VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 14 de julho de 2024

Homilia do 15° Dom do Tempo Comum...


 Homilia do 15° Dom do Tempo Comum (Mc 6,7-13)(14/7/24)

.
1. Caríssimos irmãos e irmãs, estamos acostumados com as seguranças que criamos em torno à nós e aos nossos planos e por vezes até nos apegamos à elas, de forma que, quando os coisas não acontecem como planejamos, logo sofremos a tentação de nos afastar da fé ou nos rebelarmos contra Deus. 
.
2. De fato, isso só acontece, quando queremos que tudo esteja sob o nosso controle; e com isso, nos impedimos de viver a liberdade que a fé nos proporciona, de confiarmos tudo nas mãos de Deus e o seu admirável poder para assim vivermos conforme sua divina providência.
.
3. No Evangelho de hoje, Jesus envia os Apóstolos em missão com as seguintes recomendações: "não levarem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas. 
.
4. E o Senhor ainda os recomendou: “Quando entrardes numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!”
.
5. Em outras palavras, isso quer dizer: se dediquem de corpo e alma à missão que lhes confio, porque a obra de salvação é a vontade do Pai, de modo que Ele providencia tudo o que é necessário para que ela se cumpra na íntegra. 
.
6. De fato, "os doze partiram e pregaram que todos se convertessem. Expulsavam muitos demônios e curavam numerosos doentes, ungindo-os com óleo." Ou seja, a obediência às recomendações do Senhor, afasta o medo dos perigos, as preocupações com o necessário, dando-nos a certeza de que Ele caminha conosco e faz-se cumprir a Sua Palavra. 
.
7. Portanto, caríssimos, não podemos esquecer que estamos a caminho do céu e a nossa missão é anunciar o Reino de Deus e a sua justiça, por palavras e principalmente com o nosso testemunho de vida, conscientes de que essa obra é de Deus e não nossa. 
.
8. Destarte, sigamos fielmente suas orientações por meio de sua Santa Igreja; Ele é fiel e confirmará nossas ações de acordo com o seu plano para a nossa salvação e a salvação de todos que receberem o que lhes anunciamos conforme a nossa disponibilidade, fidelidade e dedicação.
.
9. "Que a Virgem Maria, primeira discípula e missionária da Palavra de Deus, nos ajude a levar a mensagem do Evangelho ao mundo numa exultação humilde e radiosa, para além de qualquer rejeição, incompreensão ou tribulação." (Papa Francisco).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de julho de 2024

NÃO OS TEMAIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 10,24-33)(13/7/24)

.
1. Caríssimos irmãos e irmãs, o testemunho que damos do Senhor Jesus é um ato de amor incondicional, é a perfeita expressão de nossa adesão a Ele e aos desígnios de Deus a respeito da nossa salvação. 
.
2. Em verdade, é a nossa participação direta no Reino dos céus desde já, porque não tem como separar a vida presente da vida futura, uma vez que a única coisa que nos distancia é o sopro de vida que momentaneamente nos sustenta.
.
3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos trata como servos, nos mostrando que o Seu Senhorio nos é salutar, ou seja, é proteção permanente; no entanto, requer de nós a mesma humildade com que nos trata, ensinando-nos que o Seu Senhorio é serviço salvífico: “O discípulo não está acima do mestre, nem o servo acima do seu Senhor. Para o discípulo, basta ser como o seu mestre, e para o servo, ser como o seu Senhor." (Mt 10,24-25b).
.
4. Portanto, caríssimos, este é o verdadeiro testemunho que damos de nosso Senhor Jesus Cristo, segui-lo até as últimas consequências. Assim como nos ensinou: "Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma! Pelo contrário, temei aquele que pode destruir a alma e o corpo no inferno! (Mt 10,28).
.
5. Comentando este Evangelho disse São João Crisóstomo: "Mesmo que o mar se enfureça, não quebrará a rocha; mesmo que as vagas se levantem, não podem engolir a barca de Jesus. Dizei-me: que podemos nós temer? A morte? "Para mim, viver é Cristo, e morrer, um ganho" (Fil 1,21). O exílio? "Ao Senhor pertence a terra e o que ela contém" (Sl 23,1). 
.
6. A confiscação dos bens? "Nada trouxemos ao mundo e dele nada podemos levar" (1Tim 6,7). Pouco me importa o que é temível neste mundo; rio-me dos seus bens. Não temo a pobreza, não desejo a riqueza. Não tenho medo da morte. É o Senhor quem me garante. 
.
7. Fiar-me-ei nas minhas forças? Tenho o seu testamento, esse é o meu ponto de apoio, a minha segurança, o meu porto seguro. Ainda que todo o Universo seja abalado, eu tenho este testamento e releio-o: ele é a minha fortaleza, a minha segurança. 
.
8. Qual é o seu conteúdo? "Eis que Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos tempos" (Mt 28,20). Jesus Cristo está comigo, a quem temerei? Assaltem-me as vagas e a cólera dos grandes: nada disso vale, sequer, uma teia de aranha."
.
(São João Crisóstomo (c. 345-407). Homilia "A partida para o exílio".)
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 10 de julho de 2024

IDE E ANUNCIAI A TODOS O EVANGELHO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,1-7)(10/7/24)

.
1. Caríssimos irmãos e irmãs, o modo de ser que empreendemos em nosso dia a dia revela para quem realmente vivemos e a quem de fato servimos. Ora, no batismo recebemos a filiação divina e todos os valores eternos que ela comporta, ou seja, as santas virtudes que nos identificam com Cristo e revelam a sua presença em nossa vida, pois o fundamento da santidade consiste em permanecer no Senhor até o fim de nossos dias.
.
2. Mas, não podemos esquecer que somos constantemente tentados a não sermos autênticos na profissão de nossa fé e no amor ao próximo como a nós mesmos, como vimos acontecer na história de José do Egito e seus irmãos, bem demonstrado nesse diálogo: “Sofremos justamente estas coisas, porque pecamos contra o nosso irmão: vimos a sua angústia quando nos pedia compaixão, e não o atendemos. É por isso que nos veio esta tribulação”.
.
3. Com efeito, o dia do nosso julgamento se aproxima como se aproximou dos irmãos de José, onde eles viram o pecado cometido contra ele, a falta de compaixão, a mentira e todo o mal que lhe fizeram. 
.
4. No entanto, ao reconhecerem tais pecados é que puderam se arrepender, como vemos neste diálogo: "Rúben disse-lhes: “Não vos adverti dizendo: ‘Não pequeis contra o menino?’ E vós não me escutastes. E agora nos pedem conta do seu sangue”.
.
5. Portanto, caríssimos, o silêncio de Deus sempre nos acompanha, porém, fala mais alto que todas as vozes do mundo. Por isso, escutemos o Senhor no silêncio sagrado do nosso coração por meio de nossa oração, pois é nesse encontro que Ele nos prepara para sermos autênticas testemunhas do seu Reino, porque sem essa autenticidade, somos tentados a cometer os piores pecados. 
.
6. Meditemos com amor e atenção estas palavras de São João Paulo II: "O testemunho de vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão: Cristo, cuja missão nós continuamos, é a «testemunha» por excelência (cf Ap 1,5; 3,14) e o modelo do testemunho cristão. A primeira forma de testemunho é a própria vida do missionário, da família cristã e da comunidade eclesial, que torna visível um novo estilo de comportamento. 
.
7. O missionário que, apesar dos seus limites e defeitos humanos, vive com simplicidade, segundo o modelo de Cristo, é um sinal de Deus e das realidades transcendentes. Mas todos na Igreja, esforçando-se por imitar o divino Mestre, podem e devem dar o mesmo testemunho, que é, em muitos casos, o único modo possível de ser missionário.
.
8. O testemunho evangélico a que o mundo é mais sensível é o da atenção às pessoas e o da caridade a favor dos pobres, dos mais pequenos, e dos que sofrem. A gratuidade deste relacionamento e destas ações, em profundo contraste com o egoísmo presente no homem, faz nascer interrogações precisas, que orientam para Deus e para o Evangelho. 
.
9. O compromisso com a paz, a justiça, os direitos do homem, a promoção humana é também um testemunho do Evangelho, caso seja um sinal de atenção às pessoas e esteja ordenado ao desenvolvimento integral do homem."
(São João Paulo II (1920-2005), papa - Carta encíclica «Redemptoris Missio», n.º 42 (trad. © Libreria Editrice Vaticana).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de julho de 2024

A FÉ É O DOM DE CRER E VER ACONTECER A VONTADE DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 9,18-26)(08/7/24)

.
1. Caríssimos irmãos e irmãs, o Mistério da fé se faz presente na vida dos humildes de coração, daqueles que saem dos limites de sua finitude para adentrarem no estado de graça onde a ação divina realiza os prodígios que somente o dom da fé pode alcançar. 
.
2. No Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus dizer à mulher com o fluxo de sangue: "Coragem, filha! A tua fé te salvou”. Sem dúvida ao escutar essa resposta a mulher experimentou os efeitos imediatos da graça recebida e se manteve confiante e feliz pela cura imediata que recebera.
.
3. Todavia, muita atenção para a pergunta do Senhor Jesus no Evangelho de São Lucas: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lc 18,8). De fato, em nosso tempo são tantas as distrações e vícios pelos quais somos acossados a ponto de que muitos deixarem a prática da fé pelas falsas novidades das novas tecnologias. 
.
4. No entanto, perguntamos, qual será o resultado dessa onda de mentiras, perversões, injustiças, corrupção, e todo tipo de maldade que estão levando milhões ao desespero, à perdição e à falência de nossas instituições? Decerto, o mal por si mesmo se destrói, e quem o pratica o faz porque deixou-se dominar por ele. 
.
5. Com efeito, também no Evangelho de hoje ouvimos o Senhor Jesus ser caçoado por aqueles que ao invés da piedade, cultivavam as distrações e a incredulidade, por isso, ao ouvirem a Sua Palavra o desprezaram, no entanto, bastou a fé daquele pai para que a graça da ressurreição de sua filha fosse alcançada. 
.
6. Portanto, caríssimos, bem-aventurados os humildes de coração porque deles é o Reino dos Céus. Decerto, a humildade é a terra fértil onde a fé brota e cresce e dá seus frutos tornando-nos testemunhas dos prodígios do Senhor e do seu divino poder. 
.
7. Comentando este Evangelho disse o Papa Bento XVI: "O coração de Cristo é divino-humano: nele Deus e o homem se encontram perfeitamente, sem separação e sem confusão. Ele é a imagem, de fato, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia, ternura paterna e materna, do Deus que é Vida. 
.
8. Por isso, declarou solenemente a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo que morra, viverá; quem vive e crê em mim não morrerá eternamente". E acrescentou: "Crês nisso?" (Jo 11,25-26). 
.
9. Uma pergunta que Jesus dirige a cada um de nós; uma pergunta que certamente nos excede, excede nossa capacidade de compreensão e nos pede que nos confiemos a Ele, como Ele se confiou no Pai. 
.
10. Sim, Senhor! Nós também acreditamos, apesar de nossas dúvidas e obscuridades; acreditamos em Ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; acreditamos em Ti, que nos dá uma esperança confiável de vida além da vida, de vida autêntica e plena em Teu Reino de luz e paz."
.
(Bento XVI - Angelus, 9 de março de 2008).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 7 de julho de 2024

CRISTO JESUS É O MAIOR MILAGRE DO UNIVERSO...


 Homilia do 14° Dom do Tempo Comum (Mc 6,1-6)(07/7/24)

.
1. Caríssimos, o Senhor está sempre atento às nossas súplicas e conhece as nossas necessidades, por isso, nos atende sempre que o invocamos e nos liberta de tudo o que tenta impedir a nossa comunhão com Ele e entre nós. Todavia, precisamos acolher a sua Palavra e as suas ações, por meio da fé que Dele recebemos, para po-las em prática.
.
2. Com efeito, a prática da fé é uma luta constante que travamos contra o mal, como escreveu São Pedro: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé." (1Pd 5,8-9).
.
3. De fato, as ações do maligno são conhecidas pelos efeitos negativos que causam às almas que se deixam atingir por elas. Ora, uma dessas ações é a indiferença que gera a incredulidade e impede as almas de receberem as graças de Deus, por isso, nunca nos deixemos atingir por ela, pois, a confiança no Senhor é o elo que nos une a Ele para sempre.
.
4. Desse modo, quando falhamos, o Senhor nos encoraja e nos fortalece por meio do Sacramento da Confissão nos fazendo voltar ao estado de graça que Ele nos concede à medida que nos arrependemos e somos perdoados para perseverarmos até o fim na luta contra o pecado.
.
5. No Evangelho de hoje, vimos que os concidadãos de Jesus se deixaram atingir pela incredulidade, pelo preconceito e o juízo de valor, por isso, não o aceitaram quando se revelou como o Messias enviado pelo Pai; todavia, frente à rejeição preconceituosa apresentada por eles, lhes disse: “Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares." 
.
6. "E ali não pôde fazer milagre algum. Apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos. E admirou-se com a falta de fé deles." Ou seja, a primeira coisa que a incredulidade faz numa alma é desqualificar a autenticidade das Palavras e das ações divinas para confundir os que crêem. 
.
7. Portanto, caríssimos, ninguém ganha uma luta usando as armas erradas, por isso, muito cuidado com tais armas, pois, "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo." (2Cor 10,4-5).
.
8. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI: "Parece que Jesus está - como dizem - fazendo pouco caso da má recepção que encontra em Nazaré. Em vez disso, no final da história, encontramos uma observação que diz exatamente o contrário. O evangelista escreve que Jesus "se maravilhou com a incredulidade deles" (Mc 6,6). O espanto dos concidadãos, que estão escandalizados, é igualado pela admiração de Jesus.
.
9. Ele também está, de certa forma, escandalizado! Embora saiba que nenhum profeta é bem-vindo em casa, o coração fechado de Seu povo permanece escuro, impenetrável para Ele: como é possível que eles não reconheçam a luz da Verdade? Por que eles não se abrem para a bondade de Deus, que quis compartilhar nossa humanidade?
.
10. De fato, o homem Jesus de Nazaré é a transparência de Deus, Nele Deus habita plenamente. E embora sempre busquemos outros sinais, outras maravilhas, não percebemos que o verdadeiro sinal é Ele, Deus feito carne, Ele é o maior milagre do universo: todo o amor de Deus encerrado em um coração humano, em um rosto humano.
.
11. Quem realmente compreendeu essa realidade foi a Virgem Maria, bem-aventurada porque acreditou (cf. Lc 1,45). Maria não se escandalizou com seu Filho: sua admiração por Ele é cheia de fé, cheia de amor e alegria, ao vê-lo tão humano e ao mesmo tempo tão divino. Aprendamos, portanto, com ela, nossa Mãe na fé, a reconhecer na humanidade de Cristo a perfeita revelação de Deus."
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de julho de 2024

VINHO NOVO, ODRES NOVOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,14-17)(06/7/24)

.
1. Caríssimos, a prática da fé requer certos exercícios espirituais que nos fazem crescer na graça, no conhecimento e na intimidade do Senhor; dentre eles estão a oração, o jejum e a esmola; todavia, tais exercícios requer discrição porque não são meras expressões externas de penitência; mas sim, convivência com o Senhor com o firme propósito de vencer-nos à nós mesmos para assim realizarmos a sua santa vontade.
.
2. Sem dúvida vivemos num mundo de aparências e quantos não são aqueles que fazem de tudo para obterem fama, prazer e riqueza ainda que à custa do jogo sujo do inimigo de nossas almas; e o resultado é um mundo infestado de pecados e perdição.
.
3. Ora, a moda ditada pelas tentações carnais e espirituais é concordar, defender e praticar tudo o que contraria os santos mandamentos da lei de Deus, esquecendo-se que todos prestarão contas de seus atos: "Porque está escrito: Por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará glória a Deus (Is 45,23). Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus." (Rm 14,11-12).
.
4. São Paulo prevendo isso escreveu: "Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te!" (2Tm 3,1-5).
.
5. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente o Senhor e ponhamos em prática as suas Palavras porque são a única fonte de paz e de segurança para as nossas almas. Eis o que Ele nos diz: "Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6,38.40)
.
6. Comentando este Evangelho disse o Papa Francisco: "Só Jesus pode garantir que, nos ramos da sua vinha, os homens encontrem não apenas uvas bravas (cf. Is 5,4), mas o vinho bom (cf. Jo 2,11), o da videira verdadeira, sem o qual nada podemos fazer (cf. Jo 15,5). Esse é o propósito da Igreja: distribuir o vinho novo, que é Cristo, em todo o mundo.
.
7. Nada pode nos impedir de cumprir essa missão. Ainda precisamos de odres novos, pois tudo o que fazemos não é suficiente para torná-los descendentes do vinho novo que eles são chamados a conter e expressar. No entanto, justamente por isso, acontece de os vinhateiros perceberem que, sem o vinho novo, continuarão sendo uma pedra fria, capazes de lembrar o gosto, mas não de dar o sabor.
.
8. Por favor, não deixe que ninguém os distraia desta meta: dar a todos o vinho novo!" (Papa Francisco - Discurso aos bispos participantes do Curso da Congregação para os Bispos, 13 de setembro de 2018).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

EU QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,9-13)(05/7/24)

.
1. Caríssimos, podemos dizer que quando um pecador encontra o Senhor Jesus e olha nos seus olhos misericordiosos e se deixa inundar pela sua divina misericórdia; sem dúvida terá a mesma reação de Mateus que deixou tudo para seguir o Senhor, e pôr os talentos que Dele recebera à disposição da salvação da humanidade. 
.
2. Com efeito, pelo que vimos neste episódio do Evangelho de hoje, a prática da fé requer sempre a misericórdia como meio eficaz de libertação; qualquer outra atitude não acende nos que se encontram em estado de pecado mortal, a chama viva da conversão para que doravante sigam o Senhor como suas testemunhas fiéis pelo perdão recebido.
.
3. De certo, ainda neste mesmo episódio constatamos, por parte dos fariseus ali presentes, uma grande resistência a atitude misericordiosa do Senhor Jesus, por ter admitido que os chamados pecadores públicos sentassem à sua mesa para fazerem refeição com ele. 
.
4. Ao que o Senhor respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.
.
5. Ora, de uma coisa fiquemos certos, da parte do Senhor Jesus, jamais nos faltará a misericórdia que tanto precisamos para a nossa salvação. Por isso, deixemo-nos tocar pelo Seu olhar misericordioso para que também nós deixemos tudo para o seguir, isto é, tudo o que não nos ajuda a ser misericordiosos como Ele é misericordioso conosco.
.
6. Escutemos então esta exortação de são Tiago: "Falai, pois, de tal modo e de tal modo procedei, como se estivésseis para ser julgados pela lei da liberdade. Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12-13).
.
7. Comentando este Evangelho escreveu São Charles de Foucauld: "Ser misericordioso, inclinar o coração para todas as misérias, as do corpo e ainda mais as da alma; é que as doenças da alma são infinitamente mais graves do que todos os males do corpo, pois não são uma ameaça à vida e à felicidade dos membros de Cristo durante alguns anos, mas para toda a eternidade. 
.
8. Não devemos concentrar-nos em cuidar das ovelhas gordas, que estão limpas e são dóceis, abandonando as sarnosas ao seu triste destino, mas amar todos os homens por Deus, seu Pai e Salvador, dedicando especiais cuidados aos doentes e aos pecadores, porque eles precisam muito mais do que os outros.
.
9. Jesus dá-nos todo o seu corpo para o amarmos; todos os seus membros - sãos e doentes - merecem igual amor da nossa parte, pois todos eles são seus; e, se todos devem ser amados por igual, os doentes precisam dos nossos cuidados mil vezes mais do que os outros. 
.
10. Antes de ungir os outros com perfumes, cuidemos dos que estão feridos, magoados, doentes, isto é, de todos os que têm necessidades no corpo ou na alma, sobretudo estes últimos, e sobretudo, os pecadores. Podemos fazer bem a todos os homens sem exceção, com a nossa oração, a nossa penitência e a nossa própria santificação."
.
São Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara - Sobre o Evangelho).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

POR QUE TENDES ESSES MAUS PENSAMENTOS EM VOSSOS CORAÇÕES?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,1-8)(04/7/24)

.
1. Caríssimos, o perdão dos pecados é uma graça permanente que Deus dispõe à nosso favor para curar nossos males espirituais e corporais, especialmente o pecado mortal que mancha e fere as nossas almas, tirando-lhes a saúde espiritual e corporal causando-lhes enorme prejuízo. 
.
2. Por isso, um dos grandes obstáculos para receber a graça do perdão que cura e salva, é o orgulho que sempre vê e julga segundo a sua ótica perversa que a torna incapaz de reconhecer e acolher a verdade; como vimos acontecer com alguns mestres da lei (cf. Mt 9,3).
.
3. "Os escribas diziam que só Deus podia perdoar os pecados. E Jesus, antes mesmo de os perdoar, revela os segredos dos seus corações, demonstrando assim que possuía esse poder reservado a Deus, porque está escrito: «Só vós, Senhor, conheceis os segredos humanos» (2Cr 6,30) e «o homem vê o rosto, mas Deus vê o coração» (1Sam 16,7).
.
4. Jesus revela, portanto, a sua divindade e a sua igualdade com o Pai mostrando aos escribas o que lhes ia no fundo do coração e divulgando-lhes pensamentos que eles não ousariam dizer em público, com medo da multidão. E fá-lo com total doçura." (são João Crisostomo).
.
5. Caríssimos, aprendemos com esse episódio uma coisa sumamente importante para a nossa salvação, que Deus nos conhece totalmente, nada se oculta aos seus olhos até mesmo os cabelos de nossa cabeça estão todos contados, não cai um só fio sem que Ele o saiba e o permita.
.
6. Ora, eis o que nos ensina São Paulo: "Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios." (Rm 8,38). Portanto, temos somente que nos confiar a Ele e deixar que nos conduza segundo esses mesmos desígnios.
.
7. Comentando este Evangelho disse o Padre Ubaldo Terrinoni: "Jesus revela o verdadeiro rosto de Deus, que é essencialmente misericordioso. Tudo confirma que onde ele está, ali Deus vive, fala, age e perdoa. É justamente diante desse perdão generoso de Deus que o homem é ajudado a reconhecer seus próprios pecados. 
.
8. Quanto mais ele experimenta a misericórdia divina, mais ele abre os olhos para sua própria miséria. A experiência da misericórdia precede a descoberta do pecado. Portanto, reencontrar Deus é também reencontrar a si mesmo; como "o filho pródigo" que, ao voltar para casa, para seu pai, também voltou para a verdade sobre si mesmo. 
.
9. "Aquele que retorna ao Senhor retorna a si mesmo", ensina sabiamente Santo Ambrósio, "aquele que se afasta dele abdica de si mesmo". O retorno e o encontro são possíveis se o homem responder à iniciativa divina. A misericórdia e a miséria, o dom divino e a aceitação humana, o perdão e a consciência da necessidade de ser perdoado devem se encontrar. 
.
10. Sobre o alicerce de um senso humilde de si mesmo repousa a certeza de também ser fiel a si mesmo, reconhecendo suas limitações e miséria. É uma questão de empreender a mais difícil das jornadas: a jornada para dentro de si mesmo; alcançar as penetrações mais profundas para conhecer a si mesmo como se é."
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 3 de julho de 2024

FELIZES OS QUE CRÊEM SEM TEREM VISTO...

Festa do martírio de São Tome (Jo 20,24-29)(03/7/24)
.
1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra com grande alegria a festa do martírio do Apóstolo são Tomé, aquele que deu a vida por seu Senhor e Deus, depois de ter passado pela grande prova da incredulidade mesmo depois de ter ouvido o testemunho dos outros Apóstolos de que tinham visto o Senhor ressuscitado e experimentado a alegria da Sua Ressurreição. 
.
2. De fato, depois de ter participado do discipulado de Cristo, recebendo os seus ensinamentos, vivenciado os seus prodígios e milagres, ainda assim Tomé não acreditou no autêntico testemunho dos outros Apóstolos, que certamente os deixou constrangidos diante da dureza do seu coração. 
.
3. No entanto, como o Senhor se faz presente sempre em todas as situações de nossa vida, de imediato se lhe apresentou e o convocou à tocar em suas chagas abertas para que fosse curado da cegueira espiritual que ainda o mantinha na morte, levando-o a experimentar como os outros discípulos a alegria da Sua Ressurreição.
.
4. Com efeito, essa luta travada por Tomé, entre a incredulidade e a fé, é a mesma que travamos também nós em nossos dias, em que tudo o que vemos dos pecados cometidos pelos os homens é uma negação explícita dos ensinamentos do Senhor Jesus, da Sua Ressurreição, da Sua presença no meio de nós, e de tudo o que há de mais sagrado, e é por essa incredulidade que este mundo está se tornando um antro de perdição eterna.
.
5. E isto porquê, como está escrito na Carta aos Hebreus: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram." (Hb 11,6). Pois, tudo nos fala de Deus, como nos ensina São Paulo: "Porque nele se revela a justiça de Deus, que se obtém pela fé e conduz à fé, como está escrito: O justo viverá pela fé (Hab 2,4).
.
6. Portanto, caríssimos, certamente Tomé sofreu tal tentação e nela caiu por dois motivos: primeiro, por sua ausência na comunidade dos discípulos, pois, quanto mais isolados, mais facilmente caímos na tentação da incredulidade. Segundo, o Senhor está sempre conosco, mas precisamos estarmos com Ele, mesmo quando nos isolamos; pois Ele nos ama, e cura com as suas chagas abertas, a ferida das nossas dúvidas para que assim participemos da alegria da Sua Ressurreição.
.
7. Comentando o Evangelho de hoje, disse São Tomás de Vilanova: "Tomé soltou esta exclamação sublime: "Meu Senhor e meu Deus". Esta profissão de fé, maior do que a incredulidade passada, não poderia ter soado mais alto: é todo o conteúdo da fé que está incluído nesta breve exclamação.
.
8. Maravilhosa penetração deste homem, que toca no Homem e Lhe chama Deus, que toca numa coisa e acredita na outra. Tivesse ele escrito mil livros, não teria servido tão bem a Igreja. Com que clareza, fé e simplicidade chama Deus a Cristo! Que palavra tão útil e necessária para a Igreja de Deus!
.
9. Foi graças a ela que as piores heresias foram outrora extirpadas da Igreja. Pedro foi elogiado por ter dito: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo» (Mt 16,16); ora, é ainda que com maior clareza que Tomé exclama: "Meu Senhor e meu Deus", confessando, com estas simples palavras, as duas naturezas de Cristo. "Porque Me viste, acreditaste; felizes os que acreditam sem terem visto" . 
.
10. Estas palavras, irmãos, nos dão uma grande consolação. Sempre que dizemos ou exclamamos: "Bem-aventurados os olhos, bem-aventurado o tempo, bem-aventuradas as pessoas que tiveram a sorte de ver e contemplar tão grandes mistérios", estamos a falar a verdade, porque o Senhor disse: "Bem-aventurados os olhos que veem o que vedes" (Lc 10,23).

11. Todavia, Ele também disse: «Felizes os que acreditam sem terem visto». E estas palavras geram uma consolação ainda maior, apontam para um mérito maior. A visão dá mais alegria; a fé dá maior honra."
.
São Tomás de Vilanova (c. 1487-1555), eremita de Santo Agostinho, bispo - Sermão para o Domingo in albis).
.
Paz e Bem!
.
Frei Fernando Maria OFMConv.
 

terça-feira, 2 de julho de 2024

POR QUE TENDES TANTO MEDO?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,23-27)(02/7/24)

.

1. Caríssimos, o dom de acreditar é traduzido pela confiança inabalável em Deus que tem todo poder sobre o céu e a terra, isto é, sobre toda a criação e todas as criaturas. De nossa parte temos um inimigo interior chamado medo que carregamos no mais íntimo de nós, e que precisamos combate-lo e vence-lo por meio da fé, pois, como disse o Senhor Jesus: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23b).

.

2. De fato, para superarmos esse inimigo fiquemos certos de uma coisa, nada podemos por nós mesmos; ora, essa convicção nos ensina a dependermos cem por cento de Deus, como dependemos do ar que respiramos. 

.

3. O ar é invisível, está dentro e fora de nós e sem ele naturalmente não podemos sobreviver. De igual modo assim também acontece com a fé em Deus, pois, é Ele quem nos sustenta na vida, como nos ensinou São Paulo: "É em Deus que vivemos, nos movemos e somos." (At 17,28).

.

4. No Evangelho de hoje depois de despedir as multidões Jesus segue com os discípulos numa barca rumo à outra margem do mar da Galiléia; enquanto dormia na proa, foram surpreendidos por uma terrível tempestade que os ameaçava com o naufrágio.

.

5. Tomados de pavor acordaram o Senhor, e lhe disseram: "Senhor, salva-nos, pois estamos perecendo!” Jesus respondeu: “Por que tendes tanto medo, homens fracos na fé? Então, levantando-se, ameaçou os ventos e o mar, e fez-se uma grande calmaria. Os homens ficaram admirados e diziam: “Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?"

.

6. Portanto, caríssimos, esse Evangelho de hoje nos mostra que pelo fato de termos sidos chamados pelo Senhor Jesus para atravessarmos o mar revolto deste mundo; não fazemos essa travessia sozinhos, pois, a Santa Igreja é a barca de Pedro e o Senhor se faz presente nela, e mesmo que apareçam as mais terríveis tempestades, nada temos a temer, porque é Ele quem nos conduz ao porto seguro da nossa salvação.

.

7. Comentando esse Evangelho escreveu são Charles de Foulcaud: "Meus filhos, seja o que for que vos aconteça, lembrai-vos de que Eu estou sempre convosco. Lembrai-vos de que, visível ou invisível, parecendo agir ou parecendo dormir e esquecer-vos, Eu velo sempre, estou em toda a parte e sou Onipotente.

.

8. Nunca tenhais medo, nem preocupações: Eu estou presente, Eu velo, Eu amo-vos. Eu sou Onipotente - que mais quereis? Lembrai-vos das tempestades que acalmei com uma palavra, transformando-as numa grande calmaria. Lembrai-vos de que sustentei Pedro quando caminhava sobre as águas (cf Mt 14,28ss). 

.

9. Estou sempre tão perto de cada homem como estou agora de vós. Tende confiança, fé, coragem; não vos preocupeis com o vosso corpo nem com a vossa alma (cf Mt 6,25), porque Eu estou presente, sou Onipotente e amo-vos.

10. Mas, que a vossa confiança não nasça da negligência, da ignorância dos perigos, nem da confiança em vós mesmos ou noutras criaturas. Os perigos que correis são iminentes: os demônios, inimigos fortes e manhosos, a vossa natureza, o mundo, fazem-vos continuamente uma oposição encarniçada. 

.

11. Nesta vida, as tempestades são quase contínuas e a vossa barca está sempre prestes a naufragar. Mas Eu estou presente, e comigo ela é insubmersível. Desconfiai de tudo e sobretudo de vós mesmos, mas tende em Mim uma confiança inabalável, capaz de expulsar toda inquietação."

.

"São Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara - Meditação «Oito dias em Efrém», a tempestade acalmada).

.

Paz e Bem!

.

Frei Fernando Maria OFMConv.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...