VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

domingo, 31 de julho de 2022

HOMILIA DO 18°DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 18°Dom Tempo Comum (Lc 12,13-21)(31/7/22)

Caríssimos, ao longo da história humana o poder advindo dos bens materiais sempre se mostrou um fascínio para aqueles que fizeram da cobiça uma arma para acumular indevidamente o que Deus nos deu para todos. Por isso, a sobrevivência se tornou uma questão de vida ou morte, e não mais um motivo de solidariedade e partilha fraterna.

Com efeito, está mais do que comprovado: quem se apega aos bens deste mundo ao morrer nada leva consigo a não ser o egoísmo que ceifou de seus corações a generosidade e a comunhão fraterna. Assim a Palavra do Senhor nos ensina a confiar na providência divina que tira de nossas almas o veneno da incredulidade, para nos fazer compreentender "que tudo é possível ao que crer."

Na segunda leitura são Paulo ao nos ensinar a buscar as coisas do alto nos mostra que a fé nos livra das práticas nefastas deste mundo e nos leva a viver ressuscitados com Cristo: "Irmãos, Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 

Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória." Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria." (Cl 3,1-4).

No Evangelho de hoje "alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.

Portanto, caríssimos, a vivência da fé nada mais é do que a dependência da graça de Deus que nos sustenta na vida mesmo se não a professamos devidamente. Por isso, precisamos corresponder ao que o Senhor Jesus nos ensina para darmos os frutos da salvação eterna que Dele recebemos.

Paz e Bem! 

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 30 de julho de 2022

QUANDO O PODER POLÍTICO NÃO É UM SERVIÇO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 14,1-12)(30/07/22)

Caríssimos, existe um ditado popular que diz: "Quer conhecer um homem dê poder a ele." Todavia, em se tratando do exercício do poder temporal, na verdade, esse é limitado, pois, o tempo se encarrega de suprimi-lo, porque só Deus tem todo poder sobre o céu e sobre a terra e ninguém mais. 

Por isso, o poder presente em todas as criaturas tem fim, e só resta o resultado do que foi feito com o poder recebido, desse modo, se foi usado para fezer o bem que vem de Deus, tem os méritos desse bem feito; no entanto, se foi usado para o mal, no mal será sepultado cujo resultado é a perdição eterna para quem o exerceu.

Com efeito, à todos que exercem ou se arvoram na busca frenética do poder temporal eis o que diz o Senhor: "Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. (Sab 1,1-3)

No Evangelho de hoje vemos o modo como o rei Herodes exerceu o poder político que lhe foi conferido: adulterar, fazer falso juramento, assassinar inocentes e se ufanar sem um mínimo de respeito por suas vítimas. 

E o resultado nefasto de seu desvario foi este: "No dia marcado, Herodes, vestido em traje real, sentou-se no tribunal e lhes dirigiu uma alocução. O povo aplaudia: É a voz de um deus, e não de um homem! No mesmo instante, o anjo do Senhor o feriu, por ele não haver dado honra a Deus. E, roído de vermes, expirou. (At 12,21-23).

Portanto, caríssimos, o exercício do poder temporal foi nos dado por Deus como um serviço prestado para o bem de todos, e não como instrumento de perseguição, opressão, corrupção e todos os meios perversos para se perpetuar no poder. 

Destarte, aí daqueles que usam o poder temporal de forma perversa e enganosa, infelizmente não esperem um juízo favorável no dia do juízo final, pois, não pode entrar na felicidade eterna os que causaram a morte de tantos que precisaram dos bens necessários e não obtiveram por conta do pecado da corrupção.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

SANTA MARTA, SÃO LÁZARO E SANTA MARIA, ROGAI POR NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 11,19-27)(29/07/22).

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória de três grandes amigos de Jesus: Marta, Lazaro e Maria, e nada mais desafiador do que acreditar na Palavra do Senhor que se realiza ao ser pronunciada com o poder que lhe é próprio, mas a partir da profissão de fé de Marta: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Mas mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele te concederá”. (Jo 11,21-22).

Com efeito, nós usamos a palavra para tantas coisas e muitas vezes em prol dos nossos interesses; ao contrário, o Senhor Jesus a usa para criar, libertar e salvar, porque nos ama e pelo poder da sua Palavra o demonstra. E desse modo, respondeu a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês isto?” (Jo 11,25-26).

De certo, essa mesma pergunta o Senhor Jesus nos faz principalmente quando passamos por algum momento difícil como esse de Marta que na sua dor respondeu: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. (Jo 11,27).

Ah! Quanta convicção, quanto amor, quanta confiança depositada na Palavra do seu Divino Mestre. Peçamos ao Senhor Jesus uma fé semelhante que vê acontecer o impossível ao poder humano, mas não ao Seu Poder. 

Portanto, caríssimos, crer assim é amar a Deus e amar a Deus é fazer a sua vontade como nos ensinou são João: "E nós conhecemos o amor que Deus tem para co­nosco, e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor, permanece com Deus, e Deus permanece com ele." (1Jo 4,16).

Destarte, a vida natural é tão curta se comparada com a vida eterna que temos pela frente, então, vivamos cada momento da nossa existência em perfeita comunhão com o Senhor Jesus que por seu infinito amor quis permanecer conosco para nos levar consigo à glória do Seu Reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

O REINO DOS CÉUS AINDA É COMO UMA REDE LANÇADA NO MAR E PEGA TODO TIPO DE PEIXE


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,47-53)(28/07/22)

Caríssimos, esta liturgia de hoje nos dá uma leve compreensão de como será o juízo final em que todos seremos julgados inocentes ou culpados, salvos ou condenados. Com efeito, na parábola contada por Jesus a respeito da rede que os pescadores lançaram no mar, dá pra compreender que a rede é a evangelização e os peixes são todos os seres humanos que vivem no mar revolto deste mundo.

Dá pra entender ainda que não basta ser pescados, ou seja, evangelizados, mas precisamos ser peixes bons, caso contrário, seremos descartados e lançados fora. De fato, no mar da graça de Deus não nos faltam alimentos para sermos peixes bons, e estes estão presentes nos Sacramentos, em especial a Santa Eucaristia que recebemos em cada Santa Missa.

Não nos falta o alimento da Palavra que nos fortalece em nosso processo de conversão e no propósito de santidade; não podemos esquecer a oração que é o dom do Espírito Santo que nos faz viver em perfeita comunhão com o nosso Pai celestial. Temos também como alimento o Sacramento da Confissão pelo qual recebemos o perdão e a purificação de nossas almas. 

Enfim, temos a intercessão de Maria Santíssima, são José e de todos os santos e santas como também dos nossos anjos da guarda. De certo, temos ainda as obras de misericórdia que Deus tem preparado para que as pratiquemos em favor dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados. 

Comentando esse Evangelho disse o Papa Francisco: "O julgamento final já está em curso, começa agora no decurso da nossa existência. Esse julgamento é pronunciado em cada momento da vida, como resposta ou à nossa aceitação com fé da salvação presente e operante em Cristo; ou da nossa incredulidade, com o consequente fechamento dentro de nós mesmos. 

Mas se nos fecharmos ao amor de Jesus, somos nós que nos condenamos a nós mesmos. A salvação é abrir-se a Jesus, e Ele nos salva; se somos pecadores - e todos somos - pedimos-Lhe perdão, e se vamos ter com Ele com o desejo de sermos bons, o Senhor perdoa-nos. Mas para isso temos de nos abrir ao seu amor, que é mais forte do que todas as outras coisas."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

O REINO DOS CÉUS É COMO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,44-46)(27/07/22)

Caríssimos, a maior alegria da nossa alma é permanecer na presença de Deus, é gozar da sua amizade e do seu amparo, porque somos frágeis, muito frágeis, porém, quando nos voltamos para Ele de todo coração a sua alegria nos preenche e o nosso desejo é permanecer assim como se nenhum mal existisse, como se aqui já fosse o céu.

Mas, quando o desequilíbrio deste mundo nos ataca por todos os lados e não nos firmamos no amparo do Senhor, a angústia e a ansiedade nos invade e já não nos sentimos protegidos, é como se a nossa confiança Nele fosse nos deixando, no entanto, é nesse momento que o ouvimos: “Se te converteres, converterei teu coração, para te sustentares em minha presença; se souberes separar o precioso do vil, falarás por minha boca."

E acrescenta: "Em favor deste povo, farei de ti uma muralha de bronze fortificada; combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para te salvar e te defender diz o Senhor. Eu te libertarei das mãos dos perversos e te salvarei dos prepotentes." 

Então, experimentamos de volta o seu amparo e Nele nos depositamos dizendo com o Salmista: "O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei? O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo? Quando os malvados me atacam para me devorar vivo, são eles, meus adversários e inimigos, que resvalam e caem." (Sl 26,1-2). 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus como sempre nos apresenta o Reino de Deus de forma simples e clara: “O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra e o mantém escondido. Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo. "Ou seja, vender e comprar significa deixar os nossos apegos pela liberdade do Seu Reino. E isso representa o nosso processo de conversão.

Portanto, caríssimos, qual é a pérola preciosa da nossa história de vida? O que realmente move o nosso coração, o nosso viver? As coisas que passam ou as graças que nos são dadas por deixarmos tudo para seguir Jesus? São essas respostas que precisamos dar ao Senhor como as deu Maria Santíssima, são José e todos os que o seguiram na via da santidade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 26 de julho de 2022

SÃO JOAQUIM E SANT'ANA ROGAI POR NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,16-17)(26/07/22).

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória de são Joaquim e santa Ana, pais de Maria Santíssima e avós de nosso Senhor Jesus Cristo. Comentando esta memória escreveu São João Damasceno: "Estava determinado que a Virgem Mãe de Deus iria nascer de Ana. Por isso, a natureza não ousou antecipar o germe da graça, mas permaneceu sem dar o próprio fruto até que a graça produzisse o seu.

De fato, convinha que fosse primogênita aquela de quem nasceria o primogênito de toda a criação, no qual todas as coisas têm a sua consistência (cf. Cl 1,17). Ó casal feliz, Joaquim e Ana! A vós toda a criação se sente devedora. Pois foi por vosso intermédio que a criatura ofereceu ao Criador o mais valioso de todos os dons, isto é, a mãe pura, a única que era digna do Criador. 

Ó casal feliz, Joaquim e Ana, sem qualquer mancha! Sereis conhecidos pelo fruto de vossas entranhas, como disse o Senhor certa vez: Vós os conhecereis pelos seus frutos (Mt 7,16). Estabelecestes o vosso modo de viver da maneira mais agradável a Deus e digno daquela que de vós nasceu. 

Na vossa casta e santa convivência educastes a pérola da virgindade, aquela que havia de ser virgem antes do parto, virgem no parto e continuaria virgem depois do parto; aquela que, de maneira única, conservaria sempre a virgindade, tanto em seu corpo como em seu coração.

Ó castíssimo casal, Joaquim e Ana! Conservando a castidade prescrita pela lei natural, alcançastes de Deus aquilo que supera a natureza: gerastes para o mundo a mãe de Deus, que foi mãe sem a participação de homem algum. Levando, ao longo de vossa existência, uma vida santa e piedosa, gerastes uma filha que é superior aos anjos e agora é rainha dos anjos.

Ó formosíssima e dulcíssima jovem! Ó filha de Adão e Mãe de Deus! Felizes o pai e a mãe que te geraram! Felizes os braços que te carregaram e os lábios que te beijaram castamente, ou seja, unicamente os lábios de teus pais, para que sempre e em tudo conservasses a perfeita virgindade!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 25 de julho de 2022

PODEIS BEBER O CÁLICE QUE EU DEVO BEBER?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 20,20-28)(25/07/22)

Caríssimos, pelo santo batismo recebemos a graça da salvação eterna de nossas almas, no entanto, na primeira leitura são Paulo nos adverte e nos exorta: "Irmãos, trazemos esse tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós." (2Cor 4,7). 

Ou seja, reconhecemos a nossa fragilidade para que permaneça em nós a graça recebida e assim darmos os frutos da salvação que ela exige, pois, fomos salvos não por nós, mas, por Cristo que deu a sua vida em resgate da nossa, para que, de igual modo, façamos o mesmo. E dar a vida nesse sentido é renunciar à própria vontade.

No Evangelho de hoje, "a mãe dos filhos de Zebedeu, porta-voz dos seus filhos Tiago e João, aproxima-se de Jesus para pedir um favor: "Dize a estes meus filhos que sentem-se um à tua direita e outro à tua esquerda no teu reino". De fato, é uma mãe que, do ponto de vista humano, pede o melhor para os seus filhos. Eles, porém, não compreenderam a proposta de Jesus, pois, estavam apenas preocupados com os próprios interesses. 

Jesus então lhes diz: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos". Desse modo, fá-los compreender qual é o sentido da sua vida e missão. De fato, a grandeza e o serviço de cada apóstolo reside em partilhar a vontade do Senhor, de amar o outro sempre e em qualquer circunstância, até ao ponto de o pôr à frente da própria vida. 

Desse modo, o último lugar é conceber tudo em nossas vidas como serviço e não como poder. É pensar no que podemos fazer pelo outro e não como usar o outro. Aquele que quer ser o primeiro desista do primeiro lugar, e será verdadeiramente o primeiro." (Mons. Angelo Spina, Arcebispo de Ancona - Osimo).

Portanto, caríssimos, no seguimento de Cristo não somos nós que fazemos escolhas por nós mesmos, mas somos chamados e enviados como servos de todos; quem pensa seguir o Senhor buscando vantagens pessoais cai em um destes pecados: anuncia não a Cristo, mas a si mesmo e os próprios interesses; ou então, abandona o discipulado por não ter renunciado a própria vontade para segui-lo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO 17°DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 17°Dom do Tempo Comum (Lc 11,1-13)(24/07/22)

Caríssimos, hoje seguimos o Senhor Jesus na prática da oração como os discípulos o seguiram ao pedir que lhes ensinasse a rezar como João Batista ensinou aos seus discípulos; no entanto, o ensinamento do Senhor vai além do esperado, pois, não ensina apenas se dirigir a Deus, mas a encontra-lo como Pai e a ama-lo como filhos num diálogo sensível, simples e direto.

E desse modo, nos deu a mais perfeita oração que toca de perto todos os aspectos do divino e do humano, fazendo-nos adentrar humildemente na intimidade do Pai, como era a sua prática, constatada pelos Apóstolos e por nós: "Quando rezardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação". (Lc 11,2-4).

Com efeito, tamanha é a ousadia dessa oração pela ternura e humildade com que é composta que é impossível não ser ouvida e atendida de imediato, e isso por ser um diálogo franco, expressivo e cheio de confiança de quem como uma criança se entrega totalmente ao aconchego de seu genitor. 

De certo, esse modo de rezar que o Senhor Jesus nos ensina transforma os nossos anseios em desejos, nossas necessidades em satisfação, nossos medos em confiança inabalável e a secura do deserto de nossas almas em oásis de paz interior e exterior. Mas atenção, porque toda oração requer reta intenção, autenticidade e perseverança para alcançar a graça desejada em vista da salvação de todos.

Portanto, caríssimos, como vimos no Evangelho de hoje e em toda trajetória do Senhor Jesus e de todos que o seguiram em todos os tempos, a oração é essencial para nos mantermos unidos a Deus e entre nós; aliás, são Paulo nos ensina que é o Espírito Santo que reza em nós e conosco. 

"Outrossim, o Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. E aquele que perscruta os corações sabe o que deseja o Espírito, o qual intercede pelos santos, segundo Deus." (Rm 8,26-27).

Destarte, a oração do Pai nosso é uma oração comunitária mesmo quando a rezamos sozinhos, porque por ela nos unimos a todos os filhos e filhas de Deus aonde quer que estejam.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 23 de julho de 2022

TRIGO E JOIO CRESCEM JUNTOS, MAS SÃO INCONFUNDÍVEIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 13,24-30)(23/07/22)

Caríssimos, a liturgia de hoje nos conduz à perfeita comunhão com o Senhor Jesus; e nos mostra que sem essa comunhão não tem como se deixar conduzir pelo Espírito Santo, não tem como viver segundo a Sua Vontade e nem participarmos do Reino de Deus, porque este nada mais é do que a vivência do Evangelho como Ele nos ensinou.

Com efeito, a prática da fé consiste em vivermos na presença de Deus todos os momentos de nossa vida e disso não podemos esquecer, pois, caso esqueçamos nos perdemos facilmente por nos desligarmos Dele, como nos ensina: "Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á." (Jo 15,6).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos apresenta a Parábola do trigo e do joio, e nela nos mostra que apesar do joio semeado pelo inimigo, a semente do trigo cresce, amadurece e dá muitos frutos, todavia, somente na colheita é que o joio será arrancado, amarrado e queimado, para então o trigo ser recolhido no seleiro da eternidade.

De certo, para se conhecer o trigo e o joio, o discernimento se faz necessário, pois, apesar de serem diferentes em seus conteúdos, o joio parece mais atrativo, porém, profundamente nocivo a ponto de ser arrancado, queimado e lançado fora. Desse modo, compreendemos que o cristão não vive de aparência, mas da essência da graça do Espírito Santo que age em sua alma. 

São Paulo chama o joio de obras da carne e estas são: "fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!" (Gl 5,19-21).

Por outro lado, chama o trigo de Fruto do Espírito, isto é: "caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito." (Gl 5,22-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

SANTA MARIA MADALENA ROGAI POR NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,1-2.11-18)(22/07/22).

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa de santa Maria Madalena, apóstola da ressurreição de Cristo, aquela que levou seu anúncio aos Apóstolos, e que por isso, passou a conviver com Ele nessa condição. De certo, ela chegou ao túmulo do Senhor pensando naturalmente que estava morto, mas o encontrou vivo e interagindo com ela.

De fato, são Paulo nos ensina que em nosso batismo fazemos essa mesma experiência e passamos a viver a condição de ressuscitados com o Senhor: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4)

Na primeira leitura a amada procura o amor da sua vida e o encontra e com Ele permanece depois de o procurar fora de si, que na verdade Ele já estava em sua alma, ou seja, encontrar o Senhor Jesus como único amor de nossa vida é nos deixar guiar pela fé que nada mais é do que nos deixar conduzir pelo Espírito Santo que nos ensina toda a verdade a seu respeito e que nos leva a santidade.

Portanto, caríssimos, duas são as condições da alma enamorada como vimos em santa Maria Madalena: a primeira, movida pelo amor do Senhor, ela o procura no sepulcro, que representa a nossa condição natural; a segunda, representada pelo nosso batismo, o encontra ressuscitado, o escuta e o anuncia tal qual foi enviada. E foi assim, que recebemos dos Apóstolos esse mesmo anúncio e o transmitimos cotidianamente conforme o vivenciamos no seio da Santa Igreja.

Destarte, escutemos são Paulo e façamos a mesma experiência de santa Maria Madalena que procurou o Senhor e o encontrou porque o amava: "Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus.

Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória." (Cl 3,1-4).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...