Aqui encontrarás o que o Senhor te dirá para permaneceres na fidelidade à caminho de sua Glória Eterna.
VEM SENHOR JESUS!
SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO
"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
AS VIRTUDES FUNDAMENTAIS DA ORAÇÃO...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(13/02/20)
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Caríssimos, a fidelidade a Deus por meio da obediência à Sua Palavra, é uma grande virtude, que traduz a nossa adesão total a Ele, porém, parecisamos perseverar até o fim nessa graça, especialmente quando somos tentados a relativisar a prática da nossa fé, ou seja, quando somos tentados a pensar que todos os outros credos são iguais ao nosso; quando na verdade não são. Respeitar quem os professa sim; porém, sem jamais aderir à eles.
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Com efeito, na primeira leitura de hoje vimos como Salomão esfriou na piedade e comunhão com o Senhor afastando-se Dele por meio de práticas religiosas não condizentes com a sua fé. E o resultado de sua infidelidade foi terrível, pois, trouxe a divisão para o povo de Deus e a decadência da fé e dos bons costumes em larga escala.
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No Evangelho de hoje uma mulher que não fazia parte do povo eleito, se aproxima de Jesus e lhe faz uma ardente súplica em favor de sua filha atormentado por um demônio. A princípio Jesus a escuta, mas lhe responde não conforme o que havia suplicado; todavia, ela apresentou ao Senhor os virtudes fundamentais da oração: fé, humildade, perseverança e esperança; desse modo, foi prontamente atendida.
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Caríssimos, pelos exemplos que vemos nos Evangelhos, todos os que se aproximaram de Jesus foram atendidos em suas necessidades; exceto os escribas, fariseus e doutores da lei, por causa da dureza de coração; é que num coração repleto de orgulho, egoísmo e prepotência não existe espaço para a graça de Deus.
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Portanto, quando a nossa oração é uma expressão da nossa comunhão com a vontade de Deus, ela revela as mesmas virtudes da oração da mulher cananéia, por isso, também somos prontamente atendidos.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
PEÇAMOS AO SENHOR UM CORAÇÃO PURO...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(12/02/20
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Caríssimos, a liturgia deste dia trata da vida interior, isto é, do estado de graça que significa a santificação de nossas almas pela permanente comunhão com Jesus, nosso Senhor. Para isto ponhamos em prática o que nos ensina o hagiógrafo do Livro de Provérbios: "Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida."
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Com efeito, como vimos no santo Evangelho: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”.
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Ora, "Quem se entrega a maus pensamentos não pode manter-se puro de pecados no seu homem exterior; e, se não arrancar os maus pensamentos do seu coração, é impossível que eles não o levem a praticar más obras. Devemos pois, cada um de nós, purificar-nos por dentro e por fora no Senhor e guardar os sentidos, mantendo-nos puros de qualquer atividade inspirada pelas paixões e pelo pecado."
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Portanto, caríssimos, "Travemos, pois, o combate da inteligência contra os demônios que falam por meio de maus pensamentos que chegam a nossa mente, a fim de não permitir que as suas vontades más passem para as nossas obras como pecados reais. Se arrancarmos o pecado do coração, encontraremos o reino de Deus em nós. Por esta ascese, mantenhamos, em nome de Deus, a pureza e uma contínua compunção de coração." (Filoteu do Sinai).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
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terça-feira, 9 de agosto de 2016
OS FRUTOS DA ORAÇÃO
OS
FRUTOS DA ORAÇÃO
Ao longo da história humana, muito se tem
falado sobre o dom da oração; de fato, não se pode pensar ou falar em Deus sem
que tenhamos acesso a Ele, e a oração é um dos meios mais eficazes desse
acesso. Porém, como defini-la se já tantos a definiram antes? Realmente, mesmo
em meio a tantas definições, cada um que se põe em oração tem sempre uma
experiência nova de Deus, pois o modo de ser vivido nesta experiência,
divino-humana, ilumina nosso testemunho de fé, aumenta a graça santificante e
faz Deus bem presente em meio à contingência que nos atinge.
Daí surge uma pergunta: como fazer para que
a nossa oração seja eficaz, isto é, seja profundamente proveitosa? Ou, em
outras palavras, seja atendida? A vida humana e suas manifestações é feita de
encontros, permanências temporárias e quem sabe eternas. Quando ouvimos do
Senhor pérolas como estas: “Eu sou a
videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto;
porque sem mim nada podeis fazer. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras
permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é
glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”.
(Jo 15,5.7-8); logo nos convencemos
que mais do que pedidos, a oração é a base de toda comunhão perfeita com Deus,
que nos criou para vivermos eternamente em sua presença numa convivência para
além da finitude de nossa humanidade.
Então, vamos à eficácia e aos frutos de
nossa oração. Segundo Santo Tomás de Aquino, “a oração é um desdobramento de nossas necessidades diante de Deus”.
Desse modo, quando tratamos da oração pessoal, “as condições para a infalibilidade” dela, são as seguintes: “pedir por si, as coisas necessárias à
salvação, piedosamente e com perseverança”.
“Além
do aspecto impetratório, isto é, de pedido, diz-se que a oração [pessoal] tem ação meritória e satisfatória, pois nos
alcança, respectivamente, o aumento da graça santificante e a expiação de
nossas culpas, fazendo-se especialmente necessária: a) quando se cometeu pecado
grave; b) quando há perigo de pecar; c) em perigo de morte”. Porquanto, “como observa Santo Tomás de Aquino, a boa
oração deve ser humilde, fruto da confiança sobrenatural que é infusa pelo
Espírito Santo”.
OS BENEFÍCIOS DA ORAÇÃO DO PAI NOSSO
O Pai nosso é a oração por excelência, mãe e
modelo de toda oração, pois ensinada por Jesus, nosso Senhor e Salvador, nos
faz participantes da filiação divina diretamente, uma vez que pedimos como
filhos muito amados, como afirma São João: “Considerai
com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o
somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos,
desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de
ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto
o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro,
como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).
Quando se refere ao dom da oração, e o modo
como fazê-la, o próprio Jesus nos ensina que a sua prática em si é vontade de
Deus para nós; por isso, ele mesmo a praticou perseverantemente para realizar
em tudo com sua vida a Vontade do Pai (cf. Lc 6,12-13;9,18-22;9,28-36;11,1-2;22,31-32;22,39-46;23,34.46).
São Lucas quando trata do ensinamento de Jesus sobre a perseverança na oração, observa:
“Propôs-lhes Jesus uma parábola para
mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo”. (Lc
18,1). Ou seja, a oração é necessidade permanente para que tenhamos acesso aos
bens eternos e à Fonte desses bens, Deus nosso Pai.
“Em seu Tratado
Sobre a Oração do Senhor, São Cipriano observa que “se temos a Cristo como advogado diante do Pai para interceder pelos
pecados, apresentemos Suas palavras ao pedirmos perdão de nossas faltas”. E
tanto mais confiante se nos apresenta a oração do Senhor ao considerarmos que
Cristo mesmo, que nô-la ensinou a orar, a escuta junto ao Pai, cumprindo o que
diz o salmo: “Clamará por mim e Eu o
ouvirei” (Sl 91,15). Acrescenta ainda São Cipriano que “dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras é fazer uma oração
afetuosa, devota e familiar”. Daí dizer-se que ninguém conclui o Pai-nosso sem fruto algum, porquanto,
como ensina Santo Agostinho, ele ao menos nos perdoa os pecados veniais”.[1] (Enchiridion, c71;
PL 40,265).
Ainda segundo São Cipriano, “Vontade de Deus é a que Cristo praticou e
ensinou: humildade na vida, estabilidade na fé, veracidade nas palavras,
justiça no agir, misericórdia nas obras, disciplina nos costumes, não saber
injuriar, tolerar a injúria recebida, manter a paz com o irmãos, querer a Deus
com todo o coração, amando-O como Pai e temendo-O como Deus, absolutamente nada
antepor a Cristo, porque Ele também nada antepôs a nós; aderir inseparavelmente
à Sua caridade, unir-se à Sua cruz com firmeza e fé, e, quando houver combate
por Seu nome e honra, manifestar pela palavra e constância com que o
confessamos diante dos juízes, a firmeza do nosso certame. Manifestemos, enfim,
na morte, a paciência pela qual somos coroados: isso é ser coerdeiro de Cristo,
isso é cumprir a vontade do Pai”.[2]
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
[1]
Tomás de Aquino, Santo, Comentário ao Pai-Nosso: tradução e notas: Omayr José
de Morais Junior - Rio de Janeiro: Lotus
do Saber, 2002. Pgs 25-26.
[2]
Idem

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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
A ESCADA DOS MONGES...
A "ESCADA DOS MONGES"...
A Lectio Divina é uma “caminhada” de quatro
passos básicos:
1) LECTIO – leitura
2) MEDITATIO – meditação
3) ORATIO – oração
4) CONTEMPLATIO – contemplação
Esses quatros passos da Lectio Divina que
hoje conhecemos foram assim definidos por volta do ano 1150 pelo monge cartuxo
Guido em um pequeno livro chamado A escada dos monges. Neste livro o monge
Guido expunha a sua teoria dessa forma: “Certo dia durante o trabalho manual,
ao refletir sobre a atividade do espírito humano, de repente vi em minha mente
a escada dos quatro degraus espirituais: a leitura, a meditação, a oração e a
contemplação. Essa é a escada pelo qual os monges sobem da terra ao céu. Está
certo, a escada ter poucos degraus, mas é de uma altura tão imensa e tão incrível
que enquanto seu extremo inferior se apoia na terra, a parte superior penetra
nas nuvens e investiga os segredos do céu. (...).
A leitura é o estudo assíduo das
Escrituras, feito com espírito atento. A meditação é uma atividade diligente da
mente que, com ajuda da razão busca o conhecimento da verdade oculta. A oração
é o impulso fervoroso do coração à Deus, pedindo que afaste os males e conceda
coisas boas. A contemplação é uma elevação da mente sobre si mesma que, apoiada
em Deus, saboreia as alegrias da doçura eterna.”.
1) LEITURA “O que eu leio...”
Deve ser uma leitura pausada, atenta, como
que “degustando” a Palavra. “Como é doce ao paladar vossa palavra, mais doce do
que o mel na minha boca!”. “Saboreai e vede como o Senhor é bom” (SL 118, 103).
É importante abrir o coração e suplicar o
auxílio do Espírito Santo para não cairmos numa racionalização. Cuidado para
não manipular a Palavra de Deus, ou pensar numa 3ª pessoa! Não, isto é o que
Deus fala pra MIM neste MOMENTO da MINHA HISTÓRIA PESSOAL! Toda a Escritura nos
revela Deus, mas sobretudo olhamos para os Evangelhos, pois através dele
podemos conhecer os SENTIMENTOS DO FILHO, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Nesta hora da leitura eu não vou conduzir
nada, vou deixar-me guiar pelo Espírito Santo, ficar atendo para onde (qual
trecho) Ele vai fixar o meu coração. Pode ser num determinado versículo, numa
determinada frase ou até mesmo numa simples palavra. Numa atitude de FILIAL
ABANDONO deixar o coração totalmente vulnerável (vulnera em latim= chaga),
deixar-se chagar por Deus como Nosso Senhor na Cruz. Ali, onde meu coração se
sentiu fixado devo parar, aprofundar, insistir... “Tua palavra é lâmpada para
os meus passos.” Pronto! Abriu-se a porta e eu devo entrar, é isto que Deus
quer me falar hoje. De repente, sem dar conta, já estou no 2º passo que é a...
2) MEDITAÇÃO “O que me diz...”
Na meditação eu devo percorrer este caminho
que o Senhor me mostrou na leitura, como um peregrino que busca a Deus e não a
sua própria vontade. “Sai da tua terra e vai aonde eu te mostrar”!
Podemos usar a imaginação, entrar naquela
cena do Evangelho, colocar-nos no lugar do pecador, da prostituta, dos fariseus
e hipócritas, do filho pródigo, e porque não, do filho mais velho, que não
compreendeu a misericórdia do Pai. Tudo vai depender do caminho que o Senhor
tem para nós naquele dia, naquele momento e que estamos vivendo; da fraqueza
que precisamos aceitar, do pecado que precisamos nos arrepender, do apego que
precisamos renunciar, do irmão que precisamos aceitar ou perdoar; da cura e do
amor que nossa alma está sedenta, etc... Podemos imaginar as aves do Céu (Mt 6,
26), os lírios (v.28) do campo, o trigo, o Templo; podemos visualizar a
expressão de Nosso Senhor, suas lágrimas (Jo 11, 35, Lc 19, 41b), sua compaixão
(Lc 7, 13 e 15, 20), sua fome (Lc 4, 2), seu olhar (Mc 10, 21, Lc 22, 61), sua
voz, seu silêncio (Mt 26, 63). Podemos transportar-nos para a barca na
tempestade, para o Monte Tabor ou para o Calvário, podemos ser o Cireneu, Maria
Madalena, João ou um dos soldados, enfim, podemos com o uso da razão e
imaginação deixar a Palavra de Deus visível diante do olhar do nosso coração.
Na meditação, vamos colocar nossa mente,
nossa imaginação, nossa razão a serviço do Senhor, sob o império da sua graça,
do seu senhorio.
Importante lembrar de novo que Ele é quem
toma as rédeas do nosso coração, na Lectio Divina, nós vamos apenas obedecendo,
atraídos, arrastados (cf. Ct 1, 4), aí eu vou compreendendo o que Ele, o Amado,
tem para mim, e o meu coração deseja então expandir-se num diálogo amoroso,
falar com o Senhor e também ouvi-lo. Então, sem perceber eu já estou no 3º
passo...
3 e 4) A ORAÇÃO E A CONTEMPLAÇÃO “O que eu
digo e... o que mais...!
Na liberdade de filhos e herdeiros do Reino
abrimo-nos para este diálogo com Deus Trino. Expomos para Ele nossos medos,
nossas angústias, nossas revoltas, nossas dores, nossas carências, nossas
limitações e dificuldades. Expomos também a sede de nossa alma (minh’alma
suspira Sl 41, 23; Sl 62, 2) nosso desejo de conhecê-lo, de obedecê-lo, de
imitá-lo, de servi-lo, de segui-lo.
Na oração esperamos do Senhor as respostas
das quais necessitamos, esperamos que Ele direcione o nosso coração para o bem,
para a justiça, para a santidade. Com o tempo, a nossa oração não permanece
somente um DIÁLOGO, mas sobretudo um ENCONTRO de duas pessoas que se amam: DEUS
e a ALMA, e isto é a contemplação, quando o mais íntimo de nós se encontra no
mais íntimo de Deus, “minha vida está escondida em Cristo”. A oração e a
contemplação vão nos transformando em outros CRISTOS, imprimindo em nós a sua
mansidão, a sua imolação, a sua sede de salvar a humanidade, a sua verdade, a
sua paz... “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”.
Aprendemos a “ouvir” não só a voz do
Senhor, mas também o Seu Silêncio, “sofre as demoras de Deus”. Nada mais
difícil do que suportar a “nudez” da Palavra, quando parece que Ela nada nos
diz e o nosso coração continua árido com uma terra seca. Consola-nos refletir
que ninguém colhe no dia seguinte após ter semeado. A Lectio vai produzindo
seus frutos em nós com o correr do tempo, e isso exige uma atitude assídua e
comprometida de perseverança na leitura. A experiência nos fará transpor os
sentimentos (gozo, consolação, secura) e encontrar o próprio Deus.
A contemplação seria esse “O QUE MAIS” do
encontro entre a alma e Deus. Neste encontro o nosso coração é abrasado (nem
sempre sensivelmente), frutificando na necessidade de uma autêntica conversão.
É como um despertar para a graça. Os frutos da oração e da contemplação devem ser
ENCARNADOS, ou seja, visíveis em nossa vida cotidiana, no nosso trato com os
irmãos, os pobres, na nossa postura (interior e exterior) reverente ao próprio
Deus, aos seus ministros e aos seus mistérios.
Paz e Bem!
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terça-feira, 16 de julho de 2013
SONHOS FEITOS ORAÇÃO
SONHOS
FEITOS ORAÇÃO
Senhor
é bom sonhar, muito bom!
Porque o sonho verdadeiro,
Porque o sonho verdadeiro,
um
dia, torna-se realidade plena.
Por isso,
Por isso,
não
me canso de meus sonhos feitos oração,
para
que nesse dia,
estes
mesmos sonhos
se
realizem plenamente.
Sonho com um mundo onde as pessoas
Sonho com um mundo onde as pessoas
se
amem tanto, mais tanto...
que
seja banido de todos os corações
o
ódio e a maldade.
Sonho com esse Amor vivido como Amor
Sonho com esse Amor vivido como Amor
e
não como ilusão de relacionamentos mal fadados,
e
cantados como se fossem verdadeiros.
Sonho com um mundo sem pecados,
Sonho com um mundo sem pecados,
sem
as mazelas do nosso tempo...
Fome,
peste, doenças e guerras...
Catástrofes
naturais
causadas
pela nossa falta de respeito à irmã natureza...
E ao Senhor que nos criou.
E ao Senhor que nos criou.
Sonho com um mundo sem egoísmo e desigualdade...
Sem
a ganância do ter mais...
Sem
a triste estatística de crianças
e
velhos abandonados...
Sem
vícios cruéis que dizimam nossa juventude,
que
perdida sem sonhos,
pede
urgentemente a nossa atenção, a nossa ajuda.
Sonho com os cárceres vazios,
Sonho com os cárceres vazios,
os
hospitais, manicômios e clínicas psiquiátricas
sem
prisioneiros e pacientes que as ocupem.
Sonho com um mundo sem políticos desonestos
Sonho com um mundo sem políticos desonestos
que
só pensam em si
e
nunca no bem de todos.
Sonho com os seres humanos
Sonho com os seres humanos
numa
real compreensão e cooperação mútua,
onde
nada falta a ninguém,
onde
todos são saciados de sua sede de justiça,
de
verdade e de paz.
Sonho ainda com a pureza dos pensamentos,
Sonho ainda com a pureza dos pensamentos,
dos
sentimentos, dos desejos e dos afetos humanos...
Onde
o corpo é visto não como um objeto,
mas
como templo santo,
lugar
sagrado onde habita o Teu Espírito.
Não sonho com avanços tecnológicos
Não sonho com avanços tecnológicos
nem
com grandes descobertas da ciência;
posso
até sonhar...
Mas
sonho mesmo com o sonho humano de igualdade,
fraternidade
e liberdade sem fim...
E
isso não é uma utopia,
porque
somos mais do que humanos,
somos
Tua “Imagem e semelhança”.
E se o mundo está sonâmbulo como está
E se o mundo está sonâmbulo como está
é
porque o ser humano deixou de sonhar
E,
em seus devaneios,
quer
saber e querer,
não
o que Tu queres,
mas
o que sua loucura lhe insinua que faça.
Sonho, enfim, com a vida humana repleta de Tua Vontade,
Sonho, enfim, com a vida humana repleta de Tua Vontade,
sem
a qual jamais seremos felizes...
Sim,
Tua Vontade de Deus Criador e Redentor...
Único
e Verdadeiro...
Soberano
e Absoluto...
Senhor
e Pai nosso.
Por último, sonho com o sonho de Jesus,
Por último, sonho com o sonho de Jesus,
Teu
Filho amado
e
ainda com o sonho de Maria,
de
Francisco de Assis
e
de todos os santos e santas
que
na fragilidade humana
realizaram
o sonho da ressurreição, da vida eterna...
Humildemente
Senhor,
os
quero acompanhar no seu modo de sonhar.
Um dia, quando o Teu Dia Eterno chegar,
Um dia, quando o Teu Dia Eterno chegar,
todos
verão estes meus sonhos realizados...
Enquanto
isso não acontece,
continuo
a sonhar os meus sonhos feitos oração.
Paz
e Bem!
Frei
Fernando Maria,OFMConv.
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segunda-feira, 29 de abril de 2013
A GRAÇA DE CADA MOMENTO...

A GRAÇA DE CADA MOMENTO
Jesus
nos ensinou que a revelação divina nos envolve em todos os sentidos de nosso
ser e existir no mundo; ora, quando os acontecimentos adversos se dão em nosso
meio, na maioria das vezes, ficamos estarrecidos ou impotentes diante deles; ou
ainda procuramos respostas para tais acontecimentos, e quando não as
encontramos ficamos confusos sem entendermos o porquê de tais acontecimentos,
ficamos como que “a ver navios”, como reza o ditado popular; quando na verdade
deveríamos buscar refúgio no Senhor que fez o céu e a terra, pois Nele encontramos
todas as graças necessárias para superarmos todas as situações embaraçosas de
nossa viver. É como o Senhor mesmo nos ensinou: ”Se permanecerdes em mim, e as
minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será
feito. Nisso é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis
meus discípulos”. (Jo 15,7-8).
Assim,
precisamos entender que não podemos ser os causadores dos problemas que geram
as situações adversas da vida, pois, como nos ensina São Paulo: ”Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O
que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá
a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não
nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos.
Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas
particularmente aos irmãos na fé”. (Gal 6,7-10).
Em
nosso dia a dia temos grande facilidade de olharmos para os pecados dos outros;
ora, mas do pecado não vem nada de bom, por isso, nos angustiamos com a maldade
alheia que constatamos e terminamos julgando e condenando tais indivíduos. Não
convém que seja assim. De fato, não podemos ser coniventes com o pecado de
ninguém, mas também não precisamos carregá-lo em nossas almas, pois se o
fizermos certamente ele ocupará o lugar que é de Deus em nossa vida, e nos fará
um grande mal. Logo, precisamos ouvir e obedecer ao Senhor que nos exorta: ”Sede misericordiosos, como também vosso Pai
é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não
sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e vos será dado. Será
colocada em vosso regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque,
com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também”. (Lc
6,36-38). Realmente, um coração misericordioso é semelhante ao coração de Deus.
Um coração quieto que descansa
em Deus sabe que Ele não falha nunca. Escutemos, pois, este conselho de Santa
Tereza de Ávila, e sigamos o que ela diz: “Nada
te perturbe nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo
alcança; Quem a Deus tem, nada lhe falta: só Deus basta. Eleva o pensamento, ao
céu sobe, por nada te angusties, nada te perturbe. A Jesus Cristo segue, com
grande entrega, e, venha o que vier, nada te espante. Vês a glória do mundo? É
glória vã; nada tem de estável, tudo passa. Deseje às coisas celestes, que
sempre duram; fiel e rico em promessas, Deus não muda. Ama-o como merece,
Bondade Imensa; Quem a Deus tem, mesmo que passe por momentos difíceis; sendo
Deus o seu tesouro, nada lhe falta. Porque
só Deus basta!” (Santa Tereza de Ávila).
Então, qual é a graça de cada momento? É
aquela que buscamos em Deus sempre, porque Deus se faz presente em todo tempo
do nosso viver, haja vista, que se pararmos de respirar cinco minutos morreremos,
no entanto, a cada respirar nosso sentimos como que o Senhor nos dizer: filho,
filha, eu te amo, por isso te dou a vida constantemente a cada respirar teu,
mesmo que não correspondas ao meu amor. Escrevendo a esse respeito, assim se
expressou São Paulo: “Alegrai-vos sempre
no Senhor. Repito: alegrai-vos! Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade.
O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias
apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a
ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de
guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus”. (Fil
4,4-7).
Portanto, aprendamos a nos relacionar com
Deus Pai, por meio de nossa oração, pois sua realidade divina envolve nossa vida
natural para além do nosso entendimento, e é pelo dom da fé que compreendemos
isto e o praticamos. Vejamos a atitude orante do Senhor, Jesus, nos ensinando
como devemos nos portar diante de Deus, nosso Pai: “Jesus afirmou essas coisas e depois, levantando os olhos ao céu, disse:
Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti;
e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida
eterna a todos aqueles que lhe entregaste. Ora, a vida eterna consiste em que
conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. Eu te
glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois,
Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes
que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me
deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. Agora eles reconheceram
que todas as coisas que me deste procedem de ti. Porque eu lhes transmiti as
palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente
que saí de ti, e creram que tu me enviaste. Por eles é que eu rogo. Não rogo
pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é
teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado”. (Jo 17,1-10). Façamos
o mesmo e do mesmo modo que o Senhor nos ensinou. Amém! Assim seja!
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: UM DOM INESGOTÁVEL...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA:
UM DOM INESGOTÁVEL...
A oração é um dom inesgotável porque é
interação de amor, visto que o amor de Deus é a Fonte de toda vida. Por meio
deste dom, interagimos e bebemos desta Fonte, experimentando as delícias
eternas que ela nos oferece. Toda oração tem como objetivo nossa união com Deus
para que sua vontade se realize em todos os sentidos de nosso viver. Nesse
sentido, a oração é também dom de conhecimento do Senhor, porque por ela
adentramos sua intimidade divina numa sintonia perfeita de seres profundamente
amados, queridos e recebidos por Ele, para vivermos a nossa vocação filial. De
fato, amamos quando conhecemos e só conhecemos quando amamos de verdade. Assim,
conhecer a Deus é obedecê-lo, ama-lo, adora-lo, glorifica-lo, servi-lo; é
sermos Dele totalmente.
Eis outra graça que o dom da oração traz
para nós, a de falarmos ao Senhor, escuta-lo e obtermos as respostas desejadas
conforme a sua vontade (cf. Sl 36,4), mesmo não o vendo em seu Grande Mistério,
mas, sim, participando dele diretamente. Nesse sentido, a oração é como que a
boca e os ouvidos de nossas almas, por ela, falamos com o Senhor e o ouvimos
sensivelmente, pois da sua dimensão eterna o Senhor adentra nossa dimensão
temporal, para conviver conosco e nos fazer transpor o tempo e o espaço de
nossa finitude; é a criatura no convívio do seu Criador... Como nos sentimos
bem quando nossas orações têm respostas precisas; neste instante compreendemos
que estamos fazendo a vontade do Senhor, visto que fomos ouvidos e atendidos,
ou seja, temos a certeza que o Senhor nos conhece, nos escuta e nos responde,
porque nos ama e quer o melhor para nós.
Portanto, como dom inesgotável, a oração é
porta voz permanente do Espírito Santo em nós diante de Deus (cf. Rom 8,26-27);
pois o Senhor nos deu o dom da oração para termos um canal sempre aberto para
Ele, assim por meio dela no Espírito, comunicamos o que somos e o que temos,
para recebermos o que Deus quer e o que Deus é. Recusar o cultivo desse dom
para Deus é abrir-se ao que não é a vontade de Deus, ou seja, é ouvir somente a
si mesmo e ao inimigo de nossas almas. Quem não se dedica à oração-interação,
vive a insatisfação de não escutar a voz de Deus, e passa a ouvir somente a si
mesmo e às falácias do mal.
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
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sexta-feira, 10 de agosto de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: VIVENDO NA INTIMIDADE DIVINA...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: VIVENDO NA INTIMIDADE
DIVINA...
Intimidade é a virtude que só aqueles que
têm vida de oração profunda experimentam. Por ela se formam os amigos e
interpretes de Deus. Por ela conhecemos quais sejam os desígnios do Senhor
naquilo que diz respeito à nossa humanidade e a toda criação.
Por meio dessa virtude vem fora toda uma
realidade que transpõe a natureza; é por isso que temos a certeza de que não
estamos sozinhos, pois existe um mundo imaterial que nos envolve como mistério
de amor, porque a vida tem sua origem no amor de Deus e somente nesse amor ela
permanece para sempre.
Ora, por que é que pensamos em Deus e
falamos Dele e com Ele? Não é porque Ele se revela àqueles que o amam e se dá a
conhecer intimamente aos que o respeitam e temem? “Amai a justiça, vós que
governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na
simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se
revela aos que não lhe recusam sua confiança”. ((Sab. 1,1-2).
Creio que todos nós concordamos que o maior
desejo de nossas almas é ver a Deus face a face na plenitude do seu amor; é
gozar de seu favor perenemente, é viver na sua presença sem a possibilidade de
sair dela. Ora, tudo isto já o fazemos por meio da fé; mesmo assim, não estamos
isentos da tentação que quer nos tirar esse gozo salvífico da proteção divina
que está sobre nós.
Na união mística, que nasce da intimidade
da alma com Deus, realizam-se todas as possibilidades da perfeição humana, pois
foi isto que nos ensinou o Senhor Jesus: “Eu e o Pai somos um”; “Quem me vê, vê
o Pai”; “Eu não vim fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me
enviou”. É por isso que Jesus venceu todos os obstáculos deste mundo e nos deu
vencê-los também.
Portanto, viver nessa intimidade de Deus é
experimentar Sua Santa Sabedoria agindo em nós, conduzindo os nossos
pensamentos, palavras, desejos, sentimentos, vontades e ações de toda natureza
para que Deus seja glorificado em nós e em toda a obra da criação para sempre,
amém!
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
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sábado, 28 de julho de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: AS ARMAS DA VERDADE...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: AS ARMAS DA VERDADE...
Deus está sempre presente e nenhuma
criatura pode contestar isto, haja vista ser Ele quem sustenta a obra de suas
mãos. Deus só não está presente no pecado, porque Deus é inacessível ao mal, isto
é, o mal não tem acesso a Deus nunca. Assim, somente Deus pode penetrar em Sua
Natureza Divina e nos dar a conhecê-la, tal como ela É. (cf. 1Cor 2,19). Por
isso, tudo o que conhecemos de Deus só o conhecemos porque Ele nos revelou por
Seu Espírito, ao longo da história da salvação nas Sagradas Escrituras, e nos
últimos tempos, por meio de Seu Filho, Jesus Cristo, o Salvador da humanidade.
Com efeito, a Carta aos Hebreus nos dá a
conhecer essa verdade: “Muitas
vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente
nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou
todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o
universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos
pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão
superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou”. (Heb 1,1-4).
Ora, Deus jamais iria criar algo tão lindo,
como criou o universo e todas as suas criaturas, para que tudo fosse destruído
pelo pecado. É evidente que Deus criou tudo por amor e para o amor, e suas
obras demonstram isto claramente. Todavia, sabemos que houve um grande desvio
de conduta, por parte dos anjos decaídos e da desobediência dos homens (cf. Gen
3,1-5), para que o mal se nos atingisse, como o constatamos no atual momento da
criação.
O Senhor, porém, nunca deixou de dar
continuidade ao seu Plano de felicidade e de amor eterno. Por isso, enviou seu
Filho amado, Jesus Cristo, para nos livrar do pecado e da influência dos anjos
decaídos e para nos salvar das consequências do pecado, que é morte eterna. (cf.
Rom 8,1-17). Assim, por meio do seu Sacrifício de Cruz, Jesus nos deu o perdão tão
necessário para a nossa salvação. Desse modo, o Senhor nos amou até a última
gota do Seu Sangue Redentor, e saudou a dívida que tínhamos com Deus Pai,
quando da queda no paraíso; e nos enviou o Espírito Santo para nos conduzir, como
novo povo eleito, representado por sua Igreja, da qual é a Cabeça e nós somos
seus membros. Pôs à frente dela Pedro e seus sucessores para dar consistência
ao seu rebanho. E disse: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos
prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt
28,19-20).
Portanto, a Igreja Católica (=aquela que
abrange todo o universo), Apostólica (=fundamentada na sucessão apostólica),
Romana (=por ter sua sede em Roma na Itália), é a parte visível do Reino de
Deus no mundo. Dela fazem parte todos os batizados, pois o Batismo é uma consagração
definitiva à Deus e um vínculo de pertença ao seu Reino; por ele somos seus
filhos e filhas, isto é, nascemos na ordem da graça para a vida eterna. Por
ele, temos acesso a todos os outros Sacramentos, que são canais de graças para
a santificação de nossas almas.
Então, quais são as armas da Verdade? Ser
batizado e fazer parte do novo povo de Deus, a Igreja Santa, Católica,
Apostólica, Romana; observar os santos mandamentos da Lei de Deus (cf. 1Jo
5,3-4); viver vida sacramental, isto é, se unir a Jesus na Eucaristia, e participar
também dos outros Sacramentos, conforme o Senhor nos conceda, pois, como disse,
os Sacramentos são sinas visíveis de sua presença e comunicadores de suas
graças. Ter vida de oração e meditação da Palavra de Deus, para ouvi-lo e
segui-lo fielmente, pois quem ouve a Deus em sua Divina Palavra, nunca se
afasta do seu rebanho, pelo contrário, cresce na graça, na sabedoria e no conhecimento
do Senhor, porque se deixa conduzir pelo Espírito Santo. (Cf. Gal 5,13-25).
Por fim, usemos a mais eficaz de todas as
armas da verdade, o amor incondicional. Pois, eis o que diz o Senhor: “Como o
Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no meu amor. Se guardardes os
meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os
mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor. Disse-vos essas coisas para que
a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa. Este é o meu
mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do
que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o
que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros”. (Jo 15,9-14.17).
Portanto, fiquemos vigilantes, como nos ensinou
São Paulo: “A noite vai adiantada, e o dia vem chegando. Despojemo-nos das
obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz”. (Rom 13,12). “Pois não é
contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e
potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Tomai, por tanto, a armadura de Deus,
para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento
do vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo vestido
com a couraça da justiça, e os pés calçados de prontidão para anunciar o
Evangelho da paz.
Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que
possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o capacete
da salvação e a espada do Espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai as vossas invocações e
súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em
intensa vigília de súplica por todos os cristãos”. (Ef 6,13-18).
Destarte, amemo-nos uns aos outros intensamente,
pois foi assim que o Senhor nos amou até o fim, e nos deu fazer parte de sua
Natureza Divina para amarmos de igual modo. E por este amor, nos deu como
herança a imortalidade, por isso o seguimos fielmente em tudo rumo ao Reino dos
Céus, à Sua Glória Eterna, revestidos das armas da verdade, “brilhando como
luzeiros no mundo a ostentar a Palavra da vida”. (Fil 2,16a).
Paz e Bem!
Frei
Fernando,OFMConv.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: CAMINHOS DA ORAÇÃO...
CRÔNICAS DE MINHA ALMA: CAMINHOS DA
ORAÇÃO...
O caminhar é algo na vida que nos leva a
algum lugar. Por isso, todo caminhante procura traçar um itinerário para não perder
o rumo ao qual se destina. Ninguém caminha sem rumo, e mesmo que alguém o faça,
saiba este que o seu “caminhar sem rumo certo” o fará chegar a algum lugar,
mesmo que não queira. Assim, quando estamos no comando do itinerário e do rumo
traçados, tudo se encaminha para um destina-se feliz conforme os objetivos a serem
alcançados. Na vida espiritual, também é assim, especialmente quando tratamos
do dom da oração, pois ele é um dos meios mais eficazes de nosso encontro com
Deus e da nossa permanência Nele.
Com efeito, a oração é como que uma via de
perfeição que a alma percorre, sequiosa da Verdade, até chegar à perfeita união
com ela, para com ela saciar-se e nunca mais sentir sede alguma. Digamos que é uma
ida para se tomar possa da graça prometida, à qual precisamos alcançar para
atingirmos a santidade desejada. Assim pela oração, a alma desagua no mar de
Deus, e se deixa tomar totalmente por Ele. De fato, a oração é esse dom que nos
leva à plenitude da Vontade Divina e a tudo o que ela nos proporciona.
Exatamente como nos ensinou São Paulo: “Por
esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda
família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro,
que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento
do vosso homem interior. Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados
e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos,
compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto
é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais
cheios de toda a plenitude de Deus”. (Ef 3,14-19).
E, então, quais são esses caminhos da
oração? O primeiro deles é a intimidade. Quem goza da intimidade divina, sabe
ouvir e sabe dialogar com Deus suavemente, amorosamente, e prontamente se
dispõe a servi-lo gozando de Sua constante companhia, fazendo acontecer até mesmo
o que nos parece ser impossível, como fazer o mar se abrir, o sol parar, a
montanha atirar-se ao mar ou os mortos ressuscitarem, etc.; como nos ensinaram
os patriarcas, os profetas e todos os santos que seguiram a Jesus fielmente.
Um segundo caminho é a oração a partir da
vida, sintonizando oração e prática das virtudes evangélicas, especialmente o
amor ao próximo, o desapego dos bens materiais e a prática da humildade. Santa
Teresa de Ávila, mestra em oração, dizia: “A oração é amizade com Deus, e esta não
é viável sem a amizade com os irmãos; não é possível sem a liberdade de
espírito, e sem disponibilidade à ação de Deus sobre quem ora”. Pois era assim
que ela rezava: “Quem vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um amplo
caminho real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço,
Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por alguma queda, nem mesmo por muitas,
quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo”.
Um terceiro caminho da oração é não ceder
às dificuldades que certamente aparecem, principalmente as preocupações e distrações.
Pois, frequentemente somos tentados por todos os lados a não nos refugiarmos
aos pés do Senhor, mas o Senhor mesmo nos alerta, como alertou à Marta, irmã de
Maria: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te
preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria
escolheu a boa parte, que lhe não será tirada”. Portanto: “Vigiai e orai para
que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Lc
10, 41-42; Mt 26,41).
Um quarto caminho da oração é a
sintonização com a oração que o Senhor mesmo nos ensinou, o “Pai nosso”.
Meditando a oração do Senhor, vemos como ele interioriza cada palavra da oração
e a traz para o cotidiano, ou seja, Deus tudo sabe de nós, mas em seu amor quer
que expressemos a nossa vontade para ser acolhida por Sua Vontade Santa e assim
disponibilizar o que estamos expressando. Porém, muita atenção para a condição
final da oração do Senhor, pois sem perdão nenhuma oração é suficiente ou
proveitosa. “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai
celeste também vos perdoará. Mas se não perdoardes aos homens, tampouco vosso
Pai vos perdoará”. (Mt 6,14-15).
Por fim, para se chegar ao auge da oração,
à quietude da contemplação, o Senhor nos ensina o caminho do recolhimento,
dizendo: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em
segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á. Nas vossas
orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão
ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é
necessário, antes que vós lho peçais”. (Mt 6,6-8). Pois, o auge da oração é a união
mística de nossa alma com o Senhor numa perfeita comunhão, e isso se dá
plenamente na Eucaristia; união essa realizada pelo Espírito Santo, que nos torna
sacrários vivos de Deus; sendo este um dos maiores mistérios da nossa redenção.
Destarte, “Àquele que, pela virtude que
opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou
entendemos, a ele seja dada glória na Igreja, e em Cristo Jesus, por todas as
gerações da eternidade. Amém”. (Ef 3,20-21).
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
***
“Em tempos de tristeza e de inquietação,
não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás
habituado. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te
sustentará”. (Santa Teresa de Ávila)
***
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
"ORAI SEM CESSAR". (1Tess 5,17).
A oração é a luz da alma
A oração, o diálogo com Deus, é um bem
incomparável, porque nos põe em comunhão íntima com Deus. Assim como os olhos
do corpo são iluminados quando recebem a luz, a alma que se eleva para Deus é
iluminada por sua luz inefável. Falo da oração que não é só uma atitude
exterior, mas que provém do coração e não se limita a ocasiões ou horas
determinadas, prolongando-se dia e noite, sem interrupção.
Com efeito, não devemos orientar o pensamento para
Deus apenas quando nos aplicamos à oração; também no meio das mais variadas
tarefas - como o cuidado dos pobres, as obras úteis de misericórdia ou
quaisquer outros serviços do próximo - é preciso conservar sempre vivos o
desejo e a lembrança de Deus. E assim, todas as nossas obras, temperadas com o
sal do amor de Deus, se tornarão um alimento dulcíssimo para o Senhor do
universo. Podemos, entretanto, gozar continuamente em nossa vida do bem que
resulta da oração, se lhe dedicarmos todo o tempo que nos for possível.
A oração é a luz da alma, o verdadeiro
conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Pela oração a alma se
eleva até aos céus e une-se ao Senhor num abraço inefável; como uma criança
que, chorando, chama sua mãe, a alma deseja o leite divino, exprime seus
próprios desejos e recebe dons superiores a tudo que é natural e visível.
A oração é venerável mensageira que nos leva à
presença de Deus, alegra a alma e tranquiliza o coração. Não penses que essa
oração se reduza a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não
provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: Nós não
sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede
em nosso favor, com gemidos inefáveis (Rm 8,26).
Semelhante oração, quando o Senhor a concede a
alguém, é uma riqueza que não lhe pode ser tirada e um alimento celeste que
sacia a alma. Quem a experimentou inflama-se do desejo eterno de Deus, como que
de um fogo devorador quê abrasa o coração.
Praticando-a em sua pureza original, adorna tua
casa de modéstia e humildade, torna-a resplandecente com a luz da justiça.
Enfeita-se com boas obras, quais plaquetas de ouro, ornamenta-se de fé e de
magnanimidade em vez de paredes e mosaicos. Como cúpula e coroamento de todo o
edifício, coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada,
assim terás um esplêndido palácio real para o receber, e poderás tê-lo contigo
na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.
Paz e Bem!
domingo, 5 de fevereiro de 2012
JESUS FOI PARA UM LUGAR SOLITÁRIO E ALI SE PÔS EM ORAÇÃO
Quando o Filho de Deus «levantando os olhos ao céu
disse: 'Pai, glorifica o Teu Filho'» (Jo 17,1), ensinou-nos através desta ação
que devemos levantar bem alto todos os nossos sentidos, as nossas mãos, as
nossas faculdades, a nossa alma, e rezar n'Ele, com Ele e por Ele. Eis a obra
melhor e mais santa que o Filho de Deus realizou na terra: adorar Seu bem amado
Pai. Mas isto ultrapassa em muito qualquer raciocínio, e não conseguimos de
maneira nenhuma alcançá-lo e compreendê-lo se não for no Espírito Santo. Santo
Agostinho e Santo Anselmo dizem-nos que a oração é «uma elevação da alma para
Deus». [...]
Eu digo-te apenas isto: liberta-te de ti mesmo e
de todas as coisas criadas, e eleva plenamente a tua alma para Deus, acima de
todas as criaturas, no abismo profundo. Mergulha o teu espírito no espírito de
Deus com verdadeiro abandono [...], numa verdadeira união com Deus. [...] Pede
a Deus tudo o que Ele quer que Lhe seja pedido, o que tu desejas e o que os
homens desejam de ti. E acredita nisto: aquilo que uma pequena e insignificante
moeda é, comparada com cem mil moedas de ouro, eis o que é toda a oração
externa, comparada com esta oração que é uma verdadeira união com Deus, com
esta fusão do espírito criado no espírito incriado de Deus. [...]
Se te pediram uma oração, é bom que a faças de
maneira exterior, como te pediram e como tu te comprometeste a fazer. Mas ao
fazê-lo leva a tua alma para as alturas e para o deserto interior, conduz para
aí todo o teu rebanho como Moisés (Ex
3,1). [...] «Os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e
verdade» (Jo 4,23). É nesta oração interior que se completam todas as práticas,
todas as fórmulas e todos os tipos de oração que, desde Adão até agora, foram
oferecidos, e que serão oferecidos até ao último dia. Tudo isto é levado à sua
perfeição num instante, neste recolhimento verdadeiro e essencial.
Paz e Bem!
Fonte: Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano em
Estrasburgo
Sermão 15, para a véspera dos Ramos
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