VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

NÃO TENHAS MEDO. BASTA TER FÉ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,21-43)(31/01/23)


Caríssimos, o seguimento de nosso Senhor Jesus tem como fundamento a fé pela qual acreditamos Nele como o Messias enviado por Deus Pai para nos libertar do pecado, da morte e do inferno; ora, a ninguém foi dada essa missão a não ser ao Senhor e aos que Ele envia para anunciar a boa nova da salvação à todos os povos por meio da sua Santa Igreja.

No Evangelho de hoje são Marcos narra dois episódios que revelam o poder que tem a fé, bem como o Senhor nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." (Mc 9,23b). No primeiro episódio vemos a mulher que sofria com uma hemorragia crônica, porém, acreditou que apenas tocando na orla do manto do Senhor Jesus ficaria curada, e assim aconteceu.

No outro episódio a filha de Jairo, chefe da Sinagoga, estava nas últimas e seu pai recorreu ao Senhor Jesus que logo atendeu o seu pedido de socorro, e ao receber a notícia da morte da criança, se dirigiu ao seu pai dizendo: “Não tenhas medo. Basta ter fé!” Ou seja, a fé é um dom do Espírito Santo, e por isso, pode tudo até mesmo ressuscitar os mortos pela intervenção do Senhor Jesus, como aconteceu com a filha de Jairo.

Portanto, caríssimos, não sabemos quanto tempo ainda temos pela frente até a segunda vinda de Cristo, todavia, tudo o que precisamos para viver em comunhão com Ele, nós temos, a começar pelo batismo e os outros Sacramentos, em especial a penitência e a Eucaristia; a vida de oração e a prática da sua Palavra de vida eterna.

Destarte, tomemos consciência que estamos numa luta espiritual, por isso, prestemos atenção às atitudes fundamentais do discipulado de Cristo para vencermos essa luta: "Irmãos, rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas, deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve.

Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé." Ou seja, perseveremos até o fim em estado de graça, pois como disse o Senhor: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." 

Decerto, creio que estamos entrando no tempo da grande tribulação em que muitas catástrofes ocorrão e muitos morrerão por conta dos muitos pecados aqui praticados, como anunciou o Senhor (cf. Mt 24,1-8). 

Por isso, intensifiquemos as nossas orações e súplicas, nos entregando totalmente ao Senhor Jesus pela intercessão de sua Mãe, Maria Santíssima e de São José, com todos os anjos e santos para que nos livre de tudo o que estar por vir.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

MAL É MAL E NUNCA FAZ O BEM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 5,1-20)(30/01/23)


Caríssimos, mal é mal e só faz o mal mesmo quando se transveste de algum bem; enquanto que o verdadeiro bem vem unicamente de Deus, por isso, permanece para sempre. O certo é que estamos em meio a uma grande luta espiritual entre o bem e o mal, na qual o mal existente parece que está vencendo, porém, só parece, porque o bem vence sempre, enquanto que o mal se destrói por si mesmo, e isso por toda a eternidade.

Santo Agostinho nos ensina que "o mal é a ausência do bem", por isso, não existe em si e por se mesmo, ou seja, tende a um fim trágico. De fato, somente Deus é o Supremo Bem e sem Ele tudo perece no para sempre do inferno que nada mais é do que a ausência da Sua presença por toda a eternidade. 

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus expulsa uma legião de demônios da alma de um homem e os envia à uma manada de porcos que se precipitou nas profundezas do mar morrendo afogados. Com efeito, esse episódio nos ensina que aonde Deus entra expulsa todo o mal que ousa ocupar o espaço que a Ele pertence unicamente. 

Portanto, caríssimos, o mistério da iniquidade presente neste mundo só pode ser entendido pela ação da graça de Deus que nos faz experimentar o seu amor e o sua misericórdia em meio às tribulações e adversidades que sofremos por parte do maligno e os seus seguidores.

Destarte, peçamos humildemente ao Senhor Jesus para ocupar todos os espaços de nossas almas, para não sermos perturbados pelas ações do maligno que tenta a todo custo nos dominar, bem como nos ensina são Pedro: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. 

Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém." (1Pd 5,8-11).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 29 de janeiro de 2023

SERMÃO DAS BEM-AVENTURANÇAS...


 Homilia do 4°Dom do Tempo Comum(Mt 5,1-12a)(29/01/23)


Caríssimos, certa feita disse o Senhor Jesus: "Pobres vós tereis sempre convosco. A mim, porém, nem sempre me tereis." (Mt 26,11). Com efeito, Ele disse isso num dos momentos mais difíceis de sua presença neste mundo em que estava prestes a ser traído por Judas. De fato, ao mencionar os pobres Ele o faz como um deles, pois tudo o que ensinou tem como fundamento o seu modo de ser e estar no mundo.

Com efeito, nas leituras desta liturgia se evidencia a revolução que o Senhor Jesus veio trazer a este mundo; não uma revolução armada cujo objetivo é a tomada de poder; mas sim uma revolução salvífica cujo objetivo é a inversão de valores, em que o amor aos pobres os liberta da miséria, e os preenche de dignidade dando-lhes o ampara necessário para se sentirem filhos e filhas de Deus.

O Evangelho de hoje é o início do Sermão da Montanha com as Bem-aventuranças, que é a espinha dorsal do ensinamento do Senhor Jesus, é também a regra da vida eterna, caminho de perfeição, pois quem por ele segue nunca tropeça porque tem no auxílio da graça de Deus a força para percorrer-lo sem sofrer dano algum.

Todavia, perguntemos: como viver as bem-aventuranças? A resposta está em cada uma delas, uma vez que como filhos e filhas de Deus nada queremos fora da sua vontade, desse modo, ser pobre é não se apegar a nada, é dar e receber providencialmente o que somente a Deus pertence. Desse modo, ser puros de coração é ter em Deus o prazer que nos santifica, e nos liberta do prazer egoísta que nunca nos satisfaz.

Ser mansos, sentir fome e sede de justiça, ser misericordiosos, promotores da paz mesmo em meio às perseguições, calúnias, mentiras e todo tipo de maldade, significa sermos conduzidos pelo Espírito Santo para realizarmos em tudo a vontade de Deus, nosso Pai, convictos de que Ele nos livra de todo o mal.

Portanto, caríssimos, "o sentimento profundo de desapego e pobreza, justiça e sinceridade, são as dimensões do coração novo que acolhe a Palavra de Deus que nos salva. Pois, só podemos descobrir a riqueza dos dons de Deus à medida que vivemos a experiência das bem-aventuranças." (MR).

Destarte: "A meta que o Senhor Jesus nos indica com o sermão da montanha, antes de ser atingida por nossos esforços, é um dom que se obtém pela oração." (MR).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 28 de janeiro de 2023

ACALMANDO AS TEMPESTADES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,36-41)(28/01/23)


Caríssimos, viver somente para Deus, creio que esse é o maior desejo de nossas almas, ou seja, viver a vida toda dedicada ao nosso Pai celestial que nos ama, nos ampara e nos concede todas as graças necessárias para vivermos em comunhão com Ele e entre nós seus filhos e filhas num amor sem igual. 

No entanto, para que isso aconteça se faz necessário renunciarmos a nós mesmos e aos nossos apegos que na verdade são pedras de tropeço querendo nos impedir esse amor incondicional. De fato, tudo o que pomos entre nós e Deus ocupa o espaço de nossas almas que somente a Ele pertence. 

Com efeito, o que seria de nós sem a promessa da vida eterna? Decerto, a primeira leitura nos lembra a fé dos nossos antepassados que peregrinando neste mundo aguardaram o cumprimento das promessas de Deus em seus descendentes, como vimos com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, como Salvador da humanidade Ele que derramou o seu sangue para expiação dos nossos pecados.

No Evangelho de hoje enquanto o Senhor Jesus e os discípulos atravessavam o mar da Galileia houve uma grande tempestade, e o Senhor estava dormindo na proa da barca. "Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!”

O vento cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?” (Mc 4,38-41). É realmente de se admirar o jeito manso e humilde como Deus nos trata no exercício do seu poder para nos salvar.

Portanto, caríssimos, diante das intempéries do mar revolto deste mundo, o que seria de nós sem a presença do Senhor Jesus no barco da nossa vida? Por isso, prestemos atenção nas perguntas que Ele fez aos seus discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 

Destarte, tomemos cuidado para não caírmos na tentação do medo e da incredulidade que nos mergulha nas tempestades deste mundo tenebroso; ao invés de nos voltarmos para o Senhor e ouvirmos a sua voz ordenando à essas tormentas: “Silêncio! Cala-te!” 

Oremos: Senhor Jesus é sempre bom ouvir a tua voz e sentir que acalmas as tempestades e tormentas do mar revolto da nossa vida. De fato, no coração de quem escuta a tua voz tudo se faz calmaria, tudo se faz bonança.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

O REINO DE DEUS É COMO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 4,26-34)(27/01/23)


Caríssimos, nós que buscamos fazer a vontade de Deus, quando passamos por alguma provação ou desafio de fé, sofremos a tentação de pensar que Ele nos abandonou ou não entendemos o porquê desses acontecimentos adversos. No entanto, basta olharmos para o sofrimento de Cristo e logo percebemos que nosso Pai celestial nunca nos abandona, contanto que nos mantenhamos fiéis ao querer e agir da sua Divina Providência.

Na primeira leitura tirada da Carta aos Hebreus meditamos: "Irmãos, lembrai-vos dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e dolorosas lutas. Às vezes, éreis apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras vezes, vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados." (Hb 10,32-33). Ou seja, não é fácil sofrer tribulações, perseguições e outros impropérios, mas Deus que tem todo poder nos defende sempre. 

Dito isso, perguntemos: mas, por que Ele permite que soframos? São Tiago explica: "Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma." (Tg 1,2-4).

Ou seja, quer queira quer não o sofrimento faz parte da finitude da nossa humilde condição, por isso, mais cedo ou mais tarde ele chega e logo tenta nos desanimar, mas Deus que nos ama sofre conosco e nos arranca do sofrimento nos dando o alento necessário para sermos felizes em meio às tribulações, todavia, se faz necessário buscar a Sua ajuda pelas nossas súplicas e orações, e logo ela vem e não tarda.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus falando sobre o Reino de Deus, para o qual está nos conduzindo, disse: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece." (Mc 4,26-34). Ou seja, para nós que acreditamos, o Reino de Deus acontece a todo instante, e é por ele que enfrentamos os sofrimentos carregando, com o Senhor Jesus, a nossa cruz de cada dia.

Portanto, caríssimos, nem sempre vamos compreender os porquês do que está acontecendo, mas acreditamos firmemente que o Senhor Jesus está sempre conosco como nos prometeu (cf. Mt 28,20), certos de que suas palavras se cumprem na íntegra, pois Ele é Deus conosco e nunca falha basta que lhe sejamos fiéis até o fim.

Destarte: "Olhai, olhai o amor inefável que Deus tem por nós e a doçura do fruto delicioso do Cordeiro sem mancha, este trigo eterno que foi semeado no campo de Maria. Que o nosso jardineiro ("a razão e o livre arbítrio") desperte da sua negligência, pois chegou o momento: o fruto está maduro, fortificado pela união de Deus com o homem." (Santa Catarina de Sena) 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

A MESSE É GRANDE, MAS OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,1-9)(26/01/23).


Caríssimos, olhando este mundo desmoronando pela maldade nele praticada, pelas mentiras inventadas tentando-se tirar proveitos pessoais e vencer na vida materialmente, porém, sem nenhuma sensação de paz. É esse o estado de alma dessa nossa sociedade mergulhanda no fosso da perdição muito distante de Deus.

Quantos realmente seguem nosso Senhor Jesus Cristo levando o Evangelho da salvação para todas as nações como Ele nos ensinou? Decerto, sentir-se chamado é sentir-se amado e enviado por Deus com um único objetivo, a salvação de todos que ainda não conhecem e por isso, não amam a Cristo nem se deixam conduzir por Ele.

Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Emérito recém-falecido, Bento XVI: "Embora possa parecer que a maior parte do mundo moderno, das pessoas de hoje, viram as costas para Deus e consideram a fé uma coisa do passado - há no entanto o anseio de que a justiça, o amor e a paz seja finalmente estabelecida, que a pobreza e o sofrimento sejam superados, que as pessoas encontrem a verdadeira alegria. 

Todo este anseio está presente no mundo de hoje, o anseio pelo que é grande, pelo que é bom. É o anseio do Redentor, do próprio Deus, mesmo onde Ele é negado. É precisamente nesta hora que o trabalho no campo de Deus é particularmente urgente, e é precisamente nesta hora que sentimos de uma forma particularmente dolorosa a verdade das palavras de Jesus: "Há poucos trabalhadores". 

Ao mesmo tempo, o Senhor faz-nos compreender que não podemos ser apenas nós a enviar trabalhadores para a sua colheita; que não se trata de uma questão de gestão, da nossa própria capacidade organizativa. Os trabalhadores para o campo da sua colheita só podem ser enviados pelo próprio Deus. Mas Ele quer enviá-los através da porta da nossa oração. 

Podemos cooperar para a vinda dos operários, mas só o podemos fazer cooperando com Deus. Assim, esta hora de ação de graças pelo cumprimento de um envio missionário é, de uma forma especial, também a hora da oração: Senhor, envia operários para a tua colheita! Abra os corações à sua chamada! Não deixe que a nossa súplica seja em vão!"

Portanto, caríssimos, mais do que nunca este mundo precisa da presença do Senhor Jesus nele, e não existe nenhuma solução fora da que Deus nos deu: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.

Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus." (Jo 3,16-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

FESTA DA CONVERSÃO DE SÃO PAULO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 16,15-18)(25/01/23)


Caríssimos, a conversão de uma pessoa é semente de eternidade que começa a germinar neste mundo dando frutos para a vida eterna. Assim é a conversão de São Paulo que de perseguidor de Cristo no início, depois de convertido deu a sua vida por Ele, revelando a sua presença em seu modo de ser por meio de palavras, gestos e as virtudes próprias de quem segue o Senhor de todo coração.

São Gregório Magno, Papa e doutor da Igreja, assim comenta a conversão de São Paulo: "Paulo se converte e eis que se oferece, por Cristo, aos golpes que vinha trazer aos cristãos. Aquele que ontem, vivendo segundo a carne, se empenhava em levar a morte aos santos do Senhor tem hoje prazer em imolar a vida da sua própria carne para salvar a vida desses mesmos santos. 

As frias maquinações da sua crueza transformam-se em caridade ardente e aquele que blasfemava e perseguia descobriu uma humildade e uma piedade de pregador; aquele que tinha por ganho sem igual matar a Cristo nos seus discípulos considera agora que a sua vida é Cristo e o seu lucro, morrer por Ele.

Assim, a água foi libertada e a terra foi refeita (cf Jó 12,15), porque, assim que acolheu a graça do Espírito Santo, a alma de Paulo transformou-se, abandonando a sua condição de ser imóvel e cruel. Em sentido contrário, o Senhor exprime as suas queixas contra Efraim pela boca do profeta: «Efraim tornou-se um pão cozido sobre as cinzas que não foi virado» (Os 7,8). 

O pão cozido sobre as cinzas fica com uma camada de cinzas por cima, e fica tanto mais sujo quanto maior é o peso das cinzas. E que peso tem sobre si uma alma que só pensa nas coisas deste mundo? Talvez uma massa de cinzas. Mas, se essa alma quiser ser virada, a face pura que tinha voltada para baixo fica voltada para cima, uma vez sacudidas as cinzas que a cobriam."

Portanto, caríssimos, assim é a vida de quem se converte e encontra em Cristo a leveza de sua caridade, a iluminação do Espírito Santo, a plenitude do amor do Pai, o refúgio da Santíssima Trindade e o abrigo do Paraíso, fazendo deste mundo um lugar melhor para se viver enquanto espera a segunda vinda de Cristo como Ele prometeu.

Destarte, peçamos humildemente neste dia a intercessão deste grande Apóstolo das gentes, são Paulo, que anunciando Cristo e o Reino de Deus encaminhou milhões de almas para o céu.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

CORRAMOS AO ENCONTRO DO SENHOR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,31-35)(24/01/23)


Caríssimos, muitas vezes caímos na tentação dos falsos elogios ou informações fora de contexto pelo simples fato de querer sobresaírmos aos demais ou mesmos sermos ben-vistos por eles, quando na verdade não percebemos o quanto estamos sendo invasivos ou no mínimo "pagando mico". 

No entanto, em se tratando da fé, o Senhor Jesus nos faz ver que para além do que dizemos existe algo mais profundo e que ainda não compreendemos; é o que ocorre no Evangelho de hoje em que alguém da multidão traz uma informação fora de contexto, mas Jesus logo o corrige mostrando qual é o verdadeiro sentido da sua presença neste mundo, ou seja, levar todos os homens ao encontro com Deus Pai. 

Comentando esse Evangelho disse o Beato Colúmbia Marmion (séc. XIX): "Se procurarmos a Deus apesar de todas as provas, se Lhe oferecermos todos os dias e a todas as horas esta homenagem extremamente agradável que consiste em pôr nele, e só nele, a nossa felicidade; se nunca procurarmos fazer senão a sua vontade; se agirmos de tal maneira que dar-Lhe gosto seja o verdadeiro motivo de toda a nossa atividade, tenhamos a certeza de que Deus não nos faltará nunca. «Deus é fiel» (1Tim 5,24), e «não pode faltar a quantos O procuram» (Sl 9,11).

Quanto mais nos aproximarmos Dele pela fé, a confiança e o amor, mais nos aproximaremos da nossa perfeição. Digamos muitas vezes, como o salmista: «A vossa face eu procuro, ó meu Deus. Com efeito, que há para mim no céu e na Terra, que quero eu além de Vós? Vós sois o Deus do meu coração e a herança que escolhi para toda a eternidade» (Sl 26,8; 72,25-26). 

Se assim fizermos, encontraremos a Deus e, com Ele, todos os bens. «Procura-Me», recomenda Ele próprio à alma, «procura-Me com a simplicidade de coração que nasce da sinceridade; porque Eu deixo-Me encontrar por aqueles que não Me tentam e manifesto-Me àqueles que confiam em Mim» (Sab 1,1-2).

Quando encontrarmos a Deus, também possuiremos a alegria. Fomos feitos para a felicidade, para sermos felizes; o nosso coração tem uma capacidade de infinito, mas só Deus pode saciar-nos por completo. «Criaste-nos, Senhor, para Vós, e o nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Vós» ("Confissões" - Santo Agostinho). É por isso que, quando procuramos alguma coisa fora de Deus ou da sua vontade, não somos completamente felizes."

Portanto, caríssimos, vivemos num mundo de muitas informações, porém, poucas delas são verdadeiras, e digamos ainda a maioria delas são equivocadas ou mesmo eivadas de interesses mesquinhos, por isso, desliguemos nossos celulares e abramos os ouvidos do nosso coração para ouvirmos a Palavra de Deus e a pô-la em prática, porque sem isso corremos o risco de nos perdemos no labirinto das falsas informações.

Destarte, entremos na Internet somente para evangelizar e sermos evagelizarmos e isso nos basta para vivermos em estado de graça, isto é, segundo a vontade de Deus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 3,22-30)(23/01/23)


Caríssimos, quem fecha os olhos de sua alma para a Luz do Espírito Santo e o nega motivado pela incredulidade, se fecha em si mesmo e se perde nas trevas do orgulho e da falta de fé. A pior cegueira que existe é a espiritual porque tal cego não percebe as evidências com que Deus se mostra ao nosso entendimento por meio da fé em Cristo Jesus.

Com efeito, nenhuma criatura existe em si e por si mesmo, muito menos fora do Senhor que nos criou por amor. Ora, porque Deus é Eterno, tudo criou para a eternidade, mesmo o tempo e tudo o que nele se encontra; é esse o grande mistério que nos desafia à todo instante. 

O fato é que, frequentemente o ser humano sofre a tentação de querer limitar o que não tem limite, principalmente em se tratando da fé; e quando não consegue o que quer, geralmente condena os que não são de acordo com o que pensa.

A liturgia de hoje trata do pecado contra o Espírito Santo, para o qual não existe perdão nem neste mundo nem no vindouro. Decerto, quem comete este pecado, tem plena consciência do mal praticado contra Deus, contra o próximo e contra si mesmo, por isso, fecha-se em si mesmo e nunca se arrepende.

Então, o que é esse pecado e como se comete ele? Trata-se da blasfêmia contra o Espírito Santo. É uma espécie de rejeição à terceira Pessoa da Santíssima Trindade; e isso acontece quando a alma perde toda noção do Sagrado por se encontrar imersa nas insídias do maligno passando a viver como ele. 

Ou seja, a alma desligada de Deus, por esse pecado, perde todas as suas graças, entre elas o santo temor, a contrição do coração e a esperança da salvação eterna. Desse modo, começa a atribuir a Deus o que em Deus não existe, ou seja, o mal.

Portanto, caríssimos, esse pecado além de ser uma grande ofensa a Deus, é também uma terrível tragédia para as almas que o cometem, pois, nele não existe esperança alguma de salvação. Destarte, que nenhuma criatura se arvore em querer julgar o Senhor, pois Ele nos ama, e por isso nos dá a vida, nosso bem mais precioso; aí daqueles que o rejeitam e o acusam como se fosse culpado pelos males advindos dos nossos pecados.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Homilia do 3°Dom do Tempo Comum...


 Homilia do 3°Dom do Tempo Comum (Mt 4,12-23)(22/01/23)


Caríssimos, sem a luz de Deus nos iluminando, a vida natural e a vida divina é impossível. De fato, as trevas são insuportáveis, basta um simples apagão e logo desejamos mais que depressa que volte a luz, pois sem ela ficamos praticamente paralisados. Agora imaginem nossa vida sem a luz de Cristo nos iluminando e pela graça do Espírito Santo nos conduzindo para o céu.

São João ao expressar essa verdade escreveu: "A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma. Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade. Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado." (1Jo 1,5-7).

Com efeito, esta liturgia de hoje nos mostra que a vinda de Cristo Jesus a este mundo é a última Palavra de Deus à humanidade e o último chamado para participarmos do seu Reino de amor e paz na Luz Eterna da sua Glória. E tudo o que Ele nos pede é arrependimento e conversão para sermos purificados pelo Sangue do Seu Filho derramado em expiação dos nossos pecados.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus anuncia a vinda do Reino de Deus e como fazermos parte dele por meio da conversão e da vivência do Evangelho cujo conteúdo é o modo de ser eterno dos filhos e filhas de Deus, diz Ele: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Ou seja, com essas palavras o Senhor Jesus inaugura o Reino de Deus no meio de nós.

Decerto, só o fato de existirmos já é uma graça especial, porque é um dom inefável de Deus que nos criou à sua imagem e semelhança para participarmos da sua Natureza Divina, como nos ensina são Pedro: "O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude.

Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da Natureza Divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." (2Pd 1,4-5).

Então, como participamos de todas essas graças? Em resposta São Pedro assim nos exorta: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, e ao amor fraterno a caridade.

Se estas virtudes se acharem em vós abundantemente, elas não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Porque quem não tiver estas coisas é míope, cego: esqueceu-se da purificação dos seus antigos pecados.

Portanto, irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição. Procedendo deste modo, não tropeçareis jamais. Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (2Pd 1,6-10).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.
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