VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

sábado, 15 de junho de 2024

SEJA O VOSSO SIM, SIM; E O VOSSO NÃO, NÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,33-37)(15/6/24)

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1. Caríssimos irmãos e caríssimas irmãs, a liturgia deste dia nos ilumine com a meditação de parte do Sermão da Montanha, célebre ensinamento do Senhor Jesus, por meio do qual ele eleva à plenitude a Lei divina do amor de Deus, dada ao povo eleito por meio de Moisés no monte Sinai. 
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2. E hoje meditamos sobre a transparência com que devemos dar o nosso testemunho de fé, por meio da prática da vida, pois esta é uma prática diária que resulta no estado de alma que temos de acordo com o bem ou o mal que fazemos, dependendo das nossas escolhas e decisões. 
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3. De uma coisa fiquemos certos a vida é uma missão e quando a cumprimos fielmente conforme a graça que nos é dada, tudo concorre para o bem de nossas almas e para a nossa felicidade eterna, como vimos na primeira leitura, em que o Profeta Elias, a pedido de Deus, chamou como servo Eliseu, para dar continuidade à missão profética que o Senhor lhe confiara.
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4. Ora, um dos fundamentos da missão é a renúncia de si mesmo, isto é, da própria vontade, pondo-se à disposição do Senhor, para realizar os seus desígnios de amor. Escutemos, então, com humildade e atenção estas palavras do Senhor Jesus: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).
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5. De fato, muitos não são felizes porque não abrem mão da própria vontade, querem que Deus se adapte ao seu modo de viver, carregado de caprichos e apegos que não passam de entraves impostos contra a livre ação do Espírito Santo; por isso, quando as coisas não acontecem como planejaram se afastam da fé e passam a viver de acordo com a mediocridade da indiferença que cultivam. 
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6. Portanto, caríssimos, eis o que diz o Senhor no Evangelho de hoje: "Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. (Mt 5,37). Decerto, esta é a regra de ouro que nos firma na verdade: bem é bem; mal é mal, e nunca se misturam. Ou seja, o que é mal só vem do mal; o que é bem só vem do bem. 
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7. Por isso, muito cuidado com o bem aparente, pois este não passa de armadilha perversa que nos afasta do estado de graça, como Jesus nos ensinou: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 

8. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! (Mt 7,21-23). 
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9. Eis então como discernir o bem verdadeiro: "Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos." (Ef 2,8-10). 
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10. Por fim, escutemos atentamente este comentário de São João Maria Vianey: "Jesus Cristo recomenda-nos que tenhamos o cuidado de não nos associarmos a ninguém que seja enganador por palavras ou por obras. De fato, meus irmãos, vemos que nada é mais indigno de um cristão, que deve ser fiel imitador do seu Deus, que é a própria justiça e a verdade, do que pensar uma coisa e dizer outra. 
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11. É por isso que Jesus Cristo nos recomenda no Evangelho que nunca mintamos: "A vossa linguagem deve ser: "Sim, sim; não, não". E São Pedro diz-nos que sejamos como as criancinhas, simples e sinceras, inimigas da mentira e da dissimulação (cf. 1P 2,2).
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(São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars - Sermão para o 7.º Domingo depois do Pentecostes). 
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

A LEI PERFEITA DA LIBERDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(12/6/24)

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1. Caríssimos, a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras é a Sua Voz escrita falando conosco diretamente; quem a vive fielmente, a proclama com perfeição tornando-se assim seu porta voz. Pois, "A Palavra de Deus é a Verdade; Sua Lei, liberdade." Uma alma repleta da Sua Santa Palavra santifica-se cada vez que a pronuncia, pondo-a em prática. 
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2. É bem como nos ensinou São Tiago: "Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. Mas, aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder." (Tg 1,22.25).
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3. Ora, o Senhor tudo criou com perfeição por meio da Sua Palavra, e isto está presente nos mínimos detalhes que Ele nos revela ao contemplamos as suas criaturas, de modo que ninguém fora de sua vontade pode reproduzir tal perfeição.
4. Por exemplo, o Senhor nos deu dois olhos, dois ouvidos e todos os outros sentidos com os quais percebemos e discernimos naturalmente o que nos convém. Também nos deu a consciência como o coração de nossa alma, por ela conhecemos o bem e o mal, e por meio do livre arbítrio decidimos o nosso modo de ser santos seguindo os seus mandamentos.
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5. Dito isso, meditemos com as palavras de São Tiago: "Já o sabeis, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar; porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a palavra em vós semeada, que pode salvar as vossas almas." (Tg 1,19-21).
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6. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos ensina: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus." (Mt 5,17-19).
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7. Meditemos então com estas palavras do saudoso Papa Bento XVI: "Quando o Senhor Jesus ensinava as multidões, não deixava de confirmar a lei que o Criador tinha inscrito no coração do homem e que depois tinha formulado nas tábuas do Decálogo.
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8. Mas Jesus mostrou-nos com uma nova clareza o centro unificador das leis divinas reveladas no Sinai, ou seja, o amor a Deus e ao próximo: "Amar [a Deus] com todo o teu coração, com toda a tua mente e com todas as tuas forças, e amar o teu próximo como a ti mesmo vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc 12,33). 
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8. De fato, Jesus, na sua vida e no seu mistério pascal, realizou toda a lei. Unindo-se a nós através do dom do Espírito Santo, Ele leva conosco e em nós o "jugo" da lei, que se torna assim uma "carga leve" (Mt 11,30). 
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9. Neste espírito, Jesus formulou a sua lista das atitudes interiores de quem procura viver profundamente a fé: Bem-aventurados os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5, 3-12).
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Que o Senhor na sua infinita misericórdia tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

NO REINO DE DEUS TUDO É GRATUITO INCLUINDO O SEU ANÚNCIO...

PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 10,7-13)(11/6/24)
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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a misericórdia e o poder de Deus se manifestam na vida e nas ações daqueles que lhes são consagrados e escolhidos pelo Espírito Santo para o serviço que o Senhor lhes confia. É bem como vimos na primeira leitura (cf. At 13,2-3).
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2. Com efeito, a nossa estadia neste mundo é curta e tem como finalidade o anúncio do Reino de Deus, que se fundamenta na justiça e na paz; na justiça que consiste no julgamento deste mundo; na paz, porque pós julgamento, segue-se a renovação do mesmo, quando Cristo será tudo em todos; e porá seus inimigos por escabelo de seus pés, o último a ser destruído será a morte (cf. 1Cor 15,25-26).
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus envia seus discípulos com as seguintes recomendações: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. 
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4. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento." (Mt 10,7-10).
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5. Decerto, para muitos essas recomendações do Senhor são de difícil alcance, mas isso acontece porque vivemos num mundo onde o cultura do ter, do poder, do prazer e do aparecer tornou-se regra geral e por isso, poucos escutam e põem em prática as Palavras do Senhor. 
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5. Todavia, convém lembrar um dos ensinamentos mais práticos da fé: a felicidade eterna consiste em vivermos neste mundo como filhos e filhas de Deus, fazendo em tudo a Sua Santa Vontade (cf. Mt 7,21-27).
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6. Comentando o Evangelho de hoje disse o Mons Ângelo Spina: "Jesus envia os discípulos a anunciar o Reino sempre a caminho com quatro empenhos a realizar: curar os doentes, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos, expulsar os demônios. Ora, para levar o anúncio do Reino aos irmãos e irmãs, para se pôr a trabalhar na vinha do Senhor, não é preciso ter muitos recursos materiais ou muito tempo. 
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7. O que Jesus pede é que se diga um "sim" generoso; Ele fará o resto. O anúncio do Evangelho, tal como é apresentado por Jesus, é gratuito: "De graça recebestes, de graça dai". Nem prata, nem dinheiro, nem cintos, nem sacos de viagem, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajados. 
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8. Que lindo ouvir estas palavras: "De graça recebestes, de graça dai". Esta expressão perturba a nossa concepção econômica da vida. Porque, habitualmente, dizemos: eu te dou algo se me deres algo em troca, tu começas a dar-me algo e, se me apetecer, serei generoso contigo. 
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9. O verdadeiro testemunho de vida consiste na gratuidade. Os servos de Deus não trabalham para a sua própria honra, nem para a sua própria grandeza, nem para o seu próprio enriquecimento. A gratuidade manifesta um despreendimento interior e efetivo de tudo, mesmo da procura de gratificação que muitas vezes contamina até as nossas obras santas. 
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10. A única recompensa é a que vem de Deus, a que Deus dá quando e como quer; de fato, a única recompensa é o próprio Deus. Se Deus não for tudo para nós, se não procurarmos a alegria nele, seremos sempre tentados a nos apegar às coisas ou às pessoas e, em última análise, a nós mesmos. 
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11. Dar livremente significa também não tornar pesado o nosso serviço, dar tudo sem ostentação e sem esperar qualquer reconhecimento. De fato, damos de graça não porque somos tolos e sonhadores ingênuos, mas porque damos a Deus! De graça recebestes, de graça dai e tereis um tesouro de riqueza espiritual."
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(Mons. Angelo Spina, Arcivescovo di Ancona - Osimo e Vice Presidente della Conferenza Episcopale Marchigiana).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

BEM-AVENTURADOS OS POBRES PORQUE DELES É O REINO DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,1-12)(10/6/24)


1. Caríssimos, quem nunca na vida sofreu alguma tribulação ou desafio de fé? Quem nunca na vida chorou ou lamentou-se devido às dificuldades advindas das próprias fraquezas ou das fraquezas dos outros? 
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2. É isso o que nos responde a liturgia de hoje, ao nos mostrar que mesmo vivendo neste vale de lágrimas nenhum filho ou filha de Deus deixa de ser consolado e amparado por Ele nas tribulações que sofrem neste mundo.
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a via da perfeição, que nos leva à santidade: “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus." A virtude da pobreza, consiste em viver sem apego ou a preocupação em possuir as bens deste mundo.
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4. "Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados." Essa Bem-aventurança nos diz da visita interior que Deus nos faz quando passamos por diversas tribulações. "Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra." Trata-se da salvação eterna de nossas almas prometida por Jesus, àqueles que o amam e se exercitam na virtude da humildade.
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5. "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados." Não se trata da justiça dos homens que é falha, mas sim da justiça de Deus que conhece as nossas intenções e os nossos atos (cf. Sl 138). "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia." De fato, dependemos totalmente da misericórdia divina, e ela é alcançada por aqueles que a exercem para com os outros (cf. Tg 2,12-13).  
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6. "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus." Sem dúvida, os nossos olhos são para ver a Deus face a face, e não para ver imagens impuras advindas da Internet ou outros meios. A pureza de coração é uma ação do Espírito Santo nas almas que se consagram ao Senhor e o amam incondicionalmente. 
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7. "Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus." Ora, a paz é fruto do Espírito Santo presente no coração de quem perdoa sempre. "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus." Isto é, por causa do seu anúncio que se cumpre na íntegra, pois, todos seremos julgados.
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8. Portanto, caríssimos, peçamas ao Senhor Jesus a graça para fazermos das Bem-aventuranças a nossa regra da vida eterna, o nosso caminho para o céu, e que Ele nos dê a perseverança e a disciplina interior para pô-las em prática.
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9. Meditemos então com estas belas palavras do Cardeal Angelo Comastri: "A santidade é a verdadeira juventude: a juventude do coração. Porque ela é novidade: é a verdadeira novidade. Jesus disse-o no Evangelho. Que novidade é essa? Ora, todos querem dinheiro; o bem-aventurado torna-se pobre porque encontrou Deus e as coisas do mundo já não o atraem. Muitos quando ofendidos procuram vingar-se; o bem-aventurado é um ser manso que não sabe o que é vingança. 
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10. Muitos só pensam em si mesmos. O bem-aventurado é misericordioso e sente ternura por todos. Muitos procuram os prazeres e os caprichos pensando ser livres: o bem-aventurado liberta-se de tudo isso com a pureza dos sentimentos; pois, esta é a verdadeira liberdade. Muitos se queixam nas provações, o bem-aventurado, pelo contrário, alegra-se porque nas provações já ouve os sons de uma festa próxima e vê a luz de um novo dia. 
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11. Enfim, o bem-aventurado fixou na sua mente a palavra de Jesus: "Alegrai-vos e exultai, porque grande será a vossa recompensa no céu!" Destarte, a santidade não é sinônimo de tristeza, mas sim, de alegria. Se há uma tristeza, essa é a de não sermos santos ainda." 
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(Commento del giorno 10 giugno 2024, lunedì della X settinana del Tempo Ordinario - Card. Angelo Comastri).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 8 de junho de 2024

IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA, ROGAI POR NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,41-51)(08/6/24)

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"Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida." (Pr 4,23).
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1. Caríssimos, essas palavras do Livro de Provérbios nos ajuda a compreender e viver com profunda devoção a memória do Imaculado coração de Maria que a Igreja hoje celebra. Pois, como a nota de rodapé desse versículo diz: “O coração é, na Bíblia, considerado como sede da inteligência, dos desejos, dos pensamentos, da vontade, da consciência. É dele que brotam todas as fontes da vida" em especial o amor incondicional.
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2. Com efeito, o coração Imaculado da Virgem Mãe é a fonte geradora do Sacratíssimo Coração de Jesus; pois, naturalmente o primeiro órgão gerado da criança no seio materno é o coração e ele começa a bater exatamente no mesmo ritmo do coração de sua mãe. Assim foi com o Sagrado Coração de Jesus no seio de Maria Santíssima e continuará sendo assim por toda a eternidade. 
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3. Destarte, recitemos devotamente este maravilhoso hino do ofício das leituras desta memória:
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_Aquele a quem adoram
o céu, a terra, o mar,
o que governa o mundo,
na Virgem vem morar.
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A lua, o sol e os astros
o servem, sem cessar.
Mas ele vem no seio
da Virgem se ocultar.
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Feliz, ó Mãe, que abrigas
na arca do teu seio
o Autor de toda a vida,
que vive em nosso meio.
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Feliz chamou-te o Anjo,
o Espírito em ti gerou
dos povos o Esperado,
que o mundo transformou.
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Louvor a vós, Jesus,
nascido de Maria,
ao Pai e ao Espírito
agora e todo o dia._
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4. *Sacratíssimo Coração Jesus, Imaculado coração de Maria, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.*
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5. Por fim, meditemos com amor e devoção estas palavras de São Padre Pio de Pietrelcina: "Gostaria de ter uma voz forte para convidar os pecadores de todo o mundo a amarem a Virgem Maria. Mas como isso não está ao meu alcance, pedi ao meu anjo que o fizesse por mim. Pobre Mãezinha, como me ama!
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6. Quando penso nos inúmeros benefícios que esta Mãezinha me tem feito, envergonho-me de nunca ter olhado com suficiente amor para o seu coração e para a sua mão, que mos ofereciam com tanta bondade; e o que me angustia mais é ter correspondido aos cuidados amorosos da nossa Mãe com uma permanente rejeição.
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7. Quantas vezes confiei a esta Mãe as dolorosas angústias do meu coração perturbado! E quantas vezes ela me consolou! E eu senti-me grato? No meio de tantas aflições, tenho a impressão de já não ter mãe na terra, mas de ter uma Mãe muito compassiva no Céu. Mas quantas vezes, quando o coração se me acalmava, esqueci quase tudo, incluindo o meu dever de gratidão com esta bendita Mãezinha do Céu!
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8. Esforcemo-nos, como tantas almas escolhidas, por estar sempre ao pé desta Mãe bendita, por caminhar sempre junto dela, porque não há outro caminho que conduza à vida senão aquele que a nossa Mãe nos indica. Não recusemos este caminho, nós, que queremos chegar ao céu.
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(São (Padre) Pio de Pietrelcina (1887-1968), capuchinho - 
 Capítulo VIII, n.º 238-241)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

CORAÇÃO SANTO TU REINARÁS...


  Sol. do Sagrado Coração de Jesus (Jo 19,31-37)(07/6/24).


"Coração Santo tu reinarás, tu nosso encanto sempre serás."
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1. Caríssimos irmãos e irmãs, o Sagrado Coração de Jesus é a Fonte inesgotável do amor de Deus, pois assim como o coração humano transmite a vida natural para todo o corpo, de igual modo o Coração do Senhor comunica a vida divina para todo o seu corpo, a Igreja, do qual somos suas células vivas. 
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2. Desse modo, vivemos o grande mistério da unidade da Santíssima Trindade em cada um de nós; como o nosso coração natural vive a unidade com todos os membros do nosso corpo. Pois, assim nos ensina São Paulo: "Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo." (1Cor 12,12).
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3. De fato, como vimos na primeira leitura, tal qual crianças Deus nos ama e cuida de nós, porque somos os Seus filhos e filhas. Mas, Ele faz isso a partir do Coração de Seu Filho, que ao ser sangrado na cruz, fez jorrar do Seu lado aberto, sangue e água, símbolos do nosso batismo que significa o novo nascimento no seio da Santa Igreja e também símbolo de todos os outros Sacramentos. De fato, quem nasce precisa de cuidados especiais, e é isto o que faz o nosso Pai do céu conosco. 
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4. O Sagrado Coração de Jesus nos ama infinitamente; mas também nós precisamos ama-lo ardentemente com toda a nossa força, com toda a nossa alma, com todo o nosso ser, pois amar assim significa reciprocidade, visto que ninguém ama sozinho, na verdade existimos uns para os outros numa extensão de amor que ultrapassa todo o nosso entendimento. 
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5. Destarte, supliquemos à Santíssima Virgem Maria, que interceda por todos os Sacerdotes, seus filhos prediletos, que receberam do Senhor o poder de consagrar o Seu Corpo e Sangue, Sua Alma e Divindade e administrar todos os outros Sacramentos, na certeza de que suas orações serão ouvidas, para a salvação de todas as almas por eles atendidas, e também para o bem da Santa Igreja. 
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6. Discorrendo sobre esta grande devoção disse o Papa Francisco: "O Coração de Cristo não é uma devoção piedosa para sentir um pouco de calor em nosso interior, não é uma pequena imagem terna que desperta afeição, não, não é isso. É um coração apaixonado - basta ler o Evangelho -, um coração ferido de amor, rasgado por nós na cruz. "Uma lança lhe feriu o lado, e imediatamente saiu sangue e água" (Jo 19,34).
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7. Traspassado, morto, ele nos dá a vida. O Sagrado Coração é o ícone da Paixão: ele nos mostra a ternura visceral de Deus, sua paixão amorosa por nós e, ao mesmo tempo, elevado na cruz e cercado de espinhos, mostra-nos quanto sofrimento custou a nossa salvação.
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8. Na ternura e na dor, esse Coração revela, em resumo, o que é a paixão de Deus. Qual é ela? O homem, nós. E qual é o estilo de Deus? Proximidade, compaixão e ternura. Este é o estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura.
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9. O Coração de Jesus bate por nós, sempre batendo com estas palavras: "Coragem, coragem, não tenham medo, eu estou aqui!". Coragem, irmãs e irmãos, não desanimemos, o Senhor nosso Deus é maior do que todos os nossos males, Ele nos toma pela mão e acaricia, Ele está perto de nós, Ele é compassivo, Ele é terno. Ele é o nosso consolo."
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(Papa Francesco - Santa Messa nel 60° anniversario della Facoltà di Medicina e Chirurgia dell’Università Cattolica del Sacro Cuore, 5 novembre 2021)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,28b-34)(06/6/24)

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1. Caríssimos, esse nosso mundo é um mundo de contrastes, um mundo dividido em que percebemos mais os males advindos do pecado do que o bem praticado em obediência à vontade de Deus, expressa nos seus mandamentos e na vida de Seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. 
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2. Na verdade, ainda estamos aqui por pura misericórdia do Senhor, pois se Ele punisse os homens em proporção aos pecados por eles praticados nenhuma criatura existiria mais na face da terra. Todavia, quando necessário, Ele nos pune para o nosso arrependimento e conversão. 
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3. Mas, por que o Senhor nos ama tanto assim? Por causa do sacrifício do Seu Filho, como vemos Evangelho de São João: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele." (Jo 3,16).
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4. De fato, a primeira vinda de Cristo e o envio do Espírito Santo a este mundo ocorreu como preparação para o estabelecimento definitivo do Reino de Deus que se dará com a sua segunda vinda, em que nela acontecerá o Juízo final. Por isso, mesmo diante da maldade que tanta, o Senhor espera pacientemente até que se cumpra a sua justiça.
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5. Com efeito, são três os pontos que fundamentam esse Justo Juízo: "O Espírito Santo convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado." (Jo 16, 9-11).
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6. O Evangelho de hoje nos traz a compreensão de que a única razão de nossa existência no mundo é o amor a Deus e ao próximo como à nós mesmos, bem como nos ensinou São Paulo: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. 
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7. A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei." (Rm 13,8.10). Desse modo, quem ama como o Senhor nos ensina nunca permite o pecado em sua vida, porque pecar é não amar a Deus e nem seus filhos e filhas.
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8. Meditemos então com amor e atenção estas palavras de São João Maria Vianey: "Vemos que Deus nos criou com desejos tais que nenhuma criatura é capaz de nos contentar. Apresentai a uma alma todas as riquezas e todos os tesouros do mundo, que nada a satisfará: tendo-a Deus criado para Si, só Ele é capaz de satisfazer por completo os seus vastos desejos.
9. Sim, meus irmãos, a nossa alma tem capacidade para amar a Deus, que é a maior de todas as alegrias! No amor de Deus, temos todos os bens e prazeres que podemos desejar na terra e no Céu (cf Sl 72,25). E podemos ainda servi-lo; em outras palavras, glorifica-lo em todos os atos da nossa vida. Nada há que façamos, se o fizermos com o objetivo de Lhe agradar, que Deus não seja glorificado nisso. 
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10. Enquanto estamos neste mundo, a nossa ocupação não é diferente da dos anjos que estão no Céu; a única coisa que difere é que nós só vemos estes bens com os olhos da fé. Sim, meus irmãos, a nossa alma é eterna como o próprio Deus. E não, meus irmãos, não vamos mais longe, pois perder-nos-íamos neste abismo de grandeza."
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(São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars - Sermão para o 9.º Domingo depois do Pentecostes).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

COMO ENTÃO SERÁ A VIDA ETERNA?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 12,18-27)(05/6/24).

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1. Caríssimos, a vida natural é tão preciosa que em sã consciência ninguém quer morrer mesmo sabendo que a morte é certa. Conhecemos os nossos defeitos, limites, nossas falhas e quanto nos empenhamos para corrigir-las, para termos assim uma vida equilibrada, saudável, tranquila.
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2. Todavia, não podemos pensar a vida somente em sua dimensão natural, pois a transcendência faz parte dela, uma vez que que somos um misto de corpo, e alma imortal. Com efeito, as leituras de hoje tratam dessa transcendência, nos mostrando que a vida não termina com a morte natural; é o contrário, Jesus nos tira da morte para a vida eterna.
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3. Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "Em Jesus, Deus dá-nos a vida eterna, dá a todos, e todos, graças a Ele, têm a esperança de uma vida ainda mais verdadeira do que esta. A vida que Deus nos prepara não é um mero enfeite da vida atual: ultrapassa a nossa imaginação, porque Deus nos surpreende continuamente com o seu amor e a sua misericórdia. 
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4. Por isso, o que vai acontecer é exatamente o contrário do que esperavam os saduceus. Não é esta vida que remete para a eternidade, para a outra vida, a que nos espera, mas é a eternidade que ilumina e dá esperança à vida terrena de cada um de nós! 
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5. Se olharmos apenas com um olhar humano, somos levados a dizer que o caminho do homem vai da vida para a morte. Podemos ver isso! Mas só se olharmos com um olhar humano. Jesus inverte esta perspetiva e diz que a nossa peregrinação vai da morte para a vida: vida plena! Estamos fazendo uma viagem, uma peregrinação para a vida plena, e essa vida plena é a que nos ilumina na nossa viagem! 
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6. Por isso, a morte fica para trás, atrás de nós, e não à nossa frente. Diante de nós está o Deus dos vivos, o Deus da aliança, o Deus que tem o meu nome, o nosso nome, como Ele disse: "Eu sou o Deus de Abraão, de Isaac, de Jacó", também o Deus com o meu nome, com o nosso nome. Deus dos vivos!
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7. Aí está a derrota final do pecado e da morte, o início de um novo tempo de alegria e de luz sem fim. Mas já nesta terra, na oração, nos sacramentos, na fraternidade, encontramos Jesus e o seu amor, e assim podemos antecipar algo da vida ressuscitada. 
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8. Os "filhos do céu e da ressurreição" não são uns poucos privilegiados, mas são todos os homens e todas as mulheres, porque a salvação que Jesus trouxe é para cada um de nós. E a vida dos ressuscitados será semelhante à dos anjos, ou seja, toda imersa na luz de Deus, toda dedicada ao seu louvor, numa eternidade cheia de júbilo e de paz.
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9. Mas atenção! A ressurreição não é só o fato de ressuscitar depois da morte, mas é um novo gênero de vida que já experimentamos no hoje; é a vitória sobre o nada que já podemos antegozar. A ressurreição é o fundamento da fé e da esperança cristã! 
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10. Se não houvesse a referência ao Paraíso e à vida eterna, o cristianismo reduzir-se-ia a uma ética, a uma filosofia de vida. Ao contrário, a mensagem da fé cristã vem do céu, é revelada por Deus e vai além deste mundo.
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11. Acreditar na ressurreição é essencial, para que cada um dos nossos atos de amor cristão não seja efêmero nem um fim em si mesmo, mas se torne uma semente destinada a desabrochar no jardim de Deus, e produzir frutos de vida eterna." (Papa Francisco, trechos do Angelus, 6 de novembro de 2016).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

segunda-feira, 3 de junho de 2024

SERVIDORES E NÃO DONOS DA VINHA...


 

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (MC 12,1-12)(03/6/24)

1. Caríssimos, vivemos num mundo como um paraíso, porém, não está sendo correspondido como deveria por conta das maldades nele praticadas; temos tudo, mas ao mesmo tempo não temos nada, devido ao péssimo estado de alma advindo dos sofrimentos que padecemos em consequência da desobediência ao nosso Pai Celestial.

2. Como então mudar essa situação interior, para que também mude a exterior? Escutemos São Pedro na primeira leitura de hoje: "Caríssimos, graça e paz vos sejam concedidas abundantemente, porque conheceis Deus e Jesus, nosso Senhor. O seu divino poder nos deu tudo o que contribui para a vida e para a piedade, mediante o conhecimento daquele que, pela sua própria glória e virtude, nos chamou.

3. Por meio de tudo isso nos foram dadas as preciosas promessas, as maiores que há, a fim de que vos tornásseis participantes da natureza divina, depois de libertos da corrupção, da concupiscência no mundo.

4. Por isso mesmo, dedicai todo o esforço em juntar à vossa fé a virtude, à virtude o conhecimento, ao conhecimento o autodomínio, ao autodomínio a perseverança, à perseverança a piedade, à piedade o amor fraterno e ao amor fraterno, a caridade." (2Pd 2,1-7).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a parábola da vinha arrendada, claramente direcionada aos Sumos Sacerdotes, aos Mestres da Lei e aos Anciãos, assim concluindo: "Por acaso, não lestes na Escritura: 'A pedra que os construtores deixaram de lado, tornou-se a pedra mais importante; isso foi feito pelo Senhor e é admirável aos nossos olhos'?"

6. Portanto, caríssimos, eis o que diz o Senhor: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus!" (Mt 7,21-23).

7. Comentando este Evangelho escreveu São Basílio: "Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança (cf Gn 1,26), e havia-o julgado digno de O conhecer, pois estava acima de todos os animais devido ao dom da inteligência, fora criado no gozo das incomparáveis delícias do Paraíso e fora feito senhor de tudo o que havia na face da Terra.

8. Mas, ao vê-lo cair no pecado, instigado pela serpente, e, pelo pecado, na morte e no sofrimento que a ela conduzem, não o rejeitou. Pelo contrário, deu-lhe desde logo o auxílio da sua Lei; designou anjos para o guardarem e cuidarem dele; enviou profetas para lhe reprovarem a maldade e lhe ensinarem a virtude.

9. E quando, apesar destas graças e de muitas outras, os homens persistiram na desobediência, não Se afastou deles. Tendo nós ofendido o nosso benfeitor e mostrado indiferença pelos sinais da sua proteção, não fomos abandonados pela bondade do Senhor nem afastados do seu amor, antes fomos subtraídos à morte e devolvidos à vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.

10. E a maneira como fomos salvos é digna de uma admiração ainda maior: "Ele, que é de condição divina, não Se valeu da sua igualdade com Deus, mas despojou-Se a Si próprio, tomando a condição de servo" (Fl 2,6-7). "Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores, foi ferido" para nos salvar pelas suas chagas (Is 53,4-5). Ele "resgatou-nos da maldição da Lei, ao fazer-Se maldição por nós" (Gl 3,13) e sofreu a mais infamante morte para nos conduzir à vida na sua glória.

11. E não Lhe bastou devolver à vida aqueles que estavam na morte; também os revestiu da dignidade divina e lhes preparou no repouso eterno uma felicidade que ultrapassa toda a imaginação humana. "Como hei de retribuir ao Senhor todos os seus benefícios para comigo?" (Sl 115,12), como retribuiremos tudo o que Ele nos deu? Ele é tão bom que nada pede em compensação por tantas graças: contenta-Se em ser amado."

(São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia da Capadócia, doutor da Igreja - Regras monásticas, Regras Maiores, § 2). 

Paz e Bem.

Frei Fernando Maria OFMConv.

O FILHO DO HOMEM É SENHOR TAMBÉM DO SÁBADO...


 Homilia do 9°Dom do tempo comum(Mc 2,23-3,6)(02/6/24)

1. Caríssimos, no mundo dos cegos espirituais não existe espaço para a misericórdia e o amor, mas somente para a intransigência e o pecado da condenação do próximo seja ele quem for, por isso, nem Jesus, o Filho de Deus, escapou da intransigência e da dureza de coração dos seus algozes. 

2. Quando Jesus lhes diz que "o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado," e que "o Filho do Homem é Senhor também do sábado”, isto quer dizer que o dia do Senhor existe para se fazer a vontade do Senhor, isto é, fazer o bem e somente o bem. Então, não é uma questão de dia, mas do verdadeiro sentido que se dá ao dia.

3. A lei existe para nos mostrar como devemos viver a fé, desse modo, ela tem a função de pedagogo espiritual, isto é, aquele que nos conduz ao verdadeiro conhecimento da vontade de Deus, expressa em seu Filho, Jesus Cristo. Como o Senhor nos ensinou: "O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. 

4. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida." (Jo 6,63). Em outras palavras, a lei sem o verdadeiro espírito da lei, é letra que mata, como vimos no Evangelho de hoje: "Ao saírem, os fariseus, com os partidários de Herodes, imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo." (Mc 3,6).

5. Com efeito, ouvir o Senhor e abrir o coração para vivermos a sua vontade é a expressão máxima da verdadeira obediência, do verdadeiro amor, como nos ensinou São João na sua primeira carta: "Todo o que crê que Jesus é o Cristo, nasceu de Deus; e todo o que ama aquele que o gerou, ama também aquele que dele foi gerado. 

6. Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. Eis o amor de Deus: que guardemos seus mandamentos. E seus mandamentos não são penosos, porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1Jo 5,1-4).

7. Portanto, caríssimos, não existe confusão no coração de quem obedece a Palavra da verdade, por conta da coerência na vivência de fé. São Paulo, nos chama a viver em comunhão com o Senhor a partir do seu exemplo de vida: "Sede meus imitadores como eu o sou de Cristo. O que aprendestes, recebestes, ouvistes e observastes em mim, isto praticai, e o Deus da paz estará convosco." (1Cor 11,1; Fl 4,9).

8. Destarte, a prática da fé não comporta regras severas, intransigentes; pelo contrário, ela é dotada das virtudes eternas que geram o bem, a harmonia e a paz em todos os sentidos do viver, como nos ensina a Carta aos Hebreus: "Procurai a paz com todos e ao mesmo tempo a santidade, sem a qual ninguém pode ver o Senhor." (Hb 12,14).

9. Sem dúvida, este nosso tempo não é diferente do tempo de Jesus; os fariseus de lá, são hoje os que dividem a Igreja em conservadores e progressistas; defendem a liturgia do Concílio Vaticano I contra a do Concílio Vaticano II; não aceitam o Papa Francisco, acusando-o de sacrílego e falso; dividem a Santa Missa em Tridentina e Missa Nova.

10. O que dizer então de tudo isso? Quem dá atenção aos fariseus do nosso tempo se perde com eles. Ao contrário, quem crê na presença real do Senhor Jesus na Eucaristia se alimenta do Pão da vida eterna, e evita todo tipo de discórdias e desintendimentos, pois, como disse são Paulo: "todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." (Rm 8,14).

Por isso, "Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos. E isto significa viver a unidade do Espírito pelo vínculo da paz." (Ef 4,3-6).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

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