VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A esperança recompensada...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,36-40)(30/12/25)


1. Caríssimos, o Evangelho de hoje conta a história da profetisa Ana, filha de Fanuel, que inspirada pelo Espírito Santo, encontra a Sagrada Família quando da apresentação do menino Jesus no Templo do Senhor e o anuncia à todos quanto esperavam a libertação do povo eleito. 


2. Desse modo, Ana torna-se uma das primeiras anunciadoras de Cristo, como o Messias enviado por Deus Pai. "A opção da profetisa Ana, cujo nome significa graça, misericórdia, é símbolo da expectativa pela vinda do Senhor. Sua escolha de permanecer no Templo, após um breve período de matrimônio, deu-se por causa de sua esperança messiânica. 


3. Com jejuns e orações, pôs-se a serviço de Deus, absolutamente certa de ver realizado seu único desejo: contemplar o Messias. Ela sabia em quem tinha posto a sua confiança. Esta foi também a atitude de muitos outros judeus piedosos, que nutriam no coração o desejo de ver o Salvador.

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4. A fidelidade dessa mulher idosa foi recompensada, pois ela teve a graça de estar no Templo, por ocasião da liturgia da apresentação do menino Jesus e da purificação de Maria. Como Simeão, reconheceu ser aquele menino penhor de libertação para Israel, conforme todos esperavam. 


5. E proclamou publicamente esta sua convicção, tornando-se testemunha da missão que seria confiada àquele menino. Profeticamente, Ana colocou-se a serviço do Messias e de todos quantos ansiavam por redenção. 

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6. De certo modo, antecipou, também, a futura missão dos apóstolos: proclamar o nome de Jesus por toda a Terra. No âmbito restrito do Templo, anunciou ter-se realizado a promessa divina, e que a salvação havia chegado. 

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7. Como Simeão, também ela pode dizer: "Agora, Senhor, podes deixar tua serva ir em paz!" O testemunho de Ana é uma lição de como esperar o Messias: com paciência e perseverança.


8. Oração: Espírito de paciente perseverança, não permitas que meu coração desfaleça, à espera do Messias, confiante de que o Senhor realiza sempre suas promessas." (Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Agora Senhor podeis deixar vosso servo ir em paz...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 2,22-35)(29/12/25)

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Caríssimos, são João na primeira leitura desta liturgia nos ensina que a observância dos santos mandamentos são proteção e caminho de perfeição que nos mantém unidos a Cristo, como vemos nesta sua exortação: "Aquele que guarda a sua palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,5-6).

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2. O Evangelho de hoje narra a apresentação do menino Jesus no Templo em que Maria e José em obediência à Lei do Senhor vão oferecer o sacrifício prescrito por Moisés para o consagrar a Deus Pai. O que nos chama à atenção nesse episódio é como Deus acompanha seu Filho em todas as etapas de sua vida por meio da ação do Espírito Santo, e nesse episódio Simeão faz o anúncio profético do que acontecerá com Jesus e com a sua santa Mãe.

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3. São Cipriano (Sec. III) comentando esse Evangelho, disse: "Está escrito que «o justo viverá da fé» (Rm 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, é natural que vos alegreis ao ser chamados a Ele, uma vez que estais certos da promessa de Deus e destinados a estar com Cristo.

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4. Vede o exemplo de Simeão, o justo: era verdadeiramente justo e observou fielmente os mandamentos de Deus. Uma inspiração divina tinha-lhe dado a conhecer que não morreria sem primeiro ter visto a Cristo; e assim, quando Cristo, ainda criança, foi ao Templo com sua Mãe, percebeu, iluminado pelo Espírito Santo, que o Salvador tinha nascido, como lhe fora predito, e compreendeu que a sua morte estava iminente.

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5. Demonstrava assim que a paz de Deus é para os que O servem, que gozam de doce quietude e liberdade quando, subtraídos aos tormentos do mundo, alcançam o refúgio e a segurança eternos. Só então a alma encontra a paz verdadeira, o repouso total, a segurança duradoura e perpétua."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Vivemos das evidências da fé...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 20,2-8)(27/12/25)

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1. Caríssimos, ama quem dá o primeiro passo, porque leva em conta somente o amor com que ama, isto é, livre de conotações humanas; todavia, pleno das motivações divinas, como o ouvimos do discípulo amado: "Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." (1Jo 4,7-8).

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2. De fato, na vida estamos sempre apredendo, por isso, ela é um constante aprendizado; pois, viver não é somente uma sucessão de acontecimentos naturais, uma vez que sempre estamos intervindo neles com nossas escolhas e decisões e é desta intervenção que dependo o nosso estado de alma, porém, o verdadeiro aprendizado consiste em se deixar conduzir pelo Espírito Santo.

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3. Ora, a fé como dom do Espírito Santo, nos proporciona essa feliz interação com os acontecimentos e com o Senhor a partir de nossa naturalidade, para vivermos em estado de graça na sua presença fazendo em tudo a sua santa vontade. 


4. Por ela cremos que nada é impossível, como o Senhor Jesus nos ensinou: "Tudo é possível ao que crê." Por isso, queiramos sempre o Deus quer, porque é sempre para a nossa salvação o seu querer e executar segundo o seu beneplácido. 

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5. No Evangelho de hoje os discípulos Pedro e João ouvindo o relato de Maria Madalena, partiram ao encontro do Senhor ressuscitado e o encontram nas evidências da sua ressurreição para depois o encontrar pessoalmente no Cenáculo. Bem como o Senhor nos ensinou: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20b). 

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6. Portanto, caríssimos, nos revistamos das mesmas convicções dos Apóstolos Pedro e João para assim gozarmos da mesma felicidade que eles gozaram ao encontrar as evidências do Senhor ressuscitado, e deixar-nos conduzir por Ele à glória do seu Reino.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O Martírio é porta de entrada na vida eterna...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 10,17-22)(26/12/25)

1. Caríssimos, hoje a Igreja celebra o martírio de Santo Estêvão em plena oitava do Natal do Senhor. Santo Estevão foi o primeiro mártir depois de Cristo. De fato, todo mártire de nossa fé carrega na alma a graça da vida eterna prometida pelo Senhor Jesus: "Quem perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salva-la-á." (Mc 8,35b).

2. Com efeito, ao juntarmos estes dois nascimentos, do Senhor Jesus e o de Estevão, seu discípulo diácono, celebramos ao mesmo tempo Deus que se fez homem nascido da Virgem Maria por obra e graça do Espírito Santo, e o de Santo Estevão que entra na vida eterna vencendo a morte pela mesma ação do Espírito Santo.

3. O Senhor Jesus antes de ser crucificado perdoou os seus algozes, pois, veio a este mundo para salvar à todos; de igual modo Santo Estevão também os perdoou como Jesus lhe ensinou por palavras e gestos. De fato, a vida vivida em Cristo é um grande mistério de amor que os inimigos da fé jamais poderão impedir ainda o queiram.

4. Comentando esse Evangelho de hoje, disse o saudoso Papa Francisco: "Mas por que o mundo persegue os cristãos? O mundo odeia os cristãos pela mesma razão pela qual odiaram Jesus, porque Ele trouxe a luz de Deus e o mundo prefere as trevas para esconder as suas obras malvadas.

5. Recordemos que o próprio Jesus, na Última Ceia, rezou ao Pai para que nos defendesse do mau espírito mundano. Há oposição entre a mentalidade do Evangelho e a mundana. Seguir Jesus significa seguir a sua luz, que se acendeu na noite de Belém, e abandonar as trevas do mundo.

6. Elevemos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Rainha dos mártires, a nossa oração para que nos guie e nos ampare sempre no caminho do seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo. (Papa Francisco, Angelus, 26/12/16)

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Nasceu hoje Jesus Salvador, nosso Rei e Senhor...


 Homilia do Natal do Senhor (Jo 1,1-18)(25/12/25).

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1. Caríssimos, a experiência que temos da luz natural é esta, quem vive nela, jamais é atingindo pelas trevas; e ainda que as trevas queriam lhe invadir não consegue porque a ela as ofusca, uma vez que seu brilho é inatingível. Assim são aqueles que se deixam iluminar pela luz de Cristo que brilha na vida e nas ações daqueles que nascem da água e do Espírito Santo no batismo.
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2. Natal significa que a Luz incriada de Cristo adentra as nossas almas afugentando delas as trevas do pecado que tentam nos escurecer. De fato, ser iluminados pelo Senhor é deixar que Ele nos conduza por suas palavras e por suas ações por meio da nossa obediência com a qual aderimos à Ele incondicionalmente como o fizeram os santos e santas.
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3. Desse modo, a pobreza, a simplicidade, a ternura e o amor que encontramos na mãe do Senhor e em são José no presépio de Belém, também se fará presente em nossa vida para refletirmos a luz do menino Deus como de igual modo o fizeram os pastores que o contemplaram e o adoraram naquela humilde manjedoura.
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4. "A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que ocorreu na história, mas ao mesmo tempo a transcende. Na noite do mundo acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. 

5. O “Emanuel”, Deus-conosco, veio como Rei da justiça e da paz. Seu Reino – sabemos – não é deste mundo, mas é mais importante do que todos os reinos deste mundo. Contemplemos juntos este grande mistério de amor, deixemos que o nosso coração seja iluminado pela luz que brilha na gruta de Belém! (Papa Bento XVI). 

6. "Nesta noite, do ventre da mãe Igreja, nasceu de novo o Filho de Deus feito homem. O seu nome é Jesus, que significa Deus salva. O Pai, Amor eterno e infinito, enviou-O ao mundo, não para condenar o mundo, mas para o salvar (cf. Jo 3, 17). 

7. O Pai no-Lo deu, com imensa misericórdia; deu-O para todos; deu-O para sempre. E Ele nasceu como uma chamazinha acesa na escuridão e no frio da noite deste mundo." (Papa Francisco)
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Deus nos visitou e permanece conosco...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,67-79)(24/12/25)

1. Caríssimos, estamos nos aproximando do Natal do Senhor, noite solene em que a nossa humanidade foi divinizada pela presença do Filho de Deus que se fez carne no seio da Virgem Maria, como havia prometido por meio do Profeta Isaías: "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco." (Is 7,14).

2. Com efeito, ao assumir a nossa natureza e glorifica-la no céu, o Senhor Jesus nos deu a certeza da vida eterna, contanto que permaneçamos fiéis até o fim no seu seguimento realizando a sua vontade expressa na sua Palavra e nos Sacramentos que o torna presente no meio de nós. 

3. Decerto, antes da vinda do Senhor Jesus, a humanidade não tinha a plena esperança da salvação definitiva; mesmo a tendo experimentado pela intervenção de Deus nos momentos mais difíceis da nossa história. No entanto, após a ressurreição do Senhor, a morte foi vencida pela vida, tornando-se Páscoa.

4. No Evangelho de hoje, Zacarias após ser libertado da sua mudez no momento da apresentação do seu filho, João Batista, cantou este cântico profético que a Igreja repete todos os dias na oração da Liturgia das horas: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo. 

5. Ele fez surgir para nós um poderoso salvador na casa de Davi, seu servidor, como havia prometido desde os tempos antigos, pela boca dos seus santos profetas: de salvar-nos dos nossos inimigos e da mão de todos quanto nos odeiam. 

6. Desse modo, foi misericordioso com nossos pais: recordou-se de sua santa aliança, e do juramento que fez a nosso pai Abraão, de conceder-nos que, sem medo e livres dos inimigos, nós o sirvamos, com santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de nossa vida. (Lc 1,67-75).

7. Portanto, caríssimos, a nossa vida está nas mãos de Deus por meio do seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que permanece conosco como Ele mesmo disse: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28, 20b). 

8. E então, como podemos identifica-lo? Por sua Palavra proclamada pela Santa Igreja nas Sagrada Escrituras, que é a sua voz escrita nos falando diretamente; por meio dos Sacramentos que são os sinais sensíveis da sua presença; e enfim, em cada ser humano que Ele salvou por seu sacrifício de cruz.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O que virá a ser este menino?

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,57-66)(23/12/25).

1. Caríssimos, a obra da salvação exige uma Teofania - ação direta de Deus - devido a sua complexidade, pois somente Ele conhece os seres que criou e como livra-los do maligno e sua fúria, uma vez que o mal é a negação do bem que Deus criou somente para bem e não para mudar a sua essência. Ocorre que essa obra salvífica requer a nossa cooperação, pois somos os seus beneficiários diretos e conosco toda a criação. 

2. Com efeito, essa obra deu início com o seu anúncio (cf. Gn 3,15) depois do pecado dos nossos primeiros pais, passando pela vinda dos Patriarcas, das alianças com o povo do Antigo Testamento, os juízes, profetas, reis, as promessas culminando com a vinda de João Batista que anunciou a chegada do Messias preparando a sua estrada, isto é, o seu Ministério Salvífico.

3. Decerto, a principal característica desse Plano Salvífico é que ele é gerido pelo próprio Deus como Ele mesmo disse: "Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas." (Ez 3,11). Ou seja, ao enviar o seu Filho como o Messias prometido, tendo em João Batista seu precursor, Deus por meio Dele realiza a sua obra.

4. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI: "Os quatro Evangelhos dão grande destaque à figura de João Batista, como o profeta que conclui o Antigo Testamento e inaugura o Novo, indicando Jesus de Nazaré como o Messias, o Ungido do Senhor. 

5. De fato, será o próprio Jesus a falar de João nestes termos: "Ele é aquele de quem está escrito: Eis que diante de ti envio o meu mensageiro para preparar o teu caminho. Em verdade vos digo que não há ninguém maior do que João Batista entre os nascidos de mulher; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele" (Mt 11,10-11). 

6. Portanto, caríssimos, Deus é o autor da criação e seu único Salvador. Por isso, fiquemos certos de uma coisa: Ele nunca muda a nossa essência ou a intenção com a qual nos criou, sermos santos como Ele é Santo, foi por isso que permitiu o sacrifício cruento do Seu amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. 

7. Destarte, se mesmo assim os homens continuarem negando a sua benevolência e misericórdia, por meio dos pecados que estão cometendo; não haverá mais solução fora do justo juízo de Deus que cairá sobre a humanidade, pois Ele julgará a cada um segundo as suas obras. 

8. Todavia, como ainda estamos no tempo da sua Divina Misericórdia, resta-nos o arrependimento e a conversão, a Confissão Sacramental e o perdão dos pecados. Sem isso "É horrendo cair nas mãos de Deus vivo." (Hb 10,31).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

A minha alma glorifica o Senhor

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,46-56)(22/12/25)

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1. Caríssimos, com a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo a este mundo para assumir a nossa natureza decaída e nos libertar do pecado, do domínio do maligno e da morte, Deus renovou por meio dele todas as coisas, elevando-as à plenitude da sua glória, nos fazendo participantes de Sua Natureza Divina. E tudo isso Maria canta no cântico do magnificat, como vimos no Evangelho de Lucas. “A minha alma engrandece ao Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador". 


2. No encontro com Isabel, o coração da Santíssima Virgem Mãe se solta como a língua de uma criança e faz sentir toda a sua alegria. Desse modo ela sente que o olhar de Deus pousou em sua pequena existência e acredita que esse olhar é sua força e sua grandeza.  

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3. Olhada por Deus, ela já não tem medo de nada nem de ninguém e canta, canta com alegria essa graça recebida. A sua alegria não provém das coisas que possui, nem das coisas exteriores, mas da sua alma habitada inteiramente por Deus. 


4. O canto do Magnificat é o Evangelho de Maria. Evangelho significa boas novas. Maria canta a sua pequenez: "A minha alma engrandece ao Senhor". Como se dissesse: o crédito é do Senhor, não é meu. Ela repete várias vezes: “É Ele quem olhou”, “É Ele quem fez grandes coisas em mim”. 

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5. Há quatorze verbos nesta canção, dos quais dez se referem a Deus, um à todas as gerações, os outros três a Maria. No centro do Magnificat está o Decálogo do Deus apaixonado. O Magnificat é o Evangelho que coloca no centro da fé não o que eu faço por Deus, mas o que Deus faz por mim. 


6. De fato, não merecemos Deus, mas sim o acolhemos, porque Ele se nos dá por completo. Não temos Deus no coração porque o amamos, mas estamos no coração de Deus porque ele nos ama. 

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7. No Magnificat, Maria diz-nos quem é Deus: é o Senhor, é o Salvador, é o Todo-Poderoso. Nele canta os quatro "sins". O "sim" do Pai à humanidade a quem dá o seu Filho; o "sim" do Filho que se faz homem para fazer a Sua vontade; o "sim" do Espírito Santo que tece a trama do divino com a urdidura do humano, ou seja, que faz a união do divino com o humano; e o humilde "sim" de Maria a Deus a quem nada é impossível."

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8. Portanto, caríssimos, "Que a nossa vida seja um Magnificat contínuo para Deus." (Mons. Angelo Spina). Ou seja, que sejamos uma expressão do seu amor por nós e por toda a humanidade, como Maria Santíssima contou no Magnificat inspirada pelo Espírito Santo. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 21 de dezembro de 2025

As duas faces da vivência da fé

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(26/03/22)

Caríssimos, vivemos sempre em busca de algo enquanto não repousarmos em Deus; às vezes, no entanto, nos deixamos levar pela inquietude, e perdemos facilmente a paciência e até nos irritamos quando as coisas não se dão como gostaríamos ou se contrariam os nossos interesses. 

De fato, se essa é a nossa postura na convivência diária, ela revela o quanto estamos distantes de Deus ainda que professemos a fé. Pois, como disse o Senhor Jesus: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor... Entrará no reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade do meu Pai que está nos céus."

Por isso, precisamos fazer um bom exame de consciência, para rever a nossa convivência com Deus, conosco mesmo e com o próximo. O que realmente estamos vivendo do que nos ensinou o Senhor Jesus com o seu exemplo de vida e com a sua Palavra? Porque somente assim poderemos corrigir a nossa má conduta para darmos os frutos das virtudes eternas sem os quais não passamos de figueiras estéreis, frondosas por fora, mas sem fruto algum.

O Evangelho de hoje nos mostra as duas faces da prática religiosa; a primeira busca a glória para si mesmo e não a glória que é somente de Deus, por isso, tem como fundamento a superficialidade, as vãs comparações; os falsos julgamentos e condenações do próximo, o que resulta em uma fé falsa que nada alcança além do orgulho e da soberba, que constituem um abismo de contradições.

A segunda face da prática religiosa busca, com verdadeiro arrependimento, a misericórdia de Deus, reconhecendo-se indigno de estar na sua presença, porém, com o desejo de ser perdoado e o firme propósito de conversão; e é isso o que atrai a justificação, pois, o penitente humilde de coração alcança todas as graças que o leva ao perdão e à salvação.

Portanto, caríssimos, a fé não é uma filosofia de vida, não é uma teoria, não se funde com ideologias; não é uma prática superficial dotada de rigorismo empedernido que só serve ao radicalismo venenoso. 

A fé é a obediência pura e simples à Palavra de Deus cujo fundamento é o amor, a humildade, a misericórdia e o perdão, ou seja, nela não existe alarde nem falsa aparência, porque é transparência de Cristo.

Destarte, a Quaresma é um tempo propício que Deus nos dá para que amparados pelos méritos de Cristo, lutemos contra as tendências pecaminosas e assim vencermos todos os males que atentam contra a nossa integridade. Mas, para isso, é fundamental o silêncio interior e exterior, a oração do coração, a penitência e os outros exercícios quaresmais que reforçam em nós as virtudes que nos mantém em pleno comunhão de amor com o nosso Pai celestial.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

As evidências da presença de Deus

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 1,26-38)(20/12/25)


1. Caríssimos, o que é que nos faz viver da fé senão as evidências da presença de Deus no meio de nós? Ora, e isso se dá por conta da necessidade que temos Dele, porque sem Ele nada tem sentido neste mundo, uma vez que conhecemos a nossa fragilidade e temos consciência que tudo se destina para o fim natural. No entanto, quando pela fé o encontramos e Nele permanecemos tudo se renova pela graça da esperança na vida eterna.


2. Com efeito, a liturgia de hoje nos apresenta o sinal perceptível de que Deus veio pessoalmente até nós para permanecer e interagir conosco de modo que nos deixemos conduzir por Ele até chegarmos à plenitude da felicidade eterna no seu Reino, aonde a vida não tem fim.


3. Trata-se da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, que assumindo a nossa natureza no seio da Virgem Maria, por obra e graça do Espírito Santo, nos dando assim participar da sua Natureza Divina, ou seja, assumindo a nossa carne mortal, a redimiu por sua morte e ressurreição, dando-nos, desse modo, vencer o pecado e a morte, o que por nós mesmos seria impossível.


4. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa, de feliz memória, Bento XVI: "Repetimos estas palavras todas as vezes que recitamos o Credo, a Profissão de Fé: "e se fez homem por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria". Ajoelhamo-nos quando dizemos essa frase porque o véu que escondia Deus é, por assim dizer, aberto e o seu mistério insondável e inacessível toca-nos: Deus torna-se Emanuel, "Deus conosco". 


5. Esta afirmação do Credo não diz respeito ao ser eterno de Deus, mas nos fala de uma ação na qual participam as três Pessoas divinas e que se realiza "no seio da Virgem Maria". De modo que sem ela, a entrada de Deus na história da humanidade não teria chegado ao fim e não teria acontecido o que é central na nossa profissão de fé: Deus é Deus conosco.  


6. Assim, Maria pertence de modo inalienável à nossa fé no Deus que age, que entra na história. Ela põe à disposição toda a sua pessoa, "aceita" tornar-se morada de Deus. Às vezes, no caminho e na vida de fé sentimos a nossa pobreza, a nossa inadequação perante o testemunho a oferecer ao mundo.


7. Mas Deus escolheu uma mulher humilde, em um vilarejo desconhecido, em uma das províncias mais distantes do grande Império Romano. Sempre, em meio às dificuldades e tribulações que enfrentamos neste mundo, devemos ter confiança em Deus, renovando a fé em sua presença e ação em nossa vida, como na de Maria."


8. Portanto, caríssimos: "Nada é impossível para Deus! Com Ele a nossa existência caminha sempre em terreno seguro e aberta a um futuro de firme esperança." (Bento XVI, Audiência Geral, 2/01/13).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

A proximidade de Deus

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 1,18-24)(18/12/25)

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1. Caríssimos, o que mais chama a atenção nesta liturgia de hoje é o tema da proximidade de Deus; de fato, essa Sua proximidade realmente nos preenche de imensa felicidade e alegria tendo em vista a nossa salvação eterna, porém, em meio às provações e desafios da fé, como vimos acontecer com Maria e José no ato da encarnação do Senhor Jesus, o Filho amado de Deus.

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2. Decerto, a fé é a convicção que nos leva ao encontro do Senhor e nos dá a certeza de que Ele está agindo em todas as circunstâncias de nossa vida em prol da realização do seu Plano de amor e salvação. Desse modo, Maria e José se entregaram nas mãos de Deus que por meio dos santos anjos os conduziu ao cumprimento de todas as profecias à respeito do nascimento do Seu Filho, como o Messias prometido.

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3. "O Evangelho de hoje (cf. Mt 1,18-24) mostra-nos as duas pessoas que, mais do que qualquer outra, participaram neste mistério de amor: a Virgem Maria e o seu esposo José. Mistério de amor, mistério da proximidade de Deus à humanidade.

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4. O evangelista evidencia que José, sozinho, não pode encontrar uma explicação do acontecimento que vê verificar-se diante dos seus olhos, ou seja, a gravidez de Maria. Precisamente naquele momento de dúvida e inclusive de angústia, Deus aproxima-se dele mediante um seu mensageiro, esclarecendo-lhe a natureza daquela maternidade: «O Menino que nela foi concebido vem do Espírito Santo» (v. 20).

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5. Assim, diante deste acontecimento extraordinário, que certamente suscita muitas interrogações no seu coração, José confia de maneira total em Deus que se aproxima dele e, aceitando o seu convite, não rejeita a sua noiva, mas permanece com Ela, desposando-a. Acolhendo Maria, José acolhe consciente e amorosamente Aquele que nela foi concebido por obra admirável de Deus, para quem nada é impossível.

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6. Estas duas figuras, Maria e José, os quais foram os primeiros a receber Jesus mediante a fé, introduzem-nos no mistério do Natal. Maria ajuda-nos a colocar-nos em atitude de disponibilidade para receber o Filho de Deus na nossa vida concreta, na nossa própria carne. José estimula-nos a procurar sempre a vontade de Deus e a segui-la com plena confiança. Ambos se deixaram aproximar por Deus." (Papa Francisco, Angelus, 18/12/16).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

O grande sinal da nossa salvação

 Homilia do 4°Dom do Advento (Mt 1,18-24)(21/12/25)

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1. Caríssimos, mesmo que não tenhamos total consciência das constantes mudanças existenciais, elas estão sempre acontecendo com ou sem à nossa cooperação. De fato, a realidade natural se encontra envolvida pela realidade sobrenatural; e está sempre em constate mudança; porém, depende das nossas de escolhas e decisões para serem bem sucedidas.

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2. A liturgia de hoje é toda voltada para os acontecimentos que mudaram totalmente a história da humanidade, tendo como um dos protagonistas desta mudança, o justo José, que se torna pai adotivo de Jesus ao receber essa missão do anjo de Deus que lhe apareceu em sonho para sanar suas dúvidas a respeito da gravidez sobrenatural de Maria, e logo obedeceu prontamente.

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3. Na primeira leitura, Deus responde ao incômodo de Acaz, por meio do Profeta Isaías, com a Profecia que anunciava a vinda do Messias, e que se cumpriu com a encarnação do Seu Filho no seio da Virgem Maria, como vimos no Evangelho de hoje. 


4. Na segunda leitura são Paulo mostra aos Romanos a solidez da vinda e dos ensinamentos de Cristo, como também a autenticidade do seu ministério como escolhido pelo Senhor para anunciá-lo à todas as nações.

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5. Certa feita disse ele: "É em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos." Ora, a pergunta que fazemos, é esta: como vivemos essa condição, em estado de graça ou em pecado mortal? Com efeito, foi a condição de "homem justo" que levou José a aceitar a sublime missão de pai adotivo de Jesus, pois era um sinal de que fazia em tudo a vontade de Deus.

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6. Portanto, caríssimos, sigamos o exemplo de São José; sejamos justos e obedientes, para cumprirmos humildemente a nossa missão de acolher Jesus e anuncia-lo como Senhor e salvador de todos. Sem dúvida, a única e sublime vontade que nos salva é a de Deus, expressa por se Filho amado para nos sentirmos protegidos e conduzidos por Ele ao Reino dos céus. 

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

O Senhor Jesus caminha conosco...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 1,1-17)(17/12/25)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, veio à este mundo para purifica-lo da mancha do pecado como afirmou são João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo"; e, ainda: "É Ele quem vos batizará no Espírito Santo e no fogo." Desse modo, o Senhor Jesus faz novas todas as coisas.

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2. A liturgia de hoje nos dar a conhecer a genealogia do Senhor Jesus, a Sua identidade por meio de Sua árvore genealógica descrita por Mateus e que muito tem a nos dizer tanto teologicamente quanto humanamente, pois, o Senhor veio à este mundo assumindo nossa natureza sem deixar de ser Deus, e isso é revelado por seu nome: "Emanuel, Deus conosco". 

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3. No primeiro caso, o Senhor manifesta a Sua Divina Misericórdia, perdoando os pecados, purificando seus descendentes. No segundo caso, na sua árvore genealógica se faz presentes homens e mulheres, coisa inconcebível para os valores e os costumes religiosos daquele povo, ou seja, bem como escreveu são Paulo: "Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas." (Rm 2,11).

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4. Referindo-se à esse episódio, disse o Papa Francisco de saudosa memória: "No Evangelho, ouvimos a genealogia de Jesus, que não é uma mera lista de nomes, mas história viva, história de um povo com o qual Deus caminhou e, ao fazer-Se um de nós, quis anunciar que, no seu sangue, corre a história de justos e pecadores, que a nossa salvação não é uma salvação assética, de laboratório, mas concreta, uma salvação de vida que caminha.

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5. Jesus é o Emanuel que nasce e o Emanuel que nos acompanha todos os dias, é o Deus conosco que nasce e o Deus que caminha conosco até ao fim do mundo." (Papa Francisco, trechos de sua homilia, 8 de setembro de 2017).

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6. Portanto, caríssimos, esta genealogia é, na verdade, uma declaração de fé. São Mateus está dizendo aos seus leitores judeus e não judeus que Jesus é o cumprimento de todas as profecias a seu respeito. Ele não é apenas mais um profeta ou rei; Ele é o Messias prometido (Filho de Davi) que concretiza a Aliança de Deus (Filho de Abraão), para a salvação da humanidade.  

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

A autoridade do Senhor Jesus é inquestionável...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 21,23-27)(15/12/25)

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1. Caríssimos, quem procura o Senhor para conhecer a verdade nunca o questiona ou duvida de Sua autoridade porque encontra Nele a essência da vida; ao contrário, quem dele duvida e o questiona o faz porque se encontra fechado à verdade eterna e por isso sempre julga conforme os próprios critérios e não segundo os critérios de Deus.

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2. Com efeito, vemos isso na primeira leitura em que o Profeta Balaão "alugado" pelo rei Balaque partiu para proferir maldições contra o povo de Deus, mas ao encontrar-se com o anjo do Senhor foi iluminado com a sabedoria divina e proferiu bênçãos ao invés de maldições. Ou seja, quem se abre para a graça de Deus, ainda que esteja no erro não se deixa enganar e nem engana, porque o Senhor protege sempre seus filhos e filhas.

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3. Escutemos então este comentário do saudoso Papa Francisco: "No trecho do Evangelho de hoje (Mt 21, 23-27) proposto por essa liturgia, ao contrário, vemos homens que não têm esta liberdade, não têm horizontes, homens fechados nos seus cálculos. A ponto que os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo perguntam ao Senhor: “Com que direito fazes isso? Quem te deu esta autoridade?”.

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4. À pergunta sucessiva de Jesus, antes de responder “não sabemos”, fazem os seus cálculos: “Mas se respondermos isto corremos este perigo, e se dissermos outra coisa...”. Contudo, os cálculos humanos fecham o coração, fecham a liberdade. É a esperança que nos torna ligeiros. Eis que esta hipocrisia dos doutores da lei, que está no Evangelho e que fecha o coração, nos torna escravos: eles eram escravos.

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5. Por um lado, há quem tem esperança na misericórdia de Deus e sabe que Deus é Pai, que Deus perdoa sempre e tudo, e que além do deserto existe o abraço do Pai, o perdão. Mas, por outro, há também aqueles que se refugiam na sua escravidão, na própria rigidez, e não sabem nada da misericórdia de Deus. Aqueles sobre os quais fala o Evangelho de Mateus: eram doutores, tinham estudado, mas a sua ciência não os salvou." (Papa Francisco, meditação matutina, 14/12/15).

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6. Portanto, caríssimos, "este episódio é uma poderosa lição sobre a verdadeira fé versus a religiosidade vazia. Ela nos desafia a examinar-nos: Minha busca pela verdade é genuína, ou estou apenas tentando encaixar Deus em meus esquemas e jogos de poder? O coração que se nega a crer no que é evidente (a missão de João) jamais receberá a revelação maior (a autoridade de Jesus).

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7. Destarte, este Evangelho nos ensina que o Reino de Deus e a Sua autoridade não se revelam àqueles que se aproximam com o coração fechado, com segundas intenções e com aversão à verdade. A autoridade de Jesus não é algo que se prova por argumentos lógicos, mas que se reconhece pela fé humilde, como fizeram os publicanos e as prostitutas, que creram em João Batista."

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Farão as obras que eu faço e farão ainda maiores...

 Homilia do 3°Dom do Advento (Mt 11,2-11)(14/12/25)

1. Caríssimos, a liturgia deste 3°Dom do Advento, nos mostra o quanto precisamos permanecer no Senhor Jesus para fazermos as mesmas obras que Ele faz, como Ele mesmo disse: "Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do Pai.

2. E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei." (Jo 14,12-14). Ou seja, as obras são feitas por Jesus, mas nós as pedimos por meio da oração, em razão da fé no seu divino poder.

3. O Evangelho de hoje começa sua narrativa dizendo: "João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” 

4. Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” (Mt 11,2-11). 

5. Desse modo, compreendemos que não basta dizer palavras sem que elas se cumpram, pois seriam palavras ditas ao vento; certa feita disse Santo Antônio de Pádua: "Cessem as palavras, falem as obras." Também são Tiago nos ensina isso: "Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,26).

6. Mas, o que nos falta para fazermos as obras da salvação que recebemos do Senhor Jesus como missão? Realmente falta muito, a começar pela coerência de vida; será que a nosso viver é, de fato, uma expressão da Palavra viva de Deus? Só em pensar o quanto estamos distantes dessa correspondência temos uma enorme sensação de impotência.

7. Portanto, caríssimos, a vivência do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, é uma antecipação do que os redimidos vivem no Reino de Deus. Decerto, como seria bom suportarmos as tribulações desta vida com a consciência limpa pela missão cumprida como são João Batista as suportou. 

8. Destarte, nesta frase que o Senhor Jesus disse: "Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” Se encontra a essência do seu seguimento, pois significa a nossa correspondência ao seu chamado como suas autênticas testemunhas por Palavras e por obras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 13 de dezembro de 2025

A missão nem sempre é reconhecida por todos...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 17,10-13)(13/12/25). 


1. Amados irmãos e amadas irmãs, olhando o exemplo de vida dos santos e santas que seguiram nosso Senhor Jesus Cristo, vemos algo em comum entre eles: a renúncia da própria vontade, dos apego às coisas deste mundo e a disponibilidade para segui-lo em qualquer situação da vida, com um único objetivo: ser santos como Ele é Santo. 

2. Mas, como alcançar essa graça? Permanecendo fiéis à sua Palavra e ao mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. É isso o que nos mostra esta lirugia de hoje, a começar pelo exemplo do Profeta Elias na primeira leitura, por cuja vida impecável realizou milagres e prodígios confirmando a autenticidade da fé no Deus Altíssimo, por quem foi arrebatado ao céu.

3. Comentando o Evangelho de hoje, disse o Papa Bento XVI de saudosa memória: "Ao anunciar aos seus discípulos que terá de sofrer, ser morto antes de ressuscitar, Jesus quer que eles compreendam quem Ele realmente é. Um Messias sofredor, um Messias Servo, e não um todo-poderoso libertador político.

4. Ele é o Servo obediente à vontade do seu Pai até ao ponto de perder a própria vida. Assim, Jesus vai contra o que muitos esperavam dele. A sua afirmação é chocante e desconcertante. 

5. Seguir Jesus é tomar a sua cruz para o acompanhar no seu caminho, um caminho desconfortável que não é o caminho do poder ou da glória terrena, mas o caminho que leva necessariamente a renunciar a si próprio, a perder a própria vida por Cristo e pelo Evangelho, a fim de a salvar. Pois estamos certos de que este caminho conduz à ressurreição, à vida verdadeira e definitiva com Deus. 

6. Decidir acompanhar Jesus Cristo que se tornou o Servo de todos exige uma intimidade cada vez maior com Ele, escutando atentamente a Sua Palavra para dela extrair a inspiração para as nossas ações." (Bento XVI - Santa Missa em Beirute, 16/09/12).

7. Portanto, caríssimos, seguir nosso Senhor Jesus Cristo, como seus verdadeiros discípulos, é viver a obediência incondicional à vontade de Deus como vimos no seu exemplo e de todos os santos e santas, principalmente de Maria Santíssima e são José, seu castíssimo esposo. 

8. Destarte, escutemos atentamente esta exortação do Senhor: "Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á." (Mt 16,24-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe...


 FESTA DE NOSSA SENHORA DE GUADALUPE PADROEIRA DA AMÉRICA LATINA (Lc 1,39-47)(12/12/22). 


1. Caríssimos, alguns detalhes do quadro de Nossa Senhora de Guadalupe nos chama a atenção, são sinais sagrados, sensíveis e visíveis pelos quais Deus demonstra o quanto Ele se faz presente em nossa devoção à sua Mãe, Maria Santíssima. E isso aumenta ainda mais o nosso amor à nossa Igreja que cumpre o que a Virgem Mãe cantou no Magnificat: "E todas as gerações me proclamarão bem-aventurada."

2. "O grande milagre de Nossa Senhora de Guadalupe é a sua própria imagem. O tecido, feito de cacto, não dura mais de 20 anos e este já existe há mais de quatro séculos e meio. Durante 16 anos, a tela esteve totalmente desprotegida, sendo que a imagem nunca foi retocada e até hoje os peritos em pintura e química não encontraram na tela nenhum sinal de corrupção.

3. No ano de 1971, alguns peritos inadvertidamente deixaram cair ácido nítrico sobre toda a pintura. E nem a força de um ácido tão corrosivo estragou ou manchou a imagem. Com a invenção e ampliação da fotografia descobriu-se que, assim como a figura das pessoas com as quais falamos se reflete em nossos olhos, da mesma forma a figura de Juan Diego, do referido bispo e do intérprete se refletiu e ficou gravada nos olhos do quadro de Nossa Senhora. 

4. Cientistas americanos chegaram à conclusão de que estas três figuras estampadas nos olhos de Nossa Senhora não são pintura, mas imagens gravadas nos olhos de uma pessoa viva.

5. O Papa Bento XIV, em 1754, declarou: “Nela tudo é milagroso: uma Imagem que provém de flores colhidas num terreno totalmente estéril, no qual só podem crescer espinheiros… uma Imagem estampada numa tela tão rala que através dela pode se enxergar o povo e a nave da Igreja… Deus não agiu assim com nenhuma outra nação”.

6. Coroada em 1875 durante o Pontificado de Leão XIII, Nossa Senhora de Guadalupe foi declarada “Padroeira de toda a América” pelo Papa Pio XII no dia 12 de outubro de 1945. No dia 27 de janeiro de 1979, durante sua viagem apostólica ao México, o Papa São João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e consagrou à Mãe Santíssima toda a América Latina, da qual a Virgem de Guadalupe é Padroeira.

Nossa Senhora de Guadalupe, rogai por nós!

* Compilado do site da Canção Nova:https://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhora-de-guadalupe-padroeira-de-toda-a-america/

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Convém que Cristo cresça e que eu diminua...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,11-15)(11/12/25)

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1. Amados irmãos e amadas irmãs, no Evangelho de hoje o Senhor Jesus revela à humanidade quem é João Batista, qual é a sua missão e a grande importância de sua vinda. João foi enviado por Deus com a mesma missão do Profeta Elias, anunciar que Ele se faz realmente presente no meio do seu povo. 


2. Com efeito, João foi enviado também como o último dos profetas, para anunciar o cumprimento da profecia sobre a vinda do Messias; ele é aquele que fecha o Antigo Testamento e abre o Novo, e foi enviado também como um dos sinais do fim dos tempos.

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3. Escutemos então o que diz o Senhor Jesus sobre a pessoa de João: “Em verdade eu vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele." (Mt 11,11). 


4. De fato, as verdades eternas trazidas por João Batista nos leva a aderir prontamente ao Senhor Jesus com todo o nosso coração no desejo de que venha logo o Reino de Deus e a sua justiça. E só não faz esse encontro com o Messias por meio do testemunho de João Batista quem não lhe dá a devida atenção. 

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5. Sem dúvida, vivemos em meio às crises deste mundo e a pandemia passada foi um dos sinais de que a humanidade passou dos limites no que diz respeito às maldades aqui praticadas; pois, como constatamos, está havendo uma profunda inversão de valores, começando pela perseguição generalizada à Cristo e aos cristãos; e tais perseguidores usam todo tipo de artimanhas fazendo questão de exaltar tudo o que é contra a fé e os bons costumes.

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6. Portanto, caríssimos, mantenhamos a nossa fé em nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, presente no meio de nós, como nos ensinou são João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Eu não sou digno nem de desatar as correias de suas sandálias, convém que Ele cresça e que eu diminua."

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7. Destarte, acolhamos humildemente estas palavras de são Paulo: "O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados." (Rm 8,16-17).

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração...

 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 11,28-30)(10/12/25)

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1. Caríssimos, a humildade é a terra fecunda onde germina todas as outras virtudes, e a mansidão é o equilíbrio que nos mantém serenos diante dos desequilíbrios deste mundo causados pelos pecados dos que abandonaram essas virtudes. 


2. E Deus que tudo criou e tudo governa é quem nos cumula dessas virtudes eternas para que a nossa vida seja uma expressão de Sua Divina Misericórdia em meio as dores deste mundo. Pois, como nos exorta são Paulo: "Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus." (Ef 5,15-16).

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3. Na primeira leitura de hoje o Profeta Isaías nos mostra que Deus é o Senhor de tudo e de todos e que nada escapa à sua percepção, diz ele: "Então, por que dizes, Jacó, e por que falas, Israel: “Minha vida ocultou-se da vista do Senhor e meu julgamento escapa ao do meu Deus?” Acaso ignoras, ou não ouviste? 


4. O Senhor é o Deus eterno que criou os confins da terra; ele não falha nem se cansa, insondável é sua sabedoria; ele dá coragem ao desvalido e aumenta o vigor do mais fraco. Cansam-se as crianças e param, os jovens tropeçam e caem, mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como as águias, correm sem se cansar, caminham sem parar." (Is 40, 27-31).

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5. O Evangelho desta liturgia de hoje, é a comprovação dessa profecia de Isaías, pois a oração, a participação na vida sacramental da Santa Igreja, a prática das virtudes e das obras de misericórdia são os meios que o Senhor nos concede para permanecermos Nele dando os frutos da redenção em favor daqueles que se desviaram de sua via salvífica.

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6. Meditemos então com esta exortação do monge Hesíquio do Sinai : "Agarremo-nos, pois, à oração e à humildade, à essas duas graças que, juntamente com a sobriedade e a vigilância, nos armam contra os demônios como um gládio de fogo. 


7. Pois se vivermos assim, poderemos fazer de cada dia e de cada hora, no mistério e na alegria, uma festa do coração. Pois, eis o que diz o Senhor:

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

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Paz e Bem!

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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Eu sou o bom pastor...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 18,12-14)(09/12/25)


1. Amados irmãos e amadas irmãs, neste mundo inseguro por conta dos pecados nele praticados; e pela falta da prática das virtudes eternas; o que fazer para vencer a insegurança e o medo de perder tudo até mesmo a própria vida? 

2. A única resposta que nos conforta é a atitude de nos entregar nas mãos de Deus que nos enviou o seu Filho, nosso Senhor Jesus, como Pastor de nossas almas, aquele que nos dá a vida eterna. Meditemos com amor e atenção o Pequeno Sermão de hoje. 

3. Caríssimos, existe em nós uma necessidade de nos mantermos seguros, tranquilos sem nos atormentar em nossos pensamentos, mas isso só é possível quando, por meio da fé, nos sentimos protegidos pelo bom Pastor de nossas almas, nosso Senhor Jesus Cristo, pois somos as ovelhas do seu rebanho.

4. Decerto, sem a sua presença e proteção nos sentimos perdidos, sem rumo, mergulhados nos labirintos deste mundo tenebroso. E por mais que tenhamos sob o nosso comando tudo o que diz respeito a nossa existência nem assim nos sentimos seguros; pois tem sempre algo previsível ou imprevisível que tenta nos atormentar.

5. No Evangelho de hoje eis o que disse o Senhor a seus discípulos: "Que vos parece? Se um homem tem cem ovelhas, e uma delas se perde, não deixa ele as noventa e nove nas montanhas, para procurar aquela que se perdeu? Em verdade vos digo, se ele a encontrar, ficará mais feliz com ela, do que com as noventa e nove que não se perderam. Do mesmo modo, o Pai que está nos céus não deseja que se perca nenhum desses pequeninos."

6. De fato, quando o Senhor Jesus fala em se perder, significa perder o estado de graça, isto é, viver sem a sua presença em nossa vida, porque Ele é a única Fonte de segurança que temos; fora Dele ninguém neste mundo se sente seguro por si mesmo, porque à medida que o tempo passa temos consciência que perderemos tudo, menos o amor e o bem que Deus nos deu a praticar, e é esse o nosso maior tesouro.

7. Portanto, caríssimos, ser encontrados pelo Senhor Jesus quais ovelhas perdidas do seu rebanho, significa nos converter, mudar as nossas atitudes contrárias à sua Palavra; significa deixar-nos conduzir pela sua Vontade que nos aponta o caminho da verdade e das boas ações que nos conduz ao Reino dos Céus.

8. Escutemos então o Senhor: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (Jo 10,27-30).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Homilia do 2°Dom do tempo do Advento

 HOMILIA DO 2°DOM DO ADVENTO (Mt 3,1-12)(07/12/25)

1. Amados irmãos e amadas irmãs, a liturgia deste segundo Domingo do Advento nos convida a preparar o caminho do Senhor, a aplainar a sua estrada para que Ele entre em nossa vida, como entrou na vida da sua mãe, Maria Santíssima, de São José e de todos os santos e santas que o seguiram ao longo de todos os tempos.

2. São João Batista com o seu exemplo de vida e a sua Palavra, foi enviado por Deus a fim de nos preparar para receber na manjedoura de nossas almas, o Filho amado de Deus, como Maria o concebeu no seu ventre por obra e graça do Espírito Santo, e o deu a luz na noite de Natal para a nossa salvação.

3. Comentando esse acontecimento extraordinário, disse o saudoso Papa Francisco: "Deus vem estabelecer o seu senhorio na nossa história, nos dias de hoje, nas nossas vidas; e onde ele é acolhido com fé e humildade, brotam amor, alegria e paz. A condição para fazer parte deste Reino é fazer uma mudança nas nossas vidas, ou seja, converter-se, converter-se todos os dias, um passo em frente todos os dias.

4. É uma questão de deixar os caminhos confortáveis, mas enganadores dos ídolos deste mundo: sucesso a todo o custo, poder à custa dos mais fracos, sede de riqueza, prazer a qualquer preço. E em vez disso, abrir o caminho ao Senhor que vem: Ele não nos tira a liberdade, mas dá-nos a verdadeira felicidade. 

5. Com o nascimento de Jesus em Belém, é o próprio Deus que toma residência entre nós para nos libertar do egoísmo, pecado e corrupção, destas atitudes que são do diabo: procurar o sucesso a todo o custo; procurar o poder à custa dos mais fracos; ter sede de riquezas e procurar prazer a qualquer preço. 

6. O Natal é um dia de grande alegria mesmo externamente, mas é sobretudo um evento religioso para o qual é necessária uma preparação espiritual. Neste tempo de Advento, guiemo-nos pela exortação de São João Batista: "Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas", diz-nos ele (v. 3). 

7. Preparamos o caminho do Senhor e endireitamos os seus caminhos, quando examinamos a nossa consciência, quando examinamos as nossas atitudes, para expulsar estas atitudes pecaminosas que mencionei, que não são de Deus: sucesso a todo o custo; poder à custa dos mais fracos; sede de riqueza; prazer a qualquer preço. 

8. Que a Virgem Maria nos ajude a preparar-nos para o encontro com este Amor superior infinitamente a todos os custos, que é o que Jesus carrega, e que na noite de Natal se tornou minúsculo, como uma semente que caiu na terra. E Jesus é esta semente: a semente do Reino de Deus." (Papa Francisco - Angelus, 4/12/16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Tudo o que precisamos é obedece-lo e segui-lo fielmente...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,35–10,1.6-8)(06/12/25)


1. Caríssimos, aos olhos dos incrédulos quem manda neste mundo é o maligno que tenta dominar a tudo e a todos e age impunemente como se não tivesse de prestar contas das maldades que pratica por meio daqueles que o servem; no entanto, tudo tem um tempo definido e depois disso vem o justo juízo de Deus que julgará a todos segundo as suas obras.

2. Decerto, cada um colherá o que plantou e isso desde já, como disse são João Batista: "O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo." (Lc 3,9). E também como disse o Senhor Jesus: "Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha a saber." (Mt 10,26).

3. São Paulo na Carta aos Efésios escreveu: "Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas só a que for útil para a edificação, sempre que for possível, e benfazeja aos que ouvem. Não contristeis o Espírito Santo de Deus, com o qual estais selados para o dia da Redenção.

4. Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia. Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo." (Ef 4,29-32).

5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus disse aos seus discípulos: “A Messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,37-38). Com efeito, Deus conhece muito bem todas as nossas necessidades, mas, por que Ele requer as nossas orações para suprir-las? 

6. Porque rezar é amar, é fazer a Sua Vontade, é nos deixar conduzir por Ele que sempre quer a nossa colaboração na obra da salvação. Então, rezar, nesse sentido, é estar a serviço do Reino dos Céus, vivendo a nossa filiação divina gozando da intimidade do nosso Pai celestial.

7. Portanto, caríssimos, estamos a caminho da eternidade, o SenhorJesus caminha conosco e por meio da nossa fé revela o seu poder, como vimos no Evangelho de hoje: "E, chamando os seus doze discípulos deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade.

8. Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!" Decerto, tudo o que precisamos é obedecê-lo, fazendo o que Ele nos ensina por meio da nossa oração.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Fundamentados na Rocha Viva da Palavra de Deus...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 7,21.24-27)(04/12/25)


1. Caríssimos, o tema central desta liturgia de hoje é a prática da vontade de Deus expressa nas palavras e na vida de nosso Senhor Jesus Cristo, também na doutrina dos Apóstolos, na Tradição, no Magistério e Documentos da Igreja; na vida dos santos e santas que a viveram e por isso foram proclamados como tais pelo exemplo e dedicação ao Reino de Deus.
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2. Com efeito, todos nós temos a nossa vontade própria, todavia, sem o auxílio da graça de Deus, facilmente caímos no abismo das tentações e dos vícios que nos levam à prática dos piores pecados; ora, a nossa vida só tem sentido quando a fundamentamos na Rocha da Palavra de Deus que nos sustenta e nos governa quando a Ele nos entregamos e o amamos a cima de todas as coisas
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3. De fato, o Senhor nos ama e não quer que nenhum de nós se perca, porém, não basta sentir-nos amados, é preciso que o amemos vivendo de acordo com os Seus Preceitos, pois, o fazer a sua vontade requer obediência, vida de oração, prática dos Mandamentos, dos Sacramentos e das obras de misericórdia que nos leva a realizar o Seu querer e executar em todo o nosso viver.
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4. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos mostra que a fé não é uma teoria nem o viver de aparências, mas é firmada na prática da Vontade do Pai: "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas o que põe em prática a vontade de meu Pai que está nos céus." 
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5. Portanto, caríssimos, a Palavra de Deus é a Sua Voz escrita nos falando diretamente, nos comunicando a Sua Vontade, a Sua presença, o seu querer. Decerto, o Senhor está sempre conosco nos conduzindo para o Seu Reino, basta sermos fiéis e perseverantes até o dia da sua vinda gloriosa.
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6. Destarte, escutemos são Paulo a esse respeito: "Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor... Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar.

7. Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas,
a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a palavra da vida." (Fl 2,12-16a). 
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Tudo me foi entregue por meu Pai...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,21-24)(02/12/25)

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1. Caríssimos nesse tempo de preparação e espera somos constantemente provados em nossa fé, todavia, como nos ensinou o autor sagrado da Carta aos Hebreus: "Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. 

2. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige?
Os pais humanos nos educaram para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que Deus o faz para nosso bem, para nos comunicar sua santidade. (Hb 12,7.10).
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina a louvar ao Pai pelos humildes de coração, pois, eles compreendem e aceitam a Sua vontade sem questiona-lo, porque agem com a sabedoria do Espírito Santo, uma vez que nada atribuem à si mesmos, mas ao Senhor que se revela em sua pequenez.
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4. Eis o que disse o Senhor: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Tudo me foi entregue pelo meu Pai. Ninguém conhece quem é o Filho, a não ser o Pai; e ninguém conhece quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
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5. E acrescentou: "Felizes os olhos que veem o que vós vedes! Pois eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que estais vendo, e não puderam ver; quiseram ouvir o que estais ouvindo, e não puderam ouvir”. 

6. Decerto, com a Sua vinda, por meio da fé, passamos a viver a dimensão eterna no tempo, desse modo, tudo o que diz respeito às coisas de Deus, tornam-se visíveis e sensíveis para nós pelos Sacramentos que revelam a Sua Presença no meio de nós.
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7. Portanto, caríssimos, acolhamos com amor filial todas as graças e bênçãos que nos são derramadas nesse tempo de provação e desafio de nossa fé na certeza de que Deus está sempre conosco e jamais nos abandona. A nossa segurança se encontra na fidelidade e na perseverança até o fim, como o Senhor mesmo nos ensinou: "Aquele que perseverar até o fim será salvo." (Mt 10,22).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Senhor Jesus, eu não sou digno...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 8,5-11)(01/12/25)


1. Caríssimos, examinando a nossa consciência percebemos o quanto somos pecadores e o quanto precisamos da misericórdia de Deus para sermos purificados em todos os sentidos de nossa vida, para nos mantermos em estado graça, e não caírmos na tentação do apego às coisas deste mundo, e de julgarmos uns aos outros.

2. O caminho para a santidade, embora árduo, tem no entanto um objetivo estupendo, pelo qual vale a pena enfrentar qualquer dificuldade e fadiga. Pois, quem nos conduz neste caminho ascendente é o próprio Jesus, que é o fim em si mesmo de todos os nossos desejos, porque Nele habita a plenitude da divindade. 

3. De fato, não há nenhum esforço que possa ser sustentado por muito tempo na ausência de motivações interiores, e estas são representadas pela prontidão de reorientar o nosso viver de acordo com os ensinamentos recebidos do Senhor que nos leva a uma mudança radical de vida.

4. O Evangelho de hoje apresenta-nos um profundo ensinamento sobre a fé: é o episódio da cura do servo do centurião. O centurião de Cafarnaum não esquece o seu criado prostrado numa cama, porque o ama. Embora fosse rico e tivesse mais autoridade do que o seu criado, é grato pelos seus anos de serviço e tem um grande apreço por ele. Por isso, movido pelo amor, volta-se para o Senhor Jesus.

5. E ao se apresentar ao Senhor, ele faz esta belíssima oração: "Senhor, eu não sou digno". Não sou digno, significa humildade, ou seja, reconhece a sua pequenez, a sua fragilidade. E completa: "Basta que digas uma palavra e o meu criado será curado". 

Eis a fé do centurião, acreditar que Jesus pode fazer tudo com o poder da sua Palavra. Aqui estão então três virtudes que nos prepara para o Natal: amor, fé e humildade. 

6. O que pensamos quando o Senhor Jesus elogiou a fé do centurião? Humildade. A humildade do centurião foi a porta por onde o Senhor entrou na sua vida e na vida do seu servo. Decerto, aproximemo-nos do Senhor Jesus por meio da virtude da humildade, abramos o nosso coração para Ele, como o fez o centurião. 

7. Portanto, caríssimos, esta oração do centurião nós a fazemos em cada missa antes da comunhão: "Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e eu serei salvo." De fato, essa atitude orante nos faz experimentar a reconciliação, a esperança da salvação e da paz que o Senhor Jesus nos dá.

 Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

Homilia do 1°Dom do tempo do Advento...

 Homilia do 1°Dom do Tempo do Advento (Mt 24,37-44)(30/11/25)

1. Caríssimos, a palavra que traduz o tempo do Advento se chama: Vigiai. Com efeito, ser vigilante na fé, significa aguardar o nosso Criador que virá pessoalmente nos visitar por seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e nos preparar para o momento em que seremos um só com Ele no para sempre da sua glória eterna.

2. "Deus vem: na vida humana surge um acontecimento que transforma tudo, lança por terra todas as nossas seguranças e os nossos projetos. Repentinamente Ele se aproxima de nós e faz parte da nossa história; reconhce-o presente aquele que tem os olhos abertos, que espera e prepara um mundo novo.

3. Na espectativa daquele dia é preciso vigiar, ficar preparados, agir com prudência e desapego, mas com determinação, pois no seio da história amadurece o Plano de Deus para a nossa salvação. 

4. O tempo que se estende entre a vinda de Cristo e a sua manifestação na glória, é reservado à conversão dos homens (cf. At 3,19-21) e ao fortalecimento dos que crêem (cf. Ef 6,13; Rm 8,11), um tempo humano contendo em si o tempo de Deus, nos permitindo viver já na eternidade.

5. O ritmo da vida atual, cada vez mais agitado, as engrenagens de um sistema que pretende planejar todos os momentos do homem, mesmo o que há de mais privado, reduzem cada vez mais os limites do imprevisto. Tudo deve ser passado pelo computador, classificado, neutralizado, assegurado. 

6. Mas para o cristão Cristo continua a ser um acontecimento revolucionador: quando irrompe em sua vida, impõe uma mudança radical que quebra e transforma a rotina cotidiana, Cristo não pode ser programado, deve ser esperado; devemos deixar em nossa vida o espaço reservado para sua presença permanente.

7. A vigilância cristã permite ler em profundidade os fatos para neles descobrir a vinda do Senhor. Exige coração suficientemente missionário para ver essa vinda nos encontros com os outros." (Missal Romano).

8. Portanto, caríssimos, escutemos atentamente esta exortação de São Paulo: "Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar. Com efeito, agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando; despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz.

9. Procedamos honestamente, como em pleno dia; nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo." (Rm 13,11-14a).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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