VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

terça-feira, 14 de março de 2023

QUANTAS VEZES DEVO PERDOAR?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(14/03/23)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos apresenta o tema do Perdão como condição "sine qua non", para a nossa salvação, ou seja, sem o qual não há salvação. De fato, o perdão é o cancelamento total das ofensas e do mal praticado, e é isso o que Deus faz conosco por meio do Seu Filho amado, como nos ensinou são Paulo: "Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo." (Rm 3,22-24).

Com efeito, no Evangelho de hoje Pedro faz uma pergunta ao Senhor Jesus apresentando o máximo que para ele seria possível ao ser humano perdoar: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete." (Mt 18,21-22). Ou seja, o perdão é tão precioso e tão essencial para o bem estar de nossas almas que jamais podemos limita-lo. 

Em seguida o Senhor contou uma Parábola fazendo uma analogia entre o perdão que de Deus recebemos e o perdão que devemos dar àqueles que nos ofendem; e no exemplo dessa Parábola, o empregado não perdoou o seu devedor que pouco lhe devia, mesmo tendo sido perdoado de sua enorme dívida. Por isso, foi condenado. E o Senhor concluiu: "É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão." (Mt 18,35).

Portanto, caríssimos, eis que o Senhor nos dá o entendimento preciso deste seu ensinamento: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também." (Lc 6,36-38).

Destarte, ao seguirmos esse ensinamento do Senhor Jesus, aprendemos que perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus decididamente, por isso, quem ama perdoa sempre e é inatingível pelas ofensas sofridas, porque não as carrega na alma e nem a imagem negativa de seus algozes, mesmo que seja pregado numa cruz.

Uma vez que Deus nos criou por amor e somente para amar, por isso, não existe paz num coração que não perdoa; porque perdoar é uma decisão da alma fortalecida pela graça da misericórdia divina que a preenche em todos os sentidos, não deixando espaço para os ressentimentos e mágoas advindas da falta de perdão.

Amados irmãos e amadas irmãs, como estamos constatando este mundo vive mergulhado no ódio e por consequência na violência e na morte; e tudo isso por falta de amor e perdão, pois uma alma que vive sem a graça do perdão nela, é uma alma destruída, sem vida, que se encaminha para o caos.

Mas, como mudar tudo isso? Só é possível mediante a conversão, ou seja, a volta ao estado de graça amparados pelo perdão e a misericórdia divina que apaga todos os nossos pecados para assim voltarmos a paz interior, de modo que, livres de todas os ressentimentos, sejamos o regaço da misericórdia do Senhor para aqueles que nos ofendem.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de março de 2023

O PROFETA É O PORTA VOZ DE DEUS NO MUNDO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,24-30)(13/03/23).


Amados irmãos e irmãs, a beleza e a delicadeza da liturgia diária está em que por ela escutamos a Deus e aprendemos as lições que Ele, como Pai amoroso, nos dá. Na liturgia de hoje, o Senhor nos ensina a grandeza da obediência à sua Palavra, que é sua voz escrita nos falando diretamente para nos comunicar sua vontade e as graças necessárias para a nossa salvação.

Na primeira leitura, um pagão de nome Naaman se aproximou do Senhor, para receber a cura da lepra que carregava no corpo e na alma; todavia, ao receber as instruções do Profeta Eliseu, a princípio se recusou a obedecer por conta da lepra do preconceito que trazia na alma, mas o conselho humilde de seus servos o fez recuar e isso foi o seu bem maior, pois, ao obedecer as instruções do Profeta, ficou curado e por sua conversão entrou para a história da salvação.

Com efeito, vivemos num mundo onde a maioria das pessoas se deixa contaminar pela lepra das ideologias de um mundo sem Deus, e pelos chamados fazedores de opiniões midiáticos que outra coisa não têm em suas mentes além do lucro que seus súlditos lhes dão. Por isso, pouco se importam com o destino eterno das almas que manipulam; para eles o importante é se manterem no poder, custe o que custar. Estes são os famosos ídolos midiáticos, que constitui uma das cabeças do poder satânico neste mundo. 

No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus denuncia a prática de violência daquele povo contra os Profetas que Deus envia, dentre eles o próprio Senhor, e logo a Palavra anunciada foi comprovada pelo mal que tentaram fazer contra Ele, mas foram rechaçados pela mansidão intocável com que o Senhor os venceu, isto é, passou entre eles sem sofrer nenhum dano.

Desse modo, confirma exatamente o que havia dito: "O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai." (Jo 10,17-18). Ou seja, ninguém tem nenhum poder contra o Ungido de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo.

De fato, tudo o que o Senhor diz e faz é vontade do Pai, por isso, não o precipitaram no abismo como era a intenção deles, pois, Deus não se submete aos caprichos humanos, porque nos ama e nos perdoa, contanto que nos convertamos, caso contrário, morreremos em estado de pecado mortal por falta de arrependimento e conversão.

Portanto, caríssimos, a vida é um dom de Deus e só a Ele pertence, por isso, não podemos nos achar donos dela, mas sim, reconhecermos e agradecermos a Deus o grande privilégio de pertencemos a Ele, e assim vivermos todos os dias como dons preciosos do seu amor.

Amados irmãos e amadas irmãs, escutemos humildemente estas palavras de são Paulo: "Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos aqueles que aguardam com amor a sua aparição." (2Tim 4,6-8).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 12 de março de 2023

Homilia do 3 °Dom do Tempo da Quaresma...


 Homilia do 3° Dom da Quaresma (Jo 4,5-42)(12/3/23)


Caríssimos, a vida naturalmente depende da água e de outros elementos naturais para existir, no entanto, não podemos esquecer que tudo está ligado a Deus, que é o nosso Criador, de modo que sem Ele a vida é impossível. Por isso mesmo, não vivemos por viver, uma vez que Deus tudo criou somente para o nosso bem, e se algo nos falta, é por não correspondermos aos seus desígnios de amor para conosco.

De fato, se tem algo que mais nos identifica naturalmente isso se chama necessidade, assim, nenhuma criatura existe que não necessite de algo para sobreviver, a começar pelo ar que respiramos de quem dependemos cem por cento. Porém, em se tratando da fé, ela é o dom do Espírito Santo que nos mantém em constante comunhão com Deus por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. De modo que "Sem fé é impossível agradar a Deus."

Com efeito, "a água viva de uma fonte exprime também o milagre renovado da vida. Fazendo brotar a água da rocha, Deus se manifesta como salvador do seu povo e o põe em condições de prosseguir a viagem até a terra prometida, como vimos na primeira leitura. No Novo Testamento a água exprime simbolicamente o dom do Espírito Santo para a geração de uma nova humanidade.

Cristo, sobre quem desceu o Espírito no momento do batismo, anuncia um renascimento da água e do Espírito, prometendo àqueles que Nele crêem a abundância da água do Espírito que jorra para a vida eterna. Sua pessoa se identifica, pois, com a Rocha (como observa são Paulo recapitulando os "sinais" do deserto, 1Cor 10,4), o novo Templo, a Fonte que sacia a sede de vida eterna." (MR).

Portanto, caríssimos, "Encontramo-nos diante da sede de um povo no deserto, da sede de uma mulher no poço. A sede é simbolo de uma necessidade intima, vital, torturante. Além da sede fisiológica há uma sede mais profunda em todo homem, em toda sociedade, em toda comunidade do nosso tempo: buscamos cada vez mais "coisas" para saciá-la; nada nos basta, nada nos satisfaz. 

Nossa civilização só nos oferece "bens de consumo", não valores espirituais. Convida-nos ao oportunismo, ao mais fácil, mais seguro, mais cômodo. Os ideais de coerência, de sinceridade, de amor, que existem em todos os homens, são em geral frustrados, traídos por quem os propugna ou pelo individuo incapaz de resistir à pressão dos que o cercam.

Todos falam do valor da colaboração, todos reconhecem que somos globalmente responsáveis pelo caminho da humanidade; no entanto, o que encontramos é insensatez, orgulho, instintos de domínio, grandeza, inclinação para a agressividade, para um prazer às vezes exacerbado, incontrolado e irracional." É triste, mas essa é a realidade de um mundo sem Cristo. 

Amados irmãos e amadas irmãs, a pergunta que o Senhor Jesus nos faz é esta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). Examinemos a nossa consciência e a nossa prática de vida, para que realmente respondamos ao Senhor com uma fé viva, humilde, confiante, que seja do seu agrado. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A FACE DA MISERICÓRDIA DIVINA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 15,1-3.11-32)(11/03/23)


Caríssimos, o que é a Misericórdia Divina? É o amor incondicional de Deus pelos pecadores arrependidos e humilhados, pois Deus não nos olha a partir dos nossos pecados, mas sim, a partir do arrependimento com que retornamos à Sua casa, isto é, à Sua Santa Igreja, onde somos revestidos da dignidade da filiação divina, perdida pelo pecado consentido e praticado. 

Assim, por Seu amor incondicional, o Senhor nos livra de nossas culpas e de todo mal, fazendo brilhar em nós a sua glória como nossa herança eterna em sua companhia. Isso significa que ao sermos perdoados voltamos reconciliados ao convívio com o nosso Pai celestial e com os nossos irmãos e irmãs, de quem nos afastamos por conta dos nossos pecados.

Vejamos, então, as maravilhas da Divina Misericórdia presentes na primeira leitura: "Qual Deus existe, como tu, que apagas a iniquidade e esqueces o pecado daqueles que são resto de tua propriedade? Ele não guarda rancor para sempre, o que ama é a misericórdia. Voltará a compadecer-se de nós, esquecerá nossas iniquidades e lançará ao fundo do mar todos os nossos pecados." (Mq 7,18-19).

Com efeito, vivemos em meio uma guerra espiritual, como que permanente, contra as tentações e as forças do mal que se esconde nelas. E por essa guerra ser espiritual, ela é travada, não fora de nós, mas sim, no coração das nossas almas, isto é, em nossas mentes. Todavia, por nossa oração, o Senhor nos assegura a superação das insídias malignas, nos dando a graça do seu perdão e o poder de vencer todas as tentações (cf. 1Cor 10,13). 

Convém aqui lembrar que toda tentação precisa de nossa permissão para se tornar pecado; por isso, não podemos derrotar à nós mesmos nessa guerra, dando ao inimigo a permissão para entrar e se apossar do nosso livre arbítrio, tornando-se, com isso, senhor de nossas decisões e de nossas ações. Pois, caso isto aconteça, perdemos o domínio sobre nós mesmos e sobre o poder do mal.

Por isso, se faz necessário sair do campo dos porcos, isto é, da prática pecaminosa, por meio do verdadeiro arrependimento, da confissão de nossas culpas e do perdão sacramental, e desse modo retornar, como o filho pródigo, à casa de nosso Pai celestial, que é Deus e nos acolhe com o abraço de sua misericórdia nos concedendo tudo o que havíamos perdido, especialmente o nosso livre arbítrio.

Amados irmãos e amadas irmãs, a túnica com que o pai da Parábola veste o filho pecador ao voltar arrependido, é a inocência perdida por haver se distanciado dele para buscar as satisfações carnais nas quais encontrou somente a miséria e a insatisfação da sua condição pecaminosa.

Decerto, "Mantemos a nossa veste quando conservamos no espírito os preceitos da inocência, [submissão amorosa; caridade operosa, humildade a toda prova]; mas, se alguma falta nos obriga a comparecer diante do justo juiz, recuperemos a inocência perdida e a penitência devolve-nos a nossa veste." (São Gregório Magno).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de março de 2023

A UNIDADE DO CORPO DE CRISTO, A SUA SANTA IGREJA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,33-43.45-46)(10/3/23)


Caríssimos, a vinha da Santa Igreja continua dando frutos mesmo se muitos dos vinhateiros não forem fiéis, pois ela é a vinha do Senhor. De fato, muitos desses vinhateiros infiéis tentaram usurpar a sua vinha, plantando outras vinhas fora dela, e o resultado nefasto é este: milhares de denominações cujo objetivo é o enriquecimento ilícito dos seus fundadores, desviando com isso, o sentido do Evangelho de Cristo. 

De fato, a vinha da Santa Igreja permanecerá para sempre mesmo em meio a rejeição daqueles que traíram o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, fundando tais denominações, e para isso usando o seu nome, com a vil intenção de dividir o Seu Corpo; mas, são João nos dá a conhecer quem eles são:

"Filhinhos, esta é a última hora. Vós ouvistes dizer que o Anticristo vem. Eis que já há muitos anticristos, por isto conhecemos que é a última hora. Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos. (Jo 2,18-19).

Decerto, o Senhor Jesus já havia anunciado que isso aconteceria: "Cuidai que ninguém vos seduza.
Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu o Cristo. E seduzirão a muitos. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 24,4-5,11-13).

Portanto, caríssimos, não basta botar uma Bíblia debaixo do braço e dizer-se cristão, se os frutos dessa atitude não alimenta à unidade do Corpo de Cristo, a Sua Santa Igreja. Decerto, muitos que usam desse artefício têm consciência do mal que estão fazendo, mas não se arrependem porque se deixaram dominar pelo maligno que os seduz e os leva a permanecerem divididos, sem a graça da unidade do Espírito Santo.

Destarte, vendo a multiplicidade dessas denominações e a deformação que causam ao verdadeiro anúncio do Evangelho, percebemos que na verdade esse fenômeno revela o cumprimento das Palavras do Senhor Jesus: "Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais. Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos." (Mt 24,23-25).

Amados irmãos e amadas irmãs, as Palavras do Senhor são eternas, como Ele mesmo disse: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão (Mt 24,35). Assim como estas pronunciadas quando do fundamento da Sua Santa Igreja: "Jesus então lhe disse: 'Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus.

E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,17-19). Ou seja, qualquer afirmação contrária à estas Palavras, não se sustenta, porque é pura heresia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 9 de março de 2023

PARÁBOLA DO POBRE LÁZARO E DO RICO EPULÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 16,19-31)(09/03/23)


Caríssimos, vivemos num mundo marcado pela tragédia do pecado humano, um mundo repleto de contradições em que o apego aos bens transitórios tem sido uma pedra de tropeço para a perdição de muitas almas que enganadas pela cobiça cometem as maiores injustiças contra os seus semelhantes. Quanta fome, quanta miséria, quanta dor e sofrimento causam aqueles que são ricos para si mesmos, mas não para Deus.

Com efeito, tudo pertence somente a Deus que é eterno e por sua benevolência a todos os seus filhos e filhas; no entanto, muitos não enxergam essa verdade e por isso usam de todos os meios nefastos para se apossarem do que não lhes pertencem pensando que estão tirando alguma vantagem disso. A estes sentenciou o Profeta Amós: "Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito." (Am 6,7).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do pobre Lázaro e do rico epulão que se banqueatva com suas iguarias, mas não levava em conta a fome e a miséria do feridento Lázaro. Porém, ao chegar o dia do julgamento eterno, morreu primeiro o pobre e feridento Lázaro que nada possuía além do próprio nome que significa: "Deus vem em meu socorro". "E os anjos o levaram para junto de Abraão".

Morreu também o rico epulento e logo seu viu nos tormentos do inferno repleto das chamas da cobiça e do prazer hedonista que cultivava com a sua opulência, esquecendo-se do faminto Lázaro que passava despercebido aos seus olhos. E quando se deu conta do mal que havia praticado por seu viver nefasto, recorreu a Abraão pedindo que o pobre Lázaro o socorresse em sua sede, justo ele que não o socorreu quando devia.

Portanto, caríssimos, como estamos nos preparando para o nosso devir eterno? Quem realmente estamos sendo, o pobre Lázaro necessitado ou o rico epulento repleto de bens transitórios e dos prazeres fugazes advindo deles? Essa é uma resposta que todos precisamos dar; aqui não se trata de se fazer de vítima, mas sim, de não vitimar a nós mesmos nem àqueles que encontramos na via da eternidade que estamos trilhando.

Destarte, "às vezes, os fatos da vida parecem contra Deus, contra sua bondade, contra sua justiça. Mas o mundo não acabou, a história ainda não findou: é preciso esperar, dar tempo a Deus! Essa parábola nos lembra que o cristão vive o hoje olhando para o último dia, em que a justiça de Deus prevalecerá para todos, será misericórdia para aqueles que escolheram a misericórdia, e condenação para aqueles que recusaram a misericórdia." (Cardeal Ângelo Comastri).

Amados irmãos e amadas irmãs, meditemos com o salmista esta antífona de entrada que se encontra no Salmo 138: "Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me no caminho da eternidade." (Sl 138,23s).

Oremos: "Ó Deus, que amais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados, pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 8 de março de 2023

QUEM QUISER SER O PRIMEIRO SEJA O SERVO DE TODOS, DIZ O SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 20,17-28)(08/03/23)


Amados irmãos e amadas irmãs, rezar não é só pedir algo a Deus, uma vez que Ele conhece todas as nossas necessidades e tudo dispõe a nosso favor; com efeito, rezar é pôr-nos disponíveis à sua vontade em vista da salvação de todos. Ocorre que, com frequência as nossas orações se resume em pedidos, como se Deus não soubesse do que estamos precisando, por isso, elas muitas vezes são inoportunas e inadequadas aos propósitos de Deus a nosso respeito.

De fato, nós estamos tão acostumados a pedir que esquecemos que há mais alegria em dar do que em receber, como cantamos na oração de São Francisco: "Ó Mestre fazei que eu procure mais consolar que ser consolado; compreender que ser compreendido; amar que ser amado, pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna."

No Evangelho de hoje vemos um paradoxo, enquanto o Senhor Jesus anuncia o seu sofrimento e morte de cruz; os discípulos estão preocupados quais dentre eles serão os primeiros no Reino de Deus, o exemplo disso é o pedido da mãe de Tiago e João. No entanto, com profunda paciência e humildade o Senhor lhes ensina que o primeiro lugar consiste em servir e não ser servido, desprovidos de interesses pessoais.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Bento XVI: "O critério de grandeza e primazia segundo Deus não é domínio, mas serviço; diakonia é a lei fundamental do discípulo e da comunidade cristã, e da-nos um vislumbre de algo, isto é, do 'Senhorio de Deus'. 

E Jesus também indica o ponto de referência: o Filho do Homem, que veio para servir; isto é, ele sintetiza a sua missão na categoria de serviço, entendido não no sentido genérico, mas no sentido concreto da Cruz, do dom total da vida como 'resgate', como redenção para muitos, e ele indica isto como condição para o seguimento. 

Essa mensagem é válida para os Apóstolos, para toda a Igreja, e especialmente para aqueles que têm tarefas de liderança no Povo de Deus. Não é a lógica da dominação, do poder segundo os critérios humanos, mas a lógica da inclinação para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da Cruz que subjaz a todo exercício da autoridade. 

Em cada época, a Igreja está empenhada em conformar-se com esta lógica e testemunhá-la para fazer brilhar o verdadeiro "Senhorio de Deus", o do amor." (Bento XVI - Consistório para a criação de novos cardeais, 20/11/ 2010).

Portanto, caríssimos, todos nós que fomos batizados ao pôr-nos disponíveis nas mãos de Deus para servi-lo e ama-lo em cada ser humano que encontramos neste mundo, no dia do juízo Dele ouviremos: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo.

Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mt 25,34-36.40). 

Destarte, "Onde o homem se disponibiliza a servir como Jesus e em nome de Jesus, a salvação de Deus se realiza na história." (Mons Angelo Spina).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 7 de março de 2023

AS PALAVRAS CARREGAM O CONTEÚDO DAS NOSSAS ALMAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 23,1-12)(07/03/23)


Caríssimos, somos filhos da verdade, por isso, Ela é a nossa única defesa; sabemos comprovadamente que este mundo está infestado de mentiras, falsas notícias, juízos de valor, calúnias e todo tipo de impropérios, de modo que, somente a verdade vence esta guerra na qual estamos lutando bravamente, e somente permanecendo em Cristo e com Cristo somos capazes de vencer o maligno e seus sequazes.

Na primeira leitura o Profeta Isaías exorta o povo eleito à conversão, isto é, a deixar a prática pecaminosa pela prática da justiça e da caridade, para assim prestar um culto que realmente agrade a Deus: "Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva." (Is 1,16-17). Ou seja, a fé sem coerência, sem a prática da verdade e da justiça, é morta em si mesma.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus falou às multidões e aos seus discípulos e lhes disse: “Os mestres da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de Moisés. Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo." 

Como vemos, não basta anunciar a verdade, é preciso vive-la tal como anunciamos, e isso se chama coerência, bem como nos ensina o Senhor: "Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno." (Mt 5,37). Ou seja, as palavras carregam o conteúdo de nossas almas, e se este é verdadeiro, não precisa de outros argumentos fora da verdade vivida e professada.

Portanto, caríssimos, "nós somos o que somos aos olhos de Deus e nada mais," disse são Francisco de Assis; e aos olhos de Deus nós somos seus filhos e filhas, irmãos e irmãs uns dos outros, é assim que devemos nos comportar todos os dias de nossa vida neste mundo, desse modo, o céu que almejamos na eternidade começa aqui em cada atitude, em cada gesto repleto de humildade.

Destarte, quem pensa pregar o Evangelho sem viver o Evangelho, cai no pecado farisaico de praticar uma fé aparente, repleta de incoerência e contradições, e contra isso disse o Senhor Jesus: "Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”. E com ele corrobora são Paulo: "Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisa modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos." (Rm 12:16).

Amados irmãos e amadas irmãs, tentações não faltam, mas como disse são Paulo: "Sobreveio a lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm 5,20). Ou seja, o justo vive por sua fidelidade, e isso significa viver a fé autenticamente.

De fato, Deus não nos chama para uma missão sem antes nos dar a graça de cumpri-la, cabe a nós acolhe-la e sermos fiéis até o fim.

Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 6 de março de 2023

AMOR, MISERICÓRDIA E SACRIFÍCIO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,36-38)(06/03/23)


O amor lança fora o temor... 

Amados irmãos e amadas irmãs, o amor e a misericórdia divina são dádivas eternas que nos mantém na vida. Com efeito, Deus criou tudo por amor, e mesmo que os homens tentem destruir a obra de suas mãos, pelos pecados que cometem, são eles que sofrem os prejuízos danosos que causam, sem em nada mudar os desígnios de Deus em vista da salvação de todos. 

De fato, o sacrifício do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, não foi em vão. Porém, como entender um amor assim, que por mais ofendido que seja, não se vinga, não maltrata, só deseja que todos se convertam e vivam a partir do Sacrifício de Seu amado Filho? Desse modo, o amor, a misericórdia e o sacrifício se entrelaçam dando aos homens a graça do perdão dos pecados e a felicidade eterna. 

Decerto, no dia eterno depois do juízo final todos os que não se arrependeram e não se converteram no tempo que lhes foi dado, baterão no peito e dirão: "Ó Deus quantas ofensas cometemos contra ti e o teu amado Filho, mesmo sabendo que nunca ofendeste nenhuma das tuas criaturas; e mesmo quando agiste duramente em defesa dos teus filhos e filhas, tiveste compaixão dos condenados."

No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: "Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados. Dai e vos será dado. Uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante será colocada no vosso colo; porque com a mesma medida com que medirdes os outros, vós também sereis medidos." (Lc 6,36-38).

Então, será que realmente temos consciência do seja a Misericórdia Divina? Quando Deus nos pede para sermos misericordiosos Ele o faz dando-nos a Sua Divina Misericórdia para que experimentando-a nos sintamos livres de todo o mal causado ou que causamos. É isso o que significa amar incondicionalmente, deixando-nos conduzir por seu amor. Pois, quem não ama e mantém essa postura, não pode ser feliz nunca.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: “Devemos perdoar, ser misericordiosos, viver nossa vida no amor. Este amor permite que os discípulos de Jesus não percam a identidade d'Ele recebida e se reconheçam como filhos e filhas do mesmo Pai. No amor que praticam na vida ressoa aquela Misericórdia que nunca se acaba (cf. 1Cor 13,1-12).  

Mas não se esqueçam disto: misericórdia, é dom; perdão, é dádiva. Assim quando amamos o coração se expande, e se expande no amor. Ao contrário, o egoísmo, a raiva, tornam pequeno o coração, que endurece como uma pedra. O que, então, preferimos? Um coração de pedra ou um coração cheio de amor? Se preferimos um coração cheio de amor, isso significa sermos misericordiosos!”.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 5 de março de 2023

"ESTE É O MEU FILHO AMADO, ESCUTAI O QUE ELE DIZ"


 Homilia do 2°Dom da Quaresma (Mt 17,1-9)(05/03/23)

Caríssimos, a fé é o dom da visão sobrenatural de Deus, de modo que enquanto aqui estivermos precisamos desse dom para vivermos na sua presença e em perfeita comunhão com a sua vontade, como vimos na primeira leitura em que Abraão acreditou em Deus e na sua promessa seguindo fielmente tudo o que lhe foi indicado para que cumprisse a sua missão e assim aconteceu.

Todavia, a fé tem seus riscos isso por conta dos receios que temos de perder o controle da segurança que criamos com o que possuímos para embarcar na aventura de Deus, que embora evidente por suas obras, não o vemos pessoalmente face a face. "A vocação de Abraão é um exemplo eficaz à proposta de Deus: por isso ele é chamado o nosso pai na fé. Ele deixou tudo e seguiu a Deus confiante, certo de que Ele é fiel e cumpre sempre as suas promessas.

Nós cristãos somos chamados por uma vocação santa a seguir Cristo em sua vida de obediência a Deus, com a qual "venceu a morte e fez resplandecer a vida e a imortalidade por meio do Evangelho", como disse são Paulo na segunda leitura. O "Filho bem amado" torna os batizados semelhantes a si, associando o seu destino de sofrimento e de glória os que ouvem com fé a sua Palavra" e a põem em prática. (MR).

No Evangelho de hoje o Senhor "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Nisto apareceram-lhe Moisés e Elias, conversando com Jesus." (Mt 17,1-3). 

Com efeito, "a transfiguração garante aos discípulos que Cristo é o Filho de Deus, aquele que veio completar a história da salvação prometida aos patriarcas e predita pelos profetas representados por Moisés e Elias, a shekiná, isto é, a verdadeira tenda, a verdadeira habitação de Deus entre os homens (cf. Jo 1,14). Desse modo, escutar a Cristo é obedecer ao Pai e caminhar na fé." (MR).

Portanto, caríssimos, não tenhamos medo de encontrar a Deus, porque Ele nos fala por seu próprio Filho, que se fez homem e habita no meio de nós, como meditamos na Carta aos Hebreus: "Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. 

Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus." (Hb 1,1-3).

Destarte, "peçamos humildemente a Deus nosso Pai celestial para que todos os homens possam encontrar o Senhor Jesus e responder-lhe com a fé de Abraão e dos Apóstolos; peçamos também para que não procuremos separar a promessa da felicidade eterna feita por Deus, do caminho da cruz que a ela nos conduz." (MR).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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