Aqui encontrarás o que o Senhor te dirá para permaneceres na fidelidade à caminho de sua Glória Eterna.
VEM SENHOR JESUS!
SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO
"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
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sábado, 15 de fevereiro de 2020
SOLIDARIEDADE E PARTILHA FRATERNA...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,1-10)(15/02/20)
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Caríssimos, vivemos num mundo contaminado pelos os interesses políticos, econômicos e de poder; e os que se dão à esses interesses tendem sempre a manipular a opinião pública à seu favor a fim de manterem o status que conquistaram com suas manipulações e enganos, por isso, são mentirosos compulsivos, prometem tudo, porém, pouco ou nada cumprem.
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Outros são cheios de boas intenções em seus ideais, mas tropeçam ao serem condizentes com os inimigos da fé e dos bons costumes, e por isso, trilham com eles a via da ruína e da perdição que cultivam por suas atitudes que visam destruir a comunhão com Deus e entre nós; tal como vimos acontecer com Jeroboão na primeira leitura de hoje.
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O Evangelho deste dia narra a multiplicação dos pães, e nele vimos como Deus age em comunhão conosco incentivando a solidariedade e a partilha em vista de suprir as necessidades básicas daqueles que o buscam, e faz isso por meio de sua divina providência. Em outras palavras, o Senhor nos dá tudo o que precisamos quando o buscamos de todo coração.
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Meditando esse Evangelho vimos que era imensa a multidão que seguia Jesus, mesmo em condições adversas. Mas, por que o buscavam? Somente por causa dos sinais que realizava ou por conta dos seus ensinamentos? Lendo o Evangelho de Mateus, temos a resposta: "Quando Jesus terminou o discurso, a multidão ficou impressionada com a sua doutrina. Com efeito, ele a ensinava como quem tinha autoridade e não como os seus escribas." (Mt 7,29).
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Caríssimos, aqueles que vivem de manipulações e interesses mesquinhos jamais agradam a Deus; pelo contrário, vivem acossados e instigados pelo maligno, por isso, causam divisões. Todavia, quem busca o Senhor e o serve de coração pela solidariedade e partilha fraterna, encontra Nele o apoio e as graças que suprem suas necessidades e os conduz a vida à vida eterna.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
AS VIRTUDES FUNDAMENTAIS DA ORAÇÃO...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(13/02/20)
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Caríssimos, a fidelidade a Deus por meio da obediência à Sua Palavra, é uma grande virtude, que traduz a nossa adesão total a Ele, porém, parecisamos perseverar até o fim nessa graça, especialmente quando somos tentados a relativisar a prática da nossa fé, ou seja, quando somos tentados a pensar que todos os outros credos são iguais ao nosso; quando na verdade não são. Respeitar quem os professa sim; porém, sem jamais aderir à eles.
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Com efeito, na primeira leitura de hoje vimos como Salomão esfriou na piedade e comunhão com o Senhor afastando-se Dele por meio de práticas religiosas não condizentes com a sua fé. E o resultado de sua infidelidade foi terrível, pois, trouxe a divisão para o povo de Deus e a decadência da fé e dos bons costumes em larga escala.
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No Evangelho de hoje uma mulher que não fazia parte do povo eleito, se aproxima de Jesus e lhe faz uma ardente súplica em favor de sua filha atormentado por um demônio. A princípio Jesus a escuta, mas lhe responde não conforme o que havia suplicado; todavia, ela apresentou ao Senhor os virtudes fundamentais da oração: fé, humildade, perseverança e esperança; desse modo, foi prontamente atendida.
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Caríssimos, pelos exemplos que vemos nos Evangelhos, todos os que se aproximaram de Jesus foram atendidos em suas necessidades; exceto os escribas, fariseus e doutores da lei, por causa da dureza de coração; é que num coração repleto de orgulho, egoísmo e prepotência não existe espaço para a graça de Deus.
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Portanto, quando a nossa oração é uma expressão da nossa comunhão com a vontade de Deus, ela revela as mesmas virtudes da oração da mulher cananéia, por isso, também somos prontamente atendidos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
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humildade,
oração,
perseverança
sábado, 1 de fevereiro de 2020
JESUS ACALMA AS TEMPESTADES...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,35-41)(01/02/20)
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Caríssimos, a luta contra o pecado é permanente, isto porque as tentações são constantes. Porém, em meio à essa luta Jesus está sempre conosco à frente de todas as nossas batalhas, só precisamos nos manter fiéis a Ele. Escutemos, então, são Paulo a esse respeito: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela."
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A liturgia deste dia nos exorta a evitarmos as tentações e o pecado, isto porque nenhum pecado cometido é isento das consequências que dele advêm; ora, contatamos isso na primeira leitura de hoje, onde o rei Davi caiu em si ao ser interpelado pelo Profeta Natan, e percebeu a gravidade do seu pecado e as terríveis consequências dele. De fato, Davi se arrependeu e foi perdoado por Deus, mas nem por isso deixou de sofrer as penas por seu desvario.
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O Evangelho deste dia nos recorda que estamos na barca de Pedro, a Igreja, com Cristo que repousa nela. Só que no mais das vezes damos demasiada atenção às tempestades das calúnias e dos acontecimentos adversos nos esquecendo que Jesus singra conosco, na mesma barca, atravessando o mar revolto deste mundo. E quando sentimos que estamos afundando, nos queixamos como os Apostolos: "Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?”
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Caríssimos, quando nas lutas diárias enfrentamos as tempestades e os desequilíbrios das ondas da maldade deste mundo, precisamos silenciar os nossos pensamentos, sentimentos e emoções, para em silêncio buscar o Senhor e ouvi-lo. Pois, como vimos no relato do Evangelho: "Jesus se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria." Todavia, preparemo-nos, porque certamente o Senhor nos dirá: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?”
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
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tempestades
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...
FALANDO
AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...
A fé evidente é dom do Espírito Santo, pois
é ele quem nos dá essa evidência nos fazendo participar diretamente dela. Ter a
evidência da presença de Deus em nossa vida é ter a certeza de que é Deus quem
está agindo em nós e por meio de nós, por acreditarmos no seu amor para
conosco. Por isso temos a convicção de que Ele nunca nos deixa sozinhos, pois
até nos dá um anjo da guarda para nos acompanhar sempre (cf. Sl 33,8), e só
precisamos dar ouvidos ao que ele nos fala (cf. Ex 23,20-23a), mas tudo isso acontece
pelas graças abundantes do Senhor em cada um de nós.
São Paulo ao falar da evidência da fé, diz:
“A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi
ela que fez a glória dos nossos, antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo
foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do
invisível”. (Hb 11,1-3). E ainda: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus,
pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e
que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6). Ou seja, é por meio de nossa fé
que os acontecimentos de nossa vida ocorrem em conformidade com a vontade de
Deus, isto é, segundo o seu plano de amor para a nossa salvação, como nos
ensina o profeta Habacuc: “O meu justo viverá da fé” (Hab 2,3a). Também o
Senhor Jesus nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Tudo é possível ao que crê”
(Mc 9,23b).
Existem vários episódios nos Evangelhos que
bem demostram a mudança dos acontecimentos pela fé, vejamos alguns deles: a
cura da mulher com fluxo de sangue (cf. Mc 5,25-34); o paralítico transportado
numa maca por sobre uma brecha da casa onde Jesus se encontrava (cf. Mc 2,1-12);
a cura do servo do oficial romano (cf. Lc 7,1-10); a cura do menino epiléptico
(cf. Mt 17,14-18); a libertação da filha da Cananéia (cf. Mt 15,22-28); a cura do
cego de nascença (cf. Jo 9); a ressurreição da filha de Jairo, chefe da
sinagoga (cf. Mc 5,22-24;34-43); a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11), e tantos
outros. Todos esses acontecimentos foram mudados por meio da fé, assim,
percebemos a importância deste dom do Espírito Santo para a nossa vida e para a
nossa salvação.
De fato, todo dom precisa ser alimentado, desenvolvido,
cultivado até que dê os frutos esperados. E como fazemos isto com o dom da fé?
Com efeito, nossas almas são terrenos férteis onde brotam as sementes dos dons
do Espírito Santo; e com a fé não pode ser diferente, ela é graça transbordante
que nos faz enxergar além do nosso entendimento, e nos faz alcançar as graças
que Deus dispõe a nosso favor. Mas, como todo dom, a fé precisa de outros dons
para crescer e se multiplicar, assim, os dons que alimentam a fé são: piedade
(vivência da fé ou a expressão da fé); oração (dom de comunhão com Deus Altíssimo);
confissão (sacramento do arrependimento e do perdão dos pecados); eucaristia (o
Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, alimento da vida
eterna); leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina); e a prática
das obras de misericórdia ou caridade, também chamadas obras da fé (cf. Ef
2,10). Quem vive alimentando a fé por meio desses dons, poderá até dizer a uma
alta montanha, caso seja necessário para a salvação das almas, atira-te ao mar,
e ela se nos obedecerá.
Portanto, o que é preciso para a vivência
da fé nós já o recebemos em nosso batismo, pois ele é o início da nossa vida em
Deus, como nos ensinou São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos
movemos e somos” (At 17,28a). Além disso, temos o testemunho dos santos que viveram
em tudo a vontade de Deus, professando a fé em Cristo Ressuscitado; muitos deles
derramaram o próprio sangue, como os justos das Sagradas Escrituras e tantos outros
mártires da fé, que ao longo dos séculos, sacrificaram suas vidas e por esse
sacrifício se tornaram exemplos vivos de fé e de amor a Deus e aos seus irmãos
na fé. Assim, viver da fé requer de nós o empenho de toda a vida, para nunca
nos afastarmos do Senhor, que nos dá a vida eterna.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
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sábado, 25 de janeiro de 2014
A LÓGICA DA FÉ...
A LÓGICA DA FÉ...
O que é acreditar? Em se tratando da nossa
naturalidade, crê é se mover dentro dos limites de nossas capacidades para
fazer acontecer, como fruto do nosso trabalho, quer intelectual, científico,
físico, etc., aquilo que almejamos e planejamos para o bem estar de todos. Porém,
quando tratamos de nossas almas, aí passamos da realidade exterior, isto é, do
nosso habitat natural com suas leis e possibilidades, para a realidade interior,
espiritual, mística; onde acreditar é se unir a Deus e permanecer Nele para fazer
acontecer sua vontade que significa a perfeição eterna que o Senhor nos
proporciona, por meio da fé, no seu poder criador e restaurador de todas as
coisas. Pois quando digo: “creio Senhor”, o digo movido por sua graça que me
faz viver segundo sua vontade, tornando minha realidade também a sua;
fazendo-me compreender que sou seu filho no seu Filho Jesus Cristo, que por sua
morte de cruz, realizou seu eterno plano de amor para a nossa salvação.
Certa feita, alguém me perguntou: Frei, eu
vou ser salva de quê? Também lhe perguntei: estás satisfeita com todo o mal que
se encontra no mundo atualmente? Fome, peste, guerras, tragédias naturais
causadas pela degradação da natureza; tráfego de drogas, de armas, de pessoas;
trabalho escravo; opressão de toda espécie; maldades incontáveis; perversões contra
os bons costumes, corrupções, destruição dos valores humanos, etc.? De fato,
vivemos uma cultura de morte sem precedentes, nunca se matou tanto como nesse
nosso tempo; seja pela guerra entre nações, seja pela guerra urbana, isto é,
nas grandes e pequenas cidades, onde a bandidagem se multiplica dia a dia; seja
pela guerra no trânsito em nossas rodovias ou não; seja pelas doenças incuráveis
ou outras igualmente letais; seja pelos vícios e paixões desordenadas; seja
ainda pela violência doméstica, que faz vítimas e mais vítimas a cada segundo,
etc. etc. etc...
Realmente, precisamos da fé, dom de Deus,
para permanecermos Nele e mudar o que está destruindo nossas famílias e nossa
sociedade como um todo; e isso é possível mediante a conversão aos valores
cristãos, pois somente Jesus Cristo em cada um de nós pode realizar a
transformação necessária, para termos paz neste mundo. Sem o acolhimento de sua
vontade essa realidade que está aí vai piorar até se tornar um abismo sem
volta. Para que isso não aconteça é necessário ouvirmos o Senhor e praticarmos
o que Ele nos ensina: “Entrai pela porta
estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e
numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o
caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14). E
ainda: “Buscai em primeiro lugar o Reino de
Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos
preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas
preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,33-34).
Com efeito, o Senhor também já nos havia alertado
sobre a perca da fé, dizendo: “Mas, quando vier o
Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A fé é graça do Espírito
Santo, no coração e na alma dos batizados, ela age perfeitamente nos unindo ao
Senhor Jesus, para que demos testemunho da sua real presença conosco no mundo e
por Ele agirmos em todo o nosso proceder, como nos ensinou São Paulo: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por
obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. (Cl
3,17). E ainda: “Tudo o que fizerdes,
fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que
recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo,
Senhor”. (Cl 3,23-24).
Ora, “O
amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos,
logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já
não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu. Por isso,
nós daqui em diante a ninguém conhecemos de um modo humano. Muito embora
tenhamos considerado Cristo dessa maneira, agora já não o julgamos assim. Todo
aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que
tudo se fez novo!” (2Cor 5,14-17).
Portanto, “Tudo é possível ao que crê”, (Mc 9,23), disse Jesus, o Filho de
Deus; logo, esse dom de crê vai muito além da finitude da compressão racional, porque
a razão precisa sempre de evidências para aceitar o que é além do que pode
compreender; enquanto que a fé produz a evidência de que a razão não é capaz mesmo
com o raciocínio lógico. Desse modo, a lógica da fé consiste no transpor a
natureza das coisas e da própria razão, fazendo acontecer as evidências necessárias
ao aliar amor, confiança, esperança e determinação, que são valores eternos
intrínsecos presentes na alma humana, para produzir os efeitos desejados pela
fé. Ou seja, é a alma humana aliada à Deus presente nela que faz acontecer pela
fé a vontade de Deus, isto é, a perfeição de todas as coisas. Assim,
compreendemos que a fé natural nada é sem Deus, porque mesmo sendo inata
precisa da graça do Senhor para ter o poder que tem de vencer os limites e
realizar o que a razão não pode por si mesma. Crer é amar a Deus e se unir a
Ele pelo amor, é obedecê-lo em tudo para que se cumpra a sua vontade em nossa
vida, aqui e eternamente em sua glória. Amém! Assim seja!
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013
O QUE É A FÉ?
O QUE É A FÉ?
De imediato, a fé é
um dom de Deus inato, pois já nascemos com ela, isto porque, naturalmente
acreditamos na vida que temos, e naquilo que perfaz o nosso ser e estar no
mundo. Todavia, a fé é também um dom sobrenatural, carismático, recebido do
Espírito Santo quando fomos batizados; nesse sentido, pela vivência da fé, podemos
alcançar o impossível, pois assim nos ensinou o Senhor: “Tudo é possível ao que
crê” (Mc 9,2). Ora, acreditar em Jesus é assemelhar-se a ele na convivência com
o Pai, é fazer em tudo sua vontade (cf. 1Jo 2,6); pois a fé incondicional
significa obediência total, mesmo que essa obediência resulte em morte de cruz.
Logo, acreditar no Senhor é unir-se perfeitamente a ele pela ação do Espírito
Santo na Eucaristia, ou seja, é comungar seu Corpo e Sangue, sua Alma e
Divindade, e obter como resultado a santidade que o Senhor mesmo nos comunica.
Por isso, só crê verdadeiramente quem ama incondicionalmente, porque a fé
verdadeira é fruto do amor a Deus acima de todas as coisas e do amor ao próximo
como a si mesmo.
São Tiago nos
ensina que, “a fé sem obras é morta”, neste caso, ele se refere às obras do
amor, e elas começam com o perdão dado e recebido por um coração misericordioso
que tem no perdão o maior dom de cura, visto que, um coração reconciliado vive
em permanente comunhão com o Senhor e é conduzido por ele. Quaisquer outras
obras são frutos da missão que recebemos de Deus para que se cumpra sua
Palavra: “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não
provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para
que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas
ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos”. (Ef
6,8-10).
Existe na Igreja um
cântico do creio onde cantamos: “Creio Senhor, mas aumentai minha a fé”...
Certa feita, “Os apóstolos disseram ao Senhor: Aumenta-nos a fé! Disse o
Senhor: Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira:
Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá”. (Lc 17,5-6). Ou seja,
o Senhor está nos indicando que a fé é dom gratuito, com o poder divino de
suspender até as próprias leis da natureza para que se cumpra a vontade de Deus
em vista da salvação das almas. Por isso, quando digo: creio, estou frente a
frente com Deus em minha vida e tudo o que a compõe; desse modo, a fé é fruto
do relacionamento filial e uma firme disposição a serviço do Reino de Deus e de
sua justiça. Ela é submissão amorosa, dependência total que libera o poder de
Deus em favor de seus filhos e filhas.
Portanto, a fé como
dom de Deus não é apenas uma profissão, mais do que isto, ela é um modo de ser
que faz acontecer a vontade de Deus em todos os sentidos da vida; é isso o que
vemos na vida de Jesus, “autor e consumador de nossa fé” (Heb 12,2). Crer é
viver segundo a vontade de Deus e assim ser vontade de Deus para toda criação a
começar pela realidade na qual nos encontramos. “Na realidade, pela fé eu morri
para a lei, a fim de viver para Deus. Estou pregado à cruz de Cristo. Eu vivo,
mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne,
eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim”. (Gal
2,19-20). Essa é a fé que nos foi comunicada pelo Espírito Santo para a nossa
salvação e de toda a humanidade; sem a cruz de Cristo não há fé verdadeira.
Destarte, uma fé
baseada na prosperidade material é falsa, porque não é dom de Deus, mas uma
artimanha do inimigo de nossas almas que quer que acreditemos no ter mais e não
no ser um só com Cristo, que nos diz: “Se alguém quer seguir-Me, renuncie a si
mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai
perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de Mim, vai encontrá-la. Com
efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua vida? O que
pode um homem dar em troca da sua vida? Porque o Filho do Homem virá na glória
de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a
própria conduta”. (Mt 16,24-27). “[Porque] sem fé é impossível agradar a Deus,
pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e
que recompensa os que o procuram”. (Heb 11,6).
Paz e Bem!
Frei Fernando
Maria,OFMConv.
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segunda-feira, 25 de março de 2013
SER, VIVER E FAZER, EIS A QUESTÃO...

SER,
VIVER
E FAZER, EIS A QUESTÃO...
Para
nós que cremos e
naturalmente aqui estamos, a
vida é um lindo presente de Deus, mas também um constante
aprendizado, seja no campo das ciências naturais, comportamentais,
tecnológicas; seja ainda no campo das ciências teológicas. Apesar
de toda inteligência e capacidades que Deus, nosso Criador, nos
concedeu, ainda assim precisamos das evidências necessárias para
constatarmos a veracidade de nossas descobertas e crenças.
Sem
dúvida alguma, vivemos envoltos pelos sublimes mistérios de Deus,
do homem e de todas as coisas existentes. Às vezes temos respostas
intelectuais para tudo, menos para nossa vida pessoal e o que se
sucede após o seu término. Pois, por mais que a razão humana
chegue às conclusões óbvias sobre o que indaga, quase sempre
esbarra no limite de sua finitude, com exceção da fé que nos faz
ver e entender muito além de nossa razão obscura.
Nem
tudo cabe no entendimento humano. Por mais explicações e evidências
que tenhamos, ainda assim ficamos sem respostas para a vida e para
quase tudo que a cerca. Isto acontece talvez pela falta de humildade
e de fé do homem de não querer admitir a presença evidente de Deus
na criação e mais diretamente em nosso viver, “porque é em Deus
que nós vivemos, nos movemos e somos”, mesmo que os incrédulos e
malfeitores não admitam isso.
De fato, precisamos do dom da fé para nos atermos seguros de nossas
convicções e assim convivermos com o Senhor e nos deixar conduzir
por Ele, que nos ama e quer permanecer conosco numa profunda e
constante comunhão de amor.
Então,
quais os meios e evidências que Deus nos dá para isto? A primeira
evidência somos nós mesmos e a própria obra da criação, porque
somente em Deus nos sentimos seguros, visto
que, fora de Deus nada nos
sustenta nem mesmo os conhecimentos e as descobertas mais relevantes,
porque com a morte tudo se esvai. A segunda e mais importante
evidência é a vinda de Jesus Cristo, Seu Filho amado, ao seio de
nossa humanidade como um de nós, conforme nos ensinou São Paulo:
“Mas
quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu
de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que
estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção filial.
A
prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o
Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!
Portanto
já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também
herdeiro por Deus”. (Gal
4,4-7).
Então,
o que precisamos fazer para
termos a
vida eternamente? Interessante essa pergunta, porque certa feita um
jovem também a fez a Jesus, como lemos no Evangelho de São Mateus
19,16-22: em
tal ocasião o Senhor recomendou àquele jovem que obedecesse aos
santos mandamentos da Lei de Deus, ao que o jovem respondeu que já o
fazia
desde a mais tenra idade, porém, sentindo que ainda lhe faltava
alguma coisa, perguntou
ele a Jesus: “Que me falta ainda?”; e obteve como resposta: “Se
queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e
terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ouvindo essas
palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos
bens”.
E
nós,
o que precisamos também para
seguir Jesus e termos a vida eterna Nele?
Como ouvimos acima, precisamos obedecer aos santos mandamentos e
fazer o
bem para o qual fomos criados, sem acumularmos nada, pois, foi
isto o que nos ensinou São
Paulo:”Sem
dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, porém quando
acompanhada de espírito de desprendimento.
Porque
nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar.
Tendo
alimento e vestuário, contentemo-nos com isto. Aqueles que
ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em
muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no
abismo da ruína e da
perdição. Porque
a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela
cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas
aflições.
Mas
tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho
a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão.
Combate
o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste
chamado”. (1Tim
6,6-12).
Portanto,
obedeçamos e façamos o
bem, e não nos preocupemos
se alguém nos criticar por fazermos tão pouco, o importante é que
o nosso fazer seja um fazer para Deus. Agir e reagir são ações que
dependem de cada situação; às vezes por medo, omissão ou culpa
nos abstemos de fazer o bem que cada situação de nossa vida nos
pede, porém, quando conscientes de nossa inocência não temos
nenhum medo de fazê-lo, porque Deus que é
o Senhor de nossa vida, se
faz presente em nossa inocência e
é o primeiro a nos
incentivar a fazer tal bem que Ele mesmo nos dá a viver e realizar,
como escreveu São Paulo:
“Porque é Deus quem,
segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar”.
E
ainda: “Somos obras suas, criados em Jesus Cristo para as boas
ações, que Deus de antemão preparou para que nós as
praticássemos”. (Fil 2,13; Ef 2,10).
Destarte,
faz jus que nos perguntemos: em quem vivemos centrados? Qual é o
fundamento de nossa vida e nossas ações? Se estamos centrados em
Deus, por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, precisamos gozar de sua
intimidade para que nossas ações sejam agradáveis a Ele que
fundamenta a nossa vida, nosso existir. Porque quando nos encontramos
em Cristo e permanecemos nele, só vamos aonde ele nos conduz, e a
partir dessa singela condução, começamos a experimentar o céu que
ele mesmo preparou para aqueles que o amam (cf. Jo 14,1ss). Porque,
tudo o que começa em Deus, cresce e permanece Nele; tudo o que
começa sem Deus, não perdura por muito tempo, porque o fruto da não
presença de Deus é sinônimo de aborrecimento estéril e confuso,
culminando com a morte injuriosa, sem mérito algum. É como está
escrito no Salmo primeiro:
“Porque
o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios
leva à perdição”. (Sl 1,6).
Paz
e Bem!
Frei
Fernando Maria, OFMConv.
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segunda-feira, 18 de março de 2013
FÉ, OBEDIÊNCIA, LIBERDADE, FELICIDADE...
FÉ,
OBEDIÊNCIA, LIBERDADE, FELICIDADE...
Obedeço,
quando essa obediência me conduz à verdadeira liberdade e a
felicidade que dela advém. Mesmo sendo um dom, é preciso que
aprendamos pela Sagrada Escritura como usá-lo, pois é assim que no
ensina o Senhor que nos criou por amor e nos quer livres para amá-lo
acima de todas as coisas. De fato, Deus nos deixa livres para
fazermos nossas escolhas e tomarmos nossas decisões. Mas Ele nos
orienta para não perdermos nossa liberdade; neste sentido, seus
santos mandamentos nos ensinam que são para nós proteção; não
cumpri-los significa tirar de nossa vida a proteção que o Senhor
nos dá por nossa obediência a ele.
Com efeito, somos tentados a todo instante a não crer e a não viver em comunhão com Deus. Porém, prestem bem atenção, porque toda tentação é uma mentira, pois o inimigo de nossas almas, que está por trás delas, a princípio, esconde seus resultados nefastos, para em seguida apresentar o terrível gosto amago de nossos desvarios e revoltas contra Deus e o seu Cristo. Mas, o que Deus nos ensina na Sagrada Escrituras a esse respeito? Eis o que está escrito na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de sairdes dela” (1Cor 10,13).
E nos diz ainda na Carta de São Tiago: “Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém, quando for tentado, diga: “É Deus quem me tenta”. Deus é inacessível ao mal e não tenta ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, meus irmãos muito amados” (Tiag 1,12-16).
Ora,
o aprendizado espiritual para a nossa vida é de suma importância,
visto que, aquilo que aprendemos para o nosso bem, é com amor que o
aprendemos e praticamos. Nada faz mais uma vida feliz e transparente
do que a verdade que nos é comunicada pelo Senhor por meio dos
exemplos de fé contidos nas Sagradas Escrituras. O Catecismo da
Igreja, falando sobre isso, nos ensina:“Obedecer
("ob-audire") na fé significa submeter-se livremente à
palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a
própria Verdade. Desta obediência, Abraão é o modelo que a
Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita
realização” (CIC § 144).
“A
Epístola aos Hebreus, no grande elogio à fé dos antepassados,
insiste particularmente na fé de Abraão: "Foi pela fé que
Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que
devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia"
(Hb 11,8). Pela fé, viveu como estrangeiro e como peregrino na Terra
Prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da
promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu seu filho único em
sacrifício”. (CIC
§145).
Assim,
pela fé, Abraão obedeceu a Deus e cumpriu Sua vontade
integralmente.
Também
“A
Virgem Maria realizou da maneira mais perfeita a obediência da fé.
Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo
Gabriel, acreditando que "nada é impossível a Deus" (Lc
1,37) e dando seu assentimento: "Eu sou a serva do Senhor;
faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Isabel a
saudou: "Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito
da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45). É em virtude
desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada.
Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus,
seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de
crer "no cumprimento" da Palavra de Deus. Por isso a Igreja
venera em Maria a realização mais pura da fé”.
(CIC §148; §149).
Portanto,
só obedece quem é livre e só é livre quem encontra Deus e
permanece Nele. Todo escravo só faz o que lhe manda aquilo ou aquele
que o prende. Por isso, muitos gostariam de poder decidir sobre tudo
em sua vida, mas não o fazem por causa da liberdade que perderam
quando optaram pelo pecado. Pois, a pior de todas as prisões que o
ser humano se impõe, é o pecado. Assim, antes de tudo, o pecado é
uma decisão pelo mau uso da liberdade e a perca dela. E todos que
assim agem, o fazem pensando tirar algum proveito de seus atos
pecaminosos, quando de fato, caem na armadilha dos próprios
instintos e se perdem nos caminhos obscuros da maldade, por
rejeitarem as graças de Deus.
Falando
sobre a liberdade humana, no Evangelho de São João, Jesus disse:
“Se permanecerdes na minha Palavra, sereis meus verdadeiros
discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos livrará”. No
entanto, seus contendedores replicaram-lhe:”Somos descendentes de
Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis
livres?” Respondeu Jesus:”Em verdade, em verdade vos digo: todo
homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não
fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se,
portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”. (Jo
8,31-36). “E
voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que
veem o que vós vedes,
pois
vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e
não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.
Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!” (Lc
10,23-24; Mt 11,6).
Paz
e Bem!
Frei
Fernando Maria,OFMConv.
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sábado, 9 de março de 2013
O QUE EU VEJO, SENHOR?

MEU
OLHAR SOB TEU OLHAR, SENHOR... (Lc 10,25-37)
Dá-me, Senhor, por amor de teu nome enxergar as tuas criaturas como Tu as enxergas...
Pois,
o que eu vejo
nelas? Com que olhar, olho as tuas criaturas, os acontecimentos e
tudo ao meu redor? E, qual a influência de tudo isso em minha vida?
O que preciso para enxergar a essência das pessoas e das cosias com
quem me relaciono? Será que preciso dá
mais tempo para isto?
Será que é preciso a mudança dos outros ou dos acontecimentos ou
ainda minha própria mudança, para que
eu atingir o âmago de
tudo e de todos? Ó Senhor, são tantas perguntas e tão poucas
respostas que penso: creio que estou errando o alvo onde devo mirar,
para encontrar as respostas que tanto desejo.
Lançar
só um olhar não é suficiente, porque muitos enxergam somente o que
querem enxergar, ou o que lhes agrada aos olhos. Talvez seja pela
curiosidade, ou quem sabe por interesses pessoais, ou ainda porque
buscam novidades. O fato é que, “o essencial é oculto aos olhos”.
Como seria bom que o nosso olhar fosse sempre um olhar de
misericórdia,
cheio de bondade ou quem sabe um olhar de fé, de compreensão, de
sabedoria, etc...
Ao
que parece, quando olhamos os outros e não temos familiaridade com
eles, enxergamos uma ameaça ou alguém que quer tirar nossa
liberdade ou mesmo nos importunar. Ou será por que não queremos nos
comprometer? Realmente, precisamos ficar atentos, porque muitas vezes
o que vemos e
ouvimos atentamente nos leva a enxergar o que nossa miopia espiritual
teima em não querer ver.
“Vinde
e vede”, é o convite do Senhor à vida comunitária, à comunhão
fraterna. De fato, nossa experiência existencial nos diz que
precisamos conhecer melhor para nos relacionar melhor, principalmente
aquilo que o amor nos ensina. A visão de Deus em nossa vida se dá
pela obediência, que significa para nós amor e fidelidade aos seus
mandamentos. Quando temos familiaridade com o Senhor, agimos a partir
de sua vontade em nossa vida, porque tudo o que Deus nos ensina é
agradável e nos faz bem. E para que isso aconteça, Deus nos deu o
dom da oração como a maneira mais fácil de termos familiaridade
com Ele, pois a oração é para a nossa alma, olhos, ouvidos e boca.
Por Ela, falamos com o Senhor, ouvimos sua vontade e contemplamos sua
glória.
O
que ou quem você encontra em sua oração? Com efeito, a experiência
de Deus é permanente nós é que a interrompemos com nossas
desventuras e infortúnios. Olhar o Sagrado com os olhos de nossa
alma pela oração é contemplar a Deus e participar de suas
maravilhas diretamente, pois a maior alegria da alma é ver a Deus
face a face e permanecer imersa Nele. Assim, posso dizer em minha
oração: Senhor, quando olho para Ti, não me falta nada, porque em
Ti tenho tudo.
Paz
e Bem!
Frei
Fernando Maria, OFMConv.
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tiag 2,26)

A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tiag 2,26).
A fé verdadeira crê e espera mesmo quando não entende...
Porque vê além das aparências...
Pois percebe o novo que vem de Deus sempre,
e permanece em sua presença constantemente...
Contemplando o seu desígnio redentor...
Assim, crer é um profundo ato de obediência e amor...
Que reverentes prestamos ao nosso Criador e Pai de nossas almas...
Não podemos dizer que não o conhecemos...
E que não temos nada com Ele...
Porque sem Ele nada somos e nada podemos...
Pois, todo poder sobre o céu e sobre a terra,
pertence unicamente ao Senhor...
E ai de quem dele queira se apossar...
Porque, por mais que alguém se esforce...
Um dia chegará seu fim e nada lhe restará,
a não ser a prática do bem que de Deus recebeu para à Ele ser fiel...
Caso contrário, será julgado pelos os atos nefastos que praticou...
Na alma humana não há espaço para a graça e o pecado...
Assim como não há união entre a luz e as trevas...
Também não há comunhão entre o bem e o mal...
Porque o bem vem somente de Deus;
e o mal somente do mal...
Portanto, não existe o mal em Deus...
E como não existe em Deus,
todo o mal que há será precipitado na geena eterna...
Quanto ao mal que é praticado no tempo,
se perpétua definitivamente após o julgamento...
Porque na eternidade, após a sentença final,
não há mudança de condição...
Quem plantou o trigo da bondade divina,
colherá da bondade divina a felicidade eterna...
Quem plantou o joio da discórdia e divisão,
colherá seu quinhão de perversão infinitamente...
Portanto, não queira ir para o abismo infernal desde já,
pela prática da maldade que há neste mundo...
Que o teu sim, seja sim, e o teu não, seja não...
O que passa disso vem do Maligno. (cf. Mt 5,36)...
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2012
SÉRIE MEDITAÇÕES
SÉRIE MEDITAÇÕES
A FÉ
É UM DOM DE DEUS?
A fé é um dom de Deus e uma de suas leis
naturais presente em todas as suas criaturas. Ora, naturalmente todos já nascem
acreditando seja na própria vida, seja em algum credo que professa, seja no
seguimento de alguma ideologia, seja ainda pela incredulidade ou indiferença com
que alimenta sua alma; o fato é que todos creem, e isto é inegável. Porém, em todos
os batizados a fé é dom do Espírito Santo que lhes concede a percepção das
graças que Deus nos prodigalizou (cf. 1Cor 2,12).
Tanto na vida dos que creem como dos que
não creem, a fé ou a falta dela, surte efeitos inigualáveis. Para os que creem
a fé é fonte de salvação, como nos ensinou nosso Senhor Jesus Cristo: “Tudo é
possível ao que crê”. (Mc 9,23). Por ela nos aproximamos de Deus e com Ele
interagimos, porque, “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a
respeito do que não se vê” (Heb 11,1). “Por ela, o homem de Deus se torna
perfeito, capacitado para toda boa obra” (II Tim 3,17).
Ela é também uma arma poderosa na luta
contra o mal (cf. Ef 6,10-18), e, juntamente com as outras virtudes, uma graça
especial na conquista da vida eterna: “Mas tu, ó homem de Deus, foge dos vícios
e procura com todo empenho a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a
mansidão. Combate o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual
foste chamado...”. (1Tim 6,11-12a).
Já na vida dos que não creem, a falta de
sua força salvadora, leva estes à perca do sentido eterno da vida por não amarem
a Deus e nem interagirem com Ele. Visto que, “Sem fé é impossível agradar a
Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele
existe e que recompensa os que o procuram” (Heb 11,6). De fato, um rastro de
morte se faz presente nos corações incrédulos, pois, ao negarem a evidência
divina, afirmam a impiedade e a perversidade humanas, aprisionando pela
injustiça a verdade que os podia salvar. Porque, “Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu
sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas
obras; de modo que não se podem escusar”. Assim, “Pretendendo-se sábios,
tornaram-se estultos” (Rom 1,20.22).
Porém, nos ensina São Paulo: “Acima de tudo, recomendo que se façam
preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens... Isto é bom e
agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se
salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tim 2,1.3-4).
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: SÓ POR TUA GRAÇA, SENHOR...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA
SÓ POR TUA GRAÇA, SENHOR...
É assim que ora vivo, sintonizado, inebriado,
consagrado, perdido no mar sem fundo do teu Amor e da Verdade que És e com a
qual me criastes para te testemunhar, meu Senhor e meu Deus. Recebe, pois o que
sou e transforma-me no que queres que eu seja. Assim poderei viver mais
intensamente a vocação à qual nos chamastes, a santidade de pensamentos e
ações, e de toda vida. Por isso, guarda-me, Senhor, no mais íntimo do teu
coração, conduz-me com tua santa mão que me acalenta e me faz sentir-me seguro
em meio as provações deste mundo, que são tantas.
De fato, há em mim uma necessidade de “orar sem
cessar”, de ter um convívio permanente com Deus, uma espécie de desejo ardente do
céu. Por isso, não sei mais viver neste mundo sem a oração, sem a comunhão do
coração com o Senhor; o Pai Nosso, como nos ensinou Jesus; o Eterno, Todo
Poderoso e Misericordioso Deus. Sem Deus não há felicidade neste mundo; aliás,
nenhuma criatura pode dizer que é feliz por si mesma, porque enquanto houver
dependência de nossa parte, a felicidade é só um sonho a ser alcançado. E aqui
todos nós sabemos que dependemos sempre, todavia, quando buscamos nossa
liberdade em Deus, a encontramos prontamente, porque não há prazer, satisfação,
integridade, felicidade, que Deus não nos possa dar ao infinito.
Ora, quem vive a vida em Deus assim, compreende
perfeitamente o que Jesus ensinou:
“Portanto,
eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por
vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo
não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem
recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito
mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só
côvado à duração de sua vida? Portanto, Buscai em primeiro lugar o Reino de
Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos
preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas
preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado”. (Mt 6,25-27.33-34).
Assim, vejo que a maior de todas as necessidades
humanas é Deus. Nele, com Ele e para Ele deve ser tudo o que vivemos e
empreendemos, caso contrário, estaremos sempre inseguros, imaturos, confusos e
com medo das perdas que naturalmente se nos apresentam as circunstâncias desta
vida. Porque só a vontade de Deus é a que permanece e que faz permanecer com
ela, aqui e por toda a eternidade, aqueles que a cumprem fielmente.
Então, Senhor, com a Virgem Santíssima, tua e
nossa mãe, dizemos: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua
palavra”. (Lc 1,38).
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A SENSIBILIDADE DA FÉ...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A SENSIBILIDADE DA FÉ...
A fé sensível é aquela com a qual o fiel tem a
percepção da presença divina e se mantém nela, traduzindo-a com seu viver. E de
onde nasce essa fé? Nos batizados, essa fé é dom carismático, ela nasce da efusão
do Espírito Santo quando do nosso batismo, conforme nos ensinou Jesus: “Em
verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá
entrar no Reino de Deus”. (Jo 3,5). E ainda, "Quando vier o Paráclito, o
Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si
mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão". (Jo
16,13).
Também podemos entender a sensibilidade da fé como
uma espécie de vigilância constante (cf. Mt 26,41), onde a alma se mantém na
escuta do Senhor a fim de executar os seus apelos de imediato. Podemos também
defini-la como dom de oração, conforme nos indicou São Lucas a respeito do
ensinamento de Jesus sobre a importância da oração: “Propôs-lhes Jesus uma
parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de
fazê-lo”. (Lc 18,1). Ou ainda como dom de intercessão, como nos ensinou São
Paulo: “Intensificai as vossas
invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual
perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,18).
Vejamos alguns exemplos de sensibilidade da fé. De
nossa boca só pode sair a verdade, porque somos filhos da Verdade, por
isso, o que falamos, tem que ter a importância
de nossa salvação, conforme nos ensinou Jesus (cf. Mt 12,33-37). Então, que os
nossos pensamentos concordem com as palavras de nossa oração e com a prática
das virtudes, caso contrário, falamos apenas da “boca pra fora”, mas sem
proveito algum de nossa oração, porque toda oração que fizermos precisa ser conforme
a vontade de Deus para a nossa vida, caso contrário, não seremos escutados. (cf.
Is 29,13-15).
Outro exemplo de sensibilidade da fé: sabemos que
o tempo nos foi dando como um condutor para Deus, por isso, todo tempo que
temos é tempo de vivermos para Deus, porque é Deus quem nos dá todas as graças e
bênçãos para sermos felizes (cf. 2Cor 6,1-2). Mas, o que estamos fazendo com o
tempo que nos é dado? Muitos se esquecem de vivê-lo para Deus. Por exemplo, a
nossa participação na Santa Missa todo domingo e dias de festa, conforme o
mandamento do Senhor. Ora, muitos são os batizados, mas que não participam de
nada referente à vivência da fé; outros até participam da Santa Missa, mas
chegam frequentemente atrasados e mesmo assim vão comungar.
Outros ainda, têm tempo para os “amigos”, o
futebol, a televisão, e outros entretenimentos, mas não têm tempo para a
família, nem para rezar o santo Rosário ou ler a Sagrada Escritura, e muito
menos para participar de sua comunidade. Ou seja, têm tempo para quase tudo,
menos para Deus. O resultado é uma fé insensível, indiferente, frívola, etc., sem
prática alguma das virtudes, mas com uma tremenda inclinação para os vícios; e
os filhos, seguem o mesmo caminho da indiferença dos pais. Desse modo, as famílias
estão se desestruturando; a droga e o desvio comportamental estão imperando
entre os jovens, causando um sem número de viciados, pervertidos e mortos.
Por fim, o que mais posso falar sobre a
sensibilidade da fé? Homens e mulheres sensíveis à fé são aqueles que vivem da
fé, conforme nos falou o profeta Habacuc:
“Eis que
sucumbe o que não tem a alma íntegra, mas o justo vive por sua fidelidade”.
(Hab 2,4). Assim, eis o que diz o Senhor:
“Já te foi
dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a
justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus”.
(Miq 6,8).
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
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