VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

PAI NOSSO QUE ESTÁS NO CÉU (II)


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(28/02/23)


Caríssimos, a liturgia de hoje nos apresenta os parâmetros que fundamenta a nossa convivência com Deus que é Pai, que nos ama e nos trata como seus filhos e filhas. A propósito, como anda a nossa convivência pessoal com o nosso Pai celestial? Quanto tempo lhe dedicamos? Como o encontramos na nossa oração?

Com efeito, antes de tudo rezar é amar a Deus, é encontra-lo num diálogo silencioso feito no coração das nossas almas, isto é, a nossa consciência, onde Ele nos fala à medida que calamos as distrações, os pensamentos vãos, desordenados e estranhos; à medida que unimos os nossos desejos, intenções e vontade na busca da santidade que Ele nos concede ao encontra-lo em nossa oração.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus ensina aos seus discípulos a oração perfeita: "Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais.

Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal." (Mt 6,7-13).

De fato, essa oração é perfeita pelo conteúdo que apresenta, primeiro, é ensinada pessoalmente por Jesus, o Verbo de Deus que se fez carne, Palavra Eterna do Pai, de modo que ao reza-la somos escutados de imediato, porque pronunciamos as palavras do Filho amado de Deus, por isso, Ele nos ouve e logo responde.

Segundo, "A invocação do Pai Nosso está no plural, não é só o meu Pai, mas também o de todos. E mais ainda, apresentamo-nos a Ele com três compromissos e três pedidos: O compromisso de testemunha: "santificado seja o Vosso nome". O compromisso de fidelidade: "venha a nós o Vosso reino". E a submissão amorosa: "Seja feita a Vossa vontade."

Segue-se os pedidos de apoio a Deus: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje". O perdão dos pecados: "Perdoa-nos as nossas ofensas". O pedido de salvação do mal: "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal". Com isso, Jesus ensina-nos a dar e depois a pedir: primeiro comprometemo-nos a ser como Deus quer, depois pedimos o que precisamos para as nossas necessidades materiais e espirituais." (Mons. Angelo Spina).

Portanto, caríssimos, a oração é a via da perfeição, por ela Deus vem até nós e nós vamos a Ele como o Senhor nos ensinou, ou seja, com poucas palavras, porém, repleta dos afetos do amor filial, em que Deus nos comunica a sua vontade e a segurança paternal que tanto precisamos. 

Resumindo, três são as virtudes da oração perfeita ensinada pelo Senhor Jesus: humildade, confiança inabalável e amor incondicional. 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

SEREMOS JULGADOS JUSTOS PELA CARIDADE QUE VIVEMOS...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 25,36-45)(27/02/23)

Caríssimos, o amor é a essência da vida, por isso, não pode ser suprimido das nossas relações com Deus e entre nós, bem como nos ensina são Paulo: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não abuseis, porém, da liberdade como pretexto para prazeres carnais. Pelo contrário, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade, porque toda a lei se encerra num só preceito: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19,18). 

De fato, "A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei." (Gl 5,13-14; Rm 13,10). Desse modo compreendemos que a nossa convivência uns com os outros depende da nossa convivência com Deus, como nos ensina são João: "Se alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê. Temos de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão." (1Jo 4,20-21).

Decerto, perguntemos: o que nós temos de quem recebemos? Aliás, eis o que escreveu são Paulo a esse respeito: "Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus." Ora, essa premissa é a lei do amor, no entanto, humanamente falando, não podemos ignorar que um dia perderemos tudo, menos a generosidade com que repartimos o pão com os famintos, vestimos os nus, acolhemos os desvalidos, visitamos os doentes e encarcerados no corpo e na alma, segundo a missão que recebemos.

No Evangelho de hoje são Mateus descreve como se dará o juízo final no qual o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, sentado em seu trono de glória juntamente com seus anjos julgará todos os homens e mulheres, a partir do amor, da misericórdia e da solidariedade com que viveram traduzindo o Evangelho por suas obras. Em outras palavras, como serviram ao Senhor neste mundo.

Portanto, caríssimos, "Jesus, o justo Juiz, é o Salvador de todos os homens; os homens serão julgados sobre a caridade. Mesmo os não cristãos, se forem homens de boa vontade, participam da redenção de Cristo. A fidelidade no cumprimento do dever de suas vidas, a vontade de serviço até o fim faz deles batizados. Neste caso chama-se o "batismo de desejo".

Assim, quem possui e viveu um amor verdadeiramente autêntico para com os outros, possui e viveu algo do próprio Deus. Porque onde está o amor, a bondade, aí está Deus. Nos pequeninos da terra que eles amaram, foi, de fato, Deus que encontraram." (Comentário do Missal Romano, pg 184). Bem como nos ensinou o Senhor: "Em verdade eu vos digo, que todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes!’ (Mt 25,40).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
 

domingo, 26 de fevereiro de 2023

HOMILIA DO 1DOM DA QUARESMA...


 Homilia do 1°Dom da Quaresma (Mt 4,1-11)(26/02/23)


Caríssimos, a liturgia deste primeiro domingo da Quaresma é um desafio de fé, presente na primeira tentação no jardim do Éden; na tentação de Cristo no deserto e em todas as tentações que sofremos, trata-se da árvore do conhecimento do bem e do mal, ou seja, trata-se do amor a Deus pela obediência à sua Palavra; ou do não amor, por conta da desobediência, que é sempre uma ofensa contra Deus.

Na primeira leitura vemos que Adão e Eva foram criados por Deus em estado de graça, isto é, num jardim com total acesso à Ele, porém, com a recomendação de não se aproximar da única árvore cujo fruto os leva a morte, porque os desliga de Deus, tornando-os seus inimigos. 

No entanto, Adão com o seu pecado de desobediência introduziu a potência do mal na criação acarretando a morte de todos os viventes. Porém, na segunda leitura vemos que a obediência de Cristo nos deu a salvação fazendo novas todas as coisas, desse modo, reparou o pecado de Adão, expulsando o mal da criação (cf. Rm 5,17-19). 

O Evangelho de hoje narra as tentações que o Senhor Jesus sofreu no deserto depois de jejuar 40 dias e 40 noites: "Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. (Mt 4,4-5). Ou seja, é a terrível tentação de querer ser como Deus sem Deus.

"Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” Ou seja, é a tentação da dúvida e da falsa interpretação querendo desacreditar a autenticidade divina.

"Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto." Ou seja, é a tentação do apego às riquezas materiais, pondo-as acima de Deus.

Portanto, caríssimos, como vimos, todas as tentações são mentiras cujo intuito é nos separar de Deus, no entanto, a nossa obediência à Sua Palavra nos faz vencer todas as seduções do maligno, porque realiza em nossa vida os desígnios de Deus que nos leva à felicidade eterna.

Rezemos, então, com amor e atenção esta oração do Salmo 72: "Afora vós, o que há para mim no céu? Se vos possuo, nada mais me atrai na terra. Meu coração e minha carne podem já desfalecer, a rocha de meu coração e minha herança eterna é Deus.

Sim, perecem aqueles que de vós se apartam, destruís os que procuram satisfação fora de vós. Mas, para mim, a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar as vossas maravilhas diante das portas da filha de Sião." (Sl 72,25-28).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 25 de fevereiro de 2023

TODOS SOMOS CHAMADOS POR DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 5,27-32)(25/02/23)


Caríssimos, o Reino de Deus não tem comparação com absolutamente nada do que conhecemos ou imaginamos na criação natural, pois, trata-se da Glória de Deus, da felicidade eterna dos seus filhos e filhas. E sem sombra de dúvida todos somos chamados a participar do Seu Reino, como vimos no Evangelho de hoje em que o Senhor Jesus, olhando para o publicando Mateus, disse: "Segue-me". E ele deixou tudo e o seguiu.

De fato, "O olhar de Jesus tem um poder de atração que nos convida a segui-Lo; devemos não só deixar-nos olhar, mas olhar para Ele, voltar o nosso olhar para o Seu Rosto, deixar-nos fascinar pela Sua beleza espiritual. Cada palavra Sua tem uma força de atração; se O escutamos, sentimo-nos cada vez mais atraídos por Ele.

E então esta atração torna-se uma conformação a Ele, uma participação na Sua própria vida e também uma missão, porque o que recebemos da comunhão de vida com o Senhor transmitimos ao nosso próximo, àqueles com quem covivemos e àqueles que estão longe. 

Desse modo, "Se vivemos o Evangelho, tornamo-nos os seus transmissores, e a nossa vida torna-se uma tradução viva do Evangelho, para que as pessoas também o leiam através da nossa imagem e presença.

O chamado é sempre uma revelação do amor de Deus, um amor infinito por nós, um amor que não se detém na indignidade. Jesus chama e dá a graça de o seguir e de viver convertendo-nos continuamente das coisas do mundo para as coisas de Deus." (Madre Anna Maria Cànopi).

Rezemos então esta linda oração do Diário da Divina Misericórdia, de Santa Faustina Kowalska (§§ 1122-1123): "Deus de grande misericórdia, que Vos dignastes enviar-nos o vosso Filho unigênito como o maior testemunho do vosso insondável amor e da vossa misericórdia, Vós não rejeitais os pecadores, mas, pela vossa infinita misericórdia, abristes-lhes o tesouro do qual podem haurir em abundância, não só a justificação, mas ainda toda a santidade que a alma possa atingir.
Ó Pai de imensa misericórdia, desejo que todos os corações se voltem com confiança para a vossa infinita misericórdia. Ninguém se justificará perante Vós se não for acompanhado pela vossa insondável misericórdia. Quando nos desvendardes o mistério da vossa misericórdia, a eternidade será demasiado breve para Vos agradecer devidamente.
Oh, quão doce é guardar no mais fundo da alma aquilo em que Igreja nos diz que devemos acreditar! Quando a minha alma está imersa em amor, resolvo claramente e depressa as questões mais complicadas. Só o amor é capaz de assim andar por escarpados desfiladeiros e atravessar os cumes das montanhas. Amor e sempre amor!"

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

COMO VIVER AUTENTICAMENTE OS EXERCÍCIOS QUARESMAIS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,14-15)(24/02/23)


Amados irmãos e amadas irmãs, existe algo em nossa existência que fundamenta e sustenta o edifício da nossa vida e a prática da nossa fé, trata-se da virtude da autenticidade; decerto, essa virtude revela a verdadeira intenção do coração, e a presença de Deus em nossas ações, ao fazermos tudo por amor a Ele e ao próximo como a nós mesmos.

Com efeito, quando os exercícios quaresmais da oração, do jejum e da esmola são autênticos, afasta a incoerência e a hipocrisia das nossas ações, tornando-nos verdadeiramente santos ou pelo menos a caminho da santidade. Porque quem se une ao Senhor e se deixa conduzir por Ele, torna-se autêntico em todos os sentidos de sua vida.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus é questionado pelos discípulos de João Batista, sobre o por que dos seus discípulos não jejuarem, uma vez que eles e os fariseus o fazem com frequência; ao que o Senhor respondeu: “Por acaso, os amigos do noivo podem estar de luto enquanto o noivo está com eles? Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles. Então, sim, eles jejuarão”. (Mt 9,15).
Com isso, Ele revela por antecipação o mistério da sua paixão e morte.

Desse modo, o SenhorJesus nos faz compreender que a prática do jejum deve levar-nos à uma profunda comunhão com Ele, pois é uma necessidade da alma que busca o seu Senhor nas provações desejando se unir a Ele para superar os obstáculos que tentam impedir a prática da verdadeira piedade e da vontade de Deus.

Então, humildemente escutemos o Senhor e ponhamos em prática a Sua Santa Palavra: “Quando jejuais não fiqueis melancólicos, com a cara triste, para que todas as pessoas vejam que jejuais. E quando rezais não mostreis que estais a rezar para que os outros digam: ‘que pessoa boa, justa’”. (Mt 6,17.5).

Portanto, caríssimos, o jejum não é um esforço aparente, mas um exercício espiritual que fazemos para encontrar o Senhor Jesus e Nele parmanecer, e assim darmos os frutos da Sua presença em nossa vida, caso contrário, não passa de exercício inútil sem proveito algum para a alma.

Destarte, peçamos ao SenhorJesus a graça de fazermos uma santa quaresma por meio dos exercícios espirituais que a Santa Mãe Igreja nos recomenda: oração, jejum e esmola, porém, façamos não como atos externos para que os outros vejam, mas sim, como atos internos de modo que somente Deus os conheça.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

HOMILIA DO 7DOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do 7°Dom do Tempo Comum (Mt 5,38-48)(19/02/23)


Caríssimos, o tempo que nós temos neste mundo é muito curto se comparado com a eternidade que teremos pela frente, mas é justamente nesse tempo que Deus nos dá todas as graças necessárias a fim de nos prepararmos para a eternidade que viveremos na sua presença, por isso, é fundamental o mandamento do amor, porque sem ele não existe convivência pacífica nem aqui nem na eternidade. 

Com efeito, falar de amor na dimensão que o Senhor Jesus nos fala não é um discurso fácil, mas um grande desafio, porque sem a força do amor de Cristo que deu a vida por seus amigos e inimigos, somos incapazes de amar por nós mesmos, uma vez que sofremos a tentação de fazer justiça com as próprias mãos, e isso não é nada bom para quem quer viver em paz.

De fato, não amamos as pessoas somente pelas qualidades que aparesentam, porque no dia que deixarem de apresentar tais qualidades aprovadas pela sociedade em que vivemos, certamente serão julgadas e punidas, pela frágil justiça humana que ora nos governa. 

Sem dúvida, o mandamento do amor que o Senhor Jesus nos ensina, ultrapassa a justiça punitiva e a vingança, dando ao infrator uma nova chance de se corrigir e reparar a infração cometida, caso contrário, perderá a graça da misericórdia oferecida deixando de lado tão grande benefício salvífico.

No Evangelho de hoje disse o Senhor Jesus: "Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos." (Mt 5,43-45).

Então, como pôr em prática esse imenso mandamento? Permanecendo em Cristo, como Ele mesmo disse: "Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (Jo 15,4-5). Ou seja, é a força do amor de Cristo que nos leva à superar a incapacidade de amar que nos atinge.

Portanto, caríssimos, eis a graça que nos é dada: "amar como Deus ama, com as mesmas finalidades de Dele; com amor puríssimo; sem sombra de compensação (cf. Mt 5,46). Amar-nos como irmãos, com um amor que procura o bem de quem amamos, não o nosso bem. Amar como Deus, que não busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a." (MR).
 
Destarte, não existe amor verdadeiro sem perdão, de modo que, apesar da pecaminosidade da humanidade, ainda resta um raio de esperança pela misericórdia que alcança todo pecador que se converte, como disse o Senhor Jesus: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." 
(Lc 15,7).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

ESTE É O MEU FILHO AMADO, ESCUTAI O QUE ELE DIZ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 9,2-13)(18/02/23)


Caríssimos, existe uma tendência humana de querer reduzir a fé, dom do Espírito Santo, em ente de razão, ou seja, querer entender para crer, impedindo com isso a ação da graça divina em nosso favor. É como se disséssemos a Deus: se não for segundo os meus critérios intelectuais, não creio; e isso gera incredulidade, indiferença e falsos raciocínios, criando entre a alma e Deus como que um abismo intransponível (cf. Lc 16,23). 

Por outro lado, a primeira leitura expressa a fé como ela é, como nos ensina o escritor sagrado: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê." (Hb 11,1). Ou seja, não é o ver para crer; mas o crer para ver, e isso requer adesão total, amor incondicional, visto que não impõe limites à ação da graça de Deus.

Por exemplo, crer que Deus se faz presente em qualquer situação de nossa vida, é o bastante para invocarmos o seu Santo Nome e sermos atendidos; e não importa como entendemos isso, mas sim a confiança que Nele depositamos, pois, como Pai amoroso que é, Ele jamais nos abandona, todavia, precisamos crer.

Desse modo, a fé é o dom por excelência do Espírito Santo que nos arranca de nós mesmos e dos nossos critérios intelectuais, nos pondo em sintonia com a vontade de Deus para que Ele realize em nossa vida tudo o que é do seu agrado. Bem como vemos na primeira leitura: "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram." (Hb 11,6).

No Evangelho de hoje são Marcos narra o episódio da Transfiguração do Senhor: "Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, e os levou sozinhos a um lugar à parte sobre uma alta montanha. E transfigurou-se diante deles. Suas roupas ficaram brilhantes e tão brancas como nenhuma lavadeira sobre a terra poderia alvejar." (Mc 9,2-3).

Portanto, caríssimos, a Transfiguração é o ápice da revelação de que o Senhor Jesus é o Filho de Deus: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!” (Mc 9,7b). Decerto, esse Evangelho se reveste de suma importância para nós, porque nele recebemos o testemunho de Deus Pai ensinado-nos a ouvir o Seu Filho e a pôr em prática tudo o que Ele nos ensina. 

Destarte, a Palavra de Cristo é Palavra de vida eterna (cf. Jo 6,68); ela se cumpre na íntegra; pois nos revela quem é o Pai, como Ele nos ama e como demonstra o seu amor por nós, no-lo enviado para a nossa salvação mediante o seu sacrifício de cruz. Por isso, precisamos ficar atentos ao que o Senhor Jesus nos fala para não perdermos nenhuma de suas Palavras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

TODOS ESTAMOS A CAMINHO DA ETERNIDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,34–9,1)(17/02/23)


Caríssimos, a confusão das línguas, vista na primeira leitura no episódio da torre de Babel, é hoje traduzida pela era cibernética em que os homens, por seu poder tecnológico, intentam ser como Deus. Ou seja, a Internet e toda sua tecnologia nada mais é do que a Torre de Babel atualizada, em que os homens se acreditam tão autossuficientes que não precisam de Deus para nada.

No entanto, basta um Black-out mundial para que a Grande Torre Cibernética desmorone e volte à estaca zero da comunicação, então a confusão se espalhará com todo o seu poder de dispersão se estendendo aos quatro cantos da terra. De fato, os que pensam que têm todo poder; na verdade não passam de simples mortais; porque todo poder somente a Deus pertence e a ninguém mais.

Com efeito, é esta a lição que a liturgia de hoje nos dá: todos estamos a caminho da eternidade e a morte faz parte deste percurso, de modo que a qualquer momento ela acontecerá, no entanto, quem segue nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, vence o pecado e a morte como Ele venceu, renunciando a si mesmo para fazer em tudo a vontade do Pai. Bem como reza a Carta aos Hebreus:

"Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade. Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve. E uma vez chegado ao seu termo, tornou-se autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem. (Hb 5,7-9). Ou seja, por Cristo, com Cristo e em Cristo todos morremos e ressuscitamos para a vida eterna.

No Evangelho de hoje "Jesus chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho vai salvá-la." (Mc 8,34-35). 

Isto significa que nenhuma criatura se sustenta por si mesmo, todos somos dependentes e somente o Senhor Jesus preenche a nossa vida totalmente quando renunciamos a nós mesmos, isto é, aos pecados de desobediência e autossuficiência, porque são portas de entrada para os outros pecados. 

Portanto, caríssimos, ainda estamos no tempo da Misericórdia Divina em que pacientemente Deus espera a conversão de todos sem exceção, pois tempo é tempo e pode acabar a qualquer momento, por isso, como disse são Paulo: "Exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2Cor 6,1-2).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

QUEM DIZEM OS HOMENS QUE EU SOU?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,27-33)(16/02/23)


Caríssimos, o jeito mais fácil de se conhecer uma pessoa é interroga-la ou ser interrogado por ela, desse modo, conhecemos quem somos e quem nos interroga, para assim interagirmos com mais fluidez ou não, dependendo das respostas. De fato, quem pergunta quer sempre saber ou informar algo que leva ao essencial, ao sentido mais profundo da vida ou do que se quer conhecer e comunicar.

Por isso, quem vive da fé nunca perde tempo com as futilidades deste mundo, como nos ensina o salmista: "Ó poderosos, até quando tereis o coração endurecido, no amor das vaidades e na busca da mentira?" (Sl 4,3). Principalmente nesse nosso tempo de tantas falsas notícias e impropérios que levam ao inferno da desinformação, do desperdício de tempo e da incapacidade de gerar e transmitir as boas novas da salvação.

Com efeito, vivemos do que comunicamos, por isso, é essencial a comunhão com o Senhor Jesus que foi enviado por Deus Pai para nos fazer conhecer a verdade e permanecer nela, que nos liberta das mentiras e de seus derivados, que são as calúnias, maledicências e os pensamentos vãos. De fato, sem a verdade a vida não passa de uma triste ilusão com um fim trágico.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus perguntou aos discípulos: “Quem dizem os homens que eu sou?” Eles responderam: “Alguns dizem que tu és João Batista; outros que és Elias; outros, ainda, que és um dos profetas”. Então ele perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. (Mc 8,27-29). Ou seja, não basta ter informações a respeito do Senhor Jesus, é necessário conhece-lo, ama-lo e segui-lo fielmente como o Messias enviado por Deus Pai.

"Em seguida, Jesus começou a ensiná-los, dizendo que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, devia ser morto, e ressuscitar depois de três dias. Ele dizia isso abertamente.

Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreende-lo. Jesus voltou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Vai para longe de mim, Satanás!” Tu não pensas como Deus, e sim como os homens”. (Mc 8,30-33). Ou seja, Pedro a princípio acreditava num messias ideal; no entanto, o Senhor lhe mostrou que era o Messias real, homem-Deus que sofre como um de nós sem deixar de ser Deus. 

Portanto, caríssimos, é muito fácil seguir o Senhor Jesus sem se comprometer com Ele para não ter de carregar a cruz de cada dia. E de fato, quem vive em busca de fama, dinheiro, poder e prazer, quando se depara com as dores e tristezas que essas armadilhas escondem, caem nas desgraças que elas comportam tornando-se um caminho sem volta muito distante do caminho do Senhor.

Destarte, o caminho da cruz não é fácil, porque requer fé, renúncia da própria vontade e das vantagens que este mundo oferece. No entanto, quem deixa tudo para seguir o Senhor Jesus, tem plena consciência que o tudo deste mundo não vale nada, pois, como disse Pedro: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,68-69).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

AS GRAÇAS NOS SÃO DADAS À MEDIDA QUE AS BUSCAMOS NO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 8,22-26)(15/02/23)


Caríssimos, vivemos num mundo físico, mas também metafísico, isto é, envolvido pelo invisível, todavia quando pomos em prática a fé e o que nos ensina o Senhor, vemos nitidamente muito além do que os nossos olhos enxergam fisicamente, porque vemos o metáfisico que Ele nos mostra ao dar-nos as instruções necessárias que nos ajuda a enxergar o mundo e os homens como Ele mesmo os enxerga.

A liturgia de hoje nos apresenta a promessa de Deus de mudar o mundo e os homens pelo caminho da obediência aos seus mandamentos que é a via da perfeição que nos leva ao Reino dos Céus aonde viveremos para sempre na sua presença, amando-o sobre todas as coisas e amando-nos uns aos outros incondicionalmente, pois é esse o sentido de ser da nossa existência. 

No entanto, para isto precisamos eliminar o pecado da nossa prática de vida, e isso só é possível mediante a ação do Espírito Santo que nos foi dado, pois é Ele que nos inspira os bons propósitos e como realiza-los. De fato, num mundo onde ao que parece reina o pecado, como viver em permanente estado de graça? Ora, isso é realmente possível se seguirmos o que o Senhor Jesus nos ensina, caso contrário, é impossível vencermos as tentações e os pecados por nós mesmos, ou seja, com as nossas próprias forças.

No Evangelho de hoje: "Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele." E curiosamente o Senhor usou um procedimento singular, molhou os olhos do cego com a Sua saliva, e perguntou o que estava vendo ao que o ele respondeu: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”.

"Então Jesus voltou a pôr as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. Jesus mandou o homem ir para casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!" (Mc 8,25-26). Ou seja, as graças nos são dadas à medida que as buscamos no Senhor, porém, cabe somente a Ele como no-las conceder.

Portanto, caríssimos, por esse episódio percebemos que o Senhor Jesus quer que enxerguemos o mundo e os homens como Ele os enxerga, ou seja, para fazer-lhes todo o bem que precisam, para que assim possam ver além das aparências, pois, só pode enxergar bem quem olha o mundo e os homens seguindo as instruções que o Senhor Jesus nos dá.

Destarte, se só vemos a maldade que está no mundo e não fazemos o bem que precisa ser feito para ser mudado, caímos facilmente no pecado do juízo de valor e das críticas impiedosas, próprias de quem deixa de dar o verdadeiro testemunho da presença de Cristo em sua vida. Em suma, a cura da cegueira física e espiritual é fruta da conversão diária mediante as graças que nos são concedidas à medida que as buscamos no Senhor.  

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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