Aqui encontrarás o que o Senhor te dirá para permaneceres na fidelidade à caminho de sua Glória Eterna.
VEM SENHOR JESUS!
SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO
"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).
Mostrando postagens com marcador vida eterna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida eterna. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
A OBEDIÊNCIA E O TEMOR DO SENHOR...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,7-13)(06/01/20)
.
Caríssimos, a perfeita comunhão com Deus, nosso Pai, nasce das virtudes da obediência e da fidelidade que consiste no cumprimento dos seus santos mandamentos por meio do seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ensinou: “Não julgueis que vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para os abolir, mas sim para levá-los à perfeição."
.
Com efeito, a Lei dada por Deus à Moisés, no Antigo Testamento, revela a Sua Vontade presente nela, gerando a liberdade dos seus eleitos à medida que lhe obedeciam. Com o advento de Jesus, as Palavras da Lei foram elevadas à plenitude do amor, pois, foi para isto que o Senhor veio a este mundo, salvar a todos que o seguem à medida que entregam a própria vida em obediência à vontade do Pai.
.
Na primeira leitura desta liturgia, o rei Davi prestes à deixar este mundo, instruiu o seu filho Salomão, mostrando-lhe que a maior riqueza de um governante é a piedade e o temor de Deus. Ora, Salomão aprendeu tão bem as suas instruções que ao escrever o livro de Sabedoria, iniciou dizendo: "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança."
.
Caríssimos, o Evangelho de hoje começa com Jesus instruindo os discípulos e os enviando dois a dois em missão. A primeira instrução é o despojamento material; depois a não preocupação com a própria sobrevivência, pois, a quem serve a Deus nos irmãos nada lhe falta. Ensinou ainda a evitar qualquer polêmica, uma vez que o sentido da palavra da verdade é a salvação de todos.
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.
Marcadores:
Deus,
Jesus,
obediência,
salvação,
temor do Senhor,
vida eterna
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
O SENHOR JESUS CONTINUA REALIZANDO A OBRA DA NOSSA SALVAÇÃO...
PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,21-43)(04/02/20)
.
Caríssimos, desde que o pecado entrou na prática de vida do ser humano com a sua permissão, que os dramas e as tragédias passaram a fazer parte de sua dolorosa história. É exatamente o que vimos na primeira leitura dessa liturgia, onde o rei Davi chora a morte violenta do seu filho Absalão que se rebelou contra ele tal como havia sido profetizado por causa do grave pecado que havia cometido.
.
Com efeito, basta termos acesso aos meios de comunicação que estão ao nosso alcance, para constatarmos quantas tragédias ocorrem a cada instante nesse nosso mundo onde o pecado passou a reinar nas almas envenenadas pelo malígno, inimigo de Deus e da humanidade.
.
No Evangelho de hoje ocorrem dois fenômenos extraordinários realizados por Jesus que revelam o quanto a humanidade ferida pelo pecado e suas consequências precisa acolher o Senhor tal como o acolheu a mulher curada de uma hemorragia e Jairo que teve a filha ressuscitada dos mortos. Em ambos os casos se sobressaiu a fé em Jesus, uma vez que todas as condições eram adversas.
.
Caríssimos, o caminho da perfeição humana traçado por Deus se encontra nas palavras e nos exemplos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo; como também daqueles que o servem no seio da Sua Santa Igreja. Sem dúvida são incontáveis as orações que sobem aos céus; como também são incontáveis as graças derramadas sobre a humanidade, comprovando que o Senhor continua, por Sua Divina Misericórdia, presente no meio de nós, realizando a obra da nossa salvação.
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.
Marcadores:
cura,
Jesus,
salvação,
vida eterna
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
A VIRTUDE DA HUMILDADE
A
VIRTUDE DA HUMILDADE
A palavra humildade vem do termo latino
húmus que é a terra processada e tornada fecunda, capaz de fazer germinar as
sementes nela depositadas tornando-as profundamente férteis e bastante
produtivas. De fato, fazendo uma analogia entre o húmus e a virtude da
humildade, vemos que o húmus dessa virtude consiste em transformar os resíduos
dos pecados alheios e pessoais em fecundidade da alma imersa na misericórdia de
Deus. Ou seja, transformar os dejetos deste mundo em graças especiais para a
nossa salvação eterna.
Ora, ninguém é autossuficiente o bastante
para dizer “não preciso”, pelo contrário, dependemos de tudo naturalmente e
também uns dos outros nas mais diversas necessidades pessoais. Por isso mesmo,
precisamos entender que, quem depende sempre, não manda em nada fora de sua
necessidade, mas precisa obedecer sempre, para que haja solidariedade entre
todos e assim cheguemos à saciedade desejada, para que haja comunhão, ou seja, para
que nos tornemos um, como é vontade de nosso Pai do céu (cf. Jo 17,11.21).
Temos ainda um belo exemplo do fruto da
humildade na Sagrada Escritura, por meio da partilha dos bens temporais: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma
só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles
era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do
Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum
necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam
o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos.
Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade”. (At
4,32-35).
Também São Paulo se refere a essa virtude a
partir da unidade com outras virtudes: “Se
me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo,
alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, completai a minha
alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos
pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a
humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual
tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros”. (Fil
2,1-5).
Por fim, meditemos nessa frase de São
Paulo: “Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos
outros”. Essa frase nos ensina a perfeição da humildade revestida da caridade,
que consiste em servir “ao próximo como a si mesmo”. De fato, só serve quem não
tem nada de próprio, quem rompeu com os apegos deste mundo, quem vê tudo como
dádiva de Deus para todos, e que pense consigo, a ninguém falte coisa alguma
enquanto aqui estivermos, mesmo que os homens tentem nos tirar tudo.
Aprendemos esta verdade de nosso Senhor e Salvador
que disse: “Porque o Filho do homem não
veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”.
(Mc 10,45). De fato, somos servos, e o servo só faz o que o seu Senhor ordena
(cf. Mq 6,8), sem a ordem do Senhor, o que faremos? Agimos por conta própria e
quando essa ação não é conforme a vontade de Deus, tudo dá errado em nossa vida.
Porque o Senhor também nos ensinou: “De
mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é
justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.
(Jo 5,30).
Ou seja, na vida de quem serve a Deus
humildemente, mesmo que aparentemente tudo dê errado aos olhos dos homens; no
entanto, aos olhos de Deus, “tudo
concorre para o bem daqueles que o amam”, pela santa obediência. E por esse
serviço humilde e despojado, eis a recompensa do Senhor: “Bem-aventurados os servos a quem o senhor achar vigiando, quando vier!
Em verdade vos digo: cingir-se-á, fá-los-á sentar à mesa e servi-los-á”.
(Lc 12,37).
Sentar à mesa do Senhor com o Senhor a nos
servir, isso se dará à medida do nosso serviço, “pois tudo o que fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o
fizestes”; por isso, não queira nada fora da vontade do Senhor, pois Ele
nos dá conhecer sua vontade pelas virtudes que nos concedeu, dentre elas a
virtude da humildade vigilante, porque é assim que o servimos e o amamos de
todo coração.
Conta-se um fato acontecido na vida de
Santa Tereza D’avila. Ao meditar sobre virtude da humildade, ela fez ao Senhor
o seguinte propósito: “Senhor meu, hei de escolher sempre o último lugar, pois
tu mesmo disseste, ‘quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será
exaltado’”. Por isso, nas refeições diárias sempre procurava se alimentar por
último. Certo dia, depois de vê que todas as irmãs já estavam na fila, ela se pôs
no último lugar; quando, mais que de repente, sentiu uma leve brisa soprando por
entre sua cabeça e as costas, ao que indagou: mas não sou eu a última das
irmãs? Voltando-se viu Jesus que lhe respondeu: “Tereza, não sabes que o último
lugar é o meu?”. Assim, ela entendeu que, quem procura o último lugar, encontra
nele o Senhor.
Portanto, ser humilde é ser o que Deus quer,
é ser como Deus é, “manso e humilde de coração”, como ele mesmo nos ensinou: “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha
doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as
vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve”. (Mt 11,29).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
salvação,
vida eterna,
virtudes
sexta-feira, 2 de setembro de 2016
O GRANDE MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO
O GRANDE
MISTÉRIO DA NOSSA SALVAÇÃO...
Quando tratamos do que chamamos de
mistério, tratamos daquilo que ainda não é conhecido por nós em sua essência,
porque na verdade só Deus conhece essencialmente todas as coisas e não é
conhecido por ninguém (cf. Sl 138;Jo 3,31-35;1Jo 3,19-20;1Cor 2,9-12). Estamos
acostumados a lidar com o que vemos, e podemos até, de certa forma, dominar e manipular
ao nosso bel prazer; mas, quando se trata dos Mistérios de Deus e de sua criação,
tudo foge ao nosso controle, isto porque entramos no campo da fé, e como diz
são Paulo: “Sem fé é impossível agradar a
Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele
existe e que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6).
Ora, sabemos que todos os seres vivos estão
naturalmente condenados à morte, e nós, humanos, temos plena consciência desse
mistério, pois o vemos acontecer na vida dos outros, e o veremos também na
nossa, quando chegar o nosso dia eterno. Com efeito, além do mistério da morte,
temos ciência de tantos outros, como por exemplo, o mistério do universo, do
sistema solar; das leis naturais, das coisas visíveis e invisíveis; o mistério
da iniquidade, ou seja, do mal, etc., são tantos que nem cabe nas nossas
estatísticas. Mas um em particular chama mais à nossa atenção, é o Mistério da
nossa salvação, pois, é o que mais desejamos em meio a este vale de lágrimas que
habitamos. Porém, como entender este Grandíssimo Mistério?
De fato, só é possível pelo entendimento da
fé, ou seja, pela Sabedoria divina advinda da fé, como bem nos ensinou São
Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: ”Entretanto,
o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste
mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela,
desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus
predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que
nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não
teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os
olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is
64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo,
mesmo as profundezas de Deus”. (1Cor 2,6-9).
Ou seja, o Mistério
da nossa Salvação passa impreterivelmente pelo Mistério de “Cristo crucificado, escândalo para os judeus
e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -,
força de Deus e sabedoria de Deus. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que
os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens...” (!Cor
1,23-25). “A cruz está estreitamente
ligada à Paixão de Cristo e à nossa salvação. É o símbolo mais eloquente do
amor de Deus por nós. A cruz venceu a morte e nos deu a vida eterna. Por esse
motivo é justo que seja celebrada, exaltada e venerada por todos nós”. (http://goo.gl/twSWd2).
Na sua Carta aos Romanos, São Paulo,
discorre sobre este Grande Mistério: “Com
efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. Em
rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se
consentiria em morrer. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por
nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais
agora, que estamos justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”.
(Rm 5,6-9).
E continua: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos
batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo
batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim
nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma
morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição”.
(Rm 6,3-5).
“Sabemos
que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à
impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do
pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com
Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo
ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele.
Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo
para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos
para Deus, em Cristo Jesus”. (Rm 6,6-9).
Deste modo, afirma São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma
condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me
libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rm 8,1-2). E
ainda: “Justificados, pois, pela fé temos
a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele é que tivemos
acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de
possuir um dia a glória de Deus. Não só isso, mas nos gloriamos até das
tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência
prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a
esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações
pelo Espírito Santo que nos foi dado”. (Rm 5,1-5).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
salvação,
vida eterna
quinta-feira, 23 de junho de 2016
EM BUSCA DA SANTIDADE
EM BUSCA DA
SANTIDADE
“Sede santos, assim
como o vosso Pai do céu é Santo”. (Mt 5,48).
Às vezes pensamos que é muito difícil
atingir esse grau de santidade que Jesus nos propõe; achamos que a santidade é
própria dos santos e santas que já estão no céu. De fato, olhando a nossa
condição de seres contingentes (limitados) perguntamos: Senhor, como ser santos
num mundo como o nosso? Pois, eis como São Paulo o descreve: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias
haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos,
fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados,
desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores,
insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a
aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!” (2Tm
3,1-5).
Creio ser essa resposta do Senhor: “Meus filhos
e filhas, não tenham como base de suas vidas os maus exemplos e os falsos
testemunhos que vedes; pois quando olhais os pecados alheios e ficais só nisso,
eles não servem para nada, mas se tirais daí uma lição, vereis que estou
presente em todos os acontecimentos, porém, para vos ajudar a não cometerdes os
mesmos delitos, mas sim para vos fazer crescer na graça e no conhecimento de
minha misericórdia e do meu amor a fim de vos comunicar a minha santidade, “porque sem mim não podeis fazer”.” (Jo
15,5).
Ora, meditando sobre este imperativo divino:
“Sede santos, assim como o vosso Pai do céu é Santo”, compreendemos que Jesus
está nos dizendo que a santidade é própria de todos os filhos e filhas de Deus,
renascidos “da água e do Espírito Santo”,
quando fomos batizados. Aliás, essa verdade São João também nos deu a conhecer
em sua Primeira Carta: “Considerai com
que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o
somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.
Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que
havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a
Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança
torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).
Logo, ser santos é sermos aquilo que já
somos por fazermos parte do Povo de Deus, a Santa Igreja, Corpo de Cristo (cf.
Cl 1,18), parte visível do Reino de Deus neste mundo. Para isto o Senhor nos pede
que vivamos como ele viveu (cf. 1Jo 2,3-6); ou ainda, como escreveu São Paulo
na sua Carta aos Efésios: “Sede, pois,
imitadores de Deus, como filhos muito amados. Progredi na caridade, segundo o
exemplo de Cristo, que nos amou e por nós se entregou a Deus como oferenda e
sacrifício de agradável odor”. (Ef 5,1-2).
Por isso, precisamos deixar de lado tudo o
que não nos convém, como ele acrescenta: “Quanto
à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se
faça menção entre vós, como convém a santos. Nada de obscenidades, de conversas
tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de
graças. Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento -
verdadeiros idólatras! - terá herança no Reino de Cristo e de Deus. E ninguém
vos seduza com vãos discursos. Estes são os pecados que atraem a ira de Deus
sobre os rebeldes. Não vos comprometais com eles”. (Ef 5,3-7).
Por fim, meditemos com São Pedro sobre
santidade de nossa vida quando dos últimos acontecimentos desta vida: “Entretanto, virá o dia do Senhor como
ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se
dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma
vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a
santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia
de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de
fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos
novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto,
caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem
mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,10-14).
Destarte, a santidade é a plenitude de
todas as virtudes, ela é o nosso passaporte para o céu, pois Cristo Jesus, o
Filho de Deus, veio para nos comunicar sua Santidade, porque “sem ela ninguém poderá ver a Deus” (cf
Hb 12,14). Desse modo, ser santo é a vocação primordial de todos os filhos e
filhas de Deus. Porquanto: “Cingi,
portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa
esperança na graça que vos será dada no dia em que Jesus Cristo aparecer. À
maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis
antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou,
sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: ‘Sede
santos, porque eu sou santo’ (Lv 11,44)”. (1Pd 1,13-16).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.

FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
santidade,
vida eterna
sábado, 26 de março de 2016
"HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO"
O ÚLTIMO
DOM: “HOJE MESMO ESTARÁS COMIGO NO PARAÍSO”
Hoje, Senhor, contemplamos a tua ressurreição
depois de ver as injustiças cometidas contra ti e contra os que te seguem. Ora,
quem vive no pecado enxerga tudo a partir do pecado que comete; e mesmo, tendo
a noção do que é justo, contradiz a própria consciência, por instigação do
inimigo escondido no pecado que carrega na alma, pois a alma é o lugar onde os
pecados cometidos ficam gravados; como também do inimigo causador da perdição
dos que o seguem. De fato, os que vivem metidos no pecado se tornam cegos
espirituais, que nada enxergam além da culpa nos outros; mesmo que estes sejam
inocentes; é uma espécie de projeção, projetam nos outros o que carregam na
alma.
Aqui estou Senhor, constatando que com tua
morte e ressurreição venceste o pecado, venceste o diabo, causador do pecado, e
todos os males que o pecado traz. Pois essa realidade maléfica que nos cerca,
tem sua causa nos pecados cometidos, dando lugar ao inimigo que age na mente de
seus seguidores, de uma forma tão visível que não podemos negar. No entanto, tua
misericórdia sobrepõe a tudo e a todos os males, pois, o que seria dos
injustiçados se tu não lhes desse o teu amparo? E o que seria dos injustos se
tu não lhes oferecesse a tua divina misericórdia? Estou por vê alguém igual a
ti, Senhor. Alguém que se compadeça dos pecadores, porque tem a solução que os
torna dignos da vida eterna por pura misericórdia.
Sim, Senhor, tua vitória sobre o mal é
incontestável, pois em teu infinito amor, és misericordioso com todos os
pecadores; e, mesmo sofrendo as agruras que te causaram e aos teus, não queres
que se perca nenhum daqueles por quem deste a vida, ou seja, os que estavam perdidos,
para os quais viestes (cf. Mt 18,11). Pois assim como deste o perdão aos teus
algozes, continuas perdoando todos os pecadores arrependidos que buscam a tua divina
misericórdia por meio de tua Santa Igreja, no sacramento da reconciliação, porque
somente por tua misericórdia somos capazes de ascender contigo ao infinito amor
do Pai. Pois “o amor de Deus é um amor
sem medida, chamado misericórdia”.
Portanto, não cheguemos a Deus sem Deus,
mas profundamente arrependidos, pois é no arrependimento que o encontramos e
nos reconciliamos com Ele, que nos ama como a filhos e filhas destinados ao
Reino dos Céus, morada definitiva dos redimidos pelo sangue precioso de Cristo Jesus,
Filho amado Deus. Assim sendo, compreendemos que o arrependimento é o último
dom que Deus deu ao ser humano, como vimos no facínora pregado na cruz ao lado
de Cristo, que arrependido, disse: “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no
teu reino”; ao que o Senhor respondeu: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.
Feliz Páscoa!
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
ressureição,
vida eterna
quinta-feira, 10 de março de 2016
A MARCANTE EXPERIÊNCIA DE DEUS...
A MARCANTE EXPERIÊNCIA DE DEUS…
Fazer a experiência de Deus é viver uma
interação real com Ele. Não é apenas um contato com Deus, mas um encontro
permanente, pois quem encontra o Senhor jamais poderá esquecê-lo; e mesmo que o
queira, não consegue, porque esse encontro é tão marcante e maravilhoso que é
impossível negá-lo. Ora, tudo o que vivemos e fazemos fora da graça de Deus é
perda, porque o viver humano sem a experiência da graça divina é um caos que
termina com uma morte angustiante, sem esperança alguma. Dante Alighieri, no
seu Poema A Divina Comédia, escreveu na porta do inferno o seguinte: “Deixe
fora toda esperança”. Imagina, uma vida sem esperança não é vida, é um tormento
eterno. Deus nos livre disso e de todo o mal.
De fato, quando temos esse encontro com Deus,
por exemplo, no santo batismo, a primeira experiência que fazemos é a da
ressurreição, como bem mencionou são Paulo, na sua carta aos Romanos: “Ou ignorais que todos os que fomos batizados
em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele
pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai,
assim nós também vivamos uma vida nova”. (Rm 6,4-5). Ressuscitar com Cristo
é experimentar o resultado de sua doação total ao Pai por nós, pois ninguém
amou mais o Pai e a nós do que Jesus ao se deixar crucificar, derramando todo o
seu sangue em expiação dos nossos pecados.
Nas mais diversas religiões, os homens
buscam encontrar um ser supremo; já no cristianismo se dá um fenômeno
novíssimo, pois é Deus quem vem ao nosso encontro, enviando o seu Filho Jesus
Cristo, e por ele nos resgata de nosso nada, descendo e assumindo o nosso nada.
Essa verdade encontramos no ensinamento de são Paulo aos Efésios e que
assumimos como graça santificante do amor de Deus por nós, vejamos: “E vós outros estáveis mortos por vossas
faltas, pelos pecados que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste
mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos
rebeldes.
Também
nós todos éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais,
fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por
natureza, verdadeiros objetos da ira (divina). Mas Deus, que é rico em
misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos
mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo
– é por graça que fostes salvos! -, juntamente com Ele nos ressuscitou e nos
fez assentar nos céus, com Cristo Jesus. Ele demonstrou assim pelos séculos
futuros a imensidão das riquezas de sua graça, pela bondade que tem para
conosco em Jesus Cristo”. (Ef 2,1-7).
Com efeito, depois de tudo o que meditamos,
precisamos entender também que essa graça do encontro permanente com o Senhor,
nos leva a vivermos uma profunda experiência de amor e intimidade com Ele; mais
ainda, é uma relação paternal filial, ou seja, é Deus que nos trata como filhos
e filhas que voltam ao seu convívio, à sua casa, para assumirmos nossa herança
eterna, perdida com o pecado e agora recuperada por sua divina misericórdia.
“Este
é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se
fazeis o que vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que
faz o seu Senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo o que
ouvi de meu Pai”. (Jo 15,12-15). “Vede
com que amor o Pai nos amou, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o
somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.
Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que
haveremos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a
Deus, porquanto o veremos como Ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança
torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3).
Portanto, mesmo sabendo que os nossos dias
estão contados, acendamos ainda mais a chama do amor incondicional ao nosso Pai
do céu, por nos ter dado a vida eterna por meio de Seu Filho Jesus Cristo,
Senhor e Salvador de nossas almas e de toda a criação; e façamos da esperança
nossa bandeira triunfal na expectativa da vinda gloriosa do Senhor, que
despontará nos céus com os seus anjos para julgar os vivos e mortos, e o seu
reino não terá fim. A Ele toda honra, toda glória, todo poder e todo louvor,
agora e por toda a eternidade, amém!
“Aquele que atesta estas coisas diz: 'Sim!
Eu venho depressa!' Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22,20).
“A graça do Senhor Jesus esteja com todos.”
(Ap 22,21).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
misericórdia,
salvação,
vida eterna
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
CONVERSÃO, URGENTE
E NECESSÁRIA PARA A SALVAÇÃO...
Quando
nas pegadas do tempo,
lá
pelas tantas de minha vida...
Eu
te encontrei ó Jesus...
Depois
de ter experimentado as dores do pecado,
vi
que o diabo se esconde nele...
E
por isso não quis mais pecar...
Porque
ao Ti encontrar, Senhor...
Experimentei
em teu amor,
a
dor de não ter te seguido,
como
fora estabelecido no santo batismo que de ti recebi...
Agora,
arrependido de tudo o que fiz longe do teu amor...
Aqui
estou para te dizer sim, mas um sim tão autêntico...
que
nada e ninguém neste mundo possa tirá-lo de mim...
Porque,
nas lições da vida aprendi que dependo cem por cento de ti...
E
assim, só quero ser fiel, devotar-me totalmente à missão...
De
testemunhar a tua ressurreição,
vivendo
a eternidade que nela recebi...
Mas,
Senhor, infelizmente, são tantos e tantos...
os
que continuam fazendo da ignorância e do pecado,
um
estado mórbido e desvairado de vida infernal...
Por
isso, fazem tanto mal com as próprias palavras...
Tendo
o inimigo nelas, tornam-se seus porta vozes...
Com
blasfêmias e sarcasmos, coisas mesmo do diabo,
a
quem servem em seus livres-arbítrios...
E
o que dizer, Senhor, de tudo isso?
Creio
que não estão percebendo o abismo no qual estão caindo,
se
afastando de tua divina misericórdia...
Que
os espera e conforta,
quando
arrependidos voltam ao teu convívio, Jesus...
Pois,
o teu sacrifício de cruz, é a grande prova de amor...
Que
a humanidade recebeu, para ter a vida eterna, o céu...
Que
preparaste para aqueles que te amam...
Paz
e Bem!
Frei
Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
conversão,
salvação,
vida eterna
quinta-feira, 11 de junho de 2015
AINDA SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...
AINDA
SOBRE A PARUSIA E O DEVIR HUMANO...
Viver com Cristo ressuscitado e em Cristo
ressuscitado, é gozar de sua paz, é receber o seu Espírito Santo como os
apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo
20,22). Ou seja, Cristo ressuscitado se
une a nós e nos livra deste mundo, da atual situação em que ele se encontra, e
de todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a vida eterna. E é
exatamente isso que Ele nos revela, somos filhos e filhas de Deus, por seu
Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17). E Deus, sempre presente, age por meio
de sua Divina Providência, e assim somos assistidos e amados por Ele
prontamente, mesmo quando não o percebemos. De fato, Deus cuida muito bem de
seus filhos e filhas...
E aqueles que Deus protege, porque se põem
debaixo de sua divina proteção pela obediência aos seus mandamentos, mesmo que
percam alguma coisa neste mundo, lhes será restituído em dobro ou mais ainda,
uma vez que a graça do Senhor supera todas as percas temporais; aliás, todas as
coisas que existem naturalmente, existem em função do homem e não o homem em
função delas; visto que todas as coisas só têm sentido por causa do homem; sem
a existência humana toda a criação perderia o sentido de ser.
Desse modo, não nos apeguemos a nada e a
ninguém, pois tudo o que existe naturalmente está destinado ao fim que lhe é
próprio, isto é, se tornará pó, cinza, como a própria experiência existencial
nos mostra... No entanto, o homem não é só matéria animada, mas “alma vivente”,
um ser para o futuro eterno que o Senhor nos reserva como herança, que são os
“novos céus e nova terra onde habitará o amor e a justiça” definitivamente.
Não há como duvidar, a razão para este
mundo ainda existir, é o fato de o Senhor sustenta-lo com o poder de sua
Palavra até que chegue o julgamento de todos os seres humanos, responsáveis
pelo destino deste mundo e de si mesmos, em vista do devir. De uma coisa
fiquemos certos, todos seremos julgados pelo que recebemos do Senhor: a vida;
as leis naturais e as leis divinas; que nos foram dadas para regermos a nós e
as outras criaturas aqui existentes.
Com efeito, a ordem (as leis) existe para
que não haja desordem, para isto é preciso a obediência às leis postas a fim de
que a justiça se cumpra e haja equilíbrio e paz entre nós. Pois Deus criou o
homem em estado de graça para governar todas as coisas a partir desse estado de
graça, isto é, em plena comunhão com Ele. Mas infelizmente o homem deixou
entrar o pecado em sua vida, que consiste em não amar a Deus, desobedecendo a
suas leis e mandamentos; e passou a governar todas as coisas a partir deste
estado mórbido; o resultado é o que vemos hoje na face da terra, toda espécie
de desiquilíbrio e maldade, e o encaminhamento do mundo criado a um fim
trágico, ao caos.
Caríssimos, vivendo em meio à dualidade
deste mundo, de que lado nós estamos? Lembram-se da parábola do joio e do trigo
que Jesus contou (cf. Mt 13,24-30)? De fato, quem é batizado católico, vive a
experiência da ressurreição de Jesus, pois é a primeira graça que o Senhor nos
dá quando do nosso batismo, “nascer da água e do Espírito Santo”, ou seja,
participar de sua ressurreição. Se falta o santo batismo, falta também o dom do
Espírito Santo, pois, foi para isto que Deus nos criou, para sermos morada
sagrada do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16; 6,19). Sem a presença do Espírito
Santo, só a vida natural não nos é suficiente para fazermos a experiência da
ressurreição do Senhor, é preciso nascer de Deus mesmo (cf. Jo 1,12-13) pela fé
dom do Espírito Santo, e assim fazermos parte da nova criação. Porém, muitos
receberam essa graça, mas, poucos são os que a vivem como deveria ser vivida.
Enfim, Como será a minha eternidade e a
tua? Para obtermos essa reposta, precisamos perguntar primeiro: qual é o nosso
grau de convivência com o Senhor aqui? Porque quem convive bem com Deus aqui,
convive bem consigo mesmo e com os demais; mas, quem não convive bem com o
Senhor aqui, também não convive bem consigo mesmo e nem com os demais, e isso
se reflete no nosso devir. Porque se falta comunhão com o Senhor, não temos o
Seu Espírito em nossa vida para nos conduzir à sua glória.
Então, vejamos a seguinte exortação do livro
do Apocalipse sobre o devir humano: “Disse ele ainda: Não seles o texto
profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda
injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo
santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está
comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o
Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes
para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora
os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos
aqueles que amam e praticam a mentira!”
“Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos
atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de
Davi, a estrela radiosa da manhã”. (Ap 22,10-16).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
Reino de Deus,
salvação,
vida eterna
terça-feira, 28 de abril de 2015
A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE...
A
SALVAÇÃO DA HUMANIDADE...
Desde que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré,
veio a este mundo cumprir sua missão de redimir a humanidade, que a nossa história
passou a ser contada Antes de Cristo (AC); e Depois de Cristo (DC). Ora, isto não
é fruto do acaso nem mera coincidência, trata-se da verdade que Cristo Jesus é:
o Senhor de todas as coisas e também de toda a história. É impossível pensar o
mundo sem Deus e sem seu Cristo, é impossível a vida sem Deus e sem Cristo. Creio
que toda a humanidade aspira por uma vida paradisíaca onde reine a verdade, o
amor, a justiça e a paz; mas apesar das tentativas dos regimes totalitários,
capitalista, comunista, socialista etc.; apesar do progresso das ciências e de
toda a experiência humana acumulada, este mundo, que infelizmente quer viver sem
Cristo e sem Deus, parece mais um inferno em ebulição.
Talvez seja porque os homens não percebem
que caminham na contra mão das leis divinas e naturais, ou mesmo se percebem,
desdenham de tais leis. O resultado é uma sociedade desvairada, sem controle,
mergulhada na corrupção dos valores cristãos e humanos; mergulhada nos vícios e
malefícios das artimanhas humanas; mergulhada no tráfico de pessoas, drogas,
armas e toda espécie de contrabando; mergulhada nos desmandos das autoridades constituídas,
e nos males que dissipam vidas e mais vidas à todo instante.
E aí vem a pergunta, será que existe solução
para tudo isto? Será que podemos evitar o caos e a destruição da terra e de
tudo que há nela? Pensando bem, sem a intervenção divina, isto é impossível,
dada as circunstâncias que vivemos. Mas, podem até argumentar: ora, Deus não já
interviu na história? Cristo já não veio para redimir a humanidade, por que ela
permanece nesse mar de lama em que se encontra? Responderei estas perguntas com
as arguições de São Pedro: “Mas há uma
coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é
como mil anos, e mil anos como, um dia. O Senhor não retarda o cumprimento de
sua promessa, como alguns pensam, mas usa da paciência para convosco. Não quer
que alguém pereça; ao contrário, quer que todos se arrependam”.
“Entretanto,
virá o dia do Senhor como ladrão. Naquele dia os céus passarão com ruído, os
elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra com todas as obras
que ela contém. Uma vez que todas estas coisas se hão de desagregar, considerai
qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e
apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados
e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa,
esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto,
caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem
mácula e irrepreensíveis na paz. Reconhecei que a longa paciência de nosso
Senhor vos é salutar...”. (2Pd 3,8-15a).
Portanto, nenhum ser humano se salva fora da
ressurreição de Cristo, porque não há salvação fora da ressurreição do Filho de
Deus. Desse modo entendemos que a ressurreição de Jesus abrange todo o universo,
e é por ela que toda a humanidade é salva. Pois, “Em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome
foi dado aos homens pelo qual devemos ser salvos”. (At 4,12). Por isso, um
dos maiores privilégios do ser humano é dizer: Jesus Cristo me salvou, Nele
tenho a vida eterna. E assim seguir o Senhor, ressuscitado com Ele, no seu
Corpo, que é a Igreja, a parte visível do Reino de Deus neste mundo.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
ressurreição,
salvação,
vida eterna
sexta-feira, 17 de abril de 2015
PARA ISTO É QUE O VERBO SE FEZ CARNE...
PARA
ISTO É QUE O VERBO SE FEZ CARNE...
A Ressurreição de Jesus de Nazaré é o selo
da perfeição dos justos que Ele redimiu com o seu Sangue derramado. Sua Páscoa
é também a nossa páscoa, pois que por ela nos uniu à Si definitivamente, para
que gozemos o céu como herança eterna. “Porque
a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus. Se já a
revelação de Deus através da criação dá a vida a todos os seres que vivem na
terra, tanto mais a manifestação do Pai pelo Verbo dá a vida aos que creem em
Deus! «Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é o
que O deu a conhecer»: desde o início, o Filho é que dá a conhecer o Pai, uma
vez que está junto do Pai desde o início (cf. Jo 1,18.1). Em tempo oportuno, foi Ele que mostrou aos homens, para benefício
destes, as visões proféticas, a diversidade das graças, os ministérios e a
manifestação da glória do Pai, qual melodia bem composta e harmoniosa”. (Santo Ireneu de
Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir - Contra as heresias, IV, 20, 7;
SC 100).
Deste modo, a Ressurreição de Cristo é o
milagre permanente da Vida divina conosco e em nós, depois que fomos batizados.
Pois, assim escreveu São Paulo: “Ou
ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na
sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que,
como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos
uma vida nova”. (Rm 6,3-4). O próprio Senhor, que tem a Vida em Si mesmo, já
havia revelado essa verdade, quando disse: “O
Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas
eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a
reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai”. (Jo 10,17-18).
E ainda: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê
naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou
da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo: vem a hora, e já está
aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem
viverão. Pois como o Pai tem a vida em si mesmo, assim também deu ao Filho o
ter a vida em si mesmo, e lhe conferiu o poder de julgar, porque é o Filho do
Homem”. (Jo 5,24-27).
Logo, viver com Cristo ressuscitado e em
Cristo ressuscitado, é gozar de sua paz, é receber o seu Espírito Santo como os
apóstolos o receberam do “sopro de vida” que o Senhor soprou sobre eles (cf. Jo
20,22). Ou seja, Cristo ressuscitado se une a nós e nos livra deste mundo e de
todo o mal, para testemunharmos que somente Nele temos a vida eterna. E é
exatamente isto que Ele nos dá a conhecer, somos filhos e filhas de Deus, por
seu Espírito habita em nós (cf. Rm 8,14-17). Por isso entendemos que Deus se
faz sempre presente no meio de nós; e, por meio de sua Divina Providência,
somos assistidos e amados por Ele prontamente, mesmo quando não o percebemos...
De fato, Deus cuida muito bem de seus filhos e filhas e nem um só fio de cabelo
deles se perderá (cf. Mt 10,28-31).
Porém, de uma coisa fiquemos certos, todos
se apresentarão diante do Altíssimo quando chegar o dia eterno de cada um (cf.
Hb 9,27), mas quem julgará todos os homens é o Verbo de Deus, Jesus Cristo,
pois para isto é que Ele se fez carne, para julgar os vivos e os mortos no
último dia. A princípio Jesus veio para salvar todos os homens da condenação à
morte a que estavam sentenciados pelos pecados aqui praticados desde o primeiro
homem até os dias atuais (cf. Jo 3,16-21).
Todavia, uma vez sacrificado pelos pecadores,
ressuscitou dos mortos revelando deste modo que não era um simples homem, mas
Deus conosco, Emanuel, o Messias enviado pelo Pai para a salvação de todos.
Entretanto, sua presença entre nós é também sinônimo de que estamos na reta
final da criação natural de Deus, pois Jesus veio para abrir-nos a porta do
Reino dos Céus; e é fazendo o seu caminho de cruz que entraremos com Ele em sua
glória eterna. Porquanto, se não houvesse a segurança da esperança na
ressurreição para a vida eterna em Deus, o que seria da humanidade? Apenas pessoas
e coisas destinadas a um fim trágico, devido ao triste quadro que contemplamos
atualmente na face da terra.
“Contudo, virá o dia do Senhor como ladrão.
Naquele dia os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão,
e será consumida a terra com todas as obras que ela contém. Uma vez que todas
estas coisas se hão de desagregar, considerai qual deve ser a santidade de
vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus,
esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos
abrasados! Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova
terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas
coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”.
(2Pd 3,10-14).
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
juízo final,
ressurreição,
salvação,
vida eterna
sábado, 4 de abril de 2015
A RESSURREIÇÃO...
A RESSURREIÇÃO
DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS...
A Ressurreição dos mortos. Quem poderia compreender
e experimentar essa verdade, se Deus Pai não a tivesse realizado em Seu Filho, Jesus
Cristo? Pasmem os incrédulos, os indiferentes, “os tíbios, os infiéis, os
depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os
mentirosos”; pasmem até mesmo os que creem, pois, Deus que é infinitamente Santo,
Eterno, Todo Poderoso, e nosso Sumo Bem; destituiu a Besta, a antiga serpente, e
desmontou o seu plano maléfico de destruição da Criação, por meio da Paixão,
morte e ressurreição de Seu Filho Jesus Cristo, o Cordeiro Imolado, que tira o
pecado do mundo, e mantém o Reino de Deus, com o poder de sua Palavra (cf. Hb
1,1ss), tal qual concebido por Seu Pai e nosso Pai.
Com efeito, Deus criou todas as coisas, para
o louvor de Sua Glória e para a nossa felicidade eterna; esse foi e sempre será
o sentido da Criação, e não cooperar na realização desse santo desígnio do
Senhor é perde-lo e perder-se eternamente com o diabo e seus sequazes. Isto
porque Deus sempre age diferentemente de suas criaturas, pois, é isto o que diz
o Senhor ao profeta Isaías: “Buscai o
Senhor, já que ele se deixa encontrar; invocai-o, já que está perto. Renuncie o
malvado a seu comportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que
dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente”.
“Pois
meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o
Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha
conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Tal como a chuva e a neve
caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e
feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim
acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu
efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão”. (Is 55,6-11). Ou
seja, Deus é fiel, tudo o que planejou em seu amor para a obra de suas mãos, se
cumprirá perfeitamente, pois o Senhor não falha nunca; por isso, leva a bom
termo sua obra criada e redimida por Seu Filho, Jesus Cristo. (cf. Ef 1,3-23).
Celebramos a Ressurreição do Senhor Jesus
como ápice da revelação divina e de todas as profecias e promessas de Deus no
antigo testamento. Mas celebramos também o início do Reino de Deus ainda aqui no
tempo, isto é, na finitude natural que nos cerca, que na verdade é a porta de
entrada na eternidade, ou ainda, no definitivo de todas as criaturas; pois é
aqui que definimos nosso devir, por isso, para bom entendedor o eterno já é;
basta compreender que colhemos aquilo que aqui plantamos no terreno de nossa
vida natural com o nosso modo de ser, de pensar, de falar e de viver. Todavia,
lembrem-se: “Somos o que somos aos olhos
de Deus e nada mais”. (São
Francisco de Assis). Todavia, ninguém é nada sem Jesus Cristo, pois Ele mesmo
nos ensinou: “Eu sou a videira; vós, os
ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim
nada podeis fazer. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado”.
(Jo 15,5.3).
Portanto, precisamos viver a experiência da
ressurreição de Cristo com Cristo e em Cristo Eucarístico. Bem como nos ensinou
São Paulo: “Se, portanto, ressuscitastes
com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de
Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais
mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa
vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. (Cl
3,1-4).
Meu Senhor e meu Deus, guarda-me ressuscitado
contigo, hoje e sempre. Amém!
Feliz Páscoa!
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
ressureição,
vida eterna
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
FALANDO AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...
FALANDO
AINDA SOBRE AS EVIDÊNCIAS DA FÉ...
A fé evidente é dom do Espírito Santo, pois
é ele quem nos dá essa evidência nos fazendo participar diretamente dela. Ter a
evidência da presença de Deus em nossa vida é ter a certeza de que é Deus quem
está agindo em nós e por meio de nós, por acreditarmos no seu amor para
conosco. Por isso temos a convicção de que Ele nunca nos deixa sozinhos, pois
até nos dá um anjo da guarda para nos acompanhar sempre (cf. Sl 33,8), e só
precisamos dar ouvidos ao que ele nos fala (cf. Ex 23,20-23a), mas tudo isso acontece
pelas graças abundantes do Senhor em cada um de nós.
São Paulo ao falar da evidência da fé, diz:
“A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê. Foi
ela que fez a glória dos nossos, antepassados. Pela fé reconhecemos que o mundo
foi formado pela palavra de Deus e que as coisas visíveis se originaram do
invisível”. (Hb 11,1-3). E ainda: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus,
pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e
que recompensa os que o procuram”. (Hb 11,6). Ou seja, é por meio de nossa fé
que os acontecimentos de nossa vida ocorrem em conformidade com a vontade de
Deus, isto é, segundo o seu plano de amor para a nossa salvação, como nos
ensina o profeta Habacuc: “O meu justo viverá da fé” (Hab 2,3a). Também o
Senhor Jesus nos ensinou a esse respeito, dizendo: “Tudo é possível ao que crê”
(Mc 9,23b).
Existem vários episódios nos Evangelhos que
bem demostram a mudança dos acontecimentos pela fé, vejamos alguns deles: a
cura da mulher com fluxo de sangue (cf. Mc 5,25-34); o paralítico transportado
numa maca por sobre uma brecha da casa onde Jesus se encontrava (cf. Mc 2,1-12);
a cura do servo do oficial romano (cf. Lc 7,1-10); a cura do menino epiléptico
(cf. Mt 17,14-18); a libertação da filha da Cananéia (cf. Mt 15,22-28); a cura do
cego de nascença (cf. Jo 9); a ressurreição da filha de Jairo, chefe da
sinagoga (cf. Mc 5,22-24;34-43); a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11), e tantos
outros. Todos esses acontecimentos foram mudados por meio da fé, assim,
percebemos a importância deste dom do Espírito Santo para a nossa vida e para a
nossa salvação.
De fato, todo dom precisa ser alimentado, desenvolvido,
cultivado até que dê os frutos esperados. E como fazemos isto com o dom da fé?
Com efeito, nossas almas são terrenos férteis onde brotam as sementes dos dons
do Espírito Santo; e com a fé não pode ser diferente, ela é graça transbordante
que nos faz enxergar além do nosso entendimento, e nos faz alcançar as graças
que Deus dispõe a nosso favor. Mas, como todo dom, a fé precisa de outros dons
para crescer e se multiplicar, assim, os dons que alimentam a fé são: piedade
(vivência da fé ou a expressão da fé); oração (dom de comunhão com Deus Altíssimo);
confissão (sacramento do arrependimento e do perdão dos pecados); eucaristia (o
Corpo e Sangue, Alma e Divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, alimento da vida
eterna); leitura e meditação da Palavra de Deus (Lectio Divina); e a prática
das obras de misericórdia ou caridade, também chamadas obras da fé (cf. Ef
2,10). Quem vive alimentando a fé por meio desses dons, poderá até dizer a uma
alta montanha, caso seja necessário para a salvação das almas, atira-te ao mar,
e ela se nos obedecerá.
Portanto, o que é preciso para a vivência
da fé nós já o recebemos em nosso batismo, pois ele é o início da nossa vida em
Deus, como nos ensinou São Paulo: “Porque é em Deus que nós vivemos, nos
movemos e somos” (At 17,28a). Além disso, temos o testemunho dos santos que viveram
em tudo a vontade de Deus, professando a fé em Cristo Ressuscitado; muitos deles
derramaram o próprio sangue, como os justos das Sagradas Escrituras e tantos outros
mártires da fé, que ao longo dos séculos, sacrificaram suas vidas e por esse
sacrifício se tornaram exemplos vivos de fé e de amor a Deus e aos seus irmãos
na fé. Assim, viver da fé requer de nós o empenho de toda a vida, para nunca
nos afastarmos do Senhor, que nos dá a vida eterna.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
confiança,
fé,
vida eterna
sábado, 16 de agosto de 2014
AS VIRTUDES TEOLOGAIS: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE...
AS VIRTUDES TEOLOGAIS: FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE...
“Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das
luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. Por sua
vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que
as primícias das suas criaturas”. (Tg 1,17-18). É assim que São Tiago define
os dons de Deus, como dádivas perfeitas que nos levam à plenitude da felicidade,
da perfeição, e com isso, à mais alta condição da glória de Deus, que é a nossa
permanência Nele por toda a eternidade.
Fé, esperança e caridade são as
chamadas virtudes teologais. “Segundo o
Compêndio do Catecismo da [nossa]
Igreja Católica, as virtudes teologais "têm como origem, motivo e objeto
imediato o próprio Deus. São infundidas no homem com a graça santificante [no
batismo], e tornam-nos capazes de viver
em relação com a Trindade e fundamentam e animam o agir moral do cristão,
vivificando as virtudes humanas. Elas são
o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser
humano". (CIC nº 384). São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios 13, as
define como as virtudes que permanecem, porém, sendo a maior delas a caridade
(o amor) (1Cor 13,13). Na Carta ao Gálatas, ele define a relação que há entre essas
virtudes, primeiro a fé e o amor, dizendo que a fé opera pelo amor (cf. Gl 5,6b); depois, na carta aos
Hebreus, entre fé e esperança, onde lemos: “A
fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”.
(Hb 11,1).
Todavia, precisamos entender
que essas virtudes precisam da autenticidade do Espírito Santo, para serem o
que elas são. Então, como entender essa autenticidade e por consequência sua
genuinidade? Por Cristo Jesus, e somente por Ele, na pessoa de Pedro e dos
outros apóstolos e seus sucessores, que Ele mesmo escolheu e confirmou como
fundamento de sua Igreja (cf. Mt 16,18-20; Lc 10,3.16). Com efeito, o profeta
Isaías, assim profetizou sobre o Messias, o Ungido do Senhor: “Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao
qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que
leve às nações a verdadeira religião” (Is 42,1). Assim, entendemos que
Jesus, ao fundar a sua Igreja como seu corpo místico (Col 1,3.22-29;2,1-23),
ele permanece nela e a conduz por seus representantes, com todos os
sacramentos, virtudes e profissão de fé, para a salvação de toda humanidade.
Desse modo, se firma a autenticidade de nossa fé católica, dom do Espírito
Santo, recebido no batismo.
Então, vamos às virtudes
teologais, primeiro a fé, como já disse, dom do Espírito Santo, que nos leva a
crer firmemente sem nunca duvidar das verdades reveladas por Deus aos seus
santos profetas e cumpridas no Novo Testamento, primeiro em Maria, mãe do
Senhor, e depois em Jesus e em todos os filhos e filhas de Deus santificados
pelo seu sacrifício de cruz, morte e ressurreição. Jesus nos ensinou que essa
virtude teologal é sumamente importante para realizarmos a vontade do Pai, por
isso, afirma: “Tudo é possível ao que crê.”
(Mc 9,23). Logo, a fé é um instrumento da graça de Deus que nos capacita
para toda boa obra, como escreveu São Paulo:
“Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de
vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém
se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus
de antemão preparou para que nós as praticássemos”. (Ef 2,8-10).
Quanto à virtude da esperança,
esta é também derramada em nossos corações pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5);
ela é a certeza da fé, e nunca decepciona, porque ela é uma convicção a
respeito daquilo que Deus realiza em nosso favor, por isso, Ele já nos antecipa
para nos ater seguros quanto aos seus desígnios a respeito da nossa salvação. Então,
oremos ao Senhor por meio desta virtude: Senhor, tudo está em tuas mãos e
ninguém conhece mais a nossa vida do que o Senhor; tudo o que somos e vivemos,
tem como destino único o teu Reino de amor, por isso, estamos convictos de que
jamais nos abandonarás, visto que teu amado Filho, Jesus Cristo, deu-se em
sacrifício de cruz para que tivéssemos a paz definitiva na glória que
preparastes para todos aqueles que ele redimiu. Assim, Senhor, seja feita a tua
vontade, aqui na terra como nos céus.
E a virtude da caridade (do
amor)? Esta é o “Ágape” de Deus que leva o ser humano à plenitude da perfeição
de nossa natureza. Por ela somos plenamente santificados, porque Deus é amor e
quem ama permanece em Deus e Deus nele (cf. 1Jo 4,8.16). Ora, em quem Deus
permanece não há lugar para o pecado, mas somente para o estado de graça
permanente e para os seus desígnios amorosos. Daí a necessidade do cultivo
dessa e de todas as outras virtudes, porque esta é a vontade de Deus a nosso
respeito, conforme o seu santo mandamento: “Amarás
o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito”
(Dt 6,5). E ainda, quem ama a Deus, ame também o seu irmão (cf. 1Jo 4,21): “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Lv
19,18). Portanto, o amor é a essência da vida, sem o amor não há vida, não há
nada, tudo é caos infindável; destarte, amemos sempre porque o Amor é próprio
Deus que nos criou por amor e para o amor, e deu-nos o seu Filho para a nossa
salvação.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria,OFMConv.
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Marcadores:
salvação,
vida eterna,
virtudes
Assinar:
Postagens (Atom)












