovelhas e elas me conhecem a mim." 

1. "Eu empurro uma alma para a dor das minhas dores, outra para a alegria das minhas alegrias, outra para a imitação da minha pobreza e da minha abjeção, outra para a imitação do meu zelo pelas almas; eu sou o Pastor e, no campo do meu amor, crescem pastagens infinitas. Eu alimento cada alma com as ervas que vejo que lhe fazem falta.

2. Assim também vós, não procureis tanto excitar na vossa alma ou na alma dos outros um sentimento que vos parece muito perfeito, que o é realmente, e que é um sentimento muito real de amor; mas procurai ser fiéis e tornar as almas dos outros fiéis aos sentimentos que Eu faço nascer nelas; 

3. não escolhais as ervas que crescem no campo do meu amor, nem para vós nem para os outros, mas dedicai-vos a comer, vós e eles, a digerir bem aquelas que Eu próprio escolho, seja para vós, seja para eles, aproveitando-as para fazer de um e de outros, não algo que vos agrade, 

4. mas aquilo que Me agrada a Mim, o bem particular que eu quero fazer-vos, a vós e a eles, e com vista ao qual vos apresento estas ou aquelas ervas: sou Eu que faço das almas o que Me parece bom, pois fui Eu que as criei, só Eu as conheço, só Eu sei a que as destino.

5. O vosso trabalho não consiste em destiná-las a isto ou àquilo, mas em ver a cada momento quais são as ervas com que Eu as alimento." (São Charles de Foucauld - 1858-1916)

6. Portanto, caríssimos, viver segundo a vontade de Deus é dar ao seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, o governo da nossa vida, Ele nos conhece muito bem, e ofereceu-se em sacrifício de suave odor ao Pai pela nossa salvação.

7. Destarte, cantemos confiantes com o salmista: "O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha, e restaura as minhas forças. Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida; e, na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 25 de abril de 2026

Como se revelam os verdadeiros discípulos...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,15-20)(25/04/26)

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1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa de são Marcos Evangelista; ele foi discípulo de Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu. Atribui-se a ele a fundação da Igreja de Alexandria. Também com Barnabé de quem era primo, acompanhou o apóstolo Paulo em sua primeira viagem, e depois também o seguiu até Roma.

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2. Ora, a princípio, conforme vemos nos atos dos Apóstolos (cf. At 13,13), Marcos, por ser muito tímido, desistiu de continuar a viagem Apostólica com Paulo e Barnabé, retornando a Jerusalém. "Depois disto, porém, foi colaborador de São Pedro (1P 5,13), tendo-se mostrado, não apenas um autêntico cristão, mas um servidor fiel e resoluto do Evangelho. O instrumento desta mudança parece ter sido a influência de Pedro, que transformou em apóstolo o discípulo tímido e covarde."

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3. "Através desta história, aprendemos uma lição: pela graça de Deus, o mais fraco pode receber a força. Portanto, não devemos confiar em nós mesmos; nunca devemos desprezar um irmão que dá provas de fraqueza, nem jamais desesperar quanto à sua fidelidade, mas, pelo contrário, ajudá-lo a seguir em frente."

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4. Admiremos pois, em São Marcos, uma tão espantosa transformação: «pela fé, o fraco recebeu o dom da fortaleza» (Heb 11,34). Deste modo, Marcos dá testemunho dos maravilhosos dons do Espírito Santo." (São John Newman).

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5. Portanto, caríssimos, são Marcos finaliza o Evangelho que redigiu como resultado das pregações de São Pedro desse modo: "Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam." (Mc 16,20).


6. Destarte, a obra salvífica do Senhor continua até o fim dos tempos no Seio da Sua Santa Igreja por meio da vivência dos Santos Mandamentos e dos Sacramentos que são os sinais visíveis e sensíveis da sua real presença no meio de nós, bem como nos atesta São Bruno de Segni (c. 1045-1123): 


7. "Para nós, os sinais e os prodígios deixaram de ser necessários: basta-nos ler ou ouvir o relato daqueles que foram realizados. Porque acreditamos nos Evangelhos, acreditamos nas Escrituras que os contam. E, no entanto, ainda hoje se produzem sinais; e, se prestarmos bem atenção, reconheceremos que eles têm muito mais valor do que os milagres materiais de outrora." 


8. Aliás, todas as ações da Santa Igreja são sinais e prodígios realizados em nome de Cristo. O batismo é o novo nascimento para a vida eterna; a Eucaristia é o próprio Senhor nos alimentando; a confissão é a reconciliação com Deus dos cairam em tentação; a pregação da Palavra é o anúncio atual da salvação; a unção dos enfermos é cura para doentes. Enfim, "Estes são os sinais que o Senhor havia prometido aos seus santos, e ainda hoje eles os realizam."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Crer em Cristo ressuscitado e conviver com Ele no nosso dia a dia...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,52-59)(24/04/26)


1. Caríssimos, o Sacramento do batismo que recebemos é o novo nascimento da água e do Espírito Santo para a vida eterna, e nele nos é dada a fé para interagirmos com o Senhor Jesus ressuscitado como Saulo e Ananias interagiram como vimos na primeira leitura; e como vimos também a iniciativa é sempre do Senhor tendo em vista a nossa salvação. 


2. Com efeito, Deus enviou o seu Filho, primeiro ao seu povo eleito conforme havia prometido a Abraão, Issac e Jacó, os outros Patriarcas e aos profetas; no entanto, como vimos, Ele foi rejeitado e morto pelos seus; Deus, porém, o ressuscitou dos mortos para que por sua ressurreição se estendesse a salvação a todos os povos de todos os tempos.


3. De fato, por seu Verbo encarnado Deus entrou em nossa natureza decaída e a redimiu para sempre nos dando o perdão dos pecados. Desse modo compreendemos que enquanto existir a vida humana sobre a terra o Senhor Jesus, por seus servos, continuará a sua missão salvífica até o fim do mundo.


4. No Evangelho de hoje o Senhor nos dá a conhecer que é preciso compreender a sua linguagem para não nos confundirmos como se confundiram os judeus que viram e ouviram-no pessoalmente, mas não acreditaram. Por isso, escutemos atentamente o que Ele nos diz:"Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele concede o Espírito sem medidas." (Jo 3,34). 


5. Decerto, isto significa que para entendermos a sua Palavra Ele nos deu o Espírito Santo, que nos faz compreende-la e vive-la na íntegra, tal como nos ensinou: "Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão." (Jo 16,13).


6. Portanto, caríssimos, peçamos ao Senhor Jesus a graça de sermos conduzidos pelo Espírito Santo no seio da Sua Santa Igreja revistida da sua autoridade e dos seus carismas na pessoa do Santo Padre, dos bispos e do clero em comunhão com ele, e com todo o povo de Deus presente no mundo inteiro.


7. Destarte, Cristo é o Cordeiro Imolado, único sacrifício que agrada a Deus. E esse Sacrifício não é repetição, mas atualização, isto é, torna realmente presente a mesma oferta que o Senhor fez ao Pai no patíbulo da cruz, porém, sem derramamento de sangue. Desse modo, crê é viver essa união com Cristo no mais íntimo de nossa alma, que nos torna pelo seu Corpo Eucarístico, participantes de sua Natureza Divina.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Será que estamos vivendo no tempo a eternidade que desejamos?

 



PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,44-51)(23/04/26)

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1. Caríssimos, viver no tempo sem ser do tempo só é possível quando vivemos plenamente o nosso batismo que nos fez ressuscitar com Cristo. Ora, isto significa o que são Paulo nos ensina na Carta aos Gálatas: "Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,19b-20).

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2. De fato, esse é o viver, não para si mesmo, mas para Deus, isto é, viver como renascidos da água e do Espírito Santo em estado de graça para a vida eterna; bem como constatamos na primeira leitura e no Evangelho de hoje, em que a interação entre o céu e a terra é tão palpável que não existe espaço ou motivo algum para duvidar.

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3. Na primeira leitura Filipe se põe inteiramente disponível para o serviço salvífico que recebera do Senhor e assim interage livremente com os anjos e com o próprio Espírito Santo para a eficácia da Evangelização daqueles que Deus chamou para seguir o seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.

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4. Ora, mas, por que isso não está acontecendo conosco atualmente? Talvez seja porque disperdiçamos o tempo e a disponibilidade que recebemos do Senhor, com as coisas fúteis deste mundo e não os empregamos para a edificação do Reino de Deus e da sua justiça.


5. De fato, quanto tempo disperdiçado com televisão, Internet e outros meios de comunicação ou outras atividades, mesmo sabendo que isso não traz nenhum benefício para as nossas almas, pois, é tempo perdido sem nexo com a graça de Deus que nos salva.

6. Com efeito, se todo o nosso tempo fosse dado para a interação com o Senhor, por meio da oração, da penitência, da prática das obras de misericórdia e outros exercícios espirituais, certamente teríamos um mundo mais justo, humano e mais cristão.

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7. Infelizmente, não é isso o que está acontecendo; na verdade, a maioria tem usado o tempo e a disponibilidade para a prática de todo tipo de pecado, cujo resultado é um mundo soberbo, incrédulo, cruel, infernal. E é isso o que estamos constatando em larga escala.


8. Em outras palavras, sem a prática sincera da fé, não existe arrependimento, penitência, conversão e salvação. Então, o que fazer? Pedir ao Senhor Jesus a graça de sermos dóceis ao Espírito Santo e nos deixar conduzir por Ele para anunciarmos intrepidamente a salvação, seguindo o exemplo de são Filipe.


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Como será o nosso dia eterno?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,35-40)(22/04/26)


1. Caríssimos, assim como não temos vida natural sem o ar que respiramos porque dele dependemos totalmente; de igual modo, também não temos vida espiritual sem a graça do perdão e da misericórdia do Senhor que purifica e santifica as nossas almas para vivermos em perfeita comunhão com a sua santa vontade.

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2. Ora, reconhecer que somos pecadores e necessitados da Sua Divina Misericórdia, significa aceitar e acolher os valores eternos que o Senhor nos concede com o perdão dos nossos pecados. Sem esse reconhecimento não existe espaço em nossas almas para a obediência e a humildade que são virtudes essenciais para nos manter em estado de graça. 

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3. No Evangelho de hoje, ouvimos o Senhor Jesus dizer: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede." Com essas palavras o Senhor confirma que naturalmente todos seguem ao encontro da morte; mas, também nos dá a garantia de que Nele a vida não tem fim, ou seja, Ele é a Porta pela qual entramos na vida eterna.

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4. Escutemos, então, com atenção o Profeta Miquéias, na seguinte exortação: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus." (Miq 6,8).

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5. Decerto, diante de tal exortação, creio que no último instante do nosso viver, ou seja, no nosso dia eterno (cf. Hb 9,27), o Senhor nos fará a seguinte indagação: "Te dei a vida, te criei por amor e somente para amar, o que fizeste da vida que eu te dei?"

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6. Sem dúvida, tudo o que pensamos, falamos e vivemos está escrito em nossas almas, é bem como nos exorta a Carta aos Hebreus: "Porque a palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes e atinge até a divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração. Nenhuma criatura lhe é invisível. Tudo é nu e descoberto aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas." (Hb 4,12-13).


7. Destarte, rezemos com santa Gertrudes de Helfta, monja beneditina (séc. XIII), esta linda oração: "A mim, que imploro o teu socorro, Senhor, a mim, que desejo ser fortalecida pelo mistério da tua bênção, concede-me o socorro da tua proteção e da tua orientação. Que haja em mim, Senhor, pelo dom do teu Espírito, uma prudente modéstia, uma sábia bondade, uma grave doçura, uma casta liberdade."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Temos fome, Senhor Jesus, do teu Pão de vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,30-35)(21/04/26)

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1. Caríssimos, transcrevo aqui parte da homilia do nosso saudoso Papa Francisco, comentando o Evangelho de hoje: "O Senhor veio para dar vida ao mundo e fá-lo sempre duma maneira que consegue desafiar a mesquinhez dos nossos cálculos, 


2. a mediocridade das nossas expetativas e a superficialidade dos nossos intelectualismos; coloca em discussão as nossas perspetivas e as nossas certezas, convidando-nos a passar a um horizonte novo que dá espaço a um modo diferente de construir a realidade.

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3. Ele é o Pão vivo descido do Céu: «quem vem a Mim não mais terá fome e quem crê em Mim jamais terá sede». Toda aquela gente descobriu que a fome de pão tinha também outros nomes: fome de Deus, fome de fraternidade, fome de encontro e de festa partilhada.

Habituamo-nos a comer o pão duro da desinformação, e acabamos prisioneiros do descrédito, dos rótulos e da infâmia.

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4. Julgamos que o conformismo saciaria a nossa sede, e acabamos por nos dessedentar de indiferença e insensibilidade; alimentamo-nos com sonhos de esplendor e grandeza, e acabamos por comer distração, fechamento e solidão; empanturramo-nos de conexões, e perdemos o gosto da fraternidade. 

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5. Buscamos o resultado rápido e seguro, e encontramo-nos oprimidos pela impaciência e a ansiedade. Prisioneiros da virtualidade, perdemos o gosto e o sabor da realidade.


6. Digamo-lo com força e sem medo: temos fome, Senhor, do pão da vossa Palavra capaz de abrir os nossos fechamentos e as nossas solidões; temos fome, Senhor, de fraternidade, onde a indiferença, o descrédito, a infâmia não encham as nossas mesas nem ocupem o primeiro lugar em nossa casa.

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7. Temos fome, Senhor, de encontros onde a vossa Palavra seja capaz de elevar a esperança, despertar a ternura, sensibilizar o coração abrindo caminhos de transformação e conversão. Temos fome, Senhor, de experimentar - como aquela multidão - a multiplicação da vossa misericórdia, 


8. capaz de quebrar os estereótipos e de repartir e partilhar a compaixão do Pai por cada pessoa, especialmente por aqueles de quem ninguém cuida, que são esquecidos ou desprezados. Digamo-lo com força e sem medo, temos fome de pão, Senhor: do pão da vossa Palavra, do pāo da fraternidade [e principalmente do Pão da vida eterna]. (Papa Francisco, trechos de sua homilia, 7 de maio de 2019)

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A fé não combina com nenhuma ideologia...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,22-29)(20/04/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, o mundo em que vivemos mergulhou de vez num abismo sem fundo de calúnias e mentiras; de interesses mesquinhos e luta pelo poder; e tudo isso por conta do egocentrismo, do autoritarismo e outros pecados tão perversos quanto esses. 


2. E as consequências estão estampadas aos nossos olhos: ódios, divisões, violências, pestes, guerras e mortes. Não duvidem, estamos perto do fim de tudo isso, porque não é possível tantas injustiças, pervecidades, maldades, arrogância, incredulidade, ofensas contra Deus e seus filhos e filhas, continuar impunes. 

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3. De fato, como estamos constatando, os homens não aprenderam as lições presentes nas Sagradas Escrituras, e por isso, continuam sua saga de dor e sofrimentos; porque, ao não se emendarem diante de tantos exemplos, desprezam o Senhor Jesus e seus ensinamentos, para continuar a beber da água pobre que Satanás lhes oferece.

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4. Na primeira leitura de hoje, vimos que santo Estevão foi caluniado, apedrejado e morto só pelo fato de ter falado a verdade que cura, liberta e salva quem nela acredita. Ora, para nós que acreditamos na misericórdia e no amor do Senhor, resta clamar para que Ele manifeste sua divina justiça que não somente pune os culpados; mas também liberta os seus filhos e filhas que se encontram oprimidos pela maldade advinda do inimigo de nossas almas e seus sequazes. 

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5. Destarte, meditemos com amor e atenção o Santo Evangelho de hoje, em que o Senhor Jesus é procurado pela multidão imbuída do desejo político de torna-lo rei. No entanto, contrariando tais espectativas, o Senhor lhes respondeu:

 

6. "Em verdade, em verdade vos digo: buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois, nele Deus Pai imprimiu o seu sinal."

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7. Com isso, aprendemos que não podemos misturar a fé com os interesses políticos e suas ideologias, pois o Senhor Jesus foi bem claro quanto a isso como vimos acima. Cabe a nós nos deixar conduzir pelo Espírito Santo que nos liberta dos interesses mesquinhos dos políticos e de suas agremiações partidárias. 


Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 19 de abril de 2026

O alicerce da vida em Cristo...

 Homilia do 3°Dom da Páscoa (Lc 24,13-35)(19/04/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, o alicerce da vida em Cristo é a fé, o amor, a perseverança e a esperança na vida eterna, para segui-lo fielmente por maiores que sejam as adversidades que enfrentamos por conta dos pecados cometidos contra Ele e os seus seguidores; por isso, cantemos com o salmista: "A nossa confiança está no Nome do Senhor que fez o céu e a terra." (Sl 120).

2. O Evangelho de hoje dá continuidade às evidências da presença de Jesus ressuscitado, nele são Lucas narra como foi a Sua aparição a dois discípulos que seguiam para o povoado de Emaús, diz ele: "Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 

3. Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram." Ou seja, muitas vezes não percebemos a presença do Senhor por conta das preocupações e desânimo advindos da falta de convicção.

4. Por isso, disse-lhes o Senhor: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!" E a partir daí abriu-lhes a mente e explicou as Escrituras fazendo-os entender que tudo isso padeceu em vista da nossa salvação; e os fez reconhce-lo ao partir o Pão, dando-lhes o privilégio da primeira celebração Eucarística depois da Ressurreição. 

5. De imediato voltaram ao Cenáculo onde testemunharam aos outros discípulos esse extraordinário acontecimento, levando por palavras e atos a nova realidade de ressuscitados com Cristo, para que os discípulos fizessem a mesma experiência que eles fizeram. 

6. Sem dúvida, o Senhor Jesus em pessoa também caminha conosco, porém, o que está nos impedindo de reconhce-lo? São Lucas descreve a tristeza, o desânimo e certa falta de esperança da parte dos discípulos de Emaús.

7. E foi isso o que apresentaram ao Senhor quando veio ao seu encontro e lhes explicou as Escrituras, no entanto, ao viverem essa experiência disseram: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” Decerto, também nós precisamos deste mesmo ardor para crescermos na percepção de que o Senhor caminha conosco nos concedendo a graça de reconhece-lo nas Escrituras e na celebração da Santa Eucaristia. 

8. Portanto, caríssimos, meditemos com atenção esta exortação do Papa Bento XVI sobre a ressurreição do Senhor: "Que a alegria destes dias torne ainda mais sólida a nossa fiel adesão a Cristo crucificado e ressuscitado. Acima de tudo, deixemo-nos cativar pelo encanto da sua ressurreição." (Bento XVI - Audiência Geral, 26/3/08).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de abril de 2026

Estamos atravessando com Cristo o mar revolto deste mundo...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,16-21)(18/04/26)

1. Caríssimos, na vida em comunidade não poder haver privilégiados, porque a santidade não é privilégio de poucos, mas um bem eterno para todos. Por isso, ninguém se aproprie de bem algum fora da vontade de Deus, seja intelectual, espiritual, moral, ou material; porque todos os bens pertence somente a Ele, que os distribui a todos como lhe apraz.

2. Ora, somos templos da Palavra, pela qual Deus criou todas as coisas, por isso, vivemos da Palavra, porque ela é a vida de nossas almas. Fora da Palavra, isto é, do Verbo de Deus; encontra-se tudo o que nos provoca, tudo o que nos tira a paz interior, tudo o que não é a vontade do Senhor, por isso, não podemos nos deixar dominar por aquilo que perece. 

3. Decerto, não somos deste mundo para vivermos conforme a mentalidade deste mundo, pois deste mundo o Senhor Jesus já nos tirou (cf. Jo 17,16-19); estamos aqui só para testemunhar o Seu Amor, pois Ele veio salvar a todos os que creem no Seu Nome e acolhem a Sua Vontade, expressa em Sua Palavra da qual somos portadores.

4. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus dá uma demonstração do seu poder para que os discípulos não duvidassem de quem Ele era; no entanto, eles se encheram de medo, pois demoraram crê que seria possível alguém caminhar sobre as águas e contra a forte ventania que os circundava; para eles, que estavam exaustos de tanto remar, isso seria impossível. 

5. De fato, também nós aqui estamos navegando no mar revolto deste mundo esperando a vinda gloriosa de Cristo; e por certo, estamos como que exaustos de tanto remar contra os terríveis tufões deste mar tenebroso. No entanto, o Senhor nos acalma como acalmou os discípulos: "Sou eu. Não tenhais medo”. Ou seja, o Senhor está conosco nos conduzindo ao Porto Seguro do Seu Reino. 

6. Portanto, caríssimos, quem tem um comandante como o Senhor Jesus nada pode temer nem mesmo o que tenta nos impor medo, como é o caso do mar tenebroso que ora estamos singrando. No entanto, precisamos confiar Nele internamente certos de que o nosso comandante tem todo poder sobre o céu e sobre a terra. 

7. Destarte, quem navega com Cristo na Barca da Sua Santa Igreja, tem a certeza de que ela nunca afunda por mais terrível que pareçam as tempestades, e a prova disso são os mais de dois mil anos que se passaram sem jamais perder-se um só daqueles que Nele confiaram. Ou seja, todos já chegaram às águas tranquilas do Seu Reino. 

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O poder de Deus é a manifestação do seu amor e da sua justiça...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 6,1-15)(17/04/26)

1. Caríssimos, eis a noção que temos de poder: o pode é uma força benéfica que age sempre em vista do bem que vem de Deus. Por outro lado, se age sem a graça de Deus, se torna uma força maléfica contrária ao bem, por isso, tende à autodestruição, porque sem a graça de Deus nenhum poder subsiste por si mesmo.

2. Com efeito, o poder de Deus é a manifestação do seu amor, da sua bondade e da sua misericordia para com todos; enquanto, o poder do maligno se manifesta pela mentira, arrogância e toda espécie de maldade, por isso, é insuportável, e sempre contrário a Cristo e aos seus santos mandamentos. Sem dúvida, fomos salvos por Cristo, mas ainda estamos numa zona de combate espiritual.

3. Na primeira leitura vemos a manifestação destes dois tipos de poder; Gamaliel, um fariseu membro do Sinédrio, aconselhou os demais membros a não lutarem contra o poder de Deus, porque eles queriam matar os Apóstolos por ensinar o povo em nome de Jesus, o qual tinha sido crucificado por ordem dos membros do Sinédrio, e que os Apóstolos afirmavam haver ressuscitado dos mortos e em seu nome realizavam prodígios e milagres.

4. No Evangelho de hoje vemos a manifestação do poder de Deus como narra são João: "Uma grande multidão o seguia, porque via os sinais que ele operava a favor dos doentes." Vendo tão grande multidão faminta vindo ao seu encontro o Senhor Jesus teve compaixão e providenciou junto com os Apóstolos alimento para todos multiplicando cinco pães e dois peixes a ponto de sobrar doze cestos. Ou seja, a providência divina age sempre em nossa vida desde que busquemos o Senhor Jesus de todo o nosso coração.

5. Portanto, caríssimos, por esses exemplos vemos que a vida vivida segundo a vontade de Deus é plena de satisfação, pois, o Senhor tudo providencia para que nada nos falte uma vez que Dele dependemos cem por cento. Por outro lado, quem pensa ser autossuficiente, na verdade, menospreza o poder de Deus, por isso, vive afundado na lama fétida do pecado da indiferença e da incredulidade.

6. Destarte, tudo o que é mal perde o sentido de ser, é vazio existecial, infelicidade permanente, por viver ausente da vontade de Deus. Desse modo, compreendemos que o inferno nada mais é do que a total ausência de Deus por toda a eternidade. 

7. De fato, as almas que não crêem vivem em permanente agonia, não conseguem ter paz, vivem num abismo de insatisfação dilacerante, numa tristeza mórbida, depressiva, infernal. E isso constatamos ao examinarmos esta sociedade desvairada, egocêntrica, perversa, malvada, sem nenhum sentido de ser.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A única força criativa é o Amor...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,31-36)(16/04/26)

1. Caríssimos, desde o início da criação o poder sempre foi uma das maiores tentações que o ser humano sofreu e continua sofrendo; e para aqueles que não o enxergam como um serviço, ele é uma droga maléfica capaz de cegar os que o detém levando-os para o mais terrível abismo onde não há salvação.

2. Decerto, é exatamente isso o que meditamos nesta liturgia. Na primeira leitura, o Sumo sacerdote alimentava um ódio tão grande contra Jesus que nem mencionava o seu nome e ainda proibiu os Apóstolos de ensinar e realizar prodígios no Santo Nome do Senhor. 

3. No entanto, a resposta de Pedro foi bem clara: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador." Ou seja, ninguém jamais poderá impedir a obra da salvação, porque o Senhor a realizou pelo seu sacrifício de cruz.

4. São Maximiliano Kolbe, antes de ser assassinado num campo de concentração nazista havia escrito: "O ódio não é uma força criativa; a força criativa é o amor." De fato, esse seu pensamento é uma inspiração divina, tendo como base o que escreveu são João: "Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino." (1Jo 3,14b-15).

5. Por isso, fiquemos atentos às tentações do ter e do poder, para que não sejamos contaminados pelo fermento dos Fariseus e dos mestres da lei, que usaram do poder que detinham, não para encontrar Jesus e segui-lo; mas, para persegui-lo e tirar-lhe a vida, como também dos seus seguidores. No entanto, Deus o ressuscitou dos mortos, e por Ele nos deu a vida eterna.

 6. Diante disso, somos convidados a seguir o caminho da humildade e do testemunho, reconhecendo que todo o poder terreno é passageiro, enquanto o Poder de Deus permanece para sempre. Seguir a Cristo exige a coragem de Pedro para obedecer a Deus antes que aos homens, transformando nossa autoridade e nossos dons em instrumentos de salvação. 

7. Portanto, caríssimos, que o exemplo de São Maximiliano nos recorde que, mesmo nas trevas mais profundas da opressão, o Amor é a única força que vence o ódio e a morte. Vivamos, pois, como autênticos filhos de Deus, servindo-nos uns aos outros com alegria, depositando nossa esperança Naquele que venceu o mundo e nos chama à perfeita comunhão de amor no Seu Reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Nada se compara ao infinito amor de Deus por nós...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,16-21)(15/04/26)


1. Caríssimos, que o mundo vive mergulhado no pecado, na desobediência e na maldade não temos dúvida, e isso constatamos pelo resultado nefasto que se abate sobre a humanidade, presente nas catástrofes naturais; nas doenças, nas guerras, nas discórdias e desavenças, como estamos constatando neste exato momento. De fato, se continuar assim este mundo se encaminha para um trágico fim.


2. No Evangelho de hoje dando continuidade ao seu colóquio com Nicodemos, disse o Senhor Jesus: "Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 


3. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito."


4. "Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus."


5. Decerto, como vimos nesse Evangelho, o Senhor Jesus nos 

revela a sua missão neste mundo, e com um certo pesar, nos mostra que mesmo se sacrificando pela salvação da humanidade, muitos não acreditarão Nele e por isso serão condenados. 


6. Sem dúvida, é muito triste essa constatação; no entanto, nem tudo está perdido, pois, os que se converterem e o acolherem no seu convívio, terão a vida eterna, é isso o que Ele nos garante como prova do seu amor por nós ao ser sacrificado na cruz.


7. Portanto, caríssimos, sejamos perseverantes na oração do coração, na vivência dos Sacramentos, na obediência à Sua Santa Palavra e na prática das obras de misericórdia, pois, elas são sinais de nosso desapego às coisas deste mundo; e da renúncia de nós mesmos em busca da conformidade à vontade de Deus Pai que nos deu o Seu Filho amado para sermos salvos por Ele. 


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Exemplos como estes nos convencem...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,7b-15)(14/04/26)


1. Caríssimos, num mundo egoísta, dividido e destruído por todo tipo de pecado como o nosso; Deus nos mostra exemplos bíblicos que são para nós uma fonte inesgotável de inspiração para que a nossa prática de vida revele a presença do Espírito Santo agindo no meio de nós como nas primeiras comunidades. 

2. Vejamos, por esta narração, o quanto este mundo está distante da verdade que o liberta. "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava como próprias as coisas que possuía, mas tudo entre eles era posto em comum." ou seja, a unidade perfeita advinda da renúncia, do desapego dos bens materiais. 

3. "Entre eles ninguém passava necessidade, pois aqueles que possuíam terras ou casas, vendiam-nas, levavam o dinheiro, e o colocavam aos pés dos apóstolos. Depois, era distribuído conforme a necessidade de cada um." Ou seja, caridade fraterna, solidariedade, doação total.

4. "Com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. E os fiéis eram estimados por todos." Em outras palavras, quando vivemos ressuscitados com Cristo, é o Senhor mesmo quem nos governa, nos tornando um só com Ele.

5. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus mostra ao doutor da Lei, Nicodemos, que é necessário nascer do alto, ou seja, da água e do Espírito Santo para a vida eterna. Com isso, compreendemos que o batismo que recebemos é o novo nascimento em estado de graça no seio da Sua Santa Igreja, sinal visível da nossa participação no Reino de Deus.

6. Portanto, caríssimos, não basta ser batizados, é preciso viver em conformidade com a vontade de Deus expressa nas primeiras comunidades, e também nesse nosso tempo, nas novas comunidades renovadas pelo sopro do Espírito Santo.

7. Destarte, escutemos com atenção esta exortação de são Paulo: "Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei." (Gl 5,24-25.23).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Ninguém pode impedir a obra da salvação...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,1-8)(13/04/26)

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1. Caríssimos, no Evangelho de hoje ouvimos Jesus dizer: “Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. Quem nasce da carne é carne; quem nasce do Espírito é espírito." Com isso, entendemos que o nosso Batismo é a porta de entrada no Reino de Deus.

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2. Em outras palavras, isso significa que pelo Sacramento do Batismo o Espírito Santo nos gerou na ordem da graça para a vida eterna. Ou seja, do mesmo modo que Ele gerou Jesus no seio da Virgem Maria, também nos gerou no seio da Santa Igreja para vivermos como filhos e filhas de Deus, ressuscitados com Cristo. 

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3. São Paulo, na Carta aos Romanos, assim se expressou à esse respeito: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição." (Rm 6,3-5).

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5. Portanto, caríssimos, oremos com a oração da bênção da água batismal feita durante a Vigília Pascal: "Senhor Nosso Deus: pelo vosso poder invisível, realizais maravilhas nos vossos sacramentos. Ao longo dos tempos, preparastes a água para manifestar a graça do Batismo. Logo no princípio do mundo, o vosso Espírito pairava sobre as águas, prefigurando o seu poder de santificar. 

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6. O vosso Filho, Jesus Cristo, ao ser batizado por João Batista nas águas do Jordão, recebeu a unção do Espírito Santo; suspenso na cruz, do seu lado aberto fez brotar sangue e água e, depois de ressuscitado, ordenou aos seus discípulos: «Ide e ensinai todos os povos e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28,19).

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7. E como pediram os teus discípulos no cenáculo após a liberação de Pedro e João: "Agora, Senhor, concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus". (At 4,29-30). Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de abril de 2026

Meu Senhor e meu Deus!


 Homilia do 2°Dom da Páscoa (Jo 20,19-31)(12/04/26)

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1. Caríssimos, neste segundo domingo da Páscoa do Senhor, a Igreja celebra a Grande Festa da Divina Misericórdia; esta Festa nos mostra que o Coração Misericordioso de Jesus está sempre aberto para acolher todos os que a Ele recorrem em busca do perdão e da misericórdia que lhes oferece para voltarem à perfeita comunhão com a vontade do Pai no seio da Sua Santa Igreja.
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2. Na primeira leitura de hoje, a comunidade reunida em torno de Pedro e dos demais Apóstolos, experimenta os prodígios que o Senhor Jesus realiza como fruto de sua ressurreição e de sua presença real no meio deles. 
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3. De fato, esses prodígios são a constatação de que a nossa fé é convivência real com o Senhor Ressuscitado; é também demonstração do que significa viver a unidade do Espírito no vínculo da paz que Ele gera em nossas almas. 
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4. Decerto, para coroar a profundidade desta liturgia meditemos o Evangelho de hoje, onde vemos o quanto é necessário a nossa presença permanente na comunidade que Deus nos deu para vivermos o seu amor entre nós. 
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5. Sem dúvida, foi por sua ausência na comunidade apostólica, que Tomé, como que perdeu a fé, pois, mesmo ouvindo o testemunho dos outros Apóstolos não acreditou; somente quando encontrou Jesus no seio da comunidade é que retornou à fé e a professou, dizendo humildemente: "Meu Senhor e meu Deus!" 
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6. Comentando este Evangelho disse o Padre Ubaldo Terrinoni: "Tomé está como que eletrocutado! Renuncia a qualquer pretensão de verificação. Não tem a coragem de estender a mão e limita-se a exprimir apenas duas palavras em língua aramaica, numa exclamação libertadora: "Meu Senhor e meu Deus" (Jo 20,28). 
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7. É um grito de libertação do medo e, ao mesmo tempo, é um grito de alegria; é uma profissão de fé e uma declaração de plena entrega confiante a Deus. E Jesus aproveita a ocasião para confirmar o binômio "crer para ver": "Porque viste, acreditaste; bem-aventurados os que não viram e acreditaram" (Jo 20,29). 
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8. Oremos: Fazei, Senhor Jesus, pela vossa Divina Misericórdia, que a luz do vosso amor continui a iluminar as nossas almas para que repletos do Espírito Santo mantenhamo-nos unidos para assim darmos os frutos da vossa redenção, como Maria Santíssima, São José, os Apóstolos e todos os santos e santas o fizeram em sua trajetória para o céu; vós que sois Deus com o Pai na unidade do Espírito Santo. Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 11 de abril de 2026

A tristeza é inimiga da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,9-15)(11/04/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, acolher e conviver com Jesus Ressuscitado e seguir os seus passos anunciando a sua ressurreição, é o que realmente dá sentido à nossa vida e vocação de filhos e filhas de Deus. Por isso, não tem como pensar a vida sem Cristo, porque somente Nele temos vida eternamente.

2. Por isso, muita atenção para não perdermos essa feliz comunhão com Ele por causa das distrações deste mundo. Tempo é vida e a quem damos o nosso tempo, damos também com ele a nossa vida. Por esse motivo, façamos um diagnóstico de nossas almas e vejamos como se encontram; qual o grau de intimidade com o Senhor Jesus e a Sua Santa Mãe? Quanto tempo lhes dedicamos?

3. No Evangelho de hoje, os Apóstolos deram tempo à tristeza e permaneceram nela, por isso, não acreditaram prontamente quando lhes anunciaram que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos; foi preciso que Ele lhes anunciasse pessoalmente para que voltassem a crer e deixar o desânimo fora de suas almas. 

4. De fato, quando damos a Deus o que somos e vivemos, todo o nosso tempo é dedicado à realização da Sua Santa Vontade. Pois a fé recebida no batismo é a certeza de que o Senhor Jesus está vivo conosco garantindo o nosso testemunho, como vimos acontecer com Pedro e João na primeira leitura. 

5. Decerto, que esse exemplo apostólico sirva de lição para nós, como meditamos no livro do Eclesiástico: "Não entregues tua alma à tristeza, não atormentes a ti mesmo em teus pensamentos. Tem compaixão de tua alma, torna-te agradável a Deus, e sê firme; concentra teu coração na santidade, e afasta a tristeza para longe de ti, pois a tristeza matou a muitos, e não há nela utilidade alguma." (Eclo 30,22.24-25).

6. Portanto, caríssimos, escutemos com atenção estas palavras de são João: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente. (1Jo 2,15-17).

7. Destarte, ao renovarmos nossa fé e confiança na vitória de Cristo sobre a morte, tornamo-nos verdadeiras testemunhas da esperança. Que, a exemplo de Maria Santíssima, saibamos guardar a Palavra em nossos corações e converter nosso tempo em eternidade, cumprindo com alegria a vontade do Pai até o dia do nosso encontro definitivo com Ele na sua glória eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Não podemos nos deixar abater pelo desânimo


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 21,1-14)(10/04/26)


1. Caríssimos, o nosso viver é feito de evidências e convicções, e tudo isso baseado na verdade que somos e cultivamos. Todavia, quando perdemos os motivos que dava sentido à essas convicções, também nos perdemos e por isso nos dispomos voltar aos nossos antigos planos, porém, não mais com o mesmo entusiasmo que tínhamos antes; é como se perdéssemos a esperança e tudo o que a alimentava.

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2. Com efeito, é assim que vemos os Apóstolos ao meditarmos o Evangelho de hoje. Vejamos o relato: "Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois discípulos de Jesus. Simão Pedro disse a eles: “Eu vou pescar”. Eles disseram: “Também vamos contigo”. Saíram e entraram na barca, mas não pescaram nada naquela noite."

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3. De fato, para quem tinha recebido do Senhor Jesus este convite: "Vinde a mim e eu farei de vós pescadores de homens." Após a sua trágica morte, virem esse sonho de liberdade eterna se desvanecer, foi realmente um terrível golpe, algo muito triste e doloroso de ser suportado. É como se tudo voltasse ao nada, à estaca zero.

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4. Decerto, por este episódio da pesca milagrosa compreendemos que Deus age sempre quando mais necessitamos; exatamente para nos livrar do pecado da autossuficiência, pelo qual nos achamos no controle de tudo, descartando até mesmo a graça da sua divina providência.

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5. Portanto, caríssimos, encontrar Jesus ressuscitado em meio ao desânimo e frustração de uma noite toda de trabalho sem nada conseguir além do cansaço, foi realmente ressuscitar com Ele de imediato; é por isso que vimos com quanta coragem Pedro e João, enfrentaram os algozes de Jesus, testemunhando a sua ressurreição.


6. Destarte, esse encontro nas margens do mar de Tiberíades nos recorda que, sem a presença de Jesus Ressuscitado, nossos esforços humanos são estéreis e nossas redes permanecem vazias. Jesus não apenas restaura a esperança perdida dos discípulos, mas também lhes mostra que a missão de "pescadores de homens" só é possível sob a Sua Palavra e orientação. 


7. Desse modo, quando reconhecemos a nossa fragilidade e permitimos que o Senhor assuma o comando da nossa barca, o cansaço da noite dá lugar à abundância do novo dia, transformando nossa desilusão em um testemunho vivo de fé. 


8. É maravilhoso perceber que ao ouvir o Senhor pedir para lançar as redes próximo de onde estavam e obedecerem, prontamente pegaram tamanha quantidade de peixes que por si mesmos não conseguiram depois de uma noite inteira de trabalho. De fato, Deus age assim quando confiamos na sua Palavra e lhe obedecemos.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Recebendo Jesus ressuscitado...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,35-48)(09/04/26)

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1. Queridos irmãos e irmãs, existe em nós uma tendência de nos apegarmos às condições em que nos sentimos seguros, cômodos, como que donos de nós mesmos e de tudo o que nos acontece; por isso, o que mexe com essa aparente segurança, nos incomoda de certa forma; é isso o que acontece quando acolhemos Jesus ressuscitado em nossas almas; por um lado, nos sentimos seguros de sua parte; mas, por outro, inseguros por nós mesmos.

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2. No Evangelho de hoje, percebemos que foi exatamente isso o que aconteceu com os Apóstolos quando se encontraram com o Senhor Jesus após a sua ressurreição. Vejamos o relato: "Naquele tempo, os discípulos de Emaús contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão. Ainda estavam falando, quando o próprio Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: “A paz esteja convosco!”

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3. De fato, para eles que viram a sua morte cruenta e participaram do seu sepultamento, não foi fácil acreditar de imediato; embora plenos de alegria, porém, devido à experiência negativa que viveram, ainda tinham dúvidas. 


4. Todavia, o Senhor as dissipa com sua intervenção empírica, dizendo: “Por que estais preocupados, e por que tendes dúvidas no coração? Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Tocai em mim e vede! Um fantasma não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho”.

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5. Sem dúvida alguma, essa é a nova condição, isto é, o novo viver, seja para os redimidos por Cristo; seja para aqueles que ainda não o acolheram; pois, foi para isto que Ele veio à este mundo, como Ele mesmo disse: "Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras." (Ap 21,5).

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6. Ora, neste tempo de crise que estamos atravessando, está mais do que provado que a humanidade precisa urgentemente de nosso Senhor, Jesus Cristo. Porque, ou se volta para Ele totalmente e se converte; ou então se perde nos abismos infernais nos quais está mergulhada atualmente.

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7. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o Senhor nesta exortação do Profeta Joel: "Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração, e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo". (Joel 2,12-13).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

A luz da fé dissipa as trevas da nossa ignorância...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 24,13-35)(08/04/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a nossa estadia neste mundo é temporária e isso nos mostra que estamos à caminho como os discípulos de Emaús, ou seja, acompanhados de Jesus que caminha conosco nos revelando a sua presença na Sagrada Escritura, no diálogo interior quando o escutamos em oração e na Santa Comunhão.
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2. Aliás, a esse respeito, escreveu, são Pedro: "Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas." (1Pd 1,8-9). 

3. De fato, viver seguindo o Senhor praticando as santas virtudes que Ele nos concede, é obter Dele a certeza da vida eterna. Pois, a fé com a qual fomos agraciados no batismo nos dá a certeza de que não seguimos sozinhos, mas com Cristo ressuscitado como aconteceu com os discípulos de Emaús. 
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4. Vejamos, então, alguns detalhes desse encontro de Jesus com os discípulos de Emaús, para assim fazer um paralelo do encontro com Ele no nosso dia a dia. Os discípulos a princípio estavam desanimados e sem a fé devida, mesmo tendo ouvido o relato das mulheres e dos Apóstolos de que o Senhor havia ressuscitado.
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5. Ora, apesar do desânimo, falta de esperança e de fé, ainda assim eles falavam seriamente sobre o assunto. Assim também acontece conosco, o Senhor Jesus se aproxima e toma a iniciativa mesmo quando estamos confusos sem nada entender. Daí concluímos com este versículo da Carta aos Hebreus: "Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade." (Hb 13,8).
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6. Portanto, caríssimos, mesmo estando ainda no tempo em meio a uma cultura de morte que se estende por toda parte, nada disso pode abalar a nossa fé, de modo que acreditamos firmemente que o Senhor Jesus, o Filho de Deus, está realmente vivo e caminha conosco rumo ao Reino dos céus. É isso o que nos mantém firmes até o fim. 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de abril de 2026

Deus nos deu o dom da fé para discipar as trevas das nossas misérias...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,11-18)(07/04/26)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a experiência que fazemos com Jesus Ressuscitado se dá em meio às nossas misérias, porque, embora tenhamos consciência de quanto é maravilhoso ama-lo e segui-lo, somos frequentemente tentados a deixar esse belíssimo propósito, para seguir aquilo que nos é sugerido pelas artemanhas do maligno. 

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2. No entanto, quando nos deixamos conduzir pelo Espírito Santo, resistimos a tudo o que não nos convém, e assim lutamos contra nós mesmos e às nossas concupicências que se apresentam querendo nos abater ou nos levar à desistir do nosso propósito de santidade. 


3. Por isso, precisamos escutar atentamente o que disse o Senhor: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca." (Mt 26,41). A carne significa a inclinação que temos para nos deixar levar pelas sugestões do maligno. "Entretanto, diz o Senhor, aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,13).

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4. No Evangelho de hoje vimos esse ato de perseverança em Maria Madalena que busca o corpo do Senhor em meio as incertezas que tomavam os espaços de sua alma abatida por ter presenciado a sua crucifixão; porém, o seu amor por Jesus era tamanho que nada a fez desistir do desejo de encontra-lo.

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5. De fato, às vezes o nosso humano quer falar mais alto do que a fé que recebemos do Senhor; todavia, "quando lutamos contra o nosso pior inimigo, que nós mesmos, vencemos todos os inimigos visíveis e invisíveis", como nos ensinou são Francisco de Assis. 

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6. Portanto, carissimos, como vimos nos exemplos acima, o importante é permacermos no Senhor ressuscitado dando os frutos da redenção que Ele realizou em nosso favor, para vivermos em santidade e justiça diante Dele todos os dias de nossa vida. 


7. Destarte, de uma coisa fiquemos certo, o Senhor Jesus estará sempre conosco seja qual for a situação ou dificuldade que enfrentarmos, como Ele mesmo prometeu: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 5 de abril de 2026

Cristo ressuscitou, aleluia! Venceu a morte com amor...


 Homilia do Domingo da Ressurreição do Senhor (Jo 20,1-9)(05/04/26)


1. Caríssimos, se olharmos no íntimo de nossas almas, por mais frágeis que sejamos, e mesmo nos sentindo mortais, não acreditamos na morte, mas, na vida eterna que recebemos no batismo como nos ensinou são Paulo: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4).

2. E continua ele: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória." (Cl 3,1-4).

3. Comentando o Evangelho da ressurreição do Senhor, disse o Papa Bento XVI: "A morte e ressurreição do Verbo de Deus encarnado é um evento de amor insuperável, é a vitória do Amor que nos libertou da escravidão do pecado e da morte. Ele mudou o curso da história, infundindo um significado e valor indeléveis e renovados na vida do homem, proclamar que desejamos permanecer para sempre com Deus, nosso Pai infinitamente bom e misericordioso. Entramos assim nas profundezas do mistério pascal.

4. Que ninguém feche o coração à onipotência desse amor redentor! Jesus Cristo morreu e ressuscitou por todos: Ele é a nossa esperança! Verdadeira esperança para cada ser humano. Hoje, como fez com os seus discípulos na Galileia antes de regressar ao Pai, também Jesus ressuscitado envia-nos a todos os lugares como testemunhas da sua esperança e assegura-nos: Eu estou convosco sempre, todos os dias, até ao fim do mundo (cf. Mt 28, 20).  

5. Fixando o olhar da alma nas chagas gloriosas do seu corpo transfigurado, podemos compreender o sentido e o valor do sofrimento, podemos aliviar as muitas chagas que continuam a sangrar a humanidade ainda nos nossos dias. Nas suas chagas gloriosas reconhecemos os sinais indeléveis da infinita misericórdia do Deus de quem fala o profeta: 

6. Ele é quem cura as feridas dos corações partidos, que defende os fracos e proclama a liberdade dos escravos, que conforta todos os aflitos e distribui o seu óleo de alegria em vez de pranto; um cântico de louvor em vez de um coração triste (cf. Is 61,1.2.3).  

7. Se nos aproximarmos dele com humilde confiança, encontramos em seu olhar a resposta ao anseio mais profundo de nosso coração: conhecer Deus e entrar em uma relação vital com ele, que enche nossa existência e nossas relações interpessoais e sociais com seu próprio amor. Por isso, a humanidade precisa de Cristo: nele, nossa esperança, "fomos salvos" (cf. Rm 8,24). (Bento XVI - Mensagem Urbi et Orbi, 23/3/2008)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 4 de abril de 2026

Iluminados pela Luz de Cristo ressuscitado...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA SÁBADO SANTO (Mt 28,1-10)(04/04/26)

1. Caríssimos irmãos e irmãs, meditemos com atenção estas palavras do saudoso Papa Francisco, sobre o Sábado de aleluia: "O Sábado Santo é o dia no qual a Igreja contempla o «repouso» de Cristo no túmulo depois do combate vitorioso da cruz.
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2. Neste dia a Igreja, identifica-se mais uma vez com Maria: toda a sua fé está reunida nela, a primeira e perfeita discípula, a primeira e perfeita crente. Na obscuridade que envolve a criação, ela permanece sozinha a manter acesa a chama da fé, esperando contra toda esperança (cf. Rm 4, 18) na Ressurreição de Jesus."
3. São Boaventura assim também discorreu sobre este dia: "Na aurora do terceiro dia do repouso sagrado do Senhor no sepulcro, o poder e a sabedoria de Deus, Cristo, tendo abatido o autor da morte, triunfou da própria morte, abriu-nos o acesso à eternidade e ressuscitou de entre os mortos pelo seu poder divino, para nos indicar os caminhos da Vida. Iluminou a nossa fé com provas e elevou a nossa esperança com promessas, para finalmente inflamar o nosso amor com dons celestes."

4. E também são Cromácio de Aquileia (séc. IV): "Esta noite merece bem o seu nome: vigília do Senhor, porque o Senhor acordou vivo para que nós não ficássemos adormecidos na morte. Com efeito, Ele sofreu por nós o sono da morte, pelo mistério da sua Paixão; mas esse sono do Senhor tornou-se a vigília do mundo inteiro, porque a morte de Cristo afastou para longe de nós o sono da morte eterna. 

5. Ele próprio o declara pelo profeta: «Então, despertei e reparei quão doce tinha sido o meu sono!» (Sl 3,6; Jr 31,26). Esse sono de Cristo, que nos chamou da amargura da morte para nos levar à doçura da vida, não pode deixar de ser doce."

6. Com efeito, viver num mundo barulhento como o nosso e se deixar contaminar por ele, é perder o essencial que gera a paz interior de que tanto precisamos, ou seja, o silêncio sagrando, nele nos deleitamos com o Senhor num colóquio ardente, numa linguagem única que só quem a usa conhece perfeitamente, porque são conduzidos pelo Espírito Santo.
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7. Portanto, caríssimos, deixemos o mundo e os seus esquemas barulhentos e confusos; usemos de profundo silêncio em nossa mente para apagarmos os dardos inflamados dos pensamentos vãos, desordenados e estranhos; e assim, encontrarmos o Senhor na quietude de nossas almas iluminadas pela Sua Divina Presença.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Só é possível aceitar a cruz e o sofrimento mediante a fé...

 Homilia da sexta-feira da Paixão e morte do Senhor (Jo 18,1–19,42)(03/04/26)

1. Caríssimos, em nossa finitude compeendemos que a morte é uma realidade que nos acompanha a cada momento, mas ela é também um grande mistério, desvendado por Cristo que não se poupou, mas por nós se entregou ao Pai como oferta de suave odor para nos livrar do pecado e da morte eterna. 

2. De fato, a morte nos incomoda, e de certo modo nos dá medo por não conhecermos o devir, o nosso vir a ser; todavia, por sua morte de cruz o Senhor Jesus nos tranquilizou ao vence-la por sua obediência e amor incondicional ao Pai. 

3. E tudo isso Ele fez porque nos amou até o fim e o demonstrou ao dar a sua vida em resgate pela nossa para que a morte nunca mais nos incomodasse ou gerasse medo por não conhecermos o nosso destino eterno.

4. Todavia, para isso o Senhor Jesus nos deu a fé, o seu exemplo de amor e obediência ao Pai que o ressuscitou dos mortos e nos fazendo ressuscitar com Ele; para assim vencermos esse mistério que ultrapassa as nossas forças e o nosso entendimento natural.

5. A Carta aos Hebreus nos ensina como o Senhor Jesus venceu a morte e os inimigos que levam à ela: "Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. 

6. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem." (Hb 5,7-9). 

7. Portanto, caríssimos, o que significa para nós a morte do Filho de Deus? Significa o retorno ao estado de graça, a volta para a casa do Pai, a nossa participação na sua natureza Divina, e a felicidade eterna no Reino de Deus. 

8. Destarte, sigamos confiantes como o Senhor Jesus nos ensinou: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A Eucaristia, é o sacramento da Caridade...


 Quinta-feira Santa - Missa da Ceia do Senhor (Jo 13,1-15)(02/04/26)


1. Caríssimos, olhando este mundo desmoronando como se tudo fosse acabar de repente refletimos, como tudo poderia ser diferente se a humanidade tivesse deixado o pecado para acolher o Senhor Jesus como o Messias, o ungido de Deus Pai; todavia, ainda há tempo para se voltar para Ele de todo coração e acolhe-lo por meio da Sua Santa Igreja, no Sacramento da Eucaristia que é a Sua Presença Real como Fonte inesgotável da nossa salvação.

2. Comentando a instituição desse Sacramento, disse o Papa Bento XVI: "Sacramento da Caridade, a Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a dar «a vida pelos amigos» (Jo 15,13). De fato, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13,1).

3. Decerto, todo homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, «caminho, verdade e vida» (Jo 14,6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela Fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. 

4. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. No Sacramento da Eucaristia, o Senhor Jesus mostra-nos de modo especial a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo homem e ao homem todo. 

5. Por isso, a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (cf 2Tim 4,2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus." (Santa Missa na Ceia do Senhor, 20/3/08). 

6. Portanto, caríssimos, receber o Senhor Jesus na Eucaristia e pernacer Nele fazendo a sua vontade é anuncia-lo a todos com a própria vida dizendo como são Paulo disse: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,20). 

7. Destarte, anunciar o Senhor Jesus é conviver com Ele interiormente e exteriormente, e anunciar o fruto dessa convivência espiritual, ou seja, transparece-lo para todos; e é exatamente isso o que a Santa Eucaristia nos proporciona.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

É horrível a ganância e a frieza de um traidor...

 QUARTA-FEIRA SANTA (Mt 26,14-25)(01/04/26)

1. Caríssimos, a quarta-feira da Semana Santa, é o dia em que se encerra o período quaresmal. Em algumas igrejas, celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos, com Nossa Senhora das Dores. E também algumas igrejas celebram o ofício das trevas, lembrando que o mundo já estava em trevas quando da proximidade da morte de nosso Senhor Jesus Cristo.

2. O evangelho de hoje, narra a traição de Judas, descrevendo como este foi ter com os chefes dos sacerdotes, a quem se ofereceu para trair o Senhor Jesus. Aceitando trinta moedas de prata, o preço de um escravo fugitivo, como recompensa da sua traição.

3. Meditando este Evangelho o que aprendemos para não cair na mesma tentação de Judas? Ora, a traição é o tipo de comportamento em que o ser humano perde completamente o senso do amor fraterno, gerando, com isso, o desprezo do próximo, digamos que é um mergulho no mais profundo da maldade, por isso, leva ao desespero o infrator que a comete.

4. ​Ora, é interessante notar que Judas conviveu intimamente com o Mestre, presenciando seus milagres e ensinamentos de amor, e ainda assim escolheu a traição. Isso revela a profundidade do livre-arbítrio; e quanto a falta de vigilância leva à perda do mesmo. 

5. De fato, Deus não anula a nossa vontade, mesmo quando decidimos seguir caminhos de autodestruição; a traição não foi algo imposto, mas uma escolha cultivada no silêncio do coração do traidor. Ou seja, quem se desliga do essencial que recebe, perde a perfeita comunhão com Deus seu doador. O inferno nada mais é do que a total ausência de Deus na alma.

6. Por fim, vemos nessa narração uma advertência severa sobre o destino do traidor, afirmando que "teria sido melhor não ter nascido". Ora, aqui não se trata de uma condenação vingativa, mas de uma constatação da tragédia existencial de quem se fecha totalmente ao amor e ao perdão.

7. Destarte, a traição de Judas serve como um espelho para as nossas traições pessoais, convidando-nos à vigilância e à lealdade. Lembrando-nos que a eternidade que desejamos, nós a estamos vivendo a partir das nossas escolhas e decisões usando para isso o nosso livre arbítrio.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

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