VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quarta-feira, 30 de março de 2022

CRER EM DEUS, É OBEDECE-LO, É AMA-LO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,17-30)(30/03/22).

Caríssimos, a superficialidade da vida consiste em deixar as coisas santas pelas profanas; em deixar as coisas eternas pelas mundanas; deixar o silêncio interior pelo barulho ensurdecedor deste mundo; e o resultado nefasto desse desvario não poderia ser outro, ou seja, maldade, violência e todo tipo de desequilíbrio que leva à morte e a perdição eterna dos que seguem essa via. 

No entanto, inda estamos no tempo da Divina Misericórdia e por isso nem tudo está perdido, pois, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é a Fonte inesgotável do amor e da misericórdia do Pai, e se faz presente realmente neste mundo para perdoar e salvar todos os pecadores arrependidos por meio da Sua Santa Igreja, Sacramento universal da Salvação, e a parte visível do Reino de Deus no seio da humanidade.

E isto está comprovado por estas Palavras do Senhor: "E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mt 16,18-19). De fato, sem essa autenticidade ninguém se salvaria, pois, se dependesse de nós pecadores não existiria mais nenhuma criatura na face da terra.

Da boca do Profeta Isaías ouvimos estas palavras: "Louvai, ó céus, alegra-te, terra; montanhas, fazei ressoar o louvor, porque o Senhor consola o seu povo e se compadece dos pobres. Disse Sião: “O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!” Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém não me esquecerei de ti." Ou seja, Deus está atento a tudo o que nos acontece, pois, como prometeu, jamais nos abandona.

No Evangelho de hoje ouvimos o que diálogo entre o Senhor Jesus e os judeus, e como seus algozes reagiram à este Seu ensinamento: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus." Ou seja, quem se fecha para o amor de Deus, condena-se à uma vida de ódio e injustiças, por conta da maldade que cultiva.

Oremos: Senhor Jesus Cristo, Filho amado de Deus, escuta as nossas súplicas e dá-nos a graça da perseverança final; não permitas que sejamos vencidos pelas tentações e astúcias do inimigo; dá-nos Senhor por teu infinito amor a vitória sobre todo o mal, pelos méritos de tua Mãe, Maria Santíssima, e de São José seu castíssimo esposo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 29 de março de 2022

PARA REFLETIRMOS...


 Para refletirmos... O que é ser livre?

Caríssimos, a liberdade que julgamos ter por nós mesmos é frágil, insustentável; autossuficiência não existe, porque dependemos cem por cento... Pensamos que somos livres fazendo o que vem à nossa mente, quando na verdade, terminamos escravos do que fazemos, e o pior de tudo é quando não admitimos isso; formulamos os próprios conceitos, mas logo caímos no tédio por conta da fragilidade dos mesmos, e com isso, nos sentimos confusos, sem ânimo... 

De certo, isso ocorre porque o "Eu", não é Deus... 

Deus é Amor... 

Verdade, 

Unidade, 

Comunhão, 

Partilha... 

Desse modo, o individualismo racional, emocional, 

com aparência de liberdade, 

é o inverso do amor; 

é o cúmulo do egoísmo, 

é a morte do próprio eu... 

Pois, onde não existe o amor de Deus, tudo de bom deixa de existir... 

De fato, a vida humana é um grande mistério que não passa de um sopro que se esvai a qualquer momento, e é nesse instante que compreendemos: a liberdade que pensávamos ter, 

não mais a temos, 

porque a morte é o ápice do seu limite...

Dúvida quanto a isso não existe... Amor incondicional... Quem sabe? 

Deixar a pretensa liberdade pela liberdade do Espírito Santo... 

Eis a questão... 

Ou seja, como fazer para deixa-LO comandar-nos totalmente? 

Oração mental/do coração... Silêncio exterior e interior... 

Escuta... 

De fato, a vida é um sopro que passa num brevíssimo segundo... Porém, para se fazer eternidade no coração do Amado... 

É como um pequeno rio de água viva que entra no Mar Eterno do amor de Deus... 

Aí sim, o livre árbitro é livre sem o eu em si, mas em DeuS... 

De fato, o Senhor é paciente conosco, Ele sabe esperar até que digamos: "Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim..."

Portanto, caríssimos, a vida é realmente um grande mistério, 

viver é uma missão que devemos cumprir certos de que somente a vontade de Deus nos leva à santidade; que essa seja a verdade vivida por cada um de nós, 

seus filhos e filhas...

Destarte, "Amar é querer o Bem, o Sumo Bem, e o Sumo Bem é Deus. Ser livre é escolher o Bem, o Sumo Bem, e o Sumo Bem é Deus." (Beato João Duns Scoto).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A PERSEVERANÇA NA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5, 1-16)(29/03/22)

Caríssimos, estamos no tempo da prova, passando pelo deserto deste mundo rumo a terra prometida, o Reino de Deus. Por isso mesmo, somos muito bem cuidados, pois, sabemos que o deserto é inóspito, mas o Senhor da nossa vida nos cuida como uma mãe cuida de seus filhos e filhas dando-lhes aconchego e proteção; desse modo, somos alimentandos por Ele com o Maná do céu, a Santa Eucaristia; e saciados com a água viva do Espírito que jorra para a vida eterna.

Com efeito, tudo o que precisamos é nos manter perseverantes no seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo, com alegria e entusiasmo, pois, estamos quase chegando na abundância dos bens eternos, que Ele tem preparado para aqueles que o amam a toda prova, como nos ensinou são Paulo: "Eis uma verdade absolutamente certa: Se morrermos com Cristo, com Cristo viveremos. Se soubermos perseverar, com ele reinaremos." (2Tm 2,11-12).

O Evangelho de hoje conta o episódio da cura de um paralítico na Piscina de Betesda, como narra são João: "Aí se encontrava um homem, que estava doente havia trinta e oito anos. Jesus viu o homem deitado e sabendo que estava doente há tanto tempo, disse-lhe: 'Queres ficar curado?' O doente respondeu: 'Senhor, não tenho ninguém que me leve à piscina, quando a água é agitada. Jesus disse: 'Levanta-te, pega na tua cama e anda.' No mesmo instante, o homem ficou curado, pegou na sua cama e começou a andar."

De certo, o que mais nos chama a atenção nesse episódio é a perseverança desse homem que mesmo convivendo tanto tempo com tal enfermidade jamais perdeu a fé e a esperança, pois, assim que ouviu as palavras do Senhor Jesus, confiou, se levantou e foi curado de imediato. Outra coisa que nos chama a atenção é o legalismo dos Judeus, que mesmo vendo tão grande milagre o rejeitaram, por ter sido realizado em dia de sábado.

Portanto, caríssimos, tenhamos cuidado para não cairmos na tentação do legalismo e nas suas consequências, pois, a Lei de Deus nos foi dada como pedagogo que nos conduz a Cristo, e não para nos afastar dele. De fato, todo legalista é exigente com os outros, mas conivente com os próprios erros, por isso, são incapazes de amar e ser misericordiosos.

Destarte, a fé verdadeira nos une ao Senhor Jesus e o permite agir em nossa vida para nos libertar do pecado que é a causa de todos os males que nos atinge, como Ele mesmo disse ao paralítico: "Eis que estás curado. Não voltes a pecar, para que não te aconteça coisa pior." Ou seja, voltar ao pecado equivale a perder o estado de graça recebido, para se deixar escravizar novamente pelo maligno.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 26 de março de 2022

AS DUAS FACES DA PRÁTICA RELIGIOSA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(26/03/22)

Caríssimos, vivemos sempre em busca de algo enquanto não repousarmos em Deus; às vezes, no entanto, nos deixamos levar pela inquietude, e perdemos facilmente a paciência e até nos irritamos quando as coisas não se dão como gostaríamos ou se contrariam os nossos interesses. De fato, se essa é a nossa postura na convivência diária, ela revela o quanto estamos distantes de Deus ainda que professemos a fé.

Por isso, precisamos fazer um bom exame de consciência, para rever a nossa convivência com Deus, conosco e com o próximo. O que realmente estamos vivendo do que nos ensinou o Senhor Jesus com o seu exemplo de vida e com a sua Palavra? Porque somente assim poderemos corrigir a nossa má conduta para darmos os frutos das virtudes eternas sem os quais não passamos de figueiras estéreis, frondosas por fora, mas ocas por dentro.

O Evangelho de hoje nos mostra as duas faces da prática religiosa; a primeira busca a glória para si mesmo e não a glória que é somente de Deus, por isso, tem como fundamento a superficialidade, as vãs comparações; os falsos julgamentos e condenações do próximo, o que resulta em uma fé falsa que nada alcança além do orgulho e da soberba, que constituem um abismo de contradições.

A segunda face da prática religiosa busca, com verdadeiro arrependimento, a misericórdia de Deus, reconhecendo-se indigno de estar na sua presença, porém, com o desejo de ser perdoado e o firme propósito de conversão; e é isso o que atrai a justificação, pois, o penitente humilde de coração alcança todas as graças que o leva ao perdão e à salvação.

Portanto, caríssimos, a fé não é uma filosofia de vida, não é uma teoria, não se funde com ideologias; não é uma prática superficial dotada de rigorismo empedernido que só serve ao radicalismo venenoso. A fé é a obediência pura e simples à Palavra de Deus cujo fundamento é o amor, a humildade, a misericórdia e o perdão, ou seja, nela não existe alarde nem falsa aparência, porque é transparência de Cristo.

Destarte, a Quaresma é um tempo propício que Deus nos dá para que amparados pelos méritos de Cristo, lutemos contra as tendências pecaminosas e assim vencermos todos os males que atentam contra a nossa integridade. Mas, para isso, é fundamental o silêncio interior e exterior, a oração do coração, a penitência e os outros exercícios quaresmais que reforçam em nós as virtudes que nos mantém em pleno comunhão de amor com o nosso Pai celestial.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

SOLENIDADE DA ENCARNAÇÃO DO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(25/03/22)

Caríssimos, em Maria a nossa liberdade encontra a sua eternidade plenamente com a encarnação do Verbo de Deus que se fez Carne e habitou nela e caminha conosco nos conduzindo à felicidade eterna. De fato, pelo sim de Maria, Deus assumiu a natureza humana e a divinizou para sempre, por isso, sejamos pacientes e esperemos a total realização dessa obra divina.

De certo, a liberdade humana é plenamente livre se se encontra na Liberdade Divina e nela permanece, caso contrário, é morta em si mesma, uma vez que a morte é o seu limite, e somente unida à Cristo é que ela pode vence-la, como nos ensinou são Paulo (cf.1Cor 15,21-58). Por isso, entregar a liberdade ao pecado, é perde-la, como nos ensina o Senhor: "Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." (Jo 8,34).

Santa Catarina de Sena discorrendo a respeito do sim de Maria pelo qual concebeu o Filho de Deus por obra e graça do Espírito Santo, disse: "Ó Maria, foi em ti que hoje apareceu a força e a liberdade de Deus. Pois eis que, após a grave e grande deliberação do conselho divino, te foi enviado um anjo, para te revelar o mistério desse conselho e pedir a tua adesão a ele.  

E o Verbo não desceu ao teu seio enquanto tu não deste o teu livre consentimento: esperou à porta da tua vontade que quisesses abrir Àquele que desejava vir a ti, e que não teria entrado se tu não Lhe tivesses aberto a porta com a tua resposta: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».

Prova nítida da força e da liberdade da nossa vontade! Sem ela, o bem e o mal não podem ser realizados; nem os demônios nem criatura alguma podem constrange-la a pecar, se ela não quiser; como também nada pode forçá-la a fazer o menor bem se ela se recusar. Sim, a vontade humana é livre, esta vontade que nada pode reduzir ao bem nem ao mal sem o seu consentimento. 

O Deus eterno bateu à porta da tua vontade, ó Maria, e se tu não tivesses querido abrir, Deus não teria se encarnado em ti. Enrubesce, pois, alma minha, vendo que o próprio Deus vem hoje assemelhar-Se a ti em Maria; hoje podes ver claramente que, embora tenhas sido criada sem a tua vontade, não serás salva se não consentires em o ser, pois Deus bate à porta e espera que Maria consinta em Lha abrir." (Santa Catarina de Sena).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

A LUTA CONTRA O MAL...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 11,14-23)(24/03/22)

Caríssimos, a grande luta interior que travamos é aquela de vencermos a nós mesmos para permanecermos em estado de graça, isto é, em plena comunhão com a vontade de Deus em todos os sentidos do nosso viver, e ninguém consegue isso sem o auxílio da sua graça. Na décima admoestação, disse são Francisco: "Teu pior inimigo és tu mesmo, vence-te a ti mesmo e nenhum inimigo visível ou invisível poderá prejudicar-te."

No Evangelho segundo são João, o Senhor Jesus assim nos ensina: "Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,5). Ou seja, é essa comunhão com Cristo que nos faz vencer a nós mesmos para darmos os frutos da sua presença em nossas almas. Porque o nosso paraíso neste mundo é o nosso livre arbítrio, e a chave que o abre e fecha é a nossa obediência a Cristo.

No Evangelho de hoje vemos a luta que o Senhor Jesus empreende contra o maligno, expulsando-o de um homem mudo, mas logo foi mal interpretado e confundido com o inimigo, no entanto, a sua resposta não deixa espaço para falsas interpretações: "Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus."

Comentando a respeito dessa luta espiritual discorreu o Papa Emérito Bento XVI: "A Quaresma lembra-nos, portanto, que a existência cristã é uma luta implacável, na qual devem ser usadas as “armas” da oração, do jejum e da penitência. Lutar contra o mal, contra todas as formas de egoísmo e ódio, morrer para si mesmo para viver em Deus, é o caminho ascético que todo discípulo de Jesus é chamado a seguir com humildade e paciência, com generosidade e perseverança.

O seguimento dócil do divino Mestre torna os cristãos testemunhas e apóstolos da paz. Poderíamos dizer que esta atitude interior nos ajuda a destacar melhor também qual deve ser a resposta cristã à violência que ameaça a paz no mundo. Certamente a não vingança, nem ódio e nem mesmo a fuga por uma falsa prática religiosa.

A resposta de quem segue a Cristo é antes a de seguir o caminho escolhido por Aquele que, perante os males do seu tempo e de todos os tempos, abraçou decididamente a Cruz, seguindo o caminho mais longo, mas eficaz do amor. Seguindo seus passos e unidos a ele, todos devemos nos opor ao mal com o bem, à mentira com a verdade, o ódio com o amor." (Bento XVI - Santa Missa das Cinzas, (01/03/2006).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 23 de março de 2022

AS EVIDÊNCIAS DA FÉ E O NOSSO ENCONTRO COM DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(23/03/22)

Caríssimos, o discipulado de nosso Senhor Jesus Cristo tem como fundamento a sua Presença Real em meio a nós, nos conduzindo pelo caminho da santidade que nos leva a vida eterna; para isso, Ele nos dá as evidências da fé que nos faz viver em constante comunhão de amor com Ele, com o Pai e o Espírito Santo; e entre nós que o seguimos.

E quais são essas evidências? A Sua Santa Igreja, tendo à frente os sucessores de Pedro, atualmente o Papa Francisco; os seus ensinamentos presente nas Sagradas Escrituras que ela transmite fielmente; os Santos Sacramentos, em especial a Santa Eucaristia que é a Sua Presença Real; o testemunho dos Santos e Santas de todos os tempos, e o nosso testemunho, pois, crer no Senhor é conviver com Ele pela oração e a vivência da Sua Palavra.

O Papa Emérito Bento XVI discorrendo sobre a evidência de Cristo conosco, disse: "A fé não significa apenas aceitar um certo número de verdades abstratas sobre os mistérios de Deus, do homem, da vida e da morte, das realidades futuras. A fé consiste numa relação íntima com Cristo, uma relação baseada no amor Daquele que nos amou primeiro (cf. 1Jo 4,11), até à oferta total de si mesmo. 

Que outra resposta podemos dar a um amor tão grande, senão a de um coração aberto e pronto a amar? Mas o que significa amar a Cristo? Significa confiar Nele mesmo na hora da provação, segui-lo fielmente também na Via Crucis, na esperança de que em breve chegará a manhã da ressurreição. Confiando-nos a Cristo não perdemos nada, mas ganhamos tudo. Em suas mãos nossa vida adquire seu verdadeiro sentido.

O amor a Cristo se expressa no desejo de sintonizar a vida com os pensamentos e sentimentos de seu Coração. Isso se realiza através da união interior baseada na graça dos sacramentos, fortalecida pela oração contínua, louvor, ação de graças e penitência. Não pode faltar uma escuta atenta às inspirações que Ele suscita através da sua Palavra, das pessoas que encontramos, das situações da vida quotidiana.

Amá-lo significa permanecer em diálogo com ele, conhecer sua vontade e realizá-la prontamente. Mas viver a fé como relação de amor com Cristo significa também estar disposto a renunciar a tudo o que constitui a negação do seu amor. Por isso Jesus disse aos Apóstolos: "Se me amais, guardareis os meus mandamentos". (Bento XVI - Santa Missa em Varsavia, 26/5/2006).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 22 de março de 2022

PERDOAR É AMAR, É FAZER A VONTADE DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,21-35)(22/03/22)

Caríssimos, a liturgia de hoje nos apresenta o tema do Perdão como condição "sine qua non" para a nossa salvação, ou seja, sem o qual não existe salvação. O perdão é o cancelamento total das ofensas e do mal praticado, e é isso o que Deus faz conosco por meio do Seu Filho amado, como nos ensinou são Paulo: "Com efeito, todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente por sua graça; tal é a obra da redenção, realizada em Jesus Cristo." (Rm 3,22-24).

Com efeito, no Evangelho de hoje Pedro faz uma pergunta ao Senhor Jesus apresentando o máximo que para ele seria possível ao ser humano perdoar: "Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Jesus respondeu: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete." Ou seja, o perdão é tão precioso, tão essencial que jamais devemos limita-lo. 

Em seguida o Senhor contou uma Parábola fazendo uma analogia entre o perdão que de Deus recebemos e o perdão que temos o dever de dar; e no exemplo dessa Parábola, o empregado não perdoou o seu devedor que pouco lhe devia, mesmo tendo sido perdoado de sua enorme dívida. Por isso, foi condenado. E o Senhor concluiu: "É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão."

De certo, eis o entendimento a que chegamos por meio deste semelhante ensinamento do Senhor: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também." (Lc 6,36-38).

Portanto, caríssimos, seguindo esses ensinamentos do Senhor Jesus aprendemos que perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus decididamente, por isso, quem ama perdoa sempre e é inatingível pelas ofensas sofridas, porque não as carrega na alma e nem a imagem negativa de seus algozes, mesmo que sejam pregados numa cruz.

Destarte, Deus nos criou por amor e somente para amar, por isso, não existe paz num coração que não perdoa; porque perdoar é uma decisão da alma fortalecida pela graça da misericórdia divina que a preenche em todos os sentidos, não deixando espaço para os ressentimentos e máguas advindas da falta de perdão.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 21 de março de 2022

O PROCESSO DE CONVERSÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,24-30)(21/03/22)

Caríssimos, a virtude da coerência ou autenticidade nos torna inabaláveis, e mesmo se sofrermos rejeição, ameaça de morte e outros impropérios semelhantes, nada nos altera ou tira-nos a calma, porque a transparência de nossas ações revelam quem somos e a missão que de Deus recebemos para levarmos a bom termo a obra da salvação. É isso o que nos mostra esta liturgia.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, depois de trinta anos vivendo na simplicidade da Sagrada Família em Nazaré, se dá a conhecer aos seus concidadãos como o Messias enviado a parir da profecia de Isaías proclamada por Ele na Sinagoga. Todavia, não foi aceito devido ao preconceito que nutriam, porque o conheciam, mas, não enxergavam quem Ele era realmente. 

No entanto, ao ser rejeitado o Senhor lhes respondeu: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria." E deu-lhes o exemplo dos profetas Elias e Eliseu, que distribuíram as bênçãos de Deus a dois estrangeiros diante da incredulidade do povo eleito. Ou seja, Deus se dá a conhecer na simplicidade do Seu Filho, porém, somente os humildes de coração o acolhem e o seguem.

Com efeito, a Palavra do Senhor Jesus é a verdade que cura, salva e faz feliz a quem o ouve com o propósito de converter-se; por outro lado, ela é pedra de tropeço para quem insiste permanecer no pecado, uma vez que o pecado escraviza quem o comete e por isso não se abrem para a conversão e a salvação que o Senhor lhes concede.

Portanto, caríssimos, escutemos são Paulo a respeito do processo de conversão: "Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito." (Rm 12,1-2).

Destarte, a fé não é um direito para que se possa exigir de Deus milagres, obrigando-o a fazer a nossa vontade; mas sim, livre adesão ao plano da nossa salvação que passa impreterivelmente pelo processo de conversão permanente, sem o qual não existe mudança de mentalidade nem comunhão com a vontade de Deus. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 20 de março de 2022

Homilia do 3°Dom da Quaresma...


 Homilia do 3° Dom da Quaresma (Lc 13,1-9)(20/03/22)

Caríssimos, a liturgia de hoje nos alerta e nos fortalece no combate contra as tentações e os pecados delas advindos. Na primeira leitura que trata do chamado do Patriarca Moisés, Deus se revela como Aquele que percebe e sente de perto os sofrimentos do seu povo e vem liberta-lo, como Ele mesmo afirma: “Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor por causa da dureza de seus opressores. Sim, conheço os seus sofrimentos. Desci para liberto-los."

Com efeito, a realidade de dor e sofrimento que hoje vivemos não é diferente da realidade daquele tempo, porém, lá com aqui a causa dessas dores são os pecados cometidos contra Deus e contra seus filhos e filhas; no entanto, tais pecados, que é a causa de todos os males, podem vir de fora ou de dentro das nossas comunidades; e a dor maior é perceber que os mais escandalosos e cruéis, por vezes, veem de dentro delas.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus, na sua ação evangelizadora, chama os habitantes de Jerusalém à conversão a partir de dois acontecimentos trágicos que se lhe noticiaram ocorridos na região da Galileia e na própria Jerusalém nos quais houveram muitas vítimas fatais: “Vós pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido tal coisa? Eu vos digo que não. Mas se vós não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo.

E aqueles dezoito que morreram, quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, ireis morrer todos do mesmo modo”. Ou seja, o Senhor Jesus nos alerta que tais acontecimentos não são frutos do acaso, mais causados, e a culpa não é só das vítimas, mas de todos os que enveredam pela via do pecado. Por isso, sem exceção, todos precisamos de conversão.

Portanto, caríssimos, a conversão a que o Senhor Jesus nos chama, consiste em combater as tentações que chegam à nossa mente, não dialogando com elas e nem permitindo que entrem em nossa vida, para assim darmos os frutos da salvação que Dele recebemos. De fato, tais tentações são vícios e tendências pecaminosas que tira-nos a paz, a alegria de viver e a disposição para humildemente servi-lo.

Destarte, atenção para este discernimento: toda tentação é sempre contra Deus, contra o próximo e contra nós mesmos. Por isso, a arma mais poderosa e eficaz contra elas é o estado de graça advindo dos Sacramentos da Penitência, da Eucaristia, e da vida de oração; sem isso corremos sério risco de nos deixar dominar pelo pecado. Escutemos, então, são Tiago: "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam." (Tg 1,12).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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