VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

terça-feira, 13 de junho de 2023

VÓS SOIS O SAL DA TERRA, VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO III


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 5,13-16)(13/06/23)

Caríssimos, a obra da evangelização é uma ação direita do Espírito Santo que age em nossas almas fazendo de nós seus porta vozes para anunciarmos o Senhor Jesus e a salvação que Ele nos trouxe. São Paulo na primeira Carta aos Coríntios, disse referindo-se à sua, mas também à nossa missão: "Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!" (1Cor 9,16).

Com efeito, segundo o Papa Francisco, esse Evangelho de hoje, "põe em relevo as palavras de Jesus que descrevem a missão dos seus discípulos no mundo (cf. Mt 5, 13-16). Ele utiliza as metáforas do sal e da luz e as suas palavras dirigem-se aos discípulos de todos os tempos, por conseguinte também a nós.

Jesus convida-nos a ser um reflexo da sua luz, através do testemunho das boas obras. E diz: «Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus» (Mt 5, 16). Estas palavras frisam que nós somos reconhecidos como verdadeiros discípulos d’Aquele que é a Luz do mundo, não pelas palavras, mas pelas nossas obras. 

Com efeito, é sobretudo o nosso comportamento que — no bem ou no mal — deixa um sinal nos outros. Por conseguinte, temos uma tarefa e uma responsabilidade pelo dom recebido: a luz da fé, que está em nós por meio de Cristo e da ação do Espírito Santo, não a devemos reter como se fosse nossa propriedade. Ao contrário, somos chamados a faze-la resplandecer no mundo, a doa-la aos outros mediante as boas obras.

E quanta necessidade tem o mundo da luz do Evangelho que transforma, cura e garante a salvação a quem o acolhe! Devemos levar esta luz com as nossas boas obras. A luz da nossa fé, doando-se, não se apaga, mas reforça-se. Ao contrário, pode vir a faltar se não a alimentarmos com o amor e com as obras de caridade.

Nos sirva sempre de ajuda a proteção de Maria Santíssima, primeira discípula de Jesus e modelo dos crentes que vivem todos os dias na história a sua vocação e missão. A nossa Mãe nos ajude a deixar-nos sempre purificar e iluminar pelo Senhor, para nos tornarmos, por nossa vez, “sal da terra” e “luz do mundo”."
(Papa Francisco - Angelus - 5/2/17)

Portanto, caríssimos, viver é uma missão que cabe a nós que fomos batizados; anunciar o Evangelho é torna-lo real por nossa presença e nossas ações, bem como nos ensinou são Francisco de Assis ao evangelizar uma cidade inteira sem dizer uma palavra; e quando indagado por que não fez uma pregação, ele respondeu: "Amado irmão, quem nos viu, viu o Evangelho vivo de nosso Senhor Jesus Cristo." Ou seja, a mais autêntica pregação do Evangelho é a nossa própria vida.

Amados irmãos e amadas irmãs, a Igreja hoje celebra a memória de Santo Antônio de Pádua, e nós franciscanos a sua festa, escutemos então com amor e atenção estas frases de seus ensinamentos que muito nos edifica:

"A caridade é a alma da fé, ela a vivifica; sem amor, a fé morre...
Quem dá a Cristo, acumula tesouros no céu, e quem dá a Cristo, dá aos pobres...
Somente uma alma que reza e se humilha pode progredir na vida espiritual...
A paciência defende a alma de todas as perturbações. 
Se não houver paciência no altar do nosso coração, virá o vento das perturbações e dispersará o sacrifício das boas obras. (Santo Antônio de Pádua).

Oração e bênção de Santo António

A nossa proteção está no nome do Senhor.
R/. Que fez o céu e a terra
D/. Rogai por nós Santo Antônio
R/. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
D/. OREMOS: 
Senhor Deus, nós vos bendizemos pelas vossas maravilhas operadas em Santo Antônio, vosso confessor e doutor, e vos pedimos que sua intercessão alegre a vossa Igreja, para que ela viva em paz e unidade, caminhando incólume até as alegrias eternas junto de vós. 
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

D/. Eis a cruz ✞ do Senhor.
Afastem-se de vós todos os inimigos da salvação, porque venceu o Leão da tribo de Judá, descendente de Davi, Jesus Cristo, nosso Senhor. Aleluia!.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

AS BEM-AVENTURANÇAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-12)(12/06/23)

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Caríssimos, as bem-aventuranças são caminhos de perfeição que nos fazem chegar ao Reino dos céus conduzidos pelo Espírito Santo; elas brotam do Sagrado Coração de Jesus e chegam até nós, não apenas como desejo, mas, com a graça para pratica-las, pois nelas já está o poder que nos leva cumpri-las, basta dispor-nos para isso.
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Com efeito, nas bem-aventuranças existe uma lógica espiritual que nos leva a compreender que a nossa presente condição não é algo definitivo, mas apenas meio para chegarmos à plena consolação que o Senhor prepara para aqueles que o amam em meio às provações e dificuldades que sofrem neste mundo.
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Desse modo, compreendemos que as bem-aventuranças não são para um futuro distante, mas à medida que as vivenciamos já somos consolados por Deus que nos conhece e nos visita sensivelmente para não sucumbirmos nos desafios de fé pelos quais estamos passando como aconteceu com o seu povo no deserto. 

De fato, a princípio não dá para compreentender porque sofremos mesmo buscando realizar a vontade de Deus, no entanto, a Carta aos Hebreus nos explica: "Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige? É verdade que toda correção parece, de momento, antes motivo de pesar que de alegria. Mais tarde, porém, granjeia aos que por ela se exercitaram o melhor fruto de justiça e de paz." (Hb 12,7.11).
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Decerto, são Tiago também nos dá a compreensão do porquê das provações: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." (Tg 1,2-4). 

O fato é que nem o Filho de Deus nem a sua Santíssima Mãe nem os Apóstolos e nenhum dos seus seguidores de todos os tempos foram poupados das injustiças, das perseguições, dos sofrimentos e até da morte mesmo sem terem culpa alguma. Por isso, escutemos atentamente esta palavra da Carta aos Hebreus: "Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus. 

Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo. Ainda não tendes resistido até o sangue, na luta contra o pecado." (Hb12,1-4).

Portanto, caríssimos, felizes de nós se vivermos as bem-aventuranças como meios de santificação de nossas almas, pois elas são sinais nítidos de que estamos nos deixando conduzir pelo Espírito Santo. Aliás, a contento assim nos exorta são Paulo: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." (Rm 8,18).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 11 de junho de 2023

A FÉ NADA MAIS É DO QUE A PRÁTICA DA PALAVRA DE DEUS...


 Homilia do X Dom do Tempo Comum (Mt 9,9-13)(11/06/23)

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Caríssimos, a última frase do Evangelho de hoje é uma profunda dádiva do Coração Misericordioso de Jesus para conosco: "De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”. (Mt 9,13b). Assim respondeu Ele aos fariseus que questionaram sua ação misericordiosa em favor de Mateus quando o chamou para segui-lo; ele que era tido como um pecador público por ser cobrador de impostos, e por isso, considerado inimigo do seu povo.
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De fato, nessa frase de Jesus se encontram todas as possibilidades de conversão da humanidade decaída. Pois Ele não veio para nos condenar, mas sim, para nos perdoar e nos dar a graça de sermos santos como Ele é Santo, tal como meditamos no Evangelho de São João: "Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele." (Jo 3,16).
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Com efeito, assim começou a narração desse episódio no Evangelho de hoje: "Jesus viu um homem chamado Mateus, assentado à banca de impostos, e disse-lhe: Segue-me (Mt 9,9)." Ora, viu-o não tanto com os olhos corporais, mas com a vista da íntima compaixão. Viu o publicano, dele se compadeceu e o escolheu. Disse-lhe então: "Segue-me", que quer dizer, imita-me; segue-me, não tanto pelo andar dos pés, mas pela realização dos atos. Pois quem diz que permanece em Cristo, deve andar como ele andou (cf. 1Jo 2,6).
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Desse modo, compreendemos que a verdadeira prática religiosa consiste em fazer a vontade de Deus em todos os sentidos da vida, por isso, essa prática jamais pode ser vazia da fé que lhe acompanha, do amor e da misericórdia que a sustenta; porque sem essas virtudes tal prática se torna mero formalismo farisáico, prática nefasta inquisitória, exatamente por não cumprir a justiça divina.

Portanto, caríssimos, "A comunidade do novo povo de Deus não é uma comunidade de homens que se salvaram por si, mas que "foram salvos"; não é de justos, mas de justificados; não de livres, mas de libertados. A participação na Eucaristia é uma adesão a ação de Deus que nos salva hoje, que nos justifica neste momento, que nos liberta agora. Chamados a aproximar-nos da mesa por Ele preparada, recebemos o Pão dos pobres, o alimento que dá vigor, ouvimos a sua palavra de misericórdia que nos liberta." (Missal Romano).
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Destarte, quando olhamos atentamente os exemplos de nosso Senhor Jesus Cristo, percebemos que as suas palavras e ações são ao mesmo tempo salvadora, mas também uma censura à autossuficiência farisaica, a intolerância religiosa dos mesmos, e os atos condenatórios que com frequência apresentavam a favor de um formalismo hipócrita sem fruto algum para as almas.

Decerto, a vivência da fé nada mais é do que a prática da Palavra de Deus, isto é, da sua vontade que consiste em amar sempre, perdoar sem medida e compreender mesmo se não formos amados, perdoados e compreendidos, pois são estas virtudes que nos fazem crescer na graça, na sabedoria e na santidade de vida.
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 10 de junho de 2023

POIS É DANDO QUE SE RECEBE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,38-44)(10/06/23).

Caríssimos, dar e receber faz parte da pedagogia divina para o bem de nossas almas e a nossa salvação. Tudo o que vemos ou temos pertence a Deus e isso é inegável, pois qual de nós naturalmente permanecerá aqui para sempre? No entanto, quando nos apegamos seja a quem for e ao que for, tal apego tende a ocupar o lugar de Deus em nossa coração e assim deixamos de ama-lo devidamente sobre todas as coisas. 

Porém, quando a tudo renunciamos, o Senhor cuido muito bem do que é seu e que temporariamente nos dá. De fato, essa certeza nos livra do egoísmo e do apego às coisas deste mundo; como bem nos ensinou São Paulo: "Porque nada trouxemos ao mundo, como tampouco nada poderemos levar. Tendo alimento e vestuário, contentemo-nos com isto." (1Tim 6,8-9).

Na primeira leitura o Anjo Rafael dá a Tobit e seu filho um conselho sublime: "Fazei o bem, e o mal não vos atingirá. É valiosa a oração com o jejum, e a esmola com a justiça. Melhor é pouco com justiça, do que muito com iniquidade. Melhor é dar esmolas, do que acumular tesouros. A esmola livra da morte e purifica de todo pecado. Os que dão esmola serão saciados de vida. Aqueles, porém, que cometem o pecado e a injustiça, são inimigos de si mesmos." (Tb 12,7-9).
Sem dúvida, vivemos num mundo de extrema riqueza e também de extrema pobreza, onde os pretensos donos dos bens materiais usufruem deles, porém, vitimando, com sua ganância, a maioria que morre à míngua sem nada poder fazer. Ora, "De que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua vida?" (Mt 16,26).

Porquanto, perguntamos, onde está o Senhor em meio a tudo isso? Está nas dores dos injustiçados, nas filas dos hospitais, na fome dos desamparados e em tudo o que se assemelha à morte de cruz de seu Filho amado; desse modo, Ele denuncia as injustiças cometidas contra seus filhos e filhas que padecem com Ele as dores deste mundo. 
Portanto, caríssimos, de uma coisa fiquemos certos, todos estamos a caminho do juízo final, e como ele sará? Será conforme as obras de misericórdia praticadas ou não, como vemos no Evangelho de São Mateus, em que o Senhor Jesus dirá em sua sentença final: "Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e na prisão e me visitantes. 
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Então, lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e te socorremos? E ele responderá: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes." (Mt 25,42-45)
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Mas, atenção para o contrário disso, pois, a sentença será adversa: "Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna. (Mt 25,45-46).
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Paz e Bem! 
Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 9 de junho de 2023

NÓS SOMOS PALAVRAS VIVAS DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,35-37)(09/06/23).


Caríssimos, o Evangelho de hoje se encerra com esta frase: "E uma grande multidão o escutava com prazer." (Mc 12,37). De fato, o Senhor Jesus ensina com autoridade, sua Palavra toca no mais profundo de nossas almas e do nosso desejo de eternidade. Tudo o que Ele diz se realiza porque é a vontade de Deus Pai. 

O fato é que, na nossa condição de mortalidade, tudo é frágil, limitado, ainda que muitos se arroguem a pensar que são donos da própria vida, quando na verdade não passam de um sopro natural que lhe pode faltar a qualquer momento. Por isso, precisamos ouvir atentamente esta exortação de são Paulo: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem." (Ef 4,29).

Sem dúvida, a vida vivida na fé nos faz permanecer em comunhão com a vontade de Deus, porque Dele dependemos cem por cento como vimos acontecer na primeira leitura com a família de Tobit e Sara que venceram as tribulações pela perseverança na oração de arrependimento, súplica e ação de graças como conta o relato.

Decerto, sigamos com humildade esta outra exortação de são Paulo: "Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus." (Fl 2,2b-5).

Portanto, caríssimos, precisamos ficar atentos para não nos deixar influenciar pela mentalidade deste mundo que usa a linguagem do "politicamente correto", quando na verdade, sabemos que esse tipo linguagem se encontra dominada pelas ideologias que geram divisões, ódio, intrigas, perseguições e todo tipo de maldade contrárias à prática da nossa fé, ao amor a Deus e ao próximo como a nós mesmos.

Destarte, escutemos humildemente esta declaração "de são Jerônimo: "O Evangelho é como um campo onde se esconde o tesouro: o tesouro que é Jesus". Ora, isso nos ensina com que devoção devemos ouvir a Palavra de Deus! Com que recolhimento devemos acolher a semente do Verbo, para que frutifique no campo da nossa vida. Deus nos conceda um amor semelhante pela Sua Santa Palavra." (Cardeal Angelo Comastri). 

Oremos: "Senhor nosso Deus, que dissipais as trevas da ignorância com a luz de Cristo, vossa Palavra, fortalecei a fé em nossos corações, para que nenhuma tentação apague a chama acesa por vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

O Senhor nos abençoe e nos guarde, nos livre de todo o mal
e nos conduza à vida eterna. Amém. Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 8 de junho de 2023

A PRESENÇA REAL DE CRISTO NO SS SACRAMENTO...


 SOLENIDADE DO SANTÍSSIMO CORPO DO SENHOR (08/06/23).


Caríssimos, meditemos humildemente com estas palavras de são João Maria Vianey: "Qual de nós poderia jamais compreender que Jesus Cristo tivesse levado o seu amor pelas criaturas ao ponto de lhes dar o seu corpo adorável e o seu sangue precioso para servir de alimento à nossa alma, se Ele não no-lo tivesse dito? A alma alimenta-se do seu Salvador e fá-lo as vezes que quiser! Ó abismo de bondade e de amor de Deus pelas suas criaturas!

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna. Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós». Oh, que felicidade é para um cristão aspirar à honra imensa de se alimentar com o pão dos anjos!"

Façamos então esta oração composta por santo Tomás de Aquino: "Ó Deus todo-poderoso e eterno, eis que me aproximo do sacramento do teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo. Doente, venho ao médico de quem a minha vida depende; manchado, venho à origem da misericórdia; cego, venho ao fogo da luz eterna; pobre e desprovido de tudo, venho ao Senhor do Céu e da Terra.
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Imploro, pois, a tua generosidade imensa e inesgotável a fim de que Te dignes curar as minhas enfermidades, lavar as minhas manchas, iluminar a minha cegueira, compensar a minha indigência, cobrir a minha nudez; e que assim possa receber o Pão dos anjos (Sl 77,25), o Reis dos reis, o Senhor dos senhores (1Tim 6,15), com todo o respeito e humildade, toda a contrição e devoção, toda a pureza e fé, toda a determinação de propósitos e a retidão de intenção que a salvação da minha alma exige.
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Permite, peço-Te, que não receba simplesmente o sacramento do Corpo e Sangue do Senhor, mas toda a força e eficácia desse sacramento. Ó Deus cheio de doçura, permite-me receber de tal maneira o Corpo do teu Filho único, Nosso Senhor Jesus Cristo, este Corpo material que Ele recebeu da Virgem Maria, que mereça ser incorporado no seu Corpo Místico e fazer parte dos seus membros.
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Pai cheio de amor, permite que eu possa um dia contemplar de rosto descoberto e por toda a eternidade este Filho bem amado que me preparo para receber agora sob o véu que convém à minha condição de viajante. Ele que, sendo Deus, vive e reina contigo na unidade do Espírito Santo pelos séculos e séculos. Amém!" (São Tomás de Aquino).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

A INCOERÊNCIA É A PRIMEIRA INIMIGA DA FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,18-27) (07/06/23)


Caríssimos, as vezes vemos acontecer algumas divergências entre os irmãos que professam a mesma fé. Foi assim ao longo dos séculos e atualmente não se foge à esse tipo de contenda. Mas, porque isto acontece? No Evangelho de hoje, Jesus responde a esta pergunta no debate travado contra os Saduceus, pois estes trouxeram para dentro da fé suas próprias crenças e por causa delas puseram Jesus à prova querendo dissuadir as pessoas que Nele acreditavam, pois a Palavra de Jesus contradizia suas falsas doutrinas. 

Ora, eles afirmavam que não existe vida após a morte; enquanto, Jesus pregava o Reino de Deus, a ressurreição dos mortos, e a vida eterna. De fato, qual sentido teria a nossa vida se depois de todas as batalhas travadas contra as tentações, para permanecermos fiéis aos santos mandamentos de Deus, tudo terminasse como se a morte fosse nossa única recompensa?

Decerto, a resposta do Senhor Jesus mostrou o quão falsamente eles viviam a fé dos seus antepassados e o quanto eram intransigentes com aqueles que não aceitavam suas falsas crenças que impunham como se fossem verdadeiras; e ai de quem não os seguissem. E com isso tornaram-se intolerantes a ponto de afrontarem até mesmo o próprio Filho de Deus. 

Todavia, o Senhor lhes mostrou o quanto incorriam em graves erros por causa da miopia de suas doutrinas falsas e mortais. De fato, a incredulidade é a via de acesso mais fácil para a perdição eterna, por ela seguem todos os que negam a ressurreição dos mortos, e as bem-aventuranças do mundo novo que há de vir. 

Portanto, caríssimos, olhando esse nosso tempo e mesmo as nossas comunidades, às vezes também vemos um certo embate, por meio das mídias sociais, sobre questões de costumes na vivência da fé, especialmente pelos fazedores de opiniões que buscam seguidores para si e não para Cristo; e aqueles que simplesmente procuram viver a fé sem alardes. 

Vejamos, então, o que diz o Senhor Jesus a respeito desses pseudos evangelizadores: "Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. (Mc 12,24). Por isso, eu vos digo: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus." (Mt 7,21). "No dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,37). 

Destarte, de uma coisa fiquemos certos, o que vivemos no presente nada mais é do que a extensão do nosso devir eterno. Por isso, escutemos atentamente esta exortação de são Paulo: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isso mesmo colherá. Quem semeia na carne, da carne colherá a corrupção; quem semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna.

Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,7-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

terça-feira, 6 de junho de 2023

DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR, E A DEUS O QUE É DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,13-17) (06/06/23)


Caríssimos, olhando o mundo e a desolação que o apavora atualmente, nos sentimos como que impotentes, isto é, sem poder fazer coisa alguma; entretanto, todo bem que praticamos ainda que seja como uma gota dágua no oceano deste mundo amargurado e perdido em seus devaneios; essa mesma gota dágua significa a presença magnífica de Deus, que nos criou somente para o bem que devemos viver e fazer.

E mesmo que estejamos em meio ao caos advindo dos pecados cometidos neste mundo, que agonizante ainda resiste, mesmo atormentado por tamanhas aberrações; não desistimos de nossa fé, ao contrário, toda adversidade nos motiva ainda mais a nos manternos no caminho certo que é Cristo; pois, assim, está escrito: "Confirmavam as almas dos discípulos e exortavam-nos a perseverar na fé, dizendo que é necessário entrarmos no Reino de Deus por meio de muitas tribulações." (At 14,22).

Com efeito, se temos da parte do Senhor uma excelentíssima motivação como essa, o que nos resta fazer senão viver intensamente tudo o que Ele viveu e nos ensinou? Não nos esqueçamos que tudo neste mundo passa rumo à eternidade que se aproxima, pois não é possível que o mal prevaleça sobre o bem que Deus criou. Desse modo, renunciemos à tudo o que não é em conformidade com a vontade do nosso Pai celestial.

No Evangelho de hoje "as autoridades mandaram alguns fariseus e alguns partidários de Herodes, para apanharem Jesus em alguma palavra. Jesus percebeu a hipocrisia deles, e respondeu: “Por que me tentais? Trazei-me uma moeda para que eu a veja”. Eles levaram a moeda, e Jesus perguntou: “De quem é a figura e a inscrição que estão nessa moeda?” Eles responderam: “De César”. Então Jesus disse: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Mc 12,13.15-17a).

Decerto, "essa resposta de Jesus eleva habilmente a questão a um nível superior, advertindo sutilmente contra a politização da religião e o endeusamento do poder temporal, bem como contra a busca incessante da riqueza. Os seus ouvintes precisavam compreender que o Messias não era César e que César não era Deus.

O reino que Jesus veio estabelecer é de uma dimensão absolutamente superior. Como ele respondeu a Pôncio Pilatos: "Meu reino não é deste mundo". Os cristãos dão a César apenas o que é de César, mas não o que é de Deus. Do culto ao imperador da Roma antiga aos regimes totalitários do século passado, César tentou tomar o lugar de Deus. 

Quando os cristãos se recusam a se curvar aos falsos deuses propostos em nossos tempos, não é porque eles têm uma visão de mundo antiquada. Ao contrário, isso acontece porque estão livres das amarras da ideologia e animados por uma visão tão nobre do destino humano que não podem aceitar compromissos com nada que possa prejudicá-lo." (Bento XVI - Artigo para “Financial Times”, 20/12/ 2012).

Portanto, caríssimos, essas palavras do Santo Padre, Bento XVI, enche o nosso coração de alegria e de esperança na certeza de que Deus está passando a limpo este mundo e por sua Divina Misericórdia está nos conduzindo à felicidade eterna que Ele preparou como herança para aqueles que o amam. (cf. Rm 8,16-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 2 de junho de 2023

A NOSSA ALMA É TAMBÉM NOSSA CASA DE ORAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 11,11-26)(02/6/23).


Caríssimos, aproxima-se o dia eterno para todos nós; mas, o que é o tempo se comparado com a eternidade que temos pela frente? Por isso, não podemos viver nossos dias temporais como se fossem os únicos que temos; isto porque a vida não termina com a morte natural; aliás, Deus é eterno e tudo Ele criou com um propósito eterno, ou seja, em conformidade com a Sua eternidade, pois o tempo e os seres naturais só existem porque Ele os criou, e sem Ele nada do que criou no tempo subsiste por muito tempo.


Contudo, podemos perguntar, mas por que então existimos e estamos aqui? Qual é o real sentido de nossa vida? De uma coisa fiquemos certos, Deus é amor e tudo criou por amor e somente para o amor, sem esta convicção não existe razão para que algo tenha vida. Então, por que o mal existe? Porque não ama, e quem não ama se perde em si mesmo e por si mesmo numa perdição sem fim, por atingir o cúmulo do egoismo, da falta de amor.


Meditemos, então, o que São Pedro nos ensina na sua primeira carta: "Caríssimos, o fim de todas as coisas está próximo. Vivei com inteligência e vigiai, dados à oração. Sobretudo, cultivai o amor mútuo, com todo o ardor, porque o amor cobre uma multidão de pecados." (1Pd 4,7-8). Ora, isso significa que só existe felicidade no amor e na unidade desse amor, porque o amor é fruto do Espírito do Senhor; sem o Espírito de Cristo ninguém ama, ninguém é bom, ninguém é perfeito.


Triste é a vida daqueles que se movem por força dos interesses mesquinhos, porque não levam em conta o que Jesus viveu e nos ensinou a viver: "Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida por muitos." (Mt 20,28). Mas, tudo pode mudar totalmente à medida que se convertem seguindo as vias da fé e da oração. 


Pela fé e a oração encontramos Deus e convivemos com Ele, o escutamos e pomos em prática a sua vontade. Desse modo, compreendemos que a fé é a oração posta em ação, ou seja, é o canal pelo qual o Espírito Santo realiza o plano de Deus para a nossa salvação. É por isso que o Senhor Jesus disse: "Tudo é possível àquele que crê." (Mc 9,23).


No Evangelho de hoje ao expulsar do Templo os vendilhões disse o Senhor Jesus: "A minha casa será chamada casa de oração para todos os povos". E vós fizestes dela um covil de ladrões" (Mc 11,17). "Com isso percebemos o respeito infinito que devemos ter a qualquer igreja ou capela, e com que recolhimento e respeito temos de nos comportar quando nos encontramos nesses locais.

A palavra de Nosso Senhor também se aplica à nossa alma, pois também ela é uma casa de oração; da nossa alma deveria elevar-se ao céu uma oração contínua como nuvem de incenso; mas quantas vezes as distrações, os pensamentos terrenos, os pensamentos que não são para maior glória de Deus, até os pensamentos maus a ocupam, a enchem de ruído, de perturbação e de sujeira, fazendo dela um covil de ladrões! 

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Esforcemo-nos o mais que pudermos por fazer que o nosso espírito esteja sempre ocupado com Deus ou com aquilo que Ele nos encarrega de fazer ao seu serviço; e que, enquanto fazemos aquilo de que Ele nos encarregou, estejamos continuamente a olhar para Ele, sem dele afastar jamais o coração, e os olhos o menos possível, olhando para as nossas ocupações apenas o necessário e nunca desviando o coração.

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Que Deus seja o Rei dos nossos pensamentos, o Senhor dos nossos pensamentos, que o seu pensamento nunca nos abandone, e que tudo o que dizemos, fazemos e pensamos seja para Ele, seja dirigido pelo seu amor." (São Charles de Foucauld). 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quinta-feira, 1 de junho de 2023

JESUS, FILHO DE DAVI, TEM PIEDADE DE MIM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 10,46-52)(01/06/23)


Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da cura do cego de Jericó que muito tem a nos ensinar. O evangelista Marcos narra que a única riqueza que o cego possuía era a fé em Jesus, a oração de arrependimento, súplica e a perseverança, não obstante aqueles que queriam impedi-lo de aproximar-se de Jesus, no entanto, ele só parou sua oração quando foi atendido.

Fazendo uma comparação entre a cegueira de Bartimeu e a nossa, escreveu são Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja: "Que todo o homem que conhece as trevas que fazem dele um cego, grite a plenos pulmões: «Jesus filho de David, tem piedade de mim!» Mas ouçamos também o que se segue aos gritos do cego: «Muitos repreendiam-no para que se calasse». 

Quem são estes? Eles representam os desejos da nossa condição neste mundo, são os vícios do homem e os seus tumultos, fatores de confusão que, querendo impedir a vinda de Jesus a nós, perturbam o nosso pensamento semeando a tentação, e querem abafar a voz do nosso coração que reza.

O que fez este cego para receber a luz, mau grado estes obstáculos? «Ele gritava cada vez mais: "Filho de David, tem piedade de mim"». Sim, quanto mais o tumulto dos nossos desejos nos acabrunhar, mais insistente deve ser a nossa prece. Quanto mais abafada for a voz do nosso coração, mais vigorosamente ela deve insistir, até se sobrepor ao tumulto dos pensamentos invasores e tocar o ouvido fiel do Senhor. 

Creio que todos nos reconheceremos nesta imagem: quando nos esforçamos por desviar o nosso coração deste mundo e o reencaminhar para Deus, há muitas coisas importunas que pesam sobre nós e que temos de combater; é um enxame que o desejo de Deus tem dificuldade em afastar dos olhos do nosso coração. 

Mas, persistindo vigorosamente na oração, deteremos no nosso espírito Jesus que passa. Daí que o evangelho diga: «Jesus parou e disse: "Chamai-o"». De fato, o sentido da oração é encontrar o Senhor no coração de nossas almas, isto é, em nossa consciência e deixar que Ele nos fale curando a nossa cegueira e as nossas feridas.

Portanto, caríssimos, a oração e a persistência do cego Bartimeu, "é útil e necessário em todas as circunstâncias. Porque desejar ser ajudado sempre e em todas as coisas é afirmar claramente que se tem necessidade do auxílio divino, tanto quando as coisas são favoráveis e sorriem, como nas provas e nas tristezas: só Deus nos afasta da adversidade, só Ele faz durar a nossa alegria; num e noutro caso, a fragilidade humana não se sustém sem o auxílio divino." (São João Cassiano - Sobre a oração, cap. X; SC 54).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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