VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

AS VIRTUDES FUNDAMENTAIS DA ORAÇÃO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(13/02/20)
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Caríssimos, a fidelidade a Deus por meio da obediência à Sua Palavra, é uma grande virtude, que traduz a nossa adesão total a Ele, porém, parecisamos perseverar até o fim nessa graça, especialmente quando somos tentados a relativisar a prática da nossa fé, ou seja, quando somos tentados a pensar que todos os outros credos são iguais ao nosso; quando na verdade não são. Respeitar quem os professa sim; porém, sem jamais aderir à eles.
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Com efeito, na primeira leitura de hoje vimos como Salomão esfriou na piedade e comunhão com o Senhor afastando-se Dele por meio de práticas religiosas não condizentes com a sua fé. E o resultado de sua infidelidade foi terrível, pois, trouxe a divisão para o povo de Deus e a decadência da fé e dos bons costumes em larga escala.
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No Evangelho de hoje uma mulher que não fazia parte do povo eleito, se aproxima de Jesus e lhe faz uma ardente súplica em favor de sua filha atormentado por um demônio. A princípio Jesus a escuta, mas lhe responde não conforme o que havia suplicado; todavia, ela apresentou ao Senhor os virtudes fundamentais da oração: fé, humildade, perseverança e esperança; desse modo, foi prontamente atendida.
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Caríssimos, pelos exemplos que vemos nos Evangelhos, todos os que se aproximaram de Jesus foram atendidos em suas necessidades; exceto os escribas, fariseus e doutores da lei, por causa da dureza de coração; é que num coração repleto de orgulho, egoísmo e prepotência não existe espaço para a graça de Deus.
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Portanto, quando a nossa oração é uma expressão da nossa comunhão com a vontade de Deus, ela revela as mesmas virtudes da oração da mulher cananéia, por isso, também somos prontamente atendidos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

PEÇAMOS AO SENHOR UM CORAÇÃO PURO...


PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(12/02/20
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Caríssimos, a liturgia deste dia trata da vida interior, isto é, do estado de graça que significa a santificação de nossas almas pela permanente comunhão com Jesus, nosso Senhor. Para isto ponhamos em prática o que nos ensina o hagiógrafo do Livro de Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida."
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Com efeito, como vimos no santo Evangelho: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.
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Ora, "Quem se entrega a maus pensamentos não pode manter-se puro de pecados no seu homem exterior; e, se não arrancar os maus pensamentos do seu coração, é impossível que eles não o levem a praticar más obras. Devemos pois, cada um de nós, purificar-nos por dentro e por fora no Senhor e guardar os sentidos, mantendo-nos puros de qualquer atividade inspirada pelas paixões e pelo pecado."
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Portanto, caríssimos, "Travemos, pois, o combate da inteligência contra os demônios que falam por meio de maus pensamentos que chegam a nossa mente, a fim de não permitir que as suas vontades más passem para as nossas obras como pecados reais. Se arrancarmos o pecado do coração, encontraremos o reino de Deus em nós. Por esta ascese, mantenhamos, em nome de Deus, a pureza e uma contínua compunção de coração." (Filoteu do Sinai).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

OS FRUTOS DA ORAÇÃO


OS FRUTOS DA ORAÇÃO

Ao longo da história humana, muito se tem falado sobre o dom da oração; de fato, não se pode pensar ou falar em Deus sem que tenhamos acesso a Ele, e a oração é um dos meios mais eficazes desse acesso. Porém, como defini-la se já tantos a definiram antes? Realmente, mesmo em meio a tantas definições, cada um que se põe em oração tem sempre uma experiência nova de Deus, pois o modo de ser vivido nesta experiência, divino-humana, ilumina nosso testemunho de fé, aumenta a graça santificante e faz Deus bem presente em meio à contingência que nos atinge.

Daí surge uma pergunta: como fazer para que a nossa oração seja eficaz, isto é, seja profundamente proveitosa? Ou, em outras palavras, seja atendida? A vida humana e suas manifestações é feita de encontros, permanências temporárias e quem sabe eternas. Quando ouvimos do Senhor pérolas como estas: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo 15,5.7-8); logo nos convencemos que mais do que pedidos, a oração é a base de toda comunhão perfeita com Deus, que nos criou para vivermos eternamente em sua presença numa convivência para além da finitude de nossa humanidade.

Então, vamos à eficácia e aos frutos de nossa oração. Segundo Santo Tomás de Aquino, “a oração é um desdobramento de nossas necessidades diante de Deus”. Desse modo, quando tratamos da oração pessoal, “as condições para a infalibilidade” dela, são as seguintes: “pedir por si, as coisas necessárias à salvação, piedosamente e com perseverança”.

Além do aspecto impetratório, isto é, de pedido, diz-se que a oração [pessoal] tem ação meritória e satisfatória, pois nos alcança, respectivamente, o aumento da graça santificante e a expiação de nossas culpas, fazendo-se especialmente necessária: a) quando se cometeu pecado grave; b) quando há perigo de pecar; c) em perigo de morte”. Porquanto, “como observa Santo Tomás de Aquino, a boa oração deve ser humilde, fruto da confiança sobrenatural que é infusa pelo Espírito Santo”.

OS BENEFÍCIOS DA ORAÇÃO DO PAI NOSSO

O Pai nosso é a oração por excelência, mãe e modelo de toda oração, pois ensinada por Jesus, nosso Senhor e Salvador, nos faz participantes da filiação divina diretamente, uma vez que pedimos como filhos muito amados, como afirma São João: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).

Quando se refere ao dom da oração, e o modo como fazê-la, o próprio Jesus nos ensina que a sua prática em si é vontade de Deus para nós; por isso, ele mesmo a praticou perseverantemente para realizar em tudo com sua vida a Vontade do Pai (cf. Lc 6,12-13;9,18-22;9,28-36;11,1-2;22,31-32;22,39-46;23,34.46). São Lucas quando trata do ensinamento de Jesus sobre a perseverança na oração, observa: “Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo”. (Lc 18,1). Ou seja, a oração é necessidade permanente para que tenhamos acesso aos bens eternos e à Fonte desses bens, Deus nosso Pai.

“Em seu Tratado Sobre a Oração do Senhor, São Cipriano observa que “se temos a Cristo como advogado diante do Pai para interceder pelos pecados, apresentemos Suas palavras ao pedirmos perdão de nossas faltas”. E tanto mais confiante se nos apresenta a oração do Senhor ao considerarmos que Cristo mesmo, que nô-la ensinou a orar, a escuta junto ao Pai, cumprindo o que diz o salmo: “Clamará por mim e Eu o ouvirei” (Sl 91,15). Acrescenta ainda São Cipriano que “dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras é fazer uma oração afetuosa, devota e familiar”. Daí dizer-se que ninguém conclui o Pai-nosso sem fruto algum, porquanto, como ensina Santo Agostinho, ele ao menos nos perdoa os pecados veniais”.[1] (Enchiridion, c71; PL 40,265).

Ainda segundo São Cipriano, “Vontade de Deus é a que Cristo praticou e ensinou: humildade na vida, estabilidade na fé, veracidade nas palavras, justiça no agir, misericórdia nas obras, disciplina nos costumes, não saber injuriar, tolerar a injúria recebida, manter a paz com o irmãos, querer a Deus com todo o coração, amando-O como Pai e temendo-O como Deus, absolutamente nada antepor a Cristo, porque Ele também nada antepôs a nós; aderir inseparavelmente à Sua caridade, unir-se à Sua cruz com firmeza e fé, e, quando houver combate por Seu nome e honra, manifestar pela palavra e constância com que o confessamos diante dos juízes, a firmeza do nosso certame. Manifestemos, enfim, na morte, a paciência pela qual somos coroados: isso é ser coerdeiro de Cristo, isso é cumprir a vontade do Pai”.[2]

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


[1] Tomás de Aquino, Santo, Comentário ao Pai-Nosso: tradução e notas: Omayr José de Morais Junior  - Rio de Janeiro: Lotus do Saber, 2002. Pgs 25-26.
[2] Idem
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

A ESCADA DOS MONGES...


A "ESCADA DOS MONGES"...

A Lectio Divina é uma “caminhada” de quatro passos básicos:

      1) LECTIO – leitura
      2) MEDITATIO – meditação
      3) ORATIO – oração
      4) CONTEMPLATIO – contemplação

Esses quatros passos da Lectio Divina que hoje conhecemos foram assim definidos por volta do ano 1150 pelo monge cartuxo Guido em um pequeno livro chamado A escada dos monges. Neste livro o monge Guido expunha a sua teoria dessa forma: “Certo dia durante o trabalho manual, ao refletir sobre a atividade do espírito humano, de repente vi em minha mente a escada dos quatro degraus espirituais: a leitura, a meditação, a oração e a contemplação. Essa é a escada pelo qual os monges sobem da terra ao céu. Está certo, a escada ter poucos degraus, mas é de uma altura tão imensa e tão incrível que enquanto seu extremo inferior se apoia na terra, a parte superior penetra nas nuvens e investiga os segredos do céu. (...).

A leitura é o estudo assíduo das Escrituras, feito com espírito atento. A meditação é uma atividade diligente da mente que, com ajuda da razão busca o conhecimento da verdade oculta. A oração é o impulso fervoroso do coração à Deus, pedindo que afaste os males e conceda coisas boas. A contemplação é uma elevação da mente sobre si mesma que, apoiada em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna.”.

     1)      LEITURA “O que eu leio...”

Deve ser uma leitura pausada, atenta, como que “degustando” a Palavra. “Como é doce ao paladar vossa palavra, mais doce do que o mel na minha boca!”. “Saboreai e vede como o Senhor é bom” (SL 118, 103).

É importante abrir o coração e suplicar o auxílio do Espírito Santo para não cairmos numa racionalização. Cuidado para não manipular a Palavra de Deus, ou pensar numa 3ª pessoa! Não, isto é o que Deus fala pra MIM neste MOMENTO da MINHA HISTÓRIA PESSOAL! Toda a Escritura nos revela Deus, mas sobretudo olhamos para os Evangelhos, pois através dele podemos conhecer os SENTIMENTOS DO FILHO, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesta hora da leitura eu não vou conduzir nada, vou deixar-me guiar pelo Espírito Santo, ficar atendo para onde (qual trecho) Ele vai fixar o meu coração. Pode ser num determinado versículo, numa determinada frase ou até mesmo numa simples palavra. Numa atitude de FILIAL ABANDONO deixar o coração totalmente vulnerável (vulnera em latim= chaga), deixar-se chagar por Deus como Nosso Senhor na Cruz. Ali, onde meu coração se sentiu fixado devo parar, aprofundar, insistir... “Tua palavra é lâmpada para os meus passos.” Pronto! Abriu-se a porta e eu devo entrar, é isto que Deus quer me falar hoje. De repente, sem dar conta, já estou no 2º passo que é a...

     2)     MEDITAÇÃO “O que me diz...”

Na meditação eu devo percorrer este caminho que o Senhor me mostrou na leitura, como um peregrino que busca a Deus e não a sua própria vontade. “Sai da tua terra e vai aonde eu te mostrar”!
Podemos usar a imaginação, entrar naquela cena do Evangelho, colocar-nos no lugar do pecador, da prostituta, dos fariseus e hipócritas, do filho pródigo, e porque não, do filho mais velho, que não compreendeu a misericórdia do Pai. Tudo vai depender do caminho que o Senhor tem para nós naquele dia, naquele momento e que estamos vivendo; da fraqueza que precisamos aceitar, do pecado que precisamos nos arrepender, do apego que precisamos renunciar, do irmão que precisamos aceitar ou perdoar; da cura e do amor que nossa alma está sedenta, etc... Podemos imaginar as aves do Céu (Mt 6, 26), os lírios (v.28) do campo, o trigo, o Templo; podemos visualizar a expressão de Nosso Senhor, suas lágrimas (Jo 11, 35, Lc 19, 41b), sua compaixão (Lc 7, 13 e 15, 20), sua fome (Lc 4, 2), seu olhar (Mc 10, 21, Lc 22, 61), sua voz, seu silêncio (Mt 26, 63). Podemos transportar-nos para a barca na tempestade, para o Monte Tabor ou para o Calvário, podemos ser o Cireneu, Maria Madalena, João ou um dos soldados, enfim, podemos com o uso da razão e imaginação deixar a Palavra de Deus visível diante do olhar do nosso coração.

Na meditação, vamos colocar nossa mente, nossa imaginação, nossa razão a serviço do Senhor, sob o império da sua graça, do seu senhorio.

Importante lembrar de novo que Ele é quem toma as rédeas do nosso coração, na Lectio Divina, nós vamos apenas obedecendo, atraídos, arrastados (cf. Ct 1, 4), aí eu vou compreendendo o que Ele, o Amado, tem para mim, e o meu coração deseja então expandir-se num diálogo amoroso, falar com o Senhor e também ouvi-lo. Então, sem perceber eu já estou no 3º passo...

3 e 4) A ORAÇÃO E A CONTEMPLAÇÃO “O que eu digo e... o que mais...!

Na liberdade de filhos e herdeiros do Reino abrimo-nos para este diálogo com Deus Trino. Expomos para Ele nossos medos, nossas angústias, nossas revoltas, nossas dores, nossas carências, nossas limitações e dificuldades. Expomos também a sede de nossa alma (minh’alma suspira Sl 41, 23; Sl 62, 2) nosso desejo de conhecê-lo, de obedecê-lo, de imitá-lo, de servi-lo, de segui-lo.

Na oração esperamos do Senhor as respostas das quais necessitamos, esperamos que Ele direcione o nosso coração para o bem, para a justiça, para a santidade. Com o tempo, a nossa oração não permanece somente um DIÁLOGO, mas sobretudo um ENCONTRO de duas pessoas que se amam: DEUS e a ALMA, e isto é a contemplação, quando o mais íntimo de nós se encontra no mais íntimo de Deus, “minha vida está escondida em Cristo”. A oração e a contemplação vão nos transformando em outros CRISTOS, imprimindo em nós a sua mansidão, a sua imolação, a sua sede de salvar a humanidade, a sua verdade, a sua paz... “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.

Aprendemos a “ouvir” não só a voz do Senhor, mas também o Seu Silêncio, “sofre as demoras de Deus”. Nada mais difícil do que suportar a “nudez” da Palavra, quando parece que Ela nada nos diz e o nosso coração continua árido com uma terra seca. Consola-nos refletir que ninguém colhe no dia seguinte após ter semeado. A Lectio vai produzindo seus frutos em nós com o correr do tempo, e isso exige uma atitude assídua e comprometida de perseverança na leitura. A experiência nos fará transpor os sentimentos (gozo, consolação, secura) e encontrar o próprio Deus.

A contemplação seria esse “O QUE MAIS” do encontro entre a alma e Deus. Neste encontro o nosso coração é abrasado (nem sempre sensivelmente), frutificando na necessidade de uma autêntica conversão. É como um despertar para a graça. Os frutos da oração e da contemplação devem ser ENCARNADOS, ou seja, visíveis em nossa vida cotidiana, no nosso trato com os irmãos, os pobres, na nossa postura (interior e exterior) reverente ao próprio Deus, aos seus ministros e aos seus mistérios.

Paz e Bem!

terça-feira, 16 de julho de 2013

SONHOS FEITOS ORAÇÃO



SONHOS FEITOS ORAÇÃO


Senhor é bom sonhar, muito bom!
Porque o sonho verdadeiro,
um dia, torna-se realidade plena.

Por isso,
não me canso de meus sonhos feitos oração,
para que nesse dia,
estes mesmos sonhos
se realizem plenamente.

Sonho com um mundo onde as pessoas
se amem tanto, mais tanto...
que seja banido de todos os corações
o ódio e a maldade.

Sonho com esse Amor vivido como Amor
e não como ilusão de relacionamentos mal fadados,
e cantados como se fossem verdadeiros.

Sonho com um mundo sem pecados,
sem as mazelas do nosso tempo...
Fome, peste, doenças e guerras...
Catástrofes naturais
causadas pela nossa falta de respeito à irmã natureza...
E ao Senhor que nos criou.

Sonho com um mundo sem egoísmo e desigualdade...
Sem a ganância do ter mais...
Sem a triste estatística de crianças
e velhos abandonados...
Sem vícios cruéis que dizimam nossa juventude,
que perdida sem sonhos,
pede urgentemente a nossa atenção, a nossa ajuda.

Sonho com os cárceres vazios,
os hospitais, manicômios e clínicas psiquiátricas
sem prisioneiros e pacientes que as ocupem.

Sonho com um mundo sem políticos desonestos
que só pensam em si
e nunca no bem de todos.

Sonho com os seres humanos
numa real compreensão e cooperação mútua,
onde nada falta a ninguém,
onde todos são saciados de sua sede de justiça,
de verdade e de paz.

Sonho ainda com a pureza dos pensamentos,
dos sentimentos, dos desejos e dos afetos humanos...
Onde o corpo é visto não como um objeto,
mas como templo santo,
lugar sagrado onde habita o Teu Espírito.

Não sonho com avanços tecnológicos
nem com grandes descobertas da ciência;
posso até sonhar...
Mas sonho mesmo com o sonho humano de igualdade,
fraternidade e liberdade sem fim...
E isso não é uma utopia,
porque somos mais do que humanos,
somos Tua “Imagem e semelhança”.

E se o mundo está sonâmbulo como está
é porque o ser humano deixou de sonhar
E, em seus devaneios,
quer saber e querer,
não o que Tu queres,
mas o que sua loucura lhe insinua que faça.

Sonho, enfim, com a vida humana repleta de Tua Vontade,
sem a qual jamais seremos felizes...
Sim, Tua Vontade de Deus Criador e Redentor...
Único e Verdadeiro...
Soberano e Absoluto...
Senhor e Pai nosso.

Por último, sonho com o sonho de Jesus,
Teu Filho amado
e ainda com o sonho de Maria,
de Francisco de Assis
e de todos os santos e santas
que na fragilidade humana
realizaram o sonho da ressurreição, da vida eterna...
Humildemente Senhor,
os quero acompanhar no seu modo de sonhar.

Um dia, quando o Teu Dia Eterno chegar,
todos verão estes meus sonhos realizados...
Enquanto isso não acontece,
continuo a sonhar os meus sonhos feitos oração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

A GRAÇA DE CADA MOMENTO...




A GRAÇA DE CADA MOMENTO

Jesus nos ensinou que a revelação divina nos envolve em todos os sentidos de nosso ser e existir no mundo; ora, quando os acontecimentos adversos se dão em nosso meio, na maioria das vezes, ficamos estarrecidos ou impotentes diante deles; ou ainda procuramos respostas para tais acontecimentos, e quando não as encontramos ficamos confusos sem entendermos o porquê de tais acontecimentos, ficamos como que “a ver navios”, como reza o ditado popular; quando na verdade deveríamos buscar refúgio no Senhor que fez o céu e a terra, pois Nele encontramos todas as graças necessárias para superarmos todas as situações embaraçosas de nossa viver. É como o Senhor mesmo nos ensinou: ”Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisso é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo 15,7-8).

Assim, precisamos entender que não podemos ser os causadores dos problemas que geram as situações adversas da vida, pois, como nos ensina São Paulo: ”Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).

Em nosso dia a dia temos grande facilidade de olharmos para os pecados dos outros; ora, mas do pecado não vem nada de bom, por isso, nos angustiamos com a maldade alheia que constatamos e terminamos julgando e condenando tais indivíduos. Não convém que seja assim. De fato, não podemos ser coniventes com o pecado de ninguém, mas também não precisamos carregá-lo em nossas almas, pois se o fizermos certamente ele ocupará o lugar que é de Deus em nossa vida, e nos fará um grande mal. Logo, precisamos ouvir e obedecer ao Senhor que nos exorta: ”Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e vos será dado. Será colocada em vosso regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc 6,36-38). Realmente, um coração misericordioso é semelhante ao coração de Deus.

Um coração quieto que descansa em Deus sabe que Ele não falha nunca. Escutemos, pois, este conselho de Santa Tereza de Ávila, e sigamos o que ela diz: “Nada te perturbe nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; Quem a Deus tem, nada lhe falta: só Deus basta. Eleva o pensamento, ao céu sobe, por nada te angusties, nada te perturbe. A Jesus Cristo segue, com grande entrega, e, venha o que vier, nada te espante. Vês a glória do mundo? É glória vã; nada tem de estável, tudo passa. Deseje às coisas celestes, que sempre duram; fiel e rico em promessas, Deus não muda. Ama-o como merece, Bondade Imensa; Quem a Deus tem, mesmo que passe por momentos difíceis; sendo Deus o seu tesouro, nada lhe falta. Porque só Deus basta!” (Santa Tereza de Ávila).

Então, qual é a graça de cada momento? É aquela que buscamos em Deus sempre, porque Deus se faz presente em todo tempo do nosso viver, haja vista, que se pararmos de respirar cinco minutos morreremos, no entanto, a cada respirar nosso sentimos como que o Senhor nos dizer: filho, filha, eu te amo, por isso te dou a vida constantemente a cada respirar teu, mesmo que não correspondas ao meu amor. Escrevendo a esse respeito, assim se expressou São Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus”. (Fil 4,4-7).

Portanto, aprendamos a nos relacionar com Deus Pai, por meio de nossa oração, pois sua realidade divina envolve nossa vida natural para além do nosso entendimento, e é pelo dom da fé que compreendemos isto e o praticamos. Vejamos a atitude orante do Senhor, Jesus, nos ensinando como devemos nos portar diante de Deus, nosso Pai: “Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado”. (Jo 17,1-10). Façamos o mesmo e do mesmo modo que o Senhor nos ensinou. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: UM DOM INESGOTÁVEL...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA:

UM DOM INESGOTÁVEL...


A oração é um dom inesgotável porque é interação de amor, visto que o amor de Deus é a Fonte de toda vida. Por meio deste dom, interagimos e bebemos desta Fonte, experimentando as delícias eternas que ela nos oferece. Toda oração tem como objetivo nossa união com Deus para que sua vontade se realize em todos os sentidos de nosso viver. Nesse sentido, a oração é também dom de conhecimento do Senhor, porque por ela adentramos sua intimidade divina numa sintonia perfeita de seres profundamente amados, queridos e recebidos por Ele, para vivermos a nossa vocação filial. De fato, amamos quando conhecemos e só conhecemos quando amamos de verdade. Assim, conhecer a Deus é obedecê-lo, ama-lo, adora-lo, glorifica-lo, servi-lo; é sermos Dele totalmente.

Eis outra graça que o dom da oração traz para nós, a de falarmos ao Senhor, escuta-lo e obtermos as respostas desejadas conforme a sua vontade (cf. Sl 36,4), mesmo não o vendo em seu Grande Mistério, mas, sim, participando dele diretamente. Nesse sentido, a oração é como que a boca e os ouvidos de nossas almas, por ela, falamos com o Senhor e o ouvimos sensivelmente, pois da sua dimensão eterna o Senhor adentra nossa dimensão temporal, para conviver conosco e nos fazer transpor o tempo e o espaço de nossa finitude; é a criatura no convívio do seu Criador... Como nos sentimos bem quando nossas orações têm respostas precisas; neste instante compreendemos que estamos fazendo a vontade do Senhor, visto que fomos ouvidos e atendidos, ou seja, temos a certeza que o Senhor nos conhece, nos escuta e nos responde, porque nos ama e quer o melhor para nós.

Portanto, como dom inesgotável, a oração é porta voz permanente do Espírito Santo em nós diante de Deus (cf. Rom 8,26-27); pois o Senhor nos deu o dom da oração para termos um canal sempre aberto para Ele, assim por meio dela no Espírito, comunicamos o que somos e o que temos, para recebermos o que Deus quer e o que Deus é. Recusar o cultivo desse dom para Deus é abrir-se ao que não é a vontade de Deus, ou seja, é ouvir somente a si mesmo e ao inimigo de nossas almas. Quem não se dedica à oração-interação, vive a insatisfação de não escutar a voz de Deus, e passa a ouvir somente a si mesmo e às falácias do mal.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: VIVENDO NA INTIMIDADE DIVINA...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA: VIVENDO NA INTIMIDADE DIVINA...

Intimidade é a virtude que só aqueles que têm vida de oração profunda experimentam. Por ela se formam os amigos e interpretes de Deus. Por ela conhecemos quais sejam os desígnios do Senhor naquilo que diz respeito à nossa humanidade e a toda criação.

Por meio dessa virtude vem fora toda uma realidade que transpõe a natureza; é por isso que temos a certeza de que não estamos sozinhos, pois existe um mundo imaterial que nos envolve como mistério de amor, porque a vida tem sua origem no amor de Deus e somente nesse amor ela permanece para sempre.

Ora, por que é que pensamos em Deus e falamos Dele e com Ele? Não é porque Ele se revela àqueles que o amam e se dá a conhecer intimamente aos que o respeitam e temem? “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança”. ((Sab. 1,1-2).

Creio que todos nós concordamos que o maior desejo de nossas almas é ver a Deus face a face na plenitude do seu amor; é gozar de seu favor perenemente, é viver na sua presença sem a possibilidade de sair dela. Ora, tudo isto já o fazemos por meio da fé; mesmo assim, não estamos isentos da tentação que quer nos tirar esse gozo salvífico da proteção divina que está sobre nós.

Na união mística, que nasce da intimidade da alma com Deus, realizam-se todas as possibilidades da perfeição humana, pois foi isto que nos ensinou o Senhor Jesus: “Eu e o Pai somos um”; “Quem me vê, vê o Pai”; “Eu não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. É por isso que Jesus venceu todos os obstáculos deste mundo e nos deu vencê-los também.

Portanto, viver nessa intimidade de Deus é experimentar Sua Santa Sabedoria agindo em nós, conduzindo os nossos pensamentos, palavras, desejos, sentimentos, vontades e ações de toda natureza para que Deus seja glorificado em nós e em toda a obra da criação para sempre, amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 28 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: AS ARMAS DA VERDADE...




CRÔNICAS DE MINHA ALMA: AS ARMAS DA VERDADE...


Deus está sempre presente e nenhuma criatura pode contestar isto, haja vista ser Ele quem sustenta a obra de suas mãos. Deus só não está presente no pecado, porque Deus é inacessível ao mal, isto é, o mal não tem acesso a Deus nunca. Assim, somente Deus pode penetrar em Sua Natureza Divina e nos dar a conhecê-la, tal como ela É. (cf. 1Cor 2,19). Por isso, tudo o que conhecemos de Deus só o conhecemos porque Ele nos revelou por Seu Espírito, ao longo da história da salvação nas Sagradas Escrituras, e nos últimos tempos, por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.

Com efeito, a Carta aos Hebreus nos dá a conhecer essa verdade:Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou”. (Heb 1,1-4).

Ora, Deus jamais iria criar algo tão lindo, como criou o universo e todas as suas criaturas, para que tudo fosse destruído pelo pecado. É evidente que Deus criou tudo por amor e para o amor, e suas obras demonstram isto claramente. Todavia, sabemos que houve um grande desvio de conduta, por parte dos anjos decaídos e da desobediência dos homens (cf. Gen 3,1-5), para que o mal se nos atingisse, como o constatamos no atual momento da criação.

O Senhor, porém, nunca deixou de dar continuidade ao seu Plano de felicidade e de amor eterno. Por isso, enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos livrar do pecado e da influência dos anjos decaídos e para nos salvar das consequências do pecado, que é morte eterna. (cf. Rom 8,1-17). Assim, por meio do seu Sacrifício de Cruz, Jesus nos deu o perdão tão necessário para a nossa salvação. Desse modo, o Senhor nos amou até a última gota do Seu Sangue Redentor, e saudou a dívida que tínhamos com Deus Pai, quando da queda no paraíso; e nos enviou o Espírito Santo para nos conduzir, como novo povo eleito, representado por sua Igreja, da qual é a Cabeça e nós somos seus membros. Pôs à frente dela Pedro e seus sucessores para dar consistência ao seu rebanho. E disse: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,19-20).

Portanto, a Igreja Católica (=aquela que abrange todo o universo), Apostólica (=fundamentada na sucessão apostólica), Romana (=por ter sua sede em Roma na Itália), é a parte visível do Reino de Deus no mundo. Dela fazem parte todos os batizados, pois o Batismo é uma consagração definitiva à Deus e um vínculo de pertença ao seu Reino; por ele somos seus filhos e filhas, isto é, nascemos na ordem da graça para a vida eterna. Por ele, temos acesso a todos os outros Sacramentos, que são canais de graças para a santificação de nossas almas.

Então, quais são as armas da Verdade? Ser batizado e fazer parte do novo povo de Deus, a Igreja Santa, Católica, Apostólica, Romana; observar os santos mandamentos da Lei de Deus (cf. 1Jo 5,3-4); viver vida sacramental, isto é, se unir a Jesus na Eucaristia, e participar também dos outros Sacramentos, conforme o Senhor nos conceda, pois, como disse, os Sacramentos são sinas visíveis de sua presença e comunicadores de suas graças. Ter vida de oração e meditação da Palavra de Deus, para ouvi-lo e segui-lo fielmente, pois quem ouve a Deus em sua Divina Palavra, nunca se afasta do seu rebanho, pelo contrário, cresce na graça, na sabedoria e no conhecimento do Senhor, porque se deixa conduzir pelo Espírito Santo. (Cf. Gal 5,13-25).

Por fim, usemos a mais eficaz de todas as armas da verdade, o amor incondicional. Pois, eis o que diz o Senhor: “Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”. (Jo 15,9-14.17).

Portanto, fiquemos vigilantes, como nos ensinou São Paulo: “A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”. (Rom 13,12). “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.       
Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus.    Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,13-18).

Destarte, amemo-nos uns aos outros intensamente, pois foi assim que o Senhor nos amou até o fim, e nos deu fazer parte de sua Natureza Divina para amarmos de igual modo. E por este amor, nos deu como herança a imortalidade, por isso o seguimos fielmente em tudo rumo ao Reino dos Céus, à Sua Glória Eterna, revestidos das armas da verdade, “brilhando como luzeiros no mundo a ostentar a Palavra da vida”. (Fil 2,16a).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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quarta-feira, 4 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: CAMINHOS DA ORAÇÃO...



CRÔNICAS DE MINHA ALMA: CAMINHOS DA ORAÇÃO...

O caminhar é algo na vida que nos leva a algum lugar. Por isso, todo caminhante procura traçar um itinerário para não perder o rumo ao qual se destina. Ninguém caminha sem rumo, e mesmo que alguém o faça, saiba este que o seu “caminhar sem rumo certo” o fará chegar a algum lugar, mesmo que não queira. Assim, quando estamos no comando do itinerário e do rumo traçados, tudo se encaminha para um destina-se feliz conforme os objetivos a serem alcançados. Na vida espiritual, também é assim, especialmente quando tratamos do dom da oração, pois ele é um dos meios mais eficazes de nosso encontro com Deus e da nossa permanência Nele.

Com efeito, a oração é como que uma via de perfeição que a alma percorre, sequiosa da Verdade, até chegar à perfeita união com ela, para com ela saciar-se e nunca mais sentir sede alguma. Digamos que é uma ida para se tomar possa da graça prometida, à qual precisamos alcançar para atingirmos a santidade desejada. Assim pela oração, a alma desagua no mar de Deus, e se deixa tomar totalmente por Ele. De fato, a oração é esse dom que nos leva à plenitude da Vontade Divina e a tudo o que ela nos proporciona.

Exatamente como nos ensinou São Paulo: “Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior. Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. (Ef 3,14-19).

E, então, quais são esses caminhos da oração? O primeiro deles é a intimidade. Quem goza da intimidade divina, sabe ouvir e sabe dialogar com Deus suavemente, amorosamente, e prontamente se dispõe a servi-lo gozando de Sua constante companhia, fazendo acontecer até mesmo o que nos parece ser impossível, como fazer o mar se abrir, o sol parar, a montanha atirar-se ao mar ou os mortos ressuscitarem, etc.; como nos ensinaram os patriarcas, os profetas e todos os santos que seguiram a Jesus fielmente.

Um segundo caminho é a oração a partir da vida, sintonizando oração e prática das virtudes evangélicas, especialmente o amor ao próximo, o desapego dos bens materiais e a prática da humildade. Santa Teresa de Ávila, mestra em oração, dizia: “A oração é amizade com Deus, e esta não é viável sem a amizade com os irmãos; não é possível sem a liberdade de espírito, e sem disponibilidade à ação de Deus sobre quem ora”. Pois era assim que ela rezava: “Quem vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um amplo caminho real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço, Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por alguma queda, nem mesmo por muitas, quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo”.

Um terceiro caminho da oração é não ceder às dificuldades que certamente aparecem, principalmente as preocupações e distrações. Pois, frequentemente somos tentados por todos os lados a não nos refugiarmos aos pés do Senhor, mas o Senhor mesmo nos alerta, como alertou à Marta, irmã de Maria: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”. Portanto: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Lc 10, 41-42; Mt 26,41).

Um quarto caminho da oração é a sintonização com a oração que o Senhor mesmo nos ensinou, o “Pai nosso”. Meditando a oração do Senhor, vemos como ele interioriza cada palavra da oração e a traz para o cotidiano, ou seja, Deus tudo sabe de nós, mas em seu amor quer que expressemos a nossa vontade para ser acolhida por Sua Vontade Santa e assim disponibilizar o que estamos expressando. Porém, muita atenção para a condição final da oração do Senhor, pois sem perdão nenhuma oração é suficiente ou proveitosa. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”. (Mt 6,14-15).

Por fim, para se chegar ao auge da oração, à quietude da contemplação, o Senhor nos ensina o caminho do recolhimento, dizendo: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais”. (Mt 6,6-8). Pois, o auge da oração é a união mística de nossa alma com o Senhor numa perfeita comunhão, e isso se dá plenamente na Eucaristia; união essa realizada pelo Espírito Santo, que nos torna sacrários vivos de Deus; sendo este um dos maiores mistérios da nossa redenção.

Destarte, “Àquele que, pela virtude que opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos, a ele seja dada glória na Igreja, e em Cristo Jesus, por todas as gerações da eternidade. Amém”. (Ef 3,20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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“Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituado. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará”. (Santa Teresa de Ávila)

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

"ORAI SEM CESSAR". (1Tess 5,17).













“ORAI SEM CESSAR.” (1Tess 5,17).

A oração é a luz da alma

A oração, o diálogo com Deus, é um bem incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas determinadas, prolongando-se dia e noite, sem inter­rupção.

Com efeito, não devemos orientar o pensamento para Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, tempe­radas com o sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.

A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.

A oração é venerável mensageira que nos leva à presen­ça de Deus, alegra a alma e tranquiliza o coração. Não penses que essa oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8,26).

Semelhante oração, quando o Senhor a concede a al­guém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que de um fogo devorador quê abrasa o coração.

Praticando-a em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça. Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada, assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.

Paz e Bem!

Fonte: Das Homílias do Pseudo-Crisóstomo (Supp., Hom. 6 de precatione: PG 64,462-466) (Séc. IV)

domingo, 5 de fevereiro de 2012

JESUS FOI PARA UM LUGAR SOLITÁRIO E ALI SE PÔS EM ORAÇÃO


Quando o Filho de Deus «levantando os olhos ao céu disse: 'Pai, glorifica o Teu Filho'» (Jo 17,1), ensinou-nos através desta ação que devemos levantar bem alto todos os nossos sentidos, as nossas mãos, as nossas faculdades, a nossa alma, e rezar n'Ele, com Ele e por Ele. Eis a obra melhor e mais santa que o Filho de Deus realizou na terra: adorar Seu bem amado Pai. Mas isto ultrapassa em muito qualquer raciocínio, e não conseguimos de maneira nenhuma alcançá-lo e compreendê-lo se não for no Espírito Santo. Santo Agostinho e Santo Anselmo dizem-nos que a oração é «uma elevação da alma para Deus». [...]

Eu digo-te apenas isto: liberta-te de ti mesmo e de todas as coisas criadas, e eleva plenamente a tua alma para Deus, acima de todas as criaturas, no abismo profundo. Mergulha o teu espírito no espírito de Deus com verdadeiro abandono [...], numa verdadeira união com Deus. [...] Pede a Deus tudo o que Ele quer que Lhe seja pedido, o que tu desejas e o que os homens desejam de ti. E acredita nisto: aquilo que uma pequena e insignificante moeda é, comparada com cem mil moedas de ouro, eis o que é toda a oração externa, comparada com esta oração que é uma verdadeira união com Deus, com esta fusão do espírito criado no espírito incriado de Deus. [...]

Se te pediram uma oração, é bom que a faças de maneira exterior, como te pediram e como tu te comprometeste a fazer. Mas ao fazê-lo leva a tua alma para as alturas e para o deserto interior, conduz para aí todo o teu rebanho como Moisés (Ex  3,1). [...] «Os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade» (Jo 4,23). É nesta oração interior que se completam todas as práticas, todas as fórmulas e todos os tipos de oração que, desde Adão até agora, foram oferecidos, e que serão oferecidos até ao último dia. Tudo isto é levado à sua perfeição num instante, neste recolhimento verdadeiro e essencial.

Paz e Bem!

Fonte: Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano em Estrasburgo
Sermão 15, para a véspera dos Ramos

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