VEM SENHOR JESUS!

"Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não incorre na condenação, mas passou da morte para a vida". (Jo 5,24).

SEJAM BEM VINDOS À ESSA PORTA ESTREITA DA SALVAÇÃO

"Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário". (Sl 26,4).

segunda-feira, 14 de março de 2022

"SEDE MISERICORDIOSOS COMO O VOSSO PAI CELESTE É MISERICORDIOSO"




PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 6,36-38)(14/03/22)

Caríssimos, a fé que vivemos nada mais é do que a prática da Palavra de Deus, isto é, da sua voz escrita nos falando e nos ensinando como segui-lo fielmente, de modo que, não tem como duvidar; basta obedece-lo com a certeza de que é Ele quem nos conduz para uma vida de justiça e santidade diante Dele, porque tudo é nú e descoberto aos seus olhos. Assim evitaremos a hipocrisia que leva a um viver de aparências, em que se professa a verdade, mas, põe-se em prática o contrário do que foi professando.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina como viver o amor fraterno que gera a unidade e a paz, diz Ele: “Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados." Ou seja, na sua Palavra já está o poder de se cumpri-la, basta pôr em prática para colhermos os frutos da nossa obediencia.

Vejamos esses preceitos um a um: "Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso." Ou seja, a medida do amor é a misericórdia, logo, o amor não tem medida, por isso, quem ama não tem outra coisa para dar fora do amor; porque é assim que Deus faz conosco, nos concedendo a Sua Divina Misericórdia que não tem limites, uma vez que sem ela jamais poderíamos ser salvos.

"Não julgueis e não sereis julgados." Por incrível que pareça esse é o pecado mais cometido na face da terra e é o que leva os homens a cometerem os mais terríveis pecados. De fato, todas as vezes que julgamos trazemos para dentro de nós os pecados julgados e a imagem negativa dos que julgamos, e isso ocupa o espaço de Deus em nossas almas, gerando mágoa, ressentimento, revolta, desejo de vingança e ódio.

"Não condeneis e não sereis condenados." Sem dúvida, esse é o pior estado de alma que existe, porque confunde-se o pecador com o pecado antes mesmo do juízo final, desse modo, tirar-se-lhe todas as chances de arrependimento e de mudança de vida, e isso demonstra a ausência da misericórdia no coração dos que vivem condenando os outros, por isso, serão condenados, como escreveu são Tiago: "Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento." (Tg 2,12).

"Perdoai e sereis perdoados." Perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus, porque é Deus mesmo quem perdoa por meio de nós, por isso, o perdão é um exorcismo que expulsa o maligno da alma de quem perdoa e de quem é perdoado. De certo, o perdão é uma fonte de paz e um escudo de proteção que nos livra de todas as ofensas e nos mantém íntegros e inocentes, disponíveis para amar e fazer o bem que Deus preparou para que nós o praticássemos.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

 

domingo, 13 de março de 2022

HOMILIA DO 2° DOM DA QUARESMA...


 Homilia do 2° Dom da Quaresma (Lc 9,28b-36)(13/03/22)

Caríssimos, temos consciência da brevidade da nossa vida neste mundo, mas também por graça de Deus trazemos em nossas almas a esperança da vida eterna que Ele nos deu pela ressurreição do Seu Filho. De fato, tudo o que Deus tem revelado nas Sagradas Escrituras diz respeito ao devir, ou seja, o vir a ser eterno, e nos leva a crer ainda mais que as provações que aqui padecemos não tem proporção alguma com a glória futura que herdaremos.

Na primeira leitura ao fazer aliança com Abraão, Deus o fez a partir de duas promessas: a primeira de que ele seria pai de uma grande multidão; e a segunda de que herdaria a terra prometida, porém, o Senhor as cumpriu nos seus descendentes, pois, sabemos que Abraão não as recebeu em vida porque elas simbolizavam o que nós hoje recebemos pela fé, ou seja, a participação na sua família divina como herdeiros do Reino dos céus.

O Evangelho de hoje narra a Transfiguração do Senhor. Mas, qual é o significado desse fenômeno, e qual é a importância dele para a nossa fé? Vejamos: "Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante." Ou seja, o Senhor lhes dá a conhecer por antecipação a glória futura que herdarão, porém, faz isso para que não se escandalizem ao verem-no padecer a paixão e morte de cruz.

De igual modo, o Senhor os leva à evidência da salvação eterna pela presença de Moisés e Elias, como também os faz ouvir pessoalmente a voz de Deus advinda da nuvem que os cobriu; como outrora falava com Moisés na tenda de reunião e todo o povo contemplava a mesma nuvem certos da Sua Presença entre Eles. Sem dúvida alguma tais sinais são para nós a evidência de que Senhor permace conosco nos conduzindo para o Seu Reino.

Portanto, caríssimos, não sabemos o dia e a hora em que o Senhor Jesus nos levará para a Sua glória, porém, temos Dele o que nos prometeu: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3). 

Destarte, a única atitude que o Senhor Jesus nos pede é que tenhamos confiança na Sua promessa, pois, a seu tempo Ele a cumprirá. De fato, como Ele mesmo disse: "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt 24,35).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

ORAÇÃO E PERDÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,44-48)(12/03/22).

Caríssimos, existe em nós um dom que contém em si o descernimento, o poder de decisão e o de se cumprir o que foi decidido, trata-se da obediência, também chamada submissão amorosa quando a usamos para amar e servir a Deus de todo coração. De fato, esse dom é tão importante para a nossa salvação que nada se compara a liberdade que ele nos proporciona ao fazermos por ele a vontade de Deus.

Porém, se usado para o mal, ele leva à escravidão psíquica, física, espiritual, tornando-se um antro de perdição e de infelicidade eterna. São Paulo nos alertando sobre esse perigo disse: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma." (1Cor 6,12). E acrescenta: "Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele." (Rm 8,8-9).

De fato, para exercitarmos com precisão o dom da obediência precisamos nos deixar conduzir pelo Santo Santo, pois, somente Ele nos dá a verdadeira liberdade de expressão e de ação (cf. 2Cor 3,17), como ainda nos ensina são Paulo: "De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." (Rm 8,13-14).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus ensina os seus discípulos a respeito do perdão e da oração de intercessão por aqueles que nos perseguem, diz Ele: “Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!" Ou seja, de uma mesma fonte não pode sair água podre e água limpa; o ódio é água podre; o amor é água límpida, cristalina.

E continua o Senhor: "Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis?" Ou seja, não vamos deixar de amar, porque existem pessoas que não amam; nem vamos deixar de ser bons, porque uns tantos decidiram pela maldade. De certo, enquanto estivermos neste mundo sigamos fielmente na íntegra o que nos ensina nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, caríssimos, a prática das virtudes eternas gera os frutos do Espírito Santo em nossas almas: "O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança. Contra estas coisas não há lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne, com as paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito." (Gl 5,22-25).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 11 de março de 2022

PAI PERDOA, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,20-26)(11/03/22)

Caríssimos, o amor não é apenas uma Lei, mas a Potência Divina agindo em nossa vida quando abrimos o coração para nele Deus habitar. A vida boa, bela e perfeita só é possível à quem ama incondicionalmente a Deus sobre de todas as coisas e ao próximo para a si mesmo, fora desse amor, a alma humana se esvazia das virtudes eternas que a mantém em estado de graça, por isso, sucumbe facilmente à menor tentação, por se deixar enganar pelas insídias do maligno.

Com efeito, esta liturgia de hoje é um alento para a fé e um conforto para a alma, pois, trata do perdão incondicional que é um exorcismo para quem perdoa e para quem é perdoado, porque quando perdoamos, é Deus mesmo quem perdoa por meio de nós.

De fato, quando o espaço sagrado da alma é ocupado pelo pecado da soberba, essa a escraviza, impedindo a prática das virtudes, por isso, muitos teem dificuldade de perdoar. Todavia, quando se voltam para Deus com a intenção do perdão, logo sentem um alívio, pois, sua graça age de imediato abrindo espaço para a virtude da misericórdia.

Na primeira leitura o Profeta Ezequiel fala a respeito da importância do arrependimento e da prática do direito e da justiça para se obter o perdão dos pecados e a mudança de vida: “Se o ímpio se arrepender de todos os pecados cometidos, e guardar todas as minhas leis, e praticar o direito e a justiça, viverá com certeza e não morrerá. Nenhum dos pecados que cometeu será lembrado contra ele. Viverá por causa da justiça que praticou."

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus faz uma revisão do quinto mandamento e começa dizendo: “Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus, vós não entrareis no Reino dos Céus." De fato, a base da justiça é a misericórdia e o amor fraterno, pois, o justo nunca julga nem condena ninguém, mas perdoa sempre porque somente assim ajuda aos que caíram a se levantarem de suas quedas.

Portanto, caríssimos, perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus; não perdoar é se condenar a si mesmo, pois, doravante levará na alma os pecados julgados e a imagem negativa daqueles que julgou, e isso ocupa o espaço de Deus dentro da alma, causando mágoas, ressentimentos, rancor e ódio, que são veneno espiritual que a corroe por dentro.

Destarte, sem a convivência interior com o Senhor Jesus, que é a Fonte do amor e da misericórdia infinita, não se pode progridir no convívio com o próximo, porque a tendência de quem vive julgando e condenando os outros é se afastar cada vez mais da prática da fé e do convívio com o Senhor.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 6 de março de 2022

HOMILIA DO 1° DOM DA QUARESMA...


 Homilia do 1°Dom da Quaresma (Lc 4,1-13)(06/03/22)

Caríssimos, por incrível que pareça somos frequentemente tentados, pelo inimigo de nossas almas, a nos separar de Deus, porque caso caiamos em tais tentações facilmente seremos derrotados e destruídos por ele. Sem dúvida alguma, o mal é uma realidade sobrenatural que tenta nos atrair para si nos oferecendo falso prazer, falso poder e falsa liberdade, sempre com o intuito de nos separar de Deus.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto aonde foi tentado pelo maligno. São Lucas em sua narração apresenta as três tentações que mais afastam os homens de Deus e os expõe as mais terríveis perversões: o prazer fácil dos sentidos sem um santo propósito; o poder temporal não como serviço, mas como dominação, e a falsa sensação de liberdade, sem a vontade de Deus.

Com efeito, o modo como o Senhor Jesus lidou contra as insídias do maligno, nos dá a certeza de que Deus está no comando e é invencível, e a Sua Palavra posta em prática nos mantém unidos a Ele e nos faz invencíveis também; vejamos como procedeu o Senhor: à tentação do prazer fácil, respondeu: “A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem". 

À tentação do poder temporal malignamente exercido, respondeu: "A Escritura diz: ‘Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás’”. Ou seja, todo poder pertence somente a Deus. E por fim, à tentação da falsa fé, que consiste na falsa interpretação da Palavra de Deus, o Senhor respondeu: “A Escritura diz: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus”. Ou seja, quem ama a Deus obedecendo os Seus Mandamentos, jamais tem dúvida da Sua proteção.

Portanto, caríssimos, fiquemos atentos ao que o Senhor Jesus nos ensina nas Sagradas Escrituras, pois nelas estão contidas todas as respostas que devemos dar às tentações que chegam à nossa mente, porque todas elas são intromissões do maligno querendo nos enganar e nos separar de Deus.

Destarte, nessa luta contra as tentações nunca estamos sozinhos o Senhor vai à nossa frente e luta bravamente conosco para nos fazer vencer todas as batalhas basta estarmos atentos em vigilante oração que é a nossa arma de combate mais poderosa juntamente com a Sua Santa Palavra.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 5 de março de 2022

O CHAMADO QUE NOS LEVA PARA O CÉU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 5,27-32)(05/03/22)

Caríssimos, os valores eternos da obediência, do amor e da justiça são para nós amparo, socorro, e a convicção de que é Deus mesmo que nos conduz por meio desses valores. Por outro lado, os valores monetários, estéticos, políticos, e todos os outros ditos humanos, são só aparentes, porque são reconhecidos apenas enquanto aqui existimos. Uma vez que, após a morte, tudo o que é aparente desaparece como fumaça que se esvai em meio a atmosfera que nos envolve.

Sem dúvida alguma, muitos buscam riqueza, poder, prazer, fama e tantas outras influências que já não teem tempo para Deus, ou seja, vivem tão ocupandos com seus interesses mesquinhos, que se esquecem que Deus é a única Fonte de vida eterna, e sem Ele ninguém é feliz. No entanto, quando caem no vazio existencial se lembram Dele, seja para pedir socorro ou renega-lo dependendo dos valores humanos e cristãos que ainda trazem em suas almas.

Com efeito, esta liturgia de hoje vem nos mostrar a necessidade de uma constante conversão, ou seja, de voltarmos para o Senhor de todo coração e segui-lo fielmente até o fim de nossos dias neste mundo. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus olha para o cobrador de impostos Levi e lhe diz: "Segue-me." O seu olhar e chamado são tão envolventes e irresistível que ele deixa tudo para segui-lo.

De certo, sentir-nos chamados pelo Senhor Jesus, como os Apóstolos sentiram, é percorrer o mesmo caminho de conversão que nos leva à conformidade com o Senhor, como nos ensina são João: "Aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (Jo 2,6). Em outras palavras, significa deixar o barulho deste mundo para nos manter na quietude da paz interior que o chamado do Senhor nos proporciona.

Portanto, caríssimos, o chamado que o Senhor Jesus nos faz se transforma em seguimento que é a nossa participação na sua vida divina e sua missão, de modo que, tudo o que recebemos dessa comunhão com Ele, transmitimos ao próximo, àqueles com quem convivemos e também os que estão longe. Isto é, fazer do nosso viver o Seu Evangelho vivo para que seja lido e vivido por todos que encontramos a caminho do Reino dos céus. 

Destarte, o chamado é sempre uma revelação do infinito amor de Deus por nós, um amor que não pára diante de nenhuma adversidade. O certo é que o Senhor Jesus nos chama e nos dar a graça de segui-lo fielmente num processo de conversão permanente que consiste em deixar os valores passageiros deste mundo, pelos valores eternos do Seu Reino.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 4 de março de 2022

A PRÁTICA DA FÉ REQUER EMPENHO, DETERMINAÇÃO E COERÊNCIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 9,14-15)(04/02/22)

Caríssimos, a prática da fé não é um ato meramente externo, natural, baseado no instinto de proteção; e não é uma busca fantasiosa; ou uma criação da mente, nem tão pouco uma teoria ou uma filosofia de vida; mas sim uma relação íntima com Deus, ao encontra-lo no coração das nossas almas, isto é, na nossa consciência, e com Ele dialogarmos como seus filhos e filhas.

De fato, nesse encontro espiritual com o Senhor, o dom da oração é fundamental, porque é o espaço sagrado em que o encontramos e com Ele mantemos um diálogo justo, santo, expondo não somente o que precisamos, mas principalmente o quanto o amamos, o louvamos e agradecemos por todos os benefícios que Dele recebemos.

Desse modo, compreendemos que, como é a nossa oração, assim é também a nossa vida. Se a nossa oração é esse diálogo amoroso em que falamos e silenciamos para ouvir as suas inspirações e depois traduzi-las na nossa prática de vida por meio da caridade fraterna, da justiça, bondade, humildade, perdão, compreensão e as outras virtudes, é sinal de que realmente o encontramos e permanecemos na Sua Presença. Porque, é dessa relação com o Senhor que nasce a nossa relação com os nossos irmãos e irmãs.

Todavia, se a nossa prática da fé brotar de uma oração superficial, que não se traduz em gestos concretos de solidariedade e amor fraterno nas nossas relações interpessoais, obviamente ouviremos do Senhor o que Ele revelou ao profeta Isaías: "Esse povo vem a mim apenas com palavras e me honra só com os lábios, enquanto seu coração está longe de mim e o temor que ele me testemunha é convencional e rotineiro." (Is 29,13).

Portanto, caríssimos, sejamos cuidadosos e prestemos muita atenção às tentações que chegam à nossa mente para não cairmos em tais ciladas do inimigo de nossas almas, principalmente a tentação do falso julgamento, das comparações indevidas e das críticas impiedosas que não passam de hipocrisia fruto de uma mente doentia, e da prática superficial da fé que consiste em investigar a vida dos outros, ao invés de ser misericordiosos, compreensivos, afáveis e caridadosos.

Destate, as práticas quresmais da oração, do jejum e das obras de misericórdia, assumem o seu real sentido quando nos conduz a um viver mais solidário, fraterno, misericordioso e repleto de compaixão, porque somente assim testemunhamos verdadeiramente que Deus se faz presente na nossa vida.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 3 de março de 2022

SE ALGUÉM QUER ME SEGUIR... TOME A SUA CRUZ DE CADA DIA E SIGA-ME...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,22-25)(03/03/22)

Caríssimos, dentre os acontecimentos desta breve vida natural, o mais trágico de todos é a morte, porque significa desaparecer, sumir como presença real, por isso, quando um ente querido morre, seus parentes sentem sua perda, no entanto, permanece a lembrança dos momentos felizes impressa em suas almas, e logo dizem: quanta saudade... Quanta falta nos faz... De fato, o que seria de nós sem a garantia da vida eterna que o Senhor Jesus nos dá (cf. Jo 14,1-6)?

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus anuncia que sofrerá muito e será morto por seus algozes, os anciãos, os sumos sacerdotes e doutores da Lei; mas também anuncia que no terceiro dia ressuscitará. Por isso, alerta os seus discípulos e a todos os seus seguidores: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?” (Mc 9,22-25).

De fato, mesmo em meio as provações que sofremos neste mundo por conta da nossa finitude, a esperança que nasce da fé na ressurreição nos dá uma enorme sensação de segurança, porque não vivemos para este mundo nem para nós mesmos, mas sim para Deus que nos criou por amor e nos sustenta na vida por sua Divina Providência; e caso falharmos não correspondendo ao Seu amor, logo vem em nosso socorro por Sua Divina Misericórdia.

No entanto, não basta nos sentirmos amados, perdoados e queridos até a última gota do Sangue de Cristo; é preciso perseverarmos no estado de graça, isto é, na comunhão com o Senhor, porque, caso contrário, facilmente nos deixamos dominar pelo pecado que causa a morte de quem o comete. 

De certo, a quaresma é um tempo de treinamento que fazemos por meio da oração, da penitência e das obras de misericórdia a fim de nos fortalecer no combate espiritual contra as tentações e o pecado, de modo que, vencendo a nós mesmos, venceremos todos os inimigos visíveis e invisíveis, mas isso só é possível mediante a renúncia de si mesmo, para seguirmos o Senhor Jesus, levando a nossa cruz de cada dia. Aliás, depois da crucifixão do Senhor Jesus, ninguém entra no céu sem antes passar pelo crivo da cruz.

Portanto, caríssimos, recitemos com profunda devoção esta apaixonante exortação de são Paulo: "Meu ardente desejo e minha esperança são que em nada serei confundido, mas que, hoje como sempre, Cristo será glorificado no meu corpo (tenho toda a certeza disto), quer pela minha vida quer pela minha morte. Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro." (Fl 1,20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 2 de março de 2022

QUARESMA TEMPO DE CONVERSÃO POR EXCELÊNCIA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA 

(Mt 6,1-6.16-18)(02/03/22)

Caríssimos, a quaresma é um tempo privilegiado de conversão, de combate espiritual, de jejum medicinal e curativo, e sobretudo tempo de escuta da Palavra de Deus, que é a sua voz escrita nos falando diretamente, e de uma catequese mais aprofundada que nos recorda os grandes temas batismais em preparação para a Páscoa. 

Nesse tempo o povo de Deus empreende um esforço exigente, porém, libertador, que deve abri-lo ao chamado do Senhor e da comunidade cristã. Privando-se do alimento terreno nas múltiplas formas que se lhe apresentam, aprenderá a saborear, acima de tudo, o Pão da Palavra de Deus e o Pão da Eucaristia, alimentos da alma a caminho da vida eterna, desse modo, sentirá o dever de compartilhar os bens deste mundo com os mais necessitados.

Com efeito, são três os exercícios quaresmais pelos quais nos entregamos inteiramente a Deus para acolher a sua vontade e realiza-la por meio da nossa prática de vida, a saber: oração, penitência ou jejum e esmola. A primeira delas, a oração, é um encontro filial feito com o Senhor no coração da nossa alma que é a nossa consciência por onde passa todos os pensamentos e de onde nascem as nossas escolhas e decisões, e o estado de alma que resulta da nossa prática da fé.

O segundo exercício quaresmal é a penitência ou jejum; que não significa somente privar-se de algum alimento, mas, mortificar o que em nós não é a vontade de Deus, como nos ensinou são Paulo: "Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Dessas coisas provém a ira de Deus sobre os descrentes." (Cl 3,5-6).

O terceiro e último exercício quaresmal, é a esmola; pois, fazer o bem, é o critério que autentica a nossa fé, uma vez que Deus nos criou somente para fazermos o bem e sem olhar a quem e sem esperar recompensa ou agradecimento, porque quem faz o bem, é recompensado por Deus pelo bem feito, ou seja, se sente bem, como nos ensinou são Paulo: "Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé." (Gl 6,7-10).

Portanto, caríssimos, o ápice da nossa fé, é o nosso encontro pessoal com o Senhor Jesus na Eucaristia, porque comungar o Senhor, é ser um só com Ele, é ser o seu sacrário vivo, e leva-lo à todas as pessoas que encontrarmos neste mundo. 

Destarte, celebrar a Eucaristia nesse Tempo da Quaresma, é percorrer com o Senhor Jesus o itinerário da provação que pertence à Igreja e pessoalmente a cada um de nós que professamos a fé; é assumir decididamente a obediência filial ao Pai, e o dom de si aos irmãos e irmãs, porque isso constitui o nosso sacrifício espiritual.

Uma santa e perseverante quaresma para todos...

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

EIS QUE DEIXAMOS TUDO PARA TI SEGUIR...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Mc 10,28-31)(01/03/22)

Caríssimos, olhando este mundo repleto de tentações, pecados, guerras, violência, sofrimentos e tanta maldade, se confiarmos em nós mesmos, nos sentimos inseguros, angustiados, preocupados, cheios de medos, e até sofremos a tentação de pensar que Deus abandonou este mundo deixando-o à mercê do mal. No entanto, ao meditarmos nos sofrimentos de nosso Senhor Jesus Cristo, entendemos que Deus padece conosco as nossas dores para nos libertar da morte e de todo mal.

São Paulo na sua Carta aos Romanos escreveu: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus." (Rm 8,18-21).

De fato, a felicidade tem nome e se chama Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, que por seu sacrifício de cruz nos libertou para sempre do pecado e do poder do inferno. De certo, quem vive em comunhão permanente com o Senhor experimenta a sua amizade, o seu amor pela obediência à sua Palavra, como Ele nos ensinou: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós." (Jo 15,14.17-18).

Na primeira leitura assim nos exorta são Pedro: "Por isso, preparai a vossa mente; sede sóbrios e ponde toda a vossa esperança na graça que vos será oferecida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos obedientes, não modeleis a vossa vida de acordo com as paixões de antigamente, do tempo da vossa ignorância. Antes, como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos, também vós, em todo o vosso proceder. Pois está na Escritura: “Sede santos, porque eu sou santo”.

No Evangelho de hoje Pedro sentindo-se inseguro quanto ao futuro se dirigiu ao Senhor com estas palavras: “Eis que nós deixamos tudo e te seguimos”. Respondeu Jesus: “Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida — casa, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, a vida eterna."

Portanto, caríssimos, e nós o que deixamos para seguir o Senhor Jesus? Se a nossa resposta for, deixamos tudo, fiquemos certos de que a mesma resposta que Ele deu aos Apóstolos, também dá a cada um de nós, e isso é a garantia da nossa salvação.

Destarte, recitemos de coração estas palavras de santa Tereza D'Avila, pois, são conforto e segurança para as nossas almas:

"Nada te perturbe,

nada te amedronte

tudo passa

a paciência tudo alcança...

A quem tem Deus

nada falta

só Deus basta."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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