PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 12,39-48)(21/10/26)
1. Caríssimos irmãos e irmãs, no Evangelho de hoje, "a primeira virtude que o Senhor exige do servo é a fidelidade. Foi-lhe confiado um grande bem, que não lhe pertence. A Igreja não é a nossa Igreja, mas a sua Igreja, a Igreja de Deus. O servo deve prestar contas de como administrou o bem que lhe foi confiado.
2. O Senhor traça com poucas linhas uma imagem do servo malvado, que começa a se divertir e bater nos funcionários, traindo assim a essência de seu ofício. Em grego, a palavra "fidelidade" coincide com a palavra "fé". A fidelidade do servo de Jesus Cristo consiste também precisamente no fato de não procurar adaptar a fé ao modismo do mundo. Somente Cristo tem palavras de vida eterna, e são essas palavras devemos levar ao povo." (Bento XVI).
3. Ora, não pensemos que somos os donos da vida e de tudo o que lha proporciona, na verdade, haveremos de prestar contas a Deus, verdadeiro autor e Senhor da vida e de todas as coisas. De fato, ninguém escapa do seu juízo, principalmente aqueles que desdenharam e fizeram pouco caso da sua divina misericórdia.
4. Pois, ao permitir que sacrificassem Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que nos salvasse, e mesmo assim ve-lo ser desprezado, agredido e vilipendeado pelos muitos pecados praticados neste mundo, o que podemos esperar? A resposta a essa pergunta se encontra na última frase do Evangelho de hoje: "A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!” (Lc 12,48).
5. Mas, quando isso acontecerá? Quando menos esperarmos como disse o Senhor nesse mesmo Evangelho: “Ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. Vós também ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos o esperardes”. (Lc 12,39-40).
6. Com efeito, são três as atitudes dos servos fiéis ao Senhor Jesus e à missão que Dele receberam: a oração vigilante que os prepara por meio do diálogo e da escuta atenta a fim de realizar a vontade do seu Senhor; a convicção de que a obra a ser realizada não lhes pertence, porque somente Deus é o Senhor de tudo, por isso, exige todo empenho e determinação, para que todos obtenham a salvação.
7. E por último, afastar-se do mundo e de tudo o que não diz respeito à missão salvífica que receberam, pois sabem que as atrações enganosas do maligno se faz presente largamente em todos os meios de comunicação que os distrai lhes tirando a atenção das recomendações recebidas, perdendo, com isso, o tão precioso tempo que deveria ser aproveitado somente em prol da missão.
8. Portanto, caríssimos: "As Palavras do Senhor Jesus, são o bem mais precioso que nos foi confiado. A fidelidade às suas palavras não tem nada de estéril e estático; ela é criativa. Fidelidade não é medo, mas é inspirada pelo amor e seu dinamismo. O Senhor elogia o servo, que fez com que seus bens dessem frutos.
9. Decerto, a fé exige ser transmitida, pois, não nos foi dada apenas para a nossa salvação pessoal, mas para todos, para este mundo e para o nosso tempo. Por isso, devemos semea-la, para que se torne uma força viva nele; para aumentar a presença de Deus nele." (Bento XVI)
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria OFMConv.
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