VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

CRER PARA VER ACONTECER A VONTADE DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,5-25)(19/12/22)


Caríssimos, é vontade de Deus que sejamos salvos, mas precisamos cooperar com Ele para que a salvação aconteça tal qual Ele determinou em seu desígnio de amor. O certo é que Ele sempre nos dará sinais de que está conosco conduzindo-nos por meios dos seus escolhidos que claramente nos revelam a sua Santa Vontade para que nós a façamos.

Com efeito, é inevitável perguntarmos: o que acontece com os milhões de pessoas pessoas que nascem e morrem todos os dias de geração em geração? Na verdade a resposta somente Deus conhece, no entanto, se trilharmos o Seu caminho seguindo fielmente o seu Filho, Nosso Jesus Cristo, no seio da sua Santa Igreja, então, trazemos essa resposta impressa em nossas almas por conta da graça da fé que nos foi dada no batismo.

Comentando o Evangelho de hoje disse o Papa Francisco: "É evidente o contraste entre Maria, que tinha fé, e Zacarias, o marido de Isabel, que tinha duvidado, e não tinha acreditado na promessa do anjo, e por isso permaneceu mudo até ao nascimento de João. Este episódio ajuda-nos a ler o mistério do encontro do homem com Deus, sob uma luz muito especial. Um encontro que não está sob a bandeira de prodígios espantosos, mas sim sob a bandeira da fé e da caridade. 

Maria, de fato, é abençoada porque acreditou: o encontro com Deus é fruto da fé. Zacarias, por outro lado, que duvidara e não acreditara, permaneceu surdo e mudo. Para crescer na fé durante o longo silêncio. De fato, sem fé permanecemos inevitavelmente surdos à voz consoladora de Deus; e continuamos incapazes de proferir palavras de consolo e esperança para os nossos irmãos e irmãs. 

E vemos isso todos os dias: pessoas que não têm fé, ou muito pouca fé, quando têm de se aproximar de uma pessoa que está sofrendo, dizem-lhe palavras, mas não conseguem chegar ao seu coração porque não têm força. Não têm força porque não tem fé, e se não tem fé, as palavras não chegam ao coração dos outros.

Que a Virgem Maria nos obtenha a graça de viver um Natal extrovertido, e não disperso: extrovertido, porque no centro não está o nosso "eu", mas Jesus e os nossos irmãos e irmãs, especialmente aqueles que precisam de uma mão. Então deixemos espaço para o Amor que, ainda hoje, quer tornar-se carne e vir habitar entre nós." (Papa Francisco - Angelus, 23/12/18).

Portanto, caríssimos, tudo em Deus é sempre novo, porque é eterno, por isso, com Ele e para Ele a nossa fé católica é sempre nova e sempre tende a crescer, isto porque não confiamos em nós mesmos, mas no seu infinito amor paternal que cuida dos seus filhos e filhas que Nele confiam e se deixam conduzir por seu Filho Jesus, como o fez a Virgem Mãe e todos os que a seguiram no caminho da fé.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Homilia do 4Dom do Tempo do Advento...


 Homilia do 4°Dom do Advento (Mt 1,18-24)(18/12/22)


Caríssimos, mesmo tendo recebido o batismo, fazermos parte do povo de Deus e procurar viver segundo a Sua vontade, ainda assim precisamos das evidências da sua presença e proteção, e isso devido à nossa fragilidade por confiarmos em nós mesmos e não no seu divino poder como deveríamos. 

Com efeito, esta liturgia do quarto Domingo do Advento nos ensina o quanto precisamos de conversão, de purificação da nossa fé e da entrega total da nossa vida nas mãos de Deus, porque somente assim nos sentiremos seguros e protegidos caso lhe obedeçamos em tudo o que nos ensina, como vimos acontecer com Maria e José. 

O relato do nascimento de Jesus segundo Mateus tem como base a Profecia de Isaías: "Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal: Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel." (Is 7,13-14).

Decerto, o Senhor age sempre com simplicidade sem estardalhaço ou chamando a atenção, porque é Deus, de tal modo que somente pela fé podemos ler e compreender os seus sinais, por meio do seu estilo humilde de se revelar e nos dar a conhecer a sua vontade para a nossa salvação.

No Evangelho de hoje, Maria, a pobre serva do Senhor, recebe a revelação de ser a escolhida de Deus, diz o seu sim a Ele, e assim concebeu o Seu Filho pela a ação do Espírito Santo, mesmo estando noiva de José a quem estava prometida em casamento, porém, sem lhe revelar o que havia acontecido. "No entanto, Deus intervém. Em sonho, um anjo convida José a não ter medo de tomar Maria como sua esposa, porque o que nasce nela é obra do Espírito Santo. 

Assim que José desperta do seu sono misterioso, obedece imediatamente. A prontidão com que ele responde à Palavra de Deus é impressionante. Ele aceita a novidade do plano de Deus e com simplicidade e generosidade responde com a sua vida. Decerto, José, um homem justo, com uma fé sempre obediente, dá lugar à vontade de Deus mesmo que ele não a possa ainda compreender plenamente. 

Portanto, caríssimos, "José é um exemplo para cada um de nós de confiar na Palavra de Deus, não temer, não ter medo de a pôr em prática, de saber sonhar. Quando sonhamos sozinhos, vivemos em ilusões; quando sonhamos em Deus, com Ele e para Ele, começamos uma nova realidade", uma nova história. (Mons Angelo Spina).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 17 de dezembro de 2022

NA VIDA COTIDIANA ESCUTAR DEUS É O FUNDAMENTO DO BEM VIVER...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 1,1-17)(17/12/22)


Caríssimos, o nosso Deus que nos criou por amor sempre manteve seu propósito de amor para conosco, ou seja, nunca nos abandonar mesmo quando pecamos, e isso Ele mantém até o fim dos nossos dias neste mundo. Porém, precisamos cooperar com Ele para a nossa salvação, como nos ensina o livro de Sabedoria:

"Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal." (Sb 1,13-15).

Na primeira leitura "Jacó chamou seus filhos e disse: “Juntai-vos e ouvi, filhos de Jacó, ouvi Israel, vosso pai!" (Gn 49,2). De fato, "Deus deseja reunir-nos sob o Seu manto para que não nos sintamos perdidos como ovelhas sem pastor, como nômades sem destino. Porém, para nos deixarmos acolher sob os Seus cuidados devemos encontrar tempo para rezar, para alimentar as nossas almas e para nos esforçarmos por fazer o bem, saindo de nós mesmos.

Mas há também outro aspecto que nos ajuda a sentir-nos sob o manto de Deus que é acolher, ouvir, meditar e viver a Palavra que Ele nos fala todos os dias. É como se todos os dias Ele nos chamasse e dissesse: Tenho algo a dizer-vos: Vem ter comigo.

Em vez disso, muitas vezes, vamos para o outro lado, ignoramo-Lo, enquanto precisamos realmente pensar que as leituras que a Igreja nos oferece diariamente na liturgia, por exemplo, é Deus que nos reúne, e nos chama a Si, como um avô que reúne os seus netos para contar alguma história que os possa ensinar algo para toda a vida." (Pe. Paulo Quattrone).

Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Emérito, Bento XVI: "Nesta genealogia, para além de Maria, são mencionadas quatro mulheres. Não são Sara, Rebecca, Lia, Rachel, ou seja, as grandes figuras da história de Israel. Paradoxalmente, ao invés, são quatro mulheres pagãs: Raab, Rute, Betsabéia, Tamar, que aparentemente 'perturbam' a pureza de uma genealogia. 

Mas nestas mulheres pagãs, que aparecem em pontos decisivos da história da salvação, resplandece o mistério da igreja dos pagãos, a universalidade da salvação. São mulheres pagãs em quem o futuro, a universalidade da salvação, aparece. 

São também mulheres pecadoras, e por isso o mistério da graça também aparece nelas: não são as nossas obras que redimem o mundo, mas é o Senhor que nos dá a verdadeira vida. São mulheres pecadoras, sim, em quem aparece a grandeza da graça de que todos nós precisamos. 

No entanto, estas mulheres revelam uma resposta exemplar à fidelidade de Deus, mostrando fé no Deus de Israel. E assim vemos a igreja dos gentios, um mistério de graça, a fé como um dom e um caminho para a comunhão com Deus.

A genealogia de Mateus, portanto, não é simplesmente a lista de gerações: é a história realizada principalmente por Deus, mas com a resposta da humanidade. É uma genealogia da graça e da fé: é precisamente na fidelidade absoluta de Deus e na fé sólida destas mulheres que repousa a continuação da promessa feita a Israel." (Bento XVI - Santa Missa por ocasião da Carta. Spidlík, 17/12/09).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

JOÃO BATISTA É UMA LÂMPADA QUE APONTA PARA A LUZ DE CRISTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,33-36)(16/12/22)


Caríssimos, a linguagem de Cristo revela quem é Deus, como Ele age sempre em nosso favor e para a nossa salvação. Porém, se faz necessário que o escutemos para Nele permanecermos e darmos frutos de penitência e conversão; caso contrário, não veremos a Sua Face e nem viveremos no para sempre da Sua Glória Eterna.

O povo preparado por Deus para receber o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, inúmeras vezes foi visitado por Ele por meio dos Profetas que os chamava à conversão, muitas vezes, porém, não lhes davam ouvidos e continuavam no pecado e na dureza de coração; apesar de tal fechamento em si mesmos, Deus jamais deixou de os amar e perdoar os muitos pecados que cometiam.

Desse modo, enviou o Seu Filho esperando que eles o recebessem como o Messias prometido, no entanto, como vimos, eles não só o rejeitaram, mas também o crucificaram sem Ele ter culpa alguma, todavia, em resposta a tão grande crueldade, Deus ressuscitou seu Filho amado, dando-nos por Ele o perdão dos nossos pecados e a salvação.

No Evangelho de hoje o Senhor "Jesus disse aos judeus: “Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não dependo do testemunho de um ser humano. Mas falo assim para a vossa salvação. João era uma lâmpada que estava acesa e a brilhar, e vós com prazer vos alegrastes por um tempo com a sua luz.

Mas eu tenho um testemunho maior que o de João; as obras que o Pai me concedeu realizar. As obras que eu faço dão testemunho de mim, mostrando que o Pai me enviou”. (Jo 5,33-36). Ou seja, o Senhor Jesus revelou-se como Messias por meio das obras que realizou; ora, tais obras é impossível aos homens realiza-las sem o auxílio da sua graça, e até hoje é assim.

Portanto, caríssimos, preparemo-nos, pois, como disse são João Batista: "O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. 

Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo. Tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível." (Mt 3,10-12).

Destarte, "este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus." (Jo 3,19-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

SER PEQUENO PARA SER GRANDE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,24-30)(15/12/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, na primeira leitura nós ouvimos da boca de Deus a promessa que tanto nos alegra e inflama a nossa esperança e a nossa fé: "Podem os montes recuar e as colinas abalar-se, mas minha misericórdia não se apartará de ti, nada fará mudar a aliança de minha paz, diz o teu misericordioso Senhor." (Is 54,10).

De fato, precisamos ouvir essas palavras e esperar confiantes que elas se cumpram em nossa vida com a vinda do Senhor Jesus Cristo, o ungido de Deus que nos salva de todos os males que ainda nos aflige neste mundo, mas, por pouco tempo, pois Ele tem pressa e não quer que se perca nenhum daqueles que o Pai lhe deu.

No Evangelho de hoje o Senhor "Jesus começou a falar sobre João às multidões: “Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que se vestem com roupas preciosas e vivem no luxo estão nos palácios dos reis. 

Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e alguém que é mais do que um profeta. Eu vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João. No entanto, o menor no Reino de Deus é maior do que ele." Ou seja, a partir da grandeza de João e da nossa pequenez, o Senhor Jesus revela quão grande seremos na vida eterna.

Por isso, perguntamos: em que consiste a grandeza de João Batista? Em ser fiel à sua missão de Precursor do Messias, ou seja, aquele que o torna conhecido como Salvador da humanidade, como proclamou Zacarias em seu cântico profético: "E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho,
para dar ao seu povo conhecer a salvação, pelo perdão dos pecados." (Lc 1,76-77).

Portanto, caríssimos, "cada um de nós é chamado a preparar o caminho para o Senhor Jesus, e preparar os corações para recebe-lo. O discípulo, de fato, não vive para falar de si próprio e dos seus atos, nem para afirmar as suas próprias ideias ou convicções. A vida inteira do discípulo é estar a serviço do Evangelho. Ele trabalha para que o Evangelho chegue aos confins da terra, toque o coração das pessoas e estas se convertam a Deus. 

Os discípulos e as comunidades cristãs têm como missão apontar para Jesus e a dizer ao mundo: "Eis o Cordeiro de Deus". É necessário dizer isto com palavras e com o testemunho de vida, tal como João Batista fez com Jesus." (Mons Angelo Spina).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

A NOSSA SALVAÇÃO VEM DO SENHOR QUE FEZ O CÉU E A TERRA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 7,19-23)(14/12/22)


Caríssimos, "assim como existe um só Deus, existe um só Ungido (Messias) capaz de obter a salvação para os homens. A pergunta feita a Jesus pelos discípulos do Batista, "sois vós aquele que está para vir", parece ecoar a passagem de Isaías, onde o Senhor diz: "Eu sou o Senhor, não há outro". A resposta de Jesus aos discípulos enviados a Ele pelo Batista é: mostrar o que está a acontecendo à sua volta, pois essa é a resposta suficiente sobre a Sua identidade. 

Isaías refere-se à singularidade de Deus e à salvação que só Ele é capaz de dar. Para o profeta, é uma salvação cósmica, ou seja, a criação dos céus, a disposição da terra e, em geral, a ordem do mundo, concebida pelo Criador de uma forma adequada à vida das criaturas e, em particular, do homem; é também, inseparavelmente, uma salvação destinada à humanidade numa dimensão além da sobrevivência natural. 

A singularidade de Deus está assim ligada à singularidade da salvação, que não pode ser encontrada fora Dele, ou noutras promessas de redenção vindas de baixo. Isaías alude à descida da justiça do céu, que é precisamente a imagem de um dom que Deus dá ao mundo, e que será personificado no nascimento humano do Seu Filho. Assim, a salvação do homem vem de cima e não de baixo. 

A passagem do Evangelho de Lucas concentra-se, mais uma vez, na figura central do tempo do Advento, que é João Batista, sobre quem Jesus faz algumas afirmações importantes. De fato, João apresenta-se como o prelúdio, como o anúncio do iminente cumprimento das antigas promessas. 

Com efeito, quando notamos que nas nossas vidas não sabemos o que nos espera, é porque perdemos a capacidade de olharmos com coragem para além dos nossos limites. No entanto, quando pomos a nossa confiança no Senhor Jesus, saboreamos os frutos da nossa missão apostólica como João experimentou.

O Senhor não tem limites quando se trata de cumprir a Sua missão: de fato, os cegos recuperam a visão, os coxos andam. Então, perguntemos: em quem pomos a nossa esperança e felicidade? Uma vez que a esperança está intimamente ligada à felicidade interior, o cristão deve viver como qualquer outra pessoa, mas sempre com os seus olhos fixos em Jesus, que nunca nos abandona. 

Um cristão não pode viver a sua vida à margem de Jesus e do Seu Evangelho. Centremos, portanto, o nosso olhar n'Ele, que pode fazer tudo, e não coloquemos limites na nossa esperança. De fato, Nele encontramos muito mais do que podemos ousar ou pedir. A Igreja propõe este tempo de Advento porque quer que cada crente reafirme em Jesus a virtude da esperança na sua própria vida.

Muitas vezes perdemo-la porque confiamos demasiado nas nossas próprias forças e não queremos reconhecer que estamos doentes, necessitados da mão curadora de Jesus. Mas assim deve ser, e como Ele nos conhece e sabe que somos todos feitos da mesma matéria, Ele oferece-nos a Sua mão salvadora. 

A esperança cristã é mantida viva na noite da alma se ela procura persistentemente Jesus e se aceita a cruz. Então, o próprio Jesus dar-nos-á a recompensa numa alegria divina, que dá pleno significado à tristeza, e transforma-a numa oferta frutuosa para o bem do mundo. 

Portanto, caríssimos, agradeçamos ao Senhor Jesus, por nos ter tirado da lama do pecado e ter enchido o nosso coração da esperança da vida eterna." (Frei Salvador - Cicilia - Itália).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

SANTA LUZIA ROGAI POR NÓS...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,28-32)(13/12/22)

Caríssimos, são duas as virtudes que Adão e Eva não usaram no paraíso e por isso não foram fiéis a Deus no início de sua missão, as virtudes da obediência e da humildade. Pois, com essas virtudes poderiam derrotar o inimigo de nossas almas, como o Senhor Jesus o derrotou ao fazer-se homem no seio virginal de Maria, e obedecer humildemente ao Pai até a morte e morte de cruz.

Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Emérito, Bento XVI: No Evangelho fala-se de dois filhos, atrás dos quais, no entanto, está, de uma forma misteriosa, um terceiro. O primeiro filho diz ao pai que sim, mas não faz o que lhe foi ordenado. O segundo filho diz 'não', mas depois faz a vontade do seu pai. O terceiro filho diz "sim" e também faz o que lhe é ordenado. 

Este terceiro filho é o Filho único de Deus, Jesus Cristo [que] ao entrar no mundo, disse: "Eis que venho, ó Deus, para fazer a Tua vontade" (Heb 10,7). Ele não disse apenas este 'sim', mas cumpriu-o e o sofreu até à morte.

 "Embora Ele estivesse na condição de Deus, Ele não considerou um privilégio ser como Deus, mas esvaziou-se a si mesmo assumindo a condição de servo, tornando-se como os homens. E ao ser reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais tornando-se obediente até à morte e morte na cruz" (Fil 2,6-8). 

Em humildade e obediência, Jesus fez a vontade do Pai, morreu na cruz pelos seus irmãos e irmãs - por nós - e redimiu-nos do nosso orgulho e teimosia. Agradeçamos-lhe pelo seu sacrifício, dobremos os joelhos perante o seu Nome, e proclamemos juntamente com os discípulos da primeira geração: "Jesus Cristo é o Senhor - para glória de Deus Pai" (Fil 2,10). (Bento XVI - Santa Missa em Friburgo, 25/09/11).

Portanto, caríssimos, tudo o que Deus nos pede é que lhe obedeçamos e sejamos fiéis como o seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que ao obedecer-lhe, venceu a nossa desobediência e orgulho, e nos concedeu o que havíamos perdido nos nossos primeiros pais, para assim vencermos o terrível inimigo de nossas almas.

Destarte, rezemos confiantes esta oração da liturgia de hoje: "Ó Deus, que a intercessão da gloriosa virgem santa Luzia aumente o nosso fervor, para que possamos celebrar o seu martírio e contemplar, um dia, a sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
 

domingo, 11 de dezembro de 2022

Homilia do 3 °Dom do Advento...


 Homilia do 3°Dom do Advento (Mt 11,2-11)(11/12/22)


Caríssimos, a liturgia deste 3°Dom do Advento, nos mostra o quanto precisamos permanecer no Senhor Jesus para fazermos as mesmas obras que Ele faz, como Ele mesmo disse: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.

E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei." (Jo 14,12-14). Ou seja, as obras são feitas por Jesus, mas nós as pedimos por meio da oração, em razão da fé no seu divino poder.

O Evangelho de hoje começa sua narrativa dizendo: "João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” 

Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” (Mt 11,2-11). 

Com isso, compreendemos que não basta dizer palavras sem que elas se cumpram, pois seriam palavras ditas ao vento, por isso, disse Santo Antônio de Pádua: "Cessem as palavras, falem as obras." Também são Tiago nos ensina isso: "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26).

Mas, o que nos falta para fazermos as obras da salvação que recebemos do Senhor Jesus como missão? Realmente falta muito, começando pela coerência de vida, ou seja, será que a nosso viver é realmente uma expressão da Palavra viva de Deus? Só em pensar o quanto estamos distantes dessa correspondência temos uma enorme sensação de impotência.

Portanto, caríssimos, a vivência do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, é uma antecipação do que os redimidos vivem no Reino de Deus. Decerto, como seria bom suportarmos as tribulações desta vida com a consciência limpa pela missão cumprida como são João Batista as suportou. 

Destarte, nesta frase que o Senhor Jesus disse: "Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” Se encontra a essência do seu seguimento, pois significa a nossa correspodência ao seu chamado como suas autênticas testemunhas por Palavras e por obras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 10 de dezembro de 2022

SEGUIR O SENHOR JESUS, A EXEMPLO DOS SANTOS E SANTAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 17,10-13)(10/12/22). 


Amados irmãos e amadas irmãs, paz e bem! Sejam bem-vindos e bem-vindas à nossa meditação diária. Olhando o exemplo de vida dos santos e santas que seguiram nosso Senhor Jesus Cristo, vemos algo em comum entre eles: a renúncia da própria vontade, dos apego às coisas deste mundo e a disponibilidade para segui-lo em qualquer situação da vida, com um único objetivo: ser santos como Ele é Santo. 

Mas, como alcançar essa graça? Permanecendo fiéis à sua Santa Palavra e ao mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. É isso o que nos mostra esta lirugia de hoje, a começar pelo exemplo do Profeta Elias na primeira leitura, por cuja vida impecável realizou milagres e prodígios confirmando a autenticidade da fé no Deus Altíssimo, por quem foi arrebatado ao céu.

 Comentando o Evangelho de hoje, disse O Papa Emérito, Bento XVI: "Ao anunciar aos seus discípulos que terá de sofrer, ser morto antes de ressuscitar, Jesus quer que eles compreendam quem Ele realmente é. Um Messias sofredor, um Messias Servo, e não um todo-poderoso libertador político. Ele é o Servo obediente à vontade do seu Pai até ao ponto de perder a própria vida. Assim, Jesus vai contra o que muitos esperavam dele. A sua afirmação é chocante e desconcertante. 

Seguir Jesus é tomar a sua cruz para o acompanhar no seu caminho, um caminho desconfortável que não é o caminho do poder ou da glória terrena, mas o caminho que leva necessariamente a renunciar a si próprio, a perder a própria vida por Cristo e pelo Evangelho, a fim de a salvar. Pois estamos certos de que este caminho conduz à ressurreição, à vida verdadeira e definitiva com Deus. 

Decidir acompanhar Jesus Cristo que se tornou o Servo de todos exige uma intimidade cada vez maior com Ele, escutando atentamente a Sua Palavra para dela extrair a inspiração para as nossas ações." (Bento XVI - Santa Missa em Beirute, 16/09/12).

Portanto, caríssimos, seguir a Cristo, como seus verdadeiros discípulos, é viver a obediência incondicional à vontade de Deus como vimos no seu exemplo de todos os santos e santas, principalmente de Maria Santíssima e são José, seu castíssimo esposo. 

Destarte, escutemos atentamente esta exortação do Senhor: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á." (Mt 16,24-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

O SENHOR É O MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,12-14)(06/12/22)


Amados irmãos e amadas irmãs, neste mundo inseguro por conta dos pecados nele praticados; e pela falta da prática das virtudes eternas o que fazer para vencer a insegurança e o medo de perder tudo até mesmo a própria vida? 

A única resposta que nos conforta é nos depositar nas mãos de Deus que nos enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus, como Pastor de nossas almas, aquele que nos dar a vida eterna.
Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

Caríssimos, existe em nós uma necessidade de nos mantermos seguros, tranquilos sem nos atormentar em nossos pensamentos, mas isso só é possível quando, por meio da fé, nos sentimos protegidos pelo nosso bom Pastor, nosso Senhor Jesus Cristo, quais ovelhas que somos do seu rebanho.

Decerto, sem a sua presença e proteção nos sentimos com que perdidos, sem rumo, mergulhados nos labirintos deste mundo tenebroso. De fato, por mais que tenhamos sob o nosso comando tudo o que diz respeito a nossa existência nem assim nos sentimos totalmente seguros; visto que tem sempre algo previsível ou imprevísivel que tenta nos atormentar.

No Evangelho de hoje "disse Jesus a seus discípulos: Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos."

De fato, quando o Senhor Jesus fala em se perder, significa perder do estado de graça, isto é, viver sem a sua presença em nossa vida, porque Ele é a única Fonte de segurança que temos; fora Dele ninguém neste mundo se sente seguro por si mesmo, porque à medida que o tempo passa temos consciência que perderemos tudo, menos o amor e o bem que Deus nos deu a praticar, e esse é o nosso maior tesouro.

Portanto, caríssimos, ser encontrados pelo Senhor Jesus quais ovelhas perdidas do seu rebanho, significa conversão, mudança dos parâmetros que dirige nossa vida; significa deixar-nos conduzir pela sua Palavra que nos aponta o caminho da verdade que nos conduz ao Reino dos Céus, que é Ele mesmo. (cf. Jo 14,6).

Destarte, ser ovelha do rebanho do Senhor Jesus, é ouvir a sua voz que é inconfundível e seguir os seus passos sem jamais duvidar, isto é, sem dar espaço para as vozes das tentações e do inimigo de nossas almas. Em suma, é fazer silêncio interior para ouvir a voz do Senhor. 

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (Jo 10,27-30).

Amados irmãos e amadas irmãs, assim seja a nossa conduzida por nosso Bom Pastor, nosso Senhor Jesus Cristo, como nos ensinou o rei Davi: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará. Restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome." (Sl 22,1-3).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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