VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SÃO FRANCISCO DE ASSIS


SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Francisco nasceu em Assis, na Úmbria (Itália) em 1182. Jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos.

Com 24 anos, renunciou a toda riqueza para desposar a "Senhora Pobreza". Aconteceu que Francisco foi para a guerra como cavaleiro, mas doente ouviu e obedeceu a voz do Patrão que lhe dizia: "Francisco, a quem é melhor servir, ao amo ou ao criado?". Ele respondeu que ao amo. "Porque, então, transformas o amo em criado?", replicou a voz. No início de sua conversão, foi como peregrino a Roma, vivendo como eremita e na solidão, quando recebeu a ordem do Santo Cristo na igrejinha de São Damião: "Vai restaurar minha igreja, que está em ruínas".

Partindo em missão de paz e bem, seguiu com perfeita alegria o Cristo pobre, casto e obediente. No campo de Assis havia uma ermida de Nossa Senhora chamada Porciúncula. Este foi o lugar predileto de Francisco e dos seus companheiros, pois na Primavera do ano de 1200 já não estava só; tinham-se unido a ele alguns valentes que pediam também esmola, trabalhavam no campo, pregavam, visitavam e consolavam os doentes.

A partir daí, Francisco dedica-se a viagens missionárias: Roma, Chipre, Egito, Síria... Peregrinando até aos Lugares Santos. Quando voltou à Itália, em 1220, encontrou a Fraternidade dividida. Parte dos Frades não compreendia a simplicidade do Evangelho. Em 1223, foi a Roma e obteve a aprovação mais solene da Regra, como ato culminante da sua vida.

Na última etapa de sua vida, recebeu no Monte Alverne os estigmas de Cristo, em 1224. Já enfraquecido por tanta penitência e cego por chorar pelo amor que não é amado, São Francisco de Assis, na igreja de São Damião, encontra-se rodeado pelos seus filhos espirituais e assim, recita ao mundo o cântico das criaturas.

O seráfico pai, São Francisco de Assis, retira-se então para a Porciúncula, onde morre deitado nas humildes cinzas a 3 de outubro de 1226. Passados dois anos incompletos, a 16 de julho de 1228, o Pobrezinho de Assis era canonizado por Gregório IX.

São Francisco de Assis, rogai por nós!

Paz e Bem!

Fonte: https://plus.google.com/u/0/


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XIX)


AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XIX)

Rosa mística

Mística é o modo de ser da alma imersa na graça santificante do Senhor; diz-se ainda da alma piedosa conduzida pelo Espírito Santo e totalmente obediente à vontade de Deus. Assim, gozando da intimidade do Altíssimo, segue os seus conselhos fielmente e se deixa tomar por seu infinito amor para amar o Senhor acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo, isto é, como Deus quer.

Ora, pela experiência que temos em nossa naturalidade, sabemos da delicadeza das flores, seu perfume, sua beleza e esplendor. Pois, o que seria da natureza sem as flores e sua beleza esplendorosa? Sem o odor agradável que elas nos trazem? Também, em nossos relacionamentos e forma de expressão, as flores estão presentes desde o nosso nascimento aos mais diversos acontecimentos de nossa vida; até mesmo nas coroas que enfeitam os esquifes, desde os mais pobres aos mais ricos. E, sem dúvida alguma, a rosa é a flor que mais se destaca entre as demais. Na verdade, a rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Assim, Maria Santíssima é Rosa Mística, porque em sua delicadeza de filha amada, esposa do Espírito Santo e Mãe do Filho de Deus, deixou-se tomar pelo Perfume Odorífico de Seu Senhor e Pai Eterno, para ficar na história da humanidade como a Nova Eva, mãe da Nova Criação. Maria é de fato, a mais Bela flor do Jardim de Deus, aquela que exalou o mais agradável Odor de nossa Salvação, pelo Filho amado que trouxe em seu ventre e nos libertou do pecado e de toda escravidão.

Ó Mãe Santíssima, és a Rosa Mística que embeleza o novo Jardim do Éden, onde não mais existe pecado algum nem a presença do mal; onde todos os teus filhos e filhas, em santidade e justiça, embelezam, quais flores redimidas por teu Filho Jesus Cristo, os canteiros do Jardim da Glória de Deus por toda a eternidade. Amém!

Torre de Davi

“Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos Jebuseus e edificou a cidade em torno dela. "E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi" (1Cro 11,7). Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora”, porque onde não há pecado, não há lugar para o mal nem para os inimigos da fé. Por isso, ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa da nossa fé Católica.  “Assim, nesta invocação, honramos a Virgem Santíssima reconhecendo que nunca houve, nem haverá quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela”.

Torre de Marfim

O marfim é um material que tem características raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro”. Igualmente Nossa Senhora é espiritualmente fortíssima, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza e santidade alvíssima. “Assim Ela contraria a falsa ideia de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros”.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: SUPERAÇÃO...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA

SUPERAÇÃO...


Superação é a mão do Senhor a nos guiar, a nos fazer experimentar a Sua graça que nos salva e que preenche todos os recônditos de nossas almas sem deixar vazio algum. E quando falo de salvação, falo dessa superação existencial onde a verdade prevalece sempre em nossas palavras e ações, levando-nos a dar o verdadeiro testemunho da presença de Deus em nós e no mundo.

Ora, alguém poderá então dizer: mas é muito difícil viver a santidade nos dias atuais. A isso respondo: pensar assim é não enxergar os frutos obtidos por uma vida cheia de sentidos nobres, capazes de nos elevar à plenitude do amor de Deus; porque na verdade, não há dificuldade no viver o bem, visto que, todo o bem que vem de Deus é primeiramente experimentado por nós; e olha que estou falando da virtude do bem, isto é, dom de Deus, presente em todas as suas criaturas.

Destarte, nossa vocação é divina e eterna; pois, uma vez existentes para sempre existentes e únicos, ou seja, trazemos em nós a marca registrada da “imagem e semelhança” do Deus Único, Fiel e Verdadeiro, por isso mesmo não podemos contradizer a realidade que somos, para não corremos o risco de nos perdemos por toda a eternidade, exatamente por não vivermos a verdade para a qual fomos criados.

Logo, nosso viver nada mais é que uma resposta que damos a Deus todos os dias, a cada momento, seja para o bem e nossa salvação eterna; seja para o mal e perdição definitiva; porém, tenhamos em conta que Deus nos ama e jamais quer que nos percamos. Por isso, respondamos a Ele livremente que também o amamos acima de todas as coisas.

Tudo é sempre novo quando o amor está no comando... Por isso, deixe o amor lhe comandar sempre, assim jamais haverá contradição em sua vida, porque o amor que lhe comanda é quem lhe faz viver, porque o amor é o próprio Deus...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 29 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA

PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...


Em tudo na vida existe um sentido eterno; sem isto, a vida seria só um exercício para a morte. Porque aqui, naturalmente, tudo tende para um fim e este fim está sempre presente, dada a fragilidade de nossa natureza mortal. Todavia, somos mais do que aparentamos ser, porque, por Deus que nos criou, somos almas viventes, isto é, almas imortais a caminho da eternidade; tanto é assim que, em sã consciência, ninguém quer a morte; a não ser os mártires das causas justas e santas, caso contrário, fugimos da morte por mais que ela naturalmente se faça presente.

Ao criar-nos Deus tomou a iniciativa e nos comunicou todos os dons para permanecermos na vida conforme seus desígnios; por isso, nos comunicou também sua presença permanente e sua vontade para que nada nos faltasse. Qualquer coisa que buscamos fora de Deus, não é de Deus, mas sim loucura... E o que buscamos fora de Deus? Existe algo fora de Deus? Sim, existe o pecado...

Sem dúvida, com a vida recebemos também o livre arbítrio, porém, somente para fazer o bem, nunca para o mal. Ele é o poder que temos aqui de decidir o nosso devir (nosso vir a ser a cada instante e eterno); nele se encontra a manutenção de nossa liberdade ou a perca dela. Jesus nos ensinou que a liberdade é fruto da verdade, pois só é livre quem é verdadeiro em tudo o que pensa, vive e faz conforme a vontade do Senhor (cf. Jo 8,31-36). Ninguém vive por si mesmo e para si mesmo, pois se assim o fosse, seria o cúmulo do egoísmo; ora, no egoísmo não existe felicidade nem futuro promissor, porque toda forma de egoísmo é esterilidade perversa e abismo de solidão.

Ora, pensarmos que podemos algo sem Deus é a mais terrível das ilusões (cf. Gn 3,1-5). Porque pensarmos assim é pensarmos desligados do Senhor, que em seu infinito amor nos criou para sermos Um em comunhão com Ele (cf. At 17,28). A pior insensatez que há é não crer em Deus, é não amá-lo, é não glorifica-lo, é não adorá-lo, é não servi-lo. Pois só existimos porque Deus é infinitamente Bom e nos faz existir, quer obedeçamos a Ele ou não (cf. Mt 5,44-45). Porquanto, não crer em Deus é a maior de todas as injustiças que um ser pode cometer em toda criação.

Com efeito, o Livro de Sabedoria nos ensina: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá”. (Sab 1,1-5).

Portanto, na vida, o nosso único objetivo é encontrar Deus e permanecer Nele (cf. Is 55,6-11; Mt 6,24-34). Ninguém jamais viu a Deus, a não ser Jesus Cristo, o Seu Filho, ou aquele a quem o Filho o quiser revelar. Assim, quem ama Jesus e permanece nele, não somente ver a Deus, mas também convive intimamente com Ele, porque a união com Jesus pelo Espírito Santo na Eucaristia é perfeita união com Deus, nosso Pai. (cf. Jo 17,21-26; Jo 6,43-47.65).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: UM DOM INESGOTÁVEL...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA:

UM DOM INESGOTÁVEL...


A oração é um dom inesgotável porque é interação de amor, visto que o amor de Deus é a Fonte de toda vida. Por meio deste dom, interagimos e bebemos desta Fonte, experimentando as delícias eternas que ela nos oferece. Toda oração tem como objetivo nossa união com Deus para que sua vontade se realize em todos os sentidos de nosso viver. Nesse sentido, a oração é também dom de conhecimento do Senhor, porque por ela adentramos sua intimidade divina numa sintonia perfeita de seres profundamente amados, queridos e recebidos por Ele, para vivermos a nossa vocação filial. De fato, amamos quando conhecemos e só conhecemos quando amamos de verdade. Assim, conhecer a Deus é obedecê-lo, ama-lo, adora-lo, glorifica-lo, servi-lo; é sermos Dele totalmente.

Eis outra graça que o dom da oração traz para nós, a de falarmos ao Senhor, escuta-lo e obtermos as respostas desejadas conforme a sua vontade (cf. Sl 36,4), mesmo não o vendo em seu Grande Mistério, mas, sim, participando dele diretamente. Nesse sentido, a oração é como que a boca e os ouvidos de nossas almas, por ela, falamos com o Senhor e o ouvimos sensivelmente, pois da sua dimensão eterna o Senhor adentra nossa dimensão temporal, para conviver conosco e nos fazer transpor o tempo e o espaço de nossa finitude; é a criatura no convívio do seu Criador... Como nos sentimos bem quando nossas orações têm respostas precisas; neste instante compreendemos que estamos fazendo a vontade do Senhor, visto que fomos ouvidos e atendidos, ou seja, temos a certeza que o Senhor nos conhece, nos escuta e nos responde, porque nos ama e quer o melhor para nós.

Portanto, como dom inesgotável, a oração é porta voz permanente do Espírito Santo em nós diante de Deus (cf. Rom 8,26-27); pois o Senhor nos deu o dom da oração para termos um canal sempre aberto para Ele, assim por meio dela no Espírito, comunicamos o que somos e o que temos, para recebermos o que Deus quer e o que Deus é. Recusar o cultivo desse dom para Deus é abrir-se ao que não é a vontade de Deus, ou seja, é ouvir somente a si mesmo e ao inimigo de nossas almas. Quem não se dedica à oração-interação, vive a insatisfação de não escutar a voz de Deus, e passa a ouvir somente a si mesmo e às falácias do mal.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: O QUE É A IGREJA?


CRÔNICAS DE MINHA ALMA:

O QUE É A IGREJA?

Não podemos pensar ou falar da Igreja sem que ela seja o que realmente ela é. E o que a Igreja é? A esta pergunta Jesus mesmo, em seu ato fundador, responde: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-20).

Assim, vemos a Igreja nas palavras de Jesus, como o Sinal visível do Reino de Deus neste mundo, tendo Pedro e seus sucessores, revestidos de sua autoridade, como provas autênticas do que a Igreja é, Sacramento Universal de Salvação, onde o Senhor realiza todos os seus desígnios para conosco e toda criação. Logo, tudo o que acontece na Igreja e é de fato a vontade de Deus, também acontece no céu, porque o que é eterno começa aqui no tempo e tem sua plenitude na glória de Deus, onde celebraremos com Cristo Jesus a Páscoa Definitiva que Ele preparou como herança eterna para seus filhos e filhas (cf. Jo 14,1-3;Rm 8,16-17).

Porquanto, não chamem de Igreja aqueles que vivem dentro da Igreja, mas não obedecem ao que a Igreja ensina, não fazem a vontade de Deus como a Igreja faz e não testemunham Jesus como a Igreja o testemunha; porque no pecado e no escândalo não existe a vontade de Deus e onde a vontade de Deus não se faz presente, a Igreja também não se faz presente, porque a Igreja é a vontade de Deus para a salvação de todos os homens e de toda criação (cf. 1Tm 2,1-6).

Com efeito, vivemos neste mundo em meio às injustiças, mentiras, falcatruas e toda espécie de pecado que assola nossa humanidade e que tem causado tantos desequilíbrios em todos os sentidos. Pois bem, é assim que se encontra a igreja no mundo, como trigo do Senhor em meio ao joio do inimigo, representado pelos pecados e por aqueles que os cometem, tentando desestrutura-la e destruí-la. Mas, o Bem de Deus não deixa de ser Bem, porque alguém o contraria com as maldades que pratica; o amor de Deus não deixa de ser amor, porque os que odeiam querem impor esse tipo horrível de comportamento que contraria o amor de Deus; a misericórdia divina não deixa de ser misericórdia, porque os soberbos insistem na soberba. Portanto, a Igreja é Cristo e Cristo é a Igreja, pensar a Igreja sem Cristo é o mesmo que pensar a criação do mundo sem Deus, e isto é impossível.

Com exatidão, conforme a Sagrada Escritura (cf. Mt 12,28; Mc1,15; Lc 4,43), o Reino de Deus tem sua revelação e afirmação com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus. Em Cristo Jesus, Deus nos deu a conhecer qual seu plano para a nossa salvação, que consiste na renovação de todas as coisas criadas (cf. Ef 1). E isto aconteceu porque o homem deu lugar ao pecado em sua vida e passou a governar o mundo a partir do pecado, porém, como o pecado não faz parte do desígnio de Deus para o homem nem para sua criação, Deus enviou seu Filho para tirar o pecado do mundo (cf. 1Jo 3,14) e nos dá a vida eterna para a qual Ele nos criou. E tudo isso se dá na Igreja, enquanto, sinal visível do Reino de Deus e Sacramento Universal da Salvação; como nos ensina São Paulo:

Cristo é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. Mas a cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo...”. (Col 1,18; 1Cor 12,27; Ef 4,4-7).

“A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores,   para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo. É por ele que todo o corpo - coordenado e unido por conexões que estão ao seu dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria - efetua esse crescimento, visando a sua plena edificação na caridade”. (Ef 4,11-16).

Portanto, a Igreja de Cristo, fundada e dirigida pelo próprio Senhor na pessoa de seus representantes, constituída por Pedro e seus sucessores e todo o povo de Deus, está presente no mundo como Sinal da presença real do Senhor, que disse: ”Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”. (Mt 28,18b-20).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 22 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: NO PECADO NÃO EXISTE AMOR...



CRÔNICAS DE MINHA ALMA: NO PECADO NÃO EXISTE AMOR...


Seja qual for o pecado, nele não existe amor, porque todo e qualquer pecado é um ato deliberado de desamor infame, repugnante, insuportável, visto que o pecado é sempre uma ofensa contra o amor de Deus, contra o próximo e contra quem o pratica. Quem vive no pecado, vive desligado de Deus, porque em Deus não existe pecado algum (cf. Tg 1,13), ainda assim, a misericórdia divina nunca desiste do pecador, basta o arrependimento, a confissão e o perdão, para que volte ao estado de graça, ao estado de comunhão com o Senhor.

De fato, quem vive no pecado, vive ligado ao mal e passa a ser comandado por ele em suas ações. É por isso que vivemos numa sociedade tão pervertida, corrupta, injusta, maléfica, soberba, desigual, onde os vícios ao que parece imperam; onde a guerra, a fome e a miséria campeiam; onde as doenças incuráveis ou não, deitam por terra milhões; onde predomina todo tipo de violência, sofrimento e morte, a tal ponto que parece até que o mal está realmente triunfando sobre o bem; e que Deus, que é amor, parece que também não demonstra mais o seu amor por suas criaturas e nem se importa com tudo isso que está acontecendo.

Mas, sem dúvida alguma, esse é um terrível engano. Nem tudo o que parece ser, é essencialmente o que parece, pois tudo o que existe, só existe porque Deus criou e sustenta, porque tudo o que Deus criou é bom, belo e perfeito, e tudo criou somente para o bem. Todavia, como em Deus não existe o mal, logo, todo o mal que se pratica nasce da decisão livre e consciente por esse mal, pois ninguém é mau enquanto não decide livremente pelo mal que quer ser e fazer. Desse modo, mesmo que não se tenha a resposta ou a punição imediata pelo mal feito, porque somos passíveis do perdão divino enquanto vivos estivermos; porém, haverá o momento em que perderemos tudo, até mesmo as precárias seguranças que criamos com nossos vãos raciocínios, tentando encobrir os desatinos praticados, como se toda causa não tivesse um efeito proporcional ou infinitamente maior que tais atos malogrados.

Eis as falsas seguranças a que me refiro e que tantos e tantos se apegam a elas, na ilusão de que vão permanecer impunes para sempre. Estas são de ordem material, psicossocial e espiritual. As de ordem material: enriquecimento ilícito, bens adquiridos com dinheiro advindo da corrupção, da venda de armas, da venda de drogas, da exploração dos trabalhadores, da prostituição, do tráfego de seres humanos, dos jogos de azar, etc. As de ordem psicossocial: compra de juízes e de sentenças favoráveis, envolvimento em associações secretas, poder político conquistado a todo custo, exploração e uso da fé dos menos incultos, uso da religião para enriquecimento, etc. E as de ordem espiritual: crenças no esoterismo, nos livros de autoajuda, em horóscopos; envolvimento com religiões espiritualistas, superstições e demais falsas religiões; crenças em seres extraterrestres, etc.

Tudo isso é reflexo do abandono das virtudes eternas que de Deus recebemos, trocadas pelas práticas abomináveis que vimos acima. É como nos ensinou São Paulo: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé”. (Gl 6,7-10).

"Portanto, como eleitos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhada misericórdia, de bondade, humildade, doçura, paciência". ( Col 3,12). Porque, "Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento". (Tg 2,13). Porquanto, no último momento, cada um receberá de Deus o louvor que merece. (cf. 1Cor 4,5; Hb 9,27).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 15 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: TUA PALAVRA, SENHOR, É ALIMENTO PARA A ALMA...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA: TUA PALAVRA, SENHOR, É ALIMENTO PARA A ALMA...


A verdade a tudo sustenta porque tudo tem sua origem nela; mas sem ela nada se sustenta, porque tudo o que há, não o é por si mesmo e em si mesmo; mas depende cem por cento para ser o que é, porque sem a verdade tudo é apenas contingência determinada. A verdade tudo governa, mesmo quando o livre arbítrio do homem diz que não; isto porque, não há rio sem fonte como não há vida sem quem a dê e a sustente; porque tudo o que não é alimentado pela Fonte Eterna da Sabedoria de Deus, definha até não mais ser.

Aparentemente a verdade é frágil, simples, humilde, é por isso que ela é acessível a tudo e a todos, porque quando todos a vivem há um equilíbrio harmonioso substancial em escala infinita a nos conduzir para além do que temos, podemos, ou entendemos ser por nós mesmos. Assim é a verdade em seu modo de ser, em seu querer e agir para tudo e para todos, porque nada lhe passa despercebido nem mesmo o mais ínfimo respiro. Quanto à nós, em tudo o que vemos e conhecemos naturalmente ou não, só o vemos e conhecemos porque a verdade que está sempre presente, nos dar a ver e conhecer, a agir e conviver, a nos comprometer ou não com o que é diante de nos.

A verdade não só convence pelo que apresenta, mas pelo que ela é. Porque a verdade é permanente e está sempre presente em tudo o que existe e tudo só existe porque a verdade é infinita. No entanto, em meio a tudo o que existe, a mentira persiste em negar o que a verdade é, mesmo sabendo, mas não admitindo, que nunca poderá vencer, visto que a mentira é só embuste em si mesma; na verdade, ela é o cúmulo do egoísmo, o próprio inferno pútrido, nada mais.

Não existe verdades, mas a Verdade. Ela se faz presente em todas as coisas sem ser todas as coisas, porque está acima de todas as coisas. Entretanto, Ela se dá a conhecer a quem a ama acima de todas as coisas. A quem nela crê e se deixa conduzir por Ela, nasce de novo para a vida eterna. Ora, estes não se prendem às coisas passageiras, mas apenas delas usufrui para o bem de todos; porque tudo o que existe só existe em função do devir. Assim, o tempo existe em função da eternidade; as coisas materiais existem em função das coisas eternas; a vida humana existe em função da vida divina, etc. Porque se não fora assim, tudo o que existe de nada adiantaria, visto que aqui tudo tem fim; menos os valores eternos.

Então, quem é a Verdade? A Verdade é Jesus Cristo, o Filho de Deus, “manso e humilde de coração”; espetado vivo numa cruz, morto e ressuscitado. Porta estreita da Salvação, Único nome por quem os homens são salvos. “O Cordeiro de Deus Imaculado que tira o pecado do mundo”. O único que venceu e nos deu vencer com Ele, o pecado, o demônio, a morte e o inferno. O único que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo14,6); “Quem me vê, vê o Pai, Eu e o Pai somos Um” (cf. Jo 14,8-11; 10,30);Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia” (Jo 6,44); “Eu sou o pão da vida. Quem comer deste pão viverá eternamente”. (Jo 6,48.51b). Aquele que está conosco até a consumação dos séculos... E que virá para julgar os vivos e os mortos e o Seu Reino não terá fim... Quem é justo diga sim e permaneça praticando a justiça; quem não é justo, converta-se, pois ainda é tempo de conversão.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VIII)


AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VIII)


VASO ESPIRITUAL


Normalmente pensamos vasos como invólucros onde colocamos aquilo que é específico para o qual foram criados. Mas, quando tratamos da fé e daquilo que diz respeito à Deus e aos seus desígnios de amor, não tem como não usar de analogia (comparação) para dizermos algo que se refira à vontade de Deus e ao seu plano para a nossa salvação. De fato, Jesus muito usou de analogias em suas parábolas para revelar, não só a presença de Deus em suas ações, mas também o modo como Deus age na criação, para beneficiar nossas almas, libertar-nos do pecado, do poder do maligno e da morte, dando-nos assim a vida eterna para a qual nos criou.

Em Maria santíssima, Vaso espiritual, o nosso salvador encontrou tudo o que a criatura amada pode lhe oferecer para a realização do Plano de Deus para a nossa salvação. (cf. Lc 1,26-28). E nela, Ele, o Verbo de Deus, se fez carne e habitou entre nós; e a ela deu viver permanentemente habitada e conduzida pelo Espírito Santo, para fazer em tudo, a Santa Vontade de Deus Pai. De todas as criaturas, Maria santíssima é, de fato, o único Vaso infinitamente santo, pois nela não há pecado nem nunca houve; porque trabalhada pelo Oleiro Divino desde toda a eternidade, em vista de Seu Filho Santo, assim foi criada para que trouxesse a este mundo Aquele que nos santificaria com sua vinda bendita.

VASO DIGNO DE HONRA


Honrar é reconhecer o que de fato é. Ora, tudo o que é autentico é permanente, porque revela a fonte que gerou o que é. Todos os seres que Deus criou são únicos, porque não existem cópias no Reino de Deus. Sem dúvida alguma, nós, seres humanos, trazemos em nossas entranhas a unicidade do nosso criador e é isto que nos faz ser suas imagens e semelhanças autênticas. Diante de Deus ninguém pode se gloriar, mas podemos reconhecer a glória de Deus que se manifesta em seus filhos e filhas pela prática das virtudes eternas.

Assim sendo, quando honramos a Virgem Mãe de Jesus, reconhecemos nela a perfeição das graças que Deus lhe prodigalizou. Vejamos os exemplos a seguir: sua perfeita obediência para com o Criador ao aceitar ser a Mãe do Verbo Encarnado (cf. Lc 1,38); a perfeita sintonia com seu Filho amado na antecipação de sua hora no milagre das bodas (cf. Jo 2,3-5); a perfeita oferta que fez do seu Filho no patíbulo da cruz quando recebeu dele a maior de todas a graças, ser a mãe da Nova Criação (cf. Jo 19,25-27); e a perfeita sintonia com o Espírito Santo quando de sua vinda, conforme a promessa de Jesus, sobre toda a Igreja (cf. At 1,6-8.12-14). Por tudo isso, ó Virgem Santíssima, recebe a nossa honra e o nosso louvor “porque o Senhor fez em ti maravilhas, Santo é o Seu Nome”. “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”; mãe nossa, senhora nossa! Amém!

Vaso insigne de devoção


A verdadeira devoção tem como marca principal, a comunhão de coração, a participação no Plano Salvífico de nossa redenção, a vida vivida em permanente estado de graça, ou seja, totalmente conduzida pelo Espírito Santo de Deus. Então, quem é o verdadeiro devoto, devota? É alguém que ama a Deus profundamente, alguém que lhe obedece fielmente e se dedica a Ele de todo coração, e por isso, se põe ao Seu serviço, procurando viver em tudo Sua Santa Vontade.

Neste sentido, a Mãe de Deus e nossa Mãe, pela graça santificante do Senhor fez valer, por sua devoção ao Pai Celeste e ao Seu Filho amado, as palavras que Ele mesmo dissera: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). Portanto, admiramos a Santa Mãe do Senhor por sua devoção e total consagração ao Pai celestial e ao seu Filho, Jesus Cristo; procuremos, pois, imitá-la em sua santa devoção; porque nela são notáveis todas as qualidades divinas com as quais o Espírito Santo a cumulou e quer nos cumular também. Ó Maria, vaso insigne de devoção, rogai por nós!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PAZ NA DOR, ALEGRIA DA PRESENÇA DIVINA...


CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PAZ NA DOR, ALEGRIA DA PRESENÇA DIVINA...


A dor nunca foi bem aceita pela humanidade ou quem sabe, não foi ainda bem trabalhada pela grande maioria de nós; porque normalmente a dor é sinônimo de sofrimento e a nossa humanidade não aceita o sofrimento enquanto tal, pois está acostumada com o bem estar do prazer, uma vez que este traz certa satisfação instintiva que experimentamos na própria pele, isto é, fisicamente, emocionalmente, sentimentalmente e até espiritualmente; enquanto que dor e sofrimento são sinônimos de insatisfação ou incomodo, e as encaramos mais como uma espécie de punição ou castigo do que qualquer outra coisa que possamos imaginar.

De fato, ninguém neste mundo deixa de ter a experiência da dor e do sofrimento, isto porque a vida humana não consiste somente no bem estar, tão almejado por todos, mas nem sempre assimilado na mesma proporção; uma vez que a dor e o sofrimento, são causados por certas decisões que tomamos; e com isto, experimentamos as dores desta vida que poderão ser boas, quando as convertemos para um bem maior; ou péssimas, quando as tornamos tormentos torturantes e permanentes, que são as dores da alma, cicatrizes psíquicas difíceis de serem apagadas.

Pois bem, eis que estou no momento passando por dores físicas paralisantes devido a um acidente automobilístico que sofri, por conta da terrível imprudência de um motorista que invadiu a contra mão, fazendo um retorno proibido, levando-me a colidir de frente com a caminhonete que ele estava dirigindo. O motorista da caminhonete e sua acompanhante nada sofreram, graças a Deus; sofreram apenas danos materiais, nada que o seguro não repare. Quanto à mim, fui hospitalizado com fortes dores no peito, na coluna cervical e nas costelas devido à forte batida, pois que acionei os freios, mas não foi suficiente para evitar a colisão.

Não sei qual experiência fez o motorista que causou o acidente; mas, de minha parte tive uma profunda experiência da presença divina que me fez viver aquele momento como um momento sublime de fé, como algo único, de tal forma que estou extasiado até agora, com a confiança inabalável que me foi dada naquele instante e que me fez sentir o quanto Deus me ama e que Ele está no comando de todas as coisas, e que vela pelo caminho de seus filhos e filhas. (cf. Sl 1,6).

Descreverei agora a sensação que tive no momento da colisão. A princípio senti uma profunda paz e a presença de Deus me protegendo de tal forma que não senti medo algum; pelo contrário, senti uma alegria muito grande, incomum e diferente de todas as alegrias que já havia sentido, pois era como se eu estivesse no céu, por isso, não queria sair mais dali, fiquei em silêncio com os olhos fechados e com uma sensação maravilhosa de aconchego e proteção, algo indescritível, somente experimentado por quem faz pela experiência da morte conforme a vontade de Deus. Vivendo o que vivi, entendi na prática a passagem bíblica do Evangelho de São João onde Jesus nos revela como será nossa páscoa: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais.” (Jo 14,1-3). Assim, pude entender como a morte foi vencida por Cristo nosso Senhor, e como é maravilhosa a nossa partida para os braços de Deus, nosso Pai Eterno, ou seja, sem dor ou sofrimento algum, mas serena, cheia de paz e alegria, próprias dos que foram redimidos.

Sem dúvida alguma, a nossa fé católica é maravilhosamente prática, pois experimentamos imediatamente os efeitos dela naquilo que estamos vivendo como vontade de Deus em nossa vida. É justamente o que nos ensina São Paulo na carta aos Romanos: “Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios.” (Rm 8,28). São Tiago também nos ensina que precisamos viver tudo o que vivemos como uma experiência de fé para a nossa santificação, por isso, escreveu: “Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma.” (Tg 1,3-4).

Portanto, agradeço ao Senhor pelo que vivi e quero avivar ainda mais minha fé e meu amor ao Senhor, me consagrando mais do que já sou consagrado a Ele, que me deu a vida e a está conduzindo, segundo o seus desígnios, para a terra prometida onde os seus filhos e filhas, gozarão a felicidade eterna que lhes está reservada como herança santa. Por isso, convido a todos os batizados que não vivem a fé e aos não batizados, ao arrependimento e à confissão sacramental de seus pecados, a fim receberem o perdão e absolvição dos mesmos e poderem viver sob a chama ardente da misericórdia de nosso divino Salvador e Redentor, Jesus Cristo. Peço ainda a intercessão, da Virgem santíssima, mãe de Jesus e nossa mãe, para que nos acompanhe sempre nessa nossa caminhada decisiva até o Reino dos Céus, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai com o Espírito Santo, e de onde há de vir em sua glória para julgar os vivos e o Seu não terá fim. Amém! Vem, Senhor Jesus, vem!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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