VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

DEUS NOS FALA NO SILÊNCIO SAGRADO DA NOSSA ORAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,31-37)(11/02/22)

Caríssimos, vivemos num mundo em que o barulho interior e exterior tornou-se forma de vida, de modo que o silêncio sagrado, precionado pelos pela agitação do consumismo doentio, sumiu dos corações, e nada mais se ouve fora dos interesses mesquinhos. Quanto tempo ainda temos para o fim deste mundo barulhento? O que ainda falta para se dar esse acontecimento? De uma coisa fiquemos certos, cedo ou tarde, é inevitável o seu fim.

No Evangelho de hoje, em cumprimento de sua missão, o Senhor Jesus cura um surdo mudo que lhe fora apresentado dentre a multidão. Porém, chama-nos atenção o modo como realizou esse milagre: "Jesus afastou-se com o homem, para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva tocou a língua dele. Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade."

"Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos falar". De fato, o modo como o Senhor comunica as suas graças nos ensina que o silêncio sagrado das nossas almas é mais que necessário para recebe-las.

Com efeito, quando vamos ao encontro do Senhor em nossa oração, precisamos do silêncio da mente e dos sentidos para ouvir o que Ele nos diz, caso contrário, não o encontramos devidamente, talvez por conta do barulho interior, advindo das preocupações exageradas, das tentações exarcebadas; medos, ansiedades, angústias e tantas outras perturbações que sufocam a nossa oração e não nos deixa ouvi-lo.

Portanto, caríssimos, precisamos urgentemente fugir do barulho deste mundo e do nosso barulho interior, para dar lugar ao silêncio sagrado da nossa oração feita no coração de nossas almas, isto é, a nossa mente, aonde chega, até quando não esperamos, o barulho das distrações e tentações, que nada mais é do que a voz do inimigo querendo atrapalhar a nossa oração, o nosso encontro com o Senhor. 

Destarte, peçamos, então, ao Senhor Jesus para abrir os ouvidos de nossas almas para ouvirmos a sua Palavra como Ele fez com o surdo mudo e os discípulos de Emaús. Desse modo, manteremos o nosso colóquio com Ele, repletos da confiança de quem realmente o encontra para o ouvir, como o fez Maria, irmã de Marta, "que escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada." (cf. Lc 10,38-42).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

"VAI EM PAZ, A TUA FÉ TE SALVOU"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,24-30)(10/02/22)

Caríssimos, frequentemente ouvimos falar do dom da fé e do que esse dom de Deus pode realizar em nós e por meio de nós, pois, ele significa confiança inabalável no poder de Deus que age sempre em nosso favor, e para a nossa salvação. De fato, nas açãos missionárias do Senhor Jesus, seus sinais, milagres e prodígios, o que mais nos chama atenção é a resposta que Ele dá àqueles que vão ao seu encontro buscando libertação, perdão e a cura dos males que os aflinge: "Vai em paz, a tua fé te salvou."

Com efeito, o Senhor Jesus foi enviado pelo Pai como nosso Redentor, para permanecer em nosso meio interagindo conosco, visivelmente na sua primeira vinda na terra santa, e após a sua ressurreição, sensivelmente por meio dos Sacramentos, da sua Palavra e das ações que praticamos em seu Nome conduzidos pelo Espírito Santo no seio da Sua Santa Igreja.

Comentando este Evangelho de hoje, disse o nosso querido Papa emérito Bento XVI: "Também nós somos chamados a crescer na fé, a abrir e a acolher livremente o dom de Deus, a confiar e a clamar a Jesus: "dá-nos fé, ajuda-nos a encontrar o caminho!". É o caminho que Ele faz seus discípulos, a mulher cananéia e os homens de todos os tempos e povos, a cada um de nós, percorrer. 

A fé abre o nosso entendimento para conhecer e acolher a verdadeira identidade de Jesus, a sua novidade e singularidade, a sua Palavra, como fonte de vida, para viver uma relação pessoal com Ele. O conhecimento da fé cresce, cresce com o desejo de encontrar o caminho, e é finalmente um dom de Deus, que se revela a nós não como uma coisa abstrata, sem rosto e sem nome, mas a fé que responde a uma Pessoa, Jesus, que quer entrar em uma relação de amor profundo conosco e envolver toda a nossa vida.  

Por isso, o nosso coração deve viver cada dia a experiência da conversão, cada dia deve ver a nossa passagem do homem voltado para si mesmo, ao homem aberto à ação de Deus, ao homem espiritual (cf. 1 Cor 2, 13- 14), que se deixa interpelar pela Palavra do Senhor e abre a sua vida ao seu Amor." (Bento XVI - Angelus 14/8/2011).

Destarte, seguir o Senhor Jesus por meio das evidências da sua presença, é ter a certeza de que nunca estamos sozinhos, aconteça o que acontecer, Ele está sempre conosco, basta sermos fiéis à vontade do Pai que Ele nos ensina a fazer por meio dos exemplos dos santos e santas de todos os tempos e em especial da sua Mãe, Maria Santíssima.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

"O QUE SAI DO HOMEM É O QUE O TORNA IMPURO"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,14-23)(09/02/22)

Caríssimos, vendo este mundo arruinado, se destruíndo pelo pecado, se os homens não se voltarem totalmente para Deus, certamente perderão a esperança de que haverá alguma mudança para melhor; de certo, como seguidores fiéis de nosso Senhor Jesus Cristo, temos a firme convicção de que por seu sacrifício de cruz, Deus nos deu a salvação eterna. Rezemos, então, pela nossa perseverança e pela conversão de todos.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que tudo o que Deus criou é bom, é belo, é perfeito, com isso, nos liberta de todo tipo de descriminação ou rejeição ao próximo seja por conta de alimentos ou outros elementos como cultura, raça, religião, etc. como observou são Marcos: "Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros." (v. 19b). Desse modo, nos libertou da rígida mentalidade farisaica que anulava os mandamentos por conta da prática dos costumes que criaram.

Aliás, são Paulo assim se expressa a esse respeito: "Ninguém, pois, vos critique por causa de comida ou bebida, ou espécies de festas ou de luas novas ou de sábados. Tudo isto não é mais que sombra do que devia vir. A realidade é Cristo." (Col 2,16-17). Com efeito, o exemplo da rainha de Sabá que veio ao encontro de Salomão e reconheceu humildemente a sabedoria de Deus nele; é totalmente o oposto da atitude dos fariseus que não reconheceram o Senhor Jesus como Messias por conta da inveja e da hipocrisia que os consumia.

De certo, a atitude negacionista dos fariseus comprova estas palavras do Senhor: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassinatos, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo. Todas estas coisas más saem de dentro e são elas que tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23).

Portanto, caríssimos, viver a fé é conviver com o Senhor Jesus ressuscitado presente realmente no meio de nós, como Ele mesmo afirma: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20). Destarte, ponhamos em prática esta exortação de são Paulo: "Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Col 3,23-24).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A VIVÊNCIA AUTÊNTICA DA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,1-13)(08/02/22)

Caríssimos, existem certas atitudes que levam os homens a viverem de aparências, tirando-lhes a autenticidade de ser, e isso também pode acontecer na vivência da fé. Com efeito, tais atitudes chama-se incoerência, hipocrisia, porque os que as praticam caem em constante contradição, tornado o próprio viver um antro de perdição, por falta da prática das virtudes eternas.

Esta liturgia de hoje nos conduz à vivência autêntica da fé que tem como fundamento o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, pois, sem a vivência desse amor a prática da fé não passa de ritos estéreis e piedade aparente que em nada contribui para a salvação eterna das almas.

O Evangelho de hoje nos mostra o quanto a prática aparente da fé é prejudicial no relacionamento com Deus e na comunhão fraterna pela falta de caridade e de misericórdia com que deve vivida. Pois, a fé ao mesmo tempo que nos une a Deus para interagirmos como Ele, nos conduz a partilha das graças e bênçãos recebidas com os nossos irmãos e irmãs.

Com efeito, ainda meditando o Evangelho de hoje vemos que o Senhor Jesus mostra aos fariseus e aos mestres da lei a gravidade do pecado da hipocrisia que eles estavam cometendo, pois, haviam criticado duramente os discípulos por não seguirem os costumes dos seus antepassados; e no entanto, eles burlavam frequentemente a lei de Deus usando como desculpa a prática desses costumes, por isso, disse o Senhor: "Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está distante de mim."

Portanto, caríssimos, quem a Deus se dirige humildemente é prontamente atendido em todas suas súplicas, assim como nos ensinou são Pedro: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. (1Pd 5,6-7). E o Livro dos Provérbios conclui: "Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes." (Pr 3,34).

Destarte, vemos na primeira leitura um belo e piedoso exemplo da vivência da fé, trata-se da oração do rei Salomão após da introdução da Arca da Aliança no Templo de Jerusalém: “Ó Senhor, Deus de Israel, não há Deus igual a ti nem no mais alto dos céus, nem aqui embaixo na terra; tu és fiel à tua misericordiosa aliança com teus servos, que andam na tua presença de todo o seu coração. Ouve as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando aqui orarem. Escuta-os do alto da tua morada, no céu, escuta-os e perdoa!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

OS SENTIDOS E O DOM DA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,53-56)(07/02/22)

Caríssimos, os sentidos nos foram dados para sintírmos bem e nos tornarmos agradáveis para com todos; ocorre que nem sempre são usados com essa finalidade, pelo contrário, muitos os usam para o mal, estragando com isso, os dons que de Deus receberam somente para a prática do bem. Ora, essa liturgia de hoje nos ensina como usa-los de acordo com a finalidade a que foram destinados pelo Senhor, para não destruirmos a nossa vida e nem a dos outros; mas isso só é possível mediante a prática sincera da fé.

Eis como são João se expressa sobre o uso dos sentidos no encontro com o Senhor: "O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida – porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou –, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco." (1Jo 1,1-3).

Com efeito, no Evangelho de hoje vemos um fato verdadeiramente extraordinário, como narra são Marcos: "Logo que desceram da barca, as pessoas imediatamente reconheceram Jesus. Percorrendo toda aquela região, levavam os doentes deitados em suas camas para o lugar onde ouviam falar que Jesus estava. E, nos povoados, cidades e campos onde chegavam, colocavam os doentes nas praças e pediam-lhe para tocar, ao menos, a barra de sua veste. E todos quantos o tocavam ficavam curados."

De certo, o Senhor Jesus veio a este mundo com a missão de fazer conhecida a Vontade do nosso Pai celestial, revelar o seu Reino e anunciar o mandamento do amor, como Ele mesmo nos ensinou: "Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisso todos conhe­cerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. E isso significa a libertação de todos os vícios e de todos os males.

Portanto, caríssimos, é este o verdadeiro sentido da nossa fé, conhecer, amar e seguir o Senhor Jesus no seio da Sua Santa Igreja, pela vivência dos Sacramentos que são sinais sagrados pelos quais Ele age diretamente nas nossas almas nos dando todas as graças e bênçãos a fim de que sejamos libertados do pecado e de todos os males que o pecado gera. 

Destarte, a vida sacramental nos mantém em plena comunhão de amor com o Senhor Jesus e entre nós, que com Ele interagimos pela oração pessoal e coletiva, pelo nosso testemunho de vida, e pela proclamação da Sua Palavra para que todos os homens e mulheres o conheçam e recebam Dele a vida eterna. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

SEGUIR JESUS, É UMA AVENTURA ETERNA...


 Homilia do 5°Dom Tempo Comum (Lc 5, 1-11)(06/02/22)

Caríssimos, temos consciência de que o nosso tempo nesse mundo é curto se o compararmos com a eternidade que temos pela frente, isto porque nós somos um misto de temporalidade (corpo) e eternidade (alma). Por isso, tudo o que vivemos neste mundo está ligado ao devir, ou seja, ao nosso vir a ser eterno. Desse modo, o nosso viver pode ser ou não, correspondência ao amor de Deus por nós, porque é "Nele que vivemos, nos movemos e somos", como nos ensinou são Paulo (cf. At 17,28).

A liturgia de hoje nos ensina que Deus se faz sempre presente em meio a nós e se dá a conhecer por aqueles que Ele escolhe para nos comunicar a sua vontade que consiste em permanecermos em comunhão com Ele para assim evitarmos qualquer submissão ao maligno, que é inimigo de Deus e de nossas almas. Com efeito, a escolha do Profeta Isaías na primeira leitura, é o perfeito exemplo de como Deus faz essa escolha, ou seja, perdoando os pecados e enviando em missão.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, Filho de Deus, acompanhado por uma grande multidão faz a escolha dos primeiros discípulos demonstrando o poder de Sua Palavra que ao ser pronunciada se cumpre na íntegra, como vemos neste diálogo com Pedro: "Quando acabou de falar, disse a Simão: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca”.

Simão respondeu: “Mestre, nós trabalhamos a noite inteira e nada pescamos. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. Assim fizeram, e apanharam tamanha quantidade de peixes que as redes se rompiam. Ao ver aquilo, Simão Pedro atirou-se aos pés de Jesus, dizendo: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!” Jesus, porém, disse a Simão: “Não tenhas medo! De hoje em diante tu serás pescador de homens”.

Portanto, caríssimos, por esse episódio percebemos o quanto somos amados e cuidados pelo o Senhor Jesus, que se faz presente no Barco da Santa Igreja e nos chama para vivermos com Ele a aventura de sermos também nós "pescadores de homens", isto é, anunciadores da Sua Palavra viva que se realiza sempre que a pronunciamos em Seu Nome sob o comando de Simão Pedro, atualmente o Santo Padre, o Papa Francisco. 

Destarte, após vivenciarmos esse relato emocionante, percebemos que o chamado do Senhor Jesus feito a cada um de nós por meio do batismo, é tão especial que, como os primeiros discípulos que depois da evidência da pesca milagrosa, deixaram tudo e o seguiram, também nós façamos o mesmo, pois, seguir o Senhor Jesus é realmente uma aventura eterna, nada se compara a ela.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 5 de fevereiro de 2022

FOME E SEDE DA PALAVRA DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,30-34)(05/02/22)

Caríssimos, esse nosso mundo da comunicação fácil, do disse me disse, de tantas notícias falsas e de tantos enganos, no fundo no fundo está gritando, pedindo socorro, porque está afundando na futilidade e nos prazeres fugazes, e nada há que preencha o vazio existencial dos que se dão à essas práticas, e por isso, agridem e são agredidos, uma vez que perderam o sentido do sagrado e fizeram do profano uma arma de combate contra os bons costumes.

Bem diferente desse nosso tempo é o que vemos na primeira leitura, em que o rei Salomão mantém a fé do seu pai Davi e a comunhão com Deus que em uma visão lhe pergunta o que gostaria de receber para governar o povo eleito, ao que ele respondeu: peço Sabedoria para governar com justiça, e recebeu. Pois, eis o que lhe disse o Senhor: "Já que pediste estes dons para praticar a justiça, vou satisfazer o teu pedido; dou-te um coração sábio e inteligente, como nunca houve outro igual antes de ti."

Com efeito, meditando o Evangelho de hoje nos chama a atenção o quanto as multidões procuravam o Senhor Jesus e os Apóstolos em busca dos seus ensinamentos e dos sinais de realizava em vista do bem de todos, ou seja, cumprindo esta profecia de Amós: "Virão dias – oráculo do Senhor Javé – em que enviarei fome sobre a terra, não uma fome de pão, nem uma sede de água, mas (fome e sede) de ouvir a palavra do Senhor." (Am 8,11).

De certo, é isso o que vemos neste relato de são Marcos: "Os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer. Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas."

Portanto, caríssimos, existe um imenso abismo entre a comunicação deste mundo e a comunicação divina, isto é, a Palavra viva do Senhor Jesus, no entanto, é possível transpor esse abismo mediante a conversão e a fé, pois, quem ouve a Sua Palavra e faz dela a sua regra de vida no seio da Sua Santa Igreja, vive a verdadeira liberdade dos que foram perdoados e redimidos por seu sangue derramado em sacrifício pela nossa salvação.

Destarte, os homens dessa nossa geração estão entorpecidos por tantas más palavras proferidas e escutadas que só geram divisão, desconforto, violência e morte. Por isso, mais do que nunca precisam ouvir a Palavra que o Senhor Jesus profere para que pondo-a em prática tenham a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A LUTA INTERIOR ENTRE BEM E MAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,14-29)(04/02/22)

Caríssimos, esta liturgia de hoje nos dá a conhecer o contraste das lutas espirituais que travamos todos os dias para vencermos a nós mesmos e os outros inimigos de nossas almas, e nos mantermos em estado de graça realizando a vontade de Deus com o nosso viver, para permanecermos na sua presença aqui e eternamente no Reino dos céus. 

A primeira leitura e o Evangelho de hoje mostram esse contraste, essa luta interior e exterior; por um lado o Eclesiástico descreve os prodígios do rei Davi que fora escolhido por Deus para governar o seu povo: "Em todas as suas obras dava graças ao Santo Altíssimo, com palavras de louvor: de todo o coração louvava o Senhor, mostrando que amava a Deus, seu criador. Fez com que louvassem o santo Nome do Senhor, enchendo o santuário de harmonia desde a aurora."

Em contra posição o Evangelho narra a crueldade de Herodes que havia sido feito rei pelos Romanos invasores da terra prometida; e mesmo fazendo parte do povo de Deus, em nada viveu segundo a vontade de Deus, pois, por conta do pecado de adultério e de perjúrio, ordenou a execução do inocente João Batista, demonstrando com isso, o mais alto grau de perversão de um governante do povo eleito. 

Com efeito, o Senhor Jesus foi enviado por Deus como o Messias prometido para assumir o reinado do povo eleito e de toda a criação em lugar de seu pai, o rei Davi, para isso, ofereceu-se em sacrifício pela remissão dos nossos pecados, "e está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos e o seu Reino não terá fim."

De fato, vivemos em meio a este mundo repleto de interesses mesquinhos, da busca pelo poder, fama e prazer; e poucos são os que se dão à prática da fé, dos bons custumes e das virtudes eternas; pelo contrário, muitos desprezam os Santos Mandamentos da Lei de Deus e os ensinamentos do Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, para se entregar aos mais baixos vícios, e com isso, tornam-se escravos do pecado e do maligno. 

Portanto, caríssimos, nos preparemos para o dia do juízo final, fiquemos atentos, pois, como reza o Salmo responsorial: "São perfeitos os caminhos do Senhor, sua palavra é provada pelo fogo; nosso Deus é um escudo poderoso para aqueles que a ele se confiam." Destarte, confiemos ao Senhor Jesus pela intercessão de sua mãe, Maria Santíssima e de são José, tudo o que somos e vivemos para que Ele tenha compaixão de nós perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR...


 Festa da Apresentação do Senhor (Lc 2,22-40)(02/02/22)

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa da Apresentação do menino Jesus no Templo; com efeito, Deus é um Pai muito cuidadoso, por isso, preparou a festa do Seu Filho, bem ao seu estilo, ou seja, com simplicidade e cheia de revelações a respeito do seu futuro e do futuro de sua mãe, Maria Santíssima. Para isso, enviou o justo e piedoso Simeão repleto do Espírito Santo com a missão de anunciar a sua chegada tão esperada pelo seu povo e por toda a humanidade.

Eis o cerne da narração desse episódio: "Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

"O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma". 

De certo, o que Deus anuncia por meio dos seus servos, Ele realiza pessoalmente, como vemos nas profecias de Amós e Isaías: "Porque o Senhor Javé nada faz sem revelar seu segredo aos profetas, seus servos." (Am 3,7). "Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão." (Is 55,9-10).

Portanto, caríssimos, ao enviar o Seu Filho Jesus como o Messias esperado, ao permitir o seu sacrifício de cruz e as dores de nossa Senhora, para nos libertar do pecado e do poder do inferno, e nos dar a salvação eterna, Deus revela o quanto nos ama e o quanto nos quer com Ele no Seu Reino. Cabe a nós acolhermos com amor tão grande dádiva que nos foi dada, por uma vida digna que revele a Sua Presença em cada um de nós. 

Destarte, peçamos ao Senhor Jesus para que sejamos cheios do Espírito Santo, como Maria Santíssima, são José, Simeão, Ana, os Apóstolos e todos os santos e santas que o seguiram fielmente dando a própria vida por Ele e pelo anúncio do Evangelho.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A FÉ QUE TOCA EM JESUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,21-43)(01/02/22)

Caríssimos, estamos acostumados com a nossa naturalidade e quando temos algum problema que foge ao nosso poder, logo nos sentimos impotentes e buscamos a solução naquilo que está ao nosso alcance ou então perdemos a esperança, como se já não houvesse solução. No entanto, esta liturgia de hoje nos mostra que a fé no Senhor Jesus é um dom que recebemos de Deus e que nos faz transpor os limites da nossa incapacidade.

O Evangelho de hoje conta-nos dois episódios profundamente significativos, no primeiro deles o Senhor cura uma mulher que há doze anos sofria com uma hemorragia que não estancava, como narra o evangelista: "Tendo ouvido falar de Jesus, aproximou-se dele por detrás, no meio da multidão, e tocou na sua roupa. Ela pensava: “Se eu ao menos tocar na roupa dele, ficarei curada”. A hemorragia parou imediatamente, e a mulher sentiu dentro de si que estava curada da doença." 

De fato, a atitude dessa mulher demonstra o que a fé é capaz de fazer quando nos aproximamos do Senhor Jesus a fim de toca-lo para além do problema que enfrentamos. Ela não levou em conta a multidão que a comprimia, nem os doze anos de sofrimento nas mãos dos médicos, mas somente a fé e a esperança de ser curada, e isso foi reconhecido pelo Senhor: “Filha, a tua fé te curou. Vai em paz e fica curada dessa doença”.

O segundo episódio trata da ressurreição da filha de Jairo, que era o chefe da Sinagoga, a quem o Senhor recomendou a mesma atitude de fé da mulher que havia sido curada um pouco antes, isto porque lhe trouxeram a notícia da morte de sua filha, de modo que pediram para não mais incomodar o Mestre, pois, diante da sua morte não havia mais nenhuma solução.

No entanto, disse o Senhor: “Por que essa confusão e esse choro? A criança não morreu, mas está dormindo”. Começaram então a caçoar dele. Mas, ele mandou que todos saíssem, menos o pai e a mãe da menina, e os três discípulos que o acompanhavam. Ou seja, quem duvida da Palavra do Senhor e faz pouco caso dele não está apto para segui-lo, e por isso, não participa das maravilhas que ele realiza.

"Depois entraram no quarto onde estava a criança. Jesus pegou na mão da menina e disse: “Talitá cum” — que quer dizer: “Menina, levanta-te!” Ela levantou-se imediatamente e começou a andar, pois tinha doze anos. E todos ficaram admirados." Portanto, caríssimos, jamais podemos duvidar da Palavra do Senhor Jesus, porque é Palavra de vida eterna que se cumpre plenamente nos que Nele creem.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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