VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 1,1-18)(31/12/20)


Caríssimos irmãos e irmãs, tudo o que é autêntico e verdadeiro revela-se por si mesmo em palavras e ações. Jesus é o Verbo de Deus, que se fez carne, o Messias enviado; aquele que pelo o poder do Espírito Santo realiza tudo o que havia sido profetizado à seu respeito. 


Com efeito, Ele cumpre em tudo a vontade do Pai com perfeita obediência, e profetiza o futuro do povo eleito e da humanidade. Deste modo, desde a sua vinda tudo se vai cumprindo tal qual profetizou, como Ele mesmo afirma: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt 24,35).

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De fato, "Até então, na história da salvação, ninguém havia se apresentado como Messias Filho de Deus. Na verdade, os reis de Israel eram considerados filhos de Deus. Entretanto, jamais alguém havia manifestado tal proximidade com Deus, no falar e no agir, como acontecia com Jesus. Ninguém havia chamado Deus de Pai, servindo-se de um termo familiar, Abba, usado pelas crianças para se referirem a seus genitores.

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Ninguém se apresentara com o poder de perdoar pecados, restituir a vida aos mortos e enfermos, libertar as pessoas da opressão do demônio. Ninguém, como Jesus, mostrava-se livre diante da Lei e das tradições religiosas.

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Na raiz da ação de Jesus, estava sua condição divina. Esta conferia-lhe a liberdade para não se submeter ao legalismo religioso da época, muitas vezes incapaz de levar as pessoas a uma real experiência de Deus; levava-o a desbaratar as forças do anti-Reino, por cuja ação os indivíduos se tornavam cativos do mal e do pecado; dava-lhe um coração misericordioso, como o de Deus, para amar os pecadores e abrir-lhes os caminhos da salvação; tornava-o sensível e solícito aos sofrimentos da humanidade. Nestas ações humanas de Jesus, resplandecia sua glória de Filho de Deus." (Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

A HISTÓRIA DA PROFETISA ANA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,36-40)(30/12/20)


Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da profetisa Ana, filha de Fanuel, que inspirada pelo Espírito Santo, encontra a Sagrada Família quando da apresentação do menino Jesus no Templo do Senhor e o anuncia à todos quanto esperavam a libertação do povo eleito. Desse modo, Ana se torna uma das primeiras anunciadoras de Cristo, como enviado do Pai. 

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"A opção da profetisa Ana, cujo nome significa graça, misericórdia, é símbolo da expectativa pela vinda do Senhor. Sua escolha de permanecer no Templo, após um breve período de matrimônio, deu-se por causa de sua esperança messiânica. Com jejuns e orações, pôs-se a serviço de Deus, absolutamente certa de ver realizado seu único desejo: contemplar o Messias. Ela sabia em quem tinha posto a sua confiança. Esta foi também a atitude de muitos outros judeus piedosos, que nutriam no coração o desejo de ver o Salvador.

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A fidelidade dessa mulher idosa foi recompensada, pois ela teve a graça de estar no Templo, por ocasião da liturgia da apresentação do menino Jesus e da purificação de Maria. Como Simeão, reconheceu ser aquele menino penhor de libertação para Israel, conforme todos esperavam. E proclamou publicamente esta sua convicção, tornando-se testemunha da missão que seria confiada àquele menino.

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Profeticamente, Ana colocou-se a serviço do Messias e de todos quantos ansiavam por redenção. De certo modo, antecipou, também, a futura missão dos apóstolos: proclamar o nome de Jesus por toda a Terra. No âmbito restrito do Templo, anunciou ter-se realizado a promessa divina, e que a salvação havia chegado. Como Simeão, também ela pode dizer: "Agora, Senhor, podes deixar tua serva ir em paz!" O testemunho de Ana é uma lição de como esperar o Messias: com paciência e perseverança.


Oração: Espírito de paciente perseverança, não permitas que meu coração desfaleça, à espera do Messias, confiante de que o Senhor realiza sempre suas promessas." (Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

A APRESENTAÇÃO DO SENHOR NO TEMPLO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 2,22-35)(29/12/20)

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Caríssimos, são João na primeira desta liturgia nos ensina que a observância dos santos mandamentos são proteção e caminho de perfeição que nos mantém unidos a Cristo, como vemos nesta sua exortação: "Aquele que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6).

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O Evangelho de hoje narra a apresentação do menino Jesus no Templo em que Maria e José em obediência à Lei do Senhor vão oferecer o sacrifício prescrito por Moisés para o consagrar a Deus Pai. O que nos chama à atenção nesse episódio é como Deus acompanha seu Filho em todas as etapas de sua vida por meio da ação do Espírito Santo, e nesse episódio Simeão faz o anúncio profético do que acontecerá com Jesus e com a sua santa Mãe.

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São Cipriano (Sec. III) comentando esse Evangelho, disse: "Está escrito que «o justo viverá da fé» (Rom 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, é natural que vos alegreis ao ser chamados a Ele, uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo.

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Vede o exemplo de Simeão, o justo: era verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo; e assim, quando Cristo, ainda criança, foi ao Templo com sua Mãe, percebeu, iluminado pelo Espírito Santo, que o Salvador tinha nascido, como lhe fora predito, e compreendeu que a sua morte estava iminente.

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Demonstrava assim que a paz de Deus é para os que O servem, que gozam de doce quietude e liberdade quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. Só então a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

A FUGA DA SAGRADA FAMÍLIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mt 2,13-18)(28/12/20)

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Caríssimos, quem de nós nunca passou por alguma dificuldade na vida? Creio que isso seja impossível, pois o que mais nos representa em nossa finitude se chama necessidade. De fato, naturalmente necessitamos do ar que respiramos, da comida que comemos e de tudo o que nos ajuda a manter o equilíbrio da vida.

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Esta liturgia de hoje nos revela que ao assumir a nossa natureza humana, o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, também passou por dificuldades principalmente as perseguições desde a mais tenra idade. Todavia, José e Maria cuidaram muitíssimo bem do Filho amado de Deus com ajuda do anjo enviado do céu.

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Com efeito, "O nascimento de Cristo foi marcado pelo martírio de várias crianças de menos de dois anos, por causa do seu nome; incapazes de combater, elas conquistaram a coroa, para que ficasse bem claro que os que foram mortos por Cristo eram inocentes, crianças inocentes que foram mortas por causa do seu nome.

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O Filho de Deus sofreu para fazer de nós filhos de Deus e os filhos dos homens não querem sofrer para continuar a ser filhos de Deus? O Senhor do mundo lembra-nos: «Se o mundo vos odeia, reparai que, antes que a vós, Me odiou a Mim. Se viésseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, como não vindes do mundo, pois fui Eu que vos escolhi do meio do mundo, lembrai-vos da palavra que vos disse: o servo não é mais que o seu senhor» (Jo 15,18-20).

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Quando sustentamos o combate da fé, Deus olha para nós, os seus anjos olham para nós, Cristo olha para nós. Que glória, que alegria ter Deus a presidir à prova e ter Cristo como juiz, quando formos coroados! Armemo-nos, portanto, irmãos caríssimos, com todas as nossas forças, preparemo-nos para a luta de alma imaculada, fé plena e coragem generosa." (São Cipriano (Sec.III) bispo e mártir).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 27 de dezembro de 2020

SOMENTE A FAMÍLIA DÁ SENTIDO À VIDA...


 Homilia da Festa da Sagrada Família (Lc 2,22-40)(27/12/20)

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Caríssimos, a Igreja celebra a Festa da Sagrada Família, Jesus, Maria e José, e com isso nos revela que Deus começou a humanidade como família e somente a família dá sentido a vida. Sem família a humanidade é um emaranhado de pessoas sem raiz, sem fundamento para sustentar a sociedade e tudo o que a compõe.

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Comentando esta Festa, disse o Papa Francisco: "Podemos imaginar a pequena família, no meio de tantas pessoas, nas amplas praças do templo. Não se salienta, não se distingue... E no entanto não passa inobservada! Dois idosos, Simeão e Ana, movidos pelo Espírito Santo, aproximam-se e começam a louvar a Deus por aquele Menino, no qual reconhecem o Messias, luz dos povos e salvação de Israel (cf. Lc 2, 22-38).

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Trata-se de um momento simples mas rico de profecia: o encontro de dois jovens esposos cheios de alegria e fé pela graça do Senhor; com dois idosos também eles cheios de alegria e fé pela ação do Espírito. Quem os fez encontrar? Jesus. Jesus faz com que eles se encontrem: jovens e idosos. Ele aproxima as gerações.

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É a fonte daquele amor que une as famílias e as pessoas, vencendo qualquer desconfiança, isolamento ou distância. Isto faz-nos pensar também nos avós: como é importante a sua presença, a presença dos avós! Como é precioso o seu papel nas famílias e nas sociedades!

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O bom relacionamento entre os jovens e os idosos é decisivo para o caminho da comunidade civil e eclesial. E observando esses dois idosos, esses dois avós — Simeão e Ana — saudamos daqui com um aplauso todos os avós do mundo.

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Confiemos a Maria, Rainha e mãe de família, todas as famílias do mundo, a fim de que possam viver na fé, na concórdia, na ajuda recíproca, e por isso, invoco sobre elas a protecção materna daquela que foi mãe e filha do seu Filho." (Papa Francisco, Angelus, 28/12/14)

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 26 de dezembro de 2020

MARTÍRIO DE SANTO ESTÊVÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,17-22)(26/12/20)


Caríssimos, hoje a Igreja celebra o martírio de Santo Estêvão em plena oitava do Natal do Senhor. Santo Estevão foi o primeiro mártir depois de Cristo. De fato, todo mártire de nossa fé carrega na alma a graça da vida eterna prometida pelo Senhor Jesus: "Quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salva-la-á." (Mc 8,35b).

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Com efeito, ao juntarmos estes dois nascimentos, do Senhor Jesus e o de Estevão, seu discípulo diácono, celebramos ao mesmo tempo Deus que se fez homem nascido da Virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, e o de Estevão que entra na vida eterna vencendo a morte pela mesma ação do Espírito Santo.

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Jesus antes de ser crucificado perdoou os seus algozes, pois, veio a este mundo para salvar à todos; de igual modo Estevão também os perdoou como Jesus lhe ensinou por palavras e gestos. De fato, a vida vivida em Cristo é um grande mistério de amor que os inimigos da fé jamais poderão impedir ainda o queiram.

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Comentando esse Evangelho de hoje, disse o Papa Francisco: "Mas por que o mundo persegue os cristãos? O mundo odeia os cristãos pela mesma razão pela qual odiaram Jesus, porque Ele trouxe a luz de Deus e o mundo prefere as trevas para esconder as suas obras malvadas.

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Recordemos que o próprio Jesus, na Última Ceia, rezou ao Pai para que nos defendesse do mau espírito mundano. Há oposição entre a mentalidade do Evangelho e a mundana. Seguir Jesus significa seguir a sua luz, que se acendeu na noite de Belém, e abandonar as trevas do mundo.

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Elevemos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha dos mártires, a nossa oração para que nos guie e nos ampare sempre no caminho do seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. (Papa Francisco, Angelus, 26/12/16)

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

UM SANTO E FELIZ NATAL DO SENHOR...


 Homilia da Solenidade do Natal do Senhor (Jo 1,1-18)(25/12/20)


Caríssimos, Natal é a memória que fazemos do nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo; é Deus, que sem deixar de ser Deus, se fez Homem; não num piscar de olhos nem num instalar de dedos, mas sim gerado pelo Espírito Santo, no seio Virginal de Maria; para nos fazer santos como Ele é Santo.


Assim como Deus criou a primeira mulher, Eva, juntamente com Adão, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, sem pecado no ventre-paraíso de sua mãe Ana, pronta para conceber o Novo Adão, Jesus. 


A primeira Eva, criada sem pecado foi tirada do homem por Deus, que os fez sua “imagem e semelhança”; a segunda Eva, Maria, nascida de Deus mesmo, totalmente livre do pecado, pela fé de seus pais Joaquim e Ana (cf. Jo 1,12-13), e assim tornou-se esposa do Divino Espírito Santo e Mãe do Novo Adão, Jesus Cristo, “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.


Este, sim, é o verdadeiro Natal de Jesus; mas, qual é o natal que os homens estão comemorando na mídia em geral? O vergonhoso natal do comércio, criado pela ganância de comerciantes sequiosos de lucros, para o desejo consumista e para a gula dos mais bastados; aquele que só lembra os presentes e as guloseimas da ceia de natal, longe da presença do aniversariante que é a razão de ser desta festa.


O natal midiático é perverso, porque ilude e engana crianças e adultos de todas as camadas sociais, com a figura patética do papai Noel e suas lendas pagãs, distribuindo “presentes” com sua saudação ridícula Rou, Rou, Rou, Rou, à mando de comerciantes que o contratou.


E assim o fazem para que esqueçamos o nascimento do Filho de Deus, e lembremos apenas desse papai Noel, e ainda de gnomos, de renas, de trenós, de neve, e de Lapônias da vida, sem nenhuma ligação com o Natal de Jesus. Só lembram do presépio para vende-lo como imagem estética que enfeita a sala com a árvore de natal cheia de presentes e nada mais.


Não é esse natal midiático que nós cristãos festejamos. O Natal cristão, como disse, é o nascimento de Jesus Cristo, o Salvador da humanidade; nele lembramos e festejamos a memória da Encarnação do Verbo de Deus que se fez um de nós, para nos redimir e nos conduzir à glória eterna do Seu Reino de Amor.


Lembrar Jesus menino, nascido da Virgem Maria, é lembrar também o nosso nascimento da água e do Espírito Santo, no seio virginal da Santa Igreja, em nosso batismo, para a vida eterna. Porque se o Natal do Senhor não for comemorado em seu sentido pleno religioso, ou seja, como nascimento do Menino Deus, que nos deifica nele; passa a ser somente mais uma festa de fim de ano e um meio de enriquecimento de ávidos comerciantes, e não é isso que nós cristãos festejamos.


Portanto, cantemos com amor o santo Natal do Senhor, noite de paz e alegria, noite em que nasceu Jesus, o Filho único de Deus Pai, nascido da Virgem Maria!


Feliz Aniversário Jesus! Parabéns, Senhor, nós te amamos e comemoramos solenemente o teu santo nascimento neste dia lindo e único.


Feliz Natal do Senhor! Para toda humanidade, salva pelo Filho de Deus, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria,OFMConv.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

DEUS NASCE EM NOSSA HUMANIDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,67-79)(24/12/20)


Caríssimos, hoje é véspera do dia em que Deus nasceu como um de nós sem deixar de ser Deus, comprovando o que já havia dito, ou seja, que nos criou à sua "imagem e semelhança". Quanta beleza, singeleza e alegria na simplicidade do menino Jesus com sua Mãe, a Virgem Maria, e seu pai adotivo são José.

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Com efeito, nesta noite o mundo inteiro viu resplandecer a Luz de Deus única, porque distinta de todas as luzes; ora, só em contemplar tão sublime esplendor já nos sentimos atraídos e chamados à vivencia-lo, pois, eis se que traduz no amor sem igual que se rebaixa à nossa humilde condição para nos fazer participantes de Sua Divindade.

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O Santo Padre, o Papa Francisco, atualizando a comemoração do Natal do Senhor, disse: “o Natal nos convida a refletir, por um lado, sobre a dramaticidade da história, em que homens e mulheres, feridos pelo pecado, procuram incessantemente a verdade, a misericórdia e a redenção; e, por outro, sobre a bondade de Deus, que veio ao nosso encontro para nos comunicar a Verdade que salva e para nos tornar participantes da sua amizade e da sua vida.

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Podemos superar esta sensação de desconcerto inquietador [em que vivemos atualmente por conta desta pandemia], sem nos deixar dominar pelas derrotas e fracassos, na consciência redescoberta de que aquele Menino humilde e pobre, escondido e indefeso, é o próprio Deus, que se fez homem para nós.

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Esta realidade nos dá muita alegria e coragem. Deus não nos desdenhou, não passou ao nosso lado, não desprezou a nossa miséria, não se vestiu de um corpo aparente, mas assumiu plenamente a nossa natureza e condição humana. É um de nós. É como nós. 


Nada excluiu, exceto o pecado, única coisa que Ele não tem. Toda a humanidade está n’Ele. Ele assumiu tudo o que somos, tal como somos. Isto é essencial para a compreensão da fé cristã. O Natal é a festa do Amor encarnado e nascido para nós em Jesus Cristo. Ele é a luz dos homens que resplandece nas trevas, que dá sentido à existência humana e a toda a história”.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

E TU MENINO SERÁS CHAMADO PROFETA DO ALTÍSSIMO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,57-66)(23/12/20)


Caríssimos, não é pelo o fato de não vermos a Deus fisicamente que Ele não se encontra presente e atuante em cada momento de nossa vida. Ora, assim como percebemos as ações do mal pelas tentações e ações malígnas que afetam à tudo e à todos; com muito mais razão nós experimentamos a presença do Senhor nos livrando de tais ações, porque se assim não fosse nada e ninguém mais existiria.

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O Evangelho de hoje narra o nascimento de João Batista e tudo o que aconteceu, nos mostrando os sinais da presença de Deus por sua divina providência. Vejamos, então, esses sinais: João nasce de pais idosos que já não eram aptos à procriar; recebe o nome dado pelo anjo do Senhor; seu nome revela o quanto Deus é favorável ao seu povo; seu nascimento gera uma grande alegria em todos e a interrogação: “O que virá a ser este menino?” De fato, a mão do Senhor estava com ele."

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Caríssimos, se pudéssemos ouvir João Batista quando do seu nascimento, quem sabe, certamente ouviríamos dele: "Na tua presença, Senhor Jesus, não me posso calar, porque «eu sou a voz daquele que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor. Sou eu que necessito de ser batizado por Ti, e és Tu que vens a mim!» (Mt 3,3.14)

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Ao nascer, apaguei a esterilidade daquela que me gerou; quando era um nascituro, trouxe remédio para a mudez de meu pai, recebendo de Ti a graça desse milagre. Mas Tu, nascido da Virgem Maria da forma que quiseste e que és o único a conhecer, Tu não apagaste a sua virgindade, Tu a protegeste acrescentando-lhe o título de mãe; nem a sua virgindade impediu a tua concepção, nem a tua concepção manchou a sua virgindade.

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Estas duas realidades incompatíveis, a concepção e a virgindade, uniram-se em harmonia singular, que só está ao alcance do Criador da natureza. Eu, que sou um homem, apenas participo da graça divina; mas Tu és Deus e homem, por isso, és por natureza amigo dos homens (cf Sab 1,6)."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

"A MINHA ALMA GLORIFICA O SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,46-56)(22/12/20)

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Caríssimos, com a vinda de Jesus à este mundo para assumir a nossa natureza decaída e nos libertar do pecado, do domínio do maligno e da morte, Deus renovou por meio dele todas as coisas, elevando-as à plenitude de sua glória, nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina. E tudo isso Maria canta cântico do magnificat, como vimos no Evangelho de Lucas.

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“A minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". No encontro com Isabel, o coração de Maria se solta como a língua de uma criança e faz sentir toda a sua alegria. Maria sente que o olhar de Deus pousou em sua pequena existência e acredita que esse olhar é sua força e sua grandeza.  

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Olhada por Deus, ela já não tem medo de nada nem de ninguém e canta, canta com alegria. A sua alegria não provém das coisas que possui, nem das coisas exteriores, mas da sua alma habitada por Deus. O Magnificat é o Evangelho de Maria. Evangelho significa boas novas. Maria canta a sua pequenez: "A minha alma engrandece ao Senhor". Como se dissesse: o crédito é do Senhor, não é meu. Ela repete várias vezes: “É Ele quem olhou”, “É Ele quem fez grandes coisas em mim”. 

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Há quatorze verbos nesta canção, dos quais dez se referem a Deus, um à todas as gerações, os outros três a Maria. No centro do Magnificat está o Decálogo do Deus apaixonado. O Magnificat é o Evangelho que coloca no centro da fé não o que eu faço por Deus, mas o que Deus faz por mim. De fato, não merecemos Deus, mas sim o acolhemos, porque Ele se nos dá por completo. Não temos Deus no coração porque o amamos, mas estamos no coração de Deus porque ele nos ama. 

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No Magnificat, Maria diz-nos quem é Deus: é o Senhor, é o Salvador, é o Todo-Poderoso. Nele canta os quatro "sins". O "sim" do Pai à humanidade a quem dá o seu Filho; o "sim" do Filho que se faz homem para fazer a Sua vontade; o "sim" do Espírito Santo que tece a trama do divino com a urdidura do humano, ou seja, que faz a união do divino com o humano; e o humilde "sim" de Maria a Deus a quem nada é impossível."

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Portanto, caríssimos, "Que a nossa vida seja um Magnificat contínuo para Deus." (Mons. Angelo Spina).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

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