VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

AS GRAÇAS NOS SÃO DADAS À MEDIDA QUE AS BUSCAMOS NO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,22-26)(15/02/23)


Caríssimos, vivemos num mundo físico, mas também metafísico, isto é, envolvido pelo invisível, todavia quando pomos em prática a fé e o que nos ensina o Senhor, vemos nitidamente muito além do que os nossos olhos enxergam fisicamente, porque vemos o metáfisico que Ele nos mostra ao dar-nos as instruções necessárias que nos ajuda a enxergar o mundo e os homens como Ele mesmo os enxerga.

A liturgia de hoje nos apresenta a promessa de Deus de mudar o mundo e os homens pelo caminho da obediência aos seus mandamentos que é a via da perfeição que nos leva ao Reino dos Céus aonde viveremos para sempre na sua presença, amando-o sobre todas as coisas e amando-nos uns aos outros incondicionalmente, pois é esse o sentido de ser da nossa existência. 

No entanto, para isto precisamos eliminar o pecado da nossa prática de vida, e isso só é possível mediante a ação do Espírito Santo que nos foi dado, pois é Ele que nos inspira os bons propósitos e como realiza-los. De fato, num mundo onde ao que parece reina o pecado, como viver em permanente estado de graça? Ora, isso é realmente possível se seguirmos o que o Senhor Jesus nos ensina, caso contrário, é impossível vencermos as tentações e os pecados por nós mesmos, ou seja, com as nossas próprias forças.

No Evangelho de hoje: "Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele." E curiosamente o Senhor usou um procedimento singular, molhou os olhos do cego com a Sua saliva, e perguntou o que estava vendo ao que o ele respondeu: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”.

"Então Jesus voltou a pôr as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!" (Mc 8,25-26). Ou seja, as graças nos são dadas à medida que as buscamos no Senhor, porém, cabe somente a Ele como no-las conceder.

Portanto, caríssimos, por esse episódio percebemos que o Senhor Jesus quer que enxerguemos o mundo e os homens como Ele os enxerga, ou seja, para fazer-lhes todo o bem que precisam, para que assim possam ver além das aparências, pois, só pode enxergar bem quem olha o mundo e os homens seguindo as instruções que o Senhor Jesus nos dá.

Destarte, se só vemos a maldade que está no mundo e não fazemos o bem que precisa ser feito para ser mudado, caímos facilmente no pecado do juízo de valor e das críticas impiedosas, próprias de quem deixa de dar o verdadeiro testemunho da presença de Cristo em sua vida. Em suma, a cura da cegueira física e espiritual é fruta da conversão diária mediante as graças que nos são concedidas à medida que as buscamos no Senhor.  

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

CUIDADO COM O FERMENTO DE HERODES E DOS FARISEUS... ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,14-21)(14/02/23)


Caríssimos, no seio da Santa Igreja por vezes brotam ervas daninhas também chamadas pelo Senhor Jesus: "o fermento de Herodes e dos fariseus", que se pode traduzir por ideologias; incredulidade; corrupção, juízo de valor, e tantos outros comportamentos perversos, incompatíveis com a prática da fé, porque geram incoerência, hipocrisia e cegueira espiritual. Tomemos cuidado para não caímos nessas armadihas do inimigo de nossas almas.

Com efeito, o nosso batismo é também o Selo do Espírito Santo que nos foi dado para vencermos as tentações e os pecados que são tantos neste mundo. Como vimos na primeira leitura, outrora a humanidade mergulhou de tal forma na maldade que Deus disse: "Vou exterminar da face da terra o homem que criei; e com ele, os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de os ter feito!” (Gn 7,1).

De fato, pelo o que estamos vendo na face da terra, creio que a situação atual da humanidade piora a cada dia, pois a maldade não para de crescer em todos os sentidos de nossa existência, de modo que chegará um momento em que já não será possível a convivência fraterna, pois onde falta amor, fé e caridade, falta a verdade que autentica as nossas ações; e o resultado nefasto de tudo isso é a violência e a morte ou mesmo a destruição de tudo.

Decerto, em sã consciência nenhum verdadeiro discípulo de Cristo segue os desvarios daqueles que decidiram viver de escândalos os mais diversos, por isso, evitam todo tipo de comportamentos que contradiz a fé. E que fique bem claro, não apenas evitam, mas também se opõem, pois não é possível aceitar o que não é de acordo com o bem e à salvação das nossas almas.

Portanto, caríssimos, qual é realmente a nossa postura diante do Senhor Jesus? É coerente com o que Ele nos ensina, ou não passa da prática aparente da fé? São João escrevendo a respeito da autenticidade dos que crêem, disse: "Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos.

Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele:
aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,3-6).

Destarte, que ao menos compreendamos isto: a vida nos foi dada para vivermos segundo a vontade de Deus; e se a nossa conduta não corresponde ao seu amor por nós, precisamos reconhecer os nossos pecados, nos converter e voltarmos para Ele de todo o coração; caso contrário, não o veremos face a face, como é o seu desejo.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

DEUS É MISERICORDIOSO SEMPRE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,11-13)(13/02/23)


Caríssimos, a nossa existência é uma grande graça de Deus, pois somos sinais do seu amor e da sua presença neste mundo; no entanto, isso não nos isenta de sofrermos as tentações que se apresentam querendo nos tirar o privilégio de sermos a "imagem e semelhança de Deus". Por isso, estamos numa grande luta espiritual cujo campo de batalha é a nossa alma.

De fato, sentimos dentro de nós o poder persuasivo da concupiscência que tenta nos arrastar para as dependências psíquicas, físicas, morais e espirituais, de forma que se não lutarmos terminamos cometendo os mais insanos atos, como vimos acontecer com Caim na primeira leitura desta liturgia.

Decerto, em meio às tentações deste mundo, como vimos nessa leitura, Deus nunca nos deixa sozinhos, pois fala em nossa consciência por meio do conselho do Espírito Santo nos ajudado a vencer a nós mesmos e o maligno de quem provém todas as tentações. De fato, todos somos tentados, mas nos mantemos livres à medida que escutamos o conselho do Senhor e lhe obedecemos.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que se possa subtrair a este imperativo de amor que nos perdoa. Mesmo no último momento da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc 23,34).  

Nada que um pecador arrependido apresente diante da misericórdia de Deus pode permanecer sem o abraço do seu perdão. É por isso que nenhum de nós pode impor condições à misericórdia; porque permanece sempre como um ato de gratuidade do Pai Celestial, um amor incondicional e imerecido.

Portanto, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa. A misericórdia é esta ação concreta de amor que, perdoando, transforma e muda a nossa vida. Assim se manifesta o seu mistério divino.  

Deus é misericordioso (cf. Ex 34,6), a sua misericórdia dura para sempre (cf. Sl 136); de geração em geração abraça cada pessoa que confia nele e a transforma, dando-lhe a própria vida." (Papa Francisco - Carta Apostólica Misericordia et misera, n.2).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO 6DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 6°Dom do Tempo Comum (Mt 5,17-37)(12/02/23)


Caríssimos, devido à tantas ideologias e correntes de pensamentos; multiplicidade de religiões e seguimentos muitos estão se perdendo na confusão gerada por essa mistura obscura. No entanto, a autêntica fé em Cristo é dom do Espírito Santo que recebemos batismo e que dissipa todas as dúvidas a respeito do ensinamento e seguimento do Senhor por meio da sua Santa Igreja.

A primeira leitura nos dá um discernimento preciso a respeito da Lei de Deus: "Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás. Diante de ti ele colocou o fogo e a água; para o que quiseres, tu podes estender a mão. 

Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; ele receberá aquilo que preferir. A sabedoria do Senhor é imensa, ele é forte e poderoso e tudo vê continuamente. Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do homem. Não mandou a ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença de pecar." (Eclo 15,16-21). Ou seja, a verdadeira liberdade não consiste em apenas escolher, mas sim, em obedecer a Deus seguindo fielmente o que Ele nos ensina.

No Evangelho de hoje "disse Jesus a seus discípulos: 'Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5,17). Isso significa que acreditar no Senhor é o pleno cumprimento de toda a Lei, pois esta é um pedagogo que nos cunduz à obediência perfeita a Ele.

Desse modo, compreendemos que a Lei é uma via alargada no seu entendimento por Cristo para o seu perfeito cumprimento que se resume no "amor a Deus sobre todas as coisas coisas e ao próximo como a nós mesmos"; isso porque sem amor a Lei é apenas letra que mata a fé, a misericórdia e os bons propósitos, pois como disse o Senhor: "Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus." (Mt 5,20).

Portanto, caríssimos, a Lei de Deus não é apenas um aglomerado de normas e preceitos morais, mas sim um caminho que nos leva ao seguimento de Cristo que por sua obediência perfeita ao Pai nos conduz à perfeição da caridade e ao encontro com Ele no Reino dos Céus.

Em suma, a obediência a Cristo é a via da santidade que no liberta dos desvios das ideologias e dos falsos raciocínios; da multiplicidade de religiões e igrejas; e dos falsos doutores da lei cuja justiça lhes impede de entrar no Reino de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.


sábado, 11 de fevereiro de 2023

DEUS AGE SEMPRE NO POUCO QUE LHE OFERECEMOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,1-10)(11/02/23)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos mostra que o nosso tempo neste mundo foi abreviado por conta do pecado de Adão e Eva que foram expulsos do paraíso por causa da desobediência que cometeram; no entanto, Deus lhes prometeu o retorno pela perfeita obediência de um seu descendente que pisando a cabeça da serpente a venceu definitivamente nos libertando do pecado, para nos conduzir ao paraíso do Reino de Deus.

Com efeito, a primeira leitura nos leva a uma profunda reflexão sobre a luta contra o pecado cujo resultado dessa luta é o retorno ao estado de graça, à comunhão com o Senhor. De fato, o pecado mortal tem como consequência a perda do estado de graça, porque nos separa de Deus. Todavia, por sua Divina Misericórdia, o Senhor nos dá o perdão pelo sacrifício do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos dar a vida eterna.

Decerto, isso acontece por meio do batismo que nos purifica do pecado original, como escreveu são Paulo: "Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6,3-4).

No Evangelho de hoje são Marcos narra a multiplicação de sete pães e alguns peixes para uma multidão de mais de quatro mil pessoas, mostrando-nos que Cristo é o Pão da vida eterna que nos sustenta neste percurso que estamos fazendo de modo que os que Dele se alimentam são fortalecidos para não desfalecerem na luta contra o pecado, que é a causa de todos os males que vemos neste mundo.

Então, qual aprendizado tiramos desse episódio? O motivo da presença da multidão era a fome de ouvir a Palavra do Senhor Jesus e receber as graças que brotavam de suas ações; depois, mesmo diante da pouca fé dos discípulos que lhe apresentam as dificuldades do deserto e a escassez do necessário para saciar tanta gente, nada disso impede do milagre acontecer, porque ao dar o pouco que possuíam mais a disponibilidade em servir, foi o suficiente para o poder de Deus agir imediatamente.

Decerto, como vimos, a oração e a benção do pouco que ofereceram foram fundamentais para a realização da vontade de Deus; desse modo, a escuta da Palavra, a oração e a benção do Senhor se constitui o fio condutor de nossas ações, pois onde dois ou três ou mesmo uma grande multidão se reúne em nome de Cristo, Ele se faz presente realmente no meio deles. 

Portanto, caríssimos, a Palavra de Deus, os Sacramentos, a vida de oração pessoal e comunitária no seio da Santa Igreja nos faz participantes da Sua natureza divina cuja essência é a imortalidade, ou seja, a prática da fé faz acontecer a vontade de Deus. 

Destarte, bem-aventurados somos quando nos pomos a serviço do Senhor Jesus com o pouco que temos, pois, cremos que recebemos infinitamente mais do que lhe oferecemos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

VENCENDO AS TENTAÇÕES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 7,31-37)(10/02/23)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos remete ao primeiro pecado que deu início à todas as tragédias que se sucederam e continua se sucedendo até o fim dos tempos. Como vimos na primeira leitura, o Senhor deu aos nossos primeiros pais a graça permanente da comunhão com Ele, por meio da obediência à sua Palavra, para não cairem nas ciladas do malígno. Infelizmente, desobedeceram e com isso se esconderam do Senhor, perdendo as graças que lhes havia concedido para evitarem o pecado e as suas terríveis consequências dentre elas a morte.

Com efeito, chamo a atenção para um detalhe de suma importância nesse episódio, que nos mantém em permanente comunhão com o Senhor; trata-se de nunca escutar a voz do maligno que fala por meio dos maus pensamentos que chegam à nossa mente; por isso, é fundamental nunca dialogar com eles nem lhes dar permissão, pois, é a mesma voz que enganou nossos primeiros pais e os induziu ao pecado.

Com efeito, o livre arbítrio é o poder que Deus nos deu para dizer sempre sim a Ele; e dizer sempre não ao maligno. Decerto, felizes são aqueles que mantém o diálogo com o Senhor e lhe obedece em tudo, como Ele nos ensinou: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação, pois embora o espírito esteja preparado a carne é fraca." (Mt 26,41). Ou seja, a carne são os desejos desordenados que o maligno usa para nos enganar.

O Evangelho de hoje trata dos sinais evidentes pelos quais o Senhor Jesus se nos revela e nos tira do isolamento que o pecado nos impõe, pois a cura do surdo mudo nada mais é do que a certeza de que o Senhor nos ama e jamais nos abandona mesmo quando caímos em tentações, bem como meditamos no Salmo 106: "Louvai o Senhor, porque ele é bom. Porque eterna é a sua misericórdia. Assim o dizem aqueles que o Senhor resgatou, aqueles que ele livrou das mãos do opressor."

Portanto, caríssimos, muitas vezes as circunstâncias e as situações adversas tenta nos tirar a capacidade de comunicação e comunhão com o Senhor e entre nós, mas isso somente quando cedemos às tentações que nos levam ao pecado, à perca da liberdade e da paz.

Todavia, quando recorremos à misericórdia do Senhor mediante o arrependimento e a confissão sacramental, Ele nos perdoa e nos concede novamente as graças que havíamos perdido com a nossa queda, pois Ele conhece muito bem a nossa fragilidade e sabe que sem a sua graça nada podemos por nós mesmos.

Oremos: "Senhor, Deus de bondade e misericórdia, que para perdoar aos homens e purificar os seus pecados sacrificastes o vosso Filho que não conheceu o pecado, vede o nosso coração humilhado e contrito, e pela vossa bondade purificai-nos de todos os pecados e renovai-nos na alegria e na força do Espírito Santo, para cantarmos a vossa justiça e anunciarmos os vossos louvores. Por Cristo, nosso Senhor." (Liturgia das Horas).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sábado, 4 de fevereiro de 2023

JESUS TEVE COMPAIXÃO PORQUE ERAM COMO OVELHAS SEM PASTOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,30-34)(04/02/23)


Caríssimos irmãos e irmãs, no Sacramento do batismo, recebemos de Deus a graça da participação no Seu Reino; por isso, temos como missão e empenho de toda a vida, vivermos a dimensão do Reino desde já, para isso Ele nos deu o Seu Santo Espírito e com ele todas as graças necessárias para vivermos como Igreja, isto é, Seu Corpo Místico, do qual Ele é a cabeça e nós somos os seus membros.

Na primeira leitura, tirada da Carta aos Hebreus, assim meditamos: "Irmãos, por meio de Jesus, ofereçamos a Deus um perene sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que celebram o seu nome. Não vos esqueçais das boas ações e da comunhão, pois estes são os sacrifícios que agradam a Deus." (Hb 13,15). Ou seja, o nosso modo de ser é fruto do amor de Deus em nós e entre nós; todavia, isso requer nossa entrega total e nossa disponibilidade para servi-lo em santidade e justiça todos os dias de nossa vida.

No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus escuta o relato dos Apóstolos que retornaram da missão, percebe o cansaço que os domina e os chama para um lugar à parte aonde possam repousar; entretanto, a multidão os seguiu em busca das graças que necessitavam. O Senhor se compadeceu deles porque eram como ovelhas sem pastor e começou a ensinar-lhes muitas coisas. Isso significa que a Palavra de Deus traz em si todas as graças necessárias.

Portanto, caríssimos, mais do que nunca esse nosso mundo necessita da presença de Cristo e de sua mensagem para encontrar a verdadeira paz. Decerto, como batizados, somos os novos protagonistas desse anúncio; todavia, quem se dispõe a fazê-lo? Ou quem põe as mãos no arado sem olhar para trás? 

De uma coisa fiquemos certos, o Senhor Jesus cuida muito bem dos seus servos como vimos no Evangelho de hoje; porém, quem está disposto a servi-lo? A dizer sim, a dizer eis-me aqui?

Destarte, tudo é bom, belo, perfeito e verdadeiro segundo os critérios divinos, e assim permanece para sempre. Por isso, não destruamos com os nossos pecados a obra magnífica que Deus criou com tanto amor, pois, para constarmos no seu Testamento precisamos viver como seus filhos e filhas, caso contrário, perderemos, por negligência, a parte que nos cabe na sua herança eterna. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

PRECURSOR NA VIDA E NO MARTÍRIO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,14-29)(03/02/23)


Caríssimos, temos consciência que o tempo nos foi dado para vivermos em comunhão com a vontade de Deus por meio do seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo? De fato, tantos buscam tantas coisas quando o único necessário para se viver em paz neste mundo é o seguimento de Cristo como o fez são João Batista.

Com efeito, para percebermos melhor a gradeza do precursor do Messias meditemos com a oração do prefácio do seu nascimento: "Senhor Pai Santo, Deus eterno e Onipotente, é verdadeiramente nosso dever, é nossa salvação,
dar-Vos graças sempre e em toda a parte, por Cristo nosso Senhor. 

Ao celebrarmos hoje a glória do Precursor, São João Batista, proclamado o maior entre os filhos dos homens, anunciamos as vossas maravilhas: antes de nascer, ele exultou de alegria, sentindo a presença do Salvador; quando veio ao mundo, muitos se alegraram pelo seu nascimento; foi ele, entre todos os profetas, que mostrou o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Nas águas do Jordão, ele batizou o Autor do batismo, e desde então a água viva tem poder de santificar os crentes; por fim, deu o mais belo testemunho de Cristo, derramando por Ele o seu sangue. Por isso, com os anjos e os santos no Céu, proclamamos na Terra a vossa glória, cantando a uma só voz: Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo!" (Prefácio da Natividade de São João Batista).

No Evangelho de hoje vemos que "João não tem medo dos juízos humanos, das perseguições, das calúnias nem da morte, pois, tem uma consciência clara de sua missão. A vida do Batista se resume na necessidade de obedecer a Deus antes que aos homens." (Bento XVI).

"Na linha dos profetas e de João Batista, Jesus anunciou, em sua pregação, o juízo do último dia. Serão então revelados a conduta de cada um e o segredo dos corações. Será também condenada a incredulidade culpada que fez pouco caso da graça oferecida por Deus". (Catecismo da Igreja Católica, n° 678).

Portanto, caríssimos, estamos indo para à eternidade, temos dois caminhos diante de nós com destinos totalmente opostos; o primeiro, é o caminho de Cristo, apontado por João Batista como o Messias, que nos conduz ao céu. O segundo seguido por Herodes, Herodiades, Salomé e os convivas de Herodes, é o caminho da lascívia, da falsa afirmação, do assassinato de inocentes, que conduz à perdição eterna.

E, por incrível que pareça, a todo instante somos movidos por nossas escolhas e decisões a seguir um desses dois caminhos. No entanto, para nós que fomos batizados nos foi dado seguir o caminho de Cristo, o mesmo seguido por João Batista, que ao perder a vida natural, por conta do pecado de Herodes, tornou-se também o precursor do Martírio do Senhor.

Destarte, que o Senhor tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza a vida eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

"EU SOU A LUZ DO MUNDO"...


 FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR (Lc 2,22-40)(02/02/23)


Caríssimos: “A Igreja hoje celebra a festa da Apresentação do Senhor após quarenta dias do Natal. Este acontecimento é narrado pelo evangelista Lucas no capítulo 2. No Oriente, a celebração desta festa remonta ao século IV e, desde o ano 450, é chamada "Festa do Encontro", porque Jesus “encontra” os sacerdotes do Templo, mas também Simeão e Ana, que representam o povo de Deus. Por volta de meados do século V, esta festa era celebrada também em Roma. Com o passar do tempo, foi acrescentada a esta festa a “bênção das velas”, recordando que Jesus é a "Luz dos Gentios". (Vatican News).  

Decerto, a apresentação do Senhor no Templo, é a perfeita doação de Jesus ao Pai por meio de sua Mãe, Maria Santíssima e de são José, seu pai virginal, que o oferece em cumprimento à Lei de Moisés, mas também como um pré-anúncio do seu Sacrifício de cruz. Nessa apresentação o Espírito Santo conduz os anciãos, Simeão e Ana que anunciam sua chegada em cumprimento às profecias. 

E conforme o relato de são Lucas: "O pai e a mãe de Jesus estavam admirados com o que diziam a respeito dele. Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe de Jesus: “Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”. (Lc 2,33-35).

Decerto, esta festa revela o quanto somos amados por Deus que enviou o Seu próprio Filho para nos libertar da condenação que o pecado nos impôs. O Senhor Jesus com o seu sofrimento de cruz revelou que o Pai sofre conosco as nossas dores para atenua-las, e para nos salvar definitivamente de tudo o que nos oprime neste mundo.

Portanto, caríssimos, como Simeão e a profetisa Ana reconheceram o menino Jesus nos braços de Maria, como o Messias enviado e se entregaram ainda mais a Deus; de igual modo, precisamos desse reconhecimento e da mesma entrega para que se cumpra em nossa vida somente aquilo que Deus Pai determinou em Seu infinito amor. 

Destarte, ao celebrarmos esta festa acendemos velas lembrando que Jesus é a verdadeira luz que ilumina as trevas deste mundo como anunciou Simeão: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”. (Lc 2,29-30).

“Todos nós também somos envolvidos por esta "visão", pois quem aceita viver o Evangelho torna-se sinal de contradição. Colocar-se diante do Senhor Jesus, Luz dos Gentios, requer muita coragem, mas, ainda mais e antes de tudo, ser "de Deus", como Simeão e Ana; requer também a consciência de nem sempre ver tudo claramente, como José e Maria, que ficaram “admirados” com o que diziam de seu Filho, mas, depois, sabemos que Maria “guardava e meditava” tudo em seu coração.” (Vatican News).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

DEUS SE FAZ REALMENTE PRESENTE EM NOSSO COTIDIANO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,1-6)(01/02/23)


Caríssimos, Deus é amor e nos criou por amor, para ama-lo e nos deixar amar por Ele, para assim realizamos a sua vontade em nossa vida. Decerto, sem essa graça nos tornamos incapazes para as boas ações que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos, pois sem amor este mundo e as criaturas se destinam para o caos.

A liturgia de hoje nos mostra que no coração cheio de orgulho e preconceito não existe espaço para acolher a vontade de Deus no outro, por isso, o juízo de valor torna-se porta de entrada para todo tipo de impropérios que destrói a compreensão e a unidade que tanto precisamos para vivermos em paz. 

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "Muitas vezes, as pessoas que encontram Jesus e o reconhecem, sentem-se maravilhadas. E nós, com o nosso encontro com Deus, devemos enveredar por este caminho: sentir-nos maravilhados. É como um certificado de garantia de que esse encontro é real, não ocasional. 

Mas, afinal, por que é que os compatriotas de Jesus não O reconhecem e acreditam n'Ele? Por quê? Qual é a razão? Podemos dizer, em poucas palavras, que eles não aceitam o escândalo da Encarnação. Eles não reconhecem esse mistério, e não o aceitam. 

Não o sabem, mas a razão é inconsciente, sentem que é escandaloso que a imensidão de Deus se revele na pequenez da nossa carne, que o Filho de Deus é filho do carpinteiro, que a divindade está escondida na humanidade, que Deus habita no rosto, nas palavras, nos gestos de um homem simples. 

Eis o escândalo: a encarnação de Deus, a sua concretude, o seu "quotidiano". E Deus tornou-se concreto num homem, Jesus de Nazaré, tornou-se um companheiro de viagem, tornou-se um de nós. "Tu és um de nós": dizer isso a Jesus é uma bela oração! E porque ele é um de nós, ele compreende-nos, acompanha-nos, perdoa-nos, ama-nos tanto. 

Na realidade, é mais confortável ter um deus abstrato e distante, que não se intromete em situações e que aceita uma fé distante da vida, dos problemas, da sociedade. Ou então gostamos de acreditar num deus "efeitos especiais", que só faz coisas excepcionais e dá sempre grandes emoções. 

Em vez disso, queridos irmãos e irmãs, Deus se fez homem: Deus é humilde, Deus é terno, Deus está escondido, Ele se faz próximo de nós habitando a normalidade da nossa vida quotidiana. E assim, acontece-nos a nós como aos compatriotas de Jesus, arriscamo-nos a que, quando ele passa, não o reconheçamos.

Peçamos a Nossa Senhora, que acolheu o mistério de Deus na vida quotidiana de Nazaré, que tenhamos olhos e coração livres de preconceitos e que tenhamos olhos abertos ao espanto: "Senhor, que eu te encontre! E quando encontramos o Senhor, há este espanto. Encontramo-lo na normalidade: olhos abertos às surpresas de Deus, à Sua humilde e oculta presença na vida quotidiana." (Papa Francisco - Angelus, 4/7/21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...