VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

segunda-feira, 25 de março de 2013

SER, VIVER E FAZER, EIS A QUESTÃO...





SER, VIVER E FAZER, EIS A QUESTÃO...


Para nós que cremos e naturalmente aqui estamos, a vida é um lindo presente de Deus, mas também um constante aprendizado, seja no campo das ciências naturais, comportamentais, tecnológicas; seja ainda no campo das ciências teológicas. Apesar de toda inteligência e capacidades que Deus, nosso Criador, nos concedeu, ainda assim precisamos das evidências necessárias para constatarmos a veracidade de nossas descobertas e crenças.


Sem dúvida alguma, vivemos envoltos pelos sublimes mistérios de Deus, do homem e de todas as coisas existentes. Às vezes temos respostas intelectuais para tudo, menos para nossa vida pessoal e o que se sucede após o seu término. Pois, por mais que a razão humana chegue às conclusões óbvias sobre o que indaga, quase sempre esbarra no limite de sua finitude, com exceção da fé que nos faz ver e entender muito além de nossa razão obscura.


Nem tudo cabe no entendimento humano. Por mais explicações e evidências que tenhamos, ainda assim ficamos sem respostas para a vida e para quase tudo que a cerca. Isto acontece talvez pela falta de humildade e de fé do homem de não querer admitir a presença evidente de Deus na criação e mais diretamente em nosso viver, “porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos”, mesmo que os incrédulos e malfeitores não admitam isso. De fato, precisamos do dom da fé para nos atermos seguros de nossas convicções e assim convivermos com o Senhor e nos deixar conduzir por Ele, que nos ama e quer permanecer conosco numa profunda e constante comunhão de amor.


Então, quais os meios e evidências que Deus nos dá para isto? A primeira evidência somos nós mesmos e a própria obra da criação, porque somente em Deus nos sentimos seguros, visto que, fora de Deus nada nos sustenta nem mesmo os conhecimentos e as descobertas mais relevantes, porque com a morte tudo se esvai. A segunda e mais importante evidência é a vinda de Jesus Cristo, Seu Filho amado, ao seio de nossa humanidade como um de nós, conforme nos ensinou São Paulo: “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção filial. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus”. (Gal 4,4-7).


Então, o que precisamos fazer para termos a vida eternamente? Interessante essa pergunta, porque certa feita um jovem também a fez a Jesus, como lemos no Evangelho de São Mateus 19,16-22: em tal ocasião o Senhor recomendou àquele jovem que obedecesse aos santos mandamentos da Lei de Deus, ao que o jovem respondeu que já o fazia desde a mais tenra idade, porém, sentindo que ainda lhe faltava alguma coisa, perguntou ele a Jesus: “Que me falta ainda?”; e obteve como resposta: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me”. Ouvindo essas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens”.


E nós, o que precisamos também para seguir Jesus e termos a vida eterna Nele? Como ouvimos acima, precisamos obedecer aos santos mandamentos e fazer o bem para o qual fomos criados, sem acumularmos nada, pois, foi isto o que nos ensinou São Paulo:Sem dúvida, grande fonte de lucro é a piedade, porém quando acompanhada de espírito de desprendimento. Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto. Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições. Mas tu, ó homem de Deus, foge desses vícios e procura com todo empenho a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Conquista a vida eterna, para a qual foste chamado”. (1Tim 6,6-12).


Portanto, obedeçamos e façamos o bem, e não nos preocupemos se alguém nos criticar por fazermos tão pouco, o importante é que o nosso fazer seja um fazer para Deus. Agir e reagir são ações que dependem de cada situação; às vezes por medo, omissão ou culpa nos abstemos de fazer o bem que cada situação de nossa vida nos pede, porém, quando conscientes de nossa inocência não temos nenhum medo de fazê-lo, porque Deus que é o Senhor de nossa vida, se faz presente em nossa inocência e é o primeiro a nos incentivar a fazer tal bem que Ele mesmo nos dá a viver e realizar, como escreveu São Paulo:Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar”. E ainda: “Somos obras suas, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos”. (Fil 2,13; Ef 2,10).


Destarte, faz jus que nos perguntemos: em quem vivemos centrados? Qual é o fundamento de nossa vida e nossas ações? Se estamos centrados em Deus, por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, precisamos gozar de sua intimidade para que nossas ações sejam agradáveis a Ele que fundamenta a nossa vida, nosso existir. Porque quando nos encontramos em Cristo e permanecemos nele, só vamos aonde ele nos conduz, e a partir dessa singela condução, começamos a experimentar o céu que ele mesmo preparou para aqueles que o amam (cf. Jo 14,1ss). Porque, tudo o que começa em Deus, cresce e permanece Nele; tudo o que começa sem Deus, não perdura por muito tempo, porque o fruto da não presença de Deus é sinônimo de aborrecimento estéril e confuso, culminando com a morte injuriosa, sem mérito algum. É como está escrito no Salmo primeiro: “Porque o Senhor vela pelo caminho dos justos, ao passo que o dos ímpios leva à perdição”. (Sl 1,6).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.


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segunda-feira, 18 de março de 2013

FÉ, OBEDIÊNCIA, LIBERDADE, FELICIDADE...




FÉ, OBEDIÊNCIA, LIBERDADE, FELICIDADE...


Obedeço, quando essa obediência me conduz à verdadeira liberdade e a felicidade que dela advém. Mesmo sendo um dom, é preciso que aprendamos pela Sagrada Escritura como usá-lo, pois é assim que no ensina o Senhor que nos criou por amor e nos quer livres para amá-lo acima de todas as coisas. De fato, Deus nos deixa livres para fazermos nossas escolhas e tomarmos nossas decisões. Mas Ele nos orienta para não perdermos nossa liberdade; neste sentido, seus santos mandamentos nos ensinam que são para nós proteção; não cumpri-los significa tirar de nossa vida a proteção que o Senhor nos dá por nossa obediência a ele.

Com efeito, somos tentados a todo instante a não crer e a não viver em comunhão com Deus. Porém, prestem bem atenção, porque toda tentação é uma mentira, pois o inimigo de nossas almas, que está por trás delas, a princípio, esconde seus resultados nefastos, para em seguida apresentar o terrível gosto amago de nossos desvarios e revoltas contra Deus e o seu Cristo. Mas, o que Deus nos ensina na Sagrada Escrituras a esse respeito? Eis o que está escrito na primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação, ele vos dará os meios de sairdes dela” (1Cor 10,13).

E nos diz ainda na Carta de São Tiago: “Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. Ninguém, quando for tentado, diga: “É Deus quem me tenta”. Deus é inacessível ao mal e não tenta ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, meus irmãos muito amados” (Tiag 1,12-16).

Ora, o aprendizado espiritual para a nossa vida é de suma importância, visto que, aquilo que aprendemos para o nosso bem, é com amor que o aprendemos e praticamos. Nada faz mais uma vida feliz e transparente do que a verdade que nos é comunicada pelo Senhor por meio dos exemplos de fé contidos nas Sagradas Escrituras. O Catecismo da Igreja, falando sobre isso, nos ensina:“Obedecer ("ob-audire") na fé significa submeter-se livremente à palavra ouvida, visto que sua verdade é garantida por Deus, a própria Verdade. Desta obediência, Abraão é o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe, e a Virgem Maria, sua mais perfeita realização” (CIC § 144).

A Epístola aos Hebreus, no grande elogio à fé dos antepassados, insiste particularmente na fé de Abraão: "Foi pela fé que Abraão, respondendo ao chamado, obedeceu e partiu para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia" (Hb 11,8). Pela fé, viveu como estrangeiro e como peregrino na Terra Prometida. Pela fé, Sara recebeu a graça de conceber o filho da promessa. Pela fé, finalmente, Abraão ofereceu seu filho único em sacrifício”. (CIC §145). Assim, pela fé, Abraão obedeceu a Deus e cumpriu Sua vontade integralmente.

Também “A Virgem Maria realizou da maneira mais perfeita a obediência da fé. Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazida pelo anjo Gabriel, acreditando que "nada é impossível a Deus" (Lc 1,37) e dando seu assentimento: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38). Isabel a saudou: "Bem-aventurada a que acreditou, pois o que lhe foi dito da parte do Senhor será cumprido" (Lc 1,45). É em virtude desta fé que todas as gerações a proclamarão bem-aventurada. Durante toda a sua vida e até sua última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, sua fé não vacilou. Maria não deixou de crer "no cumprimento" da Palavra de Deus. Por isso a Igreja venera em Maria a realização mais pura da fé”. (CIC §148; §149).

Portanto, só obedece quem é livre e só é livre quem encontra Deus e permanece Nele. Todo escravo só faz o que lhe manda aquilo ou aquele que o prende. Por isso, muitos gostariam de poder decidir sobre tudo em sua vida, mas não o fazem por causa da liberdade que perderam quando optaram pelo pecado. Pois, a pior de todas as prisões que o ser humano se impõe, é o pecado. Assim, antes de tudo, o pecado é uma decisão pelo mau uso da liberdade e a perca dela. E todos que assim agem, o fazem pensando tirar algum proveito de seus atos pecaminosos, quando de fato, caem na armadilha dos próprios instintos e se perdem nos caminhos obscuros da maldade, por rejeitarem as graças de Deus.

Falando sobre a liberdade humana, no Evangelho de São João, Jesus disse: “Se permanecerdes na minha Palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos livrará”. No entanto, seus contendedores replicaram-lhe:”Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres?” Respondeu Jesus:”Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”. (Jo 8,31-36). “E voltou-se para os seus discípulos, e disse: Ditosos os olhos que veem o que vós vedes, pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram. Bem-aventurado aquele para quem eu não for ocasião de queda!” (Lc 10,23-24; Mt 11,6).


Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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quarta-feira, 13 de março de 2013

É PRECISO UM OLHAR DE MISERICÓRDIA...




É PRECISO UM OLHAR DE MISERICÓRDIA...


Lançar um olhar sobre a miséria humana é procurar ver com os olhos da alma, do coração a condição de quem se aproxima de nós ou nos aproximamos deles. Na parábola do bom samaritano, um sacerdote, homem do Altar, passando por certa localidade, viu um homem ferido caído ao chão, mas decidiu seguir adiante pelo outro lado sem socorrê-lo; de igual modo, um Levita, homem da Palavra, viu aquele mesmo ferido, mas esquivou-se dele também sem o socorrer. Um samaritano, isto é, um homem de Samaria, que não fazia parte do povo de Deus, viu aquele homem agonizante e teve compaixão dele, socorre-o e deu-lhe toda assistência necessária para que se recuperasse. E Jesus concluiu sua parábola a respeito de quem é o nosso próximo, dizendo a um fariseu que o havia indagado sobre isso: “Vai, e faze tu o mesmo” (Lc 10,37b).

Todos nós recebemos de Deus no batismo as graças necessárias para vermos os outros conforme a necessidade que nos se apresenta ou que apresentamos a eles. Porque, ao nos aproximarmos de alguém, há sempre a possibilidade de dar ou receber seja lá o que for. Às vezes, dada a urgência da necessidade, cada um busca algo que a supra, seja no campo material ou afetivo. Por exemplo, há os que só buscam tirar vantagens materiais dos outros se aproveitando da ingenuidade ou mesmo da generosidade deles; há também os se apegam aos outros se deixando levar pelo sentimento de possessividade, impedindo, com isso, um bom relacionamento ou até mesmo atrapalhando a vida do outro, etc. No entanto, as abordagens se dão a partir do estado de alma em que cada um se encontra. Ora, nós vivemos numa sociedade tão individualista, preconceituosa e violenta que procuramos ver os outros já com um pé atrás, isto é, desconfiados ou como inimigos, se não temos convivência com eles.

Pensando bem, não podemos seguir as regras esdruxulas dessa sociedade hodierna, quase que totalmente desprovida dos valores cristãos que devem nortear nossa vida. De fato, precisamos lançar um olhar de misericórdia sobre essa nossa sociedade enferma pelo secularismo estéril, repleta de ativismos infames, que chega até descaracterizar e corroer a natureza humana. Pois, só os que se deixam curar pela misericórdia divina é que podem transmitir o que receberam a partir da gratuidade de sua fé, visto que, estes também se deixam conduzir pelo Espírito Santo de Deus, como bem enfatizou São Paulo na sua carta aos Romanos (cf. Rom 8,12-14).

Quanto àqueles que de certa forma se aproximam de nós só para tirar algum proveito ou até nos agredir, precisamos agir em Deus, para termos um discernimento apropriado, de modo que cada um assuma a postura de alguém que precisa reativar os valores eternos recebidos no batismo, se são batizados, e que talvez se encontrem adormecidos pela falta de prática da fé. Certamente nenhum de nós é a solução material para os outros, todavia, podemos ajudá-los a encontrar não somente essa solução, mas principalmente a solução para a sua vida diante de Deus, ou seja, para melhorar, quem sabe, o estado precário de sua alma e de sua vida, como aconteceu com o bom samaritano que teve compaixão do homem ferido à beira do caminho.

Revendo essa parábola, precisamos entender que, o que é fundamental num encontro é que este seja um encontro com Cristo: “Quando fizestes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizeste”. Podemos até dizer da dificuldade de se fazer hoje em dia um encontro como esse; mas, se antes eu não me encontrar pessoalmente com o Senhor na minha oração e nos sacramentos, especialmente a Eucaristia, tão pouco poderei encontrá-lo caído à beira do caminho na pessoa do próximo, seja qual for sua condição existencial. Isto porque cada um só dá o que tem. Ora, se vivo em Cristo, então, tudo faço movido por ele.

Portanto, em nossa piedade e penitência, podemos dizer que vivemos muito próximo do Senhor, mas é preciso caminhar com Ele e sentir o nosso coração arder como ardia o coração dos discípulos de Emaús. Assim podemos afirmar que convivemos com o Cristo ressuscitado, porque Ele arde nas entranhas de nossas almas, como afirmava São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Ora, se Ele vive em mim, é possível por Ele, vê-lo na pessoa do próximo, mas isto só se dá quando permanecemos Nele e lançamos um olhar de misericórdia sobre o próximo e a situação em que se encontra; sem isto, de fato, nos sentimos inseguros e incapazes de qualquer boa ação.


Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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sábado, 9 de março de 2013

O QUE EU VEJO, SENHOR?




MEU OLHAR SOB TEU OLHAR, SENHOR... (Lc 10,25-37)

Dá-me, Senhor, por amor de teu nome enxergar as tuas criaturas como Tu as enxergas...

Pois, o que eu vejo nelas? Com que olhar, olho as tuas criaturas, os acontecimentos e tudo ao meu redor? E, qual a influência de tudo isso em minha vida? O que preciso para enxergar a essência das pessoas e das cosias com quem me relaciono? Será que preciso dá mais tempo para isto? Será que é preciso a mudança dos outros ou dos acontecimentos ou ainda minha própria mudança, para que eu atingir o âmago de tudo e de todos? Ó Senhor, são tantas perguntas e tão poucas respostas que penso: creio que estou errando o alvo onde devo mirar, para encontrar as respostas que tanto desejo.

Lançar só um olhar não é suficiente, porque muitos enxergam somente o que querem enxergar, ou o que lhes agrada aos olhos. Talvez seja pela curiosidade, ou quem sabe por interesses pessoais, ou ainda porque buscam novidades. O fato é que, “o essencial é oculto aos olhos”. Como seria bom que o nosso olhar fosse sempre um olhar de misericórdia, cheio de bondade ou quem sabe um olhar de fé, de compreensão, de sabedoria, etc...
Ao que parece, quando olhamos os outros e não temos familiaridade com eles, enxergamos uma ameaça ou alguém que quer tirar nossa liberdade ou mesmo nos importunar. Ou será por que não queremos nos comprometer? Realmente, precisamos ficar atentos, porque muitas vezes o que vemos e ouvimos atentamente nos leva a enxergar o que nossa miopia espiritual teima em não querer ver.

Vinde e vede”, é o convite do Senhor à vida comunitária, à comunhão fraterna. De fato, nossa experiência existencial nos diz que precisamos conhecer melhor para nos relacionar melhor, principalmente aquilo que o amor nos ensina. A visão de Deus em nossa vida se dá pela obediência, que significa para nós amor e fidelidade aos seus mandamentos. Quando temos familiaridade com o Senhor, agimos a partir de sua vontade em nossa vida, porque tudo o que Deus nos ensina é agradável e nos faz bem. E para que isso aconteça, Deus nos deu o dom da oração como a maneira mais fácil de termos familiaridade com Ele, pois a oração é para a nossa alma, olhos, ouvidos e boca. Por Ela, falamos com o Senhor, ouvimos sua vontade e contemplamos sua glória.

O que ou quem você encontra em sua oração? Com efeito, a experiência de Deus é permanente nós é que a interrompemos com nossas desventuras e infortúnios. Olhar o Sagrado com os olhos de nossa alma pela oração é contemplar a Deus e participar de suas maravilhas diretamente, pois a maior alegria da alma é ver a Deus face a face e permanecer imersa Nele. Assim, posso dizer em minha oração: Senhor, quando olho para Ti, não me falta nada, porque em Ti tenho tudo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.

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terça-feira, 5 de março de 2013

O TEMPO DO HOMEM E O TEMPO DE DEUS...




O TEMPO DO HOMEM E O TEMPO DE DEUS...

Existe um tempo, dois tempos, três tempos...
Mas todos os tempos são apenas o tempo...
Porque o tempo é existência que passa, que vai adiante...
Que não para nem mesmo quando o fim de uma história acontece...
Porque já chegou a eternidade para ela...
Pois a missão do tempo é nos levar para a eternidade mesmo...
E com toda certeza ele cumpre perfeitamente sua missão...

Deus é Eterno,
e criou o homem no tempo para a eternidade...
Ora, aquilo que para nós é temporário, para Deus não é...
Por isso, precisamos viver por Ele e para Ele todo tempo que temos...
E mais ainda, tudo o que para nós é mistério,
é plenamente conhecido por Deus...
Porque Ele que fez a essência de tudo o que existe...
E tudo o que existe, só existe porque Deus dá existência...

Todavia, não confunda o bem com o mal,
porque o mal não vem de Deus...
Antes, saiu Dele como bem, mas tornou-se mal...
e como mal se perpetuará...
E ai de quem o seguir na estrada da maldade...
Terá por castigo a mesma eternidade da maldade que impôs...

Então, precisamos ficar atentos...
Porque com o tempo e o bem que somos...
Deus nos deu também a capacidade de que dispomos...
Para trabalharmos com afinco a nossa salvação...
Por isso, precisamos aproveitar todo o tempo e capacidade...
Para nos firmarmos na verdade que fundamenta nossa vida em Deus...

E a verdade que fundamenta nossa vida é Cristo Jesus,
O Filho de Deus e da Virgem Maria...
Que disse um dia com suas Palavras Eternas:
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”.
Assim é e sempre será, porque ninguém pode mudar o que Deus falou...

Com efeito, hoje vemos como num espelho...
Todavia, no dia eterno, veremos como tudo é em sua essência...
E o que hoje conhecemos com carência,
na eternidade conheceremos face a face...
Porque, na verdade, a nossa realidade natural...
é apenas o começo da Realidade Eterna que nos espera para ela...
Porque Deus que nos ama tudo dispôs para o nosso bem,
desde que o amemos acima de todas as coisas,
no cumprimento de sua vontade como convém...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA




O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA

Todos nós podemos dizer sim a Deus, porém, de que forma e com que objetivo? E, em que resulta este nosso sim? Como podemos saber isto? Todo sim dado a Deus tem uma história de vida por trás dele, isto significa que os acontecimentos de nossa existência não são por acaso. De fato, por termos origem divina, tudo em nosso ser e existir transpõe os limites de nossa natureza, por isso, o nosso viver depende das escolhas e decisões que tomamos, baseados nos dons que de Deus recebemos. Todavia, não podemos nunca excluir Deus dessas escolhas e decisões, pois se o fizermos fatalmente nos destinamos à ruína eterna, visto que sem Deus nada subexiste  por muito tempo, porque somente em Deus permanecemos eternamente. 

Bem nos ensinou São Paulo a esse respeito, quando disse: "O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser..." (At 17,24-28a). 

De fato, segundo as Sagradas Escrituras, como vimos, a história humana começou com Adão e Eva, e depois do pecado destes, prosseguiu com seus descendentes até Deus Pai escolher um povo, na pessoa de Abraão, para amá-lo e servi-lo, e fazer nascer dele um salvador para toda a humanidade e toda criação; cumprindo assim, a promessa de salvação que havia feito aos nossos primeiros  pais, Adão e Eva, depois que pecaram (cf. 3,15). Desse modo, "quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção" (Gal 4,4-5). Ora, se Deus quis assim se fazer cumprir a sua vontade na Obra da Criação, é porque não quis fazer nada sem a nossa cooperação.

Agora, meditemos sobre o Sim de Maria, pois ele é o que há de mais original, em termos de cooperação com Deus, na história da salvação. O Sim da Virgem Mãe significa que nela se cumpriu todas as promessas que Deus havia feito aos Antigos Patriarcas, dos quais ela descende. Pois, com os Patriarcas Deus fez alianças, lhes deu uma Lei Sagrada, uma terra prometida e todos os favores para permanecerem fiéis e em comunhão com Ele. Mas, como não observaram suas leis e mandamentos, o Senhor enviou seus profetas que lhes anunciou com mais ênfase ainda a vinda do salvador prometido. Com efeito, o Profeta Isaías, assim profetizou: "Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco". (Is 7,13-14). 

Com efeito, em cumprimento a essa profecia de Isaías, Deus enviou o Anjo Gabriel para anunciar à virgem Maria o nascimento de Seu Filho, Jesus Cristo (cf. Lc 1,26-38); este fato nos mostra claramente que os céus e a terra estão unidos, pois Deus veio habitar no meio de nós. Desse modo, podemos afirmar com toda convicção, que todos os acontecimentos que se deram depois da Encarnação do Verbo, tem seu fundamento na Vontade de Deus por meio do Sim de Maria:"Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". Assim, a partir desse Fiat (faça-se) da Santíssima Virgem, o Espírito Santo gerou Jesus em seu ventre, e o Deus Conosco  (Emanuel), tornou-se carne de sua carne e sangue de seu sangue (cf. Lc 1,26-38). Também a partir desse sim de Maria, Jesus foi apresentado ao Pai, por Simeão, no templo de Jerusalém; João Batista o apontou como o "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (cf. Jo 1,29). Enfim, e por sua intercessão materna Jesus fez o primeiro milagre, antecipando sua hora de manifesta-se como o Messias enviado por Deus (cf. Jo 2,1012).

E confirmando ainda mais o seu Sim, em seu mais sublime ato de amor ao Pai, Maria ofereceu seu amado Filho, Jesus Cristo, no altar da Santa Cruz como nosso Redentor, assumindo com Ele o múnus sacrifical, e recebendo Dele a missão de Mãe da humanidade, como a Nova Eva (cf. Jo 19, 23-27). E vivendo mais intensamente o seu Sim, Maria Santíssima com os Apóstolos no Cenáculo, assistiu o nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo na Teofania de Pentecostes (cf. At 1,12-14; 2,1-13); acompanhou a evangelização dos Apóstolos, o nascimento dos primeiros escritos destes; o crescimento do rebanho do Senhor; até que foi elevada ao céu em corpo e alma, conforme a vontade de Deus (cf. At 2,31).

O que dizer ainda mais do Sim de Maria? Todos os milagres de Cristo e dos Apóstolos; a revelação do Reino de Deus e de sua Justiça anunciada por Jesus; a pregação da Palavra em todo mundo conhecido; o perdão dos pecados estendido à todos os pagãos; a instituição dos Santos Sacramentos, em especial, a Eucaristia, o sacerdócio e a Santa Missa, enfim, todos os homens e mulheres que se santificaram ao longo da história da Igreja, tiveram sua gênese no Sim de Maria, ela que se fez "a serva do Senhor". Tudo o que vimos no seu Filho, tudo o que Ele fez e faz hoje e sempre, nasceram do Sim da Teotokos (Mãe de Deus).

Portanto, o Sim de Maria é o Sim fundacional da Nova Criação, da Nova Humanidade. Maria é para nós o milagre vivo de Deus; ela é a porta do céu, por onde Deus entrou no seio da humanidade e permanece conosco até o fim dos tempos. E mais ainda, em Maria e em seu Filho Jesus Cristo, Deus Pai nos deu não somente o Modelo Perfeito que sempre quis para a humanidade, mas também o Dom do Espírito Santo no novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, para que assim fôssemos adotados como seus filhos e filhas amados. 

Destarte, meditemos mais um pouco sobre o Sim de Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe, com suas próprias palavras: 

"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre". (Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIII)

 


AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIII)

Rainha dos Anjos

A oração, como dádiva do Espírito Santo em nossa alma, sempre foi e sempre será o dom que mais nos aproxima de Deus, especialmente quando nos dedicamos a ela ou pedimos a intercessão da Virgem Mãe, e dos santos e santas. Por esse dom, gozamos da intimidade divina e de todas as graças que Deus dispõe à nosso favor. Ora, nenhuma criatura é mais íntima de Deus que a Santíssima Virgem Maria, pois, Deus mesmo gerou em seu ventre Seu Filho amado, aquele que é o Senhor e Rei do céu e da terra, e fez de sua Mãe rainha dos anjos, dos homens e de todos os santos e santas de Deus.

Existe uma oração belíssima dirigida a Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, pedindo sua intercessão, na luta contra o pecado e contra as hostes do maligno  os anjos decaídos; a fim de nos mantermos de pé diante do Altíssimo, para caminharmos sempre pelo caminho da salvação com o auxílio dos santos anjos, guiados pela Virgem Mãe. Essa oração foi confeccionada pelo Padre Luis Eduardo Cestac, fundador da Congregação das Servas de Maria (Anglet); e depois, "foi aprovada por vários Bispos e Arcebispos. Em 8 de junho de 1908, o Papa São Pio X concedeu 300 dias de indulgência a todas as pessoas que a recitarem".(*)

Eis a oração: "Augusta Rainha do Céu e altíssima soberana dos Anjos, vós que desde os primórdios recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos, enviai vossas santas legiões de Anjos, a fim de que à Vossa Ordem e pelo vosso poder persigam os espíritos infernais e em toda a parte os combatam, confundindo-os em sua arrogância e arrojando-os para o abismo".(*)

Rainha dos Patriarcas

Com o pecado de Adão e Eva, Deus foi, como que posto de lado, por causa do pecado, pois em Deus não há pecado. Deus, porém, em seu infinito amor jamais abandonou o homem nesse seu infortúnio, pelo contrário, teve compaixão e prometeu um salvador (cf. Gen 3,16) que viria a este mundo para libertar a humanidade e toda criação. Ao longo da história humana Deus renovou constantemente sua promessa, fazendo alianças com os homens, até que se cumprisse plenamente o que houvera prometido; assim foi com Noé, Abração, Isaac, Jacó, Moisés e todos justos que vieram depois deles. 

Com a encarnação do Verbo, no seio virginal de Maria, Deus cumpriu a sua promessa e se estabeleceu definitivamente no meio de nós. De fato, Jesus mesmo nos ensinou:"Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram". (Mt 13,16-17). Desse modo, compreendemos que em Maria, Deus cumpriu o que houvera prometido aos Antigos Patriarcas, enviando o Messias nascido de seu ventre. Assim, Jesus é a plenitude do cumprimento dessa promessa; e por ele, Maria tornou-se Mãe e Rainha de todo o povo de Deus, desde os santos Patriarcas do Antigo Testamento, até nós que formamos a Igreja da Nova e Eterna Aliança, firmada em Seu Sangue Redentor.

Rainha dos Profetas

Por que Maria é invocada como mãe dos profetas? Porque "a grande missão de todos os profetas foi anunciar ao mundo a vinda do Salvador, e Maria sempre esteve no coração desta grande profecia". No início do Evangelho de São Mateus, Deus confirmou essa verdade revelando-a a São José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo.  Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor falou pelo profeta:  Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco”  (Mt 1,20-23).

De fato, à todos os profetas Deus sempre se deu a conhecer como "Deus conosco", isto é, o sempre presente, porém, na Encarnação do Seu Verbo, Deus foi além, tornou-se "carne de nossa carne e sangue de nosso sangue", obviamente no seio da santíssima Virgem Maria. Assim, os profetas tiveram um papel fundamental na revelação desse Grande Mistério e do seu anúncio, e Maria como Mãe do Salvador, tornou-se Rainha de todos esses profetas que hoje se encontram no paraíso, participando do Reino de Deus. Por fim, como Rainha dos Profetas, ela mesma assumiu esse dom da profecia quando profetizou as maravilhas de Deus, no seu belíssimo Cântico do Magnificat (cf. Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

(*)(http://saopio.wordpress.com/2008/01/25/oracao-a-rainha-dos-anjos/)



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sábado, 16 de fevereiro de 2013

A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tiag 2,26)




A FÉ SEM OBRAS É MORTA (Tiag 2,26).

A fé verdadeira crê e espera mesmo quando não entende...
Porque vê além das aparências...
Pois percebe o novo que vem de Deus sempre, 
e permanece em sua presença constantemente...
Contemplando o seu desígnio redentor...

Assim, crer é um profundo ato de obediência e amor...
Que reverentes prestamos ao nosso Criador e Pai de nossas almas...
Não podemos dizer que não o conhecemos...
E que não temos nada com Ele...
Porque sem Ele nada somos e nada podemos...
Pois, todo poder sobre o céu e sobre a terra, 
pertence unicamente ao Senhor...
E ai de quem dele queira se apossar...
Porque, por mais que alguém se esforce... 
Um dia chegará seu fim e nada lhe restará, 
a não ser a prática do bem que de Deus recebeu para à Ele ser fiel...
Caso contrário, será julgado pelos os atos nefastos que praticou...

Na alma humana não há espaço para a graça e o pecado...
Assim como não há união entre a luz e as trevas...
Também não há comunhão entre o bem e o mal...
Porque o bem vem somente de Deus; 
e o mal somente do mal...
Portanto, não existe o mal em Deus...
E como não existe em Deus, 
todo o mal que há será precipitado na geena eterna...

Quanto ao mal que é praticado no tempo, 
se perpétua definitivamente após o julgamento...
Porque na eternidade, após a sentença final, 
não há mudança de condição...
Quem plantou o trigo da bondade divina, 
colherá da bondade divina a felicidade eterna...
Quem plantou o joio da discórdia e divisão, 
colherá seu quinhão de perversão infinitamente...

Portanto, não queira ir para o abismo infernal desde já, 
pela prática da maldade que há neste mundo...
Que o teu sim, seja sim, e o teu não, seja não...
O que passa disso vem do Maligno. (cf. Mt 5,36)...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

EM MEIO À ESSA TRAGÉDIA, TENHAMOS UMA FÉ INABALÁVEL...


EM MEIO À ESSA TRAGÉDIA, TENHAMOS UMA FÉ INABALÁVEL...

Diante de certos acontecimentos circunstanciais, como por exemplo a tragédia na cidade de Santa Maria no Rio Grande do Sul, ficamos como que estupefatos, chocados e também sentindo a dor e o sofrimento daquelas famílias. Porém, em meio a tudo isso, precisamos refletir bastante sobre como nossa vida é efêmera e de quanto precisamos valoriza-la enquanto aqui estivermos. Quem sabe, talvez nenhum daqueles jovens pensou que a morte estivesse tão próxima. De fato, eles foram ali em busca de diversão, encontrar os amigos, curtir mais uma balada, ouvir música, dançar, tomar uns drinks, festejar, namorar, etc., como é costume entre os nossos jovens. E no entanto, encontraram uma morte tão trágica e desproporcional.

Culpados pela tragédia? Quem? Os donos da boate? Os músicos? O local? As autoridades? Os jovens? No momento a dor é tanta que ficamos atordoados, quem sabe, procurando uma explicação ou um entendimento para esse acontecimento tão trágico e inesperado. De fato, existem culpados, mas mesmo que se punam todos os culpados por essa tragédia, nada trará de volta a vida dos jovens que foram ceifados tão dolorosamente em seus sonhos e projetos existenciais. Porém, precisamos aprender, tirar uma lição em meio a tudo isso. E que lição tiraremos desse triste episódio? Creio que muitas lições, uma delas diz respeito a própria vida, pois ela nos é dada, mas naturalmente podemos perdê-la a qualquer momento, isto porque, estamos aqui, mas não somos daqui. Por isso, não podemos viver como se fôssemos somente daqui sem pensar no devir, ou seja, não podemos viver como se não tivéssemos uma eternidade à nossa frente.

Uma outra lição que tiraremos dessa tragédia: não podemos confiar em quem faz do lucro monetário o alicerce de sua vida e por isso pouco se importa com a segurança e a vida dos demais; nem tão pouco confiar nas autoridades que usam os cargos públicos para enriquecimento ou apenas para galgar status social de destaque. Estes visam apenas se perpetuar no poder, como diz o ditado popular, “não querem largar o osso, enquanto houver um mínimo de carne nele”, pouco importando se estão dando cabo das responsabilidades que lhes confiamos com nossa escolha democrática. Todavia, ai daqueles que apenas usufruem das benesses do poder, como regalias pessoais e outras facilidades de tais cargos públicos, deixando que os menos abastados morram à míngua, ou se acabem em tragédias como essa. Ai das autoridades que assim procedem, pois naquele dia ouvirão do Senhor: “Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!”. (Mt 7,23b).

Por outro lado, podemos tirar ainda uma lição que nos fará enfrentar tais dificuldades com profunda determinação e sem perdermos a ternura ou o ânimo pela vida. Pois, quantos jovens ali não se tornaram heróis dando a vida para salvar outros jovens que estavam precisando de sua ajuda? Quanta solidariedade, orações, súplicas, devoções pelas vidas que se foram e pelas famílias enlutadas? De fato, nessas horas, revelamos a fé em Deus que nos sustenta, o amor que nos faz solidários e a consolação que nos faz dar o ombro amigo à quem dele necessita ou ainda chorar com os amigos, os entes queridos que se foram. Só sabe a dor da cruz que é crucificado nela, mesmo sendo inocente; porém, nunca podemos esquecer que o Filho de Deus nos ensinou carrega-la rumo à ressurreição, ao Reino dos céus...

A nossa fé em Cristo Jesus nos ensina, a vida é um dom de Deus e devemos vive-la para a sua maior glória em todos os sentidos. Viver para este mundo é morrer a cada segundo; viver para a eternidade é viver em Deus, com Deus e para Deus todo tempo que temos aqui, ou seja, é fazer acontecer o devir a cada passo dado em direção à vida eterna. Que seja este o nosso consolo e a nossa resposta para toda dor e sofrimento que aqui suportamos, mesmo quando não entendemos.

Com efeito, escreveu São Paulo: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus.

Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos”. (Rom 8,18-25).

Por fim, me solidarizo e rezo por todas as famílias que estão sofrendo a dor dessa tragédia, pois a sinto como se fosse minha própria família; suplico ao Senhor que em seu infinito amor nos console e nos dê a graça da perseverança em Cristo Jesus. Pedimos ainda a intercessão da Virgem Santíssima, Maria, mãe de Jesus e nossa mãe, por aqueles que partiram, e que já estão na eternidade, para que lhes seja dado o perdão dos pecados e ressurreição que Jesus nos conquistou por sua morte de cruz. À Ti, Senhor, seja a glória e a majestade aqui e por toda eternidade. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

COMO DEVO ME COMPORTAR NA SANTA MISSA?



SÉRIE MEDITAÇÕES

COMO DEVO ME COMPORTAR DIANTE DO SENHOR NA SANTA MISSA?

Os fariseus perguntaram um dia a Jesus quando viria o Reino de Deus. Respondeu-lhes: O Reino de Deus não virá de um modo ostensivo. Nem se dirá: Ei-lo aqui; ou: Ei-lo ali. Pois o Reino de Deus já está no meio de vós”. (Lc 17,20-21). De fato, o Reino de Deus já está no meio de nós e sua parte visível no mundo é a Santa Igreja, constituída por Cristo e seus legítimos representantes na pessoa do Santo Padre, dos bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e todo o Povo de Deus.

É na Igreja que renascem para a vida eterna os filhos e filhas de Deus, pelo santo batismo; nela se encontra também todos os outros sacramentos que comunicam a graça santificante para que o homem novo, gerado pelo Espírito Santo, possa viver conforme as virtudes eternas que lhes são comunicadas pelo Senhor nesses mesmos sacramentos. Desse modo, a Igreja é o Corpo de Cristo, do qual Ele é a Cabeça e nós somos os seus membros (cf. Col 1,18). Por isso, é Jesus mesmo quem conduz a Sua Igreja por meio do Espírito Santo agindo nos seus legítimos representantes (cf. Mt 16,15-19;28,18-20).

Um dos últimos atos de Jesus neste mundo, nós meditamos quando rezamos o terço no quinto mistério luminoso, que foi a instituição da Eucaristia, do sacerdócio e da santa missa (Mt 26,26-29; 1Cor 11,23-26). Na celebração da Santa Missa o sacerdote repete o único e perfeito sacrifício da nossa redenção, para fazermos memória do Crucificado como Ele mesmo nos mandou: “Fazei isto em memória de mim”. (cf. Mt 26,26-29). Ora, por esse Sacrifício de Amor somos purificados de todos os pecados e libertados de todos os males, por isso, é inestimável o valor sacrifical da Santa Missa. Pois Jesus, ao derramar seu preciosíssimo sangue no calvário por nós, se ofereceu ao Pai uma vez para sempre e pediu aos apóstolos e seus sucessores que fizesse o mesmo que ele fez, para que participemos de sua natureza divina (cf. 2Ped 1,3-4).

São Paulo assim se expressou sobre o Santo Sacrifício da Missa: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha”. (1Cor 11,23-26).

Por isso, recomenda: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos. Se nos examinássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, sendo julgados pelo Senhor, ele nos castiga para não sermos condenados com o mundo”. (1Cor 11,27-32).

Então, qual deve ser a nossa postura diante do Senhor na Santa Missa? A postura de quem se encontra com Deus e permanece Nele. Realmente, se meditarmos com precisão os acontecimentos litúrgicos da Santa Missa, veremos que neles nos são comunicadas todas a graças. Nela contemplamos as cortes angelicais e todos os santos e santas presentes em adoração conosco à Santíssima Trindade; contemplamos também a Santíssima Virgem Maria Coroada como Mãe e Rainha de toda a humanidade, e os Apóstolos de Cristo com o galardão que o Senhor lhes prometeu; contemplamos ainda Abraão, Isaac e Jacó e todos os outros patriarcas e justos do Antigo Testamento coroados de glória. E tudo isso numa única celebração Eucarística. Enfim, na Santa Missa o céu nos vê e se puros de coração (cf. Mt 5,8) nós também vemos o céu e Deus em seu Trono com o seu Cordeiro Imolado que tirou o pecado do mundo e nos deu habitar com ele no Infinito de sua Glória. Por isso, quem vive a Santa Missa assim não vive para si mesmo, mas para o Reino de Deus e seu louvor.

Portanto, a Santa Missa é o céu aqui na terra, nela somos acolhidos por Deus, somos perdoados no ato penitencial, instruídos por sua divina sabedoria na liturgia da Palavra; alimentados com o seu Divino Corpo e Sangue, Alma e divindade; e por isso, santificados por sua divina presença em nós, e assim envidados como fiéis testemunhas de sua morte e ressurreição e do mundo novo que há de vir.

Por fim, meditemos o que recomendou São Luís, o rei de França, ao seu filho, para que vivendo também desse modo, possamos fazer em tudo a vontade de Deus: “Caro filho, antes de tudo começo por ensinar-te a amar o Senhor, teu Deus, com todo o coração, com todas as tuas forças, porque sem isso ninguém tem valor. Filho, deves evitar tudo quando sabes desagradar a Deus, quer dizer, o pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal. Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuida de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade, mas roga ao Senhor devotamente quer pelos lábios quer pelo coração”. (São Luís de França).

Destarte, como seria bom que os participantes nunca chegassem atrasados na Santa Missa, isto é, que pelo menos chegassem quinze minutos antes para se preparar melhor para o Santo Sacrifício incruento (sem derramamento de sangue) do Senhor; e que prestassem atenção a todos os acontecimentos litúrgicos com piedade e retidão; como seria bom se abrissem o coração para ouvirem realmente a voz do Senhor, seja nas leituras lidas e na homilia, seja nas orações feitas, nos cânticos, e na consagração eucarística. Enfim, como seria maravilhoso se todos participassem da Santa Missa sem distração alguma para aproveitarem o céu que Deus nos dá experimentar nesse santo momento por nossa total atenção e adesão a Ele.

São Leonardo de Porto Maurício, ardoroso apóstolo da Santa Missa, nos deixou o seguinte ensinamento sobre como se comportar em nossas celebrações: "Eis o meio mais adequado para assistir com fruto a Santa Missa: consiste em irdes à igreja como se fôsseis ao Calvário, e de vos comportardes diante do altar como o faríeis diante do Trono de Deus, em companhia dos santos anjos. Vede, por conseguinte, que modéstia, que respeito, que recolhimento são necessários para receber o fruto e as graças que Deus costuma conceder àqueles que honram, com sua piedosa atitude, mistérios tão santos." (São Leonardo de Porto Maurício. Tesouro Oculto)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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