VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

POR QUE PARECE QUE TUDO DÁ ERRADO NESTE MUNDO?






Porque para muitos, Deus parece distante de tudo o que há; assim como para os “entendidos” deste mundo, Ele é o grande ausente daqui ou talvez viva em outro mundo, pouco se importando com o que somos e vivemos; por isso, não lhe dão a devida atenção ou mesmo crença. E assim, formulam teorias, patifarias, falsas religiões, vãs filosofias, cultos satânicos, músicas de igual modo diabólicas, modismos exacerbados, regras e costumes esdrúxulos e toda espécie de deformação de caráter e bons costumes. E o que vemos nesse mundo sem Deus? Miséria, decadência, indiferentismo, vícios e mais vícios e tudo o que beira ao ridículo, nada mais.

Mas será que Deus é do jeito que pensam Ele? O que é se sentir notado por Deus ou mesmo protegido por Ele? Ou, ainda, qual é a atenção que se lhe damos?

Porque, de fato, vivemos em meio a esse mundo físico como se tudo dependesse ou dependa somente de nossas decisões, sejam elas certas ou erradas, para ele ser o que é; e até nos comportamos como se não houvesse nenhuma ligação entre nosso mundo físico e o metafísico que o sustenta. E com isso, perdemos o élan vital, nossa Fonte Primeira, nosso elo sagrado; para vivermos a partir do instintivo racional, como se não tivéssemos alma imortal ou como se a vida se resumisse somente à realidade que vivemos no tempo.

Ora, para respondermos às perguntas formuladas acima, temos que fazer a experiência de ressurreição com Cristo Jesus (cf. Col 3,1-17); caso contrário, permanecemos na morte e, com isso, fazemos apenas a experiência do pecado de não crê em Deus e de não interagirmos com Ele neste mundo; pois, ninguém está mais presente e atuante na obra da criação do que o próprio Criador, haja vista as leis físicas e divinas que nos regem. Assim, queiram os homens ou não, tudo o que contraria estas leis, resulta em pesados danos, tanto para as criaturas racionais quanto para as irracionais e também para todo nosso habitat natural.

Logo, os homens que agem como se Deus não existisse, se perdem nas mais terríveis confusões, porque tudo o que empreendem, o fazem baseados em interesses materiais, visando um conforto ou uma vida melhor apenas para si e os seus; e não para o bem de todos. Desse modo, tomam decisões políticas, jurídicas, comerciais ou mesmo pessoais, profundamente tendenciosas e egoístas; isto porque os seus interesses falam mais alto do que as necessidades gritantes presente em nossa sociedade como um todo.

E assim fazem imperar a injustiça, a opressão, a corrupção, a violência e todas as mazelas que têm feito deste mundo um inferno. Porque o ser humano sem a presença de Deus em sua vida, se comporta como se fosse um demônio, visto que, não leva em conta o devir, mas apenas o ser e estar no mundo. Ora, o homem sem a esperança do devir não consegue construir um mundo novo a partir da fé em Deus e de sua comunhão com Ele, porque vive desligado Dele devido às atitudes contrárias às suas leis e mandamentos.

Portanto, quando nos sentimos notados e protegidos por Deus é porque damos a devida atenção às suas leis e nos deixamos conduzir por elas que nos levam à plenitude da comunhão como Ele, que nos redimiu para vivermos neste mundo como seus filhos e filhas, ou seja, portadores do Dom do Espírito Santo, para fazermos o bem e somente o bem que nos identifica, por meio da obediência, com o Seu Filho, Jesus Cristo, que se deu por nós, isto é, que morreu e ressuscitou para vivermos como homens e mulheres que servem a Deus dia e noite neste mundo.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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“Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rom 12,1-2).
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quinta-feira, 12 de abril de 2012

O SENHOR NOS CONHECE POR DENTRO...TUDO JÁ ESTÁ DETERMINADO EM SEU AMOR...


O SENHOR NOS CONHECE POR DENTRO...TUDO JÁ ESTÁ DETERMINADO EM SEU AMOR...

São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 31, oitavo sobre a ressurreição do Senhor

«Tocai-Me e olhai»

Depois da ressurreição, como o Senhor entrou com todas as portas fechadas (cf. Jo 20,19), os discípulos não acreditavam que Ele tivesse reencontrado a realidade do Seu corpo: supunham que apenas a Sua alma tivesse vindo, sob uma aparência corporal, como as imagens que aparecem àqueles que sonham durante o sono. «Eles julgavam ver um espírito». [...]

«Porque estais perturbados e porque surgem tais dúvidas nos vossos corações? Vede as Minhas mãos e os Meus pés». Vede, quer dizer: prestai atenção. Porquê? Porque não é um sonho que estais a ter. Vede as Minhas mãos e os Meus pés porque, com os vossos olhos acabrunhados, não podeis, ainda, contemplar o Meu rosto. Vede as feridas da Minha carne, uma vez que ainda não conseguis ver as obras de Deus.

Contemplai as marcas feitas pelos Meus inimigos, uma vez que ainda não vedes as manifestações de Deus. Tocai-Me para que a vossas mãos vos deem a prova, visto os vossos olhos estarem cegos a esse ponto. [...] Descobri os buracos nas Minhas mãos, analisai o Meu lado, reabri as Minhas feridas, pois não posso recusar aos Meus discípulos, tendo em vista a fé, o que não recusei aos Meus inimigos no suplício. Tocai, tocai [...], buscai até aos ossos, para confirmar a realidade da carne e que estas feridas, ainda abertas, atestem que sou mesmo Eu [...]

Porque não acreditais que ressuscitei, Eu que fiz reviver vários mortos à vossa vista? [...] Quando estava suspenso na cruz, insultavam-Me dizendo: «Tu, que destruías o templo e o reedificavas em três dias, salva-Te a Ti mesmo! Se és Filho de Deus, desce da cruz e acreditaremos!» (cf. Mt 27,40). O que é mais difícil: descer da cruz, arrancando os pregos, ou subir dos infernos, calcando a morte sob os Meus pés? Eis que Me salvei a Mim mesmo e, destruindo as cadeias do inferno, subi para o mundo do alto.

Paz e Bem!

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

A PROPÓSITO DA ENENCEFALIA



A PRÓPOSITO DA ANENCEFALIA

DR. CLAÚDIO FONTELES

Motiva-me ao presente escrito, o parecer da Dra. Deborah Macedo Duprat de Britto Pereira sobre o tema encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.

A idéia central está em que: “A maior parte dos fetos anencéfalos morre durante a gestação. Aqueles que não falecem durante a gravidez têm curtíssima sobrevida, de natureza meramente vegetativa, em geral de poucos minutos, ou horas.” ( parecer: item 22).

Eis raciocínio totalmente inconciliável com o princípio constitucional da inviolabilidade da vida humana ( art. 5º, caput).

Com efeito, ser a vida humana inviolável, direito pessoal individualmente garantido, conduz-nos à necessária conclusão de que o tempo de duração da vida humana – se 3 segundos, 3 minutos, 3 horas, 3 dias, 3 semanas, 3 meses, 3 anos… – não é fator decisivo para a sua eliminação consentida.

À vida humana, gestada ou nascida, garante-se sua inviolabilidade, impedindo-se sua morte, insisto, por simples projeção do decurso temporal.

O juízo, sempre temerário, sobre o tempo de duração da vida humana não chancela seja liquidada. Assim viola-se, arbitrariamente, o que a Constituição federal quer inviolável.

Diz, passo adiante, a Dra. Deborah: “34. O reconhecimento da dignidade da pessoa humana pressupõe que se respeite a esfera de autodeterminação de cada mulher ou homem, que tem o poder de tomar decisões fundamentais sobre suas próprias vidas e de se comportarem de acordo com elas, sem interferências do Estado ou de terceiros.”

Est modus in rebus.

O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana não é o apanágio do individualismo, do egocentrismo, da absoluta supremacia do eu, como o texto reproduzido indica.

O princípio constitucional da dignidade da pessoa humana se resguarda a autodeterminação de cada mulher e de cada homem, até porque nós todos, mulheres e homens, desde a concepção somos em contínuo e incessante auto-movimento nos ciclos que compõem a nossa vida, necessariamente embrionário, a que se inicie, e depois fetal, recém-nascido, criança, jovem, adulto e velho, se nos é dado viver todos os ciclos, tanto resguarda não para que nos enclausuremos, repito, na solidão egocêntrica, eis que somos seres vocacionados, porque também ínsita em nossa dimensão, a sociabilidade, portanto o princípio da dignidade da pessoa humana promove-a como ser social, e disso é expressão eloquente o artigo 3º, inciso I, da Constituição Federal a preceituar que: Art. 3º – “Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade justa, livre e solidária”.

Portanto, se vida há que se auto-movimenta no corpo materno, com ou sem deformações, mas se auto-movimenta, e vive, então como matá-la, por perspectiva meramente cronológica de sua existência?

Tal morte conduz-nos ao primado do egocentrismo, entortando a compreensão jurídica do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, que não se compraz com a absolutização do arbítrio.

Diz, ainda, a Dra. Deborah: “É dentro do corpo das mulheres que os fetos são gestados, e, mesmo com todas as mudanças que o mundo contemporâneo tem vivenciado, é ainda sobre as mães que recai o maior peso na criação dos filhos,” ( item 36 do parecer ).

O argumento não deixa de estampar discriminação.

O homem, o pai, não mencionado, não conta.

Decisão sobre a manutenção da gestação não envolve, tout court, a ideia de autonomia reprodutiva só pertinente à mulher-mãe, como expressão, no dizer da Dra. Deborah, dos “direitos fundamentais à liberdade e à privacidade”.

Pelo fato, óbvio, dos fetos serem gestados “dentro do corpo da mulher” não se pode absolutizar, na mulher, o juízo, único e exclusivo, sobre a permanência da gestação, descartada a manifestação de vontade do homem-pai.

Tal ilação é tão absurda quanto o é a ideia de Ronald Dworkin, que a Dra. Deborah reproduz nesses termos: “… uma mulher que seja forçada pela sua comunidade a carregar um feto que ela não deseja não tem mais o controle sobre seu próprio corpo. Ele lhe foi retirado para objetivos que ela não compartilha. Isto é uma escravidão parcial, uma privação de liberdade.” ( transcrição no parecer, no item 38 ).

“Escravidão parcial” é tão inapropriada, porque ou se é escravo, ou se é livre, não existe o meio-escravo, quanto inapropriado é matar a vida que se auto-movimenta e se auto-desenvolve no ventre materno, que a acolhe, pela liberdade pontual e arbitrária da mulher-mãe em desacolhê-la.

Afirma a Dra. Deborah: “Entendo que a ordem constitucional também proporciona proteção à vida potencial do feto – embora não tão intensa quanto a tutela da vida após o nascimento – que deve ser ponderada com os direitos humanos das gestantes para o correto equacionamento das questões complexas que envolvem o aborto.” ( item 41 do parecer ).

Com todo o respeito, o princípio da dignidade da pessoa humana, assim como o da inviolabilidade da vida humana, ambos contemplam a vida e a pessoa humanas em todos os seus ciclos, desde o momento-embrião até o momento-ancião, se os ciclos cumprem-se normalmente, como já o disse antes, não fazendo o menor sentido atribuir-se  a tal, ou qual, ciclo maior, ou menor, proteção constitucional.

Não existe meia-vida como não existe meia-gravidez…

Portanto, falar-se em “tutela progressiva” da vida humana é percorrer argumentação cabalmente despropositada.

A Dra. Deborah conforta-se, nessa linha de argumentação, a dizer que: “Contudo, quando não há qualquer possibilidade de vida extra-uterina, como ocorre na anencefalia, nada justifica do ponto de vista dos interesses constitucionais envolvidos, uma restrição tão intensa ao direito à liberdade e à autonomia reprodutiva da mulher.” ( item 42 do parecer ).

Aqui, tem-se diante petição de princípio, inadequada ao debate jurídico, que pede a exposição concatenada de concretos fundamentos ao amplo exame da controvérsia, do mesmo modo que em nova petição de princípio a Dra. Deborah sentencia que: “Nas audiências públicas realizadas nesta ação foi devidamente esclarecido o fato de que a menina Marcela de Jesus, que teria supostamente sobrevivido por um ano e oito meses com anencefalia não tinha na verdade esta patologia, ao contrário do que afirmaram os opositores da interrupção voluntária da gravidez, mas outra má-formação cerebral menos severa, ainda que também de caráter fatal” ( item 23 do parecer ).

Ora, e com todo o respeito à Dra. Deborah, Marcela de Jesus, é fato certo, inequívoco, e não “supostamente”. Viveu mesmo 1 ano e 8 meses, e sua morte não decorreu da anencefalia. Quais as razões apresentadas na audiência pública a dizer que o quadro de Marcela não era de anencefalia? O parecer da Dra. Deborah é omisso, e nada demonstra, como deveria, no tópico. E, como mesmo diz a Dra. Deborah, se essa “má-formação cerebral menos severa, ainda que também de caráter fatal” acontece, então havemos de concluir que o aborto, ou a antecipação terapêutica do parto, como se queira eufemisticamente chamar, também, assim, é chancelado em homenagem à dignidade da pessoa da mulher-mãe…

Por derradeiro, a Dra. Deborah afirma que: “Por outro lado, também ficou patenteado nos autos que inexiste possibilidade real de transplante dos órgãos dos fetos anencéfalos para terceiros, uma vez que há, com grande freqüência, outras malformações associadas à anencefalia” ( item 24 do parecer ).

Todavia, a Portaria nº 487, de 2 de março de 2007, do Ministério da Saúde, dispõe exclusivamente “sobre a remoção de órgãos e/ou tecidos do neonato anencéfalo para fins de transplante ou tratamento” e, em seu artigo 1º é textual no assentar que: “A retirada de órgãos e/ou tecidos de neonato anencéfalo para fins de transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de parada cardíaca.”

Como manter-se a afirmação da Dra. Deborah de que “inexiste possibilidade real de transplante de órgãos dos fetos anencéfalos”?

Na verdade, e sempre com o respeito merecido, a argumentação da Dra. Deborah, e de todos os que querem legalizar a morte do feto, ou do bebê, anencéfalo não tem base jurídica.

A Constituição brasileira de 1988, significando a resposta democrática ao sombrio período do arbítrio e do menosprezo à vida humana, foi enfática e textual – e assim aqui torno a mencionar o artigo 1º, inciso III – no marcar para todas e todos, brasileiras e brasileiros, estrangeiras e estrangeiros, que aqui vivam, como objetivo fundamental da República federativa, a diuturna construção de sociedade justa, livre e solidária.

Aqui, tenho por caracterizado o que o professor associado de instituições de direito público da Universidade de Milão-Biccoca, Filippo Pizzolato, denomina de personalismo constitucional, que nada tem a ver com o protagonismo do ser individual. Conheçamos o que diz o professor Pizzolato:

“Do modelo individualista, que nossos constituintes refutam numa versão ideal-típica, parece se contestar a própria matriz, cuja origem pode facilmente ser encontrada no direito natural iluminista e no contratualismo liberal a ele correlacionado ( de Hobbes, Locke, Rousseau, entre outros). O pressuposto cultural e antropológico dessa tradição iluminista pode remontar, porém, ao cogito cartesiano, quer dizer, à idéia de autopercepção do sujeito como indivíduo, alguém que constrói para si uma identidade prescindindo dos outros e de um tecido de relações. Por trás de tudo isso, portanto, está a idéia de indivíduo, anteriormente desconhecida, como entidade originária, enquanto tal titular de um feixe de direitos naturais cuja consistência precede a própria idéia de sociedade. Nessa perspectiva, a sociedade é apenas o fruto posterior e eventual de um livre ato de vontade ( um contrato ) estipulado entre indivíduos, todos livres, independentes e iguais. Os direitos naturais gozam, assim, de uma fundamentação autônoma, completamente racionalista e abstrata e, enquanto tal, logicamente anterior ao próprio fenômeno jurídico, que, por sua vez, é propriamente social e, por conseguinte, voluntarista. Por mais paradoxal que possa parecer, na teoria do direito natural individualista, os direitos ( naturais ) vêm antes da sociedade e, assim, assumem uma vocação absolutista, com pequena tolerância para as necessárias limitações ou mediações que as relações sociais tornam inevitáveis.” ( in – O Princípio Esquecido – coletânea de artigos organizada por  Antônio Maria Baggio – editora Cidade Nova – pg. 116-17- no artigo: A fraternidade no ordenamento jurídico italiano de autoria do citado Prof. Filippo Pizzolato).

O personalismo constitucional, por sua vez, sustenta que: “ Pertencer a uma comunidade é constitutivo e estrutural da identidade humana, não um dado acessório ou opção eventual voluntarista” ( artigo citado – pg. 118 ) porque “ … antes do indivíduo existe necessariamente uma comunidade, entendida como rede de relacionamentos, tecido de relações, quadro de solidariedade que sustenta o próprio indivíduo e permite o seu desenvolvimento,” ( ainda: pg. 118 ).

E arremata o prof. Pizzolato:

“Essa dimensão horizontal da solidariedade, já reconhecida, em que a fraternidade encontra um espaço destacado, não pode ser reduzida ao cânon, tipicamente liberal, do não prejudicar aos outros, mas encaminha e orienta o próprio exercício da liberdade, seguindo o mandato bem mais vinculativo do faça o bem ao outro ( … porque é também o seu).” ( pg. 120 ).

Nessas colocações, reconhecido fica o pensamento do filósofo Emmanuel Mounier, assim tão eloqüente:

“Trato o outro como um objeto quando o trato como ausente, como um repertório de informações, que me podem ser úteis  (G. Marcel ) ou como instrumento à minha disposição; quando o classifico definitivamente, isto é, para empregarmos exata expressão, quando desespero dele. Tratá-lo como sujeito, como ser presente, é reconhecer que não o posso definir, nem classificar, que ele é inesgotável, pleno de esperanças, esperanças de que só ele dispõe; é acreditar. Desesperar de alguém é desesperá-lo… O ato de amor é a mais forte certeza do homem, o cogito existencial irrefutável: amo, logo o ser é, e a vida vale ( a pena ser vivida). ( in- O Personalismo, pg. 48-9 , Centauro editora.).

O bebê anencéfalo ser é.

Dr. Cláudio Fonteles

Fonte: Canção Nova (11/4/2012)

terça-feira, 10 de abril de 2012

A RESSURREIÇÃO DE JESUS É O PODER DE DEUS, PARA ALÉM DE NOSSA FÉ, É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA DIVINA



A RESSURREIÇÃO DE JESUS É O PODER DE DEUS EM AÇÃO, PARA DE NOSSA FÉ, É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA DIVINA

São Máximo de Turim (? – c. 420), bispo - Sermão 39 a 

«Vai ter com os Meus irmãos e diz-lhes: 'Subo para o Meu Pai, que é vosso Pai'» 

Depois da Ressurreição, Maria Madalena, imaginando-O prisioneiro da terra, vai ao sepulcro à procura do Senhor, esquecida da Sua promessa de regressar dos mortos ao terceiro dia. [...] A sua fé humilde mas ignorante leva-a a procurar aquilo que não sabe e a esquecer aquilo que aprendeu; está pronta para a adoração mas a sua fé é ainda imperfeita. Está mais preocupada com as feridas que o Senhor sofreu na Sua carne do que com a glória da Sua Ressurreição. Chora porque ama a Cristo e aflige-se por não encontrar o Seu corpo, pois imagina morto Aquele que já reinava. [...]

Assim, à bem-aventurada Madalena foi feita a censura de demorar a crer (Lc 24,5ss), pois tarde havia reconhecido o Senhor. Por isso lhe diz o Salvador: «Não me detenhas, pois ainda não subi para o Pai» [...], ou seja, porque queres tocar-Me, tu, que ao procurar-Me por entre os túmulos, não crês que Eu tenha subido para junto do Pai, tu, que ao procurar-Me nos infernos, duvidas de que Eu tenha regressado ao Céu, tu, que ao procurar-Me entre os mortos, não esperas ver-Me vivo à direita do Pai? E por isso lhe diz: «Ainda não subi para o Pai», quer dizer, para ti ainda não subiu para o Pai Aquele que a tua fé ainda retém no sepulcro. [...]

Por isso, quem quiser tocar o Senhor deve de antemão, na sua fé, colocá-Lo à direita de Deus, e o seu coração, em vez de O procurar entre os mortos, deve tê-Lo no Céu, uma vez que o Senhor subiu para o Pai e está sempre com o Pai: «o Verbo estava em Deus,
 e o Verbo era Deus» (Jo 1,1). São Paulo ensina-nos como procurar o Salvador no Céu, ao dizer: «procurai as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus» (Cl 3,1); e, para que não façamos como Maria Madalena, acrescenta: «aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra» (Cl 3,2). Assim, se quisermos encontrar o Salvador e tocá-Lo, não é nem na terra nem debaixo dela, segundo a carne, que devemos indagar por Ele, mas na glória da divina majestade. 

Paz e Bem!

©Evangelizo.org 2001-2012

sábado, 7 de abril de 2012

O QUE ESTÁ ACONTECENDO HOJE?



O QUE ESTÁ ACONTECENDO HOJE?


A descida do Senhor à mansão dos mortos

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão  ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa.  Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E  com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.  Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos  que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos  mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de  escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado  debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre  os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza  corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o  peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.

Paz e Bem!

Fonte: De uma antiga Homilia no grande Sábado Santo - (PG43,439.451.462-463) (Séc.IV).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

FELIZ PÁSCOA 2012






Páscoa é o viver eterno que o Senhor preparou para nós em sua vitória na cruz... É a primeira graça que nos foi concedida quando do nosso batismo; assim, feitos filhos e filhas de Deus, dotados do Espírito Santo, o Senhor nos capacitou para a vida de santidade, conforme o Seu Plano para a nossa Salvação... Desse modo, já fazemos parte do Reino de Deus mesmo estando ainda neste mundo, pois todo o tempo que aqui estivermos é para testemunharmos essa verdade...

“Portanto, se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória”. (Col 3,1-4).

Feliz Páscoa da Ressurreição do Senhor e nossa!

Paz e Bem! Frei Fernando,OFMConv.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O CORDEIRO IMOLADO LIBERTOU-NOS DA MORTE PARA A VIDA




 Muitas coisas foram preditas pelos profetas sobre o mistério da Páscoa, que é Cristo, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl 1,5). Ele desceu dos céus à terra para curar a enfermidade do homem; revestiu-se da nossa natureza no seio da Virgem e se fez homem; tomou sobre si os sofrimentos do homem enfermo num corpo sujeito ao sofrimento, e destruiu as paixões da carne; seu espírito, que não pode morrer, matou a morte homicida.

Foi levado como cordeiro e morto como ovelha; libertou-nos das seduções do mundo, como outrora tirou os israelitas do Egito; salvou-nos da escravidão do demônio, como outrora fez sair Israel das mãos do faraó; marcou nossas almas como sinal do seu Espírito e os nossos corpos com seu sangue. Foi ele que venceu a morte e confundiu o demônio, como outrora Moisés ao faraó. Foi ele que destruiu a iniquidade e condenou a injustiça à esterilidade, como Moisés ao Egito.

Foi ele que nos fez passar da escravidão para a liberdade, das trevas para a luz, da morte para a vida, da tirania para o reino sem fim, e fez de nós um sacerdócio novo, um povo eleito para sempre. Ele é a Páscoa da nossa salvação. Foi ele que tomou sobre si os sofrimentos de muitos: foi morto em Abel; amarrado de pés e mãos em Isaac; exilado de sua terra em Jacó; vendido em José; exposto em Moisés; sacrificado no cordeiro pascal; perseguido em Davi e ultrajado nos profetas.

Foi ele que se encarnou no seio da Virgem, foi suspenso na cruz, sepultado na terra e, ressuscitando dos mortos, subiu ao mais alto dos céus. Foi ele o cordeiro que não abriu a boca, o cordeiro imolado, nascido de Maria, a bela ovelhinha; retirado do rebanho, foi levado ao matadouro, imolado à tarde e sepultado à noite; ao ser crucificado, não lhe quebraram osso algum, e ao ser sepultado, não experimentou a corrupção; mas ressuscitando dos mortos, ressuscitou também a humanidade das profundezas do sepulcro.

Paz e Bem!

Fonte: Da Homilia sobre a Páscoa, de Melitão de Sardes, bispo
(N.65-71: SCh123,94-100) (Séc.II)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

PRESENTES NO MUNDO, MAS COMO TESTEMUNHAS DA VERDADE...





Vivendo a aventura da salvação

Ø  Quando nos dedicamos a Deus e a tudo o que diz respeito à salvação eterna dos seres humanos que Deus criou, renovamos toda a nossa vida e a vida do universo...

Ø  Nós nos tornamos assim, amigos eternos, porque eterno é aquele que nos amou primeiro, por isso, amemo-nos uns aos outros, porque é o amor que vivemos que revela que somos verdadeiros discípulos de Cristo...

Ø  Então, cada um, em seu estado de vida, tem algo a testemunhar a respeito de sua vivência como membro ativo do Reino de Deus; logo, nossa vida e nossa história revelam quem somos diante dos homens e diante de Deus...

A maior graça que um ser humano pode receber neste mundo

Ø  Senhor da vida, só aqui em nossa naturalidade podemos te comungar, depois que partirmos daqui, jamais te comungaremos, Senhor, como o fazemos enquanto estamos aqui...

Ø   Portanto, procuremos nunca perder as oportunidades que o Senhor nos dá de participarmos da Santa Missa e nela recebê-lo em comunhão...

A respeito da Ministra que apoia a discriminação do aborto

Ø  Se a ministra tivesse sido assassinada ainda no ventre de sua mãe, por ela ter optado pelo aborto, jamais estaria aqui para querer a morte de inocentes indefesos... Logo, quanta estupidez e perversidade nas palavras dessa ministra infame...

Comentário ao relato de uma alma frustrada...

Ø  O que li foi o relato de frustrações de alguém centrado em si mesmo, mas isso é típico de quem não tem uma experiência para além do que pode alcançar com sua razão trôpega; todavia, é possível uma mudança interior que te faça compreender que a vida é bem mais do que teus julgamentos a respeito dela.

Ø  No dia que te encontrares com Deus e nele permaneceres, verás tudo a partir da ótica divina, assim, serás muito além de tuas opiniões, porque não és tu que falarás, mas a sabedoria divina que falará em ti...Dou-te um abraço bem forte, e que este meu abraço possa curar tua alma frustrada pelas perdas que sofreste...Paz e Bem!

A experiência de Deus no Tabor

Ø  Fazer a experiência do Tabor é fazer a maior experiência interior da vida humana; cada vez que comungamos Jesus Eucarístico fazemos essa mesma experiência lindíssima que fez Pedro, Tiago e João e assim experimentamos o céu acontecer em nosso interior, como eles experimentaram naquele dia no Monte Tabor... Uma feliz e santa Páscoa...

Destino certo...

Ø  Caminhar é típico de quem quer chegar aonde... E toda caminhada requer um esforço perseverante para se chegar... Porém, precisamos entender que só Deus conhece o verdadeiro destino das almas que criou, por isso, em seu Eterno Amor, Ele nos ensina o caminho certo, Seu Filho, Jesus Cristo; se não trilharmos este caminho, chegaremos a lugar nenhum, porque nada podemos por nós mesmos...

Palavras e testemunho


Penitência

Ø  Fazer penitência é fazer a experiência da misericórdia de Deus...


***
“Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor. Estai alerta para que ninguém deixe passar a graça de Deus, e para que não desponte nenhuma planta amarga, capaz de estragar e contaminar a massa inteira. Que não haja entre vós ninguém sensual nem profanador...”. (Hb 12,14-16a).
***

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

"NÃO AMEIS O MUNDO NEM AS COISAS DO MUNDO"




Por que, Senhor, somos tão fracos?
Talvez seja porque não aprendemos ainda a viver como tua imagem e semelhança...
E por isso, às vezes, fazemos da vida uma lambança só...
E o pior, é que também não aprendemos ainda a conviver contigo,
como nosso amigo, nosso Senhor, Redentor e Pai de nossas almas...
Submissos ao teu amor como deveríamos ser...
E por causa dessa fraqueza, Senhor, temos perdido muito...
Isto Porque, damos mais valor às coisas que passam do que as que não passam...

Creio que esse tem sido o grande problema da humanidade...
E por causa disso, não temos ainda vivido a verdadeira liberdade,
Porque, apegados aos bens materiais, decidimos não evitar o pecado...
Desse modo, temos sido exagerados, perdendo até mesmo o silêncio interior que nos destes, 
a partir do qual poderíamos viver mais intensamente o teu amor, 
numa sintonia perfeita no cumprimento do Plano da nossa salvação...

Senhor, por que somos tão nada? Já sei...
É porque recebemos muito de tua graça...
Mas não sabemos viver conforme a graça recebida...
E assim fazemos da vida um verdadeiro inferno...
Porque não falta prazer, emoção, sensação, desejo e vontade que não possas saciar...
E, no entanto, muitos de nós preferirmos buscar tudo isso,
no lixo do pecado que nos leva às frustrações e à perdição contida em sua prática...
Dessa forma, o mundo está como está,
sem Te encontrar e nem se encontrar...
Ou seja, profundamente perdido em si mesmo...

O que fazer, então, Senhor?
Como devemos proceder para o mal não acontecer?
“Não ameis o mundo nem as coisas do mundo.
Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.
Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procedem do Pai, mas do mundo.
O mundo passa com as suas concupiscências,
mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
“Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: o Filho de si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que o Pai faz, o faz também semelhantemente o Filho. Pois o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz; e maiores obras do que esta lhe mostrará, para que fiqueis admirados. [Portanto], De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”. (Jo 5,19-20.30).
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domingo, 1 de abril de 2012

COMO ENTENDER A FRAQUEZA HUMANA?



COMO ENTENDER A FRAQUEZA HUMANA?


Ilumina-me Senhor, com a luz de tua fortaleza...
Porque não quero sentir fraqueza alguma...
Mas, creio que só encontra a tua fortaleza divina...
Quem faz sua kenosis; quem vive o Kairós...
Ou seja, quem se esvazia totalmente,
se converte e vive o tempo da graça...

Isto porque o poder temporal que nos destes,
só o é em função do teu Poder Eterno...
De tal forma que, quem quiser se apossar do teu poder,
perderá tudo o que pensa ter, até mesmo a vida...
Mas quem perde tudo por amor de Ti,
ganha o tudo que só a Ti pertence...

Sei que o sofrimento não tem explicação,
quando sabemos que a verdadeira felicidade é isenta do sofrer...
Mas como explicar o teu sofrimento, se és Deus,
isento de tudo o que somos em nossa naturalidade?
Só o amor, o teu amor nos pode explicar...

Todavia, sei que em Ti tudo é Mistério,
Mistério que só pode ser conhecido,
quando em teu desígnio, queres revelar...
Porém, desde já em teu santo amor,
nos dás conhecer e experimentar o que reservas para aqueles que te amam...
E por isso mesmo rejeitam todo mal...

Aqui Senhor, começamos a entender o mistério do sofrimento...
Que de certa forma, tem alguma relação com o mistério da iniquidade...
Existem aqueles que sofrem por serem justos...
Este sofrimento é sofrimento salutar...
É o mesmo visto em Cristo, o teu Filho justo e santo...

Os justos não causam tais sofrimentos,
mas sofrem os sofrimentos causados pelo mistério da iniquidade,
que por meio de seus sequazes,
quer se apossar do que Te pertence Senhor...

Por outro lado, existe o sofrimento dos ímpios...
que na não comunhão com o Senhor...
multiplicam suas impiedades e os próprios sofrimentos,
causando sofrimentos aos justos que sofrem perdas aparentes...

Assim, dá pra entender não só a nossa fraqueza temporal,
mas também o nosso não ter nada definitivo aqui...
Dá pra entender por causa do devir que nos acompanha...
Por tuas promessas que alimentam nossa esperança após a ressurreição...

Então, como entender a fraqueza humana?
Toda causa gera um efeito...
Se a causa é boa, os efeitos também o são...
Se a causa é má, de igual modo ou pior,
são os seus resultados...
Isto porque, o salário do pecado é a morte...
Enquanto que, o dom gratuito de Deus se encontra em Jesus Cristo...
Quem nele crê não perece, mas tem a vida eterna...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

***
“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu Marta: Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo”. (Jo 11,25-27).
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